Eterno Efêmero
Por Aline W.
Revisão por: Helô



Capítulo 1:

colocou a mão no ombro da amiga, empurrando-a por entre as pessoas. O salão estava lotado e ela não imaginava que tanta gente iria àquela festa. Ela nem tinha divulgado tanto! Não conseguiu imaginar na maneira com que a informação chegara aos ouvidos daquelas pessoas.
... Não acho que seja uma boa idéia...
– Claro que é uma boa idéia, você só precisa se acalmar... Alguém já disse o quão tensa você anda? – perguntou de uma maneira engraçada, fazendo rir.
– Você é maluca – disse sendo empurrada sem nenhuma sutileza. – subitamente – parou de empurrar e segurou os ombros da amiga, fazendo-a parar de andar instantaneamente. Ela passou o braço pelos ombros da outra a apontou para um rapaz que sorria conversando com um outro garoto.
– Ele é aquele ali – ela disse.
olhou para o garoto e o olhou de cima a baixo. Sim, ele era bonito.
– Ah... É, não é tão feio – disse cômica.
– Sua nojenta, você achava que meu irmão era feio? – perguntou fazendo uma pose de importância. A outra riu. adorava falar esse tipo de coisa, como ‘Eu sou linda e todos me adoram’. Mas fazer o quê, se era assim mesmo?
Elas eram amigas há um ano, muito amigas por sinal. conhecera em uma aula de ginástica que faziam juntas. era daquele tipo de pessoa que vivia arrumando dietas e academias novas, sempre querendo perder um quilo e meio. Não era uma riquinha fútil e metida a besta, era apenas... Conhecida.
era diferente. Ela também vivia querendo perder um quilo e meio, mas a paranóia era menor. Ela sempre tivera tudo o sempre quis. Morava em um dos bairros mais caros de Londres e seu pai não hesitava em atender a seus caprichos. Cresceu assim, embora não fosse uma garota totalmente mimada e patricinha.
dizia que tinha problemas com relacionamentos. Ela nunca havia tido um namorado. Ficava com os rapazes e quando não queria mais ficar com eles, ela gentilmente os dispensava. Não que a garota fosse uma cold heartbreaker, mas era bonita e se aproveitava bem disso.
Ela riu com o comentário da amiga e balançou a cabeça negativamente.
– Não, é que eu não gosto de encontros arranjados – disse com um ar displicente, que fez lhe estapear o braço. A outra fez uma careta de dor. – Sádica.
– Cala a boca e vamos lá – ela tornou a empurrá-la e pararam de frente para o rapaz que observavam.
Ele parou de conversar com quem estava e olhou para as duas, sem entender.
– Que foi, ? – ele perguntou para a irmã, que revirou os olhos.
– Vim te apresentar minha amiga, disse irônica. Ela revirou os olhos ao ver a cara de compressão do irmão. – Essa é a ... , este é o , meu irmão bastardo.
mostrou a língua para a garota, que lhe mandou um beijo.
– Ah, oi falou apertando a mão do rapaz.
– Oi! – ele disse animado. – Então você é a famosa .
– É, sou a ... Mas não sei dessa coisa de famosa não – ela falou e eles riram. percebeu que logo iriam se entrosar.
– Bom, já fiz meu trabalho. Deixem-me procurar o que ele deve estar nervoso por que eu sumi... – ela piscou o olho para a amiga e riu, dando as costas e sumindo por entre as pessoas.
virou-se para novamente e sorriu, vendo o garoto retribuir o sorriso. E, aliás... Ele tinha um belo sorriso.
– Então ... O que você faz da vida? – ela perguntou, pegando um copo de algo vermelho e estranho que passava em uma bandeja.
– Nada – ele falou simplesmente e os dois riram, depois do espanto de . – Na verdade, eu estou esperando para assumir a empresa do meu pai.
– Mas você faz faculdade ou coisa parecida? – ela perguntou interessada.
– Não – e riram novamente. – Mas essa coisa de administração, sabe... Não sei, talvez eu esteja sendo ignorante e realmente precise de um diploma... Mas você sabe... A preguiça existe para o mal. – ela riu mais ainda com aquele comentário. – E você? O que faz?
– Bem... – mexeu nos cabelos. – Absolutamente nada. – e mais risadas. – Meu pai me banca desde sempre... E eu acredito que ele não ache que eu precise trabalhar. Se um dia eu precisar, ele vai me arranjar algo.
– Pois é, creio que sejamos iguais! – falou sorridente e sorriu junto. – Qual a sua idade, ?
– Tenho 19, e você? – perguntou ela.
– Também! – respondeu animado. Ele olhou para o lado e acenou para dois garotos que haviam acabado de chegar. – Até que enfim os idiotas chegaram. Vamos, vou te apresentar a eles.
Ele estendeu a mão para que ela pegasse e o fez, seguindo .
– um deles falou e apertou a mão de .
– E aí. Ah, essa é a – ele falou apontando pra garota ao seu lado. – , estes são e – falou apontando para cada um.
acenou animado e sorriu, ato que fez retribuir e achá-lo incrivelmente simpático.
, por sua vez, não acenou. Ele apenas apertou os olhos e aos poucos, um sorriso foi aparecendo em seu rosto. sorriu de volta e balançou a cabeça.
– Você achou essa menina bonita na multidão? – perguntou engraçado. e riram, não tirava os olhos dela.
– Não, quem me apresentou foi a respondeu.
– Ahhh, amiga da . Mas olhe, ela conhece umas garotinhas bonitinhas, eu vou pedir pra ela me arrumar um encontro desses... – dizia. não conseguia parar de rir. Ele era bem engraçado. empurrou o amigo, também rindo, e olhou para , que agora olhava para o líquido dentro de seu copo parecendo interessado.
– Que foi, ? Tá deprimido, cara? – ele perguntou. O outro levantou a cabeça rapidamente e olhou para eles.
– Ahn? O quê? Ah, não... – ele balançou a cabeça sorrindo.
– Tá sem vontade de festa? – perguntou. olhou pra e viu que as bochechas dele estavam rosadas. Incrivelmente rosadas.
– Sei lá, acho que vou dar uma volta. Vocês viram o ? – ele perguntou.
– Tá com a , provavelmente – respondeu acenando para uma garota que passara sorrindo pra ele.
– Está, ela disse que estaria com ele – se pronunciou, fazendo erguer a cabeça e olhá-la. Ele desviou o olhar depressa.
– Vou lá fora, eu já volto – disse e deu as costas, saindo de perto.
e se entreolharam, sem entender.


– Ahhhhhh, você é muito devagaaaaaaar, ! – falava enquanto ele e viravam copos de vodka e assistia tudo, empolgada.
– Ele não consegue! – ela falou animada.
– Tá brincando comigo?! – virou-se pra ela, já meio tonto.
– Não, você é fraco! – ela tornou a provocar. O garoto encheu mais um copo e levou à boca, tomando tudo em três goles.
– Cara, vai mais devagar! – falou rindo, quando quase caiu do banco em que estava sentado, no balcão do bar. teve que segurá-lo.
, ele está bem mal agora... – a garota disse preocupada quando viu desacordado em seus braços.
– Está nada – o outro falou tomando mais um gole da vodka. – Você deveria virar um desses copos...
, procura a depressa. – disse tentando fazer acordar, dando tapinhas em seu rosto. Ele estava suado e tinha bebido muito.
– E você acha que eu consigo andar? – ele perguntou de uma maneira engraçada. bufou e levantou a cabeça, olhando pelo salão, tentando encontrar ou alguém conhecido.
– Meu Deus... Como eu vou carregar esse cara? – ela olhou para o desacordado e ajeitou a posição do garoto em seus braços, passando a mão pela testa dele e vendo que ele estava quente. Mas que garoto fraco!
– Algum problema? – um rapaz alto e bonito chegou perto, apontando para .
– Ai, ! Graças a Deus, você apareceu! – falou.
– Caraca, ele tá verde! – disse ainda olhando .
– Justamente, preciso achar a ! – ela falou tirando uns fios do cabelo de do rosto dele. O garoto não fazia nem menção de se mexer. Estava apagado.
– Ela está no carro, tá passando mal igual a esse aqui – ele revirou os olhos. – É sempre assim, sempre sobra pra mim passar a noite cuidando dela. Vem, vou levar o também... Ajuda aqui – disse pegando o braço de e passando pelos seus ombros, com a ajuda de .
apoiou nele e estava pronto pra sair, quando virou e disse:
– Você vem com a gente – ele apontou com a cabeça para , que estava cantarolando algo no balcão, olhando compenetrado para o copo de vodka. O outro girou os olhos e olhou pra . – Traz ele, por favor?
– Ok – cutucou , que a olhou com o olhar bêbado número 1 da noite. – Vamos pra casa, garoto.
– Mas eu nem te conheço! – ele falou sendo arrastado para fora da festa. – Ei, cuidado!
Quando eles chegaram ao carro de , o garoto ajudou a entrar e rapidamente fechou a porta para que os três não saíssem de lá.
– É... Agora falta o disse e na mesma hora, apareceu correndo de dentro do salão.
– Ei! Ei, pra onde vocês vão? – ele perguntou olhando e cochilando dentro do carro e ainda cantarolando.
– Levar essa gente pra casa – falou. – Se você vier, pega o carro do .
– Tá certo. Você vai levar cada um pra sua casa, ou vai todo mundo pro mesmo lugar? – perguntou catando a chave de no bolso do casaco dele, ignorando os xingamentos do amigo.
– A gente vai pra minha casa. Lá é maior e o meu irmão não tá em casa – morava sozinho com o irmão mais velho, o que facilitava tudo.
– Certo. – catou a chave de e foi para o carro do amigo.
– Ei bonitinha, você vem também – falou abrindo a porta do carona para entrar. Ela sorriu e entrou, colocando o cinto.
– Quer dizer que vamos ter uma noite super divertida cuidando de colegas bêbados? – ela perguntou e sorriu, confirmando. sempre gostou bastante de . Ela já o conhecia por que era quase namorado de . – Legal.

Capítulo 2:

colocou deitado na cama de casal de e lutou para jogar debaixo da água fria enquanto ele ainda estava acordado.
– Isso dá prejuízo! – falou se jogando no sofá ao lado de , que riu. – Tô cansado. Quero dormir.
Ela murmurou algo incompreensível e fechou os olhos, almejando sua cama.
– Você dorme no quarto do meu irmão com a , eu e no meu quarto e o dorme nos hóspedes com o , que já se acomodou lá – falou levantando cansado.
– Eu devo estar cheio de hematomas dos chutes do ... Filho de uma égua – falava enquanto descia as escadas. sorriu e rapidamente a olhou inexpressivo, como se não acreditasse que ela estava sorrindo pra ele. A garota franziu a testa, sem entender e ele continuou descendo as escadas, chegando perto de e entregando a chave do carro de . – Coloca em algum lugar seguro, cara.
– Pode deixar. Boa noite – ele resmungou subindo e os outros dois na sala responderam. continuava jogada no sofá. Se dependesse do sono e da preguiça ela dormiria ali mesmo. Todo fim-de-semana tinha uma festa para ir e ela não recusava. Adorava festas, adorava se divertir. Só não gostava de beber até morrer [N/A: Piadinha sem graça, rs] e ser carregada pelos outros.
– Então... Você está saindo com o ? – ela ouviu a voz de e olhou pra ele, que já estava sentado em uma poltrona.
– Não – respondeu diretamente. – A que nos apresentou hoje, acho que ela quer que nós fiquemos juntos.
– Hm... – resmungou e eles ficaram calados. – Mas você... Teria algo com ele?
estreitou os olhos e franziu a testa. Sentou direito no sofá e estudou . Por que ele estava lhe fazendo aquelas perguntas estranhas e por que desde que a conhecera estava olhando para ela de uma maneira estranha?
– Talvez... Por que você quer saber? – ela perguntou, já imaginando a resposta.
– Bom, – deu um sorriso. – apenas pra saber.
Ela sorriu de volta e viu que o sorriso dele era tão bonito quanto o de . A única diferença era que os olhos de brilhavam enquanto ele falava com ela.
– Agora que você já sabe... Eu vou dormir – ela levantou e ia subindo as escadas.
– Eu tenho você no MySpace – disse enquanto subia as escadas ao lado dela. soltou um suspiro de surpresa e olhou pra ele, que estava sorrindo.
– É verdade! Eu sabia que te conhecia de algum lugar! Mas é claro, você é amigo do . Que idiota que eu sou – ela falava e ria.
– Não esquenta – ele disse. – Então até amanhã, .
– Até amanhã, .


– Uau, que dor de cabeça é essa? – perguntou descendo as escadas com os cabelos molhados no dia seguinte. e estavam sentados no sofá da sala, vendo algo na tv e estava jogada em uma poltrona, também com os cabelos molhados.
– Efeitos colaterais – respondeu ainda olhando para a tv.
– Não, . É ressaca. – disse chamando para sentar ao lado dele e ela foi depressa. passou o braço pelos ombros dela e o abraçou, aconchegando-se ali. olhou a cena e sorriu, piscando lentamente. Ela queria aquilo, um dia. Sentir-se segura com alguém, nos braços de alguém. Queria sentir aquilo que e sentiam, embora não combinasse com ela. nunca fora a mais romântica das pessoas. Ela era bem fria com os garotos, na verdade. Era acostumada com a bajulação deles.
Não seria espanto nenhum se ela nunca tivesse amado na vida. Preferia curtir seus 19 anos sem paranóia, sem se prender a ninguém. E ela não sentia falta de um grande amor.
era assim. Vivia sentindo falta de namorados e vivia chorando pelos cantos quando ficava sozinha. Desde que começara a sair com , ela não parava de falar nele e isso as vezes deixava irritada. Como alguém pode ficar tão idiota quando apaixonada? Ela nunca ficaria assim. Era ridículo!
– Alguém ousou falar em ressaca? – apareceu descendo as escadas com os cabelos nas alturas e as mãos na cabeça. – Ahhhh!
– Bem feito – resmungou.
– Cala a boca retrucou com os olhos fechados.
– É, cala a boca repetiu se jogando no sofá ao lado deles. olhou para eles como se fosse reclamar de algo, mas fez sinal de “shiu” pra ele e contornou com os lábios ‘Cala a boca’.
– Ah, beleza. É isso aí, ‘Everybody hates ’ – ele falou voltando a se jogar no sofá, com os braços cruzados e contrariado. riu. Ela não sabia o que era, mas tinha simpatizado com o rapaz.
– Relaxa , eu estou do seu lado – falou dando um sorriso para , que olhou para ela e a estudou por uns segundos e retribuiu o sorriso.
Era aí. Essas atitudes dele que a deixavam simpatizada com o rapaz. Ele parecia ser um doce.
– Uma pessoa pensa nessa sala – ele comentou.
– O que você está querendo dizer com isso, ? Tá dizendo que eu não penso? – perguntou ainda abraçado à .
– Olha ! – falou impressionado. – A carapuça serviu em você!
apertou os olhos e tentou acertar com uma almofada, mas o outro desviou rindo.
– Devagar com isso!
– Não quando eu quero acertar em você!
– Mas é mais útil no !
– Não me coloca na sua briga, ! – se defendeu rindo e logo um cambaleante apareceu se jogando por ali junto a eles. Ele sentou junto à e ela viu olhar desconfiado. Foi o que bastou para ela começar a comparar os dois. era bonito e tinha um sorriso incrível, mas tinha o sorriso mais bonito...
– Boa tarde, disse ao ver o irmão coçar a cabeça. Por que não sabia, mas aqueles dois só se chamavam de . Quando estava muito bravo com a irmã, ele a chamava pelo primeiro nome. Idem pra ela.
– Tarde – disse. – Tô com fome.
– Nós também – disse já rindo.
– Posso chamar a ? – perguntou já pegando o telefone e discando. franziu a testa. Quem seria ? Será que era a namorada dele? Claro que um garoto bonitinho como não ia ser solteiro.
– Claaaaro, liga pra ela! – falou animado. – Oba, oba.
lançou um olhar de reprovação sobre , que encolheu os ombros e desviou o olhar. , e desataram a rir. , desatou a boiar (?).
– Quê, quem é ? – ela perguntou.
– Minha irmã – respondeu colocando o telefone no ouvido e saindo de perto pra falar. Ela sorriu ao ouvir a resposta e balançou a cabeça afirmativamente. Isso mesmo, solteiro. Como ela queria.
– Que o azara – falou em voz baixa. sorriu e olhou para , que também estava tentando falar algo:
– Mas o não confia no .
– Por quê? – ela perguntou curiosa. Eles não eram amigos?
– Por que o é um safado – falou depressa, ignorando a cara feia que fazia, tentando desmentir. – É claro que o teme pela irmã dele. Coitada da , uma garota tão legal e bonita... Ser brutalmente enganada por um safado sem escrúpulos...
– Eu jurava que você ia dizer ‘ser brutalmente assassinada’ – disse e logo eles desataram a rir novamente, vendo voltar. O silêncio reinava.
– Quê? – o garoto perguntou ao perceber os olhares dos outros sobre ele.
– Nada não – abanou o ar. – Ela vem? – ele perguntou com os olhos brilhando.
– É, vem. – respondeu irritado.
se animou e logo eles começaram uma conversa sobre músicas e covers.

Estavam todos sentados no chão havia uma hora. , a irmã de , já havia chegado e tinha achado a garota muito simpática, além de parecer muito com o irmão.
– Já que eu lembro da cifra, , me passa o violão que eu toco! – insistia.
– Claro que não. Você nem sabe tocar direito, se liga! – falou rindo, fazendo , , , e rirem junto. apertou os olhos e riu sarcástica.
– Há, há, há. Então ninguém toca! – puxou o violão da mão do amigo e colocou no sofá.
– Deixa de ser fominha, ! – resmungou.
– O quê? Não estamos em um jogo de futebol, , nada de fome por aqui! – ela rebateu rindo.
– Tu és chata demais, cara.
– Tu és insuportável, cara.
– Chega vocês dois. Vão assustar a , aqui. Que está conosco pela primeira vez hoje – disse dando umas tapinhas no ombro de e fazendo balançar a cabeça dizendo algo como ‘é verdade, é verdade’.
– Ah, não se incomodem comigo. Podem lutar à vontade – ela disse achando divertido. tinha seus amigos idiotas, mas os amigos de eram piores. E ela estava achando o máximo estar ali. E também estava achando o máximo os olhares que dava pra ela, apesar de que ela deveria estar achando o máximo os olhares de , mas... Ele não estava olhando. E estava. Em quem ela deveria prestar atenção, em ou em ? Ops...
– A garota é descolada... – zoava e lhe deu um pequeno empurrão, fazendo o garoto rir. Eles ouviram uns barulhos e logo, estava de volta, com um enorme pote de sorvete e uma colher. – Ô ! – repreendeu.
– Quié? – perguntou.
– O sorvete do meu irmão!
– Te lasca, não tô nem aí.
balançou a cabeça negativamente e bufou, vendo oferecer sorvete à , que estava bem tímida. Ela não era muito de sair com eles segundo , mas era bem legal. Continuaram ali por mais um tempo até que deu a idéia de que eles deveriam sair, já que era um fim-de-semana e nenhum deles tinha o que fazer na semana seguinte. Bem, apenas , que trabalhava em uma loja pequena de artigos para festa, e , que ajudava o irmão em casa.

– Você deveria ficar com o dizia, quando elas estavam na casa dos , se arrumando para ir à tal boate que tanto queria ir. Os garotos ainda estavam na casa de . – Vocês dois combinam...
– Não tem essa, ! O nem olhou direito pra mim... O sim. – disse olhando fofo pra , que sorriu.
– É, eu conheço o . Ele olhou diferente pra ti mesmo.
– Viu?
– Não embaça, !
– Só tô dizendo o que eu acho...

– Então cara, você tá a fim da amiga da ? – perguntou chegando perto de , que ajeitava o cabelo de frente para o espelho.
– Eu? – riu. – Não, cara. Ela é uma gata, mas não faz muito meu tipo... Além do mais, eu tenho uma em mente.
sorriu e se sentiu aliviado. Era bom saber que não estava azarando a garota do seu amigo.
– Por quê? Você tá interessado? – o outro perguntou malicioso. gargalhou.
– Ela faz meu tipo – disse e saiu de perto.


Eles já estavam naquela boate havia umas três horas e estavam mortos de cansaço. tinha ligado para uma garota chamada , que eles conheciam há algum tempo e agora eles não se desgrudavam. não parava de retrucar dizendo que o irmão deveria ficar com e que deveria parar de dar em cima dela, por que ele estava fazendo isso às caras. , por sua vez, não estava achando ruim. era simpático e muito bonito. Ela não hesitaria em ficar com ele se houvesse a oportunidade.
estava jogando todas as investidas pra cima de , mas a garota era uma boa irmã e estava ouvindo os conselhos de .
– Hey – ela ouviu a voz de se aproximando e virou-se. – Te achei.
Ela sorriu e voltou a ficar de frente para o balcão do bar.
– E você estava me procurando? – ela perguntou dando um gole de sua bebida.
– É, estava. Não deveria? – apoiou-se no balcão ficando na mesma posição que e olhando diretamente pra ela.
– Não sei. Deveria? – ela passou a olhá-lo de volta, com um sorriso nos lábios. Não sabia por que, mas adorava aquilo.
– Você quem sabe – disse, virando o lado do corpo e passando a apoiar as costas no balcão, esperando que respondesse.
Agora ela estava confusa. O que ele queria que ela respondesse? Seria o que ela estava pensando? Sorriu de lado.
– Você acha que deveria? – ela perguntou. Agora dependia apenas dele. Já sabia o que tinha feito e o que ia fazer, estava se aproximando.
– Acho que sim. E você? – a mão dele já tocava de leve os dedos dela e isso a fez olhar pra baixo.
– Também acho que sim – respondeu de uma vez, vendo sorrir e a puxar mais pra perto pela mão, pousando a mão livre nas costas dela e colando seus lábios.
deslizou as mãos até a nuca dele e abriu a boca, deixando que suas línguas se encontrassem.

Capítulo 3:

Já fazia seis meses que e haviam se conhecido, e cinco meses e meio que estavam namorando. No inicio ela não queria nem ficar com ele novamente após aquela noite na boate, mas insistiu tanto que ela acabou por ceder e ficar com ele mais um dia e mais um e outro. Quando ele a pediu em namoro, ela não pensou antes de aceitar. Já estava acostumada com ele.
Quando perguntavam se ela o amava ou se pelo menos gostava de , respondia que gostava sim, mas nunca tinha dito que amava o rapaz. , por sua vez, era só juras de amor à namorada. Ele realmente havia se apaixonado por ela.
Sim, lembrem que era uma garota fria quando se tratava de relacionamentos. Ela não se apegava à eles e muito menos sofria por eles. Eles que sempre sofriam por ela. Ela nunca dava presentes á eles. Eles que sempre davam presentes a ela. E sempre fora assim.
E com não era diferente.
No inicio do namoro dos dois, , e apoiaram, mas com o passar do tempo eles encorajavam o amigo a largar , alegando que ela não iria sequer sentir falta dele, coisa muito insensível da parte deles segundo , que discutia com constantemente por causa disso. Ela vivia mandando os rapazes pararem de se meter na vida de . Se ele gostava de , claro que ele ia querer estar com ela. Impossível ele terminar esse namoro, ela dizia.
O que mais queria era ser atriz, mesmo não tendo talento; ela assumia. Tinha tentado alguns testes, mas falhou em todos. que arrumou a maioria dos testes que ela havia feito, mais um motivo para os amigos chamarem o rapaz de idiota.
e estavam animados para começar uma banda, mas apenas eles sabiam tocar algo. Tinham tentado de todas as formas persuadir e a aprenderem os instrumentos que faltavam, mas nenhum dos dois queria. Sobravam os testes para os dois.
vivia dizendo que se tivesse com , tudo seria diferente. Ela não o estaria tratando como ela tratava – embora ela tratasse muito bem, apenas não demonstrava que o amava -, a outra dizia que com , seria outra pessoa. E melhor.

Era uma tarde de quinta-feira e estavam todos reunidos na frente da casa de . Mochilas e mais mochilas se perdiam dentro do carro grande e espaçoso do irmão do garoto. Havia também o carro de , que iria transportar , a então namorada dele - , e . No carro do irmão de iria o próprio, seu irmão, a namorada dele, e dois amigos do mais velho, cujo um deles era proprietário de uma casa no litoral, que era para onde eles iriam àquele final de semana.
Quando sugeriu que eles fossem viajar junto com seu irmão e os dois amigos, ninguém gostou muito da idéia, pois seria mais divertido se todos fossem apenas em seu grupo, mas alegou que a casa era gigantesca para apenas quatro pessoas e eles aceitaram a viagem. Eles pensavam que iria ser divertido, apesar dos pesares. Ainda seria uma viagem, e agora o grupo era maior.
estava reclamando com sobre a demora do amigo de Brian – irmão de –, pois apenas o maldito garoto atrasado sabia onde ficava a casa. e estavam sentados em algumas cadeiras de praia que eles iriam levar; estava conversando com sobre alguma coisa bastante interessante para os dois e assistia, sonolento.
– Mas ein cara, por que você não deixou que a viesse? – perguntou, desviando o rumo do assunto de repente e olhando para , que piscou os olhos devagar, sem entender quase nada.
– O quê? Não fui eu, ela tinha seminário na faculdade! – explicou. e se entreolharam desconfiados e o outro sorriu vermelho. – Eu juro!
– Tudo bem cara, a gente acredita – deu de ombros e saiu de perto, indo até e quando viram três pessoas se aproximarem da casa com mochilas e um aspecto aventureiro. Eram os amigos do Brian.
– Finalmente! – gritou ao ver dois garotos e uma garota, que pra ela deveriam ser conhecidos. apertou a mão dos garotos e beijou as bochechas da garota. Ué, pensou . ‘Pensei que fossem apenas dois garotos... Mas vejo que têm fêmeas com eles’ ele pensava. Brian saiu de casa, trancando tudo e indo falar com os amigos.
apertou os olhos e pensou reconhecer uma das pessoas que tinha chegado, mas não sabia de onde conhecia a criatura. Pensou mais um pouco, até que puxou sua mão para irem cumprimentar os recém-chegados.
– Ah, e esse aqui é o apresentava. deu um sorriso para os três à sua frente e apontou para eles. – Finchley, Keany e .
Finchley. Eu conheço ele, pensava. Ela forçou a mente mais um pouco e lembrou. Foi no Natal que ela passara no vale, com algumas amigas. Lembrava vagamente, não estava muito sã àquele dia. Alguma de suas amigas tinha dito que ela deveria escolher o garoto mais bonito. E Finchley de fato era o mais bonito. ficou com ele por apenas uma noite. Tanto que não foi suficiente para que ela lembrasse dele.
– Hei, eu te conheço – ele falou olhando pra ela e apontando seu dedo indicador. sorriu amarelo.
– Conhece? – Brian perguntou olhando de Finchley pra . A testa de estava franzida e ele também não estava entendendo nada. De onde aquele cara conhecia sua namorada? , como todos os outros, olhava de Finchley pra , que ainda parecia não querer responder. era o único que não prestava atenção em e Finchley. Ele estava mais preocupado em conversar com a garota que viera com eles.
– Tu conhece o Finch? – perguntou, tentando obter, por fim, a resposta de .
– É, conheço. – ela disse depressa.
– De onde? – perguntou olhando fixamente pra ela. De onde? Bem, como ela iria dizer que tinha ficado com o amigo do Brian? sentiu suas orelhas esquentarem quando ouviu o garoto falar.
– Foi no Natal... No vale. – Finchley disse olhando para os curiosos. – Ela estava com umas garotas lá, a gente se conheceu.
acenou com a cabeça, confirmando.
– É, eu nem lembrava direito... – ela falou depressa, antes que fizesse alguma pergunta ou qualquer um de seus amigos deduzisse qual havia sido sua relação com Finchley.
Ela agradeceu quando o garoto chamado Keany os chamou para partirem em viagem. Foi com para o carro de e ficou esperando que eles dirigissem.
chamou baixinho, já dentro do carro. Ela virou-se para ele. – Você teve algo com esse Finch, não teve?
Ela revirou os olhos e pensou na melhor maneira de mentir para .
– Claro que não, – ela disse visivelmente ofendida. – O que você pensa que eu sou?
– Ok, desculpe – ele beijou a palma da mão da garota. – Foi só um pensamento.
suspirou aliviada quando virou-se para frente, encerrando aquele assunto. Alguém, uma vez, tinha lhe dito que não se deve apresentar seu ex ao atual. Mas que inferno aquele Finch fora aparecer justo ali! E como ela iria adivinhar que ele era amigo do Brian? Se soubesse, iria evitar o máximo que pudesse essa viagem. E ela já poderia imaginar como iria ser. Grande idéia , ela pensava. Da próxima vez se informe sobre os viajantes.

– Uau, que casa – disse após descer do carro e mirar o casarão à sua frente. desceu depois e se pôs ao lado dela, igualmente boquiaberto.
– Que... Grande – ele comentou.
– Deve haver muitos quartos aí dentro – disse também olhando a casa.
– Dez quartos – falou se aproximando deles. deu uma tossida e exclamou um ‘uau’.
– Caraca, que demais. – disse bestificada.
desceu do carro depois de e logo seus olhos encontraram o que os amigos estavam olhando. A casa de praia do amigo do Brian. Era realmente muito grande.
Havia uma varanda enorme no térreo e no primeiro andar e o acabamento era todo em madeira, o que a deixava mais bonita. Um enorme portão de ferro separava o terreno da estrada. Aquela era uma casa ótima para o verão, havia muitas plantas e arbustos floridos no jardim da frente. Uma árvore enorme e bem cuidada estava ao lado da casa, um pouco mais a frente e tinha um caminho bem bonitinho todo feito de pedra que levava do portão até as escadas da varanda. Do lado direito, eles podiam ver o horizonte: tinha um desfiladeiro, como se eles estivessem no topo de uma colina e lá embaixo estivesse o mar. E era assim mesmo que era.
– Que irado, olha! Haha! – disse apontando para o desfiladeiro. – A gente pode se jogar no mar daqui!
– Pirado. Você vai sozinho – disse dando uma olhada no mar lá embaixo. – Caraca, é alto.
– Que agonia gente, eu não gosto de ter essa sensação – falou abraçando .
– Ah, vejo que vocês encontraram a parte mais legal da casa – Keany chegou. – Meu pai e eu costumávamos pular daqui e cair no mar.
– Ah, viu?! – disse apontando pra Keany, fazendo rir.
– Não machuca? – o outro perguntou.
– Claro que não. É demais pular daqui. Tentem depois. – ele falou. – Agora vamos entrar, se matem pra encontrar um quarto legal, o meu é o maior deles, nem adianta, haha!
Eles entraram na casa e saíram à procura de um quarto. e arrumaram um ao lado do de Keany, ficou com um quarto no térreo, e ficaram com a suíte ao lado da biblioteca e e com o quarto ao lado do deles. Finchley se virou pelo térreo e e Brian ficaram com um dos quartos de cima.
– Amor, olha a vista – chamou a namorada, que estava no banheiro. saiu de lá e foi até a janela, afastando um pouco a cortina e vendo o horizonte perfeitamente desenhado, fazendo com que o mar parecesse laranja.
– É lindo. Ficamos com um bom quarto. – ela disse se jogando na cama. Estava exausta da viagem.
– Pois é. Só pela vista já valeu a pena. – deitou ao lado dela e colocou os braços atrás da cabeça.
Eles ficaram um tempo em silêncio e logo o pensamento do tal Finch estar naquela casa voltou a atordoar . Não era como se ela morresse de medo de perder , mas o clima que aquilo propiciaria não era opção.
– Vamos descer – ela levantou e cutucou , fazendo-o levantar e segui-la até a porta do quarto.

Assim que desceram, viram conversando animadamente com no sofá e foram até eles.
– Mas ele diz que eu não devo ficar com ela – o garoto falava, mas ao ver se aproximar, cessou o assunto e esboçou um sorriso amarelo. – E aí, ! Amigão!
estreitou os olhos e viu sorrir.
– O que você estava falando de mim aí, ? – ele perguntou.
– Nada! Nada, diz a ele, ! – o outro se defendeu. e olharam para a menina e logo, ela disse:
– Você é ? – perguntou e confirmou, estendendo a mão. Ela apertou. – Ah, oi. Sou a . E você deve ser a namorada dele... . – apertou a mão de dessa vez, que sorriu. – Então, ele não estava falando de você... Mas falou da sua irmã.
arregalou os olhos e apontou pra , exageradamente.
– Sua traidora! – ele disse fazendo ela e rirem.
– Falando da minha irmã? – perguntou.
– É, ele disse que você não confia nele pra ficar com ela. – disse.
– Mas que pessoa confiaria no , pra qualquer coisa?
– Eu! – apareceu ao pé da escada, sentando-se no sofá ao lado deles.
– Valeu, cara – ergueu o polegar pra , que devolveu o gesto.
– Mentira, . – disse. – Você ontem mesmo me disse pra ir com vocês no carro por que corria o risco de o nos matar.
e riram mais ainda, fazendo ficar vermelho.
– Caraca. Tá certo, parei por aqui – ele levantou e foi até a cozinha, que era onde , , e o restante das pessoas estavam.


