Everytime You Go ~ Por Aninha Dionisio.

Everytime You Go.
Escrita e Betada por: Aninha Dionisio



Capítulo um.
- ! Vem ver quem tá aqui! - eu ouvi a voz de baixa e abafada pela musica alta que rolava na sala da casa. Ela não parecia estar muito longe, mas sua voz estava distante. Não sei se era por causa da musica, ou por causa de toda aquela bebida que eu tinha ingerido até agora. Quem se importa?
Era meu aniversário de 17 anos, e daqui dois dias era o aniversário da . Resolvemos comemorar juntas, em uma típica sexta feira. Todos aqueles que chamavamos de amigos, ou fingiam ser nossos amigos estavam lá, enchendo a cara, se agarrando pelos cantos e gorfando no tapete da sala da casa da minha amiga. Quero ver amanhã, como nós vamos fazer pra limpar tudo isso sozinhas, antes de os pais dela chegarem. Culpa da que me inventa de fazer uma festa, na sua casa, sabendo que seus pais não gostam nada de festas adolescentes, principalmente quando são em sua própria casa, porque eles sabem muito bem das consequências. Casa suja, principalmente de bebida e vômito, coisas quebradas, garrafas de cerveja espalhadas pela casa. Já que ela inventou de fazer festa, mesmo sendo a nossa festa, coitada, vai dar uma de empregada amanhã. E pra piorar tudo, eu também.
- ! - ela voltou a falar, e eu percebi que sua voz já estava mais perto, ou não. - To te chamando!
- O que é hein ? - disse meio brava e me virei, e vi que ela estava parada na minha frente, com as mãos na cintura, uma cara nada amigável, com uma garrafa de cerveja na mão.
- Pelo amor né , que humor é esse, no seu próprio aniversário? - ela começou a rir e me abraçou de lado. Sim, ela estava bêbada. - Eu vim aqui te chamar porque tem alguém muito importante te chamando na porta de caaaaaa-sa. - ela disse pausadamente como quem fala com uma criança. Eu rolei os olhos.
- Só vou até lá se for o Nicholas Hoult – olhei pra ela e segurei seus ombros, e balancei de leve – ? ELE N?O ? ? - eu disse em um tom mais alto, e nós duas gargalhamos relativamente alto, para duas pessoas normais. Pois bem, nós não eramos normais. E estávamos bêbadas. Dá um desconto.
- Sinto te desapontar amiga, mais não é ele não. - eu desmanchei meu sorriso, e ela riu. - Mais ele tá tão gato quanto o Nick! Vai lá.
Eu ri, indo em direção a entrada da casa, que não ficava assim tão longe da sala. Quando eu passei por , ela me deu um tapa na bunda, e rimos juntas de novo. Dei mais um gole na minha cerveja antes de continuar andando e ver a ultima pessoa que eu imaginava ver na minha vida, parado, encostado na porta da casa de , com uma cerveja na mão, olhando para qualquer lugar da sala. Assim que eu entrei em seu campo de visão, ele abriu um sorriso que eu sentia tanta falta, e desencostou da porta, abrindo os braços para que eu me aconchegasse neles para um abraço. Mais não foi isso que eu fiz. Eu fiquei parada. Entrei em um transe. Depois de três anos, sem ao menos dar notícias, sem ao menos dizer o que ele tinha feito, e o porque de ter ido embora, o que ele estava fazendo ali? Na porta da minha casa de braços abertos pra mim?

- Feliz aniversário pequena! - ele disse depois de alguns minutos, já que ele não viu nenhuma reação minha, ele veio em minha direção, ainda de braços abertos. Eu dei um passo pra trás, automático. - Qual é, tá com medo de mim? - ele e seu tom brincalhão de sempre.
Eu não me sentia mais bêbada. Eu não sentia mais nada naquele momento. Até a garrafa que eu segurava caiu no chão e se espatifou eu não me importei. Eu apenas fiquei o observando. Ele estava tão diferente. Depois de três anos sem dar notícias, ele resolve voltar. Surpresa. Era assim que eu estava me sentindo naquele momento. Ele estava mais alto, parecia mais magro, não consegui definir direito por causa do moletom branco e grosso que ele usava. Ele sorria pra mim, mais eu não conseguia desviar meu olhar daquelas duas pedras brilhantes e que seus olhos eram. Quando eu dei mais um passo pra trás, ainda sem dizer nada, seu sorriso desmanchou.
Eu estava aflita naquele momento. Tudo o que eu queria era sair dali, e ficar sozinha. Tomei coragem, e desviei meu olhar do dele, dei as costas, e fui em direção ao jardim que tinha nos fundos da casa. Sentei em uma das redes que tinham no meio daquelas árvores peguei meu celular e vi que já passavam das três e meia da manhã. Percebi que meu rosto estava um pouco molhado, e não era por causa da bebida. Passei a mão por minhas bochechas, e percebi que era algo inesperado, uma lágrima, uma lágrima que deu passagem a mais lágrimas, e lágrimas, que foram ficando incontroláveis a cada segundo que lembrei das promessas não cumpridas, de momentos inesquecíveis, de sentimentos infinitos. Ele tinha me prometido ficar. Para sempre. Porque ele foi embora mesmo?

#Flashback – 4 years ago.
Nós dois estavamos sentados nos balanços de um parquinho que tinha perto da casa da tia . Fazia uns minutos que nenhum de nós falava alguma coisa. O dia estava um pouco frio , coisa comum em um dezembro londrino, e já era perto do natal. Eu estava balançando bem alto quando se levantou e eu quase o chutei. Ele começou a rir e eu continuei quieta. Parei de balançar segundos depois e me levantei, indo sentar em um dos banquinhos que tinham embaixo de uma das muitas árvores de lá. veio junto, e se sentou do meu lado, passando um de seus braços por meus ombros.
- , o que você tem hoje hein? - Nada , apesar do fato que eu estou com muito medo de você ter que ir embora daqui porque seus pais estão quase se separando.
- Não tenho nada – menti. Ele me olhou por uns segundos, como quem desconfiava. Quem tinha que estar triste pelos pais era ele, e não eu. Eu gostava muito dos pais dele, principalmente da tia , que eu considerava uma segunda mãe pra mim. Mais eu não estava triste porque eles estavam se separando. Eu estava triste porque se eles se separassem, eu não iria mais ver o , meu melhor amigo, que teria que ir embora com a mãe.
- Você tem certeza? - desconfiado, como sempre.
- Tenho sim. – silêncio – ?
- Hm?
- Me promete uma coisa?
- Qualquer coisa.
- Me promete que mesmo que… , me promete que você nunca vai me deixar? - ele hesitou uns segundos, e depois me olhou, confuso. Mais respondeu.
- Claro que não , nunca vou te deixar. Vou ficar com você, pra sempre. - ele deixou um beijo no topo de minha cabeça, e eu deitei minha cabeça em seu pescoço, acreditando no que ele tinha acabado de me dizer.
#Off

Senti a rede afundar mais um pouco, mais não me importei. Eu sabia muito bem quem tinha acabado de sentar do meu lado, e continuei a chorar e soluçar. Assim que eu senti seus braços me abraçando, eu chorei ainda mais, me aninhando em seu peito. Passaram minutos, que eu não contei, eu sentia suas mãos fazendo carinho em minhas costas, até que eu comecei a me acalmar. Quando parei de chorar, me soltei de , limpei meu rosto, e olhei para frente, desviando meu olhar do dele a qualquer custo.
- , o que aconteceu pra você me repelir daquele jeito? Eu vim aqui te ver, e quando eu chego você... - eu começei a rir. Ironicamente. E ele parou de falar, me olhando, estranhando a minha reação.
- Cala a boca . Você ainda pergunta porque eu sai de perto de você? - eu ri de novo. - Você não deveria nem ter vindo. Péssima escolha. Vai embora. - eu me levantei da rede, sem olhar pra trás, mais logo senti duas mãos agarrarem meu pulso direito.
- ... - ele tentou de novo.
- Oque você tá fazendo aqui ainda? Eu não te mandei ir embora não? - eu ri ironicamente , mais uma vez. - Some daqui garoto.
- Você está bêbada. Você não falaria essas coisas se estivesse sóbria.
- Vou falar mais uma vez – pausa – VAI EMBORA ! - tentei soltar das mãos dele, e ele apertou com mais força. - VOC? T? ME MACHUCANDO, ME SOLTA PORRA!
- Para de fazer escândalo! Vamos conversar!
- Não quero. VAI. EMBORA!
- Não. - ele ainda não soltava meu pulso, e estava começando a doer de verdade. - Você está bêbada.
- E daí? Vamos fazer um trato, você deixa sua melhor amiga bêbada aqui, e vai atrás de qualquer outra, que tal? - ele soltou meus pulsos. Agradeci mentalmente.
- Não tenho motivos pra te deixar . - eu ri, escandalosamente.
- Não precisa, você já fez isso uma vez antes mesmo. - me virei, e comecei a andar para dentro da casa sem olhar para trás.
Eu sabia que agora, ele não iria vir atrás de mim. Ele não seria louco o suficiente pra fazer isso. Ele já tinha me deixado uma vez, agora era minha vez de deixá-lo. Entrar naquela casa depois do que tinha acabado de acontecer, não foi uma coisa muito legal. E ter que repelir , mesmo depois de tudo aquilo que ele fez, foi uma das coisas mais difíceis que eu tive que fazer, mesmo que isso saiu com super naturalidade. Sentia mais lágrimas pesadas rolando por meu rosto, incontáveis e incontroláveis lágrimas. Quando estava no meio da sala, esbarrando na maioria daquelas pessoas, comecei a sentir o gosto da bile subindo pelo meu esôfago. Coloquei a mão na boca, tampando-a, e corri em direção do banheiro, temendo que não desse tempo, e que eu acabasse soltando tudo o que eu tinha ingerido na frente de todas aquelas pessoas.
Felizmente, assim que eu fechei a porta do banheiro e subi a tampa do vaso sanitário, deu tempo, e eu botei tudo pra fora, no lugar certo. Me levantei, me sentindo um pouco tonta, mais já estava bem mais sóbria, fui para frente do espelho, encarando uma pessoa pálida com os olhos vermelhos. Consequência dos meus últimos atos. Prendi meus cabelos em um coque frouxo, abri a torneira e deixei que a água se acumulasse em minhas mãos que estavam em forma de concha em baixo da torneira. Joguei toda aquela água em meu rosto, depois em minha nuca, me sentindo levemente melhor. Fiz um bochecho com um pouco de água e pasta que tinha em cima da pia. Quando me senti bem o suficiente para sair daquele banheiro, e ir para casa que não ficava longe da casa de já que eramos vizinhas desde quando eu me conhecia por gente, abri a porta e sai, sem olhar pra trás, indo para minha casa aonde minha grande e macia cama me aguardava.

