Don't Trust Me
Autor: Cáa Pardine
Beta-Reader: Any

Prologue.

Nunca imaginei que pudesse me decepcionar dessa forma. Ainda mais comigo mesma.
Normalmente dói menos quando a decepção é com outra pessoa, mas não estou falando que não dói. Dói. E muito.
Na última vez em que ele me decepcionou, me senti horrível. Senti-me morta e, juro que pude sentir meu coração se partir em mil pedaços. Por incrível que pareça, não achei todos ainda.
Não deixei de viver, isso seria imprudência de minha parte. Apenas... Fiquei distante. Parecia um er, tumor maligno. Você pode conviver com ele. Às vezes vai doer, outras, incomodar, mas você sabe que o momento terrível chegará. Aquele momento que todos esconderão de você alegando sua fraqueza. O tão esperado e, ao mesmo tempo temido, fim precoce.
Analogias nunca foram meu forte, mas acho que desta vez eu acertei. Não estou falando que morrerei. Isso é um fato concreto, todos morrerão um dia. Mas enquanto vivemos o pior que pode acontecer é a decepção e, mais uma vez me decepcionei.
Dessa vez não me decepcionei com outra pessoa. Foi comigo mesma e, me senti pior ainda. Voltando às analogias, é como se tivesse vários tumores espalhados pelo meu corpo, todos doendo e incomodando ao mesmo tempo.
Não enxerguei o sentimento mais óbvio e bonito do mundo, o amor. O amor pode ser – na maioria das vezes. – puro e translúcido.
Nós é que deixamos nos cegar.

One – Remember the Past.

- SAIA DAQUI !
- , eu já disse que sinto muito...
- EU NÃO QUERO SABER! VOCÊ NÃO TEM QUE IR!
- Mas eu preciso, ...
- ENTÃO VAI! NÃO QUERO MAIS TE VER!
- Não faça isso, , meu voo sai daqui cinco horas, queria me despedir. Nós podemos ficar bem, eu...
- SAIA DAQUI! EU NÃO QUERO OLHAR NA SUA CARA! SAIA! – a menina arrancou a inseparável pulseira com toda a sua força, sem abrir o fecho e nem nada. Jogou-a no rosto do rapaz. – E LEVE ISSO COM VOCÊ!
- , nós podemos ser ami… - o rapaz dava espaço aos soluços e lágrimas que escorriam com fervura de seus olhos perfeitamente .
- CHEGA! SAIA DAQUI! NÃO QUERO MAIS TE VER! NUNCA MAIS! ADEUS !
se sentou na cama com seus nervos à flor da pele, passou a mão esquerda em sua testa e constatou que a mesma se encontrava molhada pelo suor.
Haviam se passado dois anos e aquela lembrança atacava seu ponto mais fraco: O subconsciente.
Não poderia se martirizar e muito menos refletir sobre isso agora. Amanhã suas aulas recomeçariam e ela queria estar descansada. Último ano, finalmente.
Pegou seu cachorro de pelúcia (que estava perdido no meio do edredom de cor beterraba) e deitou em sua cama abraçada a ele. Desejava que, pelo menos essa noite, não voltasse a ter tais indesejadas lembranças.

Two – First Day.
(Aviso: Daqui para frente você narra! :D’)

Acordei cansada, impossível ser diferente depois daquele mesmo sonho. Não me permitiria que essa lembrança me atacasse de novo. De jeito maneira. Espantei todos os resquícios daquele sonho e fui tomar um banho.
De manhã tudo é mais devagar devido ao meu estado vegetativo de quando acordo. Olhei para o relógio, que fica no criado mudo, depois que saí do banho e vi que – por incrível que parecia - ainda estava adiantada.
Coloquei meu uniforme e constatei que ele estava apertado. Nota mental: Falar com minha mãe sobre isso.
Olhei-me no espelho e vi que realmente estava apertado, a saia estava mais curta do que me lembrava, a camisa estava curta também, mas não estava marcando muito quando comparei com a saia. Droga. Coloquei um casaco que esquecera lá em casa e torci para ninguém mandar tirá-lo quando pisasse na escola. O casaco, querendo ou não, combinava com o uniforme, era preto – igualmente a saia - e tinha alguns detalhes brancos na gola e manga – o que ajudava a combinar com a camisa branca que vestia. O cheiro de era forte naquele casaco e ri sozinha com isso. Estava com saudades daquele menino, mesmo tendo encontrado ele e os outros na semana passada. Ajeitei mais o casaco e parei de cheirá-lo, vi que o comprimento dele chegava à altura da minha saia, não ajudou muito, mas ficaria assim.
Fui até minha penteadeira e peguei o anel que usava há oito anos, presente de aniversário do . Amava aquele anel e, só o amava mais porque sabia que estava juntando dinheiro para comprá-lo na época. Ele falou com e pronto, foi o melhor presente de aniversário de nove anos.
Calcei meu all star branco e não me importei com nada. A escola queria que as meninas fossem bonequinhas perfeitas e os meninos, cavalheiros. Iria levar bronca, mas pelo menos estaria confortável. Uso salto para sair e não para ficar o dia inteiro na escola, ponto final.
Depois de minha discussão mental decidi descer e comer algo antes de ir para a escola.

Enquanto descia as escadas pude ouvir minha mãe reclamando com papai sobre Sasha. Sorri imaginando o que a draguinha tinha aprontado e, no mesmo instante, fechei a cara. A culpa seria minha, certeza. Dei meia volta e subi para meu quarto de novo. Aproveitei e passei lápis de olho e dei uma última ajeitada no meu cabelo. Peguei minha mochila e, desci definitivamente dessa vez.
- Bom dia, família. – falei chegando à cozinha e sentando-me no meu lugar preferido. De lá via Sasha brincando com algum infeliz inseto – que morreria em breve- e também via a piscina. Adoravelmente clichê, mas aquela vista me relaxava.
- Nada de bom dia mocinha, viu o que a Sasha fez dessa vez? – mamãe me olhou brava e apenas neguei com a cabeça, revirando os olhos quando ela olhou de relance para o animal lá fora, no deck. – Ela destruiu a casinha dela, juro que dessa vez não comprarei outra, aquela cachorra é impossível, nunca vi igual...
- Mãe, ela é um filhote. – me levantei e olhei para papai suplicante.
- É verdade, tem razão, amor. Deixe para lá. – papai levantou e deu um beijo em mamãe – Vamos, ?
- Vou com meu carro hoje... – fui até a geladeira, peguei o leite e bebi da caixa mesmo, só eu bebia leite naquela casa. Eu e Sasha. Peguei uma barra de cereais do armário e me despedi de papai e mamãe com um beijo carinhoso na testa e no rosto, respectivamente. Papai – que agora tinha sentado de novo, já que iria com meu carro - falava com mamãe sobre a viagem que faríamos no final de semana – acho eu -, fazia tempo que não visitava vovó e vovô. Seria legal.
Passei pelo deck rapidamente e brinquei um pouco com Sasha. Enquanto caminhava para a garagem pude ouvir o choramingo dela, normal, sempre que saía essa cena se repetia.
Entrei no carro e pude sentir meu próprio perfume, abri as janelas e fui para escola ouvindo Seven Nation Army do White Stripes.