Estava escurecendo e os rapazes estavam planejando fazer uma fogueira no jardim. Keany disse que havia dois pacotes de salsicha na geladeira e que eles poderiam assar.
estava sentada em um sofá confortável na varanda. Sentiu alguém sentar ao seu lado e viu .
– Eu já te disse que antas não pensam? – ela perguntou. franziu a testa e um pouco depois, entendeu a piada da amiga, dando um soquinho em seu braço.
– Sua idiota. – ela disse fazendo rir.
– O que você tá fazendo aqui sozinha?
– Vendo os rapazes tentarem acender o fogo – e ela apontou para Keany, Brian, e , que estavam tentando fazer os gravetos ficarem juntos.
– Ah, bem simpático – falou e viu se aproximar com . – Ah. Esses dois.
– Você não vai muito com a cara da , não é? – perguntou.
– O quê? Nada a ver, . Ela é minha cunhada!
– Eu sei, mas eu também sei que você queria que eu tivesse escolhido o ao invés do . – ela disse. revirou os olhos, contrariada, mas cedeu.
– Tá certo, eu queria que você e o ficassem juntos. Mas não deu certo, o que eu vou fazer? E além do mais, depois que você começou a namorar o , eu venho percebendo algumas coisas...
– Que coisas? – a outra perguntou curiosa.
– Eu sei que você não gosta dele – a imitou. abriu um pouco os olhos e bufou.
– Que ridículo . Se eu não gostasse dele, eu não estaria namorando o cara!
– Você acha que eu não te conheço, ? – estreitou os olhos, vendo desviar o olhar, balançando a cabeça negativamente. – Você não trata o como eu trato o , ou como o trata a ...
– Claro, eu tenho minhas maneiras de demonstrar o que eu sinto pro falou pausadamente, como se a amiga fosse demente. Ela detestava quando vinha com aquele papo de que ela não gostava de . Ela gostava dele sim, só que não tinha necessidade de ficar falando ‘eu te amo’ o tempo inteiro. Se ela namorava , era meio óbvio que gostava dele. Mas parecia que a amiga não entendia isso.
– Humrun, sei – resmungou.
– Uau, não acredito que eles conseguiram mesmo – falou sentando ao lado delas no sofá.
– É – falou depressa. Já havia ficado irritada pela pequena discussão com , não queria conversar.
olhou meio desconfiada, mas não disse mais nada.
– Vocês vão pra lá?
– Vou – disse, levantando. Ela olhou pra . – Você vem?
– Daqui a pouco – a outra disse olhando para a frente. deu de ombros e seguiu conversando com até a fogueira.

Capítulo 4:

acordou no dia seguinte e não levantou imediatamente. Ficou com preguiça, rolando de um lado pro outro na cama. Somente minutos depois foi que ela percebeu que deveria estar ali, mas não estava. ‘Deve ter levantado mais cedo’, ela pensou. Resolveu levantar e tomou um banho. Aquela casa havia tudo de ótimo. Uma cama boa, um chuveiro ótimo... Perfeito. Trocou de roupa e desceu, indo até a cozinha.
– Ai meu Deus, que idiota! – exclamou olhando pela janela da cozinha.
– Bom dia meninas – disse, sentindo o cheiro bom de torradas que estava fazendo. – O que vocês estão olhando aí?
e estão querendo pular daqui pro mar! – disse como se fosse absurdo. – Vou matar esses dois.
– Por que o nunca está envolvido em uma coisa maluca como essas? – perguntou, fazendo e rirem, mas continuou roxa.
– Eu vou lá dar uma surra no !
– Ei, calma aí, deixa ele pular! – comentou, calma. – Se ele quer pular, deixa ele ir!
– Ele vai se machucar, menina! – protestou.
– O Keany disse ontem que não machuca pular daí – a outra disse.
– Arrrrrrrrrrrrf – bufou. – Se ele morrer, eu não vou ao enterro.
– Humrun, ok... – falou e e começaram a rir.

– VOCÊ SÓ TEM PALAVRA! NENHUMA ATITUDE! – zoava , que estava com medo de pular.
– Sinta-se confortável para morrer... – falou e não agüentou-se em risadas. Os dois estavam sacaneando e desde que haviam acordado.
– Ele não vai morrer, ! – disse cutucando .
– Vai você primeiro – ele olhava desconfiado para o mar lá embaixo.
– Arf. Eu não, o combinado era você ir primeiro – falou.
– Então a gente não vai mais – correu pra dentro da casa e balançou a cabeça negativamente.
– Você sabia que ele ia correr no último momento – falou chegando perto de .
é um frouxo.
– Quem é frouxo? – , , e chegavam perto deles.
– Eita, as garotas saíram da toca! – Finch brincou e olhou diretamente pra . A garota sorriu amarelo e foi para o lado de .
– E como anda a produção de comida? – Brian perguntou. – As encarregadas disso são vocês!
– Mas que absurdo, e vocês são encarregados de quê então? – perguntou com as mãos na cintura.
– Diversão – falou maroto. Ela lhe estapeou e o garoto sorriu.
estava ficando irritada. Finch não tirava os olhos dela. A garota tentou pegar a mão de e abraçá-lo, pra ver se o tal do Finchley inconveniente se tocava de que ela estava com um namorado no local! Mas nem assim o rapaz desviou o olhar. E o pior, era que achava... Que Finch estava achando que ela estava adorando os olhares dele. Okay, não era bem assim. Finch era bonito, mas era seu namorado. Ela ainda lembrava disso.
– Que tal a gente ir tomar banho de mar? – Keany sugeriu.
– Ótima idéia – falou. – Vou trocar de roupa. Vocês vêm? – ela olhou para as meninas.
– Eu vou – disse, dando um beijinho em e seguindo para dentro da casa.
– Também vou – foi atrás. viu que era a única a não ir e olhou para os lados, seguindo a última.
– Eeei, espera aí, eu também vou!

molhou o dedão do pé na água e deu uma risadinha, correndo para o lado de .
– Está fria – disse, olhando para as amigas.
– Odeio tomar banho de mar – Brian disse emburrado. o empurrou e correu para a água. Ela deu um mergulho e logo sumiu, aparecendo entre o mar em seguida.
sorriu e seguiu a garota, se juntando a ela.
– Que ótimo – ironizou, tirando a camisa. Ele a esticou no chão e sentou em cima dela.
– Não vai pra água? – perguntou, vendo , , , , Keany, Finch e Brian — à força — correrem para a água.
– Vou sim – ele falou olhando pra ela e a chamando para sentar ao seu lado. o fez.
– E por que ainda está aí?
– O revirou os olhos. – Se ele diz que gosta da , por que fica dando em cima das outras garotas?
franziu a testa e suspirou, virando os olhos para , que agora perseguia pelo mar.
– Deve ser da natureza dele, amor, não sei – ela falou. – Existem esses tipos de garotos safados que gostam de uma, mas que ficam com várias.
– Muito bom, então o é um garoto safado – o outro gargalhou. – Certo, foi bom manter a afastada dele.
– Mas... chamou.
– Sim?
– Você não pode ‘manter a afastada dele’ se ela não quiser, realmente, se manter afastada do – a garota disse. – Escuta, eu também sou amiga dela ok? Sua irmã gosta do , e se ele diz que gosta dela, por que você não pára com essa implicância, e deixa o garoto mostrar que...
– Acho que vou pra água – levantou e estendeu a mão pra . – Você vem?
Ela revirou os olhos e levantou sem a ajuda dele. sempre fazia isso quando ela comentava sobre e . Normalmente, iria retrucar e os dois brigariam, mas o que ela menos queria era brigar com enquanto Finch estivesse por perto. Ela não queria nem pensar nisso.
– Eu vou.

Eles ficaram no mar por um tempo, e depois subiram pra preparar um churrasco.
estava na varanda com , e enquanto os rapazes tratavam de cuidar do churrasco.
– Pelo menos a gente sabe pra quê eles servem – disse e elas riram.
– Bem, o serve pra muito mais coisas – disse sorrindo maliciosa e as outras deram risadinhas.
– Estavam falando de mim? – apareceu por ali, com uns espetos na mão.
– Estávamos. – entregou.
– Na verdade... – disse olhando para a outra severamente. – Estávamos nos perguntando quando é que sai esse churrasco!
– É mesmo, . Que demora. – reclamou. revirou os olhos e desceu, murmurando algo sobre garotas serem impossíveis.
– Caramba , a gente mal se conhece e eu já vejo que você é bem linguaruda. – brincou, vendo as outras sorrirem. encolheu os olhos.
– Eu não costumo medir as palavras. Um grande defeito.
– Eu também não meço as minhas – deu de ombros, dando um gole no seu refrigerante.
Elas ficaram um tempo em silêncio e apertou os olhos, vendo rir de algo que Finch dissera. Amizade entre eles era algo que não queria atestar. Ela não sabia o porquê daquela aversão repentina à Finch. Talvez fossem os olhares do rapaz, que não passavam despercebidos. Ela estava começando a suspeitar que, por educação, nenhum de seus amigos queria comentar que o amigo de Brian estava flertando com ela. Mas essa idéia desapareceu de sua cabeça quando sentou-se ao seu lado em um dos degraus da varanda, enquanto todos se aproximavam da churrasqueira para pegar carne. Estavam sozinhas.
– Não quer carne? – a amiga perguntou. balançou a cabeça negativamente. Estava muito concentrada naquele momento; tentando pensar em algo que fizesse Finch desviar sua atenção dela. – Tudo bem, você sabe que eu não gosto de arrodeios.
– Eu já ia perguntar o que você queria – ela falou.
– Eu vi o modo como o Finchley olha pra você.
Era isso. Péssima hora em que fora arranjar como amiga. Ela poderia ser meio abobalhada às vezes, meio implicante e chata, mas era bastante observadora.
– Sim, e...? – ela se fez de desentendida.
– Finchley é o Finch do vale, não é? Do vale, no natal. É ele. – ela afirmou. fechou os olhos e coçou a cabeça, atordoada.
– Sim, e ele fica me olhando como se eu estivesse dando bola pra ele, ! – exclamou. – Ficar perto do não adianta, por que eu já tentei e isso não o faz parar.
– Se isso te incomoda, fala com ele amiga. Vai ajudar. – a outra disse, compreensiva. – O Finch é um cara legal, acho que ele vai te respeitar.
Ela balançou a cabeça afirmativamente e fixou o olhar em . Ok, todos sabiam que não morria de amores por ele, mas havia uma química ali. a respeitava bastante, e ele realmente amava . Ela gostava dele também, não pensava em traí-lo. E nem o faria, de maneira nenhuma. Eles eram um bom casal, não acabaria com isso, não arruinaria aquele relacionamento desse modo. Por incrível que pudesse parecer, ela ainda esperava algum dia poder sentir por ele o que sentia por ela.
Sentiu levantar e caminhar até os outros. Piscou lentamente e decidiu que falaria com Finch quando escurecesse.

– Vai dar nove horas – respondeu à Brian, que queria saber da hora. Estavam todos deitados ou jogados na varanda, ora conversando, ora apenas olhando o vácuo.
, por sua vez, estava bastante pensativa. Não sabia como fazer pra pedir a Finch que parasse de lhe olhar. Às vezes ela deixava escapar um olhar, e infelizmente, ele estava olhando na maioria das vezes. O sorriso malicioso não saía dos lábios dele, como se estivesse devolvendo o flerte.
– Vou ao banheiro – ela comunicou a , que balançou a cabeça afirmativamente. Levantou e caminhou graciosamente até o banheiro da cozinha. Queria que Finch a seguisse; ela tinha certeza de que ele o faria. E não pensou errado.
– Oi – ela ouviu uma voz não tão conhecida falar atrás de si. Era Finchley. virou-se lentamente e pôs uma das mãos na cintura. Não disse nada. – Como vai?
– Eu quero que você pare. – disse decidida. Finch franziu a testa, confuso.
– O quê... – ele ia dizendo.
– Quero que você pare de me olhar – disse e o garoto sorriu, jogando a cabeça pra trás. Finch era realmente bonito. Seus olhos verdes contrastavam com seus cabelos loiro-escuros espetados, seu sorriso era incrível.
– Mas você estava me olhando também! – ele falou como se estivesse dando uma resposta óbvia. bufou impaciente.
– Eu não estava te olhando, imbecil! Eu estou com o meu namorado aqui, você acha mesmo que eu faria isso? – perguntou ainda mais impaciente.
– Talvez você se sinta atraída por mim – ele disse divertido.
sentiu como se seu sangue estivesse concentrando-se todo na cabeça. Sim, ele era bonito e ficava jogando charme pra ela o tempo inteiro, talvez sim; mas o respeito que ela tinha por ultrapassava qualquer atração que ela sentisse por Finch.
– Só pare de me olhar. – ela falou passando a mão pela testa.
– Você não quer isso – o rapaz insistiu.
– Se eu estou te pedindo, é por que eu quero idiota! – bradou ela.
– Há alguma coisa errada por aqui? – os dois viraram para a porta e viram parado, com os braços cruzados. O corpo de parecia ter congelado. Ela não conseguia mais se mover, nem estava conseguindo pensar direito.
– Sede. – Finch se apressou e pegou um copo na bancada, se dirigindo para a geladeira. respirou fundo e conseguiu sair da cozinha, sem responder á pergunta de .
? – ele perguntou indo atrás dela. – Tudo bem?
– Está, . – respondeu de uma vez, subindo e indo para o quarto. franziu a sobrancelha e deu uma olhada na direção de Finch, que tinha acabado de sair da cozinha, olhando exatamente pra onde havia acabado de estar.

Capítulo 5:

chegou à varanda e puxou para o pátio da casa bruscamente.
– Ai, ai, ai, ai, ! – ela reclamou. – Seja mais educado!
– Me diz o que a teve com esse Finchley – ele ordenou. A garota abriu os olhos demonstrando surpresa e contraiu os lábios, olhando vagamente para um ponto atrás de .
– Nada. – falou simplesmente. revirou os olhos.
– Eu sei que não foi nada, . Conte os fatos.
– Você quer que eu crie um relacionamento da com o Finch? – perguntou dando um sorriso. – Você mesmo conhece a namorada que tem. Nunca que a iria namorar alguém, antes de você claro, e além do mais, essa pessoa sendo o Finchley. Ele é bem diferente dela.
– E eu mais ainda.
, você está tenso. Esquece esse cara, ele não teve nada com ela, ok? – deu as costas e voltou para a varanda, deixando um pensativo no pátio.

e estavam planejando fazer um luau. Eles iriam até a praia e tocariam violão. , e estavam suspeitando que queria mais era conseguir ficar com , que já estava caidinha por ele.
Quando a madrugada caiu, eles se transportaram para a praia e se ajeitaram em um círculo. Fizeram uma fogueira com os restos dos gravetos e começaram a falar sobre qualquer coisa.
estava ainda mais irritada por que Finch não havia parado de lhe encarar. Ela suspeitava que o aviso que dera a ele o fizera piorar.
Depois de muitas risadas e bobagens, e já estavam aos beijos e dava olhadas de reprovação ao amigo.
– Depois ele diz que gosta da ... – ele falava emburrado.
, se você disser isso novamente, eu vou te bater. – disse decidida.
O outro cruzou os braços e começou a profanar coisas inaudíveis a . revirou seus olhos e balançou a cabeça negativamente. Ela girou os olhos, e nesse movimento, seu olhar parou em Finch, que estava lhe encarando fielmente. A garota prendeu a respiração e abaixou a cabeça, com cara de quem não estava gostando daquilo. E não estava gostando mesmo. Estava cansada dos olhares de Finch. Ele precisava se tocar de que estava incomodando pra valer.


No dia seguinte todos pareciam bem animados com a idéia de ficarem na praia, fazendo sabe-se lá o quê. Segundo Keany, a praia era um ótimo lugar para se pensar.
Pensar era a única coisa que não queria naquele momento. Provavelmente, ela pensaria em Finch e na possibilidade que o rapaz tinha de arruinar seu relacionamento com . Sim, ela zelava por isso. Não era por que não era o amor de sua vida que não sentiria medo de perder seu namorado. não se atrevia a comentar sobre aquilo com ou . iria dizer que se estivesse com as coisas seriam diferentes. iria mandá-la falar com Finch e pedir para que ele se afastasse dela.
Mas como pedir para ele se afastar?, pensava. Idéia idiota, essa. Finch não estava perto dela tempo o suficiente, mas as intenções dele pairavam no ar. Qualquer um pegaria isso na respiração. Ele não costumava ser muito discreto quando se aproximava de . Finchley sempre esbanjava nos olhares, a garota só esperava que ele não fizesse nada estúpido na frente de . Da última vez, o namorado seguira os dois até a cozinha. E se Finch tivesse tentando fazer algo com ela naquele momento? O que pensaria? Ou pior, o que faria? não gostava de pensar naquilo.
Ainda aquela manhã, havia chegado até ela e dito que na noite anterior, bem depois do acontecimento na cozinha, tinha lhe interrogado sobre uma possível relação entre e Finchley. Ela pensou que estava mesmo prestando atenção. Que ela não era a única que percebia os olhares do outro. Seu namorado também percebia.
Seu namorado. A única pessoa que ela não queria que percebesse. não iria falar nada a . Não iria simplesmente chegar nele e dizer que estava sendo assediada por um maluco que ela mal conhecia. Bem, não estava sendo assediada. Mas enfim. Esse maluco estava lhe dando olhares diretos e estava deixando parecer que iria atacar quando ela menos esperasse. Ela não iria comentar nada com por que achava que poderia resolver a situação. E iria. Estava determinada a mandar Finch ficar longe. E ia fazer aquilo àquela noite, quando estivessem em mais um luau na praia. A atenção de todos estaria focada na música e no mar. Era a situação perfeita.
estava sentada na praia ao lado de , vendo e cantar e tocar algo bem bonito que diziam ter sido composto por eles. Aqueles dois e sua ambição por formar uma banda. e haviam se negado a entrar para essa banda, ignorando todas as súplicas dos amigos.
– Eles tocam bem – dizia entusiasmada vendo cantar. achava que ela estava mais interessada no rapaz do que na música. Os dois não se desgrudavam mais.
– É, eles são muito bons – se apressou em dizer. – Eu vivo dizendo pro entrar pra banda também, mas ele é super ranzinzo. – ela fez uma careta na direção do outro.
– Ranzinzo? Claro, como seu avô – ele devolveu, vendo rir. lhe estapeou e fez uma careta, voltando a ver os amigos tocarem.
Quando terminaram, – estranhamente – chamou para conversar separado do grupo. Ela percebeu Finch os acompanhar com o olhar enquanto se afastavam. Antes ela apenas estava incomodada (até demais) com os olhares dele, mas agora estava detestando aquilo com todas as forças. Não estava suportando olhar para a cara fingida de Finchley. Temia que pudesse levantar durante a noite e assassiná-lo prazerosamente. Seria tão bom machucar aquele rosto bonitinho...
– Algum problema, ? – ela perguntou, sentindo o coração bater rápido demais.
– Eu que pergunto – ele parou em sua frente com os braços cruzados. Desconfiado. Era isso, o que temia. Desconfiança.
– O que houve ? – perguntou cuidadosamente.
– Esse Finch, o que ele quer com você? – perguntou. Ela engoliu em seco.
– O quê? – se fez de desentendida. Não por querer, o nervosismo não a deixava pensar direito. – N... Nada, ele não quer nada comigo.
– Ele fica te olhando, te seguindo, o que ele quer com você?! – alterou a voz. nunca altera a voz, pensou. Isso significa que ele está falando bem sério.
– Eu não sei, ! Você acha que eu sei?! – ela tentou parecer convincente. Afinal, não sabia mesmo o que Finch queria com ela.
– Eu vou falar com ele, mandá-lo ficar longe de você. – falou decidido. Não, isso não, pensou . Era o que ela menos queria, que interferisse nos problemas que ela deveria resolver. Finch era seu problema, e não dele. Não queria ver seu namorado discutindo com Finch por aí por causa dela.
– Não – falou firmemente. – Você não vai falar nada com ele... – ela dizia, mas foi interrompida.
– O quê? Você quer que continue desse jeito? Ele praticamente tira suas roupas com os olhos, eu não vou...!
! – falou um pouco mais alto. – Eu vou resolver essa situação! Eu não gosto nem um pouco do jeito que ele me olha.
– Então você tem consciência de que ele te seca a cada passo que você dá. – o outro disse sarcástico. Ela girou os olhos, irritada pela forma que estava falando.
– Sim, – disse . – Eu vou falar com ele.
a olhava desconfiado, como se pensasse se era capaz de fazer o que estava dizendo que faria.
– Não se preocupe – ela suspirou e começou a andar de volta para onde seus amigos estavam. Assim que pisou lá, os olhos de Finch se voltaram pra ela.
A vontade de matá-lo estava aumentando.

– Isso, vamos – recolheu o violão que estava na areia da praia e rumou junto aos outros para a casa. Eles iriam continuar ali em cima; o vento da praia estava muito forte, e eles esperavam que lá em cima estivesse um pouco mais quente.
seguiu os amigos e andou por entre as árvores para chegar ao caminho quase interminável que os levaria até a casa de Keany no topo de um penhasco perfeito. Durante o percurso, pensou em diversas maneiras de conversar com Finch sendo direta. Pensou até em ameaçá-lo de morte, mas desistiu. Achou que ficaria muito infantil.
Assim que chegaram à casa, sentaram-se na varanda e voltaram a tocar. já tinha arquitetado tudo. Levantou-se discretamente e foi entrando na casa. Aproveitou que estava tocando, não percebeu sua escapada, e saiu de lá, acreditando que Finch iria atrás.
Não pensou errado, mais uma vez. Segundos depois, estava na lavanderia da casa, sentindo uma segunda pessoa entrar no cômodo.
– Não acha que está me seguindo demais? – ela perguntou, virando e encarando o par de olhos verdes que Finch possuía.
– Não acha que está procurando isso? – ele rebateu, chegando um pouco mais perto de , que não se movia.
– Não, o que eu acho é que você está passando dos limites. – ela falou irritada. Finch esboçou um sorriso e fechou os olhos, abaixando sua cabeça e erguendo-a em seguida.
– É sempre assim. Por que você não admite que também estava me olhando? – ele perguntou fingidamente incrédulo. ficou estupefata. Não esperava tamanha cara-de-pau da parte dele. Como assim ‘admita que você me olha?’. Que cínico!
– Como você é sonso! – ela exclamou. – Como você tem coragem de dizer que eu estava te olhando de volta?
Ela estava incrédula. Não conseguia acreditar como alguém poderia ser tão idiota como Finchley.
– Ué. Você estava – ele falou como se fosse óbvio.
– Não estava, você sabe disso – ela apontou o dedo para ele, que focou seus olhos no mesmo.
– Isso é o que você diz – falou, aos risos. – No natal, no vale... – começou – Você não queria que eu parasse de te olhar.
Era isso. A vontade de matá-lo havia aumentado para o máximo. Ela não descansaria enquanto não tivesse suas unhas cravadas na cara dele.
– NO VALE EU NÃO ESTAVA COM NAMORADO NENHUM! – ela gritou. Esperava que o mínimo de pessoas tivesse escutado.
Finch bufou e soltou uma risadinha sarcástica.
– No vale você parecia interessada – ele falou, como se não fosse desistir.
– Não estamos no vale – disse decidida. Depois de se acalmar, ela decidiu não sucumbir às provocações de Finch.
– Eu posso fazer você ficar novamente interessada – o rapaz falou apertando os olhos e se aproximando um pouco da outra. deu um passo pra trás, assustada e ergueu as mãos, como se impedisse Finch de se aproximar mais.
– Fique onde você está! – ela bradou.
– Não se assuste – ele riu. – É só ficar quietinha.
Ela pensou em gritar, mas não queria envolver outras pessoas naquilo. Apenas ela era preciso para resolver aquilo. A situação estava sob controle... Estava...
não viu quando.
Nem como.
Em um instante, Finch estava se aproximando, ameaçando colocar suas mãos no corpo dela, em outro instante, o rapaz estava longe.
Algo o tinha afastado de .

Capítulo 6:

! – ela ouviu a voz de na sala. já não conseguia mais ver muita coisa. Algo havia arrastado Finch pra longe dela, ele não estava mais na lavanderia.
Um barulho de móveis sendo arrastados.
, pára! – a voz de soou novamente.
não estava conseguindo sair dali. Queria ver o que tanto sua amiga chamava pelo seu namorado, mas não conseguia sair dali.
– ME SOLTA! – ela ouviu uma voz diferente e logo, mais vozes surgiram.
– Calma cara!
– Segura ele, Brian!
Mais barulhos de móveis sendo arrastados.
porra, pára com isso! – essa era com certeza a voz de . Ele estava falando sério, pelo tom que usou. Finalmente conseguiu sair do transe e rumou para a sala, apressada. A cena que viu era exatamente igual a que estava sendo formada em sua cabeça.
estava sendo dificilmente segurado por . estava a alguns passos deles, como se estivesse pronto para capturar se ele decidisse fugir do aperto do amigo. estava parado na frente deste, sua expressão severa.
Brian segurava Finch, que encarava tão furiosamente quanto o outro o encarava. Keany estava parado junto a . Todos pareciam ter se mobilizado para apartar o que deveria ser uma briga.
estava um pouco mais afastada deles, com segurando seu braço fortemente. estava ao lado delas.
Assim que viu , correu para o lado da amiga, sendo seguida pelas outras duas.
– O que houve lá dentro, amiga? O puxou o Finch e o empurrou, a gente só viu quando ele estava caído perto do centro – ela confessou.
– O bateu no Finchley? – ela perguntou, apenas esperando a confirmação para sua pergunta.
– Ele esmurrou o cara. O nariz do Finch está sangrando – falou dando uma espiadinha pra onde os garotos estavam. Finch não era mais segurado, este agora subia as escadas com passos firmes, parecendo nervoso. havia afrouxado o aperto em , mas ainda continuava por ali.
engoliu em seco e suspirou não se permitindo ficar nervosa. havia feito exatamente o que ela não queria que ele fizesse. Ele havia tentado resolver a situação do pior jeito possível. não precisava que ele tivesse feito isso.
– O Finch fez algo com você? – perguntou. balançou a cabeça negativamente e lançou um olhar mortal na direção de , que olhava pra ela lançando olhares fulminantes.
– O fez exatamente o que eu pedi pra ele não fazer. – ela falou contraindo os lábios. Sua vontade era de ir até lá e bater em . Arrancar os seus olhos com suas unhas.
– Ele estava uma fera – se pronunciou.
não disse mais nada, apenas caminhou com passos leves até onde os garotos conversavam com .
– Você não precisava ter feito isso, cara... – falava, sendo apoiado por e . Apenas percebeu que estava parada ao lado deles. virou-se ao perceber o olhar vidrado do amigo e viu a garota ali. e também a olhavam.
– Eu não acredito que você fez exatamente o que eu te pedi pra não fazer. – ela disse.
– O QUÊ? – a resposta de foi imediata. – Queria que eu o deixasse pôr aquelas mãos podres em cima de você, ?!
– Eu podia resolver ! – ela falou no mesmo tom.
– Claro que podia, tanto que estava resolvendo quando eu cheguei lá! – ele devolveu irônico. apertou os olhos e subiu as escadas sem olhar pra trás.
apertou o nariz com os dedos e foi atrás dela, com as mãos na cintura, visivelmente aperreado.
, e apenas assistiram o amigo subir atrás de sua namorada.

fechou a porta do quarto e mirou as costas de , que estava observando algo pela janela.
– Por que você bateu nele, ? – ela perguntou.
– Ele ia te agarrar! – ele falou como se fosse óbvio. bufou.
– Não ia! – bradou, virando-se para ele. – Eu não ia deixar , você acha que eu sou tão promiscua assim?!
– Bem, você não pareceu preocupada em se esquivar dele!
Ela apertou os olhos e caminhou lentamente até ele.
– Eu odeio quando você se mete na minha vida – ela falou cheia de raiva. – Eu odeio quando você se põe a resolver os meus problemas por mim!
ouvia boquiaberto, como se ela estivesse dizendo algum absurdo.
– Eu não ia me meter, eu estava apenas vendo que você não ia mandá-lo parar de tentar se aproximar! – ele controlou a voz. Era sempre assim. Sempre que se mostrava irritadíssima com algo que fizera, ele sempre abaixava a voz, ouvia o que ela tinha a dizer e se fosse necessário, pedia desculpas. Era sempre ele que cedia. Sempre.
– Você é surdo, ? – ela perguntou. – Eu o mandei ficar longe de mim!
– Mas ele não obedeceu! E por que você acha que é mais forte que ele, ?! Ele poderia te imobilizar em minutos, o cara não queria mais conversar com você, será que você não percebe isso? – mas dessa vez foi diferente. estava decidido a fazê-la entender que não deixaria qualquer malandro pôr as mãos em sua namorada apenas por que ela queria resolver tudo sozinha, sem a ajuda dele. Bem, se não fosse por , poderia estar ainda na lavanderia com Finch, passando por maus bocados.
– Por que você é tão teimoso, ?! – ela perguntou mais irritada. – Eu não precisava da sua ajuda, eu podia resolver tudo sem a sua ajuda!
– Por que você não fica grata? , eu te protegi, caramba! – ele berrou, vermelho. Não acreditava que sua própria namorada o culpasse por ele ter afastado um aproveitador de junto dela. – Ele ia passar a mão em você!
não conseguiu pensar em algo para dizer. A expressão de havia passado de irritada para incrédula. Alguns absurdos (ele achava que seriam absurdos) passavam pela cabeça dele, não conseguia pensar que algum daqueles pensamentos fosse verdade.
– A não ser que você quisesse que ele te agarrasse. – ele a olhou com os olhos estreitos. – Você queria, ?
– Você ficou louco? – ela gritou. – Claro que não! Mas eu não precisava dos seus braços de ferro, obrigada!
sentou-se na borda da cama, apoiou os cotovelos nas pernas e depois, apoiou a cabeça nas mãos. se jogou na poltrona que ficava perto da janela e nenhum dos dois falou novamente.

A tarde do dia seguinte passou arrastada naquela casa.
Ninguém comentou sobre o incidente da noite anterior. Finch e evitavam cruzar-se pelos corredores. não estava com vontade de falar sobre o assunto, então evitara todas as perguntas sobre o que havia acontecido com ela e Finch na lavanderia.
O clima não estava dos melhores por ali. Brian, , Keany e Finch estavam sentados na varanda, conversando em voz baixa sobre algo que ninguém decifrara.
, , e estavam na sala, conversando sobre algo que (também) as meninas não conseguiram decifrar.
estava na cozinha, junto com e . As duas falavam sobre algo supérfluo. estava quieta.
– Acho que cortou o clima da viagem – chegou lá e abraçou , lhe beijando a bochecha.
– O quê? – perguntou.
– Está todo mundo morgado. – o rapaz repetiu. – Ninguém se animou pra fazer nada hoje.
abaixou a cabeça, sem perceber os olhares de , e sobre si. Era como se estivessem culpando por ter estragado a viagem. Mesmo que estivesse com raiva dele, ela ainda se sentia mal por ele. Ela deixara dormir no sofá àquela noite. Eles não haviam se olhado desde que o dia nascera.
estava certo. Aquela briguinha havia estragado toda a viagem. Todos sabiam que Finch estava dando em cima dela descaradamente. Impossível não perceber. E todos sabiam que tinha razão para bater no rapaz. Essa era a pior parte. Ele tinha razão, mas não queria dá-la a . Ele não precisava protegê-la sempre.
Ela levantou-se do banco e ajeitou os cabelos.
– Eu vou pra casa – disse, olhando as amigas.
– Você vai pra casa? – perguntou. – Como? Sozinha?
– É. Se quiserem vir, estou partindo antes do almoço – ela disse dando as costas e saindo da cozinha.
, e olhavam par ao banco em que havia acabado de estar, incrédulos.
– Ela está certa – disse – Acabou todo o clima.
– Pois é. – falou. – Vamos pra casa.

estava arrumando suas malas quando entrou no quarto, sorrateiro. Ela sabia que era ele, por isso, não olhou. O rapaz parou perto dela e tocou seus dedos com os dele devagar, mas afastou a mão e fechou a mala, bruscamente.
– É melhor você começar a arrumar suas coisas. – disse apenas. abaixou a cabeça e coçou a nuca. Embora ele estivesse certo em afastar Finch da namorada, a única coisa que ele não queria era ficar mal com .
– Você me ajuda? – ele perguntou receoso.
– Sabe que você estragou a viagem, não é? – ela virou-se pra ele, com as mãos na cintura. suspirou e a encarou. Sim, ele havia instalado um clima estranho na casa desde que decidira socar Finch. Mas não podia deixá-lo se aproveitar de .
Ela parecia não entender isso e não estava disposto a convencê-la de que era o herói e não o vilão. Qualquer coisa que ele dissesse a ela seria usada contra ele.
– Desculpe – ele falou com a voz baixa. lhe deu as costas e desceu as escadas.
bufou, jogou sua mala em cima da cama e começou a jogar suas roupas ali, atordoado. Absolutamente nada que ele dissesse ia fazer amolecer.


Estavam todos parados na porta da casa, esperando que Brian descesse com o restante das malas para colocar no carro de Keany.
estava encostada ao carro de , com os braços cruzados e a expressão carrancuda.
A verdade era que a garota estava tão acostumada a ir pedir desculpas de joelhos que nem se preocupava. Uma hora ou outra ele iria ajoelhar-se de qualquer maneira mesmo. Ela percebera que ele estava se aproximando vagarosamente. Embora estivesse chateada, achava muito bonitinha a maneira como tentava fazer as pazes com ela. Ele sempre pedia desculpas e mandava um cartão ou um e-mail. Ela sempre cedia. Era uma das coisas boas em . Ele dava bastante atenção a , e ela gostava disso, embora às vezes irritasse. As pessoas diziam que não gostava dele, mas ela sabia que essas coisas a faziam ter certeza de que era com ele que ela deveria ficar.
Essas coisas a faziam ter certeza de que ficaria com , e não de que gostava dele. vivia mandando cartões apaixonados pra ela. enviara apenas um, no aniversário do rapaz. Ela não era fria com ele. Apenas... Não sentia necessidade de ficar dizendo o tamanho do seu amor o tempo inteiro.
– Estamos prontos. Podemos ir. – Keany falou, chamando o pessoal que iria consigo para casa. entrou em seu carro e os que iriam com ele, o seguiram.
sentou o lado de e ela virou o rosto para a janela.
– Hei – o ouviu chamá-la. O carro estava dando a partida naquele momento. – Me desculpe. Eu não pensava que você fosse ficar tão chateada. Na verdade, eu não pensei em nada no momento. Não sei se outra pessoa pensaria quando um esquisito estava prestes a agarrar sua namorada, eu... Não pensei. Desculpe-me.
Ela esboçou um sorrisinho, discreto, que não pudesse perceber.
– Esqueça . Já passou. – ela falou sem olhá-lo. segurou a mão dela e lhe beijou carinhosamente.
– Não vai acontecer novamente, eu prometo. – disse ele, esperando que ela o olhasse. suspirou e finalmente olhou pra .
– Eu espero que não aconteça. Você sabe que eu detesto quando você se preocupa demais comigo a ponto de fazer exatamente o que eu havia pedido pra você não fazer. – ela falou séria. balançou a cabeça afirmativamente e passou o braço pelos ombros dela, a trazendo mais pra perto e lhe beijando a bochecha.
– Eu juro que vou me controlar – ele lhe deu outro beijo na bochecha e sorriu.
Exatamente como ela havia previsto. nunca a surpreendia. Ela sempre calculava todas as ações dele.
Virou o rosto para a janela novamente, vendo a paisagem distorcida pela velocidade do carro e começando a se preparar para a viagem de volta. Iria ser longa.