Capítulo dois.

Eu já sabia que estava acordada fazia muitos minutos, mesmo continuando de olhos fechados. Eu sabia também que eu tava com uma puta dor de cabeça, e ela com certeza pioraria com a claridade que deveria estar o meu quarto. Mais eu já estava me sentindo bem o suficiente pra abrir os olhos e levantar da cama, mesmo com a dor de cabeça que eu estava sentindo agora, consequências de todas aquelas bebidas ingeridas na noite passada. Noite passada. Meu aniversário. . Assim que eu me lembrei de seu nome, flashes da nossa pequena primeira, mais significativa, briga passaram por minha cabeça. Saí de baixo de meus lençóis e sentei na cama com as pernas dobradas para fora, meus pés no chão, apoiei meus cotovelos em minha coxa, abaixei minha cabeça e embrenhei meus dedos em meus cabelos. Só ai então que a ficha caiu. tinha voltado. , meu melhor amigo. Depois de três anos sem notícias, NE-NHU-MA notícia!
Abri a gaveta que tinha no criado mudo que ficava ao lado da cama do meu quarto, e tirei de lá um porta retrato, com o vidro rachado. Mais mesmo assim ainda dava para ver muito bem que foto tinha. Era uma foto minha, com o . Eu estava nas costas dele de cavalinho e ele fazia uma cara de quem estava tentando se segurar pra não cair. Nós dois estávamos rindo. Sorri junto com a foto. É meio estranho falar disso agora, depois de tanto tempo. Eu nunca fui daquelas que guardam mágoas, mais com ele parecia ser diferente. Acho que ontem eu deveria ter parado, e ouvido. Mais quem é que disse que eu parei e ouvi? Não fiz isso. À três anos, quando ele foi embora, eu senti como se metade de mim tivesse sido arrancada, como se eu não tivesse completa, e eu realmente não estava. Nos primeiros meses foi muito difícil pra eu poder superar, eu era uma criança ainda, não tinha mais vontade de brincar, não tinha mais vontade de sair. Até que um dia eu tomei consciência que não adiantava nada chorar por quem se foi, levantei minha cabeça e continuei a seguir em frente. Nós eramos tão unidos, tão grudados. Quando nós tínhamos uns 11 ou 12 anos as pessoas diziam que nós dois parecíamos namoradinhos. Até minha mãe chegou um dia e me disse isso. Eu considerava o como um irmão pra mim, mesmo que eu fosse apaixonada por ele. Não disse isso certo? Pois é, eu era apaixonada por ele. Sem querer ser clichê, mais eu acho que foi amor a primeira vista. Eu era realmente MUITO pequena quando eu conheci ele, mais mesmo assim eu ainda me lembro muito bem da primeira vez que eu o vi. A tem um irmão mais novo, e ele se chama Paul. Era a festa de aniversário de 4 anos dele, e a minha mãe estava conversando com a mãe de junto com a mãe da . Acho que era a primeira vez que elas duas se falavam. Eu tinha acabado de me sujar toda com um brigadeiro, e fui falar com mamãe porque eu sentia meus dedos muito melados, e não podia brincar assim.

#Flashback - 12 years ago.
- Mãaaaae! - gritava, com as mãos todas sujas e meladas de brigadeiro. Seu vestidinho verde claro estava meio sujo no peito, por causa dos brigadeiros também. De tanto pular, sua faixa de cabelo branca já estava um pouco mais pra trás, jogando seus cabelos castanhos escuros, lisos e com pequenos cachinhos nas pontas, todos nas costas. Quando achou sua mãe, foi correndo ao seu encontro, já começando a falar – Mãe, eu comi muito brigadeiro, agora eu me sujei toda, e não dá pra brincar! - As mulheres que estavam juntas com a mãe de segundos atrás riram com a menina.
- Vem , vamos lá lavar.
- Sua filha, Martha?
- Ela sim . - Martha, a mãe de disse. Sorriu e voltou a falar – , essa é a , ela é tia da e do Paul. - a menina deu um beijinho na bochecha da mulher, sujando-a com brigadeiro - ! Sujou a !
- Desculpa tia !
- Magina querida – ela pegou um guardanapo e limpou a bochecha.
- Vou lá, lavar as mãozinhas dela e já volto! - Martha ia se virando com a menina no colo quando ouviram uma voz fininha dizendo:
- Mamãaaaaae! - um menininho com cabelo e , olhinhos e brilhantes apareceu correndo vindo da mesa aonde tinham os refrigerantes. - Mãe, mãe, eu to sujo. Mãe eu to sujo! O Paul derrubou fanta em mim mãe! - ele veio e abraçou as pernas de .
- Ah Martha, esse é o , meu filho que eu te falei!
e ficaram apenas se encarando.
- , essa é a Martha e essa é a , a filha dela.
- Oi Martha – ele disse. - Oi – Disse envergonhado.
- Oi .
#Off

Os pais de não eram muito presentes em sua vida. Eles eram donos de uma das empresas de marketing mais bem sucedidas de Londres, por isso, quase nunca estavam presentes, porque sempre ficavam trabalhando. E o nunca gostou de ficar preso em casa, muito menos com as babás que a mãe dele costumava chamar para tomar conta dele. Desde pequeno ele gostava de brincar, gostava de farra. E como em casa ele nunca pode muito disso, ele acabava vindo pra casa de seus primos, ainda mais que Paul era seu melhor amigo. Paul era um ano mais novo que nós três. Eu era a mais velha, depois vinha a , e por último o Paul. Eu e a eramos de maio, e o de setembro. Por ele sempre ser mais alto que nós duas, acabavam achando que ele era o mais velho, e eu por ser pequenininha, parecia a mais nova. Como eu sempre fui grudada na desde quando eu me conheço por gente, acabava passando muito tempo com ele também. Não que isso fosse ruim, pelo contrário, eu adorava estar com ele. E como agente passava bastante tempo juntos, nossa amizade foi crescendo, crescendo, e eu acabei me apaixonando.
Naquela foto nós dois devíamos ter uns 14 anos. Eu me lembro que quem bateu aquela foto foi a , nós estávamos no Hyde Park. Dava pra ver na foto que estava perto do pôr do sol. Aquela foto foi batida alguns dias antes dele ir embora, sem dar explicações. Olhei o post-it amarelo que estava colado na foto, por dentro do vidro. “BFF (L) eu te amo pequena. xx ”. Senti um vazio dentro de mim, um misto de emoções que se transformaram em uma única lágrima que escorreu pela minha bochecha e ela pingou e caiu no porta retrato. tinha me dado aquela foto no dia anterior de se ir embora. Ele tinha ido em casa falar comigo e me entregar a foto, e eu, ingênua, não percebi, que aquilo era uma meia-despedida.

#Flashback – 3 years ago.
- Ah , que linda essa foto! - eu disse, assim que abri o pacote que o tinha me dado. Ele me deu um porta retrato listrado branco e preto, e a foto era uma foto nossa, que nós tínhamos tirados uns dias atrás, no Hyde Park. Eu estava de cavalinho com ele.
- Eu sei que é linda, eu to ai – pretensioso! - é pra você não se esquecer de mim pequena.
- É claro que não , não vou me esquecer de você, nunca. Afinal, você não vai embora, certo?
Ele somente me abraçou, me deu um beijo no topo da cabeça.
- Eu te amo .
#Off

