Everybody Lies
Por Thamiris Silvino
Betada por Andy Martins




Prólogo

“Eu só queria que tudo ficasse bem e que pudéssemos começar do zero, como se nada tivesse atrapalhado tudo que acontecia entre nós.”


Primeiro Capítulo

Tudo começou em um dia normal. Não tão normal, já que eu havia me mudado e hoje era meu primeiro dia de aula em uma nova escola. Admito que estava bem ansiosa para encontrar pessoas diferentes e fazer novas amizades.
O despertador tocou e saí rastejando da cama, já que por ansiedade não consegui dormir direito. Ótimo, ! Quando você precisa estar bem disposta você não dorme.
Entrei no banheiro e fui direto pro chuveiro, tomei um banho daqueles. Quando terminei, me sequei, enrolei-me na toalha e fui para o quarto me arrumar. Abri o armário e peguei uma calça jeans, uma regatinha branca e minha blusa xadrez azul clarinha. Me vesti e fui secar o cabelo, porque se deixo ele secar sozinho fico parecendo um leão.
Depois de vestida e com o cabelo arrumado peguei minha mochila que estava jogada no chão ao lado da cama, dei uma leve olhada pra saber se tudo que eu iria precisar estava ali, e por sinal, estava.
Desci as escadas e fui em direção a cozinha, empurrei a porta e lá estava minha mãe fazendo café.
- Bom dia, mãe. - Falei dando um abraço nela.
- Bom dia, filha! – Me deu um beijo na testa me fazendo sorrir. Minha mãe é como se fosse minha melhor amiga e desde que meu pai saiu de casa ficamos bem mais amigas. Nenhuma das duas gostava muito de falar de manhã, então pela parte da manhã só falamos o necessário. Abri a geladeira e peguei o leite, minha mãe já tinha deixado um copo pra mim na mesa, então despejei o leite dentro dele e bebi. Olhei o relógio e já eram 7 horas e a aula começava as 7:30, então me apressei já que sou um pouquinho lerda pra andar.
Andei até a porta, coloquei meu All Star e fui correndo escovar os dentes. Passei na cozinha de novo e minha mãe tava sentada lendo o jornal.
- Mãe eu to indo, senão você sabe que chego atrasada.
- Claro, minha filha. Boa aula!
Fui em sua direção e lhe dei um abraço, ela retribuiu e saí da cozinha em direção a porta. Saí de casa batendo a porta e fui andando em direção a escola.
- Céu azul, sol brilhando e um vento batendo, deixando o dia do jeito que eu gosto. – Falei um pouco alto demais enquanto virava em uma esquina.
- Também gosta do dia assim? – Escutei alguém falando e meu coração já acelerou, me fazendo virar assustada e dar de cara com um garoto lindo.
- Gosto sim. – Falei, ainda meio assustada.
- Te assustei, né? Desculpa, não era minha intenção. – Ele sorriu.
- Assustou, e eu não devia falar com estranhos, sabe?! - Mordi o lábio.
- Me chamo Sean, e pelo o que eu to vendo estudamos na mesma escola, então acho que não sou mais um estranho. – Ele piscou quando terminou de falar.
- Ah, não é mais um estranho... Então e a propósito, sou , prazer! – Estiquei minha mão pra apertar a dele, mas recebi um beijo na bochecha, o que acabou me deixando vermelha.
Continuamos andando por um tempo em silêncio. Quando já dava pra ver a escola, Sean resolveu abrir a boca pra falar.
- Tá em que ano? Quem sabe com sorte não acabamos na mesma turma?!
- Segundo ano, e você? – Falei me distraindo com um papel que eu teria que entregar na secretaria logo que chegasse na escola.
- Ah, que pena. Eu to no terceiro. – Falou, acenando pra um grupo de meninos.
- Pelo menos é seu ultimo ano, né? – Sorri.
- Com certeza, não vejo a hora de ir pra faculdade! – Falou andando mais rápido e indo de encontro aos meninos, me deixando pra trás.
Fui me aproximando deles e tropecei na calçada deixando minha folha cair no chão. Abaixei pra pegar junto com um dos amigos de Sean. Ele era bem bonito. Tinha o cabelo loiro, os olhos e a pele bem branquinha, e por eu ter me distraído com esses detalhes, ele foi mais rápido e pegou a folha antes de mim.
- Acho que isso é seu. – Ele me entregou o papel.
- É sim, obrigada. – Falei pegando o papel sorrindo e indo entrar na escola, quando escuto Sean me chamar.
- Ei! Tá indo aonde? – Sean falou comigo.
- Acho que pra escola, né? – Sorri.
- Vem aqui, vou te apresentar os meninos. – Ele fez um sinal com a mão pra eu chegar mais perto e, como não sou boba, fui mesmo.
- Esse aqui é o . – Falou apontando para o menino da folha. – E esse outro é o Eric. – Apontou para o outro que era alto, moreno e tinha os olhos azuis.
- Eric e , essa é ! – Falou se distraindo com alguém.
- Olá, Eric e ! – Falei sorrindo para os dois, vendo eles sorrirem também – Acho que é melhor eu ir, ainda tenho que passar na secretaria pra entrar esse papel. – Terminei de falar balançando o papel que havia caído no chão.
- Eu vou com você, aproveito e te mostro um pouquinho da escola. – falou, o que me deixou bem surpresa.
- Ah, então vamos? – Falei olhando para o portão da escola.
- Vamos! – Ele falou começando a andar e me fazendo segui-lo.

Quando pisei na escola, fiquei chocada com seu tamanho. Ela tinha um jardim enorme na frente, onde vários alunos estavam espalhados ou sentados no gramado, ou encostados nas árvores, ou em umas mesas que ficavam em um lado do gramado. andava do meu lado e percebeu que eu fiquei maravilhada com a escola e ainda nem tinha entrado completamente nela.