Capítulo 7:

desceu do carro e foi até onde os outros estavam. Em um posto de gasolina, o qual ela não fazia idéia de onde ficava. havia recebido um telefonema de o mandando parar ali, agora os rapazes haviam descido do carro e estavam todos conversando sobre algo que elas não sabiam. reparou que Finch não olhava pra , embora o outro insistisse em encarar o rapaz. Ela não agüentou o calor que estava dentro do carro e saiu para tomar um ar. a seguiu prontamente.
– Que demora toda é essa? Está fazendo um calor absurdo aqui, precisamos partir! – ela disse impaciente. Os garotos a olharam de relance e continuaram falando, como se nem ela e nem estivessem lá. As duas se entreolharam e foi até o carro de Keany com passos firmes, como se estivesse irritada com algo. a seguiu. A garota bateu no vidro da janela em que estava sentada – lê-se quase dormindo. Ela abriu os olhos abruptamente e olhou para os lados, assustada com algo. Fixou o olhar no vidro fume e viu parada ao lado de , ambas fazendo sinais para que ela descesse.
– O que houve? – perguntou com a voz embargada, sonolenta.
– Também queremos saber, eles não nos disseram nada. – falou. – Por que cargas d’água estamos aqui?
– O Keany furou um pneu – disse descendo do carro também. gemeu e coçou os olhos.
– Não acredito – retrucou, bufando impaciente. Ela foi até os garotos. – Furaram um pneu? – perguntou chocada.
– A gente pode ir buscar um pneu novo e vocês ficam aqui com as garotas, é a melhor opção – Brian disse, ignorando novamente a pergunta de . Ela arqueou as sobrancelhas sem entender e decidiu, já que ninguém notava a presença dela, ficar por ali para ouvir.
– Tem certeza que eles não trocam pneu aqui? – perguntou.
– Tenho cara, a gente foi lá saber! – respondeu impaciente.
– E onde tem uma borracharia? – Keany perguntou.
– Nós passamos por uma quando estávamos vindo pra cá, acho que não é tão longe. – deduziu.
– Vamos ter que chamar um guinche, cabeças! – ergueu os braços, sarcástico.
– Não, a gente amarra uma corda no meu carro e sai puxando – falou. olhou pra ele e estreitou os olhos, sem dizer nada.
– Isso , ótima idéia! – ironizou – Seu carro vai mesmo agüentar puxar o carro dele.
– Ué, por que não? Uma vez eu vi um fusquinha que puxava um ônibus! – se defendeu. Em resposta, ele recebeu urros e gritos de deboche. riu silenciosamente, com pena do garoto, que olhava para os amigos vermelho. – É sério!
– Certo, a gente amarra meu carro no carro do . Decidam quem vai e quem fica. – o rapaz falou e deu as costas, indo até seu carro. Brian e Finch o seguiram.
– Eu e o vamos, – começou – e ficam com as meninas.
– Não discutirei a decisão – falou parecendo aliviado por não ter de ir. riu um pouco mais alto e os olhares dos rapazes restantes viraram-se para ela.
– Amor? – perguntou. arqueou as sobrancelhas e encolheu os ombros. – O que você faz aqui?
– Ouvindo – ela sorriu. revirou os olhos e foi até seu carro, entrando nele. , que havia ido falar com , seguiu o amigo e entrou no banco do carona.
– Certo, tem um restaurante aqui atrás, a gente pode ir caminhando. Chama as meninas, a gente come algo enquanto espera eles – falou e concordou, indo até as garotas.


– Você jura? – perguntou gargalhando, ouvindo a história absurda que estava contando. Ela estava em um restaurante próximo ao posto com , tom, , e enquanto seus amigos iriam com e trocar o pneu do carro de Keany que decidira furar no meio da viagem.
– Eu juro. Eles colocavam aqueles esqueletos para estudos científicos no quarto escuro e qualquer criança que desobedecesse ia parar naquele quarto – ele continuou, fazendo os outros rirem mais. – A diretora mandou pintarem o troço lá de tinta fluorescente. Os pirralhos ficavam loucos!
não estava conseguindo parar de rir. As imitações de no início da história foram as melhores. Ele fizera caras e bocas imitando as crianças amedrontadas com o tal esqueleto no quarto escuro. Deveria ser apavorante.
– Coitadinhos! – disse. O namorado a olhou incrédulo.
– Coitadinhos? Nós éramos umas pestes! Ela fez bem em arranjar uma maneira de nos parar! – ele disse rindo, dando uma olhada no relógio quando o silêncio reinou por alguns segundos. – Eles já deveriam ter voltado. Já passou uma hora e meia.
– Calma amor, eles foram lá na frente procurar a borracharia, e o carro do está fazendo um esforço pra puxar o do Keany!
riu com o comentário da outra e deu um gole de sua água.
– Eles sabem que estamos aqui? – ela perguntou.
– Sim, sabem. Eles viram pra cá quando voltarem – respondeu. A garota assentiu com a cabeça e se calou, mirando seu copo.
a olhou e achou que ela estava pensando em . Compreendia a situação de , ainda mais por conhecer bem e saber que ele não ia ficar com ela de novo. O olhar de vagou pelo restaurante, vazio. Seria péssimo pra ela se sentisse algo por . não acreditava que fosse possível, foram apenas alguns dias que passaram juntos. Mas nunca se sabe, não é mesmo? Não há como adivinhar a mente das mulheres e estava cabisbaixa demais. Apesar de não podermos ler a mente das pessoas, podemos supor o que está se passando apenas pelas ações da mesma; era o que estava fazendo. Deduzindo que estava triste por causa de .
Claro que eles poderiam se encontrar novamente depois dali, mas mesmo que pudesse (e podiam), não iria se esforçar pra que isso acontecesse.
Lá ele tinha , que mesmo que praticamente o proibisse de chegar perto dela, ele tentava e não gostava que ela o visse com outras garotas, apesar de ver que ele beijava dez em uma noite. Era menos lucro pra deixar que o visse ficando com as meninas.
Um tempo depois, os rapazes chegaram com o pneu de Keany trocado e eles se mobilizaram para continuar a viagem. Mas só depois do escândalo que fez, dizendo que queria tomar o sorvete que estava em um banner na porta da loja de conveniências do posto.

A viagem foi tranqüila. não sabia qual era a atmosfera no carro de Keany, mas ali no carro de , estava tudo em paz. e conversavam sobre algo inútil em voz baixa, estava cochilando no ombro de (ela só esperava que ele não babasse) e fazia o mesmo, com a cabeça encostada à janela.
Oasis tocava baixo no player do carro, e achava que seria essa a trilha sonora do sono de e . Riu com esse pensamento (idiota).
De repente, começou a pensar no que ia fazer. Se ela fizesse faculdade, teria com o que se preocupar, mas não fazia. Ela sabia que e faziam faculdade, só não entendia como as amigas poderiam perder aula daquela maneira. dizia que depois era só repor a matéria de alguma forma. Às vezes sentia vontade de fazer faculdade, mas a preguiça falava bem mais alto. Levantar cedo e se matar de estudar novamente, não era pra ela. fazia faculdade também. Aquela ali era maluca. Vivia pra isso.
cursava jornalismo e administração. Combinava com elas. era absurdamente a cara de seu curso, história.

O borrão verde que assistia da janela era bem interessante. Às vezes ficava marrom, depois voltava para o verde. De repente surgia um amarelo desbotado. Bonito. E estava fazendo um friozinho bom, comparado ao calor insuportável que fazia antes. Boa coisa, ela pensava.
Aos poucos ela foi avistando a cidade, uma a uma, apareciam as fábricas e logo, a civilização. Como era bom estar em casa.
deixou cada um em sua casa, depois rumou sozinho para a sua.

entrou exausta, jogando suas bagagens (eles haviam deixado as suas malas no carro de dessa vez) no chão.
– Eliza? Cheguei! – ela chamou. Seus olhos estavam quase fechando. Ela atravessou o enorme hall de sua casa e chegou à sala de estar, procurando por alguém em casa naquela terça-feira. Seu pai estava trabalhando, mas e sua governanta? – Eliza?
– Oi querida, já chegou? – uma mulher baixinha e apressada foi até ela, pegando suas malas. assentiu com a cabeça.
– Sim, estou exausta. Vou tomar um banho e dormir. – ela anunciou e Eliza concordou.
– Eu vou levar isso aqui depois, certo? Vou separar as roupas sujas. – a mulher disse e saiu com seus passinhos, depressa. mexeu nos cabelos e subiu aqueles degraus largos para ir até seu quarto. Às vezes ela achava que aquela casa era grande demais para apenas ela e o pai. A mãe de — segundo seu pai — havia morrido quando tinha apenas dois anos de idade. Algo como câncer. Ela lembrava vagamente de uma linda mulher com vastos olhos verdes. Vagamente mesmo. Parecia com a mulher dos retratos que seu pai tinha pela casa, sua mãe. Quando era menor, ela sentia falta de ter uma mãe. Chegava até a invejar suas amigas por terem o que ela sempre quisera, mas quando cresceu, aprendeu a não sentir tanta falta. Ela simplesmente agradecia pelo pai que tinha e não pensava em mais nada.
Entrou em seu quarto, o papel de parede era lilás, a cama era de um tom rosa-claro e as cortinas eram azuis. Havia prateleiras lotadas de ursos de pelúcia e bonecas, havia mais algumas prateleiras repletas de livros. Apesar de ser um pouco preguiçosa para estudar, ela gostava muito de ler. Nas paredes haviam alguns pôsteres de atores e cantores e em cima da escrivaninha estava um mural de fotos, pregadas haviam fotos de e ; , e ; e ; , , e ; e seu pai em sua formatura de ABC. e seu pai em sua formatura de colegial. Havia também uma foto de sozinho.
Também existia ali uma escrivaninha, contendo um som portátil e um suporte de CD’s. Do outro lado do quarto, ficava o seu closet. Enorme e lotado.
O banheiro de seguia o padrão do quarto. Era lilás e branco, todas as suas toalhas eram brancas ou rosa. Seu pai projetara esse quarto quando ela tinha 10 anos de idade. Desde então não sentira vontade de mudar absolutamente nada nele. Ela adorava seu quarto daquela maneira.
Decidiu tomar um banho quente, e foi o que fez. Se arrastou até o banheiro e entrou de cabeça no chuveiro. A água estava ótima, quentinha do jeito que ela imaginara.
Ficou embaixo d’água por alguns instantes e depois saiu, se enxugando e vestindo um pijama leve. Quando caiu na cama, dormiu instantaneamente.

Capítulo 8:

A atmosfera estava boa. Era uma quinta-feira nublada, havia chuva chegando. Dia perfeito para ficar em casa, com uma caneca de chocolate quente vendo um filme antigo.
estava na cama, lendo um livro intitulado “Muitas faces e um só rosto”. Estava começando a sentir a brisa gelada que entrava pela janela. Ergueu a cabeça do livro ao perceber a cortina balançando mais do que o normal. Caminhou até a janela e olhou para o céu, contemplando nuvens cinza-azuladas. Ela respirou fundo e fechou a janela, logo depois a cortina, voltou para a cama, fechou seu livro e o guardou na estante. Sentiu vontade de ver um daqueles filmes que havia reservado para aquele dia. Filmes antigos e bestas, que toda garota já viu mais de 500 vezes. Filmes que ela adorava, como “Ela é demais”, “Clube dos cinco” e “Dez coisas que eu odeio em você”.
Pensou em chamar as amigas, mas era quinta-feira, provavelmente estaria estudando (alguém já a vira fazer algo que não fosse isso?), deveria estar descansando ou estudando (ambas as opções combinavam com ela, adorava dormir) e poderia estar estudando também, ou poderia estar com . Das duas, a ultima opção era a mais válida. Eles não se desgrudavam.
Então, decidiu ver seus filmes sozinha. Não iria chamar . Queria ver filmes para garotas, não queria que ele a convencesse a assistir ‘Duro de Matar’. Era isso o que fazia sempre. Combinava com ela de ver um filme que ela escolhera, mas acabava fazendo a namorada mudar de idéia, vendo um filme escolhido por ele.
desceu as escadas lentamente, sem pressa. Era bom descer as escadas de pantufas. Quando ela era menor, mesmo que não fizesse frio, sempre calçava as pantufas e descia as escadas correndo (muitas vezes escorregava) e levava advertências de seu pai por isso.
Foi até a cozinha e colocou um pouco de sorvete num copo, indo para a sala de TV, começar sua maratona de filmes água-com-açúcar.

O filme era ‘Dez coisas que eu odeio em você’ e Julia Stiles estava recitando o tão famoso poema. estava pronta para chorar, quando Eliza entrou na sala.
– Querida, seu namorado está aqui. – ela disse, fazendo fechar os olhos e pensar em como não imaginara que iria ter que aparecer ali uma hora ou outra. Ele não conseguia ficar sem vê-la pelo menos um dia? não tinha um momento de paz como aquele sem ter seu namorado zelando por ela á olhos atentos!
– Mande-o entrar – ela pediu, sem ver outra alternativa. Eliza saiu e em segundos, estava dentro do cômodo.
– Amor – ele foi até e encostou sua boca na dela.
– Olá – ela respondeu desanimada.
– Estava meio entediado em casa e resolvi vir ver o que você estava fazendo, não sei, se também estivesse entediada, poderíamos nos entediar juntos – sorriu e revirou os olhos, ainda bolada com aquela idéia de sua tarde filmes femininos ter sido arruinada.
– Grande idéia, – ela suspirou e apontou o lugar vago no sofá. – Sente aqui. Estou vendo filmes.
– Não me diga que está vendo aquele filme da Julia Stiles e do Heath Ledger de novo?! – perguntou olhando para a cena pausada na televisão.
– Sim, estou – a garota deu um sorriso forçado e despausou o filme. – Fique quietinho, está na melhor parte.
Mas não ficou quieto. Como previra.
– Ah não amor, vamos assistir algo que nos deixe acordados, e não algo que nos faça dormir! – ele replicou. bufou e revirou os olhos novamente, voltando a pausar o filme. Assim que Eliza entrou para avisar que havia chegado, ela parou pra pensar nessas coisas. Ele não iria até ali se fosse algo importante. Ligaria primeiro, sempre fazia isso. Se era festa de alguém, ele ligava primeiro. Se queria sair com ela, ligava antes. Se ele queria que ela o ajudasse com alguma coisa, ele com certeza telefonaria para verificar se não estava ocupada. Mas se ele queria encher o saco de , ele aparecia na casa dela assim, de surpresa, pra estragar todos os planos da outra. E estragar mesmo, por que naquele instante, ele estava sugerindo que ela não visse mais seus filmes água-com-açúcar e fosse ver filmes violentos com ele.
– Não, – falou ela olhando pra ele, sua expressão séria fazia com que ficasse claro que ela não iria trocar de filme. arqueou as sobrancelhas e se ajeitou no sofá.
– Tudo bem, eu só estava sugerindo – coçou a nuca, confuso, fixando o olhar na televisão, onde Julia Stiles estava paralisada, com uma expressão chorosa. Mas por que gostava tanto daquele filme? Filminho mais sem graça! Nem os filmes que assistia eram tão morgadinhos como esses.
A outra aliviou a expressão dura que mantinha no rosto ao ouvir o que o namorado dissera. E como ele estava desconfiado, sentado naquele sofá olhando para a cena pausada na TV. Ela não pôde continuar chateada com ele por ter estragado seu dia. Não com a carinha engraçada que fazia, receoso. Eram essas, essas pequenas coisas que faziam com que sentisse que deveria ficar com . Não era por que gostava muito dele ou por que ele era bonito. Era por que ela o achava a pessoa mais adorável de todas.
– Ô meu amor, qual filme você quer ver? – envolveu os braços no pescoço de e deu vários beijinhos no rosto do namorado. arqueou as sobrancelhas novamente e um sorriso foi esboçado em seu rosto. Ele abraçou de volta e sorriu mais uma vez.
– Eu posso mesmo escolher um filme? Tipo, nã... – ele não pôde continuar, pois havia recebido um selinho da namorada.
– O que você quiser – ainda beijava o rosto do rapaz incessantemente.
– Então... – olhou marotamente para sua namorada. – Você não se importa se eu escolher ‘Star Wars’?
Ótimo, havia decorado as falas daquele filme. E ele queria assistir mais uma vez? Maravilha, pensava . Ótimo. Mas ela não se importava com aquilo. Havia mudado de idéia, não queria mais ficar sozinha nem ver Julia Stiles chorando. Queria ficar na companhia de , o dia inteiro. Fazia algum tempo que ela não se sentia daquela maneira, e se aquele era o momento, não iria desperdiçar. Todos diziam que não gostava de , que ela o tratava mal e que ele era um idiota por continuar com ela. costumava ficar bastante irritada ao ouvir aqueles comentários, mas naquele momento, ela decidiu ignorá-los. Gostava sim de . Aqueles momentos a faziam ter certeza disso. E não era apenas a companhia de uma pessoa. Se não fosse , ali, naquele instante, ela não iria ceder e não o deixaria ver Star Wars novamente.
– Claro que sim – Ela parou de beijá-lo no rosto e levantou, para ir buscar o filme na estante. Após pôr o filme, sentou ao lado de e se aconchegou nos braços do namorado, sentindo acariciar seus cabelos gentilmente. Não ia sair dali nem tão cedo.

Depois que o filme acabou (horas depois), e continuavam naquele sofá, assistindo um programa qualquer de tv. Talvez nem estivessem prestando atenção. estivera pensando em várias coisas, durante aquele tempo em que ficara ali com ela. Sobre o tempo em que estava com , sobre como ele gostava dela, sobre como ele se sentia feliz e completo ao lado dela. Pensou também em como ele não conseguia pensar em mais nada quando estava com ela daquele jeito. Ele só queria aproveitar, senti-la ali com ele. Alguns de seus amigos o achavam um idiota por isso, mas ele era tão feliz com , que havia pensado inúmeras vezes em pedi-la em casamento.
? – ele a ouviu o chamando.
– Sim? – respondeu.
– Você me ama? – perguntou a outra.
Se ele a amava? Como poderia perguntar algo assim a ele? suspirou e piscou os olhos lentamente.
– Amo. – falou simplesmente. – E você?
nunca havia dito a ele algo assim. Nunca havia dito que o amava. Se ela dissesse naquele momento, seria histórico.
– Bom, eu tenho motivos pra isso? – perguntou de volta. bufou, toda sua esperança sumindo.
– Se você achar que tem, meu amor... – respondeu simplesmente.
– Então eu acho que tenho – ela falou depressa, fechando os olhos e juntando mais seu corpo ao de .
O rapaz abaixou o olhar e sorriu verdadeiramente, beijando a testa da namorada e também fechando os olhos.

Capítulo 9:

– SAI DE CIMA DE MIM! – gritava.
– Só se você disser que me ama – impôs suas condições. Mas a namorada não cedeu.
– VOCÊ ESTÁ FRITO! – ela ameaçava sentindo todo o peso do outro sobre si. Estavam todos reunidos na casa de , como de costume. Era uma sexta-feira alegre, o relógio ansiava por marcar 4PM. Fazia uma hora que estavam ali, fazendo qualquer coisa. e estavam agarrados com um violão; e estavam conversando sobre algo interessante para elas e e assistiam à luta entre e .
– Não acho que o Louvre seja o melhor lugar – falou, dando uma olhada para o sofá, onde permanecia sentado em cima de .
– Que loucura, o lugar é incrível! Você já esteve lá? – perguntou indignada. negou com a cabeça. Na verdade, ela não entendia muito daqueles assuntos, mas gostava de ouvir o que as outras pessoas tinham a dizer sobre.
– Não – respondeu com um sorriso, piscando os olhos lentamente e voltando seu olhar para onde e concentravam-se com um violão e algumas folhas de papel. Era quase sempre daquele jeito. Os dois ficavam a um canto, escrevendo e tocando algo. gostava das músicas deles. Eram sempre músicas boas, divertidas.
– Eles não param, não é? – disse, olhando para os dois. voltou-se para a garota e sorriu.
– Eles se empenham. – disse ela. A outra sacudiu os ombros.
– O sempre me mostra as músicas dele, mas nunca toca – revirou os olhos, fazendo rir novamente.
– Às vezes ele toca algo pra mim, depois que eu insisto muito. – os olhares das garotas ainda pousavam sobre os dois. agora observava a expressão compenetrada de , ouvindo algo que lhe dizia empolgado. Música. realmente gostava daquilo. Quando se tratava de música, ele falava sério. Ela achava que o rapaz sonhava demais com a tal banda que ele e montariam. Apenas os dois. Sem outros músicos ou um ponto de partida. Sempre que lhe dizia isso, respondia que aquele era o ponto de partida. Eles estavam começando a realizar o sonho de ambos.
– Pra mim ele nunca toca – falou, dirigindo seu olhar para . , que acompanhara o movimento da garota, estreitou os olhos.
– Você soube, não soube? – ela perguntou.
– Soube de quê?
– Da – disse , cuidadosamente.
abaixou o olhar e suspirou.
– Sim, eu soube. – ela esboçou um sorriso. – Eu não acreditava que ele falasse sério comigo mesmo.
olhou para , lembrando de como o rapaz não pensara em antes de ficar com . Começou a imaginar como estava se sentindo. Óbvio que a garota dizia não ligar muito para o que dizia, sobre gostar dela e aquela coisa toda, mas conhecia aquele sentimento. estava apenas fingindo não se importar.
– Ah ... Você sabe como são os garotos – começou, ainda olhando a amiga ao seu lado, que permanecia com os olhos grudados em . – Eles dizem que gostam de uma garota. Se a garota não dá bola pra eles, eles partem pra outra. Pelo menos com o é assim. O vive me dizendo isso.
bufou, balançando a cabeça negativamente.
. Ele não quer que eu me aproxime do . Veja que ironia – a garota apontou para os dois rapazes sentados. – Super amigos.
– Você gosta do ? – perguntou. hesitou.
– Eu? Eu não, . Que idéia. – ela respondeu depressa. A outra estreitou os olhos e suspirou. Estava mentindo. Claro que estava. Se ela não gostasse de , não teria motivo pra ficar tão nervosa como ficara ao responder a pergunta.
– Não me enrola – disse encarando a garota ao seu lado. – Não precisa disso.
pareceu pensar por um momento. Abaixou a cabeça e deu um longo suspiro, levando as mãos ao rosto e em seguida, finalmente olhando para a cunhada.
– De que vai adiantar dizer que gosto? Ele não se importa comigo mesmo. Quando conseguir o que quer, não vai nem lembrar de mim. – ela falou com a cabeça baixa. sorriu de leve e passou o braço pelos ombros da amiga, a abraçando.
– Não custa tentar, – ela aconselhou. – Você pode ir até o e dizer que sente algo por ele.
– Custa sim. Custa a paz entre mim e o . E custam meus ouvidos, quando o me abandonar. – ela gargalhou baixinho. – Eu consigo imaginar até a cara que o fará.
– O não é dono do seu nariz! – ralhou.
– Mas é meu irmão e ele quer o melhor pra mim, eu entendo isso! – falou, olhando os dois mais uma vez, antes de levantar-se. – Eu não vou me arriscar.
balançou a cabeça negativamente e apertou os olhos, vendo ir sentar no sofá ao lado de e , que agora não brigavam mais. Conseguia entender parte do que a amiga sentia. Estava com medo de se entregar ao sentimento e acabar sendo magoada por , o que era bem provável de acontecer.
Além disso, havia , cozinhando os miolos da irmã, colocando abobrinhas sobre na cabeça dela. O que achava ser altamente injusto. Tudo bem que temesse por , mas não havia nada de errado que ela ficasse com . Ela ia ter uma conversinha com sobre esse assunto qualquer dia.

– Ah não gente, não! Lá vêm eles, com essas músicas pavorosas! Tocar isso pra nós! – berrou, ficando em pé no sofá e apontando o dedo para e , que vinham sorridentes com um violão e alguns papéis sentar perto dos outros. chutou a perna de , que desabou no sofá, desatando a rir.
– Não fica em pé no sofá, palhaço – ele disse de modo engraçado, fazendo os outros rirem. puxou um banco que estava por ali e sentou-se nele, agarrado com o violão.
– Vão tocar? – perguntou com os olhos apertados, temendo o que viria. revirou os olhos e fez uma careta para a outra.
– Não – disse ele de maneira debochada, fazendo e os demais rirem. – Não vamos.
– Glória! – ergueu os braços pro ar e levou mais um chute. – Ô , para com isso!
E todos voltaram a rir.
– Ô , Ô imitou, causando mais risos. fez uma careta e jogou a almofada que estava próxima a ele em .
– E agora? – perguntou, parando de rir.
– E agora o quê? – devolveu a pergunta.
– O que faremos agora? – ela perguntou mais uma vez e o silêncio reinou. Situações como aquela eram normais. Estavam todos juntos, sem idéia do que fazer.
– Hm... Vamos ver um... Filme? – perguntou, sem idéias.
– Nam. Filme não. – desconsiderou. – Vamos sair?!
– Sair pra onde? – perguntou. – Estou sem vontade de sair.
– Você ein ! Tem o pior dos espíritos -sem-graça! – disse arrancando murmúrios de concordância de algumas pessoas.
– O que tem de errado com ela? – perguntou em defesa da outra. – Eu gosto da desse jeito! – continuou sorridente.
A garota suspirou fechou a expressão, deixando completamente sem jeito. olhou para e depois pra , que estava com as sobrancelhas arqueadas. trocou olhares com e , antes de olhar para . A atmosfera ficou tensa de repente. agora fitava suas unhas parecendo bem interessada.
– Ih comentou em voz baixa. – Acho melhor você tossir e fingir que não disse nada.
– Concordo – falou confuso, olhando pra .
estreitou os olhos.
– Não entendi. – ele falou para os amigos.
– Nem nós – falou.
– Bem, eu posso imaginar – disse, olhando para e , que concordaram e disseram em coro:
.
e fizeram sons com a boca, e alguns “Ih”. balançou a cabeça e sorriu.
– Ela ta com ciúmes – disse ainda em voz baixa.
– Ciúmes? – perguntou sarcástica, olhando para as amigas, que negavam com a cabeça.
– Acho melhor você não pensar assim, falou.
– Também acho bom não chegar muito perto dela – comentou.
– Por quê? – perguntou assustado.
As garotas trocaram olhares mais uma vez e levantaram sorrateiras.
– Essa é a nossa deixa – sorriu falsamente. – Até mais, meninos.
– Vamos ? Vamos até a minha casa ver A Maldição de Carrie – improvisou.
– Ah – levantou rapidamente e saiu de lá antes de todas as meninas.
– Tchau amor – beijou rapidamente a boca de e saiu atrás da outra.
não entendeu quando fez o mesmo e apertou os olhos assim que saiu atrás das amigas.
– Elas estão escondendo algo? – perguntou. coçou o queixo.
– Com certeza.
abanou o ar e levantou pegando os papéis que estavam por ali.
– Ok, o que vamos fazer aqui sem nossas garotas?
– Vamos ver Pornô? – sugeriu com um sorriso enorme, mas acabou levando outro chute. – Ô !!!!!!!!!!!!!!!!!!!
E os outros três desataram a rir.

Capítulo 10:

Os meses não haviam passado depressa para , como haviam passado para , , , e os demais. Enquanto eles trabalhavam, estudavam e se ocupavam, ficava em casa, vendo televisão, lendo algo sem importância, vagando os olhos pelo computador. Vez ou outra seu pai a levava para jantar, certas vezes ela não fazia nada, como naquela noite de quinta-feira. Já era novembro e o clima já havia esfriado. Nada surpreendente. Acontecia desde sempre.
estava de bruços na janela, olhando algumas crianças correrem no pátio da casa à frente. Ela não conseguia entender como os pais daquelas crianças os deixavam ficar no frio à noite, correndo daquele jeito no pátio da casa. Bem, pensou ela. Talvez os pais não se importassem muito com as crianças. Deveriam estar fazendo coisas mais importantes.
Ou talvez estivessem fazendo absolutamente nada, como ela.
Numa fração de segundo, o pensamento de mudou. Onde estaria ? Havia exatamente uma semana que ele não dera notícias. Sabia que ele e estavam trabalhando em algo importante para a futura banda dos dois. Ela não fazia idéia do que poderia se tratar.
– Bem que o poderia aparecer aqui – ela disse para si, dando as costas para a janela e fazendo seu caminho até a porta. Iria sair um pouco. Ela não merecia ficar trancafiada naquele lugar. Telefonara para mais cedo, mas ela estaria estudando. também. a mesma coisa.
Nessas horas, pensava seriamente em arranjar um emprego. Não tinha mais tanta graça ficar em casa sem fazer nada, havia se tornado cansativo. Exatamente. Cansativo ficar em casa sem fazer nada. Aquilo a estava enlouquecendo. A garota pegou seu casaco e desceu as escadas. Mas antes que ela pudesse pegar a chave do carro para poder dar uma volta pela cidade, ver o que havia de novo por lá, seu celular tocou no bolso do casaco. Ela o puxou sem delicadeza e abriu o flip sem pressa.
– Alô? – atendeu sem olhar no identificador. Bem, ela não costumava olhar mesmo.
– Amor? O que você está fazendo? – eram raros os momentos em que ficava contente em ouvir a voz de . Ele costumava fazer duas ligações pra ela por dia. Mas àquela semana, não havia dado mais que dois telefonemas. Um na segunda-feira e outro na terça. Tudo bem, ela admitia que estava com saudades dele.
– Nada – mas não iria deixar saber disso. Estava chateada por ele não ter ligado. era daquele jeito com ele. Se desviasse a atenção dela por um segundo, ela ficava ofendida e causava uma discussão entre os dois. Bem egoísta da parte da garota.
– Escute, tenho uma novidade ótima! – ele falou entusiasmado. voltou para o quarto e sentou em um dos pufes róseos que ficavam por ali.
– Que novidade? – perguntou ela sem interesse.
– Eu e o arranjamos um teste pra fazer!
arqueou as sobrancelhas e um pequeno sorriso surgiu no canto de seus lábios.
– Sério? – ela perguntou, ainda parecendo desinteressada. Era óbvio que ficava feliz por eles. Era notável pela voz de que ele estava muito empolgado.
– Sim. Vamos fazer o teste no domingo. – continuou ele. – O está bem confiante. Ele acha que nós vamos passar com certeza, mas eu estou pensando em uma coisa bem chata... E se apenas um de nós passar?
– É, vai ser chato – respondeu. Ela havia sido o mais curta possível, será que estava tão alegre com o teste que não havia reparado?
– O que houve com você, ? Você está arisca. – ele falou.
– Não estou arisca. Só estou de saco cheio, respondeu depressa. Finalmente ele reparara nos modos da garota.
– De saco cheio de quê? Você não faz nada! – ele disse. A garota levantou do pufe e foi até a janela, com as sobrancelhas franzidas.
– É isso mesmo. Estou de saco cheio de não fazer nada! E você , você não me ligou essa semana, você não fez questão de me mandar um e-mail ou uma mensagem e nem deu as caras por aqui! – ela acusou.
– Bah! – exclamou. – A culpa é minha se você é comodista demais? E se você queria tanto assim falar comigo, por que não me ligou?
– Eu não sou comodista! E eu te liguei sim, mas o seu celular estava fora de área! E onde você esteve esses dias?
– Querer parar de falar assim? Eu estive enfurnado dentro do quarto do , escrevendo músicas, caso você não tenha pensado nisso. E não sei se você lembra, mas eu preciso ir para a escola pela manhã! – era verdade. trabalhava como ajudante na biblioteca da escola que havia freqüentado.
– Ta okay, – ela respondeu irritada e não disse mais nada.
Eles ficaram alguns segundos em silêncio e logo, voltou a falar:
– Eu te ligo pra contar algo incrível que me aconteceu, e você me vem com essa conversa.
A garota sacudiu os ombros e balançou a cabeça, fechando os olhos por um segundo.
– Só estou irritada por ter estado sozinha essa semana. Meu pai está em Manchester resolvendo alguns assuntos que eu desconheço.
– Daí você resolveu descontar em mim?
– Já passou, ! – ela falou chateada. – Não vou mais dizer nada!
– Certo, eu só queria avisar do teste. Tchau – fez menção de desligar o telefone, mas não queria que ele desligasse. Ela ia ficar sozinha novamente se ele desligasse. E estava com saudades de , embora o tenha deixado perceber de uma forma diferente. Se a ouvisse dizer algo como aquilo, diria que estava doente. De acordo com , e , não gostava de .
– Não, espera! Não desliga. – ela disse abaixando a voz.
– O que foi? – agora quem parecia irritado era ele.
– Tsc, desculpa vai – disse de uma vez. detestava admitir que estava errada. Era sempre o contrário. Sempre que eles brigavam, nunca era culpa de . A culpa era sempre de . E era sempre ele quem vinha pedir desculpas. Como no caso de Finchley. havia dito ao namorado que poderia resolver sozinha (mesmo que não pudesse) e não cumprira o acordo. Mesmo que as intenções dele tenham sido boas, o fez pedir desculpas.
Era estranha, aquela situação de ter que pedir perdão a . Certo que ela começara a briga sem motivos sérios e ela devia desculpas, mas sentia-se controlada. Mesmo que fosse loucura de sua cabeça, ela sentia-se submissa a . E detestava sentir-se assim.
– Desculpa – repetiu ela. – Eu só estou irritada.
– Tudo bem – respondeu também com a voz baixa. – Agora eu preciso ir. Tem uma bagunça esperando lá no meu quarto.
– Okay – riu e disse desanimada.
– Hm... Você pode me ajudar a arrumar o quarto. – sugeriu. – Eu sei que é uma péssima sugestão, mas se você quer tanto sair de casa...
– Ótimo, eu vou – ela respondeu no mesmo instante.
– Legal. Até daqui a pouco então. – respondeu e desligou o telefone.
também desligou e saiu do quarto, descendo as escadas e rumando até o carro.