Meu melhor amigo, meu confidente, meu porto seguro, meu... namorado. Posso dizer que uma época da minha infância ele foi. Foi com ele que eu dei meu primeiro beijo. Nosso namorico infantil não durou nem duas semanas direito. Ri ao me lembrar do jeito fofo e infantil que o me pediu em namoro. Nós deveriamos ter uns 8 ou 9 anos, estávamos brincando com Paul e no quintal da casa deles. Paul chegou correndo, dizendo que o tinha pedido pra ele me entregar aquela metade de uma folha que estava dobrada no meio. Me lembro até hoje o que estava escrito – , eu gosto de você, quer namorar comigo? - e tinham dois quadradinhos embaixo, um com um 'sim' do lado, e outro com um 'não'. Eu assinei o sim, e falei para o Paul mandar de volta para ele. Uns minutos depois, me volta com uma florzinha amarela amassada na mão, e me entrega. [n/a: AAWN *-* essa parte foi um sonho que eu tive t1, parei q] Desde quando eu conheci o , eu sempre gostei dele. Não só como amigo, eu sempre senti uma coisa a mais por ele. As vezes eu achava que era confusão de sentimentos, mais depois de um tempo percebi que não era, que eu realmente o amava. Sempre soube como ele tratava as meninas que ele ficava e/ou namorava, não era um jeito muito delicado, eu tinha medo de que ele fosse o mesmo comigo. Para o meu próprio bem eu sempre tentei me convencer que ele era só meu melhor amigo, e mais nada a mais. Me fazia mal, e mesmo quando eu era criança eu sabia muito bem disso.
Guardei o porta retrato de novo dentro da gaveta do criado mudo, nota mental: trocar a foto de porta retrato. Olhei para o relógio em cima da mesma, e vi que já se passavam das 11 e meia da manhã, estava na hora de levantar. Eu ainda sentia minha cabeça bem pesada, mais não me importava mais com a claridade que atravessava a fina cortina creme que cobria minha janela. Eu costumava não me importar com nada quando o assunto era Jones. Mesmo depois de três anos sem notícias, três anos sem saber aonde ele estava, três anos sem vê-lo, eu ainda o amava. E saber que ele podia estar bem perto agora, me fez estremecer, e eu comecei a sentir algo quente fluindo dentro de mim.
Pensei ter ouvido batidas na porta, mais ignorei, levantando da cama e indo em direção do banheiro do meu quarto, prendendo meu cabelo em um rabo de cavalo alto com algum elástico que estava em cima da pia. Precisava de um banho. Fiz minha higiene matinal vagarosamente, tirei meu pijama e joguei em um cesto que tinha dentro do armário em baixo da pia, ligando o chuveiro logo em seguida. Eu sequer esperei a água esquentar, já entrei em baixo do chuveiro assim que o liguei, e me arrependi no segundo seguinte por ter feito isso, já que um jato de água trincando de gelada bateu na minha pele quente. Estremeci do dedinho do pé a cabeça pela mudança de temperatura rápida, mais por minha sorte, a água esquentou rápido. Tomei meu banho, calmamente, e saí do banheiro em meu roupão branco felpudo e me assustei a ver uma figura sentada em minha cama, folheando uma revista. Reconheci a pessoa de imediato, aquele cabelo cobrindo seu rosto nunca me confunde.
- Oi ! - [n/a: pensou que era seu guy? aahaha eu também q] ela, que estava super concentrada na revista de fofocas que estava lendo, me olhou com os olhos arregalados, colocou a revista ao seu lado na cama, e pulou em mim.
- ! - disse enquanto me abraçava. Não deu nem tempo de tentar abraçar ela de volta, já que no segundo seguinte ela se soltou, e colocou as duas mãos em meus ombros – O que deu em você hein? - já sabia o que estava por vir: como você vai embora da minha e nem me avisa sua doida? - Você me deixou preocupada sabia? Como você vai embora da minha casa e nem me avisa, sua doida? - não disse? Ela me olhou com todo aquele olhar maternal dela, tirou as mãos de meus ombros e começou a andar por meu quarto, gesticulando com as mãos enquanto falava. Eu estava parada, me segurando pra não rir, só olhando. - Tudo bem, com o quanto que eu tinha bebido ontem, eu com certeza não ia lembrar de nada que alguém tivesse me dito, mais custava me avisar que você não ia dormir lá dona ? Nós não tínhamos combinado que você ia passar a noite lá e ficar até hoje de manhã? Era teu aniversário também! - não consegui me segurar, e ri. Ela me olhou incrédula. Ri mais ainda e fui em direção ao meu armário, praticamente do outro lado do quarto em busca de um roupa enquanto se jogava em minha cama e voltava a falar – Você fica ai, rindo da minha cara, e eu aqui me preocupando à toa, pensando que algum maníaco tarado tinha se aproveitado de você, sua bitch! - continuei rindo, enquanto terminava de colocar minha calcinha e meu sutiã, ambos pretos, e ouvia bufando.
- amor, eu to bem não tô? Para com essa neurose toda! - fui para perto dela e me joguei em cima dela na cama, apertando suas bochechas, enquanto ela fazia carinha de dor. Continuei rindo, e ela deu um gemido de dor, tirando minhas mãos de suas bochechas, e colocando suas próprias em cima da onde eu tinha apertado, tentando fazer com que suas mãos fizessem a dor passar.
- Ai sua gorda, doeu! - ela resmungou. - Sai de cima de mim! - eu ri e sai, enquanto ela se sentava.
- Desculpa fofa! - levantei da cama, me virei pra ela - Obrigada por se preocupar. - ela bufou, e se deitou de novo. Fui para o meu armário novamente, pegando uma calça jeans escura, e uma blusa branca de mangas compridas, já que imaginei que a fosse querer me tirar de casa, e lá fora estava um pouco frio. Peguei uma meia e calcei minhas pantufas de garrinha, enquanto a voltava a falar, sobre alguma coisa que tinha acontecido na noite passada.
- Sabe a Marie Johson? Safada! Pegou seu Jason! - meu Jason, hunf. Tenho nojo desse cara. Sabe quando você fica com alguém, você pensa que está sendo as mil maravilhas, e quando você descobre que não era nem meia, e que ele é um puta de um galinha? É, Jason Kurts é assim.
- Meu Jason, hunf. Ninguém merece, e essa Marie já é bem corrimão na mão de todos né? - Continuamos conversando, até que eu senti fome, e decidi descer pra comer alguma coisa.
- E então, o que vamos fazer hoje? Eu sei que você não veio aqui só pra saber se eu tava bem né? - perguntei, assim que eu entrei na cozinha, indo direto para a geladeira, enquanto se sentava em um dos banquinhos do balcão.
Minha casa tava vazia, como sempre. Nem meu irmão Matt (por quem a tinha uma queda gigante) tava em casa hoje. Nos fins de semana, era mais fácil eu encontrar ou a casa vazia ou então uma garota desconhecida com o Matt em casa do que meus pais. Eles nunca paravam em casa, fosse porque estavam viajando a trabalho ou não. Depois dos meus 14 anos, passei a não ligar tanto pra isso. Mais dizer que eu não sentia falta de acordar e ouvir um 'Bom Dia, filha' vindo de mamãe ou de papai era mentira. Não que morar com seu irmão mais velho seja ruim, pelo contrário, é ótimo! Tem seus lados ruins, como você pode chegar de madrugada e ver seu irmão e uma garota semi-nua na sala da sua casa quase se comendo, ou então quando ele trás aqueles amigos que só bebem e fazem baderna na sua casa, mais tem seus lados bons também! Você não tem hora pra chegar, não tem que dar satisfação, e pode trazer quem quiser também! Matt confiava o suficiente em mim pra saber que eu não iria fazer nenhuma besteira. Mais também estranho chegar em casa as cinco horas da manhã e não encontrar mamãe na sala com os olhos vermelhos e cara de sono te esperando chegar em casa e querendo uma explicação. Ok, finge que eu não disse isso.
Abri a geladeira pegando o leite, enquanto a voltava a falar.
- Você não viu a mensagem?
- Que mensagem?
- Você não atende o celular, é claro que não viu minha mensagem. Minhas mensagens na verdade. Que grande amiga você. - ela continuou falando, e eu não prestei mais atenção. Estava tentando voltar na minha memória pra tentar me lembrar aonde eu tinha deixado meu celular. Não conseguia me lembrar aonde ele estava.
- Não consigo lembrar aonde está meu celular – dei voz aos meus pensamentos – Foi mal. - ela deu de ombros, e pegou uma maçã que estava na fruteira, começando a comer.
A verdade era essa, eu realmente não me lembrava aonde eu tinha deixado meu celular. não disse nada por enquanto, estava muito concentrada comendo sua maçã, e eu fazendo meu leite com achocolatado tentando me lembrar em que raios de lugar meu celular estava. Quando estava no meu terceiro gole, eu engasguei com o leite, ao me lembrar aonde estava meu celular. Mais é claro! Tossi algumas vezes, e logo voei para o telefone que tinha na parede da cozinha de casa, tentando discar os números de meu celular, que por nervoso pareciam sumir de minha mente. Segundos que pareceram décadas se passaram, mais o número veio em minha cabeça e eu logo disquei. Já fazia uma leve idéia de aonde estava meu celular, mais precisava que alguém atendesse, pra eu poder estar certa. Um, dois, cinco, oito toques depois, eu já estava pensando em desistir e desligar, alguém atendeu.
- Alô? - uma voz rouca disse do outro lado da linha.

Capítulo três.