- Então... Aqui é onde a gente fica na entrada, intervalo, e às vezes um pouco na hora da saída. – Falou.
- Nossa, é incrível! Tão grande e adorei! – Falei toda boba enquanto subíamos a escada pra entrar realmente na escola.
- Aqui é o primeiro andar, onde ficam a diretoria, secretaria, enfermaria, Xérox... Tem um depósito também, e acho que só isso. – falou dando de ombros.
- Hm, e qual das portas é a secretária, ? – Falei procurando por alguma placa nas paredes.
- Aquela porta ali, onde aquela senhora baixinha e gordinha tá gritando. – Terminou de falar apontando pra uma porta onde a senhora gordinha estava.
- Obrigada, ! Me deixa ir logo porque não quero chegar à sala depois do sinal bater. – Falei sorrindo e andando em direção a secretaria.
- Eu vou com você, tenho que esperar a . – Sorriu depois que falou.
- Ah, ok então. Obrigada. – Falei enquanto andávamos em direção a secretaria.
Passamos pela senhora gordinha e ela olho feio pra , me fazendo rir e receber um olhar de reprovação dela.
- Começou bem, . – riu, encostando no balcão da secretaria.
- Obrigada, . – Encostei no balcão chamando atenção de uma outra senhora.
- Bom dia! O que vocês desejam? – Ela falou simpática
- Vim entregar esses papéis que minha mãe, quando fez a matrícula, não trouxe. – Entreguei os papéis a ela.
- Obrigada por trazer, ! Pode ir que eu vou arquivar isso logo. – Ela sorriu.
- Ok então, tchau. – Terminei de falar indo em direção a porta e escutando o sinal de entrada.
- Vamos esperar os meninos aqui, Eric deve tá vindo com a namorada e ela tá no seu ano, então podem ir juntas pra sala. – falou procurando eles pelo corredor.
- Ah, que maravilha! Não vou chegar sozinha na sala. – Olhei pelo corredor pra tentar encontrá-los, mas acho que por ser baixinha não fui muito feliz na tentativa.
- Achei, vem! – falou me puxando e andando em direção aos meninos.
Um corredor nunca pareceu tão grande. Eram tantos alunos andando na nossa direção contrária que ficava difícil de andar e passar sem esbarrar em alguém.
Quando chegamos perto deles havia duas meninas e uma delas estava me olhando de cara feia, por sinal, e eu não estava entendendo nada.
- Essa aqui é a . – falou pras duas meninas, chegando perto da ruiva e lhe dando um selinho. Acho que depois desse selinho a cara feia tava bem explicada. E como estava. - Er, oi. – Falei sem graça.
- Oi, ! Me chamo Miranda. – A loira falou me dando dois beijos na bochecha, me deixando aliviada.
- Sou . – A ruiva falou seca me deixando desconfortável e me fazendo reparar que o corredor já estava bem vazio em comparação a multidão de antes.
- O que vocês tão fazendo aqui? Não tem aula não? – Uma voz fina chegou ao meu ouvido, todos olharam e lá vinha a senhora gordinha mandando todos que estavam de conversa no corredor subirem para as salas.
- Opa, acho que é melhor a gente ir. – Eric falou começando a andar em direção a escada.
- Vamos então antes que ela grite com a gente. – Sean falou e foi atrás de Eric, todos começaram a andar e subir a escada. Eu ainda percebia um olhar mortal de em mim.
Chegamos ao segundo andar e o corredor era muito parecido com o do primeiro, só que ele tinha armários para os alunos. Ainda dava pra ver algumas meninas andando de um lado para o outro, saindo do banheiro, uns meninos bebendo água e outros rindo encostados nos armários. Eu andava do lado de Sean, já que apertou o passo pra ficar do lado de e Miranda estava cheia de amores com Eric.
- São todos namorados? – Perguntei para Sean apontado pros casais a nossa frente.
- São sim, sou o único solteiro dos três. – Ele sorriu.
- Hm, e Miranda são bem bonitas. – Disse dando de ombros e ignorando o comentário de Sean sobre ser o único solteiro.
- Elas são! Meus amigos têm bom gosto. – Sean falou e eu sorri pra ele.
Andamos mais um pouquinho, já que nossas salas eram uma das últimas do corredor, e vimos os professores conversando em uma sala, não entendi nada. Pra mim eles já estariam dando aula e eu levaria uma bela bronca por chegar atrasada junto a Miranda.
- Então, chegamos às nossas salas. Hora de nos despedirmos. – Sean falou em um tom dramático.
- Ah... – e Eric falaram em coro e eu ri junto com Miranda quando eles terminaram, o que fez me encarar mais ainda. Isso com certeza tá ficando desagradável.
- Então, amores... Eu e vamos pra nossa sala e na hora do intervalo nos encontramos. – Miranda falou, indo dar um beijo na bochecha de e Sean, passou pra , em quem deu um abraço apertado, e depois seu namorado Eric, o qual ela encheu de beijos.
- Até o intervalo então. – Falei e comecei a andar pra sala quando ouvi alguém me chamar.
- Ei, não vai falar com a gente não? – Sean disse.
- Ah, claro. – Dei um beijo na bochecha dele, na de Eric e na de Tom. Quando cheguei em frente a ela sorriu e me deu dois beijinhos. Fiquei pasma porque não esperava isso.
- Depois a gente vai conversar. – Ela falou baixo enquanto dava um passo pra trás, claro que ela não faria isso por nada.
- Claro. – Respondi desconfortável, muito desconfortável.
Os quatro foram pra sala e vi segurando a mão de e lhe dando vários beijos, me virei e fui atrás de Miranda entrar na sala e vi os professores saírem da salinha e cada um ir em direção a uma sala diferente.