O relógio marcava 9PM e e estavam deitados na cama do rapaz, olhando para o teto e conversando sobre diversas coisas sem fundamento.
– Flores – ele disse.
– Arbustos – essa era , aos risos.
– Incompetência – murmurou.
– Insuficiência – continuou.
– Hm... – o garoto apertou os olhos, pensativo. – Escolha.
– Opção.
– Rapidez – falou.
– Agilidade – continuou após um tempo em silêncio.
sorriu e retribuiu.
– Você está ficando boa nisso! – ele elogiou.
– É, mas ninguém vence a .
– Ah, isso é verdade. A é craque em pensar rápido.
Aquele era um jogo que a irmã de havia aprendido em algum dos lugares estranhos que ela fora. Segundo e , era jogo de nerd. Mas , , , e gostavam bastante. Era interessante e legal para passar o tempo.
Eles ficaram calados por um tempo, concentrados no teto do quarto de .
... – ele chamou.
– Hm.
– Você pensa em ter filhos, não pensa? Digo, toda garota pensa essas coisas.
Ela bufou e começou a rir.
– Não , detesto crianças. Só fazem bagunça! – ela respondeu.
– Credo, você não pensa em ter uma família? – ele virou-se para o lado dela e encarou , esperando uma resposta. A garota também virou-se para o lado dele e o encarou de volta.
– Na verdade não – respondeu ela, apertando os olhos. – Eu acho que... Não sei . Eu simplesmente não penso nisso. – ela sorriu. – A diz que eu sou fria demais.
– É – disse simplesmente. – Você é sim. Mas sei lá. É o diferencial em você. – ele piscou os olhos. – Eu gosto.
sorriu verdadeiramente, abaixando os olhos.
a observou desmanchar o sorriso aos poucos, estudando atentamente cada traço do rosto de . Ela era perfeita, na opinião dele. Não sabia se era por que era completamente apaixonado por ela, ou se era por que era muito bonita mesmo, mas ele ficava fascinado cada vez que parava para observá-la daquele modo.
A garota levantou o olhar novamente e piscou devagar, contraindo os lábios.
– Pára de me olhar, ! – ela disse de maneira engraçada. sorriu e cantarolou:
Can’t take my eyes off you...
gargalhou baixinho e voltou a sorrir pra ele. O rapaz manteve seus olhos nela por um bom tempo, ficando surpreso por que não desviara o olhar.
Ele se aproximou um pouco, colocando os cabelos dela atrás da orelha da garota e parando os dedos no queixo dela. sorriu ao perceber que enrubescera.
– Deus do céu, por que você fica assim toda vez que eu me aproximo desse jeito? – ele perguntou.
– Eu realmente não sei – ela disse abaixando os olhos por um segundo e voltando a olhá-lo. – Você realmente é o único que conseguiu me causar isso.
sorriu e encostou sua boca na dela devagar, fechando os olhos. partiu o beijo uns segundos depois e encarou .
You’re just too good to be true... começou, fazendo rir alto. Ele riu junto e continuou. – Can’t take my eyes off you...
– Ai , pára com isso! – ela pediu tapando o rosto com as mãos, mas apenas riu:
You feel like heaven to touch... I wanna hold you so much – e percebeu que ele não iria parar de cantar, então apenas assistiu, sorridente. segurou a mão de levemente e em seguida, a entrelaçou com a sua. – At long last love has arrived... And I thank God I’m alive...
A garota mirou as mãos dos dois e voltou a olhar .
You’re just too good to be true... Can’t take my eyes off you! – ele finalizou. bateu palminhas e deu um selinho em .
– Que lindo – ela disse ainda sorrindo. – Só faltou a banda. Como no filme!
revirou os olhos e balançou a cabeça negativamente.
– Eu estou sendo romântico e você pensa naquele filme! – falou. deu uma gargalhada e ele continuou. – Então ta certo, quando eu formar minha banda eu canto a parte do I love you baby e essa coisa toda.
riu e o abraçou, pensando em como conseguia deixá-la feliz com aquelas coisas idiotas que ele fazia. Se qualquer outro cara cantasse uma música como aquela pra ela, levantaria e iria embora decepcionada. Mas não . conseguia fazer com que ficasse satisfeita com aquelas coisas ‘idiotas’. Nenhum outro rapaz conseguia fazer com que ela ficasse envergonhada. E conseguia isso com facilidade.
Algo novo estava surgindo e não estava rejeitando o que começava a sentir. Talvez estivesse na hora de retribuir todo aquele amor a .


Capítulo 11:

– Três dólares! – falou, sentada de frente ao computador na casa de . – Eles estão cobrando três dólares. Frete por fora. Isso é um absurdo!
– Faça as contas, . Três dólares não é tanto assim. – comentou, engolindo um biscoito vindo do pote que Eliza deixara lá para elas.
– E a gente nem sabe se o CD é original mesmo – olhava para a tela do computador compenetrada. Estava pesquisando preços de CDs de bandas que gostava.
– Claro que é original. A gente percebe pela loja virtual em que compramos. É de confiança? – perguntou, enquanto fazia as unhas de .
– Claro – respondeu. – Ah, vou comprar. – decidiu-se por fim. levantou-se e foi até a sacada do quarto da amiga. Estavam ali havia mais ou menos uma hora. chamara para ajudá-la com as unhas, já que ela teria um compromisso logo mais, à noite. Aproveitou e resolveu chamar as outras amigas. Iria ao casamento de seu primo, Robert. lembrava de quando ela e Robert brincavam juntos. E agora ele já estava casando? Não era inacreditável, afinal ele namorava sua noiva desde os treze anos.
, o vai contigo? – perguntou. suspirou e balançou a cabeça de leve.
– Não sei, eu tentei telefonar pra ele, mas ele não atende, eu deixei várias mensagens!
– Hm, não! – precipitou-se. – Não, o não está em casa.
franziu a testa, confusa. Como não estava em casa?
– O foi fazer aquele teste com o , logo cedo. – falou como se lembrasse a . – Esqueceu? Ele te falou, eu acho.
A garota levou as mãos à testa, surpresa por não ter lembrado. passara uma tarde inteira tagarelando sobre o tal teste e como era importante para ele e e que poderia ser a chance de suas vidas. Ótimo, havia ido ao teste e ela iria sozinha ao casamento.
– Que bom, vou sozinha ao casamento – ela ralhou, olhando para os lados. – Alguma de vocês quer ir comigo? – ela perguntou singelamente.
– Hm, não dá, vou sair com o respondeu depressa. arqueou as sobrancelhas e coçou o canto da boca com a lixa de unhas.
– Tenho que estudar para meu seminário. Será nesta segunda. – justificou antes de voltar a cuidar das unhas da outra.
...? – olhava suplicante pra ela. Se dissesse não, também não iria ao casamento. Ela mal falava com metade da família, o que estaria fazendo por lá sozinha? Bem, havia combinado de ir com , um rapaz que era algo parecido com seu namorado, mas ele decidira furar com ela!
soltou um longo suspiro e passou os dedos pelos cabelos, antes de dar uma última olhada no monitor.
– Ok, , eu vou com você – ela falou, sorrindo para a amiga, que estava radiante.
– Oh, valeeeeu amiga, eu juro que vou te dar um desses CDs que você quer depois! – prometeu. sorriu de novo.
– Ah, claro. Não tenho roupa pra ir a essa festa. – ela disse. levantou-se e foi até ela, dando tapinhas nas costas da amiga.
– Não se preocupe, eu te empresto o vestido que eu iria usar se eu tivesse ido à colação de grau do meu irmão.
– E por que você não foi? – perguntou parecendo interessada. sorriu de uma maneira maliciosa e arqueou uma de suas sobrancelhas.
– O apareceu lá em casa e eu me atrasei.
As outras soltaram alguns “ihhh” para irritar , que apenas ria. a observou debruçar-se na janela e começou a pensar em algo estranho. Quando começou a andar com elas, insistiu para que tivesse escolhido seu irmão ao invés de . Ela até entendia o porquê da preocupação da amiga. conhecia muito bem. Sabia do costume que ela tinha de menosprezar os rapazes com quem saía, ou deixar um deles apaixonado sem importar-se com os sentimentos do moço. achava que — mesmo dizendo que não era daquele modo — menosprezava . E também achava que se ela estivesse com , aquilo não estaria acontecendo. O fato de estar sempre temendo perdê-la, o fato de estar sempre se importando pouco com ele. Nada daquilo aconteceria se fosse namorado de . Do jeito que conhecia o irmão, passaria a tratar exatamente do jeito que ela o tratava. E ele não agüentaria namorá-la por mais de um mês. havia agüentado oito meses.
estava pensando em como agiria com ela, se fossem namorados. Era estranho pensar nisso, afinal, era namorado de sua amiga.
? – chamou. A garota piscou os olhos e olhou pra ela.
– Oi?
– Você quer que pinte suas unhas de que cor?
– Põe azul claro. Meu vestido é dessa cor. – ela disse e passou a mirar o trabalho da amiga.


O motorista de foi buscar às 8PM. O pai de não iria comparecer ao casamento, já que estaria trabalhando até tarde. O Sr. não era o tipo de pessoa que atrasava trabalho para ir à eventos, nem que fossem familiares.
– Que decoração linda – disse enquanto entrava na igreja ao lado de . – Adorei os copos de leite. – ela apontou discretamente para as flores postas no altar.
– Ficou lindo mesmo – a outra disse. – Olha só, o meu primo. – indicou um rapaz parado no altar, com as mãos pra trás, mexendo os pés incessantemente.
riu e mostrou lugares disponíveis. As duas sentaram-se e começaram a reparar nas roupas das pessoas. Quanta gente cafona, pensou.
– Hey ... – chamou. – Imagina quando nós casarmos?
apertou os olhos e olhou para a amiga.
– Por que você tá pensando nisso?
– Ah, não sei. Faz tanto tempo que eu tô com o ... Acho que eu não vou encontrar alguém melhor que ele. – ela dizia sonhadora. sorriu. Sentia-se feliz por . Afinal, ela gostava mesmo de e era correspondida. De repente, lembrou-se de . E de como estava se sentindo sobre ele. Não era estranho. Era até normal, eles eram namorados. Era estranho para . Ela nunca havia dado importância para seus casos amorosos. Não que fosse um ‘caso’. Ele era seu namorado. O primeiro. E ela achava que não poderia ter escolhido uma pessoa melhor. era perfeito pra ela.
– Quer casar com ele, ? – ela perguntou cômica. enrubesceu e empurrou a outra de leve.
– Pára com isso, idiota.

Depois que o casamento terminou, e foram, como todos os outros convidados, à festa. Beberam, comeram, dançaram, brincaram e conheceram uns amigos de Robert, bem interessantes. Mas, nenhuma das duas flertou com eles. Ambas pensavam em seus namorados.
– Tô mega cansada. – falou antes de descer do carro, rumando à sua casa. – Até mais tarde amiga, eu acho.
riu e acenou, deitando sua cabeça no banco de trás do carro enquanto ia para casa. Estava enjoada, sua cabeça girava. Não sabia de onde tirara forças para entrar naquele carro. Sentia que poderia vomitar a qualquer momento.

Ela não fazia idéia das horas quando uma luz forçou seus olhos. Não viu outra saída a não ser abrir os olhos. Alguém havia afastado as cortinas. levantou da cama e coçou os olhos devagar, ajeitando os cabelos e bocejando. Girou o olhar pelo quarto (sentindo-se um pouco tonta ao fazer isso), vendo alguém parado à porta do banheiro, com os braços cruzados. E não era Eliza.
? O que você ta fazendo aqui? – perguntou sonolenta.
– Eu recebi suas mensagens – ele falou como se fosse óbvio. – E você tem idéia das horas?
Ela apertou os olhos e tossiu devagar, tentando encontrar seu despertador na mesa de cabeceira.
– Cinco da tarde, disse. – E você ainda está na cama. Posso saber a que horas você voltou ontem?
– Eu não lembro – ela falou coçando a cabeça e fazendo caretas. – Caraca, minha cabeça tá estourando.
– Óbvio, você deve ter bebido todas – ele falou seco. A garota o estudou e balançou a cabeça devagar.
– Por que você diz isso, ? Eu deixei recados pra você, eu te avisei da festa há dias atrás e você falou que iria comigo! Mas você furou, eu deveria estar furiosa com você! Mas não estou. E quer saber? Nem vou te perguntar como foi o teste. – ela deitou novamente e puxou o cobertor. sentou na beira da cama e passou a mão pela nuca, suspirando.
– Nós não fizemos o teste – ele disse. virou-se automaticamente e estreitou os olhos.
– Por quê?
– Fomos no dia errado. O teste será hoje à noite. – suspirou novamente. – O já foi.
– E o que você está fazendo aqui? – ela perguntou sem tirar os olhos do namorado. mordeu seu lábio inferior e sorriu de leve.
– Não fui ao teste – respondeu simplesmente.
não acreditava no que estava ouvindo. Como assim ‘não fui ao teste’? Não era aquilo que ele queria? não queria mais do que tudo, passar nesse teste?
– Por que você não foi? – ela chegou um pouco mais perto dele.
– Por que eu te liguei, retornei as mensagens e a Eliza atendeu ao seu celular... – passou os olhos pelo quarto e não achou o celular. Onde ela o teria largado? Não lembrava de nada naquela noite. Lembrava apenas de estar dançando com , na festa de casamento de seu primo. Não lembrava de como tinha chegado em casa. – Daí ela disse que você não estava bem, que havia chegado passando mal, tonta e que teve que te pôr na banheira.
passou a mão pela cabeça, ainda sentindo pontadas fortes.
– Eu decidi vir pra cá e saber se você estava bem – ele disse.
– Mas , o seu teste... – ela tentou protestar.
– Fica calada, eu ainda estou furioso por causa disso. Mas você é um pouquinho mais importante do que isso. Fiquei preocupado, a Eliza falou que você tava ardendo em febre! Eu sempre te disse que você era fraca pra bebidas. – falou passando os dedos pelos cabelos de , fazendo com que ela deitasse novamente. – Agora deita aí que eu vou ficar aqui com você.
– Mas eu não estou doente. Eu to bem! – ela falou. – Você tem um teste!
– O teste já era. Agora eu vou ficar aqui com você. A culpa foi minha, de não ter ido contigo no casamento. Eu sei que a gente já tinha marcado, mas apareceu esse teste e eu fiquei tão alegre que esqueci do casamento. Desculpe, amor. – ele disse parecendo triste. abanou o ar com a mão e puxou o cobertor mais uma vez.
– Não se preocupe. A foi comigo. Nós nos divertimos. Por falar nela, como será que está?
– Deixa ela. se vira por lá. – falou fazendo sorrir e fechar os olhos devagar.


Capítulo 12:

– Caraaaaaaaca, a minha cabeça ta estouraaaaaaaaaaandoooooooooooo – a amiga gemeu do outro lado do telefone. estava deitada no chão do quarto. havia saído às seis horas e ela resolveu ligar para . Apenas para saber como ela estava se saindo. Segundo a outra, não havia sido tão amoroso quanto .
– Eu tomei três aspirinas, pela minha contagem – bufou. Ela havia feito isso, mesmo com os resmungos de Eliza, dizendo para não fazer.
– Amiga, aspirina não vai me fazer melhorar – falou chorosa. Era sobre o quão amoroso havia sido.
– Então quer dizer que ele está furioso – comentou. Ouviu mais gemidos do outro lado.
– Você deveria ter visto. Pergunte ao depois. Ele sabe que não pode me cobrar esse tipo de coisa! Eu não faço idéia das vezes que ele se reuniu com os amigos do irmão dele para farrear! Ninguém sabe, pelo visto! – a amiga era quem parecia furiosa. – E depois ele me vem, achando que pode me fazer obedecer a ele! Sabe, , ele realmente não pode fazer essas coisas comigo.
suspirou e concordou, ouvindo a outra. Os problemas de e eram sempre os mesmos.
Para começar, eles eram o casal popular. Todos os conheciam e não era problema para eles. Tanto quanto adoravam essa coisa de popularidade. Ninguém sabia o que havia debaixo da toalha de mesa deles. Eles discutiam bastante. Brigavam bastante. Iam e voltavam bastante. Era normal quando se tratava do ‘casal problema’.
– E se você quer saber, eu não estou ligando pra ele agora – , que antes parecia chorar, agora parecia decidida a tirar de sua cabeça, momentaneamente. – Vamos sair.
começou a rir, lembrando da famosa resolução para os problemas de . Ela sempre saía, bebia e piorava as coisas.
– Não vamos coisa nenhuma. Você vai se resolver com o seu cara aí e eu vou pegar no sono.
– Você vai dormir de novo? Ah não, , você dormiu o dia inteiro! – a outra choramingou.
? – chamou.
– Eu tô aqui. – ela respondeu.
– Não era a sua cabeça que estava estourando?
– Sua garotinha patética, por que você tinha que lembrar? Agora voltou a estourar! – e riu um pouco mais, antes de levantar do chão de seu quarto e se olhar no espelho. Ela estava horripilante, como esperava estar.
– Tudo bem. Vai tomar um banho e pega aquelas aspirinas que eu te falei. Amanhã a gente se fala que a garotinha patética aqui vai fazer coisas patéticas. – disse ainda sorrindo. Também conhecia aquela situação. de ressaca.
– Patético. Vai embora, sua bruxa louca. Vou te matar quando te vir, .
– Também amo você, amiga. Beijos me liga. – e desligou o telefone. o jogou em cima da cama e foi escolher uma roupa. Tinha uma ótima idéia em mente.
Sabia bem o motivo. Desde que as coisas entre ela e estavam favoráveis, estava pensando naquilo. E ela sempre pensara naquelas coisas. Só faltava coragem. E ela finalmente a tinha. Foi tomar um banho e depois mudou a roupa. Fez sua maquiagem e depois desceu as escadas. Avisou ao motorista que iria ver seu pai na empresa, mas antes que pudesse sair, a campainha tocou. Ela correu até a porta e abriu, vendo parado à sua frente. Surpreendeu-se. não era de aparecer em sua casa.
? Er... Alguma coisa errada? – ela perguntou curiosa. apertou os olhos e sacudiu a cabeça. reparou que ele tinha o case do violão nas costas.
– Não, é que, eu queria falar com o . Ele está aí, não está? – o garoto perguntou, mexendo com as mãos. estava estranho. Não era o cara engraçado e esperto que ela costumava conhecer. Mesmo pra ela, que não era tão próxima dele; estava estranho.
Certo, e faziam parte do mesmo grupo. Sendo assim, eram amigos. Mesmo assim, eles não eram confidentes e nem próximos demais. O que deixava um pouco intrigada, por que era próximo tanto de quanto de (não há necessidade de comentar sobre ). Ela pensava que aquela situação se devia ao pouco tempo de amizade entre eles. E também não era algo com o qual ela deveria se preocupar. Quando estavam entre amigos, e agiam normalmente um com o outro. Fazendo piadas, brincadeiras e etc. Sem problemas.
– Não, ele não está aqui – respondeu confusa. pareceu mais confuso ainda.
– Ele me disse que estaria aqui. Quero dizer, ele passou o dia aqui, não foi?
Passou o dia?, pensou .
... Eu acordei às cinco da tarde e o estava aqui. Faz mais ou menos uma hora que ele saiu. – ela respondeu, vendo arquear as sobrancelhas. – Você já pensou em procurar o na casa dele?
balançou a cabeça afirmativamente.
– Eu liguei pra lá. A disse que ele estava aqui, . – ele insistiu. suspirou e cruzou os braços.
– Deve ter acontecido alguma coisa então, por que faz um tempinho que ele saiu daqui.
sacudiu os ombros.
– Então eu vou indo. Tchau... – ele disse e fez menção de virar-se. Mas estava se sentindo estranhamente mal com a situação.
– Er, ! – ela chamou e o rapaz virou automaticamente. – Como foi o teste?
Ele sorriu timidamente. E achou que se sentia da mesma forma em relação a ela. Estranhamente mal.
– Foi bem. – ele respondeu ainda tímido. abaixou a cabeça e sorriu em resposta.
Silêncio.
Um silêncio atordoante, que logo foi quebrado para a satisfação de ambos.
– Você tem algo contra mim, ? – perguntou, como se estivesse lendo a mente da outra. ergueu o olhar e estudou o garoto. Mas que pergunta fora de hora, ela pensava. Mas nem tanto assim. A situação bizarra em que se encontravam proporcionava perguntas e afins bizarros. Além do mais, ela estava mesmo pensando naquilo. Não tinha absolutamente nada contra . Bem, na verdade até tinha. O fato de ele ser um canalha, aproveitador e imaturo.
– Só uma coisa, – ela informou, vendo o rapaz estreitar os olhos e cruzar os braços, aparentemente curioso. – Você deveria parar de jogar com a .
girou os olhos e abriu a boca para dar uma boa resposta, como de costume, mas não o fez, pois não deixou.
– Fim de papo, . Fora isso, você é ótimo. – e sorriu. Após um momento de compreensão, suspirou e sorriu de volta, virando-se para ir embora.


O relógio marcava 7PM e estava sentada na enorme poltrona da sala de seu pai, na empresa. Ela estava esperando que ele terminasse de resolver alguns assuntos urgentes. Estava acostumada a ter seu pai apenas depois dos papéis. Sempre fora assim. E mesmo sendo, ele era um bom pai. nunca reclamava de tudo o que seu pai havia feito por ela. E também acreditava que ele não medira esforços para criá-la e que não deve ter sido fácil. Claro que teria sido muito pior sem a ajuda de Eliza.
O Sr. havia acabado de voltar de Manchester e estava morta de saudades dele.
– Oi meu bem! – ele finalmente estava livre e foi de encontro à filha.
– Papai – o abraçou fortemente. – Estive com saudades.
– Eu também. – ele sentou no sofá e sentou-se ao seu lado. – Me conte as novidades.
– Hum... Fui ao casamento do Robert, bebi e quase morri de dor de cabeça, daí a Eliza me dedurou para o e eu levei algumas broncas.
Ele riu.
– Que bom que eu não terei que fazer isso. – riu. Até onde ela sabia, seu pai adorava .
– É... Mas pai, eu vim aqui por outro motivo. – ela ficou de frente para o pai instantaneamente. O homem parecia atento e resolveu continuar. – Será que eu posso ser sua assistente?
– Como? – ele perguntou surpreso, com uma de suas sobrancelhas erguidas.
– Assistente, pai. Eu quero trabalhar! – ela falou sorridente. O pai lhe olhou com os olhos apertados. – Eu cansei de ficar em casa sem fazer nada. Quero ser útil em alguma coisa. E além do mais, eu sou sua única herdeira, não sou? – ela perguntou ainda sorridente. – Eu quero estar preparada.
Depois de um silêncio apreensivo em que o Sr. mirava o chão compenetrado, o viu erguer os olhos e sorrir meigamente.
– Tudo bem. Você será minha assistente a partir de agora!
bateu palmas entusiasmada e se jogou nos braços do pai, feliz por ter sido aceita em seu primeiro trabalho.

– Isso amiga, vamos comemorar. – estava no telefone com , contando as novidades. Era ótimo. Ela iria ter um trabalho!
– Mas , hoje é terça-feira! – protestou. A outra estreitou os olhos e coçou o canto da boca, desconfiada.
– O está aí, é? – perguntou.
– Não sua louca! Tá certo, você quer sair? Vamos sair! – respondeu depressa, a amiga. gargalhou.
– Isso aííí! Vamos sair!
E logo, todos estavam em um estabelecimento (se é que poderia ser chamado desse modo) de quinta, em uma rua onde todos conheciam como Judas’ Lost Sock. Aquela era uma péssima rua, por onde apenas pessoas péssimas passavam.
A música era um country terrível, a comida provavelmente contaminada e não estava se importando. Estavam se divertindo. A única coisa que a estava intrigando, era o fato de parecer chateado com algo. Será que o havia encontrado? O que será que o outro queria falar com ? nem comentara sobre isso.
– Amor? O que houve? – ela resolveu perguntar. olhou assim que ouviu a pergunta da amiga. Ele falou antes de :
– Liga não, . Esse é o pior integrante da família -sem-graça!
E todos desataram a rir. Menos . piscou os olhos devagar e se aproximou, de modo a falar baixinho.
– O que houve? No que você está pensando?
olhou pra , ainda parecendo pensativo e suspirou, coçando a nuca.
– No que eu estou pensando? Você quer saber? – ele perguntou, parecendo um pouco amedrontado agora. estava começando a ficar preocupada. O que estava acontecendo? Será que tinha algo a ver com em sua casa procurando pelo seu namorado?
– Fala, ! Eu estou ficando assustada.
sorriu e não tirou os olhos da garota.
– Talvez os meus pensamentos possam te assustar, eu não sei... – ele desviou o olhar, sacudindo os ombros. franziu a testa e estapeou . – Não estou falando disso!
– Então diga! – ela ordenou, sorrindo. Estava agoniada.
– Eu te amo. – ele falou inesperadamente, toda a diversão em sua expressão havia sumido. Agora estava falando sério. estremeceu ao ouvir aquelas palavras. Nada diferente para ela, mas nunca fora daquele jeito. estava sério demais. Parecia que algo dependia daquela frase.
– Não era nisso que você estava pensando – ela disse ainda mais agoniada. conteve um sorriso e abaixou a cabeça. Agora estava aflita. – , me fala a verdade, por favor! O foi à minha casa te procurando hoje cedo e ele estava super estranho! O que aconteceu?!
abafou uma risada e inclinou-se para perto de , segurando o rosto dela com as mãos, encostando levemente sua boca na da namorada. Eles estavam alheios ao restante do pessoal. Ninguém parecia perceber que os dois haviam se afastado por um instante.
– O foi me falar do teste. E ele estava estranho por que foi um desastre. Estava decepcionado consigo mesmo, mas, não vá comentar por aí, certo? – ele respondeu. concordou com a cabeça e se sentiu mal por ter julgado quando ele estivera em sua porta. Ela deveria ter imaginado que o teste tinha sido ruim quando fora tão diferente que chegou a pensar que o problema era entre eles. E eles de fato não eram próximos, mas não eram frios.
– Oh meu Deus, e eu fui tão fria com ele. Nem pensei que o resultado do teste pudesse ter sido ruim. – ela falou um pouco sentida.
– Não se preocupe, o estava sentimental desde que a deu aquela cortada nele na casa do , lembra? Ele anda diferente. – respondeu. E se sentiu ainda pior por não ter percebido o estado de .
– Eu sou cruel. – ela falou. exclamou um “tsc”.
– Não é nada. Você só não estava atenta aos problemas dele, meu amor. Não se sinta culpada, o vai entender.
– Ele perguntou se eu tinha algo contra ele – falou lembrando da conversa. – Daí eu falei que tinha uma coisa, ou seja, o fato de ele ser canalha, safado e aproveitador por estar enrolando a .
– Bem, quanto a essa última parte eu não posso afirmar que ele não esteja sentido. – completou rapidamente e fez uma cara de choro.
– Coitado, .
– É. Isso é bom pra ele. Pra ele amadurecer um pouco. – falou e voltou a encostar suas costas na cadeira, olhando o teto, disperso.
De repente, lembrou-se de sua conversa com .
, você não me disse no que estava pensando! – ela avisou, olhando ameaçadoramente para ele. sorriu e voltou a se aproximar dela.
– Você me ama? – ele perguntou com um sorriso suave no rosto, aos poucos recuperando sua seriedade. estreitou os olhos.
– Não entendo o que isso tem a ver com seus pensamentos.
– Só posso te dizer no que eu estava pensando se você me responder. – explicou. – Você me ama, ? – e ele estava sério de novo e mais uma vez, parecia que aquela pergunta iria decidir algo. não sabia se estranhava; estava achando curioso. Mas resolveu responder. Não estaria mentindo. Era o que estava sentindo, nos últimos dias.
– Amo – ela respondeu simplesmente. tentou conter seu sorriso abaixando a cabeça, mas ele era claro demais. Ele ergueu a cabeça ainda sorrindo. – E então, pode me dizer agora? – exigiu cada vez mais aflita com aquele mistério que estava fazendo.
– Casamento. – ele disse de maneira simplória. franziu a testa.
– Hã? – perguntou, sem entender mais nada. – No que você estava pensando, ? – perguntou novamente, entendendo absolutamente tudo. Juntando as peças desde o dia em que estavam no quarto do garoto. Então era nisso que ele estava pensando? O que poderia dizer...?
– Casamento, . – repetiu, ainda encarando a outra. – O que você acha?

Capítulo 13:

não tinha certeza se era o local girando, ou se era sua cabeça. Lembrava de estar num bar fubequento, naquela rua esquisita chamada Judas’ Lost Sock; mas não lembrava de estar levando tapinhas na cara. estava parada em sua frente, parecia que estava gritando. conseguia ouvir a voz de ao fundo.
– Você matou a garota, !
ainda estava tentando fazê-la acordar. Estava sendo uma tarefa bastante difícil, pelo jeito. piscou os olhos devagar, ainda fora de órbita. Viu tirar de sua frente e segurou em seus ombros, olhando fundo nos olhos dela.
? ? Tudo bem? – ele perguntou seguindo o olhar da garota, quando ele girou pelo local, confuso, tentando entender o que estava havendo.
– O que você fez com ela, ? – essa era perguntando, preocupação em sua voz. Mas não houve resposta de . suspirou e levou a mão à cabeça, tentando parar de ver tudo rodando. havia se afastado, mas ainda estava com os olhos focalizados nela.
– Está acordando – essa voz era de , mas não conseguia vê-lo. Fechou os olhos com força e quando abriu, tudo estava em seu lugar novamente. Estavam todos ao seu redor, era o mais próximo, a mão esquerda do garoto ainda em seu ombro. estava agarrada ao braço direito de , como se estivesse temendo a reação de . se aproximou automaticamente ao vê-la acordando.
? Tudo bem? – perguntou. O olhar de continuou explorando o local, ela agora viu ao lado de , um pouco atrás de e viu ainda mais afastado. Ele olhava tristemente para ela. Não estava entendendo nada.
– O que houve? – ela perguntou.
– Também queríamos saber. Você e o estavam conversando e de repente você gritou e apagou. – falou sombriamente. olhou para , que agora mirava o chão parecendo bem interessado. Estava tentando lembrar o que havia acontecido. Ela e estavam conversando, e ela estava insistindo em saber sobre os pensamentos dele... Ah sim... Agora ela estava lembrando.
Sentiu-se patética. Mas que coisa desnecessária. Era só responder normalmente, mas não, ela tinha que dar um vexame.
– Ai meu Deus... – murmurou, lembrando do que havia dito. – Ai meu Deus!
– O que fooooooi? – perguntou aflita.
olhou para onde deveria estar e não o viu. Olhou para um lado e olhou para o outro, mas não encontrou o namorado.
– Cadê o ? – perguntou levantando e se sentindo tonta de repente, cambaleando para o lado (com sorte, sendo segurada por ).
– Verdade, o sumiu – falou.
– O que aconteceu, ? – perguntou novamente. piscou os olhos confusa. Não sabia se podia falar sobre aquilo. Achou melhor guardar segredo, até conversar com sobre o assunto.
– Preciso achar o – ela levantou e começou a procurar o namorado pelo local.
Bem, antes de tudo ela pediria desculpas pela pequena cena armada. Depois, iria se desculpar por ter gritado. Na verdade, assim que dissera ‘casamento’, berrou “Você ficou louco?” e daí não lembrava mais de nada. Ele poderia estar ofendido.
, o foi embora – falou, com o celular na mão.
– Gente, o que está havendo? – perguntou confusa.
– Eu também tô curioso, o que foi? – perguntou preocupado. respirava com força, ansiosa. Estava evitando pensar no pedido de . Estava pensando em achá-lo e pedir desculpas.
– Eu tenho que achar o – ela repetia.
, , , e trocaram olhares confusos. Sabiam que algo muito errado estava acontecendo e que não queria comentar sobre o assunto. Não iriam insistir.
– Amiga, você não acha melhor ir pra casa, descansar, e depois conversar com o sobre seja lá o que está acontecendo? – perguntou cautelosa.
suspirou e coçou a cabeça. Achava que seria o melhor a fazer mesmo. E estava começando a achar que queria um minuto sozinho. Mais de um minuto.
– Vamos, eu te levo pra casa – falou compreensivo. sacudiu a cabeça afirmativamente, agradecida e foi saindo do local fubequento.