Last night -


E lá estava eu, parado na frente da casa da . O que eu tava fazendo lá? Eu sabia, alguma coisa me dizia, que a pessoa que eu mais queria ver tava lá dentro. Três longos anos se passaram, todos eles sem vê-la, e podia ser agora que eu ia matar uma grande parte da saudade que eu tava sentindo dela. Eu sabia que hoje era aniversário da , e como ela e a são grudadas desde sempre, eu deduzi – e tinha uma parte de mim que me dava certeza – que elas estavam juntas. Eu já tinha passado primeiro na casa da , e estava tudo desligado, as luzes apagadas, então eu vim direto pra cá, que não é nem um pouco longe da casa dela, uns dois quarteirões ou menos pra ser sincero. Minha intuição não falha, ou costumava não falhar quando se tratava da , de algum modo eu tinha certeza que ela estava lá dentro. E não é de menos, é aniversário dela, e se ela continua a mesma, ela adora festas. E nada mais certo, que quando se faz aniversário se fazer pelo menos uma festa em comemoração certo? Certo. E uma festa com toda a certeza do mundo tava rolando lá dentro da casa da , dava pra reparar pela música alta que saía lá de dentro, pelos carros que estavam parados perto da casa e pelo número de gente que estava conversando, bebendo e fumando no jardim em frente a casa da minha prima. Com certeza, meus tios não estavam em casa, eles nunca gostaram de festas adolescentes, principalmente quando era em sua própria casa. Agora você me pergunta: já que você tá falando esse monte de blá blá blá e com tanta saudade dela, porque é que você ainda tá parado ai? E eu te respondo: e eu é que sei?
Chacoalhei a cabeça em negação e me movi, andando em direção a porta da casa. Como eu sou uma pessoa muito bem educada, ao chegar na porta eu toquei a campainha, e esperei... Podia acontecer de ninguém acabar atendendo, porque não tinha ouvido nem nada devido ao volume da música, mais uma garota com os cabelos loiros e compridos atendeu, e eu me assustei. Eu conhecia aquele rosto. Ela ficou alguns segundos me encarando com a sobrancelha enrugada até se pronunciar, quando suas sobrancelhas se desenrugaram e sua boca se tornou em algo parecido com um o.
- ? - ela falou com uma voz bem fina, e eu tinha certeza que conhecia aquela garota.
- Eu... - eu disse e a garota arregalou os olhos – Err... A tá ai? - coloquei a mão na minha nuca, e cocei. Nervoso? Talvez. É, eu estava nervoso.
- É você mesmo? - ela deu uma risadinha – Você tá tão diferente – ela riu de novo, e eu fiquei quieto – Você não tá se lembrando de mim né? - mordi o lábio e neguei com a cabeça – Christinne, Chris... Não lembra?
- Chris? É você? - ela afirmou com um “aham” e nos dois rimos – Nossa Chris, desculpa! Mais o que aconteceu com aquela garotinha baixinha, morena dos cabelos cacheados hein?
- O tempo passa , o tempo passa. Mais qual é, você realmente vai ficar ai parado, e não vai entrar pra me dar um abraço? - ela riu.
Chris era uma ex-namorada minha, acho que foi uma das únicas garotas que eu gostei bastante de namorar. Eu namorava com ela até antes de eu ir embora. Nós tínhamos terminado, claro, e eu tinha contado pra ela que eu ia embora. Ela ficou bem abalada. Me lembro de ter levado uma super bronca, mais depois Chris acabou entendendo o meu lado, e me prometido que não ia comentar com ninguém sobre isso. Muito menos com a . Ela era uma garota muito legal, e muito bonita. Ela era bem baixinha, tinha a pele bem branquinha, os cabelos longos, bem cacheadinhos, castanhos e tinha os olhos cor de mel. Se eu visse ela na rua, eu não iria reconhecer. Agora ela tava um pouco mais alta, estava com os cabelos bem loiros e lisos, e sua pele não estava mais assim tão branquinha, ela tava com um bronzeado diferente, que só dava mais destaque aos seus olhos. Linda. Dei um passo entrando na casa e a abracei, ela passou os braços por minha cintura, me abraçando de volta. Ficamos assim por alguns segundos, até ela nos soltar e continuar a falar:
- Respondendo sua primeira pergunta, sim a tá aqui, só que eu não faço idéia aonde - ela olhou para os lados, e depois me olhou de novo – Quer que eu vá chamá-la?
- Você pode?
- Claro! - ela se inclinou e deu um beijo na minha bochecha – Agente se cruza por ai ! - sorriu e deu meia volta, indo andando e rebolando para a sala, aonde a maioria das pessoas estavam. Sorri sozinho.
Eu tinha chegado a Londres hoje a tarde, e estava ficando em um hotel qualquer por enquanto. Porque assim que eu disse para meu pai que estava voltando para cá, ele disse que eu podia procurar meus tios que eles me ajudariam no que eu precisasse, até que ele estivesse de volta a cidade. E esse era mais um dos motivos de eu ter vindo aqui na casa da . Esse era importante, mais não era mais importante do que falar com a , matar pelo menos uma parte da saudade que eu sentia dela. Eu não tinha vindo mais cedo falar com nenhuma delas, porque assim que eu saí do avião, eu fui direto para o hotel, e acabei pegando no sono. Dormi a tarde inteira e uma grande parte da noite, e agora aqui estou eu, esperando minha querida prima vir aqui me receber e...
- ? O que o tá fazendo aqui Chris? Não pode ser, ele está em Atlanta agora e... - ouvi a voz da minha prima falando bem alto perto de mim, e assim que me viu, ela deu uma pausa e parou, arregalando os olhos – PUTA. MERDA. - eu ri fraco – , o que você tá fazendo aqui? Mais que porra garoto, você volta do nada e não me avisa? Você tem algum tipo de problema é? - ela falava descontroladamente enquanto vinha pra mais perto de mim, e a Chris dava risada e se virava pra voltar pra sala.
- Nossa prima, é muito bom te ver também, eu também estava morrendo de saudades.
- SEU OTÁRIO, MAIS QUE SAUDADE DE VOCÊ! - gritou enquanto pulava em mim e me abraçava, dando alguns gritinhos histéricos, que pareciam de felicidade. - Mas hein, aonde é que você se meteu esse tempo todo?
- Longa história , outro dia eu te conto ok? - eu disse rindo enquanto a abraçava de lado, com meu braço em cima dos seus ombros.
- Você acha mesmo que eu vou perder essa festa toda pra ouvir história pra boi dormir? NEM MORTA!
- Obrigado pela parte que me toca – eu disse me fingindo ofendido, rindo depois.
- Um dia você me conta babe. - ela tirou meu braço de seus ombros – Vem , tá na hora de curtir a festa, vamos pegar uma cerveja!
pegou minha mão e foi me puxando pra cozinha aonde as bebidas deveriam estar. Mesmo com a música alta, ainda ia falando algumas coisas pra mim, que na verdade eu nem estava prestando tanta atenção assim, e eu acabava não entendendo nada. Eu estava preocupado com outra coisa, eu estava interessado em achar outra pessoa. E outra que a música alta e a falação das pessoas ali presentes não ajudavam em nada, até porque nem pra ela eu olhava, passava meus olhos por cada rosto ali presente, me recordando vagamente de alguns deles e chegando até a tropeçar por minha falta de atenção. Chegando na cozinha, foi até a geladeira, pegando duas garrafas de cerveja, as abriu e me estendeu uma delas. Nós batemos as garrafas num brinde, agradeci com um sorriso e logo virei quase metade do conteúdo. Ela continuava falando bastante, um hábito que eu percebi que não tinha mudado, nunca parava quieta. E ela estava bastante diferente da ultima vez que eu tinha a visto, obviamente. Antes, tinha os cabelos bem compridos, lisos e bem escuros, e agora eles estavam bem mais claros, não chegavam a ser loiros, e estavam cortados na altura dos ombros. sempre foi bem magrela, e agora ela estava um pouco mais cheinha e tinha adquirido curvas. Qual é? Ela é minha prima, mais eu sou homem! E não sou de ferro.
- Mais então meu querido priminho, qual foi o motivo da sua visita em minha humilde residência? - ela perguntou rindo.
- Como você viu , eu estou de volta a Londres e meu pai disse que se eu precisasse de ajuda eu podia vir aqui na sua casa que seus pais iriam me receber de braços abertos.
- Hm... E você tá precisando do que na verdade? - ela deu mais um gole na sua cerveja – Porque não sei se você percebeu, mais meus pais não tão aqui em casa, e quem tá ficando aqui comigo geralmente é a , porque os pais dela foram visitar os avós eu acho e... AI MEU DEUS! - ela gritou – IMAGINA A CARA DA QUANDO ELA TE VER! - ela bateu as mãos em estilo “foquinha” e deu um gritinho animado. - Vem , vamos atrás dela! - pegou a minha mão que estava livre da garrafa e me puxou para fora da cozinha, esquecendo completamende do que nós estávamos conversando.
Ela mal terminou de falar e já deu esse ataque. Talvez não estivesse mais assim tão sóbria, mais se ela estivesse se divertindo, já era um passo dado. E a diversão com álcool só fica melhor ainda. Nem prestei atenção direito aonde estávamos indo, estava tão distraído que um instante depois já tínhamos parado de andar, estávamos no mesmo lugar de antes, no hall de entrada da casa.
- Hoje é aniversário dela, ela vai ficar tão feliz! - ela deu um gritinho de animação, batendo palmas rapidamente e nós dois rimos. Do nada, ela parou de rir e me olhou séria, colocando suas duas mãos nos meus ombros enquanto falava – Fique aqui esperando , que eu vou atrás dela, e falo pra ela vir aqui ok? - ela riu escandalosamente, tirou as mãos dos meus ombros e foi saltitando em direção da sala, começando a gritar – ! só podia ser doida. Eu dei risada e me encostei na soleira da porta aonde eu estava alguns minutos atrás. Talvez nem tudo estivesse assim tão mudado, mesmo estando bêbada, dava pra ver que ela continuava a mesma menina alegre e faladeira que sempre foi. Mudanças tinham acontecido, é claro que tinham, afinal, o que é uma vida sem mudanças? E finalmente eu iria ver a pessoa que eu mais senti falta esse tempo todo. Pra ser sincero, eu estava bem ansioso e curioso para ver o que o tempo fez com a minha pequena, minha melhor amiga... Se é que eu ainda podia chamá-la assim. Queria muito saber se ela continuava baixinha como sempre foi, queria saber se ela continuava teimosa, queria saber se ela continuava a minha , sem tirar e nem por. Dei mais um gole na minha cerveja que estava quase no fim, e fiquei olhando para um ponto qualquer daquele tapete que tinha bem na entrada da casa. Estava tocando uma musica eletrônica bem alta e animada, que era desconhecia por mim, e eu tentava me lembrar se eu realmente não conhecia aquela música. Estava tão concentrado vasculhando a minha memória que mal percebi a presença de outra pessoa na entrada da casa.
Meu olhar foi subindo de seus pés e passando por todo seu corpo, encontrando direto com o dela, e eu sorri. Ela estava linda, continuava linda. Continuava com os mesmos cabelos castanhos compridos e lisos, só que as pontas agora estavam um pouco mais claras que o resto do cabelo. Do jeito que eu imaginei que ficaria. Ela continuava baixinha, e parecia um pouco mais magra que o normal. Só que seu olhar continha um misto de emoções, não dava pra definir muito bem, eram sentimentos demais, diferentes e destintos demais. Tristeza, carinho, saudade, mágoas, surpresa. Surpresa, o que eu percebi que mais estava presente no olhar de . Seus olhos estavam arregalados. Com certeza, eu devia ser a última pessoa que ela imaginaria parado naquela porta. A garrafa de cerveja que ela bebia escorregou de suas mãos e quicou no chão, derrubando no chão o conteúdo de dentro da mesma, mais ela pareceu nem ligar. Eu abri meus braços na esperança que ela viesse em minha direção e se aconchegasse em meus braços em um abraço que eu tanto senti falta, mais ela nada fez. Ficou parada, estática, parecia que estava em uma espécie de transe.
- Feliz aniversário pequena! - já que eu não vi reação nenhuma vindo dela, depois de alguns minutos resolvi me pronunciar, e novamente, ela não fez nada. Eu dei alguns passos para me aproximar dela, mas ela deu um passo em falso para trás, eu parei de andar no mesmo instante – Qual é, tá com medo de mim? - perguntei.
Ela não respondeu nada, não falou nada, e eu também não falei mais nada, achei melhor dar um tempo para ela raciocinar. Alguns segundos se passaram, e ela deu mais um passo para trás. O sorriso que tinha em meu rosto se desmanchou e meu coração se apertou assim que eu vi ela me dando as costas e indo em direção a aquele bolo de gente que estava na sala. Eu sabia que ela não ia ficar no meio daquelas pessoas, se eu ainda a conheço, quando ela fica assim tão assustada ou surpresa, ela vai querer ficar sozinha, e provavelmente para chorar. E ver a chorando era, de longe, a última coisa que eu queria ver. E ficar aqui parado também estava fora de cogitação. Deixei a garrafa de cerveja que eu estava bebendo em cima de um aparador que eu encontrei no caminho, e saí em busca da . Eu olhava para todos os lados, e nada. Trombei com alguém, e eu não teria prestado a mínima atenção se a pessoa não tivesse falado comigo.
- Oi . - Chris falou animada ao me ver.
- Chris, você viu a ? - perguntei, e percebi sua animação se esvair aos poucos.
- Hm, ela acabou de passar esbarrando em todo mundo, acho que ela foi lá para o quintal. - apontou para a porta dos fundos.
- Ok Chris, valeu.
E eu atravessei a sala meio que correndo indo em direção a porta dos fundos que dava no quintal. Não demorei muito para chegar lá, e logo a vi sentada em uma das redes que estavam penduradas em duas das muitas árvores que ali estavam. Fui andando em sua direção e logo percebi que ela estava chorando. Muito bem , um ponto a menos para você. Meio receoso, me sentei ao seu lado na rede e estava em dúvidas se devia abraçá-la ou não. Assim que sentei na rede, seu choro se intensificou, e eu não resisti e acabei a abraçando. Era muito, mais muito bom sentir ela novamente em meus braços, mesmo ela estando chorando e sabendo que o motivo daquelas lágrimas não era nada mais nada menos do que eu mesmo. Eu a abraçava forte e fazia carinho em suas costas, com o objetivo de confortá-la e os minutos foram se passando, e eu percebia que com a medida que o tempo passava, as lágrimas que escorriam dos olhos de e molhavam minha camisa iam cessando, e ela ia se acalmando. Quando parou de chorar por completo, ela desfez nosso abraço, limpou seu rosto e as últimas lágrimas que ainda escorriam por seu rosto e ficou olhando para um ponto fixo a frente, sem falar nada. Desde quando cheguei, eu ainda não tinha conseguido ouvir sua voz. Ficamos mais alguns minutos em um silêncio estranho, até que eu não aguentei mais e resolvi falar.
- , o que aconteceu pra você me repelir daquele jeito? Eu vim aqui te ver, e quando eu chego você... - ela me interrompeu e começou a rir, ironicamente e balançando sua cabeça negativamente. Eu fiquei a olhando, o que ela estava fazendo?
- Cala a boca . Você ainda pergunta porque eu sai de perto de você? - deu uma risadinha, e não tinha olhado pra mim ainda. - Você não deveria nem ter vindo. Péssima escolha. Vai embora. - ela se levantou para ir embora, mais eu não deixei, a segurei pelo braço.
- ... - tentei de novo.
- O que você tá fazendo aqui ainda? Eu não te mandei ir embora não? - riu ironicamente , mais uma vez, e finalmente me olhou. - Some daqui garoto.
- Você está bêbada. Você não falaria essas coisas se estivesse sóbria.
- Vou falar mais uma vez – ela deu uma pausa e respirou fundo antes de voltar a falar – VAI EMBORA ! - ela gritou, tentando se soltar de minhas mãos. Eu já não tinha mais noção do que machucava e do que não, eu não podia deixar ela ir, não mesmo. - VOCÊ TÁ ME MACHUCANDO, ME SOLTA!
- Para de fazer escândalo! Vamos conversar! - me alterei também.
- Não quero. Vai embora.
- Não. - eu disse firme a olhando, que alternava o seu olhar entre o meu e seu pulso. - Você está bêbada.
- E daí? - fixou seu olhar em mim. - Vamos fazer um trato, você deixa sua melhor amiga bêbada aqui, e vai atrás de qualquer outra, que tal? - outch, essa doeu. Depois dessa, soltei seus pulsos, ela parecia que ficou aliviada, mais mesmo assim, ainda continuava ali.
- Não tenho motivos pra te deixar . - eu disse em um tom mais baixo. riu novamente, mais dessa vez ela riu escandalosamente. Eu a olhei incrédulo.
- Não precisa, você já fez isso uma vez antes mesmo. - ela me deu as costas, e sem olhar para trás me deixou sozinho, sentado na rede, a olhando andar apressadamente de volta para a sala da casa.
Eu sabia que não adiantaria nada ir atrás dela agora e por isso, resolvi deixá-la ir sem argumentar mais nada, e amanhã a procuraria novamente para conversar. sempre foi bastante cabeça dura e bem teimosa, não adiantava nada eu querer ir falar com ela agora, ela talvez estivesse bastante surpresa com a minha volta, e eu no lugar dela também ficaria. Afinal, se você gostasse tanto de uma pessoa como eu sabia que gostava antigamente de mim, e do nada essa pessoa vai embora sem mais nem menos, e do nada ela volta e te procura, você agiria do mesmo jeito que ela? Eu agiria. Antes de me levantar da rede pra poder sair dali, coloquei as mãos na mesma para me apoiar e vi que tinha colocado a mão em alguma coisa mais dura, eu não podia ser o chão, já que a rede não estava assim tão baixa. Era um celular, e nada mais óbvio que esse celular ser de quem estava aqui comigo a minutos atrás. E minhas suspeitas foram confirmadas assim que eu abri o flip do celular e vi uma foto de no papel de parede, só que ela não estava sozinha. Junto com ela, um menino de olhos fechados beijava sua bochecha, enquanto ela sorria. Quem era esse menino? Balancei a cabeça, e fechei o flip. Assim que o fiz, o celular vibrou e apitou: uma nova mensagem.