- Porque eles não foram pra sala quando o sinal tocou? – Perguntei pra Miranda quando coloquei minha mochila em cima da mesa.
- Ah, porque são dois sinais. O primeiro toca uns 15 minutos antes pra todo mundo subir e ir pra sala, e quando o outro toca é que já são 7:30 mesmo. – Terminou de falar sorrindo e ouvimos o segundo sinal bater.
- Entendi. – Sentei na cadeira e percebi olhares de algumas pessoas por ser nova.
- Welcome to the hell! – Miranda falou quando o professor entrou na sala me fazendo rir baixinho.

Segundo Capítulo

Ouvi o sinal tocar e dei graças a Deus. O primeiro tempo havia terminado e eu só teria que aguentar mais dois pra saber o que queria. No fundo eu tinha certeza que era pra me mandar ficar longe do porque ele era namorado dela, e, provavelmente, ela pensou que eu tinha segundas intenções. Mas sou curiosa e tinha esperanças de que não seja pra isso.
- , vou no corredor pra falar com o Eric. – Miranda disse se apressando em levantar da cadeira e correr até a porta.
- Vou com você, to com sede e preciso beber água. – Me apressei também e fui atrás dela.
Saímos da sala e consegui ver Eric encostado em um armário, esperando pra falar com Miranda. Ele acenou pra ela, que foi correndo e se jogou nos braços dele. Conhecia-os havia tão pouco tempo, mas dava pra perceber que eles se amavam tanto, e eram lindos juntos. Sorri com esse pensamento e consegui ver o bebedouro.
Fui caminhando até ele e observando cada canto do corredor, que já estava bem vazio, já que a maioria dos alunos se encontrava dentro de suas salas. Chegando perto do bebedouro, consegui ver conversando com uma menina gordinha e que tinha um cabelo... Não conseguia identificar a cor dele, mas era extremamente estranho e ela ainda tinha uma cara de nojenta, o que me deixou nervosa.
provavelmente queria me matar, agora junto a sua amiga, por uma coisa que eu nem fiz e nem pretendia fazer. Resolvi voltar pra sala sem beber minha água. Quando nossos olhares se encontraram, ela deu um sorriso cínico. Não ficaria pra descobrir o que ela faria comigo, não quando eu podia adiar mais um pouco. Virei-me calmamente, sem esboçar qualquer reação, e senti uma mão no meu ombro me fazendo gelar.
Pronto, era ela!
- Olá. – Ouvi uma voz masculina falar enquanto me virava.
- Sean, você precisa parar mesmo de chegar assim. – Coloquei a mão no peito sentindo meu coração voltar ao normal.
- Vou tentar não te assustar mais. – Ele falou colocando o braço em volta do meu ombro e perguntou - Mas o que faz sozinha no corredor da escola?
- Fui beber água. – Sorri enquanto colocava o braço em volta da cintura dele, sabia que esse gesto seria um problema. Depois Sean com certeza ia pensar que eu estava querendo algo com ele, e eu não queria. Pelo menos não ainda.
Fomos andando em silêncio até chegarmos em nossas salas que, por ironia, eram uma de frente para a outra.
- Então te vejo na próxima troca de professor?
- Acho que não, eu to atrasada pra essa aula e não quero continuar assim. Mas a gente se encontra no intervalo. – Me soltei dele e fui em direção a porta que já estava fechada.
- Ok então, até o intervalo. – Ouvi ele falar enquanto eu girava a maçaneta e empurrava a porta da sala.
- Licença... Desculpa o atrasado, eu tava bebendo água. – Sorri sem graça pra professora que já passava a matéria no quadro.
- Tudo bem, senhorita... – Ela fez uma pausa enquanto falava.
- . – Respondi rápido.
- Senhorita Aliie, só não quero que se repita. – Ela terminou de falar voltando a passar a matéria no quadro.
- Não vai. – Falei indo me sentar do lado de Miranda que estava conversando com uma menina magrinha e morena.
- Vimos você com o Sean, e aí? – Ouvi a voz de Miranda falar logo após eu me sentar.
- E aí o que? E... Vimos?! – Falei abrindo meu caderno na parte que eu tinha reservado pra Biologia.
- E aí que vocês tão ficando? É, eu e Sophia. – Ela falou apontando pra menina magrinha e morena que abriu um sorriso.
- Não, não estamos ficando. – Falei chocada com a pergunta e peguei uma caneta azul no meu estojo pra começar a copiar a matéria.
- Que pena! Eric disse que ele te quer. – Ela piscou pra mim.
- Só que eu não o quero, pelo menos não agora. – Dei de ombros.
- Pelo menos não agora. – Ela riu junto com Sophia chamando a atenção da professora.
- Vocês duas, parem agora! Na próxima, vão pra coordenação. Sabem que não gosto de risinhos e conversa na minha aula! – A professora baixinha disse, se referindo a Miranda e Sophia que me olharam revirando os olhos.
- Começaram bem. – Disse em tom de deboche pras duas que me mostraram a língua.
Resolvemos prestar atenção na aula. Ficamos em silêncio, cada uma copiando a sua matéria e, quando vimos, a aula já havia acabado. É sempre assim nas aulas de Biologia... O tempo passa rápido. É uma matéria que eu gosto bastante então eu tenho prazer de prestar atenção e de copiar as coisas, e olha que eu sou extremamente preguiçosa em relação à escola.
- Mais um tempo e estaremos livres. – Miranda disse levantando os braços.
- Graças a deus. – Sorri vendo o outro professor entrar na sala. Ele era alto, moreno, meio forte e tinha uma tatuagem no braço. Aquele típico professor que você espera nunca encontrar em uma escola.
- Bom dia! Todos sentados, por favor. – Ele disse, fazendo uma boa parte da classe ir em direção aos seus lugares e sentar.