Dormir estava sendo a pior coisa no momento para . Ela não estava conseguindo. Estava embolando na cama, já havia levantado várias vezes. Tinha visto um programa na TV, tinha ido até a cozinha fazer um lanche, tinha sentado no computador, mas... Não conseguia parar de pensar em . Fazia idéia de como ele estava se sentindo. era perfeito. Não havia nada de errado com ele. Era . Ela era o problema. Insensibilidade, falta de amor, frieza... Era tudo ela. sempre fizera o máximo por eles. Sempre fizera de tudo para que fosse feliz. Para que ela se sentisse bem ao lado dele. E ele conseguia isso. Ele conseguia com que todos os momentos que passavam juntos fossem únicos. esperava que não fosse tarde para reconhecer isso. Ela jamais se perdoaria se fosse.
Olhou no relógio e viu que ainda eram 2PM. Um pensamento lhe passou à cabeça e ela não o deixou fugir. Iria fazer aquilo. Ou então, nunca mais conseguiria dormir. Ia à casa de , conversar com ele. Não importava se ele estava dormindo, só queria conversar. Ela precisava disso. Vestiu uma roupa qualquer e desceu as escadas depressa, carregando apenas o celular e a chave do carro. Abriu a porta de acesso à garagem cautelosamente, tentando não ser pega, e entrou no carro.
No caminho, pensava em como seria seu futuro. Como iria ser depois daquela noite. Ela estava certa de que tudo mudaria. Não importava o que iria acontecer.
Estacionou na frente da casa de e respirou fundo, antes de telefonar para o celular dele. Chamou duas, três, quatro vezes até alguém atender.
– Alô – a voz sonolenta de falou do outro lado e sorriu involuntariamente, imaginando o quão esparramado na cama ele estaria.
? Sou eu – ela disse nervosa. Silêncio. E logo depois, um suspiro.
? – ele parecia cansado. Como se a ligação dela fosse indesejada. – Faz idéia das horas?
– Sim, são exatamente duas e quinze da madrugada – respondeu.
– E por que você está me ligando?
– Estou parada na porta da sua casa, eu quero que você abra pra mim. – respondeu diretamente.
Mais silêncio. devia estar surpreso. imaginava até a cara que ele estava fazendo.
– O que você está fazendo aqui? – e ele estava de fato.
– Eu quero conversar com você. Você sabe que nós precisamos... – estava falando, mas foi interrompida.
– Não podia esperar até amanhecer, pelo menos? – estava arisco. Isso era péssimo.
– Eu não conseguia dormir – sussurrou. Houve mais um suspiro.
– Espere, eu vou abrir. – e desligou. saiu do carro e travou as portas. Seu belo Volvo preto [N/A: Edward *-*]. Seu pai lhe dera em seu aniversário de 18 anos.
Caminhou até a porta da casa de e logo, a mesma foi aberta. O rapaz estava parado, com uma camiseta branca e boxers. Os cabelos estavam nos ares
– Você não deveria estar aqui. – ele disse. suspirou e entrou. fechou a porta e virou-se para subir as escadas. A garota o seguiu, tensa. Entraram no quarto de . Estava mais bagunçado do que o normal. Havia papéis por todo o canto e roupas jogadas. Estava terrível.
procurou e o achou sentado em sua cama, provavelmente esperando que ela falasse. Não sabia ao certo o que dizer, estava nervosa. Mas decidiu arriscar, então...
– Eu sei que não deveria ter gritado... Eu... Eu não agi de forma apropriada, eu... – ela suspirou, tentando manter-se calma. – Eu não estava esperando aquilo.
coçou a testa e suspirou, olhando para os pés de , que continuava de pé.
– Era só dizer não. – ele falou grosseiro. Ela bufou e balançou a cabeça negativamente. Não era disso que estava falando.
– Não se trata de uma resposta, – respondeu. – Eu não estava preparada, eu tive uma má reação!
– Se você teve uma má reação, significa que a sua resposta está clara – ele insistiu.
– Não está! – exclamou em voz baixa. – Quantas vezes eu vou ter que te dizer que eu estava assustada? Pelo amor de Deus, , eu tenho 19 anos!
achou que entendera o recado, pois ele abaixou a cabeça e soltou um longo suspiro. O silêncio reinou por um tempo, e então, ele falou.
– Eu também não esperava que você fosse reagir tão mal. – falou de cabeça baixa. – Eu acho que me enganei, eu...
Ela sentou-se ao lado do namorado e o ouviu atentamente.
– Pensei que você fosse ficar feliz – ele a olhou. sorriu e abaixou a cabeça.
– Você tem certeza disso, ? – ela perguntou ainda de cabeça baixa. – Tem certeza de que você está pronto pra isso?
– Eu? – pôs uma mão no peito. – Sim, eu estou, . Eu estive desde o dia em que eu te conheci.
Ele passou o polegar pela bochecha dela e suspirou, sem tirar os olhos dele.
– Eu não quero conhecer mais ninguém, . Os meus amigos querem que eu faça isso, eles querem que eu conheça alguém novo, eles dizem que eu sou bom demais pra você, eles dizem que você não sente o mesmo por mim, mas eu não me importo. Eu não me importo que você não sinta o mesmo por mim, eu não quero alguém novo.
O ritmo do coração de estava acelerado. E bem, fazia muito tempo que isso não acontecia. Aliás, aquela sensação... Ela nunca havia experimentado.
– Você foi a única pessoa que eu quis assim, você é a única pessoa que eu quero agora, e você é a única pessoa que eu vou querer. Eu não sei sobre o futuro, não sei se vai dar certo conosco, não sei se eu vou ser atropelado pelo caminhão da Brinks amanhã... – ele falou divertido e riu, sentindo-se melhor por ele não parecer irritado. – Mas eu te amo, . Essa é a única certeza que eu tenho.
esperava pacientemente alguma reação da namorada. tinha um olhar desconhecido. Ele não conseguia identificar o que ela estava sentindo. E então ele viu uma lágrima escorrer pela bochecha dela, e sorriu. abriu um sorriso radiante e jogou os braços ao redor do pescoço de , o abraçando muito forte. O rapaz retribuiu o abraço e deu vários beijos no pescoço da namorada. Ele não conseguia pensar. Estava feliz demais pra isso. Mas ainda precisava confirmar.
– ele a afastou gentilmente, enxugando as lágrimas da garota, que caíam sem parar. – Eu preciso saber se você está disposta... Se você... Se você pode lidar com isso agora. Você pode, ?
– Você quer saber se eu tenho certeza? – ela perguntou entre um soluço e uma risada. balançou a cabeça confirmando e sorriu mais ainda. – Eu não sei sobre o futuro, mas... Essa é a única certeza que eu tenho agora.
estreitou os olhos e estudou todo o rosto da sua garota. Sua noiva.
Ele segurou o rosto dela delicadamente e a beijou. segurou na camiseta de levemente, enquanto sentia a língua dele encontrar-se com a sua. O ritmo era devagar, eles não tinham pressa. Pra quê teriam pressa? O momento era deles. tirou uma das mãos que estavam no rosto de e passou o braço pela cintura dela, de modo a deixá-los mais próximos. entrelaçou os dedos por entre os cabelos dele, intensificando o beijo.
Aqueles momentos eram raros entre eles. Já haviam tido uma primeira vez, mas nunca considerou especial, como . E de repente, lembrou de como ela era. Lembrou de como podia ser com . De como podia tratá-lo. É verdade que ela não sentia necessidade de falar a ‘eu te amo’ todos os dias, até por que, se ela estava com ele naquele momento, significava que ela o amava. Mas as pessoas não entendiam desse modo. Era diferente pra eles.
nunca se importou com a maneira que as pessoas viam seu relacionamento com , mas agora a situação era outra. Estava curiosa para saber como reagiriam às novidades.

Os raios de sol entravam pela fresta da janela que não estava coberta pela cortina do quarto de . abriu os olhos devagar e sentiu a luz em seus olhos. Pôs a mão na frente e se espreguiçou, levantando e percebendo que estava sozinha no quarto. Tirou as cobertas e levantou da cama, procurando pelo short preto e a blusa cinza que ela estava vestindo na noite anterior. Achou suas roupas em cima da cômoda de e se vestiu. Deu uma olhada no espelho e viu que seus cabelos estavam até arrumados. Os prendeu em um coque e foi até a porta, se perguntando se não ia encontrar a família tomando café no andar de baixo. Ia ficar incrivelmente constrangida se isso acontecesse. E então se voltou para o relógio. Não iria encontrar a família tomando café a menos que fosse de manhã.
Agradeceu mentalmente ao ver que eram três da tarde e provavelmente nem estava em casa. E era melhor assim. Abriu a porta temerosa e desceu as escadas devagar, ouvindo o barulho da televisão. Olhou para o sofá e viu deitado, com uma barra de cereais, vendo algo que parecia ser Bob Esponja.
Ele a ouviu chegar e ergueu a cabeça, vendo parada ao lado do sofá.
– Vendo desenho. Que apropriado. – ela ironizou. levantou sorridente e a abraçou, lhe dando um beijo rápido.
– Boa tarde.
– Boa tarde. Estou morta de fome. – se jogou no sofá ao lado de .
– Tem comida na geladeira, a deixou – ele informou. A garota levantou e foi para a cozinha.
– Ela sabe que eu estou aqui? – perguntou.
– Sabe, mas não fui eu que contei, ela viu seu carro! – se defendeu. abriu a geladeira e tirou uma garrafa de leite.
Não precisava se preocupar com , ela era bastante discreta. Na verdade, não tinha que ficar se escondendo e sendo tímida. Em pouco tempo, todos saberiam o que estava por vir.


Capítulo 14:

– E vocês estão prontos para isso? – Eliza perguntava enquanto fazia a cama de , àquela manhã.
– Ah... Eu não sei. – a garota admitiu. – Se você quer saber, eu disse sim ao mais pra saber qual vai ser a reação das outras pessoas.
Eliza parou de afofar o travesseiro e virou-se para , incrédula.
– Você está me dizendo que aceitou um pedido de casamento para testar as pessoas?
A outra arregalou os olhos e largou o bicho de pelúcia que tinha nos braços em cima de sua escrivaninha.
– Não! Não, não quis dizer exatamente isso... – sentou-se na cadeira mais próxima. – Eu quero dizer, eu não vou encontrar alguém melhor que o , Eliza! Sabe, você me conhece, eu não gosto muito de me apegar aos caras. E o é legal, bonito, divertido, gosta de mim e... – ela soltou um longo suspiro. – Você sabe o que dizem sobre casamento.
– Não, não sei. – Eliza respondeu voltando a apalpar o lençol.
– Ah Eliza. O está preparado. E se ele está pronto, eu também posso estar. – ela comentou. – E eu não pude dizer não a ele.
levantou-se e encarou seu reflexo no espelho, ajeitando seus cabelos, pronta para ir ao escritório de seu pai.
– Bem, hoje é segunda-feira e irei começar meu mais novo trabalho como assistente do papai, portanto, deseje-me sorte!
– Boa sorte – ela respondeu com um tom preocupado, vendo sair do quarto entusiasmada. Bem, Eliza pensou. Pelo menos ela está tomando algum rumo.

A porta do escritório do Sr. fechou e jogou-se no grande sofá que existia ali, exausta. Não parara para pensar no quão cansativa essa coisa de assistência poderia ser. Ela andara pelo prédio inteiro, carregando recados, agendas, papeladas, atendendo ao celular do pai, telefonemas, buscando café e coisas assim. Mas estava feliz. E o dia passou depressa de uma maneira incrível. E além disso, havia recebido um telefonema de falando que havia marcado na casa dele com todos os amigos para dar a novidade.
Bem, eles ainda não haviam contado. estava sendo preparado psicologicamente e nem ) sabia sobre o casamento.
A idéia sobre o segredo foi de , mas não deixaria de contar a seu pai, que estaria se casando em breve.
– Papai... – ela murmurou, vendo o pai guardar algumas coisas na mala preta.
– Hm – ele respondeu desconcentrado.
– Eu preciso conversar algo com você – disse se endireitando no sofá. O Sr. olhou para ela e fechou a mala.
– Podemos conversar no carro? – ele perguntou.
– Tsc, tsc. Não, não podemos. – a garota disse decididamente. O pai caminhou até lá, largou a mala na poltrona e sentou-se ao lado de no sofá.
– Bem, então diga.
Ela respirou fundo e pensou na melhor maneira de dizer aquilo. Afinal, não era sempre que o pai dela recebia a notícia de que sua filha única estaria se casando. Mas não sabia como fazer aquilo. Não podia falar de qualquer modo.
– Er... Lembra quando eu era pequena e queria casar com o Brad Pitt... E você dizia que eu era muuuito pequena pra casar e que mais tarde eu teria a idade certa? – muito mal, ; ela pensava. Um péssimo começo. – Bem, eu não quero mais casar com o Brad Pitt.
– Que bom. Ele está velho demais pra você agora. – o Sr. brincou. riu e suspirou.
– Pois é, mas acho que agora eu estou com a idade certa – ela disse estreitando os olhos, esperando que seu pai entendesse, apesar de ela não estar facilitando. “Ai, que ridículo”. Que coisa ridícula de se dizer, ela pensava.
– O que você quer dizer? – ele pareceu ter entendido, pois sua expressão apavorada entregava. – , você só tem dezenove anos. O que você quer dizer com a idade certa?
– Erm... Pai... É que eu acho que eu vou casar. – ela falou de maneira simploriamente desajeitada. Os olhos do Sr. cresceram bastante ao ouvir aquilo.
– O... Que... Como? – ele perguntou.
– Ein? Como assim ‘como’, pai? Casando ué. – ela respondeu.
– Com quem você vai casar? – ele perguntou ainda pasmo.
– Com o ! Ué pai, ele é o meu namorado, o que você esperava? – perguntou meio confusa.
– Na verdade... Eu só queria confirmar, mas... Você está falando sério sobre essa história de casar? – ele ainda não estava convencido.
– Sim. Estamos. chamou todos na casa dele pra dar a notícia. Eu estou indo pra lá agora. – ela falou.
– Eu não acredito que você esteja falando sério – o pai disse ainda incrédulo. – Meu Deus, que falta de compromisso! Vocês não têm idade pra casar! Onde vocês vão morar? E quem vai sustentar vocês? E... E vários fatores que impedem que isso aconteça!
– Ei! Ei, calma aí! Eu trabalho, o trabalha! E eu não vou discutir sobre isso, pai. Eu lhe dei a notícia. Eu e o vamos nos casar e ninguém vai fazer contra. – disse e recolheu suas coisas. – O Sr. vai sair agora, Dr. ? Se não for, eu chamo um táxi. – ela falou zombeteira.
O pai suspirou e passou os dedos pelos cabelos, parecendo preocupado.
– Vocês decidiram isso quando?
revirou os olhos e foi até ele, o abraçando fortemente.
– Pai, não esquenta, ok? Eu estou bem, o está bem. Vai correr tudo bem. Seremos felizes. Satisfeito? – ela perguntou, se afastando do abraço.
– Não, mas se eu der a minha opinião você nem vai ouvir, então, faça o que bem entender. Apenas não se arrependa depois.
– Pode deixar, eu não vou.

– VOCÊS O QUÊ? – essa era .
– Casar. Casamento. Matrimônio. Juntar as trouxas. – falou brincalhão.
– Gente... Sério? – perguntou com as mãos na boca. Estavam todos reunidos na sala de estar da casa de . Eles haviam acabado de dar a notícia.
– Sério. – respondeu. – Calma, pessoal. Não vamos morrer nem nada! Só estamos...
– Juntando nossas trouxas – falou e e riram.
Após um longo momento de silêncio, onde todos puderam digerir a idéia com mais facilidade, alguém falou:
– Bem, então já que vão unir suas trouxinhas... – levantou-se e estendeu a mão. – Meus parabéns. O casal problema vai ter mais um problema!
Todos riram e chutou a perna de , que gemeu e fez levantar-se para que ele pudesse lhe dar um abraço. Aos poucos, todos foram cumprimentar e .

Capítulo 15:

– Por que não, ? – pousava a escova de cabelos na grande penteadeira que ficava defronte à sua enorme cama de casal, com lençóis de cetim vinho.
estava saindo do banheiro e indo direto calçar seus sapatos.
– Nós já conversamos sobre isso umas quinhentas vezes, mas você não concorda com as nossas condições – ele respondeu, levantando-se e dando uma última ajeitada em seu cabelo. – Eu já disse que não vamos vender o mini.
suspirou e saiu do quarto.
– Por que você está se recusando tanto a comprar um carro novo? O Cooper tá velho, gasto, feio, eu não vou mais pagar manutenção pr’aquele lixo – ela anunciou, voltando ao quarto para apanhar sua bolsa. já havia terminado de se arrumar e estava pegando uma grande pasta preta cheia de anotações que precisava mostrar aos garotos quando entrou no quarto.
– Por que o nosso está ótimo! – ele respondeu, pegando a mão da esposa e a puxando para fora do quarto.
– Está ótimo pra você! Eu vendi meu lindo Porsche pra comprar esse apartamento e agora você se recusa a comprar um carrinho melhor do que aquela lataria enferrujada!
revirou os olhos e sorriu, parando na frente de .
– Meu amor, você quer um carro novo? – ele perguntou, vendo concordar rapidamente. – Então compre um! Eu não vou me desfazer de um patrimônio por que você não gosta dele!
– Não é por eu gostar ou não gostar do mini, ! – ela exclamou. – Agora nós temos dinheiro suficiente pra pagar um carro melhor!
ignorou essa última frase e abriu a porta.
– Já estou descendo.
– Pode esquecer, vou de metrô. – ela falou, bufando e indo até a porta.
deu de ombros.
– Que seja.
contou até dez mentalmente. Mas como aquelas atitudes de a irritavam! Eles tinham o Cooper S havia muito tempo. Muito tempo mesmo. Era um bom carro no início, era bom para os dois, pequeno, prático. Não que o carro estivesse gasto, estava mais passado da validade. Quando comprou o mini, eles moravam em um pequeno apartamento no centro. Segundo , a fase infernal do casamento dos dois. Foi pior do que morar no trailer logo após o casamento. Isso mesmo, e moraram em um trailer por um mês. Isso aconteceu por que o Sr. Erich não quisera colaborar com o casamento da filha e por isso, limpou o cofre de e não deu espécie alguma de apoio aos dois. A poupança gentil e toda a ajuda moral que a família de dera a eles fora suficiente para que os dois se mudassem para o tal apartamento infernal no centro, que vivia coberto de fuligem (veículos passando o tempo inteiro significa faxina duas vezes por dia). Então, foi nessa fase que comprara o mini. Eles tinham apenas 20 anos e nenhuma experiência com um relacionamento tão adulto. Enfrentaram brigas, mudanças e dificuldades, até que decidiu aprender a tocar. Foi a melhor coisa que acontecera a e , por que com em sua futura banda, eles só precisavam de um quarto integrante que soubesse tocar o instrumento que faltava.
Depois de muita insistência da parte de , decidiu juntar-se a seus amigos e em pouco mais de três meses, a McFly estava formada.
Não eram a melhor banda no início, mas as oportunidades foram surgindo e em pouco tempo já eram a maior sensação. Isso significava que a situação financeira de e estava melhorando, na mesma época, o Sr. deu a de presente de 20 anos um lindo Porsche preto, mas ela achou melhor vendê-lo para comprar aquele apartamento grande e confortável, onde ela e moravam agora. Segundo , um ótimo investimento. e acharam muito feio da parte deles, vender um presente, mas o casal não achou tão errado.
Agora, com as atividades quase inacabáveis da banda, os quatro garotos ficam inacessíveis.
Inacessíveis, mas os cofres não estavam tão vazios assim. Tinha algo lá dentro. MAS era irritante o suficiente para não concordar em comprar o carro novo, coisa que precisavam demais. estava juntando secretamente para comprar o carro.
– Anda, venha – voltou e encontrou emburrada, sentada no sofá. – Eu prometo pensar em trocar de carro, agora ande antes que se atrase.
fez mais algumas caretas antes de levantar e seguir o marido.


Ela adorava a hora do almoço. Era quando se sentia mais feliz – e patética também –, por que parecia uma adolescente no colegial. Mas aquele almoço seria melhor: havia marcado de encontrar com . Fazia um tempo que as duas não se viam, apenas falando pelo telefone e e-mails e essas modernidades. Queria saber como a amiga estava e queria lhe contar suas novidades. A verdade era que as duas estavam desoladas por que e iriam com a banda para uma turnê em uma semana.
chegou no restaurante onde havia marcado de encontrar e sentou-se à uma mesa, esperando pela outra. Apenas alguns minutos depois, entrou sorridente.
– Oi! – falou entusiasmada. sorriu para ela, levantando e cumprimentando a amiga. – Faz tempo que você está aqui?
– Não, acabei de chegar! – respondeu.
– Perfeito – falou. – Mas e então, o que iremos comer?
estendeu o cardápio para e esperou que ela escolhesse alguma coisa. Estava um pouco diferente. Seus cabelos estavam maiores e o corte havia mudado, a maquiagem mais pesada e não tinha a mesma cara de menina de antes. A verdade era todos haviam mudado após um ano. Era pouco tempo, mas tempo suficiente para várias mudanças como aquelas.
– Vamos pedir uma massa? – sugeriu a outra. concordou e chamou o garçom. – , menina, como estão você e ?
– Ah, tivemos uma discussão hoje cedo sobre o carro – ela contava enquanto pedia o prato das duas. deu uma risada.
– Ainda? ainda não deu o braço a torcer? – perguntou.
– Claro que não! Você acha? – ria.
– Se for possível, o morre ao lado daquele carro – comentou. – Não sei por que você não compra um novo com o seu dinheiro!
– Ah, estou planejando isto. Já tenho uma poupança para o carro. Secretamente, é claro. – elas riram. Ambas sabiam que adorava seu mini azul e que não deixaria ninguém separá-lo dele. – Mas me conte, como vão você e ?
bufou.
– Ele chega tarde, ele não me conta como está, ele não me dá bom dia, ele simplesmente esquece de mim! – exclamou. – Eu pensei que dividindo o apartamento com ele as coisas ficariam mais fáceis, sabe? Não brigar. Por que eu estou tentando manter uma relação boa, estou tentando não brigar com ele. Imagine que inferno será se eu começar a discutir com o ?
– Será mesmo um inferno.
– Então. E você ainda não sabe... Ele esquece o telefone em casa às vezes e eu recebo os telefonemas dele. Um absurdo a quantidade de mulheres que ligam pra ele! – falava indignada. – Eu pensei um dia desses... Então será que o anda dando seu telefone pra qualquer baranga de esquina?
teve de rir.
– Um absurdo isso, . Como tantas mulheres conseguiram o número dele?
– Pergunte a ele, amiga.
– Como se ele fosse me responder – os pratos chegaram.
– Pelo menos tente. Pergunte como é que elas conseguiram o número dele.
– Ele vai me falar sobre invasão de privacidade.
– E daí você fala sobre confiança.
parou por um instante e encarou a outra.
, você é um gênio.
riu e levou uma garfada à boca. não a chamava de desde que ela havia se casado com . Era apenas .
– E você sabe que o está detestando que eu e moremos juntos. Parece até que ele sabia que coisas assim iriam acontecer.
– O conhece bem o outro lado do . – ouvindo sobre , lembrou-se de alguém. – Você sabe como está a ?
– Sim! Ela me mandou uma carta ontem! Está muito bem, me parece que ela está saindo com um francês gostoso, algo assim.
estava na França terminando seu curso. Uma grande chance para ela, que sempre quisera fazer intercâmbio. Por causa dos estudos, não namorava mais . Quando o rapaz soube que ela estava de partida, ficou desolado. Passou um mês sem querer saber de diversão, mas logo, os amigos conseguiram devolver-lhe a alegria.
– Bom saber que a senhorita-cidade-luz está aproveitando! – exclamou. – Uma pena que a não tenha conseguido também.
– É. Mas ela vai conseguir. – concordou. também estava tentando intercâmbio há um bom tempo. – E como vai o , falando em ?
riu com a comparação.
– Ele vai bem, eu acho. Empolgado com a turnê. – ele era o mais empolgado.
– É, soube que ele está saindo com uma garota nova. Como é o nome dela mesmo?
lembrou. Era uma ótima garota. Engraçada, bonita e capaz de fazer esquecer de vez. – Ela é muito bacana. Nós a conhecemos no sábado passado.
– Ah, poxa vida! Por que eu tive que trabalhar? – resmungou a outra. Ela estava trabalhando em um escritório. Serviço sem parar. – Mas ein, vamos marcar de sairmos juntos! O que você acha? Combine com o , vamos juntar todo mundo e fazer uma farra como há um tempo atrás!
– É, mas sem a fica difícil.
– É verdade – lamentou. – Era bom que todos estivessem juntos.
– Pois é, mas se pensarmos que ela está feliz lá... Talvez nos sintamos menos como o disse e fixou seu olhar no prato. balançou a cabeça afirmativamente e voltou a comer seu almoço.
Não era exatamente tudo que havia mudado entre eles. continuava o mesmo garanhão de sempre, ainda o mandava pastar (por falar nisto, estava se saindo uma bela garota rancorosa). tinha fé que um dia eles iriam resolver-se.
Ela olhou para a amiga e riu, feliz em encontrá-la. Era muito bom encontrar sua melhor amiga e conversar com ela sobre as novidades após um bom tempo sem fazer isso. Sentia um pouco de falta dos dias em que não tinha tantas responsabilidades. estava bem surpresa consigo mesma. Conseguira adaptar-se à rotina de casada muito bem!
Só esperava que não ficasse cansada rápido demais. Ela tinha esse problema. Enjoar das coisas.
Esperava não enjoar de , como sempre acontecera.
Estragar o que eles estavam vivendo era algo que ela não queria que acontecesse.


Capítulo 16:

– Anda , traz logo essas cervejas! – gritou da mesa para . A garota lhe lançou um olhar ameaçador e sorriu. estava indo buscar as cervejas por que havia perdido a disputa do palito. Estavam naquele bar havia uma hora e estava entediada. Fazia algum tempo que não se reuniam e era bom ver seus amigos quando não se tinha muito tempo com eles, principalmente agora que a banda estava partindo em turnê pela manhã, mas estava entediada de ficar naquele lugar barulhento. iria ficar sozinha por algum tempo. Não que não gostasse disso, mas havia se acostumado a ter por perto. Ela suspeitava de que relação dava certo por que não passava o tempo todo junto dela. Caso contrário, já estaria acabado.
– Oi – ela disse ao garçom. – 12 naquela mesa – ela apontou e ele assentiu. agradeceu e suspirou, mirando o local lotado. Era a primeira vez que eles iam àquele bar. Diziam ser um lugar legal e bem freqüentado, mas ela não havia visto ninguém que valesse a pena além de seus amigos.
– Você deve estar perdida – uma voz disse ao seu lado. virou-se e deu de cara com um homem. Um homem muito bonito por sinal.
– Não estou – ela sorriu com desdém e voltou para a mesa, fugindo do possível ataque do homem bonito. Ué. Só por que era bonito não tinha que ser inofensivo. Sentou-se ao lado de e logo, foi atacada por .
– Onde estão as cervejas? – e antes que ela pudesse responder, um garçom trouxe as doze garrafas. agarrou uma delas satisfeito e começou a se sentir cansada.
– Por que essa cara? – perguntou percebendo o mau humor da esposa.
– Estou ficando cansada.
sabia que se dissesse que estava cansada, iria levantar automaticamente e ir embora com ela, mas não foi isso o que ele fez. O rapaz lhe olhou desconfiado e tomou mais um gole de sua cerveja. franziu a testa.
– Eu quero ir, – falou.
– Eu quero ficar um pouco mais. Eu te ponho no táxi, venha. – ele pousou a garrafa na mesa e levantou, tentando puxá-la pela mão. não levantou.
– Você não vem comigo? – perguntou. sempre ia embora com ela. Ele negou. revirou os olhos. Estava com demasiado tédio para discutir com seu marido. Levantou, despediu-se de seus amigos e foi para o ponto esperar um táxi ao lado de . Ele cantarolava baixo alguma coisa irreconhecível para enquanto esperavam o táxi. De repente, lembrou-se do homem que lhe perguntava se estava perdida, dentro do bar. Imaginou no que poderia ter acontecido se tivesse dito que estava mesmo perdida.
O táxi chegou e ela entrou.
– Vejo você mais tarde – disse e lhe deu um beijo antes de entrar no carro. não se deu o trabalho de perguntar a que horas ele chegaria em casa. Por ela, poderia chegar o mais tarde possível. Também não se deu o trabalho de lhe responder.
O táxi partiu deixando seu marido na porta do bar.
– E então moça, para onde estamos indo? – o taxista perguntou. Ela apertou os olhos, podendo jurar que havia sentido um galanteio na voz do taxista. Mas que absurdo, pensou . Esse cara está me paquerando!
Pudera, uma gata como ela. Às vezes pensava que não a merecia, por ela ser tão bonita e bem resolvida, mas aí se dava conta de que ela não merecia . também pensava que não apostava em seu casamento. De alguma forma, ela sabia que não duraria muito. Cedo ou tarde faria algo que abalaria o amor tão grande de .
Mesmo que ele a amasse irrevogavelmente, conhecia para dizer que ele não suportaria ter seu coração ferido. Sentia muito por isso. Não queria magoar e fazia de tudo para evitar que isso acontecesse, mas era involuntário. não era o tipo de pessoa amável que amava todos a sua volta com facilidade e que demonstrava isso o tempo inteiro. Ela havia momentos, e este com certeza não é um deles.
Sentiu uma vontade repentina de não fazer o que havia dito. Sentiu vontade de ir para outro lugar ao invés de ir para casa obedientemente.
– Me leve ao Riverplate – ordenou. O taxista assentiu e ajeitou os cabelos. Gostava de ir ao Riverplate, o café deles era magnífico. Tinha muita gente interessante lá, muito mais do que naquele bar horroroso.
Ao chegar em seu destino, pagou a corrida e entrou no pub, sentando no balcão como sempre. Pediu um café e focalizou-se na televisão. Era algum programa de fim de tarde, sobre a vida dos famosos. Assistia aquilo no escritório. Era um lixo de programa.
Bebia seu café enquanto lia algumas revistas que eram postas ali exatamente para isso (não diga) e não reparou quando alguém sentou ao seu lado e pediu exatamente o mesmo que , um café e um biscoito.
– Devo ter lido essa revista três vezes – ele disse. ergueu os olhos de sua leitura e observou quem lhe falava. Era um homem (outro? Mas que dia ein?). Seus cabelos tinham um corte esquisito, parecia que a parte de baixo de seus cabelos eram maiores, como mullets e a parte e cima era curta, bagunçada. Ele era estiloso. Usava uma jaqueta de couro marrom e seus olhos eram de um verde muito claro. ficou anestesiada. – É a única que me parece boa.
Ela sorriu para ele, sentindo-se confortável. Ela não o havia achado nocivo, de alguma forma estava gostando da atenção dele.
– É. É razoável. – ela respondeu.
– Te vi por aqui algumas vezes – ele falou, tomando um gole de seu café. – Sou Justin.
Justin, pensou . Mas que nome para um rapaz tão bonito. Ele parecia ser tão novo quanto ela. Na casa dos vinte, vinte e um. A voz dele era agradável, assim como ele. Parecia ser um cara educado. Pelo menos não tinha chegado dizendo que ela estava perdida ou algo do gênero. Sentia-se estranha por pensar que um homem que ela nem conhecia era agradável, mas Justin parecia agradável.
– ela disse e apertou a mão que ele erguera.
– Você tem companhia? – perguntou ele cuidadosamente. – Ah, por favor, diga que não!
sorriu e abaixou a cabeça, sentindo-se ligeiramente envergonhada. Definitivamente sentiu-se bem.
– Não. Estou sozinha. – respondeu. Justin lhe lançou um sorriso maravilhoso e ela tentara devolver, tendo certeza de que falhara.
– Então aceita minha humilde companhia?
Não tinha como negar uma companhia daquelas. A aura que envolvia Justin era agradável. Ela sentia que ia gostar de conversar com ele. Não havia problema em jogar conversa fora enquanto estava na diversão com seus amigos.


