Do Ya?
Autor: Dazzy Hudson
Beta-Reader: Any
Capítulo 1: Maldita sorte
’s POV
Realmente eu tenho mil motivos pra estar extremamente irritada. E triste, aliás. O que deu na cabeça do Peter pra terminar comigo do nada? Caramba, eu gosto dele! E muito! Então ele me vem, assim, de repente, e diz que não sente mais nada por mim, que foi bom enquanto durou, mas
que está na hora de acabar.
Agora estou aqui, parecendo uma idiota, correndo no meio da rua toda descabelada, com a maquiagem toda borrada e debaixo de chuva. Uau, devo estar parecendo uma macaca de circo.
Senti meu celular vibrando no bolso da calça e o puxei pra atender. No identificador de chamadas estava o nome da minha melhor amiga, . Ponderei se deveria atender ou não. Por um lado eu queria contar
a ela sobre as coisas que Peter me disse, sobre como estava me sentindo. Por outro eu queria me isolar do mundo pra sempre e passar o resto dos meus dias sendo emo no quentinho da minha cama. Resolvi atendê-la;
Ser emo nunca foi meu forte.
-Alô, ?
-! – a ouvi suspirar, aliviada. – Caramba, eu devo ter te ligado umas mil vezes!
-Ah... Aconteceram umas coisas aí... – senti meus olhos se enchendo de lágrimas de novo.
-Que coisas? – perguntou com um ar preocupado.
-Ah... – suspirei, tentando correr mais rápido para atravessar a pista logo. – Sabe o Pe... –
comecei, mas fui interrompida pelo meu próprio grito. E a próxima coisa que vi antes de tudo ficar escuro foi o asfalto.
***
Abri os olhos devagar. Não conseguia ouvir muita coisa e a última coisa da qual eu me lembrava era de estar contando á sobre Peter. Eu estava num lugar todo branco e esquisito, olhei em volta, tentando focalizar as coisas e vi alguns aparelhos com luzes piscando.
Eu estava num hospital?
-! – gritou minha mãe, com um tom de voz tão fino que me doeu os ouvidos. – Meu anjo! Está tudo bem?
-Ah, finalmente acordou! – sorriu uma moça que eu nunca havia visto antes. –Meu bem, você está com alguma dor? Está enxergando direito?
-Eu... Estou me sentindo ótima! – disse, tentando me levantar. Ops! Talvez não estivesse tão ótima. – Ok, estou toda doída. –
deitei de novo, só então notando o gesso no meu braço. – Alguém pode me dizer o que aconteceu?
-Ahn... – começou minha mãe. Mas foi interrompida pela entrada do meu pai e de .
-Ai, amiga! Que bom que você está inteira! – ela gritou. – Eu fiquei tão preocupada! Você começou a falar do Peter e então deu um grito ensurdecedor e a ligação caiu! Nossa, eu fiquei tão louca da vida que liguei pra tua mãe até ela me contar que você... –
parou, arfando. – Estava aqui.
- Ah, ! Sua mãe quase morreu de preocupação... – começou meu pai, com um semblante cansado.
- Legal... – respondi. –Quer dizer, não é legal... Ahn, er...
- Acho melhor ela saber o que houve, não? – perguntou ele, parecendo preocupado.
- Certo... – começou minha mãe.
- Ahn, Sra. ... Pode deixar que eu conto! – adiantou-se . –Eu... Preciso falar sobre algo super sério com ela! – Pediu, fazendo certo drama.
Meus pais concordaram e saíram da sala. Eu achei muito suspeito eles terem desistido assim tão fácil, mas tudo bem.
- ! Você é a pessoa mais sortuda da face da terra! – gritou, animada.
- Hã? Eu estou presa numa maca de hospital, cheia de dores, levei um toco do meu amado quase namorado e sou sortuda?
- Nossa! Então era isso que ia me contar?
Nossa, que amiga! Eu aqui chorando as pitangas porque meu ficante-super-gato-e-fofo terminou tudo comigo e ela faz essa cara de “E daí?”
- Pode me contar o que aconteceu, por favor?
- Vamos lá... – ela suspirou. –Você foi atropelada. – completou. De início fiquei meio em choque.
- Nossa... Que mal! – respondi boquiaberta. – E pode me dizer onde está a sorte nisso?
- Bem... Agora amiga, segure-se por que... Você foi atropelada por ninguém mais, ninguém menos... –
sorriu. – Que !
Eu fiquei tentada a rir da piada, mas isso iria doer... E muito.
- Caramba, ! Eu sei que você quer me animar, mas não precisa inventar uma mentira descabida dessas!