O colégio nunca mudava; Sempre o mesmo uniforme, apesar de algumas meninas exigindo a mudança dessa regra; As mesmas árvores, as mesmas pessoas. Uma palavra para tudo: chato.
Revirei os olhos quando vi líderes de torcida e jogadores me encarando, ajeitei a mochila no meu ombro esquerdo e fui a busca de todos.
Dava para ouvir a risada escandalosa de de longe, só assim para encontrá-los. Sorri com esse pensamento e continuei andando até notar minha presença.
- ! – ele me abraçou forte, sorrindo. Ri junto.
- Hey lindo, como vai?
- Melhor agora. – rimos, foi inevitável.
Depois do , abracei e . Olhei para e sorri. Sabíamos o que cada um pensava ou sentia em qualquer momento e, aquela situação não era diferente.
Ele foi andando e sorriu só aquele sorriso que ele sabia dar. Sorri de volta, mas tenho certeza que se comparássemos nossos sorrisos naquele instante ficaria chateada por saber que o meu não era tão bonito. O sorriso dele tocou seus olhos ... E por um minuto tive o pânico de estar vendo em minha frente. Os dois se pareciam quando sorriam, o sorriso tocava os olhos de tal maneira que ficava impossível descrever.
Afastei esse pensamento, não queria pensar nele, já tinha sonhado, estava com minha cota estourada hoje.
- Não vai falar nada mesmo? - finalmente se pronunciou.
- Estava pensando em falar o mesmo para você.
- Eu sei. – mais um sorriso. Os meninos, provavelmente, já estavam entretidos com outra coisa, não me importava agora.
- Estava com saudades...
- Você fica linda com o meu casaco. – corei e não consegui falar nada, apenas olhei para baixo, deixando meu cabelo cair e esconder meu rosto vermelho. – Hey, vem aqui me dar um abraço. – mais uma vez, nada falei, só dei dois passos e minha cabeça tocou no peito de . Levantei-a e procurei a curva do pescoço dele, encaixei meu rosto lá e passei minhas mãos pelos seus ombros fortes. Ele passou os braços pela minha cintura e colocou sua cabeça de um modo que conseguiu depositar um beijo na minha bochecha e depois ficar cheirando meu cabelo – Estava com saudade, pequena.
Não disse nada, ele sabia o que estava pensando, não iria estragar aquele momento com o meu melhor amigo.

Three – I still loving you.

- Como assim, ? – Jared gesticulava inconformado com a minha viagem. Ok, não com a viagem, mas com a data, era segunda-feira e partiria terça-feira de manhã. Recebera um SMS de papai minutos antes. Voltaria só na outra segunda, mas não tinha saída, papai só tinha conseguido folga nesses dias e, como as aulas haviam acabado de começar, decidi que algumas faltas não fariam mal a ninguém.
- Dessa vez tenho que concordar com ... - falou olhando algum ponto fixo. Ainda estávamos no pátio e ainda estava empoleirada em . já deveria ter chego, faltava pouco para o sinal tocar...
- Mas você só volta semana que vem mesmo, ou vai conseguir chegar antes? - sussurrou em meu ouvido e não pude evitar de estremecer.
- Já falei para não fazer isso... – falei em baixo tom para ele, e pude ouvir sua risada nasalada, mesmo não o vendo sabia que ele estava rindo. – E não, faz tempo que não vejo meus avós, vou ficar lá até meus pais decidirem voltar. – Falei em alto e bom som para todos ouvirem essa última parte.
- Você sabe que vamos sentir sua falta, não é mesmo ? - pergunta para mim, mas olha para que nesse instante passa a apertar mais minha cintura. Não entendi o motivo desse stress, mas deixei passar assim que vi se atrapalhando com sua mochila e vindo em nossa direção. Saí – com muito custo – dos braços de e fui abraçá-la.
- , que saudades menina! – ela falou me abraçando forte. Sorri e logo deixei os meninos a abraçarem também.
Depois de todos terem abraçado , pudemos ouvir o sinal tocando. O mesmo barulho chato que vai nos atormentar até o final do ano...

- , você é maior, veja em que sala eu estou, por favor? – perguntei fazendo cara de pidona. Ele riu e logo se colocou em meio aquela multidão fútil, para checar meu nome em alguma sala. Torci para todos estarmos juntos, mas seria uma doce ilusão. Os outros ainda estavam no meio daquela multidão em que acabara de entrar e, sinceramente, estava com medo de ficar sozinha. Não seja boba, . Pensei comigo mesma.
Ninguém iria me morder ali...
- ? - perguntou assim que pude avistar a cabeleira inconfundível dele. Sorri e acenei, indicando que estava no mesmo lugar em que ele – e os outros. – me deixaram. – Pequena, você está junto com na maioria das aulas...
Parei de sorrir. estava em uma sala diferente na maioria das aulas? também? E quanto ao e ?
- Só ele e eu? – Tentei parecer corajosa, mas não consegui. Queria pelo menos mais alguém comigo. Egoísta, eu sei.
- Nop. - aparece do nada atrás de mim, abraçando-me pela cintura. – Na verdade, não estamos sozinhos não... A está com a gente na maioria das nossas aulas também. – Ele sorriu, encostando o queixo em meu ombro. Sorri junto, agora estava bom.
- Então, vamos! – falo rindo, olhando para , que estava na minha frente. Ele sorri cabisbaixo e vejo indo em direção a , desviando e indo para a nossa sala de aula.
- Não estamos juntos... - diz, segurando minha mão.
- Ainda temos o almoço para ficarmos juntos... E com certeza algumas aulas perdidas, que não vimos ainda. – Com nossas mãos entrelaçadas acariciei sua bochecha macia. Nós dois rimos.
- Eu... – Ele suspira. -... Só acho que esse ano vai ser difícil ficar longe de você. – ele sorriu de lado e notei algo diferente naquele sorriso, não me parecia sincero, não sei.
- O que está acontecendo, ? – Perguntei receosa.
- Nada, . – ele olhou para baixo quando respondeu e, só não insisti porque ouvi a voz do professor de geografia avisando que não iria aceitar alunos entrando na classe depois dele e pude ver de soslaio ele entrando na minha sala. Droga.
Olhei para e apenas saí, sem me despedir.
Entrei na sala e pude avistar um lugar no fundo, reservado para mim. Só supus isso porque vi na carteira ao lado e na frente da mesa vazia. Sorri com isso e me dirigi até lá.
O professor de geografia – Sr. Digby – era bem rígido no quesito silêncio. Conclusão: Sem falar com e até bater o sinal.
Devaneando mais do que tudo naquela aula, me pego pensando naquele dia, em casa...

#flashback – Three years ago.

- , tem certeza que se entrarmos na piscina a essa hora não ficaremos doentes? - perguntava insistentemente para .
- Tenho certeza que não, está calor. Não é mesmo, ?
- Dude, deixa ele, não está vendo os dois se agarrarem na cozinha, não? - perguntou alto, de modo em que conseguíssemos ouvir.
- Es-espera-a u-um pou-uco. – esbafori e vi o sorriso lindo de aparecer.
- Cla-ro-o. – a falta de fôlego de nós dois me fez rir e ficar mais esbaforida ainda. Sorrimos depois de recuperar um pouco o fôlego e dei um selinho carinhoso em .
- Lindo.
- Eu te amo. - sorriu mais ainda e, quando fui responder, ele me cortou. – Demais.
- Eu também. – sorri e voltamos a nos beijar. segurava minha cintura fortemente enquanto eu bagunçava e puxava seu cabelo. Pude sentir uma das mãos dele embaixo da minha blusa e arrepiei. Ele sorriu e, fiz o mesmo com ele. Nós dois arrepiamos e rimos entre o beijo, aproveitei e mordisquei seu lábio, sorrindo. Pude ouvir um gemido de seu e sorri mais ainda. me prensou na parede e, quem gemeu involuntariamente dessa vez, fui eu. As mãos dele me deixavam louca, a cada toque era um arrepio inevitável. Quando dei por mim, minha blusa se encontrava em qualquer lugar da cozinha, menos em meu corpo. Já não nos importávamos com nossas respirações falhas, só queríamos nos sentir. Tirei a camiseta de e sorrimos, cúmplices. Agora nossas mãos não paravam quietas, e, quando ele tentou desamarrar meu biquíni, pudemos ouvir nos chamando.
- Dro-ga-a... – sussurrei nervosa e, mais uma vez, sem nenhum fôlego.
- Ca-alma. – ele esperou um pouco para continuar. Só ouvíamos nossas respirações alteradas e, depois de alguns segundos, só a minha era audível. – Vai primeiro, que te encontro na piscina. – sorri entendendo o motivo, o beijei mais uma vez e fui para o deck.
Encontrei todos dentro da piscina e fiquei observando-os. Amava demais meus amigos e meu namorado. Sorri sozinha com esses pensamentos, quando de repente sinto duas mãos envolverem minha cintura e um queixo ser depositado no meu ombro. Sorri.
- Hey casal, vamos brincar de marco-pólo? - pergunta feliz. Aceitamos com a cabeça. – Então quem entrar na piscina por último vai ficar gritando pólo! – Dito isso, me puxou para trás e salta na piscina. Emburrei a cara e fui para perto das cadeiras de plástico que tinham no deck. Tirei meu short e andei até a beirada da piscina.
- , você me paga!
- Adoro quando você fica brava. – ele sorri, apoiando os braços na beirada da piscina. – Entra logo, pegadora. – Pisca provocante para mim e, por mais idiota que isso parecesse, fiquei extremamente boba, sorrindo para ele.