cadê você ?
acabei de chegar e to te procurando, mais não te acho!
quer parar de fugir de mim? haha xx


? Mais quem é ? Acho que ele deve ser o namorado dela, ou será que é o menino da foto? Se não forem namorados, então são bem amigos, para ela colocar uma foto deles de plano de fundo, e ainda por cima beijando ela...
Guardei o celular no meu bolso e me levantei. Já que não adiantaria nada correr atrás dela hoje, o melhor era aproveitar o resto da noite que me sobrou. Voltei para sala e estava em busca da para ir atrás de mais uma cerveja.
- E ai perdido! - alguém bateu no meu ombro, e então eu me virei para ver quem era.
- Paul! - meu primo, que foi a única pessoa daqui que eu tinha mantido contato, bateu em meu ombro.
Ele tinha ido me buscar no aeroporto hoje mais cedo, mais saiu correndo porque disse que tinha que ir encontrar com a namorada. E em falar em namorada, acho que a própria deveria ser a menina que estava ao seu lado.
- E ai cara! Nem sabia que você vinha, pensei que ia ficar no hotel. - me estendeu sua garrafa, e eu logo tomei alguns goles. Devolvi a garrafa para ele enquanto ele voltava a falar – Ah, essa aqui é a Cassie, minha namorada. - suspeitas confirmadas, ele apontou para a menina que estava ao seu lado. Virou-se pra ela, e disse. - Cassie, esse é meu primo , era com ele que eu estava de manhã, ele chegou de Atlanta hoje.
- Oi – disse ela, com uma voz bem fininha e fraquinha. Ela era ruiva, tinha algumas sardinhas no rosto e era bem baixinha com os olhos verdes.
- Oi Cassie – retribui sorrindo. - Viu Paul, aonde tem mais cerveja? To tentando achar a , porque ela que me deu uma a hora que eu cheguei.
- Segue reto, e é a última porta a esquerda, na cozinha. Ué, você não lembra da minha casa?
- Não era mais fácil você dizer que estava na cozinha? - rimos de leve, e eu dei uma batidinha no seu ombro e sorri fraco para Cassie. - Vou lá, a gente se cruza por ai.
E eu saí de lá, e fui direto para a cozinha. Ela estava vazia, exeto por uma pessoa que me comprimentou assim que eu entrei na mesma.
- Hey ! - disse animada.