- Que gracinha ele. – Sophia disse.
- Já disse pra você parar com essas coisas, não lembra o que aconteceu da outra vez? – Miranda falou reprovando o comentário.
- Posso saber o que aconteceu? – Sorri pras duas.
- Já te conto, só ele terminar de falar. – Miranda piscou pra mim e se virou pra frente.
- Então, turma... Meu nome é Fábio e sou o professor de História de vocês. Espero que sejamos amigos e que eu consiga ajudá-los o máximo nesse ano. - O professor falou colocando suas coisas sobre a mesa, indo em direção ao quadro e começando a escrever a matéria.
Abri meu caderno com a intenção de copiar alguma coisa, até porque esse ano eu tinha prometido a mim mesma que ia estudar mais pra não ficar no sufoco da prova final pela milésima vez, mas foi uma tentativa falha, pra variar.
- , junta um pouquinho a mesa pra gente te contar. – Ouvi Miranda falar. Mas quando eu ia chegar a mesa um pouquinho pro lado ouvimos a voz do professor.
- Façam um grupo de quatro alunos. Vamos trabalhar assim até o fim do ano, então escolham bem. – O professor falou abrindo um sorriso.
- Que maravilha que essas aulas vão ser! – Sophia disse levantando os braços em forma de agradecimento, fazendo Miranda e eu rir. Juntamos as mesas e faltava mais uma pessoa no nosso grupo, mas deixamos pra lá já que todos formaram seus grupos e não sobrou ninguém.
- Quem sabe um bonitão não faltou hoje e ele não entra no nosso grupo?! – Falei dando de ombros, recebendo olhares meios chocados de Miranda e Sophia.
- Não acredito que você disse isso! – Miranda falou boquiaberta.
- Qual o problema? – Disse sem entender o espanto das duas.
- Nenhum, mas você parecia ser tão quieta. – Miranda deu de ombros.
- Ah, normal. Mas não sou tão quieta assim. – Pisquei pras duas – Mas agora conta o que Sophia fez. – Falei olhando de Miranda para Sophia.
- Então, ano passado chegou um professor e ele era parecido com esse Fábio. Ele era moreno, bem branquinho e era um doce de professor até que essa aí. – Miranda apontou pra Sophia – Resolveu dar em cima dele, o que resultou em saídas escondidas. Não tão escondidas porque em uma delas a diretora acabou esbarrando com os dois bem no meio de uns “amassos”, o que acabou na demissão do professor e uma briga da Sophia com os pais. – Miranda concluiu a história.
- Não acredito que você fez mesmo isso. – Falei rindo.
- Fiz e acho que não tinha nada de mais. – Sophia falou cruzando os braços.
- Tá bom, não tinha nada de mais. Vamos voltar pra aula. – Miranda disse percebendo Sophia se irritar com o assunto.
O resto da aula foi super calmo. Ficamos em silêncio, assim como o resto da turma, fazendo um trabalho que o professor havia pedido e que valia alguns pontos, então todos se empenharam ao máximo pra conseguir os míseros pontos que o professor estava dando. Terminei o trabalho e o revisei umas milhões de vezes pra ter certeza de que tudo estava direito pra eu ganha os pontos. Tenho que parar de ser desesperada, ainda estava no início do ano e eu já havia entrado em desespero por trabalhos que valem ponto.
Fui andando em direção a mesa do professor, lendo o trabalho, e acabei trombando com alguém.
- Nossa, desculpa eu tava distraída. – Falei levantando o olhar.
- Você eu desculpo. – Um menino todo lindinho respondeu, piscando pra mim e indo pro seu lugar, me fazendo sorrir sem graça. Coloquei o trabalho na mesa do professor sorrindo pro mesmo.
- Quem for terminando o trabalho pode ir pro intervalo. – Ele disse quando o sinal tocou, fazendo uma boa parte da turma se levantar e correr pra fora da sala.
Fui até minha mesa pegar meu celular e fui em direção à porta sozinha, já que Miranda e Sophia saíram correndo pra fora de sala. Miranda pra encontrar com Eric, e Sophia só Deus sabe. Olhei pro corredor, tentando encontrar o Sean ou , mas nada deles. Então comecei a andar em direção às escadas, quem sabe não esbarrava com um deles?!
- ! – Ouvi alguém me chamar. Como não reconheci a voz, me virei e dei de cara com . Que coisa maravilhosa.
- , que bom que encontrei alguém. – Falei sorrindo muito sem graça.
- Pois é, quero falar com você. Pode ser? – Ela falou com uma expressão nada amigável o que me deixou nervosa.
- Claro. – Falei sem conseguir esboçar qualquer expressão.
Passavam milhões de coisas pela minha cabeça. Será que ela ia começar a gritar como se fosse uma louca me mandando ficar longe do ? Ou ela também podia estar com algumas amigas me esperando em algum lugar pra me bater? Acho que sou meio traumatizada com isso de apanhar, mesmo nunca tendo levado um tapa, soco ou chute de qualquer pessoa. Mas tá na chuva é pra se molhar, certo? Então respirei fundo e vi que começou a andar em direção ao banheiro, e deu pra perceber que era pra segui-la, então foi o que eu fiz.
O banheiro não era tão distante, mas parecia uma eternidade esse pequeno caminho. Cada passo que eu dava me deixava nervosa e eu já deixava minhas expressões me entregarem. Ela empurrou a porta e segurou pra me dar passagem. Passei por ela e ouvi a porta se fechar alguns segundos depois que entrei, respirei fundo e me virei pra que me olhava como se fosse voar no meu pescoço e gritar como uma louca. Ela olhou por baixo das portas das cabines pra saber se estávamos sozinhas e, quando eu fui abrir a boca pra falar, ela foi mais rápida.