Estávamos brincando há uns dez minutos e ainda não tinha pego ninguém. Era péssima nisso.
- MARCO! – gritei pela milésima vez. Ouvi alguns sussurros e fechei a cara. Isso deveria ser um plano diabólico da contra mim... Óbvio. – Parem de cochichar e falem pólo, cacete!
Ouvi passos fora do deck e depois o famoso ”cleck” que a porta de vidro fazia quando era fechada. Quando vou abrir os olhos para ver o que está acontecendo, ouço uma voz que me fez arrepiar inteira pela sua proximidade.
- Pólo. - sussurra em meu ouvido.
- Pego. – sussurro também, enquanto virava para ele, puxando-o para perto pelos cabelos e acabando com aquela maldita distância entre nós.

#endofflashback – Three years ago.

Como poderia me enganar ainda? Estava claro de que continuava amando-o, só eu não via isso. Senti um aperto no coração e depois ouvi o sinal bater.

Four – Yeah, I know but can’t do anything.

Olhei de soslaio para , eu tinha que conversar com ela. Nesses dois anos, o assunto que mais evitei foi e agora precisava falar sobre ele com alguém.
- , qual a sua próxima aula? – perguntei esperançosa para que fosse alguma aula inútil e pudéssemos cabular no jardim atrás das salas.
- Acho que é ética... Por quê?
- , o tinha pedido para te entregar… - falou voltando novamente para a sala de aula. Agradeci e vi meu horário. Próxima aula: literatura.
Olhei para e tenho certeza que meus olhos transmitiram o pedido para passarmos a próxima aula no jardim. Ela sorriu e seguimos para lá em silêncio.

- Qual é, ? O que está acontecendo afinal? - olhou para mim esperando uma resposta. Decidi ir direto ao ponto, sem embolações, finalmente.
- Ainda o amo. – falei curta e grossa.
- Ok, agora, conte a novidade.
- Essa é a novidade! Não está vendo? Eu... Eu ainda o amo! – falei esbaforida. Como assim? Eu amava-o, essa era a surpresa!
- , não estou surpresa, essa é a verdade. Agora, se você está finalmente me contando isso, é porque admitiu isso e aí sim, fico espantada.
- Pelo amor de Deus, ! Eu admito, está bem? Eu amo ! Sempre amei. – quando acabei de falar, arregalei os olhos. Então era realmente verdade? Eu continuava amando-o depois de tudo?
Olhei para e ela estava com a mesma expressão. Encaramo-nos e sorri. Eu o amava. Continuava amando-o. Comecei a rir. Rir mesmo, sem parar.

Depois de um tempo rindo, pude ver que estava olhando para mim, sorrindo serena. Ela sabia... Ela sempre soube. Ri por mais alguns minutos até ver me encarando.
- O que vai fazer? – ela pergunta. Por essa eu não esperava. Não poderia simplesmente ligar para ele, eu... Tinha dito adeus. Fechei a cara na hora e fiquei pensando. - ?
- Nada. – sussurrei mais frustrada que , assim que observei-a.
- Como assim?
- E-eu... Não posso. , você não vê? Ele não liga mais há um ano... Eu... – sempre fui muito serena, com emoções controladas, mas quando se tratava dele, poderia ser assustador. Fiquei com o coração apertado de novo, o rosto com uma expressão de dor e não parecia a mesma garota rindo há minutos atrás.
- Nem vem, , ele não liga porque você pediu. Não lembra? – Na verdade, eu lembrava... Muito bem.

#flashback – One year ago.

Estava assistindo televisão em casa. Ultimamente ficar em casa esparramada no sofá com um pote de sorvete de flocos, era meu programa predileto. Não tinha como evitar, mesmo sendo muito orgulhosa, não mentia para mim mesma, estava com saudades dele.
Há um ano ele se foi, há um ano ele me liga, há um ano atendo e, só depois de ouvir sua voz, desligo.
Peguei o controle remoto e comecei a ver o que passava, aquele filme na HBO me deprimia. Romance era uma merda, e só cheguei à conclusão disso quando assistia filmes melosos sozinha. Coloquei na Warner e nem vi o que passava, fui pegar sorvete.
Cheguei à cozinha e vi Sasha choramingando no cantinho que mamãe tinha deixado-a ficar. Ela era um bebê e depois de muita insistência de minha parte, consegui deixá-la dentro de casa. Peguei o pote de sorvete e, pelo peso não tinha muito. Decidi comer direto do pote, peguei a colher e depois abaixei para pegar Sasha, ela se sentia sozinha, podia sentir isso.
Na sala, coloquei Sasha no sofá, peguei o controle novamente e sentei ao lado dela enquanto abria o pote de sorvete. Enchi a colher e coloquei na boca, morango não era meu preferido, mas não deixava de ser sorvete...
Finalmente vi o que passava na Warner e deixei lá. Gostava de Two and a Half Man. Olhei para Sasha de relance e pude vê-la encarando a televisão. Sorri e deixei meu sorvete de lado para pegá-la no colo. Fiquei fazendo carinho nela, mas tudo que ela queria era morder minha mão. O veterinário falou que é normal, já que os dentinhos estavam nascendo. Descuidei-me por um momento e Sasha começou a “morder” meu dedo. Sorri sozinha pela falta de dor e deixei-a se divertir.
Charlie estava falando com Jake sobre sua guitarra quando ouvi o telefone tocar. Estendi a mão e peguei o telefone sem fio sem nem olhar o número dessa vez.
- Alô? – falei com a voz um pouco rouca devido ao grande espaço de tempo sem falar.
- ? – ouvi aquela voz que tanto sentia falta. Surpresa, apertei o botão de mudo no controle remoto e, a única coisa que podia ouvir era Sasha se divertindo com meu dedo e a respiração de .
- E-eu. – reuni forças e finalmente respondi. O que falaria?
- , eu quero falar que...
- Olha aqui, , eu não quero mais saber. – respirei pesadamente e continuei. Precisava fazer isso. – Não me ligue mais, não quero ouvir sua voz. Eu... Falei adeus aquele dia, não foi? Pois então.
- E-eu, entendo. – pude ouvi-lo fungar e depois desligar.

#endofflashback – One year ago.

E depois disso, nunca mais ouvi sua voz.
- Le-lembro. – falei, já soluçando e deixando as lágrimas caírem.
- Calma, não fica assim. As pessoas podem voltar atrás na sua decisão. Não chore, ... - me abraçou e me senti melhor. Ela poderia estar certa, as decisões não são para sempre...
Passamos a aula inteira lá no jardim. Quanto mais me consolava, mais calma ficava. Alguns soluços escapavam, mas tinha certeza que nada era irreversível e, mudaria minha situação com .