Capítulo 17:

Aquela risada... Era possível que já estivesse familiarizada com ela? Era uma terça-feira à tarde e estava em seu horário de almoço, o mesmo horário de Justin. Ele trabalhava em uma loja de roupas perto dali. Haviam marcado de se encontrar depois do agradável sábado ali mesmo, no Riverplate. Encontraram-se no domingo à tarde, após a banda partir em turnê. A despedida fora tão fácil quanto pensara que seria. deixou muitas recomendações (ignoradas) e vários bilhetes espalhados pela casa escritos “Sentirei sua falta” e “Eu te amo”. os deixou lá, para que os visse quando estivesse de volta. Assim que ele entrara na van, ela subiu as escadas e voltou a dormir. Estava com um tremendo sono, o relógio batia apenas nove da manhã!
Quando acordou, lembrou que havia marcado com Justin de encontrarem-se às duas da tarde e eram quase duas. Ficou pronta em um segundo e tomou um táxi até o local. Lá estava ele, como combinado. Também marcaram na segunda — hora do almoço — e estavam ali, na terça, conversando.
Bem, tinha certeza absoluta de que Justin estava dando em cima dela. Mas como não estaria? Era óbvio! E ele era tão atraente e bonito, era impossível não lhe devolver as cantadas. havia dito ao rapaz que era comprometida, mas essa informação não preocupou seu acompanhante.
Falando em Justin, era alguém calmo e divertido, absolutamente sem preocupações. Trabalhava quase o dia inteiro na bendita loja de roupas e morava com a mãe em um apartamento pequeno. Tinha vinte e dois anos, não havia namorado uma garota sequer em toda a sua vida. Segundo ele, não encontrara uma que valesse a pena. Fora bom aluno no ensino médio e pretendia cursar Jornalismo, mas falhara. Começou no ramo das lojas de roupa e não parou mais.
Justin aparentava um cara festeiro, que bebia até não agüentar mais e dormia ali mesmo, na sala do anfitrião, mas era alguém tão calmo e sóbrio que sentia-se embriagada perto dele, mesmo ela, com seus modos frios. Solteiro e decidido, era o tipo que atraía facilmente. Era quando se deparava com caras desse tipo que ela se perguntava o que estava fazendo com um menino confuso como .
Justin era exatamente como ela, não se deixava apegar por romances. Ela sentia como se algo conspirasse a favor deles.
Os olhares, o jeito como ele levava o copo de café à boca e como coçava seu cabelo... Informações novas para , mas tão comuns! Era como se os modos e as manias de Justin já estivessem sido gravados no fundo de seu cérebro, era como se a risada dele, como se os olhos dele, como se a boca dele... Como se Justin estivesse ali para ela.
Eles encaixavam. Combinavam perfeitamente: o modo de pensar, de agir, gostos, até compravam no mesmo supermercado!
E o melhor de tudo: percebiam as semelhanças. E gostavam disso.
– E então, acabou o turno? – ele falou, olhando no relógio. fez o mesmo e constatou que estava atrasada, mas não se importava com isso. Tinha outros planos.
– Não – respondeu depressa. – Vamos a outro lugar.
Justin estreitou os olhos e coçou os cabelos. havia reparado que era algo que ele fazia quando estava nervoso ou confuso. Ou agoniado.
– Mas tenho que voltar para a loja – disse. Ela levantou, deixando o pagamento dos dois cafés no balcão e apanhando sua bolsa. Justin havia pagado para os dois no dia anterior.
– Não tem. Ligue e invente alguma coisa. – pegou em sua mão e o arrastou para fora do pub. – Vamos.
Não tinham muito tempo, era o limite.
Chegaram ao lado de fora do local e acenou para um táxi, dando-lhe as coordenadas de seu apartamento. Justin a olhava confuso.
– Está me levando ao local de minha morte? – perguntou receoso. Ela o olhou e teve que sorrir, admirando a expressão linda que ele fazia, confuso.
– Não.
Não falaram mais nada até que chegassem ao apartamento. pagou a corrida e avistou o suntuoso edifício, puxando Justin com pressa. Passou pelo porteiro sem lhe cumprimentar, mas o homem a olhou intrigado. Esperava que ele não guardasse as perguntas para depois. Esperava sinceramente que o porteiro esquecesse dela enquanto estivesse fora. apertou o botão do elevador e esperou que ele chegasse, ainda segurando a mão de Justin.
– Que lugar é esse? – ele perguntou.
– Eu moro aqui – finalmente respondeu. Ouviu Justin dar uma risada baixa e riu junto, entrando no elevador e apertando o botão para seu andar.
– Podia ter dito antes, eu teria vindo sem resistir – ele disse em sua voz uniforme. Tudo em Justin combinava. Sua voz combinava com ele, seus olhos combinavam com ele, as roupas que ele vestia combinavam com ele.
– Não correria o risco.
Saíram do elevador e pegou a chave da casa na bolsa, abrindo a porta e deixando Justin entrar. Decidiu precavir-se: desligou o celular. Certo, o chefe era seu pai e provavelmente aliviaria a falta, não sabia se iria ser tão fácil com Justin, mas não se importava. Egoísmo, mas queria tê-lo só para ela naquele exato momento e não poderia adiar.
– Você tem um apartamento legal aqui – ele disse de modo displicente. – Ótima coleção de discos.
Ela tirou o casaco e os sapatos, os jogando por ali e virando para encontrar Justin no centro da sala. Ele a observou se aproximando e ficou imóvel.
– O seu marido... Está... – ele tentou.
– Turnê. Esta manhã. – falou cessando toda a distância. Ela estava próxima o suficiente para ver a íris de seus olhos com perfeição. Puxou Justin levemente pela manga do casaco e fixou o olhar na boca dele. A boca dele.
– Hm – respondeu o rapaz, pousando sua mão na cintura de , a trazendo ainda mais pra perto. – Então temos a casa para nós?
– Temos tudo para nós – ela falou deslizando a mão para o pescoço dele e encostando seus lábios. Justin segurou seu rosto com força e a beijou fervorosamente, como se quisesse fazer aquilo há muito tempo. passou as mãos por dentro de seu casaco, fazendo com que ele caísse no chão. Justin a trouxe para o sofá e sentou-se ali com em seu colo.
Tudo em Justin combinava. O cheiro dele combinava com o beijo dele, a transpiração dele combinava com a agilidade de suas mãos, que retiravam todas as partes de roupas de [N/A: Ui :x].
Ela tentou não pensar em e em todos os recados de “sentirei sua falta” que estavam pregados pelas paredes da casa. Seria extremamente injusto pensar em enquanto estava agarrada com outro cara em seu apartamento. Enquanto estava tirando as roupas de outro cara no sofá de .
Mas ei! O sofá não era só de , era deles. E se era dela, ela podia agarrar quem quisesse ali, e queria agarrar Justin. Precisava senti-lo em suas mãos, abaixo de seu corpo.
Não queria trair . Prometera fidelidade a ele, prometera a si mesma, mas era algo incontrolável, ficar perto de Justin sem sentir aquelas coisas. Ao vê-lo, sentia uma imensa vontade de beijá-lo e segurar fortemente em seus cabelos.
Era uma coisa carnal. Era isso o que sentia por Justin.
Absolutamente físico.
Por isso, tentava acreditar que não estava traindo . Apesar de todas as coisas mal encaixadas, o que sentia por era uma coisa bem sentimental, apesar da má vontade e do tédio que sentia.. Era algo profundo e verdadeiro de certa forma. Ele era seu marido. Agora Justin não.
Ele era algo que viera para preencher as lacunas da vida de , era o complemento. Algo que a acendia por completo em todos os pontos de seu corpo.
Ele era como seu affair: algo urgente e necessário.


Capítulo 18:

Precisava apressar o passo, senão chegaria atrasada. Três advertências em uma semana, seu pai não iria mais tolerar os atrasos.
prometera que não iria acontecer novamente, mas não conseguia cumprir. Quando estava com Justin, esquecia de todo o resto. Quase corria quando seu telefone tocou. Ela não parou de correr. O tirou da bolsa e pôs no ouvido.
– Alô.
– Oi! Sou eu! – era a voz de . Grande, pensou . Fazia quase uma semana que não falava com a amiga e nem lembrava dela. Normalmente, e falavam-se sempre pelo telefone ou e-mails.
– Oi! Há quanto tempo não nos falamos? – perguntou impressionada.
– Alguns dias – riu. – Como você está?
– Bem, e você? – queria contar de uma vez o quão bem estava, mas não podia. Por mais amigas que fossem, não podia confidenciar a algo tão sigiloso. Tinha medo de qualquer ciência por parte de seus amigos. Poderia chegar até .
– De mal a pior – bufou a amiga. – O não me telefona, eu não tenho notícias dele há uma semana! O te ligou?
Ah, claro. Ele não pára de ligar, liga de cinco em cinco minutos!, pensou impaciente. não lhe dava descanso. Ele telefonava às duas da manhã dizendo que estava com saudades da voz de . Ela não suportava.
– Sim, eles estão bem. – disse depressa. – Amiga, gostaria de poder conversar com você, mas estou super atrasada. Podemos nos falar mais tarde?
– Claro – falou cabisbaixa. – Vê se me liga.
– Ligo com certeza – e desligou o telefone. Ela enfiou o aparelho de qualquer jeito na bolsa e passou os dedos pelos cabelos. Parecia estar sem paciência para seus amigos ultimamente. Desde que conhecera Justin, não parava de pensar em como ele era superior às outras pessoas que conhecia [N/A: Já sei, ele é um ALIEN! ;D]. Todos pareciam anormalmente chatos e irritantes perto dele, era como se Justin fosse o único ser digno da atenção dela [N/A: Mas que nojentinha u_u].
Entrou no prédio gigantesco e cumprimentou o recepcionista, apertando o botão do elevador.

– “Não, sou eu Darren! Sou eu, Michelle! Não me ataque!” – Justin falava ao mesmo tempo que a mocinha do filme. riu e lhe beijou a bochecha.
Estavam assistindo a uma maratona de filmes de terror.
Aqueles filmes eram péssimos, mas com Justin ao lado fazendo piadas, tudo ficava mais engraçado.
– “Não, amooooor! Ohhhhhhhhhhhhh! Ohhhhh! Morri!” E este é o fim da pobre líder de torcida – ele zombava. ria ainda mais quando seu celular começou a tocar. Ela olhou para o aparelho demonstrando preguiça de ir até o balcão pegá-lo, mas foi. Justin pausou o filme.
– Alô – ela atendeu.
– OI AMOR! – foi quando seu coração parou. Ouvir aquela voz daquele jeito, tão feliz por falar com ela fazia seu coração doer ainda mais. Parecia que parar não era o suficiente, estava doendo a cada segundo de silêncio que proporcionou a . – Amor?
– Oi – ela falou com sua voz mortificada. Desabou no sofá ao lado de Justin, que tratou de estragar mais as coisas, pegando sua perna e fazendo massagem em seus pés.
– Desculpe não ligar mais cedo, eu estava muito ocupado, como você está?
– Tudo bem... Eu... – sacudiu a cabeça, tentando agir normalmente. – Eu estou bem.
– Tem certeza? Sua voz está estranha.
– Absoluta, . Só acabei de assistir Casablanca, e você sabe como eu fico quando assisto Casablanca... – tossiu, pra disfarçar. – Que bom que ligou, amor. Estava com saudades.
Justin começou a beijar seus pés e os sacudiu, para que o garoto parasse. Até caretas ela fez, mas Justin pareceu achar engraçado e foi perturbar, beijando-lhe o pescoço.
nunca havia ligado quando estava com Justin.
– Espero que esteja tudo bem mesmo. Tenho que ir agora. Me ligue se algo estiver errado, certo? – ele pediu. suspirou e murmurou um “humrum” de qualquer jeito, pois Justin ainda beijava seu pescoço fervorosamente. – Eu te amo.
– Tchau – e desligou o aparelho, jogando-o longe e empurrando Justin com toda força. – VOCÊ É IDIOTA?
O rapaz riu.
– Você gosta, que eu sei. – ele disse maliciosamente. revirou os olhos e cruzou os olhos, chateada com o acontecido.
– Cara, isso nunca aconteceu. Dá pra respeitar meu momento de choque ou você acha conveniente judiar ainda mais de mim?
– Mas olha só, a vítima quer compreensão! – Justin zombou, sentando ao lado de . – Não adianta ficar bolada, amorzinho. O cara não sabe que eu to aqui, acho que além do porteiro, ninguém sabe que eu venho aqui.
sentiu um calafrio percorrer seu corpo.
– Que merda, Justin! E se a droga do porteiro der com a língua nos dentes? Droga, você não pode mais vir aqui...
O rapaz deu de ombros.
– A gente arruma outro lugar – ele deitou a cabeça no ombro de . – Só não fique assim, porque desse jeito você tira toda a graça do negócio.
Ela arregalou os olhos e empurrou-o para longe, tentando evitar o sorriso.
Fato: não tinha como querer que Justin fosse embora.


Capítulo 19:

– Você não está com saudades do ? – perguntou tristemente. Fazia quase um mês que os rapazes haviam saído em turnê, fazia quase um mês que e Justin andavam se encontrando. Depois de suspeitarem que o porteiro soubesse de algo (era impossível não saber) eles passaram a encontrar-se na casa do rapaz sempre que seus pais não estavam, isso diminui a freqüência dos encontros.
Agora estava na casa de – um apartamento perto da faculdade, já que a amiga era tão mais focada nos estudos do que qualquer um que pudesse conhecer.
– Eu estou morta de saudades do meu irmão – a garota disse lamentando. – Espero que ele traga algum livro em primeira edição.
e se entreolharam, rindo. era aquele bichinho do papel, a traça, que devorava todos os livros que via pela frente.
– Ele tem te telefonado? – perguntou à .
– Sim. Ele está telefonando de dois em dois dias agora, estão sem tempo. – ela deu de ombros.
– Ahhhhhhh, eu quero o meu namorado de voltaaaaaaaa! – choramingou e elas riram.
Nenhuma delas sabia sobre Justin. tinha certeza absoluta de que ficariam do lado de . Na verdade, não era isso que preocupava. Temia perder suas amigas. principalmente.
– Geeeente, quando é que a volta? – perguntou. É verdade, pensou . Já fazia um bom tempo que estava fora, já era hora de voltar.
– Não sei, acho que daqui há um mês, não é? – perguntou, espreguiçando-se na cama da amiga. – Espero que ela já esteja aqui quando o voltar. Ele estava um saco, com saudades dela...
– Ah, todos estamos com saudades dela! – alegou.
– É... Estamos com saudades de todo mundo – a outra completou e as duas suspiraram tristemente. olhava para a melancolia das amigas sem conseguir sentir o mesmo. Não estava com tanta saudade assim de , nem de , nem de , nem de ... Estava com saudades de , mas não como as garotas. Para ela não havia nada faltando. Tudo estava absolutamente certo.


Justin passou os dedos pela barriga dela, beijando seu pescoço lentamente enquanto puxava seus cabelos com força. Estavam ali há muito tempo e os dois tinham que ir trabalhar no dia seguinte, mas nenhum dos dois se importava. Todo o tempo que passavam juntos não parecia ser suficiente.
– Hm... Tenho algo pra falar com você – ele disse. piscou surpresa e esperou que ele falasse. Eles não costumavam conversar muito, se quer saber. – Eu quero saber... O que você acha de nós.
– Ahn? – indagou ela. Esquisita aquela pergunta. – Como assim?
– O que você acha de nós. Somos bons juntos?
estreitou os olhos e deu uma risada.
– Somos ótimos. Por quê?
Justin suspirou e segurou as mãos dela, parecendo empolgado.
– Então vamos ficar juntos. – ele falou animado. O quê?, pensou . Espere aí. Ela levantou da cama e andou até metade do quarto.
– O que você quer dizer com isso? – perguntou assustada. Não, Justin não poderia estar falando sobre o que ela pensava...
– Vamos ficar juntos! Eu sei que você gosta de mim, eu tenho certeza disso! E eu te adoro, ! – ele exclamava feliz. Ela estreitou os olhos e caminhou até ele.
– Está sugerindo que nós comecemos um relacionamento sério, é isso? – perguntou intrigada. Ele só podia estar se fazendo de imbecil. Ela já havia perdido a conta das vezes em que deixara claro pra Justin que não iria se separar de , que não iria se mudar para a casa dele, que não iria viver ao lado dele nem ser sua namorada. E lá estava ele, novamente com aquela conversa.
– Sim! Ah, você sabe que não ama o . – ele comentou, levantando.
– Isso não significa que eu ame você! – ela bufou irritada. – Quantas vezes eu já lhe disse isso, Justin? Não vou me separar!
– Você está com medo! – ele acusou. – Medo que eu te largue ou qualquer coisa assim, você não quer perder a segurança do seu casamento!
– O quê? – ele estava começando a irritá-la de verdade. Não era como se tivesse encontrado o amor verdadeiro ao conhecer Justin. Ele era apenas um cara legal e bonito com quem ela gostava de sair, nada mais que isso. – Eu vou embora.
O rapaz escancarou a boca, seguindo quando ela saía à caça de suas roupas pelo quarto. Era isso. sempre temera que Justin tivesse um daqueles surtos, achando que iam ficar juntos, sempre. E ali estava. Ah, mas isso fora culpa dela, por dar a ele tanta liberdade.
– Espere! Não terminei ainda!
– Eu não quero mais ouvir essa história estúpida – ela disse já vestida e apanhando sua bolsa. – Vou embora.
Ele continuou seguindo-a, até a porta, por onde saiu e foi descendo as escadas da varanda.
– Está tarde! Deixe que eu levo você. – ele disse.
– Estou de carro, não precisa – e desceu as escadas apressada. Não queria que Justin a seguisse.
Chegou até seu carro, o mini azul de . Entrou com pressa e deu a partida.
Certo, tinha que admitir. O Cooper S estava quebrando o maior galho pra ela, logo ela, que sempre o detonava em palavras e vivia pedindo sua cabeça para , mas o mini era como um filho pra . Ele nunca iria se desfazer do carro. riu ao pensar nos gostos estranhos do marido. Quem compraria um carro horroroso como um mini? compraria [N/A: Desculpem, s, Jones e Poynters. Imaginem os carros dos seus respectivos flyers! =D]. E ainda adotaria o carro.
Ah, mas fora com ele que escolhera casar, mesmo com todos os gostos estranhos e todo romantismo meloso de . Ela gostava dele. Amava o jeito como olhava pra ela e amava ouvi-lo dizer apenas “Ei, ...” enquanto assistiam a algum filme. Amava discutir com sobre qualquer coisa relacionada à vida deles, porque isso deixava mais claro que eles estavam juntos, que compartilhavam uma vida.
– Meu Deus... – parou em um sinal e sua mente começou a procurar todas as melhores lembranças que envolviam . Desde o dia em que se conheceram até o dia de seu casamento, cujo foi lindo. Ela recordou um dos momentos mais lindos de sua vida, quando seu marido tocara no piano uma música composta por ele na festa de casamento dos dois. Era uma música para ela.
Ela lembrava perfeitamente de todas as palmas em sintonia, e algumas pessoas gritavam e assobiavam. foi até e o abraçou com força, controlando as lágrimas. Fora um dos únicos momentos em que chorara pra valer.
– Meu Deus, , isso foi lindo! – ela cobriu seu rosto com beijos e ele sorriu.
– Obrigado. É sobre um cara que ama sua esposa acima de qualquer coisa. – ele disse sorridente. não deixou de sorrir, mas estranhou.
– Mas, amor... A música não começa com ‘She falls asleep and all she thinks about is you’? Como pode ser sobre um cara?
riu e acariciou o rosto dela, lhe beijando os lábios. Ela lembrava como se estivesse acontecendo novamente.
– Eu resolvi inverter os papéis. Bom, o cara pode pelo menos sonhar que é desejado pela amada? – ele perguntou divertido. Ela riu e o abraçou.
– Ele não precisa sonhar – e sussurrou em seu ouvido: – Eu te amo.

tapou a boca com as mãos, incrédula. Cética... Horrorizada consigo. O sinal abrira e ela nem percebera. Continuava parada ali. Se algum estuprador aparecesse ela não teria como escapar. Mas não estava se importando com isso, tinha coisas mais perturbadoras para pensar.
– Meu Deus... – e pesadas lágrimas caíam de seus olhos. Ela estava no fundo do poço.
Era como estar vendo de perto da queda do Muro de Berlim. Era como ter estado dentro do World Trade Center naquele 11 de Setembro, era como ter perdido tudo na Guerra Fria. Era como estar recebendo marteladas seguidas na cabeça.
Quando ela havia se tornado tão cruel?
Não, a pergunta certa não é essa.
Quando ela havia sido sincera?
começou a perceber que havia estragado tudo.
Estragara com a pessoa, com a única pessoa que segurara seu amor até o fim, com a única pessoa que dizia ‘eu te amo’ 24 horas por dia, o único com o qual ela havia tido um relacionamento sério. A única pessoa que deveria importar.
não merecia alguém tão piranha como ela.
não pensou quando pegou o celular e discou o número dele.
– Amooor! – atendeu empolgado. tentou rir, mas tudo o que saiu foi um som estranho. – Você me ligou!!! Está tarde, você não deveria estar dormindo?
Ela ouvia risadas e eu som de violão do outro lado.
– Onde você está? – perguntou com a voz pastosa. Droga, ela teria que disfarçar.
– Estamos em um estúdio, resolvemos vir aqui gravar umas músicas, amor! Você precisa ouvir a versão de Ballad of Paul K que fizemos, ficou hiláááááááááária! – ele ria. Ela sorriu ao ouvi-lo tão empolgado, mas entristeceu logo após lembrar que essa felicidade não era merecida por ela.
...
– O que? – ele perguntou alarmado pelo chamado repentino. – Amor, está tudo bem?
– Você... Acredita que eu te amo? – perguntou sentindo os olhos marejarem novamente.
– O quê? Claro que acredito, ! Por que isso agora?
– É que... Eu tenho a impressão de que não disse isso vezes suficientes.
– Não chore... – ele pediu amorosamente, o que fez se sentir pior. – Estarei aí em menos de uma semana.
– Estou com muita saudade de você – e agora ela chorava abertamente, sem tentar conter os soluços.
– Eu também! Não chore! Não, não, pare! – ele desesperava-se do outro lado da linha. – Não chore ou eu vou pegar um avião agora e ir até você!
– Faça isso, por favor – era tão injusto que não soubesse... De certa forma queria que ele soubesse. Queria ser tratada da maneira certa, queria ser repreendida. Ela não merecia o amor dele.
– Eu não posso meu amor. Desculpe-me. – ele disse tristemente. – Vamos fazer o seguinte... Vou te ligar todos os dias, de uma em uma hora quando não estiver tocando, certo?
Não merecia, não merecia!
– Certo.
– Eu te amo. Vá dormir. – ele disse.
– Eu te amo, . – e ouviu o barulho da linha sendo desligada. Jogou o celular no banco do carona e apoiou o rosto no volante. Aquilo era um inferno. Como ela pudera...? Como pudera ficar bem fazendo coisas horríveis com um rapaz como ? Que a amava tanto!
Burra, burra, estúpida. Ela não merecia condescendência. Precisava que alguém ralhasse com ela, que a batesse, mesmo que isso fosse machucá-la. Pegou o celular novamente e discou outro número. A pessoa que atendeu estava sonolenta.
– Al...ô.
não teve como evitar o sorriso. Aquela era sua melhor amiga! Sempre disposta.
? Eu preciso muito de você.


Capítulo 20:

Ninguém se atrevia a quebrar o silencio aterrorizante que se instalara ali. A atmosfera era indecisa.
estava sentada em uma das poltronas de sua sala de estar, abraçada aos joelhos e com enormes olheiras. Ela não tinha mais nada a dizer.
, por sua vez, estava sentada à mesa, em uma das cadeiras ali postas. Estava de costas para . Seu olhar estava perdido, seus cabelos estavam todos caídos perto do rosto e ela não movia um dedo sequer.
A amiga havia lhe acordado de madrugada, dizendo precisar dela, dizendo ser urgente e ela foi. Dirigiu até a casa de para ouvir. E apenas ouviu. Desde que parara de falar, não dissera nada.
Até aquele momento.
Ela suspirou alto e ergueu a cabeça, fazendo abaixar as pernas de cima da poltrona e esperar por algo da parte da outra.
– O que você... – começou, mas parou de falar no mesmo instante. Suspirou mais uma vez e virou-se na cadeira, encarando . – O que você vai fazer?
coçou levemente os cabelos e suspirou.
– Eu não sei. Eu só estou lidando com isso há uma hora, espere que eu tenha tempo para... – ela foi abruptamente interrompida.
– Tempo? – bufou com desdém. – Cara, você teve um mês pra pensar nisso, pra... – bufou novamente e balançou a cabeça negativamente.
Era visível que não acreditava em . Era bem visível que ela não estava do lado de naquele instante.
– Esquece – disse. – Não consigo acreditar que você fez isso com ele, .
– Vamos, protestou. – Você me conhece... Você sabe que eu não me apego a alguém com facilidade. Você sabe que sou difícil com relacionamentos, você sabe o que eu penso sobre o amor, você me conhece!
– Não, não conheço! – bradou. Ela parecia estar antecipando algum tipo de bronca. – A que eu pensava conhecer nunca faria isso! Eu achava que você terminaria com o antes de se envolver com qualquer outro cara, ! É isso o que você sempre faz! Pelo menos, é uma maneira sincera de jogar fora aqueles de quem você enjoa! Honestamente, eu não achava que esse seu relacionamento com ele iria durar, mesmo. Você não é alguém suportável. Você não é alguém tolerante. Você, , nunca teve alguém que te amasse, sabe por quê? Porque você não dá tempo, você não dá espaço! Você terminou com todos os seus namorados antes que eles pudessem te amar, você desvalorizou todos ao seu redor. E aí está você, mais uma vez desvalorizando. Sabe quem você está jogando fora? Sabe de quem você desistiu, no exato momento em que olhou para o tal cara com outros olhos? Ahn?
revirou os olhos e por um momento, pareceu discordar de tudo o que falara.
– Como se o fato de você ter “nojo” das pessoas fosse uma desculpa pra trair o marido.
encarava a amiga sem piscar. Era isso que ela queria, não era? Que alguém dissesse coisas horríveis dela. Então por que estava se sentindo tão irritada? Queria apenas que parasse de falar sobre o que não sabia.
– Será que você pode parar de falar assim? – ela perguntou com a voz baixa. Apesar de tudo, não queria brigar com a amiga. – Não é bem assim.
– Ah não? E então, como é, ? – perguntou, levantando de sua cadeira e andando até lá, sentando no sofá de frente para a poltrona onde estava sentada. – Você acha que eu vou acreditar em qualquer palavra que você disser depois de eu ter confirmado todas as minhas suspeitas, de que você faria o sofrer e de que você... – a outra parou de falar, soltando todo o ar que estava preso e abanando o ar com a mão, como se aquilo não importasse. – Cara, eu sabia. Eu sabia que não deveria ter deixado o se aproximar de você. Eu sabia que se você tivesse ficado com o , nada sairia desse jeito.
elevou as sobrancelhas e depois as franziu.
– Não acredito que você ainda pensa nessa idéia estúpida – ela disse incrédula. passou os dedos pelos cabelos e coçou o canto do olho.
sempre deixara claro que gostaria que tivesse tido uma chance com seu irmão, dizia que era perfeito para os ataques de frieza que tinha e que saberia lidar muito bem com isso, sabendo até retribuir a frieza. Deixaria bem mansa.
– Não distorça o que eu disse.
– Não estou. Só quero entender sobre o que você está falando. Você falou um monte de coisas sem noção! – exclamou. – Eu vacilei! Eu errei! E eu estou a ponto de me flagelar de tão arrependida! Por que você não compreende isso?
– Porque você não parece arrependida! Você só espera a minha compreensão pra ter alguém com quem compartilhar as suas canalhices! Porque vamos combinar! O que você fez foi uma tremenda canalhice, mas deixe eu lhe dizer uma coisa, ... – se aproximou da amiga. – Eu não vou concordar com isso. – ela ficou um tempo olhando para , que já havia suavizado a sua expressão dura de antes. suspirou e revirou os olhos, sentando de volta no sofá. – Que droga, ! Você estragou tudo, sabia? é perfeito! Ele é uma pessoa e tanto e não merece isso!
– Eu sei! Não pense que eu discordo de você. Eu queria poder voltar no tempo.
abraçou os joelhos novamente e enterrou o rosto neles, o cobrindo com os braços. Queria poder acreditar que não tinha feito aquilo.
Ela sempre fora daquele jeito. Impaciência nos relacionamentos. Sempre que tinha um namorado e se interessava por outra pessoa, ela terminava o relacionamento antes. Talvez ela soubesse que não deveria terminar com . Talvez essa fosse a maneira totalmente errada de valorizá-lo, o que acabou não dando muito certo. Ela fechou os olhos com força.
Queria... Fugir de toda aquela sensação horrível, de toda aquela culpa. Por um segundo, queria não ser ela. Queria jogar fora a que era e ser outra. Desejava mais que tudo não ser ela.
– É a única coisa que você não pode fazer – informou. – Escute... Sobre o que eu disse... Sobre ninguém te amar... Eu estive errada. Existe alguém que te amou, . E você sabe que sim.
piscou os olhos com força, sabendo exatamente o que viria a seguir. Lágrimas. Não que ela as fosse barrar, eram merecidas. Todas as que tinham sido bem-vindas eram poucas. Ela precisava de mais. Precisava fazer sair toda aquela culpa, embora soubesse que não iria sair nem que ela arrancasse fora.
riu baixinho, com algo que havia passado por sua mente. desejou saber o que tinha feito a amiga rir. Provavelmente seria muito melhor do que todos os pensamentos dela.
– Desde o primeiro momento em que te viu... Ele te amou. E não foi naquela festa. Foi no MySpace. – riu novamente e dessa vez, riu também. – Ele te viu na minha página e ficou uma semana inteira me enchendo de telefonemas, querendo saber sobre você, sobre tudo o que você fazia e gostava e coisas assim... Ele ficou animadíssimo quando eu contei que você ia à festa. Geralmente, nunca ia às festas que eu ou o organizávamos, ele sempre preferia ficar em casa colocando músicas no MySpace e vendo vídeos de finais alternativos de Star Wars, ou vendo qualquer coisa relacionada a isso. Programa bem Geek para um sábado à noite.
fungou e mudou a posição da cabeça, podendo assim olhar para . Ela estava tentando imaginar eufórico por conhecê-la. Era verdade, ele ficara estático.
– Mesmo eu tendo dito que você era meio que lance do , mesmo o sem saber disso... O continuou insistindo, querendo saber sobre você. Sério, ele foi um chato. – as duas riram. – E então, o e o disseram que ele pirou quando te viu e tal, eu fiquei meio se entender... Ele queria tanto te ver!
Era horrível estar ali ouvindo sobre o tanto de amor que sentia. Era injusto ela só perceber que só sentia parte disso agora. Era injusto seu amor vir com a culpa.
– Eu só queria que você soubesse que fez algo ruim, , mesmo que você já saiba disso. Saiba que o não merece nada disso, o que fez de tudo pra... Pra te merecer, mesmo que você não o mereça. – a olhou com condescendência pela primeira vez desde o inicio da conversa. Ela parecia ter pena de agora. Seu olhar não era compreensivo. Era compassivo. – Você só vai aumentar a dor dele se esconder isso. – ela levantou do sofá e foi se dirigindo até a porta calmamente. – Pense nisso. O é capaz de fazer a coisa que ele mais repudia por sua causa, ele desistiu de um sonho por você uma vez. Mas e você, ? Quanto você é capaz de arriscar por ele? – a amiga abaixou a cabeça, pondo a mão na maçaneta da porta. – Não acha que chega de não amá-lo? Você não o ama, se foi capaz de dormir com esse Justin. Então, deixe que o desista de você também.
– Eu não sei se quero que ele desista, foi até ela. – Eu quero consertar o que eu fiz.
A outra bufou.
– Não vai acontecer, amiga. Você vai saber do que fez. Não acredito que você seja tão fria ao ponto de estar bem com isso.
Se soubesse o quão fria tinha sido... Nem sentindo pena estaria.
, eu gosto do ! Eu gosto dele! Eu quero consertar, eu... Eu não quero fazê-lo sofrer. – era um pouco tarde pra decidir isso.
– Eu não acredito que possa ter conserto. Desde que nós éramos pirralhinhos, o sempre abominou traição. – abaixou o olhar e coçou o queixo, parecendo forçar a memória. – Uma vez, íamos jogar baseball... O escolheu um garoto lá pro time dele, o Robert, e o ainda faltava ser escolhido. Daí, um outro garoto escolheu o . E sempre foi tipo, a gente se escolhia antes que qualquer um fizesse isso, e o escolheu o tal do Robert antes do e ele passou quase duas semanas sem falar com o . Por causa de um jogo de baseball! – ela riu saudosa. – Eu, , , e éramos meio que inseparáveis e todo mundo “respeitava” isso, sabe? Desde o início, sempre fomos prioridade uns para os outros, acima de qualquer outro amigo e o escolheu o Robert ao invés do . Pra ele, essa foi uma traição e ele ficou chateadíssimo com o .
andou até , parecendo estar realmente menos irritada e pegou nas mãos da amiga compassivamente.
– O que você fez não é algo que possa ser consertado com cola quente, . E ele não vai esquecer e muito menos te perdoar, se eu o conheço bem.

Desde que fora embora, estava repassando a conversa em sua cabeça. Não acreditava que havia tentado fazer entender seu lado. Mas que lado? Não havia lado nenhum. Só havia ela, completamente errada. E estava certa em falar e pensar coisas horríveis, era só o que merecia. Chutes e pontapés. Não merecia a compreensão de ninguém, muito menos de sua melhor amiga.
Depois de toda aquela conversa estranha e torturadora, decidiu que dormir era o melhor a se fazer. No dia seguinte, quem sabe, ela acordaria e teria a solução para todos os seus problemas.
Talvez o fato de ter ignorado todas as chamadas e mensagens de Justin significasse que estava acabado, ou talvez fosse apenas o começo de algo muito maior e pior.


Capítulo 21:

estava pensando seriamente em parar de trabalhar. Sério, não estava mais a fim. Como sua vida estava acabada, ela voltaria a morar com seu pai e engataria em uma vida de solteirona aventureira, fazendo safáris com homens fortes e lambuzados de óleo corporal.
Isso era o que ela desejaria que acontecesse. Não seria tão simples assim, teria que encarar os problemas que causara, teria que tentar resolvê-los e teria que aceitar as conseqüências. Pois é. Conseqüências, algo que ninguém gosta, mas como tinha estragado tudo, ela teria que aprender a viver com aquela âncora nas costas.
Seu pai já tinha vindo perguntar porquê ela estava tão aérea desde que chegara. não conseguia pensar no fato de estar voltando em dois dias e ela não saber como agir com ele. Justin ainda estava lhe telefonando e ela queria fazê-lo desaparecer, mas não podia. Já havia dito mil vezes que não... Não iria voltar a encontrá-lo, mas ele não aceitava.
tentava ocupar a cabeça com a volta de , que estava prevista para uma semana após os garotos voltarem de sua turnê. Estava tentando se concentrar em todos os amigos juntos novamente, mas não conseguia. Tentou até pensar na nova namorada de , mas não adiantou. Sua mente estava totalmente consumida por seus erros.
– Querida, você pode ir, por hoje. Vou a uma reunião super importante e devo demorar. – foi o que seu pai lhe disse antes que ela saísse do trabalho três horas mais cedo. Foi pra casa e ligou seu aparelho de som em uma música que combinava perfeitamente com seu estado de espírito.
Não queria sair desse ritmo, queria ficar ali, imaginando como as coisas teriam sido se ela tivesse amado o tempo inteiro, e não durante curtas temporadas. Provavelmente agora ela estaria curtindo a ansiedade que rodeava a volta do marido, esperaria ansiosamente que ocorresse tudo bem e que ele estivesse logo de volta pra ela, mas não era isso o que sentia. Queria muito que ele voltasse, mas a sensação não era essa.
Agora, algo que ela nunca sentira passou a existir: O medo de perder .