- O que você quer com o meu namorado? – Ela disse dando ênfase no meu e encostando-se à parede.
- Com o seu namorado? Não quero nada. – Falei, chegando pra trás e encostando-me à pia.
- Mas não é isso que parece! Você tá muito agarradinha nele. – cruzou os braços e me fitou com um olhar meio mortal.
- Eu sou nova aqui e ele só foi gentil em me levar na secretaria pra entrar com uns papeis, só isso. – Terminei de falar olhando em seus olhos.
- Não ligo, só não quero você dando em cima do meu namorado. – Disse, dando ênfase novamente no meu.
- Não vou dar em cima do seu namorado, relaxa. – Dei um sorriso sem graça. Ela ficou de costas pra mim, a ouvi suspirar e ela se virou.
- Eu e namoramos há um ano, e a quantidade de alunas novas e antigas que ficam atrás dele fazendo amizade pra tentar tirar ele de mim é imensa. – falou olhando pro chão – Uma vez quase conseguiram separar a gente porque contaram mentiras, mas não deu certo. – Ela falou mais como se estivesse desabafando do que brigando ou me dando um aviso.
- Mas eu não sou uma dessas, ok? Eu respeito o fato dele ter namorada e nunca vou tirar ele de você. – Sorri e cheguei perto dela.
- Fico feliz em saber disso, mas eu nem te conheço direito. Como posso confiar? – Ela me olhou levantando a sobrancelha.
- Com o tempo você vai ver que pode confiar em mim. Tentamos uma amizade então? – Falei esticando a mão.
- Tentamos. – Ela apertou minha mão e sorriu.
- Podemos sair do banheiro agora, né? – Falei indo em direção a porta.
- Podemos. – Ela veio atrás de mim saindo do banheiro.
Começamos a andar e ainda tinham algumas pessoas descendo a escada. Minha conversa com a não demorou muito, mesmo parecendo uma eternidade. E tinha ocorrido melhor do que o esperado. Ela parecia ser bem legal mesmo, e esse ciúmes pelo era até compreensivo. Mas fiquei feliz de verdade dela não ter berrado ou voado no meu pescoço.
- ! – Ouvi alguém chamar e vi uma mão encostando no ombro dela. Olhei Jamie e ela revirou os olhos, mas sorriu simpática pra menina que havia chegado. Era a mesma que estava com ela quando fui beber água.
- ! – Ela deu um sorrisinho falso pra menina.
- Tava te procurando, preciso falar com você. – disse me fitando com nojo, o que me fez revirar os olhos também.
- depois a gente conversa, eu to ocupada agora. – Jamie disse cortando a menina.
- Tá bom. – disse se virando e indo na direção das salas.
- Quem é ela? – Perguntei a Jamie.
- Ela? É a , nós éramos bem amigas, mas de uns tempos pra cá ela virou muito amiguinha do . E fica fazendo umas brincadeirinhas que ela mesma me disse uma vez que é falta de respeito. – concluiu.
- Nossa, fura olho então? – Falei enquanto descia a escada.
- Bem isso mesmo. – Ela riu meio nervosa descendo do meu lado.
Depois disso, ficamos caladas enquanto descíamos a escada pra ir pro gramado gigante da escola. Admito que aquele gramado era a parte que eu mais gostei. Eu adorava sol e poder ficar sentada naquelas mesinhas ou embaixo das árvores com o vento e o sol batendo era tentador, podia ficar ali pra sempre.
Vimos os meninos sentados na mesa e, junto deles, Miranda e Sophia. acenou e começou a andar mais rápido indo ao encontro de e o abraçando, sorri ao ver aquela cena. Sempre quis ter um namorado assim parecido com o , bonito, forte, com um sorriso de matar qualquer uma e esses olhos tão lindos, que quando o sol bate brilham tanto. Bonito, ! Você acaba de falar pra que não quer nada com o e agora tá pensando o quanto ele é bonito, maravilhoso. E acho melhor eu parar. Balancei minha cabeça tentando fugir desses pensamentos um pouco indesejados, chegando à mesa e indo me sentar ao lado de Sean, já que era o único lugar vago.
- Mais tarde todo mundo podia ir lá pra casa, o que acham? – Miranda falou.
- Conte comigo! – Sean disse.
- Por mim tudo bem. – Falei brincando com uma folha que tinha caído de uma árvore na nossa mesa.
- Então vamos todos. – sorriu falando.
- Depois me passa seu endereço. – Falei pra Miranda ainda brincando com a folha.
- Eu te busco, . – Sean falou tirando a folha da minha mão me fazendo olhá-lo.
- Vai te dar trabalho, não precisa. – Sorri sem graça.
- Não vai dar trabalho, você é praticamente minha vizinha, e sua casa é caminho da casa da Miranda. – Ele piscou.
- Hm, então tá! – Olhei pra frente e dei de cara com Sophia me dando um sorrisinho.
- Então às sete na minha casa, ok? – Miranda falou.
- Ok. – abriu a boca pela primeira vez.
- Vou pra sua casa depois da escola, amor. – Ouvi Eric falar.
- Nem precisa avisar, meu anjo. – Miranda falou dando um selinho em Eric - Então todos vocês às sete horas na minha casa. – Ela terminou.
- Combinado. – Sophia disse.
Ficamos conversando por um bom tempo ainda, até que o sinal tocou e todos levantaram fazendo caretas ou revirando os olhos por precisar voltar pra sala. e tinham saído de perto da gente antes do sinal tocar, falaram que queriam ficar um pouco sozinhos. Sophia saiu correndo pra falar com alguma amiga de outro ano e Eric e Miranda foram agarrados, cheios de amor, pra entrada enquanto eu fui deixada pra trás com Sean.
- Sozinhos de novo. – Ele disse.