- Hm... Mas é verdade. – ela arqueou as sobrancelhas.
- Você é louca amiga... É sério. E não me faça rir, dói, sabe?
- ! Não é brincadeira! – agora ela que riu. – Quando digo que você é muito sortuda...
- DESDE QUANDO SER ATROPELADA É SORTE?! – gritei. Acho que exagerei, mas ela devia estar louca! Dude, ser atropelada não é sorte. Mesmo que seja pelo seu ídolo. E eu sei que ela está mentindo.
- Ei! As senhoritas podem acalmar os nervos? – a enfermeira entrou no quarto, olhando com certa incredulidade para minha amiga, que segurava o riso, e pra mim, que fazia cara de irritada.
- Desculpe... – , que é como ela gosta de ser chamada, fez cara de boazinha. – Acho que minha amiga está tendo... Crises
existenciais. Acho que a pancada afetou os neurônios dela!
- Muito engraçada, senhorita. – disse, séria. fez-se de ofendida. – Mas a sua amiga precisa descansar. –
ela sorriu.
É ela tinha razão. Só agora, depois que ela falou que percebi o quanto me sentia acabada. Talvez uma soneca me fizesse bem... Quase não vi quando a enfermeira saiu do quarto com em seu encalço.
’s POV
- Dude, já falei mais de mil vezes que não queria atropelar a menina... – Eu não sei o que o tem na cabeça. Até parece que eu ia atirar o carro na garota. Eu não sou nenhum homicida.
- Mas atropelou, oras! – suspirou. – Cara, e se essa menina processa a gente?
- Ela não vai fazer isso. – respondi. – A mãe dela não quis nem registrar ocorrência!
- Resolva isso. – concluiu.
- A tá, beleza. – respondi irônico. – Vou ao hospital, sei lá, ver se a menina acordou. Depois a gente se fala. – e desliguei o telefone.
Eu odeio esses ataques de responsabilidade do . O bom é que isso quase nunca acontece. O pior é que quando acontece é culpa minha... Ou do .
Eu estava na frente de uma lanchonete, entrei no carro e segui pro hospital. Eu juro que o acidente não foi minha culpa... Quer dizer, a guria praticamente se jogou na frente do carro, até pensei que ela fosse suicida.
Afinal, que tipo de pessoa sai correndo no meio da pista debaixo de chuva? Só gente maluca mesmo!
Pior foi a amiga dela gritando que nem uma gralha quando a viu desacordada. Ela só parou de chorar quando me viu... Eu sou foda, já sei.
Deixei o carro no estacionamento, passei pela recepção e peguei um elevador pro sétimo andar, onde ficava o quarto dela. O mais legal é que estou me sentindo a pessoa mais idiota do mundo. E o que eu vou falar pra ela? “Ah, oi. Tudo bem? Claro que não. Esqueci que quase passei com o carro em cima de você. Desculpa aí. E á propósito, da próxima vez não saia se jogando na frente dos carros.”
Uma vez no andar vi a família e a amiga maluca dela, na sala de espera. No momento que cheguei todos se viraram pra mim, me senti mais imbecil ainda.
- Er... Ela acabou de ir dormir... – disse a amiga dela com cara de quem queria dizer algo, mas não tinha coragem. Não sei por que essas meninas têm mania de ter... Medo? Ah, acho que é, de mim.
- É mesmo? – eu disse, mais por falta do que dizer do que qualquer outra coisa. – E está tudo bem com ela?
- Aparentemente sim. – respondeu o pai dela. – Muito obrigado por não ter largado a nossa Dazz lá sozinha, meu rapaz! –
rle sorriu. – Depois podemos acertar as contas do hospital, sim?
- Não precisa... Em parte foi culpa minha. Fica por isso mesmo. – É, eu estava tentando parecer uma pessoa normal, mas não deu muito certo. Eu estava com vontade de rir.
- Ah, obrigada. – a mãe sorriu.
- Ahn... ? – chamou a amiga. Tenho que lembrar o nome dela. – Você pode escrever um autógrafo, bilhete, sei lá... Qualquer coisa... Pra a Dazz? –
ela deu uma risada. – Acho que ela não acredita que o am... Que um cara famoso que nem você esteve aqui. – A menina ia ficando vermelha, de tanto rir.
- Ah ta. Ok. – respondi. Eu sou acostumado a dar autógrafos, assinar camisetas e outras coisas mais bizarras, mas dadas as circunstâncias...
Sorri, pegando o papel e a caneta que a menina tirou da bolsa e rabisquei algumas coisas.
’s POV
Acordei novamente naquele hospital. Eu realmente queria ter sonhado tudo isso e acordar no meu quarto fofo e cheiroso. Mas nem tudo é como queremos.