O telefone não cessava, era algo irritante. Muito irritante. Até que levantou e resolveu desligar o aparelho. Se alguém quisesse falar com ela, deixasse uma mensagem no telefone convencional. Estava sentada em seu sofá, esperando ansiosamente pela batida na porta, ou pelo soar da campainha, tanto faz. Ela só esperava um sinal de que alguém havia chegado.
Passara aquela quinta-feira inteira deitada em sua cama, com a televisão ligada e o celular do lado. Nenhuma das ligações fora de , todas elas eram de Justin.
“Me atenda! Você está em casa? Por favor me atenda!” era o que ele dizia nas mensagens. Justin também ligara para o telefone de casa, mas não atendera.
Ali, estava com o celular desligado, mas não agüentava as ligações para o fixo, então, atendeu, levantando da cama com um pulo.
– O QUE VOCÊ QUER? – bradou com o aparelho.
– POR QUE VOCÊ NÃO ME ATENDEU? – a voz do outro lado estava furiosa.
– EU NÃO TENHO OBRIGAÇÃO DE TE ATENDER! – devolveu. – AGORA, PARE DE ME LIGAR! EU NÃO VOU TE VER NOVAMENTE, PARE DE ME LIGAR!
– Você está com medo, eu sei! Mas, olhe, nós podemos dar um jeito nisso, nós podemos...
Ela não acreditava na insistência dele. A cabeça de começou a latejar naquele instante e ela sentou novamente na cama.
– Não. Eu não quero mais te ver. Não me telefone, não me procure. – e desligou, jogando o aparelho em qualquer lugar do chão, enquanto deitava e colocava as mãos sobre a testa, em algum tipo de tentativa para fazer cessar a dor. Mas não era tão fácil assim. Era como se essa dor torturante fosse a outra dor, a dor que não conseguia jogar fora. Mas a dor-de-cabeça poderia ser curada com um comprimido, e era o que iria fazer. Levantou da cama cuidadosamente e calçou as pantufas, imaginando como seria bom se pudesse tomar uma pílula para esquecer todos os seus problemas. Saiu do quarto com seus passos leves e lentos, percorrendo o corredor e adentrando a sala de estar momentaneamente, pronta para entrar na cozinha. Precisava de um copo de água. Estava quase abrindo a geladeira quando ouviu um som suspeito, vindo da porta. Era como se alguém quisesse entrar sem fazer barulho. “Ah não, Justin está invadindo a minha casa!”, pensou desesperada e agarrou uma faca de passar manteiga em pão. Ficou ali, estática, esperando algum avanço do elemento suspeito, mas cansou de esperar que o indivíduo aparecesse. Foi até a sala de estar, pronta para se defender e deu de cara com , tirando um pesado sobretudo dos ombros e o jogando ali no gancho de casacos. O rapaz pareceu estupefato com sua esposa em posse de uma faca.
– Uou! Amor, o que você faz com isso? – ele perguntou erguendo as mãos.
desfez a pressão dos dedos contra a faca, deixando que ela caísse no chão. Esperara o dia inteiro por e agora que ele estava ali, não sabia o que fazer. Não sabia como agir, se deveria ir abraçá-lo ou se deveria recepcioná-lo com um caloroso “Eu não te mereço”.
– Amor? – ele deu dois passos na direção dela. – O que aconteceu? – mais dois passos. – Você... Está bem? – mais dois passos e ele chegou até ela. – ?
Agora, lágrimas grossas caíam dos olhos dela, mas nenhum som era emitido.
? – pegou em suas mãos e a aproximou dele, fazendo com que ela o abraçasse. – Não sei porquê você está chorando, mas eu estou aqui, então, pare de chorar.
Não era possível que aquela fosse sua reação patética. Não... Na verdade, era possível.
Era possível ela ficar ainda mais enojada consigo. Olhar para era como aliviar qualquer sofrimento que ela pudesse estar sentindo, ser abraçada por ele era o que de mais confortável poderia haver. Então, como pudera olhar para Justin e abraçar Justin como se ele fosse o único que lhe importava? Estava errado! era o único que lhe importava! Sempre fora!
Ela o abraçou de volta com força. Sentira falta daquela essência, do cheiro de . Sentira falta de cada partícula dele. A última semana fora como dois meses de espera.
– Não acredito que você está aqui – ela disse. deu uma risada baixa.
– Estou – ele beijou sua cabeça. – Também senti saudades.


Capítulo 22:

e sentaram no sofá enquanto ele contava as peripécias ocorridas na turnê. Pareceu ter sido muito divertida e desejou ter tido a mesma diversão que ele. Diversão sincera e inofensiva em vez de diversão sacana e cafajeste.
Enquanto estavam naquele sofá, e apareceram dizendo estarem entediados e começaram a continuar as histórias. Com o tempo, ligou para e e todos foram pra lá.
Divertidíssimo programa entre amigos para quem quer esquecer os problemas.
- E aí ele decidiu gravar! - contava empolgado. - Daí a gente falou "tá né". - e parou pra rir.
Todos estavam rindo da tal história engraçada, menos . olhava para a amiga entre instantes e a encontrava olhando tristemente para ou olhando furiosamente para ela. Não era confortável.
Foi quando ela decidiu ir até a cozinha buscar um copo de alguma coisa, nem ela sabia. Estava mesmo era querendo fugir os olhares acusadores de , mas assim que abriu a geladeira, ouviu a voz da amiga soando baixo:
- Você está feliz, eu suponho.
virou-se e encontrou encostada ao balcão com os braços cruzados. Com uma expressão bem amedrontadora.
Ela tossiu.
- Por que eu estaria? - virou o olhar para a geladeira, pegando uma caixa de suco de pêssego.
- Você está exatamente onde queria estar, - a amiga disse amargamente. despejou um pouco do suco em um copo e depois guardou a caixa na geladeira, permanecendo de costas para .
- Não entendo você.
A outra bufou, soltando uma risada desdenhosa.
- Claro que entende - sussurrou. - Eu não me surpreenderia se você dissesse que casou com o apenas para traí-lo e fazê-lo sofrer.
- Se é isso que você pensa... - tentou mostrar indiferença na voz, mas tudo o que conseguiu foi um tom trêmulo e engasgado.
Chega, uma voz em sua cabeça lhe alertou. Você sabe que está errada, dê seu braço a torcer; a voz insistiu.
- ... - se virou para a amiga. - Eu não sei como contar a ele.
- É simples. - cruzou os braços. - Conte.
- Não é fácil! Como você agiria no meu lugar? - virou as costas para novamente. Era pior dialogar com ela a encarando. era bem dura quando queria, sabia bem repreender e julgar. Quase sempre, seu julgamento era certeiro.
- Primeiro que eu nunca trairia o - ela continuou falando em voz baixa. - Nem mesmo se ele o fizesse!
- O que vocês estão fazendo aqui cochichando em voz baixa? - entrou na cozinha lentamente, como se estivesse com receio de algo. dirigiu-se para a geladeira imediatamente e deu um pigarro, descruzando os braços. A atmosfera ainda era tensa e era inevitável não sentir.
desejou do fundo do coração que não dissesse sobre o que estavam falando. Sabia que ficaria mais que irritada, ficaria decepcionada com , a quem ela confiara seu tão amado irmão e também quem o iria magoar profundamente.
- Vim pegar um copo de suco - se apressou em dizer.
- Humpf - bufou e pôde ouvir seus passos se afastando do cômodo. Aquela atitude poderia ser o fim. ficaria desconfiada que havia algo errado ali.
"Não seja idiota, ela vai acabar sabendo de qualquer forma. Quando você deixar de ser sacana e abrir o jogo com o seu marido" ela ouviu aquela voz.
estava olhando de (o espaço vazio que ela ocupara) para .
- O que aconteceu? - perguntou desconfiada. Se conhecia alguém inteligente e observadora, era . Não tinha como escapar dela estrategicamente.
- Nada - e saiu rapidamente da cozinha. Não queria ver se a estava seguindo ou a cara que a amiga fizera. Passou pela sala como uma bala, correndo para o quarto. Trancou-se lá e se jogou na cama, fechando os olhos com força, desejando que aquilo fosse um pesadelo, que sequer tivesse desconfiado.

Estava ali há alguns minutos quando ouviu batidas na porta.
- Amor? Você está aí?
Sentiu todo o estômago revirar. Estava sendo assim quando ouvia a voz de , ela sentia um rebuliço estranho, como se seus órgãos tivessem nojo de seu corpo e quisessem pular fora. Nem seus próprios órgãos a queriam mais.
- Não! Quero ficar sozinha! - não tinha como encarar agora. Estava culpada demais para o momento.
Não era como se não fosse contar a ele; ela iria. Só precisava de mais um tempo, um tempo pra arrumar as coisas em sua cabeça. Um tempo pra decidir o que fazer quando a largasse - o que definitivamente aconteceria.
- , sou eu! - ele relutou.
- Vá embora! - ela gritou de volta.
- Está dizendo que não posso entrar no meu próprio quarto? O pessoal já foi embora, você passou a tarde inteira aí trancada! - ele bateu novamente. A tarde inteira? Que surpresa! Para ela foram apenas alguns minutos. Devia ter cochilado. Mas sem perceber? Que estranho... Estava tão entorpecida pela imensa culpa que não via as horas passarem? - Não finja que nada aconteceu, você e a brigaram.
Ao invés de quererem pular, seus órgãos estavam congelados agora. havia esquecido de como respirar.
Mais batidas a acordaram do transe.
- Como você tem tanta certeza? - perguntou.
- Você passou correndo por nós, nem viu a , namorada nova do ! Ela é muito legal, por sinal. E a passou o restante do tempo com a cara fechada, sem conversar com ninguém! E a disse que viu vocês na cozinha com cara de pouco amigas! - riu no fim da frase e tornou a bater na porta. - Você quer conversar?
Era tudo o que ela não queria. Sabia que se começasse uma conversa com iria falar demais, no estado em que estava e se arrependeria de estragar tudo antes da hora.
- Não, . Por favor, vá dormir no quarto de hóspedes, eu preciso ficar sozinha hoje. Por favor.
Um momento de silêncio.
- Se é o que você quer. - ele pareceu desistir. - Não posso nem te dar um beijo de boa noite?
Parecia justo. Ela levantou da cama, sentindo sua cabeça pesar e doer. Ficou um tempo ali sentada e depois pôs-se de pé, atravessando o quarto e abrindo a porta para . Ele sorriu gentilmente ao lhe ver e tentou retribuir, mas tudo o que saiu foi uma tentativa frustrada que mais parecia uma careta. se aproximou dela e afagou seus cabelos, beijando-lhe os lábios e lhe abraçando.
Aquele abraço estava carregado de emoções, ela podia sentir todas.
- Vou sair bem cedo amanhã. Parece que vamos escolher algumas cidades para fazer alguns shows, provavelmente já tenha saído quando você acordar.
- Eu te amo. - ele disse. fechou os olhos com toda sua força e suspirou. Queria mais do que tudo repetir o que ele dissera, queria conseguir cuspir aquelas palavras. Queria fazer parecer sincero, mas não era querer. Ela não conseguia. Não conseguia dizer "eu te amo" para naquele momento. sabia o quão falha havia sido no quesito 'demonstrar sentimentos'. E ali, sendo abraçada por ele, sentindo tudo o que não merecia sentir, mais uma vez ela não conseguia proferir. não merecia aquela hipocrisia.
- Boa noite, . - foi o que ela disse antes de se afastar e fechar a porta, sem dar a uma chance de olhá-la novamente.
Trancou a porta e mirou o chão, pousando a mão esquerda no peito, sentindo como se um buraco fosse abrir bem ali. Caminhou em direção à cama e deitou-se. Dormir era o melhor que ela poderia fazer, mas não achava que conseguiria.


Os fracos raios de sol que conseguiam achar brechas pela janela fechada iluminavam poucas partes do quarto ainda escuro. O despertador avisava que estava na hora.
acordou indisposta, mas sabia perfeitamente que tinha que levantar. Seu pai não era muito tolerante com atrasos.
Levantou e aos poucos o dia anterior foi lhe voltando à memória. A felicidade sem igual que sentira ao ver chegar, o medo e a culpa com os julgamentos e a pressão de , a desconfiança de , ... Fora um dia bastante cheio. Caminhou até o banheiro e lavou o rosto, saindo do quarto e chegando até a sala de estar. É, o apartamento estava definitivamente vazio. era um tanto quanto barulhento, ela saberia se ele estivesse em casa. Olhou para a cozinha e viu que havia duas torradas em cima da mesa e um copo da Starbucks. Sorriu tristemente e foi até lá.
Limitou-se a pensar em coisas do trabalho e na festa de recepção que estava planejando fazer para , assim era mais fácil tomar café sem ter uma indigestão. Quando terminou de comer, limpou as coisas por ali e foi tomar um banho. Arrumou-se como de costume e pensou que teria que pegar o metrô, já que provavelmente havia levado o mini. Estava quase na porta prestes a sair quando algo parecido com uma rajada de vento entrou em casa. deu alguns passos para trás, assustada, mas após fazer isso percebeu que era apenas .
Ela estreitou os olhos e observou bem seu marido. Estava suando, respirava pesadamente e seus cabelos despenteados.
- Meu Deus, . Você foi assaltado? - ela perguntou preocupada. a mirou com olhos de lince, bem apertados, como se já tivesse estudado e a conhecesse bem. Ela se assustou mais uma vez. Ele não estava com uma cara boa. O que teria acontecido? Será que ...? Mas como? ? Não teria como ela ter descoberto! Ao menos que tenha dado com a língua nos dentes. Ora...! Se tivesse acontecido, ia lhe dizer umas boas verdades! Amigas não se metem nas vidas umas das outras como ela estava tentando fazer!
- Não - disse secamente. Ele fechou a porta atrás de si e tirou a mochila das costas, jogando-a ali mesmo. observava todos os movimentos que ele fazia. - Eu encontrei seu amigo... O... Justin.
estava estática. Não deu nem um último suspiro. Estava incapaz de dizer qualquer palavra.
O outro deve ter percebido o pavor em seu olhar, pois o sorriso que aparecera no canto de sua boca era desdenhoso.
- Ele tinha uma história muito interessante pra me contar e eu tive que ouvir.
Sua voz era baixa, mas ainda assim clara. pôs a mão esquerda no peito, apavorada demais para se mover. Era isso. Justin havia chegado antes que ela.
- ... - tentou, mas seu marido a interrompeu, erguendo as mãos.
- Ah, não, não! - ele lhe disse debochado. - Não precisa ficar tão preocupada. Você vai saber exatamente de tudo o que conversamos, apesar de que alguns detalhes você conhece bem demais. - sorriu amargamente.
Ela não conhecia aquele homem na sua frente. Não conhecia. Era tão... Frio e impiedoso. Parecia alguém que brincava com os sentimentos dos outros, que fazia pouco caso deles. Parecia alguém como ela. engoliu em seco.
- Não se preocupe. Depois de hoje, você vai ter mil novas chances pra viver o 'amor sincero' sobre o qual seu amigo me contou. - ele fixou seu olhar nela, sem desviar um centímetro do foco. não sabia o que fazer. Não sabia onde colocar suas mãos ou se deveria respirar.
Sentia como se devesse ficar paralisada, esperando todas as ruínas que haviam sobrado de seu castelo desmoronarem em cima dela de uma vez.

Capítulo 23:

– Você prefere ficar em pé? – ele perguntou, coçando discretamente o nariz e voltando a encará-la. não moveu um músculo. – Tudo bem, vou tomar como um sim.
fitou o chão por um longo momento e depois ergueu a cabeça.
– Sabe, ... Desde que nos conhecemos, se você disse ‘eu te amo’ pra mim cinco vezes foi demais. Pelo visto, com o Justin foi diferente. Ele me disse que vocês se entendiam perfeitamente bem...
O caos reinava no interior de . Ela não conseguia encontrar a voz ou pensamentos racionais. Apenas pensava no quão ferrada estava. A expressão calma de acentuava sua dor.
Era tudo muito estranho, estava acontecendo rápido demais. Quando ele ficara sabendo? Como Justin o encontrara? Será que fora mesmo Justin? O porteiro sabia de muitas coisas... Eram tantos pontos a serem questionados e não teve condições para analisar nenhum deles naquela hora. Estava preocupada demais com o rumo que seu casamento iria tomar.
estava... Esquisito. Era a mágoa? A raiva, a descrença?
– Eu sabia que você não queria casar comigo – ele falou de repente e sua expressão estava mudando. Não era mais escárnio ou desdém. Era raiva. E ardia vermelha em sua face. – Eu sabia. Quando você desmaiou... – ele perdeu as palavras e abaixou a cabeça. encarou o chão por um longo tempo. Envergonhava-se profundamente daquele episódio.
ergueu a cabeça, agora ele estava absolutamente vermelho.
– Você me amou? – perguntou com seu olhar severo. franziu a testa, sendo pega de surpresa pela pergunta. – Seja sincera pelo menos uma vez. Você esteve comigo por conveniência, não foi?
Ela suspirou e sentiu seu coração na garganta. Não tinha como responder àquela pergunta. Era muito injusto.
– Não se preocupe em me magoar, garota – ele sorriu nervoso. – Eu já estou dilacerado.
abriu a boca, pensando em ter cuidado com o que falaria. Não queria que suas palavras fossem o estopim para estourar o ódio de . Ela sabia que a qualquer momento ele iria gritar e quebrar as coisas, a atmosfera estava ajudando e parecia literalmente prestes a gritar.
– Ninguém se casa por conveniência, . – falou cuidadosamente. – Tem que haver sentimento.
A garota não sabia que seu marido tinha uma risada tão estridente e maldosa. era barulhento, mas nunca fora escandaloso daquele jeito. Era mais um sinal de seu nervosismo. sentiu um tremor horrível por todo o seu corpo, sentindo os olhos úmidos.
– Sentimento? Então por que você casou comigo, já que não há sentimento? – ele perguntou. As lágrimas desceram silenciosas pelos cantos dos olhos de e ela pôs as mãos na boca vendo se aproximar rapidamente e encará-la furiosamente. – Quem ama não trai . QUEM AMA NÃO TRAI!
– Mas eu te amei! – ela bradou.
– Ah, é mesmo? – ele perguntou duvidoso. – Quando?
abaixou a cabeça, sentindo os soluços vindo aos poucos. Agora doía.
, não é assim... Eu sei que eu não demonstrei e que você gostaria, mas nós somos diferentes! Temos prioridades diferentes, eu não precisava dizer que te amava o tempo inteiro pra você saber disso, ! Eu casei com você! – ela exclamou.
estava de costas pra ela, imóvel.
– Mas se era tão importante pra você... – ia continuar, mas ele a interrompeu e virou-se para ela, ainda com sua face habitualmente rosada ardendo em fúria.
– Não que fosse importante pra mim! O que é importante para nós! – ele grunhiu. Deveria estar doendo. Tudo o que ele sentira por tantos tempo, tudo sendo despejado de uma vez só, aquela mesma pessoa – mesmo que ele a amasse para dizer –, estava ouvindo o tanto de mal que fizera a ele.
– Temos algumas prioridades diferentes! – ela disse no mesmo tom.
– Que bom saber que suas prioridades são me colocar pra trás e me passar a perna, – ele começou falando como ela, mas quando chegou na metade da frase, perdeu a força. Ainda era ela à sua frente. Não era seu inimigo. Era a sua esposa. Era quem ele amava.
– Não... – balançava a cabeça negativamente.
– Enquanto você não retornava minhas ligações, eu ficava preocupado. Eu ficava pensando o que teria acontecido, se você estava bem. – tinha perdido toda sua firmeza de antes. Agora não parecia mais impassível, não parecia inexpressivo nem enojado. Agora ele era o magoado. O enfraquecido. – E você... E você...
Ele não teve coragem de dizer. As lágrimas o impediram de continuar falando. As palavras não saíam mais de sua boca. , que já chorava há tempos, desistiu de impedir mais algumas lágrimas de descerem. Ela queria que ele não estivesse daquele modo. Seria mais fácil se defender, mas... Quem ousaria se defender naquela situação? Ela estava errada.
Nenhum dos dois sabia mais o que falar.
– Você deixou que eu me iludisse... Você deixou que eu pensasse que... Ao casar comigo, você seria aquilo que eu sempre esperei que fosse – a voz de saía baixa. Quase inaudível.
– Eu não sou o que você queria que eu fosse? Então esse é o problema? – perguntou com a voz falha.
– Não! Não! – bradou ele. – Você acha que eu sou otário? – a face de agora estava contraída, e ele parecia furioso novamente. encolheu os ombros e o estudou. – Você acha que eu não percebia? Você era capaz de amar, mas não se esforçava pra me amar.
– Você está errado! – ela tentava.
– Não estou! Você não fazia questão nem de fingir que gostava de mim o bastante, ! Eu pensei que podia lidar com isso e até pude... Por muito tempo eu suportei calado, porque o medo de te perder era maior do que o meu orgulho! – ele disse olhando fixamente pra ela. – Eu não cogitava a possibilidade de você ir embora.
– Eu não ia. E não fui embora – agora ela tinha conseguido controlar as lágrimas. Apenas sua voz que permanecia trêmula. – Eu fiquei aqui, não fiquei? Eu estou com você !
– Não, você não está. Você nunca esteve comigo, . Você nunca quis realmente estar comigo. – ele parou e deixou que seus sentimentos transparecessem. – Eu deixei tudo de lado uma vez por sua causa. Eu esqueci de mim. Eu esqueci de mim pra cuidar de você!
As lágrimas de voltaram, seu nariz e seus olhos doíam.
– Eu fui um idiota! – amaldiçoava-se. – Eu fui um idiota, sabe por quê?
– Você não foi um idiota – a voz dela ainda estava trêmula. E falha.
– Claro que fui. – as lágrimas dele também haviam voltado. Mas agora, caíam silenciosas. – Fui um idiota, por que eu pensei que o meu amor era suficiente para nós dois. E não foi, . O meu amor não era suficiente para nós.
Ela tapou a boca com as mãos e abaixou a cabeça, chorando abertamente. enxugou o rosto com as costas das mãos e ouviu os passos do marido pelo quarto. O guarda-roupas estava abrindo. Ele... Ele não podia...
, aonde você vai? – ela perguntou desesperada ao vê-lo recolher suas roupas. – , aonde você vai?!
– Vou ficar com a no apartamento dela. – ele respondeu simplesmente e ela reparou que ele também estava chorando.
Pela primeira vez em anos sentiu realmente medo de perder algo. Esse sentimento, ela nunca sentira. Nunca precisou sentir.
– Não, não, você não precisa ir! Nós podemos resolver isso, , por favor... Fique! – as mãos dela molhadas pelas lágrimas agora seguravam os braços do outro, que olhou de onde ela tocara para seu rosto.
– Não podemos . Você sabe que não.
– Nós podemos! Olhe, eu amo você! Eu sei que eu falhei pra você como esposa esse tempo todo, falhei, mas... Por favor, ... – os soluços dela eram altos.
– Você me ama? – a cabeça dele estava abaixada e ela pôde ver um pequeno sorriso em seus lábios. De repente, levantou sua cabeça e suspirou. – Acho que agora você não precisa mais me dizer isso. O Justin me deu a prova do quanto você me ama esta manhã.
– Esqueça o Justin! – bradou.
– Esquecer o Justin? Como esquecer o Justin? Não era com ele que você estava esse tempo todo em que eu estive em turnê? Não foi com ele que você ficou pelas minhas costas! Você me traiu, ! Você me traiu com o Justin e me pede pra esquecer dele?! – gritou . chegou a sentir medo do volume de sua voz, mas não tinha mais o que dizer. Ela não tinha mais como reverter a situação, tinha perdido a única pessoa que amara de verdade. A única pessoa que a amava de volta. E somente agora ela podia ver claramente seus erros. E o maior deles foi não ter dito a o quanto ela o amava, esse tempo inteiro.
– Você me perdoaria se eu te pedisse? – ela perguntou com a voz baixa. A essa altura, já estava na porta, pronto pra sair.
– Eu não ia conseguir – ele disse e o viu sair. Ela o viu ir embora e o que mais temia era que nunca mais voltasse. sabia, ela nunca se perdoaria se isso acontecesse.



Capítulo 24:

não havia tido coragem de contar a seu pai sobre o desastre que acontecera. Não teve cabeça para ir ao trabalho, então simplesmente mentiu dizendo que estava doente. Ele ficou preocupado, claro, mas ela mentiu novamente, dizendo ser apenas uma virose.
Agora ela estava deitada no sofá de sua sala de estar, deitada em seu sofá, olhando através da imensa parede de vidro. [N/A: Já assistiram Match Point? Provavelmente sim, rs, então imaginem aquele apartamento onde Chris foi morar ao casar com Chloe. É magnífico e é exatamente igual ao que eu imagino para os principais. Tem essa parede de vidro].
Queria poder fechar os olhos e sentir-se como as pessoas que passavam em seus carros na rua ali embaixo. Eram todos alheios aos seus problemas, eles nem a conheciam! Provavelmente estavam preocupados com a hora, se iriam se atrasar para o trabalho ou se haviam esquecido o aniversário de 1 ano de namoro. Era tudo tão superficial para ela.
De repente, sentiu uma vontade inesperada de beber. Pegar uma garrafa da vodca mais barata e ligar o som no volume máximo. Se ocorresse tudo como planejado, a bebida e o barulho a fariam esquecer momentaneamente o ocorrido.
Mas antes que pudesse arquitetar um pouco mais seu plano de fuga contra sua consciência, a campainha tocou, pegando-a de surpresa.
O porteiro sempre avisava quando alguém estava subindo, menos quando esse alguém era ou alguém muito conhecido.
Seu coração disparou e ela correu até a porta, abrindo-a rapidamente.
Não era .
Mas era um .
– Oi, disse seca. O coração de pareceu parar de supetão, porque parecia muito com naquele momento. Fria e impiedosa. Era óbvio que ela sabia, o irmão havia corrido para ela.
– Oi gaguejou, dando espaço para a outra entrar. – Entra.
entrou devagar, sustentando o olhar. Ela não estava ali para fofocar.
– Não vou demorar, só vim buscar o restante das coisas que o deixou.
balançou a cabeça afirmativamente e pôs as mãos pra trás, deixando que seguisse pelo imenso corredor e entrasse no quarto que antes era do casal. Ela apoiou-se no balcão, imaginando se iria sair dali sem dizer uma palavra sobre o que acontecera. Elas eram amigas, pensava. tinha que dizer alguma coisa.
Quando entrou na sala, a outra carregava duas malas bastante pesadas. pensou que era falta de cavalheirismo mandar a irmã vir buscar tantas coisas sozinha, mas não se atreveu a comentar.
– Será que você poderia interfonar para o porteiro vir me ajudar com essas malas? – perguntou sem olhar para , parecendo extremamente interessada na alça de uma das malas.
– Claro – respondeu e pegou o aparelho, pedindo para que o porteiro subisse. Após largar o interfone, ela sentou-se em um dos bancos do balcão e apoiou os cotovelos na bancada, cobrindo o rosto com as mãos. Iria falar com . Não era justo que aquela situação...
O clima estava péssimo por ali, o silêncio era constrangedor e...
Certo. sabia que era culpa dela, estava certa de que por um bom tempo, as discórdias entre seus amigos seriam culpa dela.
Sem exageros.
Não agüentava mais aquele silêncio.
Ergueu a cabeça e suspirou, abaixando os braços.
. – falou decidida. Só não contava com a fraqueza que sentiu quando a amiga lhe olhou. Seu olhar parecia... gelo. – Eu... Eu... – pausou, fechando os olhos com força e suspirando ainda mais alto. – Eu sei que as coisas não estão boas, mas... Você poderia falar comigo?
A outra, ainda a olhando mortiferamente, exasperada, sorriu com amargura.
– Você quer saber porquê eu não falo com você? – perguntou . – Porque você não merece minha ínfima atenção.
– Eu o amo, tentou ir por este lado. Não iria ajudar discutir com quando ela estava absolutamente errada.
– Ah é? – a outra riu com escárnio. abaixou a cabeça. – Quer saber? Faça o que você quiser, durma com quem quiser, mas... – se aproximou o bastante de para que a outra pudesse ver todas as sardas de seu rosto. – Você não irá mais fazer o meu irmão sofrer.
As palavras da ex-cunhada atingiram em cheio. Desde que havia pisado ali, estava tentando fazer se sentir péssima, mesmo que com apenas olhares e finalmente conseguira. Horríveis, horríveis verdades.
– Eu não acredito que você teve coragem pra casar com ele – bufou, acenando a cabeça negativamente. assistia a outra atentamente, sem mover um músculo. – Por que você o fez?
não queria olhar nos olhos.
– Por que casou com ele se não era isso que você queria?
– Eu queria casar com ele! Por que ninguém está entendendo? Eu o amo! – ela bradou. Uma parte dela já estava farta de tentar fazer todos entenderem que fora um deslize, fora um ato imaturo.
– Você é tão falsa que me dá nojo ficar perto de você – sussurrou agarrando a alça de uma das malas e a puxando consigo para a porta. hesitou. Doía ouvir sua amiga falar assim dela, mesmo tendo merecido (ou não). Havia de falar algo para que saísse de lá sem pensar nela como Nero.
! – ela bradou, caminhando até a porta, onde se encontrava. – Não fale assim. Você não sabe pelo que estou passando, você não sabe como isso me afeta, você não faz idéia do quão arrependida eu estou. Você é minha amiga, tem o direito de estar com raiva, mas eu não vou deixar você falar assim.
virou-se, cruzando os braços e fazendo a cara mais irônica que já a vira usar. Geralmente, deixava sua raiva e sarcasmo para , e ela sabia muito bem quando usá-los.
– Espero que encontre sua redenção, então, Santa Arrependida. Porque de mim... A única coisa que você ganha é pena.
Antes que pudesse sair, um dos serventes do edifício apareceu, apoiando a mão na porta.
– Oi, precisam de alguma ajuda com malas? – ele perguntou, dando uma olhada para a mala nas mãos de . Ela sorriu e largou. O homem pegou a mala e puxou a segunda.
– Tem outra aqui. Você poderia descer com essa depois? Estou esperando no carro. – ela sorriu mais uma vez e girou seu olhar para , desmanchando o sorriso.
– Se você encontrar mais alguma coisa que pertença ao mande entregar no meu apartamento. – e saiu, deixando a porta aberta. pôde seguir a amiga com o olhar até pegar o elevador. Uns minutos depois o servente levou a outra mala e ela fechou a porta.
Passou uns segundos vegetando na sala antes de ir ao quarto ver como ficara após a passagem de . O guarda-roupa estava vazio do lado de . Roupas, sapatos, perfumes, jóias, tudo havia sumido. Olhou para a estante e os livros e bibelôs de também haviam ido, além do relógio favorito dele. nunca havia reparado no quão sem graça aquele quarto era sem as coisas dele. Ou talvez ela só estivesse percebendo o lugar que as coisas de preenchiam agora que estava vazio.

Já estava anoitecendo e estava cansada de estar sentada naquela cama, assistindo as reprises de The Office. E reprises bem antigas. Havia zapeado os canais umas vezes, mas não havia coisas interessantes. Inferno.
Já estava pronta para levantar da cama quando o telefone tocou. Não esperava por aquilo. Parecia ter esquecido a existência de um aparelho telefônico naquela casa, àquele ponto, parecia inerte a tudo. Não atendeu. Mais uns segundos e a sua voz saiu do telefone:
Oi! Você ligou para a e o . Não podemos atender agora, mas deixe seu recado que ligaremos de volta! Ou não! – o fim da secretária era uma risada estridente de . Aquilo fez sorrir momentaneamente.
– Oi, sou eu. – era a voz de . ergueu o corpo da cama depressa para ouvir melhor. – Só avisando que a está de volta. Eu não contei nada pra ela, então espero que você faça isso. Ela disse que ia ter ver amanhã cedo, espere por ela.
Fim da mensagem.
abaixou a cabeça e deletou a mensagem.
. Sorriu ao perceber que havia pelo menos uma coisa boa no meio de tanta confusão.
Desligou a televisão e deitou-se na cama, desejando que o maravilhoso torpor do sono chegasse depressa.