- De novo. – Falei sem graça.
Achei estranho ele não ter falado nada depois disso, então deixei como estava, não puxei assunto, e fomos andando um do lado do outro em silêncio até nossas salas. Quando chegamos perto ele segurou minha mão e me deu um beijo no canto da boca me deixando sem reação.
- Wow, o que foi isso? – Falei.
- Quem sabe mais tarde não resolvemos algumas coisas?! – Ele piscou e entrou na sua sala, sem responder a minha pergunta, e me fazendo sorrir por dentro. Sean era bonito, aquele garoto que ninguém joga fora e todas as meninas querem tirar uma “lasquinha”. Virei-me pra entrar na sala e comecei a pensar sobre o que Sean disse, o que me fez sorrir sozinha. Sabe, não ia me importar de resolver algo com Sean mais tarde, não seria sacrifício algum. Seria um prazer.




Terceiro Capítulo

O relógio marcava seis horas e já havia escurecido. Eu terminava de me arrumar, fui me olhar no espelho pra ver se a roupa estava direita – tentei ser o mais básica possível quando peguei essa calça jeans e essa blusa rosa clarinho. Fiz pose pro espelho e ouvi meu celular tocar, mandei um beijo pro meu reflexo e me joguei na cama pegando o celular e atendendo-o.
- Alô?
- , é Sean! Eu já estou aqui em baixo, vamos? – Ouvi sua voz pelo telefone.
- Ok, estou descendo. E você podia ter tocado a campainha. – Desliguei o celular, enfiando-o no bolso da calça junto com a carteira. Eu odiava bolsa, nunca me dei bem com elas, sempre esquecia em algum lugar ou ficava irritada com ela pendurada no meu ombro. Desci as escadas e abri a porta pra Sean que estava sentado na escadinha da varanda me esperando.
- Entra, Sean! Vou pegar um casaco e já venho. – Subia as escadas correndo pra pegar um casaco, o tempo estava bom demais e por isso ele resolveu esfriar à noite. Desci a escada e olhei Sean sentado no sofá.
- Vamos? – Perguntei.
- Com certeza. – Ele falou meio cabisbaixo, o que me deixou preocupada, o pouco que tinha conhecido Sean deu pra perceber que ele sempre tá feliz e animado. Saímos de casa e fomos andando em silêncio por um tempo, até eu resolver abrir a boca.
- Aconteceu alguma coisa? – Perguntei sem olhar pra ele.
- Na verdade sim, mas não vale a pena ficar falando. – Ele deu um sorriso amarelo.
- Tem certeza? Porque eu não vou me importar em ajudar. – Segurei seu braço e sorri pra ele.
- Briguei com meu pai, mas é normal. Daqui a pouco passa. – Ele colocou o braço no meu ombro me fazendo passar o meu pela cintura dele, e fomos assim, abraçados até chegar na casa de Miranda.
Sean era um menino legal quando não ficava dando em cima e de brincadeirinhas sem graça pra cima das meninas, ele era fofo e não é de se jogar fora. Chegamos na casa de Miranda e Sean tocou a campainha, me fazendo soltar dele e me afastar um pouco, recebendo um sorriso dele.
- Só faltavam vocês dois! – Miranda abriu a porta gritando e me abraçando e depois apertou as bochechas de Sean.
- Vamos pedir as pizzas? – Ouvi alguém falar.
- Calabresa, com muita cebola! – Uma voz parecida com a de gritou me fazendo rir enquanto entrava na sala.
- Oi pra todo mundo. – Sorri e fui me sentar do lado de Sophia ouvindo um coro falando meu nome e o de Sean.
Enquanto , Eric e Miranda discutiam qual pizza iam pedir eu ficava rindo e prestando atenção na ‘briga’ dos três.
- Olha, eu já falei que quero calabresa com muita cebola! – falou.
- Ninguém liga, ninguém gosta dessa pizza! Eu quero de frango! – Miranda disse apontando pra e tentando pegar o telefone dele.
- Miranda, se acalma, por favor... – Eric falou, se dispersando do assunto ‘pizza’.
- Não me manda ficar calma, Eric! – Ela arrancou o telefone da mão de caindo em cima dele – Bem feito. – Falou se levantando e discando o numero da pizzaria.
- Miranda, porque não pede uma de cada? E talvez mais uma de outro sabor. – Falei, dando de ombros e recebendo o joinha de
- Graças a Deus outra que pensa nessas horas! – falou sentando-se ao meu lado.
- Outra que pensa? – Falei confusa.
- Com certeza! Já que Miranda, Eric e não conseguem raciocinar muito bem na hora da fome. – ela disse recebendo olhares de reprovação dos três – Se bem que o Sean não escapa não, só que hoje ela tá quieto. – terminou de falar olhando pra ele.
Sean ainda estava quieto, não estava rindo da confusão que acontecia na sala o que me fez ficar preocupada e ir me sentar ao seu lado.
- Ainda chateado, lindinho? – Falei baixo enquanto me sentava.
- Um pouco. – Ele deu de ombros.
- Então faz de conta que tá tudo bem porque a já reparou que você tá assim e daqui a pouco os outros também vão reparar. – Olhei pra ele sorrindo.
- Já falei o quanto gosto do seu sorriso? – Sean piscou me fazendo rir e chamar atenção dos outros que olharam pra gente.
- Rindo de que? – Sophia falou, dando um sorriso malicioso.
- Ah, nada que vocês vão achar graça. – Dei um sorriso sem graça levando um leve empurrão de Sean.
- Então tá! Mas olhem lá vocês dois... – Ouvi Sophia falar e senti meu rosto ficar quente e imaginei que fiquei vermelha com seu comentário.