O restante das aulas foram tranquilas. Ninguém me perguntou o porquê do vermelho dos meus olhos e também não falei nada. Quando foi perguntar à , ela respondeu que garotas tinham seus segredos e isso foi o suficiente para ele me respeitar. Já que quando veio falar comigo, nada respondi.
O sinal para irmos embora finalmente tocou e me apressei para arrumar minhas coisas.
- ? – ouvi a voz de e, mesmo depois de tudo o que aconteceu, não consegui evitar um sorriso.
- Meu nome... – virei-me para ele e, num gesto rápido, ele colocou suas mãos em cada lado da bancada, me fazendo ficar presa, já que estava no meio. Prendi a respiração por causa da nossa proximidade.
- Não quero que você vá viajar brava comigo... – ele sorriu de lado e, voltei a respirar.
- E-eu tam-também nã-não. – coloquei minhas mãos em sua cintura e sorri. Era sempre assim, tinha o dom de me deixar nervosa... E também...
- Olha, eu tenho um segredo... E...
- Calma, não precisa falar... Eu... Eu confio em você, .
- É que... Deixa para lá, você vai ver semana que vem mesmo. - falou mais para si mesmo do que para mim. Fiquei confusa, mas não quis “discutir” mais uma vez. Puxei-o para mim e, pude senti-lo prender a respiração. Sorri e o abracei.
- Vou te ligar todo dia. Esteja com os meninos e a ! – sorri mais uma vez e empurrei-o um pouco para tirar a blusa que estava usando e pertencia a ele.
- Fica com esse. – ele falou tirando o blusão dele.
- Magina, , não precisa…
- Precisa sim, sua blusa está apertada demais para o meu gosto e além do mais, essa está com o meu perfume novo. – ele piscou e não deu para evitar, corei.
- Ok, ok. Tenho que ir, falar tchau para todos, arrumar minhas coisas... – não pude completar minha “lista” de tarefas, ele já me tinha em seus braços e sua boca já estava colada com minha bochecha.
- Se cuida, pequena.
- Sempre me cuido. – falei sorrindo. Entrelaçamos nossas mãos e fomos encontrar os outros.
Ficamos jogando conversa fora, era inevitável isso não acontecer quando nós seis estávamos reunidos.
Depois de muita luta, despedi-me de todos e, finalmente, fui para casa.

Em casa, meus pais já estavam prontos para irem, mas tiveram de me esperar. Não tinha nem arrumado a mala. Coloquei roupas básicas e meus inseparáveis lápis de olho e rímel.
Desci e já fomos para o carro de papai.
A viagem não demorou muito e logo estávamos tirando nossas malas do carro e colocando na sala de vovó. Sasha estava muito agitada pela mudança de cenário e decidi levá-la para passear.
Enquanto andava, pensei em diversas coisas. tinha que voltar, ou… Não sei. Tinha que vê-lo. Estava com saudade de seu toque, sua boca, seu cheiro... Tudo nele me atraia, até o cabelo bagunçado de quem acabou de acordar. Eu... Simplesmente o amava e não tinha como negar isso.
De repente, como num passe de mágica, a imagem de e seus lindos olhos me encarando, veio à minha mente e sorri. era um bom menino e ainda mantinha contato com . Claro que os meninos também mantinham, mas era diferente... Talvez ele devesse saber, ele poderia me ajudar e... É, era uma boa opção. Falaria com ele quando voltasse.

Voltei para casa de vovô assim que percebi que Sasha estava mais calma e acostumada com o local. Ver vovó e vovô era sempre cômico. Vovô com seu jeito calmo e despreocupado me fazia sentir tranquila também, já vovó era agitada e, sempre que me via soltava aquelas duas velhas frases que estava cansada de ouvir: , como você cresceu!” e, a pior, ”Já voltou com aquele rapaz, o ?! Ele te fazia tão bem...”
Tirando frases inconvenientes proferidas da parte de vovó, adorava visitá-los. Era relaxante e divertido. Ver parte da família mais unida me fazia bem e, na maioria das vezes, esquecer de tudo.

Não tinha esquecido um dia de colocar ou apenas cheirar o casaco de e, quando me dei conta, já era hora de voltar.

A semana tinha sido bem agitada, mas tudo o que é bom, dura pouco. Sorri sozinha com esse pensamento e, fui tomar um banho para irmos para casa depois do café da tarde.
Já era terça-feira e, só se comunicava comigo por mensagens. Isso me deixou preocupada, mas ele sempre dizia que estava tudo bem, só meio ocupado com tudo... Mas, mesmo assim, ainda não tinha entendido o ”tudo” que ele tanto falava.
fora a única que me atendeu e, falou que ficaria feliz em voltar. Tinha uma surpresa boa para mim. Fiquei curiosa e logo lembrei o que me falara na segunda-feira, no laboratório de biologia. Acho que, finalmente estava na hora de saber qual era essa tão misteriosa surpresa.

Quando cheguei em casa torci para que amanhã chegasse logo. Subi para o meu quarto e, como já tinha tomado banho, só tive o trabalho de colocar meu pijama. Ainda eram oito horas da noite, mas a empolgação foi maior que, nem me importei em dormir tão cedo. Peguei o casaco de de cima da cama e dormi sentindo o novo perfume dele, ou o que restou dele. Estava ansiosa para amanhã, e isso era visível.

Five - Just look into him eyes and see the true.