Vi minha mãe praticamente dormindo numa poltrona e andando pra lá e pra cá.
- Finalmente acordou! – sorriu ao me ver de olhos abertos.
- Nossa, dormi tanto assim?
- Umas doze horas... – riu. Nossa! Eu não durmo tanto assim nem no primeiro dia de férias! – É uma pena... Você perdeu uma visita que iria querer ver. – Deu um sorrisinho maroto.
- Visita? Vai dizer que o Peter veio aqui? – perguntei, cheia de esperança. Sei lá, vai que ele quer voltar.
- Que Peter o quê! É muito melhor... – sabe ser irritante quando quer. E me deixar curiosa também!
- Caramba! Você quer que eu tenha um ataque cardíaco? Fala logo! – pedi.
- Seu amado esteve aí! – riu. – É uma pena que não tenha trazido o com ele! –
suspirou. – Se tivesse, eu já estaria bem longe daqui! – Nós duas rimos. Quer dizer, ela riu, eu só soltei um ruído que parecia um motor pifando, mas enfim.
- Ok, pode parar com a brincadeira!
- Não é brincadeira, sua tonta! – tirou um papel cuidadosamente dobrado de dentro da bolsa o abriu e colocou na frente do meu rosto.
Quase tive um infarto quando vi um número de telefone, seguido da assinatura: .
Capítulo 2:
Ok. Isso podia ser o número de telefone de qualquer pessoa... Aliás, ela poderia ter inventado aquilo, oras! Mas por que diabos zoaria com a minha cara dessa maneira? E algo me dizia pra acreditar nela, pelo menos uma vez na vida. Como deveria ter feito quando ela me disse que o Peter ia me largar quando “enjoasse” de mim.
- ... Você pode me explicar o que é isso? – perguntei, com as sobrancelhas arqueadas. Esse era um movimento que eu podia fazer sem sentir dor nenhuma.
- Um número de telefone, oras! Esqueceu como se lê? – perguntou, parecendo irritada. – , olha o que eu tenho que fazer pra você acreditar em mim? – dramatizou.
Ok, olhando assim pode parecer que eu sou uma amiga desumana que não confia nela, mas tenho meus motivos pra ficar com um pé atrás em relação as maluquices da .
É só me lembrar de quando ela me fez fazer uma experiência “científica” no laboratório do colégio queimando garrafas PET. Nós levamos uma semana de detenção e ainda fomos obrigadas a limpar todo aquele plástico derretido das mesas. Isso sem contar a poluição ao meio ambiente, claro.
- Ahn... O que você quer me mostrando um número de telefone?
- Ai meu santo! – disse, dando um tapa na própria testa. – O que eu fiz pra merecer uma amiga tão lerda? – suspirou. –, é simples. Não acredita em mim, liga nesse número e tira a prova! É sério, eu juro que é verdade. Juro pela nossa amizade! – ela puxou uma correntinha com um pingente de estrela. Era nosso “símbolo de amizade”, havíamos comprado há uns dois anos.
- Tudo bem, eu acredito em você. Satisfeita?
- Claro que não! Só está falando por falar! – insistiu, cruzando os braços. Ok, isso tinha lá seu fundo de verdade. – Quer ver? Eu ligo pra ele agora! – pegou o celular na bolsa.
- Não! – gritei, meio assustada. – Ficou louca? Por favor, amiga! Esquece essa sua maluquice, sim? – dei uma pausa e ela concordou com a cabeça, rindo. – Você sabe quanto tempo vou ficar aqui?
- Hm... Não sei ao certo... Provavelmente uns dois ou três dias. – deu uma pausa, parecendo triste. – Prometo que te visito todo dia!
- Eu sei que você não consegue viver sem mim! – pisquei.
- Pensei que fosse o contrário... – riu. – , daqui a pouco tenho que ir pra casa... Amanhã é quarta, tenho aula. – completou, desanimada.
Já estava me esquecendo das aulas, com 17 anos estou terminando o ensino médio, o que é realmente ótimo.
- Ah! Finalmente vou me livrar de você! – suspirei, fingindo felicidade.
- Se você já não estivesse toda arrebentada eu te batia, sua chata! – riu. – Desse jeito não volto pra te torrar a paciência.
- Por favor, volte. Nem que seja só pra me encher o saco. – nós duas sorrimos. Realmente, ficar num hospital sem uma amiga pra fofocar seria horrível.
A enfermeira entrou novamente no quarto. Sorriu ao me ver acordada e depois olhou para .
- Srta, seu pai está aí pra te buscar. – disse, sorrindo de leve. – E te mandou melhoras! – olhou pra mim.