Miranda resolveu colocar um filme, o que gerou outra confusão, mas acabaram resolvendo ver Piratas do Caribe porque diz Eric que é o filme favorito dele e como Miranda não ia negar um “pedido” do namorado ela colocou o filme e apagou as luzes.
Eu ainda estava sentada do lado de Sean, que passou a mão pela minha cintura me puxando pra perto quando as luzes se apagaram – me fazendo estremecer – mas eu deixei a mão dele na minha cintura, não fiz questão de tirar, até porque aquilo não era nem um pouco ruim. Encostei minha cabeça no ombro dele e ficamos assim por um bom tempo até que a campainha tocou, me fazendo pular pra longe. Miranda parou o filme, acendeu as luzes e foi abrir a porta pra pegar as pizzas, chamando Eric para ajudá-la.
- Graças a Deus as pizzas chegaram! Tava morrendo de fome! – falou, colocando a mão na barriga e ouvindo um alerta de mensagem em seu celular. – Mensagem. – Pegou o celular pra ver de quem era e sorriu lendo.
- Quem é? – perguntou.
- Ninguém, amor. – Ele deu de ombros enquanto chegava perto.
- Mesmo, ? Você acha que eu sou idiota... Só pode! – Ela arrancou o celular de suas mãos e leu a mensagem – Não acredito no que eu acabei de ler, . – jogou o celular nele, me fazendo levantar e ir em sua direção.
- Chegaram as pizzas! – Miranda falou percebendo o clima tenso na sala. – O que aconteceu? – Perguntou, vendo começar a chorar.
- Vamos na cozinha, amiga. – Falei vendo lágrimas escorrerendo por suas bochechas. Chegamos à cozinha, seguidas por Miranda e Sophia – que foi direto para geladeira pegar um copo de água para .
- Quer falar o que houve? – Disse preocupada.
- O ... A Rachel... Eles dois! – Falou entre soluços me deixando confusa. Olhei pra Sophia e Miranda e parecia que elas também estavam – Eles tão se encontrando, ficando juntos, cheios de amor um com o outro, e eu confiei quando ele disse que era só eu e mais ninguém. – Terminou de falar chorando ainda mais.
Ficamos as três sem reação. Ninguém ali acreditava no que estava acontecendo. Ouvimos um barulho de porta se abrindo e vimos entrar de cabeça baixa, pedindo pra que nós nos retirássemos pois ele queria falar a sós com . E foi o que fizemos, saímos as três e deixamos os dois sozinhos pra tentarem resolver esse mal entendido, ou não.
Chegamos na sala e sentamos no sofá recebendo olhares preocupados de Eric e Sean.
- Vamos comer! Melhor deixar os dois se resolverem sem ninguém se meter. – Miranda falou triste.
- É melhor mesmo. – Sean falou pegando um pedaço de pizza.
Todos fizemos o mesmo, pegamos um pedaço de pizza e comemos em silêncio. Às vezes ouvindo alguns gritos vindos da cozinha, até que saiu correndo de lá com o rosto extremamente vermelho e foi embora, sem se despedir nem nada. Miranda levantou, mas não deu tempo de alcançar , ela já tinha sumido da rua.
- Agora você vai atrás dela, ! – Miranda gritou pra que estava encostado na porta da cozinha com um olhar triste.
- Vou. – Ele saiu da casa dela sem se despedir também e foi atrás de .
Ninguém falou nada. Miranda sentou de novo e ficamos um olhando pro outro esperando alguém abrir a boca, mas ninguém abria. Isso durou pelo menos uns quinze minutos, até Sophia resolver quebrar o silêncio.
- Eu acho que vou pra casa, tá na minha hora. – Ela levantou.
- Vai lá, amiga. Até amanhã. – Miranda abraçou Sophia.
- Beijos, Sophia, até amanhã! – Sorri pra ela e mandei um beijo.
- Tchau, Sophia. – Eric se despediu.
- Até amanhã. – Sean falou e acenou, fazendo Sophia andar até a porta e ir embora.
- Terminar de ver o filme? – Eric perguntou.
- Por mim. – Dei de ombros.
Eric deu play e correu pra apagar as luzes. Ficamos ali, quietos, vendo o filme e comendo pizza, até começarem a subir os créditos.
- Acho que tá na minha hora... – Falei, me levantando.
- Nossa hora, né? – Sean levantou comigo.
- Então eu e Sean vamos pra casa. – Olhei pra Miranda e Eric que se levantavam do sofá.
- Tchau, Mi. – Dei um abraço nela enquanto Eric foi acender as luzes.
- Tchau, vocês dois... E olhem lá o que vão fazer sozinhos! – Sean piscou pra mim, me fazendo rir e levar um tapinha de Miranda.
- Desculpa. – Falei séria, sentindo uma mão segurar a minha.
- Vamos então? – Sean falou.
- Vamos! - Fomos os quatro andando até a porta.
- Amanhã me conta tudo, Sean. – Eric gritou quando eu e ele estávamos na calçada.
- Contar o que? – Perguntei.
- Nada, relaxa. – Ele piscou.
- Pode deixar, Eric. – Sean acenou e fomos andando juntos até nossas casas.
Fomos andando de mãos dadas pelo caminho todo, falando coisas aleatórias que renderam bastante risadas e olhares suspeitos em algumas situações. Olhares suspeitos, pois é! Sean conseguia ser fofo quando queria e eu tava gostando desse lado fofo.
- Quando você vai me dar uma chance? – Ele falou enquanto soltava minha mão e parava na minha frente.
- Oi? – Fiquei em choque com a pergunta. Não é uma coisa que se escuta todo dia. Pelo menos eu não escuto isso com frequência.
- Me dar uma chance, ! Até parece que você também não quer. – Sean parou do nada na minha frente, me fazendo esbarrar nele.
- Fiquei sem resposta agora. – Sorri sem graça.