Acordei extremamente ansiosa. Era inevitável, precisava saber da surpresa e, essa minha curiosidade elevada ao extremo, não estava me deixando em paz.
Fui rápida em tudo o que fiz. Arrumar o cabelo, passar meu lápis de olho e meu rímel, pegar meu uniforme apertado e colocar a blusa do para esconder um pouco meu apertado e curto uniforme, tomar café e brincar com a Sasha.
Entrei no carro rapidamente e coloquei qualquer coisa para tocar. Percebi que era Room on The Third Floor do McFLY e sorri com isso, gostava de McFLY. Em menos de vinte minutos já estava no estacionamento da escola. Peguei a mochila, tranquei o carro e fui andando rapidamente para o lugar em que nos encontramos segunda-feira passada. Avistei de costas e sorri. Vi , , , e mais uma pessoa que não consegui reconhecer. Cheguei mais perto e gritei:
- OI! – comecei a rir sozinha, se virou e veio correndo me abraçar. Ele me levantou no ar e me rodou. Comecei a rir descontroladamente e pedi para ele parar.
- Pequena, que saudade! – ele tinha me colocado no chão, mas ainda me abraçava. – O blusão já está com o seu cheiro. – ele riu e eu ri junto. Olhei para que já se encontrava ao nosso lado, mas o próximo a me abraçar foi e depois , que me “entregou” (já que ele tinha me tirado do chão) para . Não conseguia parar de rir. Finalmente fui abraçar e ficamos abraçadas um bom tempo.
- ! – ela chamou.
- Eu! – sorri.
- Olha para a sua direita e veja a tal surpresa. – ela sorriu abertamente para mim. Olhei para direita e o vi. Mais bonito que tudo, mais espontâneo, mais forte, com o cabelo mais bagunçado, enfim, perfeito. Sim, era perto de mim. Perto demais.
Soltei e me virei para sua direção. Ele estava diferente, mas ainda sim, lindo. Estava mais alto também. Fiquei em estado de choque até vê-lo se virar para mim.
- Surpresa! - sussurrou em meu ouvido e se afastou. e eu ainda nos encarávamos. Ele coçou a nuca e deu um passo para frente e, mecanicamente, dei um para trás. O sorriso que estava em seus lábios desapareceu conforme meu gesto de ir para trás. Ele olhou em meus olhos e, por um instante pude vê-lo dois anos atrás, falando que me amava mais que tudo em sua vida. Meus olhos se encheram de lágrimas e dei um passo para frente. Não queria mais viver do passado, queria viver com ele. Para sempre. Ou enquanto tudo durasse.
- Oi. – ele falou e sorriu. Sorri também. Olhei para e seu olhar transmitia preocupação. Não precisava se preocupar, eu estava finalmente bem. Depois de dois anos. Sorri para ele e voltei minha atenção para .
- Oi... – falei sorrindo sem deixar meus dentes aparecerem. Ele deu mais um passo para frente e, dessa vez não recuei. Ele me olhava nos olhos e sustentei o olhar. Não sei por quanto tempo ficamos assim, mas gostei da sensação que isso me causou.
- Só quero pedir desculpas, eu...
- Isso é passado, . – cortei-o e mais uma vez, sorri. Pude vê-lo sorrir e dar mais um passo para frente. Ele sorriu e, finalmente me abraçou. No começo, olhei assustada para todos, principalmente para , mas quando senti-o tocar em minha cintura, amoleci completamente e agarrei seus braços.
- Eu senti tanto a sua falta, . – senti um beijo em minha bochecha e sorri com isso. Ele finalmente estava de volta e eu finalmente fui sensata o suficiente para me aproximar dele da maneira certa.
- Eu também. – sorri e, foi minha vez de beijá-lo na bochecha.
O sinal bateu e fomos para a aula. e eu tínhamos algumas aulas juntas. No laboratório de biologia, que tinha junto com , também ficou comigo e, com um olhar de relance, pude ver nos olhando estranho. O sinal bateu e logo tratei de esclarecer as coisas.
- Hm, vou lá falar com o ... – falei para e sorri. Nosso relacionamento estava estranho, nos tratávamos como amigos, mas sabíamos que não daria certo. Foi tudo muito rápido e nos aceitamos muito rápido. Eu não liguei, a tinha razão, não poderia ficar relembrando sempre o passado e nada é irreversível.
Mas mesmo assim, eu ainda conseguia me lembrar de quando ele me deixou e só de lembrar-me disso, estremecia. Afastei meus pensamentos e fui em direção ao . - Diga. - virou-se para mim com uma expressão que não gostei.
- Por que está assim? – falei chegando perto dele.
- Nada.
- Hm, qual é , abre logo o jogo! – disse abrindo as pernas dele e ficando no meio, para que pudéssemos ficar mais próximos. Segurei firmemente em sua cintura e fiquei encarando-o.
- E-eu acho que não tenho nada para falar. – ele segurou em meus ombros e me afastou. Fiquei estática com essa reação. percebeu minha reação e parou de me afastar, me puxou e me abraçou forte. – Desculpe pequena, eu só estou confuso com isso tudo.
- , você sabe o quanto eu gosto dele. Você sabe que eu nunca deixei de gostar e...
- , eu sei disso, só estou confuso. Eu... Deixa para lá... – ele se levantou e depois de me colocar um pouco para o lado foi indo para a porta. – Só acho que cuidei demais de você.
Sentei no lugar de e fiquei lá até a faxineira chegar e falar que as aulas já tinham acabado e eu podia ir embora.
Estava confusa com tudo, com , com e com o fato de ter aceitado bem demais toda essa situação.
Segui para o meu carro e, quando cheguei lá no estacionamento, pude ver encostado nele e sorrindo para mim.

Six – Yeah, just bite me.

- ? O que está fazendo aqui? – sorri de lado, chegando perto do carro. Abri a porta do passageiro e joguei minha mochila lá.
- Você falou que já vinha, estou esperando ué. – ele sorriu sincero e quase derreti. Sorri para ele sem saber o que fazer ou falar.
- Ah...
- Olha, , não quero que isso fique estranho, mas é impossível. – ele riu para mim e sorri de volta. – Eu não quero ser apenas seu amigo e sei que você também não quer ser minha amiga apenas. – De repente meu sorriso murchou, minhas pernas ficaram bambas, minha boca ficou seca e minhas mãos trêmulas. Olhei para ele e em seguida para seus pés, que para mim, não paravam de se mexer e virem em minha direção. Tentei me afastar, mas as mãos de foram mais rápidas e não deixaram isso acontecer. Ele agarrou minha cintura e me puxou delicadamente para perto dele. Não tive nenhuma reação, deixei ele me puxar e deixei suas mãos em minha cintura, segurando-a firmemente, do jeito que ele sabia fazer.
- E-eu...
- É sério, , eu não estou pedindo para voltarmos há dois anos e continuarmos nossas vidas de lá. – meus olhos se encheram de água quando ele falou isso, mas não o interrompi, quis deixá-lo terminar. – Quero começar do zero... – ele tirou uma das suas fortes mãos e colocou em meu queixo, fez um carinho rápido e levantou-o, me fazendo encará-lo. Ficamos nos encarando por um bom tempo até começar a sorrir. Encarei-o com uma expressão confusa e logo ele voltou a falar. – Eu, sei lá. Fico feliz perto de você. – corei. Tinha me esquecido o quão fofo podia ser.
- Er... Eu também, você sabe disso.
- … - ele chegou mais perto e eu não fui para trás, só fiquei parada, encarando seus olhos e sua boca.
- E-eu... – falei sussurrando, mas com a nossa proximidade eu tenho certeza que ele ouviu.
- Acho que não vou aguentar mais...
- Aguentar o que?
- Fazer isso... – senti seus lábios prensando os meus e não consegui me segurar. Atirei minhas mãos em seu cabelo e beijei-o. Como sempre quis desde que ele se foi. Beijei-o como nunca esperei beijar ninguém. Ele agarrou minha cintura novamente e sorriu durante o beijo. Sorri também e aproveitei para morder seu lábio inferior de leve. Ouvi sua respiração mais pesada e fiquei satisfeita com isso. Voltei a beijá-lo e ficamos nos beijando por um bom tempo.
Interrompi o beijo pela falta de ar e sorrimos.
- Es-espera um pou-pouco. – falei tirando minhas mãos fortemente grudadas no cabelo dele e colocando-as em seus braços.
Ficamos alguns minutos em silêncio, apenas nos encarando, tentando fazer nossas respirações voltarem ao normal e, quando isso finalmente aconteceu, foi o primeiro a falar alguma coisa.
- Estava com saudades disso... – ele sorriu e eu sorri ainda mais. Fiquei na ponta dos pés e dei um selinho rápido nele. – Hm, acho que esse foi muito rápido. – sorriu malicioso e imitei-o. Olhei para sua camisa com os dois primeiros botões desabotoados e a gola desajeitada, coloquei minha mão na parte mais bagunçada da gola e apertei. Olhei nos olhos brilhantes de e puxei-o pela gola de sua camisa, fazendo-o tomar um susto e não lutar contra minha força. Ele ficou com seu rosto a poucos centímetros do meu, virei um pouco o meu e sussurrei em seu ouvido:
- Então vamos mudar isso. – sorri pelo nariz e voltei a encará-lo. Grudei nossos lábios com uma urgência inexplicável, não sabia de onde ela surgira. Depois que se recuperou do susto, pude sentir uma de suas mãos na minha cintura e a outra puxando o cabelo da minha nuca. Não vi como, nem onde estávamos, mas senti algo duro atrás de mim e me prensando naquilo. Gostava quando ele tomava a rédea da situação, mas queria saber onde ele me prensava... Depois de alguns segundos, me dei conta de que era o meu carro.
Parei o beijo ofegante, mas não para respirar. Comecei a beijar e mordiscar o pescoço dele e, quanto mais forte minhas mordidas ficavam, mais forte a respiração dele era.
- , entra n-no ca-carro. – ele falou enquanto continuava focada em seu pescoço. Tateei a porta e ela estava trancada, xinguei baixinho e acho que ele entendeu o motivo dos meus xingamentos. – A outra porta está-a a-aberta.
Seguimos até o outro lado do carro entre tropeços e risinhos forçados, pelo menos da minha parte. Não queria rir naquele momento. Quando chegamos lá, a porta da frente estava aberta e coloquei meu braço dentro do carro para destravar a porta de trás. Abri-a e fui a primeira a entrar, puxando comigo, de modo que ele ficasse em cima de mim. Quando nos acomodamos no banco de trás do carro, as mãos dele não tinham mais uma única posição, se movimentavam sem parar, por todo o meu corpo e eu estava amando aquilo.
Podia sentir de longe o amiguinho dele, mas não estava ligando para nada no momento. Não ligava de estar no estacionamento da escola, de estar com apenas há um dia e já estar quase transando com ele... Só conseguia pensar na falta que ele fez e que ainda fazia mesmo estando em cima de mim, me beijando intensamente.
Dirigi uma das minhas mãos para seu tronco definido e segui até encontrar a barra da camisa dele. Comecei a subi-la quando senti fazer um mesmo com a blusa que tinha me emprestado. Arfei, mas não desisti de tirar aquela maldita camisa. Ele, obviamente, foi mais rápido e quando vi, minha camisa tinha seus três primeiros botões fora de suas respectivas casas. passou a beijar minha bochecha, pescoço e finalmente o colo enquanto arfava a cada mordida que ele dava. Quando ele apertou fortemente minha coxa, foi impossível controlar meu gemido de prazer.
Ele riu sem fôlego algum e corei mais do que já estava. Tirei a camisa dele com muito esforço da minha parte e com a ajuda dele, mas assim que o vi sem camisa, suspirei longamente. Ele parou de beijar – e morder – meu colo e me encarou. Seus olhos brilhavam, o suor da sua testa era visível por causa do poste já aceso no meio do estacionamento e sua boca estava inchada e vermelha. Eu não podia estar diferente, mas mesmo assim sorri para ele.
- Você é lindo. – falei ainda sorrindo e colocando seu cabelo para trás, fazendo um carinho demorado em sua nuca.
- Você é mais. – ele falou perto do meu ouvido e estremeci. – Vo-você... – ele pigarreou e eu apertei seu braço como uma forma de encorajá-lo a continuar. - , você tem certeza que é isso o que você quer? – ele perguntou me olhando nos olhos de uma maneira que me senti nua e não teve como não lembrar alguns anos...