- Não disse? – girou os olhos. – Bem, agora é hora de ir... Droga! Ainda tenho
que contar pra a sobre o que te aconteceu! Ela vai ficar louca da vida! –
lembrei de , outra amiga, porém não tão chegada assim. Mas gosto dela, ela é uma boa pessoa.
- É, ela vai morrer mesmo... – suspirei. Detesto preocupar as pessoas.
- Pensa no que te disse! – ela riu e piscou um olho. –Tá, parei de brincadeirinha. Melhoras amiga! – me deu um beijo estalado na bochecha e sorriu. – Sério, ainda preciso de alguém pra fofocar comigo... Então me prometa que vai ficar bem o mais rápido possível!
- É o que espero... – sorri, tentando parecer animada. Então minha amiga acenou e saiu.
***
Ainda bem que só fiquei mais dois dias no hospital... Sério, aquilo estava totalmente insuportável! Mesmo com as visitas de , com suas palhaçadas e claro, as fofocas malucas dela. Me senti extremamente aliviada quando vi meu prédio pela janela do carro... Já podia sentir o cheiro de casa! Desci do carro vagarosamente, seguindo pra dentro do prédio. É, eu estava tipo... Só o resto mesmo. Eu queria deitar na cama e ficar dormindo pelo resto dos meus dias.
Tá, exagerei. Eu só precisava descansar um pouco mesmo.
Finalmente, depois de subir os quatro andares de escada, entrei no meu apartamento. Meus pais vinham logo atrás, parecendo preparados pra qualquer desastre que eu pudesse causar. Fui direto pro meu quarto, sentindo o aroma de “lar” que ele me trazia, sério, parecia uma eternidade desde que fui parar naquele lugar horrendo.
Tomei um banho demorado, fazendo o máximo pra não molhar o gesso e segui até meu quarto. Vesti um pijama confortável e enquanto penteava meus cabelos a porta do quarto abriu-se estrondosamente e entrou, como um furacão.
- É tão bom te ver inteira! – riu. – Então... Como está se sentindo?
- Feliz em saber que minha amiga não sabe bater na porta. – murmurei, irritada.
- Ah, até parece que você bate na porta quando vai me visitar! – rebateu. É, isso é verdade.
- Tá, brincadeirinha... – dei uma pausa. – Acho que estou bem, sabe como é, pelo menos estou na minha casa. Não aguentava mais ter que comer aquela gororoba que aquele pessoal chama de comida.
- É, ainda bem que eu não tinha que comer aquilo. – enfatizou o “eu”.
- Haha, vai fazendo inveja! – gritei. – Hm... E o que te traz aqui mesmo? - arqueei as sobrancelhas.
- Bem, minha amiga saiu do hospital... Resolvi vir aqui dar uma forcinha! – sorriu. – Mentira. Eu só estava entediada mesmo. – mostrou a língua.
- Nossa, que dó.
- Ei, ei... Você está muito mais digna de dó do que eu! – sorriu perversa. – Olha esse cabelo! – ela riu e eu girei os olhos.
- Dá um desconto, vai? – suspirei, entediada. –E só não te expulso porque quero saber o que aconteceu de interessante enquanto eu estava fora!
- Mentirosa! Eu sei que você me adora!
- XoXo, gossip girl... – brinquei, ela riu.
- Bem, temos muita coisa pra fofocar! – olhou em volta, provavelmente pensando no que fazer.
O resto da noite foi uma típica festa-do-pijama-retardada. Comemos um monte de coisas que vão nos deixar gordas e cheias de espinhas, porém felizes. Assistimos um filme e alguns episódios de CSI, contamos fofocas, falamos “abobrinhas” até quase amanhecer
e então finalmente resolvemos cair no sono.
***
Acordei com o alerta de mensagem do meu celular. Devia ser coisa da operadora... Mas mesmo que eu tente ignorar, eu sempre acabo olhando. E assim
o fiz.
Ok, eu devia acreditar na de vez em quando.
N/A: Oi meus docinhos de primavera (???) \o/ Tudo bem com vocês? Bem, queria pedir desculpas pela demora... Eu sou meio enrolada, mas vou tentar postar o próximo mais rápido! :D E queria agradecer também
a todo mundo que leu/comentou! Sério, é muito importante pra mim... Espero que vocês curtam o capítulo, ficou curtinho, mas os acontecimentos seguintes são do próximo capítulo u3u *chata* E desculpem pela falta de suspense ¬¬ Eu sou meio previsível... Haha! Bem, não sei o que mais posso dizer aqui, então fica só isso! Até o próximo 8D
Beijos, Dazz.