Capítulo 25:

Quando a campainha soou, logo cedo no dia seguinte, já estava de pé.
Era óbvio que ela deveria estar no trabalho e daria apenas uma hora para seu pai lhe telefonar, ameaçando-a com a demissão. Não estava se importando muito com a demissão. Na verdade, ela estava seriamente pensando em voltar para sua antiga casa. Não fazia sentido permanecer ali, com todas aquelas lembranças horríveis. Ao mesmo tempo, sabia que deixar a casa era o passo inicial para concretizar a separação. E tinha certeza de que não queria dar esse passo.
– Oiiiiiii! – bradou assim que lhe abriu a porta.
– Meeeu Deeeus, o que os franceses fizeram com você? – ela perguntou chocada. estava bastante diferente. Parecia mais presente, mais feliz. Seus cabelos estavam mais curtos, na altura dos ombros. A cor vibrante de batom que ela usava jamais seria usada há um ano atrás. Seus lindos cabelos escuros agora ardiam em um vermelho intenso. Ela estava ótima.
– Nem te conto, amiga! – ela brincou e segurou carinhosamente pelos ombros. – Quase morri de saudades.
– Ah, eu também!
Elas se abraçaram fortemente e , pela primeira vez em algum tempo se sentira excelente. Era muito bom ver , ver que ela estava fora de todos os acontecimentos recentes, ela trazia um novo ar para . Era como... Um ar puro. E o melhor de tudo: não a julgava.
a guiou para a sala, onde jogou o cachecol e o sobretudo.
– Eu estou ótima, sabe – a amiga começou. – Muito bem mesmo.
– É bom ouvir isso. – a outra disse e sentou no sofá. sentou logo depois.
Sentou e fitou o rosto da amiga, estudando.
– Mas você não está. O que houve? – ela perguntou. sabia que seu fracasso era aparente, mas só a tinha feito sorrir desde que chegara. Como ela percebera?
suspirou e abaixou a cabeça, hesitando.
– Eu... Eu só estou com alguns problemas... – e antes que ela pudesse terminar a frase, o telefone tocou. E ainda estava tocando. não teve coragem para levantar e ir atender, o telefone estava relativamente longe e ela havia acabado de sentar. deu uma olhadela para o telefone e depois olhou para novamente.
– Amiga... Você não vai atender? – perguntou. negou e cruzou as pernas em cima do sofá e logo, o sinal da secretária soou.
Alô, Alô, ? Você está aí? – risadas. e se entreolharam e estreitaram os olhos, aguçando os ouvidos para escutar o recado. Aquela pessoa estava disfarçando a voz. – Oi, e aí, quantos você pegou hoje? Muitos, eu acredito! Deixa eu te falar, o ta com uma garota gostosa pra caramba aqui, ele não precisa de você! Você é acabada e feia, além de ser gorda, ter os olhos pequenos demais e a cabeça enorme, você é um lixo!
– Que horror – levantou e foi até o telefone. – Eu vou dizer quem é um lixo.
– Não, ...! – tentou impedir, mas a amiga já estava falando.
– Escuta aqui seu idiota, por que você não vai irritar a sua mãe? – ela gritou e ficou esperando que ela desligasse o telefone, mas não foi isso que aconteceu. A expressão no rosto de mudou completamente, ela arqueou as sobrancelhas e abriu a boca. – ?
? – perguntou. Era ele quem estava passando o trote? Ah, ótimo. Nenhuma surpresa, sabia que os amigos de nunca haviam gostado dela, ainda mais agora.
– Eu cheguei ontem, você deveria saber. Perguntei por você no aeroporto, mas disseram que você... Ah... Certo. – ela passou os dedos pelos cabelos visivelmente nervosa. – Estou de visita, mas por que você disse essas coisas? Foi horrível, sabia? Uma tremenda estupidez!
Droga. Agora ia ficar sabendo. , o refúgio pelo qual havia tanto aguardado não seria mais um refúgio. Ela saberia.
Quando virou o rosto para , sua expressão era absurdamente incrédula.
– Hm... , eu vou desligar. – ela disse roboticamente. – Até mais.
não a olhava mais. Não tinha coragem de encarar agora que ela sabia. Ela queria ter contado, não queria que outra pessoa soubesse. Ela só se deu conta de que havia se aproximado quando esta sentou ao seu lado no sofá, afundando um pouco o assento.
– Você também vai me odiar? – perguntou.
não respondeu. Ficou em silêncio por um bom tempo e pensou que ela merecia esse silêncio. Como merecera o trote de .
– Eu quero que você seja sincera comigo, não vou te odiar.
olhou a amiga e viu que não a julgava com os olhos, como ou . Ela a olhava com pena, compaixão.
Talvez confiar que não a repudiaria fosse a sua única opção.
– Eu conheci um cara. – disse de uma vez e olhou para , esperando sua reação, mas a amiga apenas estreitou os olhos, confusa. Era óbvio que sabia dessa parte, então teria que ser um pouco mais específica. – Eu gostei dele, sabe... Era como se eu precisasse dele. Não sei, foi tão bom por um tempo... – ela balançou a cabeça negativamente. – Mas aconteceu que ele queria que o lance ficasse sério... Falou em separação, sabe? Ele queria que eu me separasse do e era óbvio que eu não iria me separar do por causa de um cara que eu conhecia há um mês ou mais.
falava e ouvia em absoluto silêncio. Seu rosto expressava concentração. E continuou.
– E eu terminei com ele, mas ele meio que não aceitou... E quando o voltou, ele contou tudo.
A expressão da outra mudara radicalmente, ela agora estava horrorizada.
– Meu Deus, ele se vingou?
– Não sei... Eu não falei com ele depois disso, eu só sei que ele contou ao . – ela suspirou. – E ele saiu de casa.
saiu de casa? – arregalou os olhos. – Gente... E como você está?
– Péssima, . Eu não sei como será agora. Estou... Arrasada. – falou em um tom de voz abatido. A outra cessou a distância entre as duas com um abraço.
Para , aquilo era bastante importante. Ninguém a havia abraçado desde que a bomba estourara, ela estava realmente precisando daquilo, de uma demonstração de afeto tão sincera quanto aquela. era a primeira que estava lhe mostrando algum apoio.
Ela se afastou e segurou nos ombros de carinhosamente.
– Não vou te dizer que concordo com o que você fez, aliás, eu estou muito decepcionada. – ela disse. não podia ficar parada ao ouvir aquilo, ela não tinha como encarar depois daquela declaração. – Como... Você pôde, ? Eu sei que vocês discordam, que vocês brigam e se xingam, mas ele te ama tanto...
Claro. O quê? Pensava que seria assim tão fácil? Era o que o pensava. Ninguém que escutasse tal história poderia pensar em ficar do lado da vilã . Ela fizera sofrer e chorar, como pudera ser tão má? Merece a forca.
– Viu, eu sabia... Você me odeia. – ela disse com um sorriso esboçado no rosto.
– Não, eu não te odeio. Eu só quero que você saiba que esse seu ato... Sua... – ela girou os olhos pelos cantos da casa, à procura da expressão correta. – Sua fraqueza, digamos assim, foi uma atitude um tanto quando sacana e... Você foi uma vadia, amiga, desculpe.
bufou e riu baixinho.
– Você me chamar de vadia é... Muito simpático.
– Pois é. – coçou o canto do nariz e depois voltou-se para a outra. – E... O . Como ele está?
Pensar em era horrível. Falar nele deveria ser muito pior, mas ela queria falar. Não tivera mais notícias dele depois que ele saíra de casa, mas esperava profundamente que ele estivesse bem. Seria melhor se ele estivesse bem. Também seria melhor se ele desencanasse, se ele cuspisse em seu rosto frases como “se manca” e “finalmente eu te esqueci”. seria tão feliz, ele tinha essa capacidade. Qualquer pessoa que ficasse perto dele sabia quanta alegria ele esbanjava. Daí aparece uma idiota como pra deixar triste um cara tão feliz.
– Não tive notícias dele. Ele foi embora e depois veio buscar as coisas dele.
murmurou um “ah” baixinho. Talvez ela tivesse percebido o desconforto de em comentar sobre .
– Ok então! – a amiga espalmou as mãos. – Eu vou te fazer companhia hoje! O que nós vamos fazer? Ver um filme ou encher a cara?


ainda estava no apartamento com , as duas estavam assistindo a um filme com o John Cusack.
poderia dizer muito sobre agora, como expressar o quão agradecida estava por ela estar lá, mesmo sem concordar com o que a amiga fizera, mesmo sabendo que partira o coração de , estava lá.
– Nossa, olha como ele é uma gracinha. – dizia enquanto mastigava a pipoca que havia acabado de jogar pra dentro da boca.
– Credo, eu prefiro o Brad Pitt. – disse.
– O Brad Pitt é normal demais, o John Cusack é diferente, ele é demais.
riu e pousou o olhar em por tempo bastante para que ela percebesse.
– O que foi? Tá me olhando assim por quê? – perguntou intrigada.
– Obrigada. – ela disse com um sorriso estampado no rosto. – Obrigada por ter ficado.
piscou algumas vezes, processando o acontecido e depois sorriu.
– Não agradeça. Eu sou sua amiga, eu faço essas coisas!
Elas riram e logo uma explosão vinda da televisão roubou a atenção das duas.
– Mas olha só como ele é incrível... – elogiava. – Vai John!



Capítulo 25:

Quando a campainha soou, logo cedo no dia seguinte, já estava de pé.
Era óbvio que ela deveria estar no trabalho e daria apenas uma hora para seu pai lhe telefonar, ameaçando-a com a demissão. Não estava se importando muito com a demissão. Na verdade, ela estava seriamente pensando em voltar para sua antiga casa. Não fazia sentido permanecer ali, com todas aquelas lembranças horríveis. Ao mesmo tempo, sabia que deixar a casa era o passo inicial para concretizar a separação. E tinha certeza de que não queria dar esse passo.
– Oiiiiiii! – bradou assim que lhe abriu a porta.
– Meeeu Deeeus, o que os franceses fizeram com você? – ela perguntou chocada. estava bastante diferente. Parecia mais presente, mais feliz. Seus cabelos estavam mais curtos, na altura dos ombros. A cor vibrante de batom que ela usava jamais seria usada há um ano atrás. Seus lindos cabelos escuros agora ardiam em um vermelho intenso. Ela estava ótima.
– Nem te conto, amiga! – ela brincou e segurou carinhosamente pelos ombros. – Quase morri de saudades.
– Ah, eu também!
Elas se abraçaram fortemente e , pela primeira vez em algum tempo se sentira excelente. Era muito bom ver , ver que ela estava fora de todos os acontecimentos recentes, ela trazia um novo ar para . Era como... Um ar puro. E o melhor de tudo: não a julgava.
a guiou para a sala, onde jogou o cachecol e o sobretudo.
– Eu estou ótima, sabe – a amiga começou. – Muito bem mesmo.
– É bom ouvir isso. – a outra disse e sentou no sofá. sentou logo depois.
Sentou e fitou o rosto da amiga, estudando.
– Mas você não está. O que houve? – ela perguntou. sabia que seu fracasso era aparente, mas só a tinha feito sorrir desde que chegara. Como ela percebera?
suspirou e abaixou a cabeça, hesitando.
– Eu... Eu só estou com alguns problemas... – e antes que ela pudesse terminar a frase, o telefone tocou. E ainda estava tocando. não teve coragem para levantar e ir atender, o telefone estava relativamente longe e ela havia acabado de sentar. deu uma olhadela para o telefone e depois olhou para novamente.
– Amiga... Você não vai atender? – perguntou. negou e cruzou as pernas em cima do sofá e logo, o sinal da secretária soou.
Alô, Alô, ? Você está aí? – risadas. e se entreolharam e estreitaram os olhos, aguçando os ouvidos para escutar o recado. Aquela pessoa estava disfarçando a voz. – Oi, e aí, quantos você pegou hoje? Muitos, eu acredito! Deixa eu te falar, o ta com uma garota gostosa pra caramba aqui, ele não precisa de você! Você é acabada e feia, além de ser gorda, ter os olhos pequenos demais e a cabeça enorme, você é um lixo!
– Que horror – levantou e foi até o telefone. – Eu vou dizer quem é um lixo.
– Não, ...! – tentou impedir, mas a amiga já estava falando.
– Escuta aqui seu idiota, por que você não vai irritar a sua mãe? – ela gritou e ficou esperando que ela desligasse o telefone, mas não foi isso que aconteceu. A expressão no rosto de mudou completamente, ela arqueou as sobrancelhas e abriu a boca. – ?
? – perguntou. Era ele quem estava passando o trote? Ah, ótimo. Nenhuma surpresa, sabia que os amigos de nunca haviam gostado dela, ainda mais agora.
– Eu cheguei ontem, você deveria saber. Perguntei por você no aeroporto, mas disseram que você... Ah... Certo. – ela passou os dedos pelos cabelos visivelmente nervosa. – Estou de visita, mas por que você disse essas coisas? Foi horrível, sabia? Uma tremenda estupidez!
Droga. Agora ia ficar sabendo. , o refúgio pelo qual havia tanto aguardado não seria mais um refúgio. Ela saberia.
Quando virou o rosto para , sua expressão era absurdamente incrédula.
– Hm... , eu vou desligar. – ela disse roboticamente. – Até mais.
não a olhava mais. Não tinha coragem de encarar agora que ela sabia. Ela queria ter contado, não queria que outra pessoa soubesse. Ela só se deu conta de que havia se aproximado quando esta sentou ao seu lado no sofá, afundando um pouco o assento.
– Você também vai me odiar? – perguntou.
não respondeu. Ficou em silêncio por um bom tempo e pensou que ela merecia esse silêncio. Como merecera o trote de .
– Eu quero que você seja sincera comigo, não vou te odiar.
olhou a amiga e viu que não a julgava com os olhos, como ou . Ela a olhava com pena, compaixão.
Talvez confiar que não a repudiaria fosse a sua única opção.
– Eu conheci um cara. – disse de uma vez e olhou para , esperando sua reação, mas a amiga apenas estreitou os olhos, confusa. Era óbvio que sabia dessa parte, então teria que ser um pouco mais específica. – Eu gostei dele, sabe... Era como se eu precisasse dele. Não sei, foi tão bom por um tempo... – ela balançou a cabeça negativamente. – Mas aconteceu que ele queria que o lance ficasse sério... Falou em separação, sabe? Ele queria que eu me separasse do e era óbvio que eu não iria me separar do por causa de um cara que eu conhecia há um mês ou mais.
falava e ouvia em absoluto silêncio. Seu rosto expressava concentração. E continuou.
– E eu terminei com ele, mas ele meio que não aceitou... E quando o voltou, ele contou tudo.
A expressão da outra mudara radicalmente, ela agora estava horrorizada.
– Meu Deus, ele se vingou?
– Não sei... Eu não falei com ele depois disso, eu só sei que ele contou ao . – ela suspirou. – E ele saiu de casa.
saiu de casa? – arregalou os olhos. – Gente... E como você está?
– Péssima, . Eu não sei como será agora. Estou... Arrasada. – falou em um tom de voz abatido. A outra cessou a distância entre as duas com um abraço.
Para , aquilo era bastante importante. Ninguém a havia abraçado desde que a bomba estourara, ela estava realmente precisando daquilo, de uma demonstração de afeto tão sincera quanto aquela. era a primeira que estava lhe mostrando algum apoio.
Ela se afastou e segurou nos ombros de carinhosamente.
– Não vou te dizer que concordo com o que você fez, aliás, eu estou muito decepcionada. – ela disse. não podia ficar parada ao ouvir aquilo, ela não tinha como encarar depois daquela declaração. – Como... Você pôde, ? Eu sei que vocês discordam, que vocês brigam e se xingam, mas ele te ama tanto...
Claro. O quê? Pensava que seria assim tão fácil? Era o que o pensava. Ninguém que escutasse tal história poderia pensar em ficar do lado da vilã . Ela fizera sofrer e chorar, como pudera ser tão má? Merece a forca.
– Viu, eu sabia... Você me odeia. – ela disse com um sorriso esboçado no rosto.
– Não, eu não te odeio. Eu só quero que você saiba que esse seu ato... Sua... – ela girou os olhos pelos cantos da casa, à procura da expressão correta. – Sua fraqueza, digamos assim, foi uma atitude um tanto quando sacana e... Você foi uma vadia, amiga, desculpe.
bufou e riu baixinho.
– Você me chamar de vadia é... Muito simpático.
– Pois é. – coçou o canto do nariz e depois voltou-se para a outra. – E... O . Como ele está?
Pensar em era horrível. Falar nele deveria ser muito pior, mas ela queria falar. Não tivera mais notícias dele depois que ele saíra de casa, mas esperava profundamente que ele estivesse bem. Seria melhor se ele estivesse bem. Também seria melhor se ele desencanasse, se ele cuspisse em seu rosto frases como “se manca” e “finalmente eu te esqueci”. seria tão feliz, ele tinha essa capacidade. Qualquer pessoa que ficasse perto dele sabia quanta alegria ele esbanjava. Daí aparece uma idiota como pra deixar triste um cara tão feliz.
– Não tive notícias dele. Ele foi embora e depois veio buscar as coisas dele.
murmurou um “ah” baixinho. Talvez ela tivesse percebido o desconforto de em comentar sobre .
– Ok então! – a amiga espalmou as mãos. – Eu vou te fazer companhia hoje! O que nós vamos fazer? Ver um filme ou encher a cara?


ainda estava no apartamento com , as duas estavam assistindo a um filme com o John Cusack.
poderia dizer muito sobre agora, como expressar o quão agradecida estava por ela estar lá, mesmo sem concordar com o que a amiga fizera, mesmo sabendo que partira o coração de , estava lá.
– Nossa, olha como ele é uma gracinha. – dizia enquanto mastigava a pipoca que havia acabado de jogar pra dentro da boca.
– Credo, eu prefiro o Brad Pitt. – disse.
– O Brad Pitt é normal demais, o John Cusack é diferente, ele é demais.
riu e pousou o olhar em por tempo bastante para que ela percebesse.
– O que foi? Tá me olhando assim por quê? – perguntou intrigada.
– Obrigada. – ela disse com um sorriso estampado no rosto. – Obrigada por ter ficado.
piscou algumas vezes, processando o acontecido e depois sorriu.
– Não agradeça. Eu sou sua amiga, eu faço essas coisas!
Elas riram e logo uma explosão vinda da televisão roubou a atenção das duas.
– Mas olha só como ele é incrível... – elogiava. – Vai John!

Capítulo 26:

– Charlotte, estou indo almoçar. Qualquer coisa, me telefone. – avisou à secretária antes de apanhar a bolsa e rumar em direção ao elevador. Estava morta de fome, pretendia ir ao self-service mais próximo e encher seu prato como nunca fizera, mas iria apenas subir até o último andar e almoçar no restaurante do prédio. Era mais prático e confortável, além do fato de conhecer o chef. Era Romeo, um grande amigo de seu pai; podia servir-se do que quisesse pagando absolutamente nada.
Apertou o botão e esperou que o elevador subisse depressa. Detestava aqueles bichos, podiam enguiçar e deixá-la presa por dias. conhecia a história do homem que passou um fim-de-semana inteiro preso dentro do elevador. Horripilante.
Ao chegar ao Château d'Argent, foi direto para sua mesa predileta, aquela encostada à grande parede de vidro. De lá, podia assistir todo o movimento da rua, o que era maravilhoso, já que ela adorava observar as pessoas. Rapidamente, um garçom lhe abordou e lhe perguntou se pediria o mesmo.
Ao responder que sim, virou sua cabeça para a rua e observou atentamente os movimentos de um senhor vendedor de pipocas. Ele sempre arrastava sua barraca por ali na hora do almoço. Queria saber o destino daquele homem, assim como queria saber o destino da mulher de blazer xadrez que também passava por ali aquele horário. Ou o do cego de nome Bob guiado por seu cachorro (sabia disso porque Hugh, um dos zeladores do prédio, sempre o cumprimentava). Percebeu que conhecia todas aquelas pessoas, conhecia seus caminhos ou até suas manias. Conhecia o modo como o velho pipoqueiro sempre coçava os cabelos sujos após largar por um momento sua carroça, conhecia o modo como a moça do blazer protegia sua bolsa contra o corpo e conhecia o jeito como Bob acariciava seu cachorro após atravessar uma rua em segurança. Ela sabia quem eram aquelas pessoas, mas provavelmente, nenhuma delas sabia quem era. Nenhuma delas fazia idéia do que estava passando, separando-se do marido. Bem, talvez a mulher de blazer xadrez soubesse, mas nenhuma daquelas pessoas imaginaria que uma moça tão jovem quanto já estivesse se separando. Quando Charlotte lhe perguntou ( achou uma atitude um tanto quanto invasiva da colega) sobre a possível separação, fingiu não ter escutado. Por um tempo pensou que pudesse esconder aquilo das pessoas, mesmo sendo casada com o integrante de uma banda famosa. Está aí, um ponto interessante. Talvez as pessoas que vira andando na rua soubessem que era , mas não fizessem idéia de que ela estava ali, estudando seu comportamento quando passavam por aquela rua. Quantas pessoas não a estudavam quando ela caminhava por Londres? Agora que parara para pensar sobre isso, quantas pessoas não a conheciam, assim como ela conhecia seus amigos pedestres?
– Aqui está, senhorita. – o garçom chamou, desviando sua atenção dos pensamentos incoerentes. Ela o olhou e sorriu, vendo o jovem repousar o prato bonito em sua frente.
– Pode me trazer uma água, por favor?
– Sim, claro – ele sorriu e deu as costas, andando rapidamente para longe. pegou os talheres, empolgada para almoçar e ergueu a cabeça.
Não soube bem o que lhe impulsionou a erguer a cabeça justo naquele momento, talvez o tenha feito apenas por fazer sempre, ou talvez uma intuição secreta lhe tenha dito para erguer a cabeça. Pois quem estava vindo em sua direção era alguém bastante conhecido por ela.
Os cabelos louro-escuros habitualmente bagunçados e diferentes estavam esquisitos. Os mullets não existiam mais, havia apenas um corte normal e muito bagunçado, mas lembrava-se de o desleixo ser a marca registrada dele. Os olhos claros brilhavam à distância e a barba para fazer lhe dava um ar ainda mais displicente.
não teve reação de seu corpo para levantar-se e ir embora antes que ele pudesse se aproximar, por isso ele chegou perto o suficiente para lhe perguntar:
– Posso sentar?
Mais uma vez foi impossibilitada de responder.
– Vou tomar como um sim. – ele arrastou a cadeira e sentou, apoiando os braços da mesa de maneira não muito educada. Um garçom aproximou-se rapidamente.
– Posso ajudá-lo, senhor?
– Sim, me traga uma água, por favor.
– Imediatamente. – e se afastou. poderia tê-lo lembrado da água que pedira, mas ainda estava paralisada.
– Me desculpe aparecer assim do nada, mas eu precisava vê-la. Sei que não deve estar querendo me ver, mas eu precisava... – ele disse cautelosamente, passando as mãos pelo rosto e depois pelos cabelos, voltando a encarar a garota-estátua á sua frente. – Você está me ouvindo?
Aquela voz estava ecoando em sua cabeça. Não a voz do rapaz, mas a voz, aquela voz chata que morava lá com ela.
piscou os olhos, acordando de seu choque. Piscou algumas vezes o observando, apenas para ter certeza de que era ele. O rosto, os cabelos, a voz. Era ele com certeza.
– Justin. – falou calmamente. Ele balançou a cabeça lentamente e ergueu o canto esquerdo da boca rapidamente e depois voltou à sua expressão séria. suspirou e recebeu a água que garçom trazia.
– Obrigado – Justin agradeceu a sua.
– Nós não temos o que falar.
– Se você me der a chance, eu quero me desculpar. – a outra ergueu a cabeça e o encarou, incrédula. Desculpar? Se desculpar? Então era assim? Fácil, como piscar os olhos.
– Você arruína a minha vida e acha que desculpas vão consertar? – perguntou, bufando. – Não quero ouvir.
– Me apaixonei por você, . E achei que você também havia se apaixonado, mas me enganei e reparei o engano tarde demais. – disse ele, com pesar na voz. – Não espero que você aceite meu pedido, mas eu gostaria que soubesse... Estou arrependido. Não deveria ter feito aquilo, foi uma atitude estúpida.
– Não há mais razão para pensar nisso, meu marido já saiu de casa. Você já acabou com tudo. – mastigava lentamente e bebericava o copo de água às vezes, mas estar comendo tão calmamente era apenas uma ação de camuflagem. Não queria que Justin percebesse o quão afetada ela estava por sua presença. Ele lhe trazia as piores lembranças que ela poderia ter.
– Não espero que você me perdoe, realmente. Queria que soubesse o quanto eu sinto. E também estive preocupado com você... Vejo que não vale a pena perguntar se está bem – ele bufou amargamente. ergueu as sobrancelhas rapidamente, com o olhar abaixado.
– É, como eu já disse, você arruinou tudo.
Ela não ousou olhá-lo novamente.
– Desculpe-me. – Justin disse e ouviu o barulho de sua cadeira arrastando. – Espero que você... Seja feliz, . Espero que consiga acertar sua vida.
O rapaz deu as costas e caminhou rumo à porta. Só então ergueu a cabeça e o assistiu sair.
Estranhou o vazio arrebatador que ele deixara para trás. Não sabia se estava com saudades dele, ou se Justin era um capítulo de uma história trágica (e necessária) em que estava incluído. Encarou a cadeira onde o rapaz havia sentado e suspirou, criticando a si mesma.
– Estúpida. – resmungou. Ela havia posto toda a culpa da tragédia de sua vida em Justin, quando nada disso havia sido culpa dele. traçara seu caminho ladeira abaixo quando decidira trair , Justin tinha apenas agido com o coração. Não havia erro nisso. – Estúpida.
Ingeriu todo seu almoço, indigesto, e depois voltou para seu trabalho. Não que tenha conseguido concentrar-se no que fazia, sua cabeça estava muito mais longe que o Takeshi Obata.

O barulho incessante das buzinas e vozes a estava incomodando.
– Pode tentar ir mais depressa? – perguntou ao taxista, erguendo-se do banco e encostando-se levemente ao assento do motorista.
– Estou tentando, moça, mas esse engarrafamento vem desde a principal. – o homem explicou desculpando-se.
“Droga” praguejou em voz baixa. Queria chegar logo em casa, sua cabeça estava estourando. E ainda teria que pensar no jantar, embora estivesse sem cabeça para cozinhar. Virou a cabeça para a esquerda e avistou, pela janela, um letreiro neon bem chamativo. Um posto de gasolina.
Um posto de gasolina deveria ter uma loja de conveniências, claro.
– Vou descer aqui, obrigada – jogou as notas para ele e abriu a porta, saltando fora do carro rapidamente, rumando para a loja de conveniências.
Apressou o passo e entrou no estabelecimento, que estava bem mais quente que a rua, para seu agrado. Dirigiu-se ao freezer e apanhou duas latas de refrigerante, segurando-as com o braço e indo ao freezer próximo, pegar uma caixa de lasanha pré-cozida. Aquilo ficaria excelente após alguns minutos no microondas. Antes de ir pagar, virou-se na direção dos salgadinhos e decidiu pegar um deles. Sempre via um filme após o jantar e sentia falta de algo para beliscar. Agora sim, podia ir até o caixa.

Abriu a porta do apartamento, sacudindo-se do lado de fora para secar rapidamente a casaca; umas gotículas de chuva a atingiram assim que descera do táxi. Fechou a porta atrás de si e deixou a chave na prateleira ali próxima, pousando as compras no balcão da cozinha, caminhando lentamente até o quarto. Retirou o sobretudo, depois o casaco que usava por dentro, preparando-se para retirar as botas.
Quando a lasanha ficou pronta, seu prato nunca parecera tão apetitoso. tinha certeza de que era a fome que sentia. Abriu uma das latas de refrigerante e sentou-se confortavelmente de frente à TV e estava prestes a dar a primeira garfada em seu jantar quando alguém tocou a campainha. Suspirou fundo, sentindo pela lasanha, e levantou-se, indo atender.

Não saberia reagir diante aquilo nem que lhe dessem uma injeção de adrenalina.
Seu corpo estava literalmente paralisado, seu sangue estava tão quieto que era como se estivesse congelado. Um arrepio seguiu lentamente por sua espinha e escancarou a boca.
– Oi. – ele disse.
Não tinha certeza do tempo que transcorrera desde que conseguira, finalmente, lhe responder.
? – perguntou, como se quisesse ter certeza de que ele estava mesmo diante de seus olhos, que não era uma miragem. O rapaz esticou o canto da boca rapidamente em uma tentativa frustrada de sorrir simpático, mas sua expressão continuara serena.
– Posso entrar?
O sistema nervoso de havia voltado a funcionar de uma vez só, fazendo com que ela parecesse uma psicótica eufórica.
– C-claro, entre, entre! – chamou, abrindo a porta totalmente, saindo da passagem. Mexia nos cabelos como se quisesse fazê-los parar de tremer. Sua mão tremia. Seu corpo inteiro tremia.
caminhou lentamente por entre o apartamento e não soube bem o que fazer após fechar a porta. Queria perguntar como ele estava, se ainda estava com , queria saber como ele andava, queria saber o que havia acontecido durante o tempo em que passaram separados. Em que estavam separados.
Seus cabelos, seu rosto corado, sua boca, olhos... Tudo continuava o mesmo. Assim como ela costumava lembrar. O seu .
– Precisamos conversar. – disse enquanto virava para ela. respirava tão rápido que não conseguia conter os batimentos de seu coração. E nem que desse seu máximo conseguiria. – Sobre a separação.
E de repente era como se seu coração tivesse cedido. Como se não batesse mais.
– O quê? – perguntou incrédula. – Separação?
Ele acenou afirmativamente com a cabeça uma vez, aproximando-se apenas um passo.
– Quero o divórcio.
Nem o estopim da pior guerra poderia ser tão ruim quanto aquela frase. Nada poderia magoá-la mais.
E então, sentia como se não houvesse volta para seu coração. Havia parado de bater para sempre.

Capítulo 27:

não sabia como se mantinha de pé após, em um mesmo dia, enfrentar Justin e .
E agora estava ali, deixando que sua lasanha esfriasse para ouvir o marido lhe propor o divórcio. Ou melhor, comunicar que iria pedir o divórcio. Se suas pernas não vacilaram até tal momento, era um bom sinal de companheirismo por parte das pernas.
– Divórcio? – quase vomitou as palavras.
estava tão calmo, tão sereno... sentia-se mal em perceber o quão confortável ele estava com a situação. Era... Angustiante ver a si mesma dentro de um poço tão fundo que desconhecia a claridade e depois, encarar seu futuro ex-marido ali, solicitando a condição de ex-marido.
Balançou a cabeça com essa serenidade invejável e apertou o nariz, suspirando fundo e pondo os braços para trás.
– Irá se rebelar? – perguntou.
Não sabia se era o nervosismo ou a ira que a visita totalmente incômoda de a causara, mas bufara e logo após dera uma gargalhada.
– Você está pedindo o divórcio, não é o que eu deveria fazer?
– Não quando você sabe que é necessário.
– Ninguém falou sobre isso sendo uma necessidade.
– Não é preciso.
Fechou os olhos levemente e coçou os cabelos, reabrindo os olhos. Era impressionante como apenas fitar era nocivo, o quão afetada ela era por sua presença, por tudo que o circundava.
Ele ainda a olhava com sua calmaria irritante, as mãos nos agasalhos do moletom e as pálpebras leves.
– Não vim aqui para começar uma discussão inútil e ridícula – disse. – Você sabe o que vai acontecer, então, vou autorizar meu advogado a vir lhe procurar, certo?
lhe daria as costas e sairia pela porta como se nunca houvesse entrado se tivesse permitido. Divórcio? Não sem um pouco de gritaria.
Ela sabia que estava errada, sabia que havia errado e tudo o mais, mas poxa! Havia perdido grandes amigos; ganhara o desprezo de gente que sempre admirara; a atenção da mídia, se querem saber, pois todos os sites de fofoca estavam comentando sobre a esposa traíra do cantor famoso. Estava perdendo sua competência profissional e o pior de tudo, estava sem o marido. Certo, merecera, mas estava arrependida e não havia uma alma que não soubesse disso.
– Discussão ridícula? Então você chama o divórcio de algo inútil e ridículo? – perguntou antes que ele pudesse abrir a porta. franziu a testa e retirou as mãos dos agasalhos. – Porque isso seria uma tremenda hipocrisia.
– Não estou falando do divórcio. Estou falando disso – ele apontou o indicador para e exclamou. – que você está tentando começar! Por que é o que você sempre faz! Abre seu bocão e reivindica!
Bocão? Não tinha um bocão! Era errado não querer o divórcio???
– Eu não sou obrigada a aceitar a sua decisão! – exclamou de volta.
Bem, se estava tão incomodada pela postura de , sossegara-se, pois a aparente máscara de tranqüilidade havia desabado junto com seu rosto, que estava tão vermelho quanto a luminária do quarto de .
– Se eu quiser a separação, ela vai acontecer! E não há nada que possa fazer para impedir isso! – gritou. – Eu não sou obrigado a viver ao lado de uma mentirosa traidora!
– Não vou passar a eternidade implorando seu perdão, ! Já lhe disse o quão arrependida estou, ouvi chacota dos seus amigos, fui chutada pelos meus e sou a mais nova Paris Hilton da internet! – bradou.
Mentirosa Traidora era um adjetivo cujo ainda não conhecia. Mais um para seu mini-dicionário pessoal.
– O que espera que eu diga? “Ah, coitada da , ela está sofrendo!” – perguntou em sua voz debochada. – Você sabe o que eu estou sofrendo? As pessoas passam por mim na rua e me olham com pena! Elas nem me param mais! Como você pode falar sobre sofrimento pra mim? Eu passo noites em claro, não consigo rabiscar uma letrinha sequer no papel e pareço um pato rouco sempre que toco em um microfone, minhas mãos parecem feitas de madeira, eu não consigo mais tocar! – estava tão furioso que seu rosto não estava ligeiramente rosado, estava bastante avermelhado. temia que ele desmaiasse ou algo assim. O volume e a entonação de sua voz eram tão profundos que recuou alguns passos.
– Também não sei o que espera que eu diga, ! – gritou, aproximando-se os passos afastados. – Já lhe pedi perdão, já lhe disse tudo o que deveria dizer! Você sabe como eu me sinto, não acho que esteja certa! Mas você continua agindo como se eu estivesse bem, como se tivesse pensado em magoá-lo!
– Não, não pensou em me magoar. Você nem sequer pensou em mim. – passou as mãos nervosas pelos cabelos e voltou-se para a porta. – Já lhe comuniquei o que devia, preciso ir.
A idéia da partida de era tão ruim que desejou prolongar a discussão um pouco mais, apenas para tê-lo ali por alguns minutos a mais.
– Não! – exclamou. – Não, espere, não faça isso! – implorou. – Fique longe, me odeie, atire pedras em uma foto minha, mas não peça o divórcio!
O rapaz a olhou com os olhos estreitos, estudantes.
– Não se trata de você – disse. – Se trata de mim. Estou travado com relação a isso, não consigo perdoar você. Penso o dia inteiro sobre isso, sobre pedir os papéis do divórcio, não consigo mais me imaginar...
De repente, abaixou o olhar e sorriu.
– Já tivemos essa conversa. Eu poderia ter lhe telefonado, mas achei melhor vir aqui.
– Achou melhor, mais divertido vir ver minha cara desabar, não foi? Pelo telefone não teria a mínima graça. – a outra disse um tanto quanto magoada. Os sentimentos que passavam por agora eram uma grande mistura. Raiva, angústia, ira... Não sabia bem como administrar aquilo. E sabia muito menos o que dizer, cuspia qualquer coisa que lhe viesse.
– Ao contrário do que você pensa, não tenho intenções de te magoar, . – aquela serenidade era tão desconhecida por ela que parecia outro homem falando.
Aquele momento, tudo ali era tão surreal. Era ali, pedindo o divórcio e sendo coerente, sendo sensato. A última lembrança que tivera dele fora um furioso e magoado, carregando uma bolsa e indo refugiar-se na casa da irmã, mas este agora estava absolutamente certo do que fazia. Isso era horrível.
– Então porque o está fazendo? – perguntou ela, abaixando sua voz. não respondeu, apenas deu as costas e girou a maçaneta, pondo um de seus pés do lado de fora do apartamento.
– Mando notícias. – e saiu fechando a porta com uma batida leve. Sutil. Neutro.
Outra pessoa.
Por que ele estava agindo daquela forma? Era como se estivesse imune a tudo o que acontecera, como se não lembrasse. Ou não quisesse lembrar. Tratava com educação e não se importava em olhá-la feio. Uma espécie de perdão falso, às aparências.
caminhou até o sofá, onde seu prato permanecia intocado. Já deveria estar frio. Apanhou-o e o levou para a cozinha, o guardando dentro do microondas.
havia levado toda sua fome, junto com qualquer réstia de esperança que pudesse pensar em ter.



Continua...



N/A: Uhu, combo. Faz tempo, não? Pois é, perdoem-me qualquer erro, ou qualquer tosquice. O pré-vestibular está virando minha cabeça. E me perdoem também garotas da tradução de Another Place To Fall. Estive tão sem tempo que não criei o grupo. Mas vou criar hoje! Prometo!
Então, estão gostando da fic? Me dêem opiniões! O que vocês acham que deveria acontecer agora? A história está traçada, mas se eu receber alguma boa idéia, quem sabe. HUAUAUAHUAHA. Beijos, beijos, garotas. Visitem meu blog, ou sigam-me no Twitter!!!!
Line xxxxxxxxx









so get your gun and, meet me, by the door.