***

- E então, foi por isso que eu tive que ir embora – dei mais um gole na minha cerveja. - E agora eu estou aqui de volta!
Eu estava na cozinha conversando com a Chris já fazia um bom tempo, e essa era a única noção de tempo que eu tinha agora. Não sabia mais que horas eram, ou então em qual cerveja eu estava. Meu motivo? Se é pra aproveitar a noite, que se aproveite com dignidade. Nós dois já estávamos conversando e rindo de qualquer bobagem, e dava muito bem pra perceber que a Chris já estava bem mais loucona que eu. A festa ainda continuava rolando, e muita gente ainda estava presente. Tinha dado uma boa esvaziada, obviamente, ou as pessoas que estavam lá tinham ido embora, ou então estavam em algum canto da casa se agarrando, e eu não sei dizer ao certo, é claro. E isso não me importava nada, realmente não me importava.
- Hm... entendi! Mais eu já sabia disso , esqueceu? - Chris disse dando um peteleco no meu nariz, e eu olhei para o lado para poder revidar, mas ela não estava mais lá. Pelo contrário, ela estava na minha frente, parada, e com um sorriso que eu reconheci de imediato.
- O que foi Chris? Porque você tá me olhando as...
- Shii... - ela colocou o dedo na frente da minha boca, me cortando e me impedindo de falar – Todo esse tempo sem você ... eu já disse que senti sua falta? - ela falava com a mão que antes estava na minha boca e agora estava na minha nuca, fazendo um carinho bom, e sua voz estava um pouco embolada, mais eu não me importei. Eu ia tentar falar alguma coisa, mais não consegui, ela me cortou de novo. - Não precisa falar nada – e então, ela chegou mais perto de mim, e me deu um selinho. Ela ia se afastar, mais eu não deixei, é claro. A segurei pela cintura e puxei-a para mais perto, logo aprofundando o nosso beijo.
- Vem , vamos dançar! - Chris disse, assim que partimos o beijo nada curto se quer saber, me puxando pela mão para a sala aonde a pista de dança improvisada ainda estava bombando.
É, pela milésima vez, se é pra aproveitar o resto da noite, que se aproveite da forma correta certo? Certo.

***

- , eu vou pegar mais uma cerveja lá na cozinha, você quer? - Chris me perguntou assim que mais uma música acabou, e logo em seguida outra começou. Nós ficamos nos amassando e dançando por mais ou menos meia hora depois que saímos da cozinha.
- Não Chris, valeu. Vai lá, eu vou ficar aqui te esperando. - sorri.
Ela afirmou com a cabeça, se aproximou de mim e me beijou antes de se virar e ir em direção da cozinha para pegar sua cerveja. Eu já tinha resolvido parar de beber por hoje, porque já tinha bebido bastante e eu tenho plena consciência disso, ou pelo menos eu acho que tenho. Chris não tinha bebido muito menos que eu, mais se ela quer continuar bebendo, quem sou eu para falar alguma coisa? Ri sozinho de minha observação idiota, e comecei a reparar em volta. A festa não estava mais tão cheia, deu a impressão que depois que eu sai da cozinha e vim pra sala/pista, muita mais gente já tinha ido embora. Afinal, a festa já estava rolando a bastante tempo, mais mesmo assim, várias pessoas ainda estavam na festa, e sem contar que a música alta e a bebida ainda rolavam na boa. Avistei meio longe em um dos cantos da sala, em volta de três caras que eu acho que não conhecia, e logo nossos olhares se bateram e ela acenou para mim sorrindo, como se me chamasse com a mão, para que eu fosse para perto dela e dos caras que pareciam estar tomando cerveja e tequila, já que algumas garrafas e latinhas de cerveja estavam no chão, e uma garrafa de José Cuervo na metade estava em cima do balcão que ficava preso na parede junto com um potinho de sal, e alguns gomos de limão já usados.
- ! Que bom te ver, pensei que você já tinha ido embora! - disse me abraçando assim que eu cheguei perto de sua rodinha e parei ao seu lado.
- Ainda não , pelo caso tá me expulsando? - eu disse sorrindo, e ela me deu um soco fraco no ombro.
- Claro que não, seu besta. - ela riu. - Ah, deixa eu apresentar vocês. - apontou para mim, e quando falou, os outros caras me olharam. - Meninos, esse é o , meu primo que eu comentei agorinha que acabou de chegar de Atlanta. , esses são – apontou pro garoto que estava ao seu lado, – John – apontou para o moreno de olhos claros ao lado de , - e – apontou para o outro que estava ao meu lado.
- E ai dude? - o falou, e eu sorri cumprimentando-o e os outros com um aperto de mão. Antes que eu pudesse responder qualquer coisa a , um outro cara entrou na roda com mais umas três garrafas de cerveja, e alguns gomos novos de limão em um pote branco.
- Foi mal a demora ai gente, mais eu me enrolei na cozinha, tinha uma loirinha lá, que não deu pra deixar passar!
Ele colocou todas as garrafas em cima da mesa, e logo pegou uma, John outra e a que sobrou ele abriu e virou um gole, abriu a dos caras e colocou o pote em cima da bancada também. E só então eu fui reparar no cara. Ele era , e eu tinha a leve impressão que eu já tinha visto aquele cara e aquele cabelo em algum lugar.
- Ah , esse é o . , esse é meu primo , que eu te falei sabe?
- E ai cara? - ele estendeu a mão para me cumprimentar fazendo com que eu pudesse ver com mais clareza seu rosto, e eu, mesmo o achando estranho e eu estando um pouco receoso, o cumprimentei. - Quer uma? - estendeu a garrafa pra mim.
- Valeu cara. - ele deu de ombros, prestando atenção em que foi a próxima a falar.
- Então , o que te faz ficar aqui até mais tarde em minha humilde festinha?
- To só curtindo, e eu precisava terminar de falar com você né, porque a hora que nós estávamos conversando você deu um chilique todo a hora que lembrou da .
- A Dionísio? - interrompeu. Respirei fundo.
- A mesma. - respondeu por mim. - É verdade, você nem terminou de falar.
- Porque será né? - eu disse, e os caras riram entrando em suas próprias conversas logo depois.
- Idiota. - ela disse rindo e rolando os olhos. - Mais o que é então?
- Como eu tinha dito, meu pai disse que quando eu tivesse voltando pra cá, se eu precisasse de alguma coisa, era pra eu vir aqui e falar com seus pais que eles me ajudariam. E por enquanto eu to ficando lá no hotel e...
- Pera ai. Você precisa de um lugar pra ficar? - perguntou me interrompendo.
- É.
- E porque não disse antes?
- Porque alguém não deixou, sabe?
- Otário. - rolou os olhos rindo novamente. - Pode ficar sim , estamos precisando de uma faxineira nova mesmo. - Ela brincou e quem rolou os olhos dessa vez fui eu. - É brincadeira priminho, mais amanhã nós vamos ter que encorporar a faxineira mesmo, olha o estado que essa casa vai ficar. Ai de mim se meus pais chegarem e verem a casa assim...
Ficamos rindo de coisas aleatórias por alguns minutos, e eu percebi que aquele pegava seu celular de cinco em cinco segundos do bolso, provavelmente esperando uma ligação ou mensagem de alguém, que eu tinha uma parcial idéia de quem era. E de vez em quando eu sentia o bolso da minha calça vibrar, mais não fazia um movimento sequer.
- O que foi ? - perguntou - Você ta olhando esse celular de cinco em cinco segundos... - pareceu que ele tivesse lido meus pensamentos. - Aconteceu alguma coisa?
- Cara, to preocupado com a . Não consigo falar com ela desde o começo da festa, e eu não encontro ela em lugar nenhum!
- É verdade, ela sumiu - disse - , não era você que tava com ela? A ultima vez que eu falei com ela foi quando eu pedi pra ela procurar você.
E agora? Eu devia falar que ela saiu correndo de mim ou falar que não fazia ideia aonde ela estava e deixar aquele tal de ir atrás dela?
- Eu não sei aonde ela ta gente, depois que ela falou comigo, ela disse que ia procurar uma tal de , e nem apareceu mais. - menti descaradamente, falando o primeiro nome feminino que me veio em mente.
- Falando de mim? - Uma menina dos cabelos bem escuros e compridos apareceu do meu lado, e colocou uma das mãos em meu ombro, e depois me olhou com uma cara estranha - Hey, eu não conheço você! - ela tirou a mão do meu ombro e riu, parecendo envergonhada. Salvo pelo gongo, e olha que eu nem conhecia essa menina e nem fazia a menor ideia que a tinha uma amiga chamada . Pelo jeito, a sorte quis aparecer por aqui agora.
- essa é a . , esse é o , meu primo que chegou hoje de Atlanta. - falou nos apresentando.
- E aí ? - disse agora mais animada, me dando uma "bochechada", parecendo já estar um pouco alegrinha -O que vocês tão fazendo gente? E porque o que nem me conhece falava de mim?
- Prepotente - disse revirando os olhos, e fazendo os outros que estavam na roda, até eu mesmo sem entender o que acontecia, rir.
- Idiota - ela que estava ao meu lado, disse um pouco mais baixo, bufando e balançando a cabeça negativamente. - E então? - tá atrás da , que antes estava com o que disse que ela tinha ido procurar você. - disse rapidamente, fazendo olhar pra ele com uma cara de quem não tinha entendido nada.
- Eu tava dançando com a , mas faz tempo já. A ultima vez que eu vi ela foi quando a foi chamar. - silêncio.
- Ai meu pai, ela deve estar por aí gente, relaxa. - cortou o silêncio, parecendo estar de saco cheio e dando de ombros.
- Vou atrás dela - disse e saiu da roda. - Mais silêncio. E o celular no bolso da minha calça só vibrava. De uma coisa eu estava quase certo, aquele só podia ser o garoto que estava na foto do celular da . E depois de saber que era ele mesmo, eu já sabia que eles deveriam ter uma ligação bem forte, afinal, ele não estaria preocupado com ela sem motivos. E eram esses motivos que me estavam incomodando.
- ! Vem, é sua vez de virar uma. - disse cortando o silêncio, a puxando pela mão. E ela acabou me puxando junto.
- Vai também? - John perguntou quando nos aproximamos da bancada aonde eles estavam.
- Porque não? - eu disse rindo.
Copinhos enchidos, sal na mão e os gomos de limão dentro do prato na nossa frente, começou a contagem com ao seu lado.
- Um, dois, três e...
Coloquei o sal na boca, virei o copo e depois chupei o gomo de limão, sentindo a tequila descer rasgando em minha garganta. Logo um sorriso involuntário surgiu em meu rosto, e em diferença de pequenos segundos, eu vi que tinha sido o primeiro a virar o copinho. Bati o mesmo na mesa, sendo seguido por , que bateu a mão em hi-five comigo em seguida.
- Há! Como sempre os mais rápidos. - ela disse animada. Rimos juntos e eu senti uma mão leve em meu ombro.
- – Chris me virou com uma voz chorosa. - Vou ter que ir agora, vim me despedir.
- Ah, que fofa. - Puxei-a e dei um selinho, que ela logo transformou em mais um beijo.
- Vamos Chris! - uma garota que estava um pouco afastada de nós gritou, fazendo nós dois se afastarmos e ela me mandar um beijo quando já estava indo em direção a essa mesma garota.
- Não acredito que você tava se pegando com a Chris – disse, me olhando com uma cara incrédula.
- Ué, porque? - perguntei, confuso.
- Nada, esquece. - balançou a cabeça negativamente, e logo riu. - Vem, vamos mostrar pra esses panacas quem é que são os mais rápidos em virar esses shoots de tequila!
Depois dessa frase, muitas risadas com as histórias hilárias que os caras contaram, chingamentos e sorrisos bobos da parte de e entre eles mesmos, um beijo bem quente da minha prima e e mais alguns (vários) shoots virados, eu juro que não me lembro de mais nada daquela noite. Só me lembro que mais tarde, bem mais tarde, quando o sol já estava quase pra nascer, eu fui pro quarto de hóspedes da casa da , e caí, literalmente, na cama.