#flashback – Two years and one month ago.

Meu aniversário de dezesseis anos estava perto e eu só queria uma única coisa. Uma única coisa com um único garoto, e sexo.
- , você conhece o namorado que tem, ele não vai ceder tão cedo... - falava pela terceira vez naquele dia.
- Vai sim, porque tenho um plano. – olhei para a menina que estava boquiaberta na minha frente e sorri de saco cheio. Não queria contar para ninguém, mas mais cedo ou tarde precisaria de sua ajuda. – Calma, , não vou estuprar o menino. Só vou... Dar um empurrãozinho nas coisas.
- E como você fará isso, ?
- Hoje os pais e os irmãos dele estão fora. Só me resta e o cachorro dele. – sorri marota para ela. – E você sabe que eu sempre vou dormir na sua casa, não é, ?
- Está bem, já entendi tudo. Você vai me colocar nesse rolo, né?!
- Bingo. – falei enquanto arrumava minha mala. – Vai ser fácil, é só falar que eu vou dormir na sua casa e fim. Mamãe não desconfiará de nada, tenho certeza.
- Ok, , você venceu.

Toquei a campainha e pude ouvir a voz abafada de :
- Eita, a pizza chegou rápido dessa vez. – ri sozinha e esperei-o abrir a porta.
- Oi, ... – Falei colocando uma insistente mecha de cabelo atrás da orelha.
- Linda! – ele me puxou pela cintura e me deu um selinho demorado. – Vem, daqui a pouco a pizza chega...
- Hm, ok. – não pude deixar de sorrir, o jeito como me tratava era exagerado, mas eu gostava. Sentia-me segura. Peguei minha mochila que estava no chão e fui para a sala, ele nunca perguntaria o motivo da mochila. não era muito perceptivo.