- Imaginei que ia ficar, não esperava uma resposta pra poder fazer alguma coisa. – Olhei pra Sean sem entender o que ele tinha acabado de falar. Ele foi chegando perto e eu sabia o que ia acontecer, mas eu não queria fugir, então deixei rolar.
Ele me puxou pela cintura, selando nossos lábios. Sem pensar duas vezes, dei permissão pra ele ir em frente com o beijo. Nossas línguas se encontraram e eu estremeci ao sentir a mão dele passando pelas minhas costas e a outra apertando levemente minha nuca. Sean separou nossas bocas, me fazendo olhá-lo com cara de quem quer mais, segurou minhas mãos e me levou pra um parque que havia do outro lado da rua. Não era muito grande, devia ser mais pras crianças do bairro brincarem nos balanços e escorregas que ali havia. Sentamos de baixo de uma árvore e foi minha vez de fazer alguma coisa.
Colei meu corpo no dele, fazendo o espaço que havia entre nós sumir. Passei a mão por suas costas até chegar na sua nuca e dei um leve arranhão que levou Sean a morder meu lábio. Ele desceu até meu pescoço, dando vários beijos e mordidinhas, enquanto eu dava leves puxões em seu cabelo e apertava meu corpo no dele enquanto ele me beijava. Ficamos assim por um tempo até ele parar de me beijar e me encarar com um sorriso bobo no rosto.
- Foi tão ruim assim pra você ter fugido de mim? – Senti a mão dele passar pelo meu rosto, tirando o cabelo que tinha caído nos meus olhos.
- Não foi nem um pouco ruim. – Falei um pouco sem fôlego e reparando que estava sentada no colo dele.
- Que bom, então podemos fazer isso mais vezes. – Ele piscou.
- Com certeza, Sean. – Falei rindo baixinho, senti o bolso da minha calça vibrar e provavelmente era minha mãe.
- Sua mãe? – Sean pegou minha mão enquanto eu pegava o celular e respondia a mensagem que acabara de receber.
- Ela mesmo. – Sorri pra ele.
- Então é melhor eu te levar logo pra casa, né? – Disse encostando sua cabeça na árvore.
- Mais ou menos, minha mãe não é chata com isso e eu não me importo de ficar mais um pouquinho com você. – Pisquei enquanto sentava do lado dele.
- Gostou do bonitão aqui, foi? – Disse passando o braço pelo meu ombro e me puxando pra perto.
- Você nem é convencido, né? Mas sim, gostei do bonitão. – Encostei a cabeça no seu ombro.
- Tenho meus motivos pra ser convencido. – Falou me abraçando forte.
- Nem vou perguntar os motivos, tenho medo do que posso descobrir. – Falei me separando e levantando, sendo seguida por Sean.
- Vamos que eu vou te deixar em casa. – Segurei a mão dele e fomos andando em silêncio até chegar em frente a minha casa. Subi os degraus da varanda, fazendo um sinal com as mãos pra ele subir também.
- Tá entregue, . – Falou passando seus lábios pelos meus, me fazendo fechar os olhos.
- Até amanhã? – Dei uma leve mordida no seu lábio inferior.
- Claro! – Ele me beijou de novo, só que dessa vez foi um beijo calmo, como se Sean não quisesse que acabasse. Passei minha mão pelo seu rosto, fazendo carinho, e logo separei nossas bocas sorrindo.
- Até amanhã, Sean. Boa noite! – Dei-lhe um selinho e abri a porta sentindo ele segurar meu braço.
- Vou poder ter mais disso, né? – Sean me olhou de cima abaixo, parando na minha boca e depois voltando a me olhar nos olhos.
- Vai, Sean. – Sorri pra ele entrando em casa, fechando a porta e encostando-me nela.
Então eu tinha acabado de ficar com Sean e, pelo jeito, ele não ia deixar aquela ser a primeira e última vez. Foi bom ter ficado com ele? Foi ótimo! Mas eu não tenho certeza se isso vai ser bom pra mim... Eu me mudei não faz tanto tempo e a última coisa que eu quero é me envolver com alguém e sair machucada como saí do último namoro que tive. Além do mais, Sean estava todo carente, precisando de atenção, e talvez tenha sido esse o motivo de ter me beijado e falado o que falou antes de ir embora. Provavelmente amanhã eu vou ser só mais uma com quem ele ficou, apesar dele ter sido um amor comigo, mas é melhor parar de pensar nisso, não vai me levar a lugar nenhum.
Suspirei ao pensar nisso e resolvi subir as escadas pra tomar um banho e ir deitar, porque o próximo dia seria longo. Eu teria que conversar com Sean sobre o que aconteceu e ainda tinho que começar a pensar em algo pra resolver isso tudo antes que tomasse proporções maiores e alguém acabasse se machucando.

N/A: Leitoras fofinhas, primeiro devo pedir desculpas por demorar tanto na atualização mas eu tava sem foco esses dias pra escrever. Demorei muito pra terminar o terceiro capítulo, mas graças a Deus ele saiu, então espero que gostem. Segundo, obrigada pelos comentários e por terem paciência e esperarem o terceiro capitulo, hahahaha e é claro acompanharem a fic. Agora terceiro, mas não menos importante... Quero agradecer a pessoa mais importante pra mim desde que coloquei a fic no site, minha beta linda e maravilhosa, Andy. Obrigada meeeeeeeeesmo por me aturar, por me ajudar, você é uma fofa e vai precisar me aguentar muito ainda! s2s2 Então é isso, espero que gostem da atualização e podem me cobrar se eu demorar muito pra atualizar de novo. @thamiris_x

N/B: Ha, estou sem palavras, Thamy! Você sabe que não precisa me agradecer, faço tudo de coração! E eu adoro a sua fic, então espero ver mais capítulos em breve. (:
xx