***

- VOCÊ TÁ ME MACHUCANDO, ME SOLTA!
- Para de fazer escândalo! Vamos conversar!
- Não quero. Vai embora.
- Não. Você está bêbada.
- E daí? Vamos fazer um trato, você deixa sua melhor amiga bêbada aqui, e vai atrás de qualquer outra, que tal?
- Não tenho motivos pra te deixar .
- Não precisa, você já fez isso uma vez antes mesmo.


- Ai, merda. - sentei assustado e correndo na cama, e me arrependi no segundo seguinte que eu fiz.
Uma dor que chegava a ser insuportável tomou conta da minha cabeça e a luz de quando eu abri meus olhos dava impressão de queimar meus olhos. Não estou exagerando, experimenta tomar um porre de barriga vazia? Vai ver a ressaca que te dá no dia seguinte, assim que você acorda. Levei minha mão a cabeça, pressionando-a com intenção de fazer a dor passar, mais nada adiantou. A primeira imagem que veio em minha cabeça foi o rosto de , primeiro quando eu a vi, parada em minha frente no hall de entrada da casa. Um momento que eu estava esperando por um bom tempo, quando eu fosse realmente vê-la, e como sempre eu consegui fazer não dar certo. Depois a imagem de seu rosto, molhado por aquelas lágrimas que foram derrubadas por minha causa, e como ela parecia não ter ficado assim tão bem ao me ver. Quando ela estava aninhada em meu peito, e eu a abraçava fraco, somente querendo passar algum tipo de conforto, mesmo sabendo que lá no fundo, não estava ajudando em nada. Mas eu sabia que ela ficaria bem, ela sempre fica, só precisava de... tempo.
Juro que eu tinha ouvido a campainha tocar, mais dei de ombros. Passei minha mão por meu rosto, nervoso. Eu não queria ter que pensar sobre isso agora, eu só queria levantar da cama, tomar um banho bem demorado e tomar uma aspirina pra essa maldita ressaca passar e quem sabe mais tarde eu fosse atrás dela.
She won't ever get enough, once she gets a little touch, if I had it my way, you know that I'd make her say: oooooh oooooh" (Ela nunca vai conseguir o suficiente, uma vez que ela tenha sido tocada, se eu tivesse do meu jeito, você sabe que eu faria ela dizer: oooooh oooooh)
Uma música dos infernos de uma banda que eu não fazia idéia de qual era começou a tocar de algum lugar do quarto. E a cada segundo que eu pensava e cogitava a idéia de que o lugar que a música saía era bem ao meu lado, esse som estranho que eu nunca tinha ouvido ia ficando mais alto e mais alto. Até que eu olhei pro criado mudo ao meu lado e vi o celular de vibrando, com o identificador de chamadas dizendo que a chamada era de alguém que eu não consegui ver de primeiro, já que minha visão estava um pouco embaçada e o tamanho da letra do visor também não ajudava muito.
She won't ever get enough, once she gets a little touch, if I had it my way, you know that I'd make her say: oooooh oooooh" (Ela nunca vai conseguir o suficiente, uma vez que ela tenha sido tocada, se eu tivesse do meu jeito, você sabe que eu faria ela dizer: oooooh oooooh)
E a música não parava de tocar e de repetir, a mesma coisa sempre. Fiquei com um pé atrás para atender, mais percebi que não custava nada, afinal, o que eu mais queria era acabar com aquela música que só ficava cada vez mais alta e repetitiva. Depois de pensar e repensar em atender, abri o flip do celular e coloquei-o em minha orelha, sem mesmo me lembrar de re-olhar o identificador.
- Alô? - percebi minha voz rouca, já que tinha acabado de acordar. E nada. Ninguém respondeu nada. Pigarreei para minha voz ficar melhor, e voltei a falar. - Err... Alô?
- ? - Ouvi a voz de dizer do outro lado da linha uns segundos depois quando eu já estava pensando em desligar, e meu coração começou a acelerar seus batimentos. Quem ficou quieto dessa vez fui eu. - , é você? - falou novamente, pigarreando nervosa. Não falei nada, não conseguia falar nada. Ouvi a voz de reclamando alguma coisa atrás, mais acabei não entendendo. É claro que não.
- Oi, é... . - respondi, ainda inseguro.
- , o que meu celular tá fazendo com você? - ela disse, e eu percebi que seu tom de voz já estava um pouco mais elevado.
- Você deixou ele em cima da rede ontem a noite , então eu peguei e to com ele até agora, mais...
- Aonde você tá? - ela perguntou me cortando, mais uma vez.
- Eu… Eu não sei aonde eu estou. - respondi com a voz mais baixa. Eu não sabia mesmo aonde eu estava. Do tanto que eu bebi ontem, para lembrar aonde eu tinha dormido no estado que eu estava agora não era uma coisa assim tão fácil de se fazer. Até que eu olhei em volta pra aquele quarto desconhecido. Que não era, aliás, tão desconhecido assim. Era o quarto de hóspedes da casa dos meus primos. Suspirei assim que lembrei, me sentindo um pouco, bem pouco, mais aliviado, ainda continuando em silêncio.
- COMO ASSIM VOCE NÃO SABE AONDE VOCÊ ESTÁ ? - perguntou gritando já bem exaltada, ao perceber meu silencio. E quando eu percebi que ela começou a gritar, desencostei um pouco o celular do ouvido e fiz careta. Ela tinha mesmo que gritar com a dor de cabeça que eu tava?
- Na , eu to na casa da . E não grita, por favor.
Vi que ela respirou bem fundo, e parecia estar se concentrando, já que ficou quieta por uns segundos até voltar a falar.
- Você não pode me me chamar de . E eu grito se eu quiser. Não é você quem vai me dizer o que fazer ou não.
Silêncio. Em ambos os lados. tinha sim motivos para ficar brava comigo, afinal quem tinha sumido fui eu, mas ser grossa e gritar, aí não dava. Mais brigar com ela e revidar com mais gritos era a ultima coisa que se passou por minha cabeça.
- ... , desculpa. Eu não to com cabeça pra gritar agora, e nem brigar eu quero, por favor. Seu celular vai ficar aqui na casa da , fica tranquila que eu não vou sumir com ele e muito menos vou olhar o que...
O barulho do "tu, tu, tu, tu" foi tudo o que eu ouvi antes que eu pudesse terminar o que eu estava dizendo. Mais quer saber? Isso me irritou. E muito. Eu tentei ser o mais educado e compreensível possível, na ressaca que eu me encontro, e ela me trata assim? Se ela queria ficar com gracinhas, eu ia fazer gracinhas também. Como eu já disse, ela tem motivos pra estar brava, e eu imagino que ela esteja MUITO brava, mais educação não faz e nunca fez mal a ninguém. Percebi que eu ainda continuava com o celular encostado na orelha ainda ouvindo o barulho irritante de quando se desliga uma ligação telefônica, tirei-o de lá e fechei o flip de um jeito um tanto quanto bruto, já que ele fez um rangido estranho. Me levantei da cama, jogando o edredom que estava em cima de mim de qualquer jeito do outro lado da cama de casal aonde eu dormi noite passada, aproveitando pra tirar minhas meias e minha camiseta que eu tinha dormido jogando-as junto com minha mochila e minha calça que estavam num canto do quarto, ficando apenas com minha boxer preta e indo direto para o banheiro, porque um banho bem quente e relaxante era o que eu mais precisava nesse momento. Sem dúvidas nenhuma.