Estávamos assistindo um filme qualquer, já tínhamos comido - comera praticamente tudo, mas não posso me esquecer dos dois pedaços que comi com gosto. - uma pizza inteira de quatro queijos e precisava falar com ele, colocar meu plano em prática.
- … - chamei-o manhosa e logo ele se virou para mim.
- Diga, meu amor... – ele se virou para mim e sorri vacilante.
- E-eu... – pigarreei e voltei a falar no mesmo instante. Não poderia vacilar, ele notaria facilmente. -... É que semana que vem é o meu aniversário de dezesseis anos e... Hm, já sei o que eu quero de presente, amor.
- Sério? – ele pareceu interessado, olhando firmemente nos meus olhos. – E o que é? Ano passado só consegui descobrir com a ajuda de e...
- Quero transar com você. – cortei-o e ele se engasgou com a própria saliva. Fiquei observando-o se recompor e esperei uma resposta ansiosa.
- , você sabe o que penso sobre isso. – ele foi curto e grosso, um jeito tão grosso que fez os pelos da minha nuca arrepiarem e minha postura melhorar.
- Sei e quero mudar isso. Eu já estou pronta. – falei sem vacilar. Teoricamente eu estava mais que pronta, mas sempre que pensava em nós dois em uma cama, sem nossas roupas e fazendo algo mais que um simples amasso, eu estremecia.
- Sério? - se pronunciou de uma forma irritante e incrivelmente sarcástica.
- , me leve a sério pelo menos uma vez quando falamos sobre esse assunto! – falei cruzando meus braços em frente ao meu peito e bufando. Pareci uma menininha de cinco anos de idade que no Natal não ganhou a desejada ”Barbie Praia”, mas não me importei nem um pouco. Ele chegou mais perto e sussurrou em meu ouvido, provocante:
- Não levo porque sei que não está pronta. – ele mordiscou minha orelha e puxou um pouco. Suspirei pesadamente e, de repente, toda aquela birra tinha ido embora. Estávamos a poucos milímetros de distância, me encarava provocante e não me contive. Puxei-o para perto de mim e nos beijamos ferozmente. Fiquei de joelhos depois de alguns segundos de nosso beijo e coloquei uma perna de cada lado do tronco de , sentei-me em suas pernas e ele gemeu, apertando fortemente minha cintura por baixo da blusa. Comecei a acariciar sua nuca durante o beijo e pude ouvir outro gemido dele, passei meus beijos para sua bochecha e mordi-a, brincalhona. Ele riu nervosamente e continuei descendo, para sua mandíbula tensa e depois para seu pescoço. Ele subia cada vez mais suas mãos em mim e, quando chegou ao meu sutiã, parou bruscamente. Afastou-me dele e fiz uma expressão confusa diante à reação dele. – Isso não está certo. – falado isso, ele me colocou facilmente ao seu lado de novo e bagunçou seus cabelos com uma mão trêmula. Fiquei parada sem nenhuma reação ao seu lado, o observando enquanto se xingava baixinho pela suposta falta de controle.
- , pelo amor de Deus! Deixe de se preocupar uma vez comigo e siga seus instintos, droga! Parece gay... – eapidamente, ele se colocou em cima de mim e me beijou de uma forma er, feroz? Isso. Igualmente eu o beijara. Subiu minha blusa até meu sutiã ficar a mostra e passou seus beijos ferozes para o meu pescoço. Não pude fazer nada, a não ser agarrar em seu cabelo e fechar meus olhos graças a todas aquelas carícias. Colocou um joelho entre minhas pernas e fez pressão bem naquele lugar. Emiti um gemido longo, aprovando aquele gesto e puxei ainda mais seu cabelo. Ele me encarou com uma expressão brincalhona, tirou seu joelho do meio de minhas pernas, afastou-se um pouco de mim e sorriu.
- Eu não sou gay, . Isso eu posso provar. – ele sorriu e eu fiquei com uma expressão de ponto de interrogação visível.
- C-como? - procurou meu ouvido esquerdo e sussurrou:
- Eu não ficaria tão excitado... – ele jogou seu peso sobre mim e senti sua grande ereção, pelo menos para mim. -... Com a minha namorada, se eu fosse gay. – Dando ênfase no “namorada”, ele voltou a ficar mais leve e menos ereto para mim. Pude sentir uma grande parte de sangue invadir minhas bochechas sem minha permissão e desviei meu olhar de seus olhos incrivelmente .
- Ótimo isso, huh?! Seu sangue vai todo para cima enquanto o meu não pára de descer. – ele falou sem nenhuma expressão e ri de seu comentário. – Rir da desgraça alheia é feio, dona ...
- Ôh bebê, não fica assim. – apertei suas bochechas e voltei a encará-lo.
- Já estou, . – ele sorriu e, todo aquele momento tenso desapareceu. Ele saiu de cima de mim e voltei a sentar e tentar me concentrar na televisão. Não desistiria tão fácil assim, isso era um fato. Cutuquei-o com uma expressão sapeca e bati duas vezes em minha perna, indicando para ele se deitar lá.
- Não brinque com o fogo se não quer se queimar. – ele falou enquanto se deitava em meu colo e pegava uma almofada para disfarçar o volume em sua jeans. Ri com aquilo e o vi apenas rolar os olhos.
- E quem disse que não quero me queimar? – sussurrei em seu ouvido e peguei o controle remoto para aumentar o volume da televisão. Ficamos um bom tempo em silêncio até começar a ouvir os bocejos constantes de . Sorri com aquilo. Sempre que ele ficava com sono era a mesma coisa, começava a bocejar sem parar e demorava muito mais para piscar do que o normal. – Não está na hora de dormir, não?
- Hm... – ele apenas ressonou. Comecei a cutucar e chamá-lo delicadamente. – Fala. – respondeu ainda de olhos fechados.
- Vai para a cama, amor... - fiquei fazendo cafuné em sua cabeça e ele sorriu.
- Vamos para a cama... – ele falou e eu parei o carinho. – Posso não ser perceptivo, mas vi sua mala quando chegou. E o tamanho dela é o suficiente para eu enxergar o que planejou. – ele riu e se levantou. Pegou minha mão entrelaçando nossos dedos e enquanto me puxava, pegava minha mala. Resisti um pouco, mas acabei cedendo quando ele me encarou com uma expressão de... Amor? Desliguei a televisão, depois as luzes e seguimos para seu quarto. Ele não aparentou estar bravo pelo fato de dormir com ele, mas sim, muito feliz e fiquei aliviada com isso.
O quarto de era diferente, me sentia bem nele. O tom azul predominante em todos os quartos masculinos faltava no quarto dele. As paredes eram beges – por causa do gosto de sua mãe – com vários pôsteres colados. Uma foto nossa colada na parede, pois ele não aceitara um mural alegando ser “gay demais”; um criado-mudo e uma cama de casal incrivelmente sedutora e provocativa para mim em todos os momentos que entrava naquele quarto com ele. Um guarda-roupa enorme e um banheiro com azulejos verdes. Tudo lindo, igual ao dono. Sorri com esse pensamento e tentei afastá-los da cabeça para prestar atenção em .
- Hm, vou me trocar. Nem pense em dormir de jeans, ouviu ? – falei e beijei-o docemente. Peguei minha mala e fui em direção ao banheiro. Coloquei o pijama que trouxera e logo estava deitada na cama dele, esperando-o. Ele voltou e seu pijama era muito sugestivo: boxers. Fiquei encarando-o e mordi o lábio inferior.
- Que foi? – ele perguntou deitando ao meu lado e eu apenas neguei com a cabeça. Ele passou os braços ao meu redor e prendi a respiração. – Ah, , sem essa vai.
- Sem essa, o que? – falei ainda sem respirar e fiquei encarando o teto iluminado pelo poste que ficava próximo a casa dele.
- Você ficar assim, você não tem um... – ele parou a frase, deixou-a no ar e voltou depois de pensar um pouco. -... Uma coisa para ficar assim. Parece eu. – ri com isso e me virei para ele. Coloquei uma mão em seu cabelo e comecei a fazer carinho. Adorava seu cabelo macio e gostoso. Ficamos um tempo assim, em silêncio. Não um silêncio constrangedor ou incômodo, mas um silêncio bom onde não conseguíamos desviar nosso contato visual e sorríamos igual idiotas.
- … - Chamei-o e pude vê-lo abrir os olhos e murmurar algo parecido com “diga”. – É sério?
- Sério o que? – seus olhos agora me encaravam com uma intensidade fora do comum, mas sustentei o olhar.
- Que você acha que eu não estou preparada... – desviei meu olhar antes de terminar a frase e pude ouvi-lo bufar.
- É.
- Mas eu estou.
- , não torne as coisas mais difíceis do que já são...
- Quero ser só sua... – sussurrei e o encarei esperançosa. Seus olhos estavam ainda mais intensos – se isso era possível – e suas mãos, que estavam apoiadas em minha cintura, suavam. Cheguei mais perto e coloquei minha outra mão delicadamente em seu peito, enquanto a outra continuava a fazer carinho em seus cabelos.
-
- Só… Só deixa rolar, ok? – falei sem nenhum animo. Queria que aquela noite fosse perfeita, mas percebi que se estivesse com ele, já seria tudo perfeito. Sorri e toquei seus lábios com os meus docemente.
- A primeira vez você não vai esquecer... – ele falou contra meus lábios e sorriu. -... E eu não quero que você esqueça, porque vai ser comigo. – sorri e o beijei. não me impediu quando fiquei em cima dele, mas sim me apertou mais ainda contra seu corpo. O beijo já era intenso e logo ficamos insuportavelmente excitados. Ele tirou a parte de cima do meu pijama e parou de me beijar para me encarar. Agradeci mentalmente o sutiã estar em meu corpo, mas logo o praguejei mentalmente por ser tão fácil – para ele – de tirar. me virou, ficando em cima de mim. Ele desceu os beijos para meu colo e só consegui suspirar pesadamente quando senti seus dedos massageando meus seios. Segurei fortemente em seus cabelos e pude sentir os meigos beijinhos dele em meu ombro direito, ombro esquerdo e cada vez descendo mais...
Quando ele chegou em meu seio direito, gemi sem perceber e pude sentir sua doce e travessa língua brincando com ele. Depois de várias travessuras como aquela, ele colocou as mãos na barra do short do meu pijama e quase implorei para ele tirá-lo rapidamente. , muito pelo contrário, demorou para tirar a parte de baixo, brincando com o elástico enquanto beijava embaixo do meu umbigo. Revirei os olhos de prazer e percebi que agora só estava de calcinha. de calcinha.
- Meu. Deus. – ouvi dizer pausadamente, inspirando profundamente o ar e gelei. Olhei-o e vi que ele me encarava com luxúria e desejo. Sorri satisfeita e chamei-o com o dedo. – Não provoca! – ele fingiu brigar comigo e sorri divertida. Agarrei seus ombros e puxei-o para mim. Tirei de uma vez sua cueca, sem paciência e estremeci quando o senti.
- Wow. – arfei insegura e no mesmo instante parou de beijar meu pescoço. Olhei para ele confusa e revirei os olhos.
- Oh meu Deus, você nem sabe o que quer e eu aqui me aproveitando disso... – ele começou a falar inspirando pesadamente o ar quente em que nos encontrávamos envoltos e beijei-o sem nenhum aviso. Não queria adiar aquilo, aquele... Aquele medo era bobo e sabia que se não o ignorasse, me arrependeria amargamente depois. - ... Você... Você tem certeza que é isso o que quer?
- Ce-certeza absolu-luta. – arfei e olhei para ele, para ver que estava certa do que queria. Ele me olhou e sorriu, me encorajando enquanto puxava minha calcinha para baixo. Não falei mais nada, me concentrei em relaxar e curtir o momento. Repeti essa pequena frase umas três vezes como um pequeno mantra – se é que isso existia – até sentir colocar a camisinha que tinha brotado em suas mãos.
- Isso... – ele começou sem nenhum fôlego e me perguntava como ele conseguia falar em momentos como aquele. -... Isso pode doer, . – Quando pronunciou o meu apelido quase morri. Seu jeito era doce e preocupado, mas ao mesmo tempo selvagem e cheio de luxúria.
- Co-confi-o em vo-você. – falei entrecortada e tentei sorrir. Ele afastou delicadamente minhas pernas e parei de respirar por um segundo enquanto ele ficava no meio. Deitou um pouco sobre mim e ajeitou seu membro em minha entrada. Antes de me penetrar, ele me beijou docemente da minha coxa até a boca, deixando um suave caminho com sua saliva. Foi em direção à bochecha e beijou-a. Fez o mesmo com meu nariz e olhos e, quando foi para o ouvido esquerdo, sussurrou:
- Eu sei. Se doer, me avise. Vou tentar ser o mais delicado possível, . Eu te amo muito. – e depois disso, começou a investir em mim. Investidas docemente lentas, mas que me levaram ao paraíso por várias vezes.
Agora gemia comigo e, de repente senti meu corpo inteiro estremecer, uma sensação ótima se apoderar de mim e não consegui conter meu grito de satisfação. Ele agarrou minhas coxas e depois de mais duas investidas, urrou de prazer. Retirou-se de mim delicadamente e deitou ao meu lado, me puxando e fazendo com que eu ficasse praticamente em cima dele.
A dor lá embaixo era grande, mas tive uma ótima recompensa. Sorri com meus pensamentos e senti um beijo no topo de minha cabeça.
Podia ter sido rápido, desajeitado e meio dolorido para mim, mas sei que não podia esperar um mar de rosas na primeira transa...
- Está doendo, não é? – ele perguntou enquanto continuava aquele carinho gostoso em minha nuca.
- Nada que não supere. – falei fraca e, quando fui me virar para encará-lo, senti uma dor aguda vinda de baixo. Arfei e levantou no mesmo instante.
- Vem, água quente pode ser bom... Eu... Ah droga! Devia ter sido um pouco mais gentil...
- Para de querer ser o culpado por tudo. – levantei-me com um pouco de dificuldade e fui abraçá-lo. – Não tinha como não doer, mas foi perfeito, . – tentei ser doce, mas acho que pareci frágil, já que ele me segurou mais forte e foi em direção ao banheiro comigo de costas para o caminho em que ele fazia.
- Toma banho enquanto vou tirar a roupa de cama... – ele falou olhando em meus olhos e corei. Observava cada movimento que ele dava e não pude evitar olhar enquanto ele se livrava da camisinha. Corei de novo e pude ouvir sua risada. -... Não vai ser a última vez que vai me ver assim. – ouvi sua risada novamente. - E graças a Deus, não foi a última vez que te vi assim. – olhei para ele e corei mais ainda. Não estava cansada como todos falavam que ficaria, estava dolorida e, no momento, envergonhada porque sabia que me analisava. – Eu te amo muito, .
Sorri e foi trocar o lençol que provavelmente estava manchado com o meu sangue.