***

;


- ... , desculpa. Eu não to com cabeça pra gritar agora, e nem brigar eu quero, por favor. Seu celular vai ficar aqui na casa da , fica tranquila que eu não vou sumir com ele e muito menos vou olhar o que...
Eu não me aguentei. Não consegui deixar ele terminar de falar. Peguei o telefone e bati ele com tudo na base que era presa na parede, espalmei minhas mãos na parede fria e minha testa, meio que num movimento involuntário, foi de encontro a parede com um pouco mais de força que o necessário, me fazendo soltar um gemido baixo mais permaneci na mesma posição. Eu não estava conseguindo assimilar muito bem os fatos. Primeiro deles: estava com meu celular, gerando assim um motivo pra eu ter que falar com ele. Segundo: se ele estava na casa da , então ele estava muito, mais muito perto de mim. Terceiro: se ele estava com dor de cabeça e não queria gritar e nem me ouvir gritar, ele estava de ressaca, o que diz que a noite dele foi boa e que não me deixava nada confortável em saber disso. Quarto, último e o único motivo que não me caía a ficha de nenhum jeito: ele estava de volta. Eu não conseguia acreditar. Eu estava numa espécie de transe, que parecia que estava em um universo paralelo aonde nada alem das minhas dúvidas e hipóteses existiam, quando senti a mão da minha amiga em um dos meus ombros, e assim que sai de meus devaneios, aconteceu tudo meio rápido e confuso: senti uma pontada bem forte na minha cabeça, eu cai sentada no chão, falava várias coisas comigo, mais eu não ouvia e nem compreendia nada, só sentia tudo girar. Depois eu estava encostada na parede com um saco com gelos na testa segurados por , e do nada a e o apareceram na cozinha da minha casa conversando de um jeito preocupado e serio com a . E então, eu apaguei.

***

Eu caminhava por um campo gigante e florido, a maioria das flores eram bem amarelinhas, e eu podia ver o sol se pondo ao fundo. Eu caminhava em direção a ele, que me esperava com aquele sorriso lindo de sempre de braços abertos, e eu ia chegando perto, mais perto, mais perto...
- Já faz mais de 10 minutos que ela apagou , eu to preocupada.
- Eu também to , é melhor a gente levar ela num hospital.
- Calma meninas, vamos tentar acordar ela.

Dois braços começaram a me balançar, e o campo florido com o pôr-do-sol foi escurecendo e ficando embaçado, e eu não conseguia mais chegar perto dele. Quanto mais eu andava, mais longe de mim ele ficava. Espera aí. Eu estava dormindo, não estava?
- ? ? - eu ouvia a voz do chamando meu nome, e eu abri meus olhos, me sentindo incomodada com a luz que vinha da sala. - Você ta bem?
- Finalmente - disse suspirando e se jogando na poltrona ao meu lado.
- O que aconteceu? - Eu me sentei rapidamente, sentindo tudo girar, e coloquei a mão em minha cabeça, já que eu sentia uma parte da minha testa latejar. E tudo rodava. me segurou, já que pensou que eu fosse cair de novo. - Ai credo, que dor de cabeça.
- , você ta bem? Aí meu Deus, me responde! - disse um pouco apressadamente, e empurrou que estava a minha frente para o lado e colocou as mãos nos meus ombros, me olhando com uma careta preocupada que me deu vontade de rir. -Responde ! Você ta me ouvindo?
- To, to sim , eu to bem. Mais porque minha cabeça dói e tudo gira? O que aconteceu?
- Você tava falando com o no telefone a uns minutos atrás, não me pergunte como mais assim que você desligou o telefone, você bateu a cabeça na parede e desmaiou. Aí então o e a chegaram, trouxemos você pra cá pra tentar te acordar, você acordou e aqui estamos nós. - disse rapidamente com uma das mãos cobrindo os olhos e as costas encostadas na poltrona e a cabeça tombada para trás.
Eu não entendia o que estava rolando ali, mais assim que minha amiga disse que eu estafa falando no telefone com o que eu me lembrei: meu celular estava com ele e eu precisava pegá-lo. Aquela dor de cabeça que eu sentia agora parecia que tinha triplicado assim que eu lembrei da existência dele. Imitei a posição de e vi saindo da sala, e sentou ao meu lado, no braço do sofá.
- Você tá bem mesmo ? - me perguntou, com uma das mãos em meu ombro e me olhando com aquele olhar fraternal que ele sempre possuiu quando se tratava de mim.
Desde que nos conhecemos a três anos atrás e ficamos realmente próximos, foi quem me ajudou a superar a ida de , por mais que eu fosse apenas uma garota de 13/14 anos, foi ele quem tinha me dado todo apoio e carinho que eu precisei. Anos atrás ele tinha se mudado para Londres, vindo de Essex com seus pais, e desde então me tratava como uma irmã mais nova, e é claro que eu me sentia do mesmo modo com ele, mas colocando-o no papel de meu irmão mais velho. O meu segundo irmão mais velho, afinal eu tinha Matt também, então eu posso dizer que eu tinha muito bem conseguido me virar. Conheci na biblioteca da escola, pode até parecer estranho dizer que vai a biblioteca, mas naquele dia, eu carregava pelo menos uns 10 livros nas mãos, e precisava pegar mais um que estava na estante mais alta e não tinha como com a mão cheia. O professor de filosofia nos mandou um trabalho gigante, e detalhe: ele queria o trabalho manuscrito e não queria nada de pesquisa de internet. Diz ele que tanta gente faz na base do copia e cola, e ele queria as fontes vindo de livros, para todo mundo ler e realmente aprender. Como se filosofia fosse ensinar alguma coisa. Mais voltando, eu precisava pegar o livro e ele apareceu, todo bonitinho com aquele cabelo escorrido em sua testa e a bermuda pelo menos dois números maiores que vinha até a canela e era presa no meio da bunda com um cinto. Me ajudou a pegar o livro, levar pelo menos metade deles pra mesa da biblioteca, me fazendo companhia até que eu terminasse o trabalho e pudéssemos sair dali, já que ele dizia que era novo na escola e ainda não conhecia ninguém. Apresentei ele para , que logo se enturmou com todo mundo. Assenti, confirmando novamente que estava bem, e ele voltou a falar, ainda preocupado e fazendo um carinho de leve no meu ombro.
- Você quer conversar?
- Não agora , obrigada. - Sorri sincera, e apareceu em minha frente, com um copo de água e um comprimido em uma das mãos.
- Achei que você fosse precisar. - Me estendeu o comprimido, que eu logo coloquei em minha boca, e em seguida virei mais da metade do conteúdo do copo, devolvendo-o quase vazio a ela em seguida. - Caramba.
Soltei uma risada abafada, e levantei do sofá sendo seguida com o olhar dos dois ali, já que ainda continuava de olhos fechados e esparramada na poltrona ao nosso lado. levantou logo depois de mim, como de quisesse se assegurar que eu não fosse apagar de novo. Típico dele.
- Vou subir para me trocar. Temos uma casa todinha pra limpar hoje.
- Mais ... - já ia reclamar de novo e eu o interrompi.
- Eu estou bem , é sério. - Ele continuava me encarando com um olhar desconfiado, e eu estalei um beijo em sua bochecha, olhando para ele e para . - Obrigada gente, mas eu preciso seguir em frente, não é? Já volto!

Eu precisava seguir em frente, certo? Sim. Pelo menos era o que eu tentava colocar na minha cabeça. Subi as escadas de casa, pensando que o dia de hoje poderia muito bem ser um dia que eu fosse dar um fim a toda aquela sensação de que faltava um pedaço em mim que eu estava sentindo por um pouco mais de três anos. Eu tinha para me ajudar, claro. Mas não era, e nunca foi a mesma coisa. Uma parte de mim me dizia para deixar isso de lado, mas a maior parte me dizia que eu precisava ser corajosa e encarar os fatos de cabeça erguida, e esperar que tudo desse certo, e voltasse a ser como antes. Pera. Voltar a ser como antes não iria, mesmo. Mas se eu quisesse que as coisas se ajeitassem, eu precisava agir também. Não fazia ideia de como essa história iria acabar, mas eu não preciso saber disso agora, até porque, que isso tenha um fim é a ultima coisa que eu quero. Apressei o passo e cheguei em meu quarto, indo direto para o banheiro e sentindo o meu estomago embrulhando por causa do leite que eu tinha tomado, prendi meu cabelo e levantei a tampa do vaso sanitário e me agaixando na frente do mesmo. Tossi algumas vezes, mas me senti bem mais leve depois. Fiz um bochecho com um pouco de água e escovei meus dentes, encarando minha cara pálida no espelho. Dei alguns tapinhas em minha bochecha para que eu parecesse mais saudável, e sorri, tentando passar pra mim mesma a imagem que tudo ia dar certo. Pelo menos era o que eu esperava.

Continua...



n/a: Tá, me perdoem por esses quase dez meses sem atualização. Eu tive um total bloqueio com essa fic, o começo do capítulo tava pronto a muuuuuuuuito tempo, mas o fim dele não saia nem a pau. Eram dois capítulos, mas acabou ficando pequeno e eu tive que transformar em um só. Só pra tirar as dúvidas, Everytime You Go está em hiatus, e eu infelizmente, não sei quando ela vai sair desse status. Queria realmente pedir desculpa a vocês meninas, que lêem e não me abandonaram, ainda mais pela minha demora gigante. Queria ter mandado mais, mas não tenho nada escrito aqui ainda. Eu comecei a postar uma outra fic a algum tempo, que eu escrevo com a Let, quem quiser ler é essa aqui. Personagens novos começaram a surgir em EYG, e o que vocês acharam do ponto de vista do principal? O que vocês esperam para a conversa dos principais? Será que eles vão se acertar, finalmente? Ou será que não? A partir de agora, quem beta essa fic sou eu, então qualquer erro mande um email pra mim. Espero , realmente, não demorar com a próxima atualização, e até mais meninas! Um beeeeijo @aninhad_