#endofflashback – Two years and one month ago.

- E-eu. – vacilei enquanto me lembrava de nossa primeira vez. É óbvio que não. Não estava pronta, não estava decidida, não estava em meu estado normal e não estava vendo aonde poderia chegar. Desviei meu olhar do seu e imediatamente descolou um pouco nossos corpos.
- Melhor ir embora. – ele falou consigo e não fiz nada para impedi-lo até que me lembrei do tamanho de sua ereção.
- ... – ele olhou para mim e olhei para baixo, rezei para ele entender e poupar o meu sangue de ir até as bochechas.
- Sem problemas, , eu me... Eu me viro. – vi corar e logo me toquei de como ele “se viraria”. Corei e deixei-o partir. Quando encostei minha cabeça no banco, senti duas mãos me puxarem para fora do carro.
- Desculpa. – falei baixo para , que se encontrava em minha frente sorrindo.
- Eu é que peço desculpas. Eu... Fui muito rápido. – ele coçou a nuca e voltou a me olhar. Sorri para ele e olhei seu rosto. Ficamos nos encarando até eu desviar meu olhar, sem graça. – Até amanhã...
- É! Amanhã! – reprimi meu jeito de falar com uma careta e pude ouvir rir. Aumentei a careta e senti um beijo em minha bochecha.
- Senti realmente sua falta, . – ouvi e sorri com isso. Olhei para , o vi sorrir e se virar para um carro que estava perto do meu.

Seven –I’m just halfway sober when I am with you.


(Aviso: Esse capítulo - somente esse, por enquanto – será narrado pelo )

A cada passo que dava em direção aos portões da escola, mais confuso ficava. era importante para mim. Como uma amiga antes da partida de , mas depois que ele se foi, tudo pareceu mudar de uma forma brutalmente estranha.
Sentia todos os dias a tristeza dela, o jeito como seu riso era fraco, mesmo quando ela pensava que era suficientemente bom. Sentia sua fragilidade, seu medo de ficar sozinha em lugares que a faziam lembrar e, o pior, sentia que ainda o amava com a mesma assustadora intensidade de dois anos atrás. Via sua postura sempre tensa e seu olhar vago, na maioria do tempo e isso – querendo ou não – me assustava e me deixava mal.
Mesmo ela não admitindo, fazia falta. E muita falta para ela. Ela o amava e, quando vi os dois se encontrando na entrada, tive a certeza que esse sentimento não desapareceu, mesmo depois de tudo o que ela sofreu.
O que devia sentir era felicidade, mas muito pelo contrário, só conseguia sentir uma profunda tristeza, junto com o buraco crescente em meu peito. E, junto com tudo isso, podia acrescentar um peso descomunal na consciência, já que não sentia nem um pouco de felicidade pela repentina “volta” de e .
Andava cada vez mais rápido para o portão. Só queria espairecer, esquecer um pouco de tudo. Esquecer de e aquela voz, aquele cheiro, aquele modo de sorrir que tanto me encantava, aquele corpo perfeito que, tenho certeza que vários caras da escola tanto desejavam e, até o modo de como me abraçava. Seu cabelo, sua boca perfeitamente desenhada, seus olhos brilhantes e perfeitos... Tudo nela me atraia, me deixava louco e, tinha certeza absoluta que não era o único. Aquela menina de belos olhos e cabelos hipnotizantes – sem contar seu corpo escultural – tinha um poder sobrenatural na maioria dos homens da nossa escola, mas seu ar de menina brincalhona e inocente – mesmo sabendo que não era há um bom tempo – deixava a maioria das pessoas, que tinham um troço no meio das pernas, doidas.
Sempre que decidia esquecê-la fazia o contrário, mas nem ligava mais. Não pensar nela era uma coisa que não conseguia fazer e obter sucesso.
Dois anos é tempo suficiente para se apaixonar por alguém e até amar, não?
Amava , mas também amava como um amigo. O fato era: Estava sendo um péssimo amigo para ambos.
Abaixei a cabeça e me perdi em memórias não muito boas.

#flashback – Two years and one day ago.

- , o que faz aqui? – Perguntei somente de boxers enquanto abria a porta para meu amigo e deixava-o entrar. Ele foi direto para a sala sem dizer nenhuma palavra.
- Vai ser mais cedo do que previ, dude. – sussurrou e caí no sofá ao seu lado.
- Como é? – Falei enquanto passava a mão pelos cabelos e tentava raciocinar tudo enquanto bocejava. Era involuntário.
- Você ouviu.
- Quando?
- Amanhã.
- E a ? – Perguntei pasmo.
- Vou falar pra ela amanhã, só. – Ele começou a chorar de verdade e entrei em pânico. Abracei-o desajeitadamente e ficamos assim por um bom tempo.
- Precisa ir? – Cortei o silêncio e minha voz saiu mais alta que o normal, ou só me desacostumei com o silêncio mesmo.
- Você sabe que sim... – Ele olhou para mim e não tentou sorrir, muito menos transmitir uma melhora de seu estado ou até mesmo um sinal que pararia de soluçar. Só vi mais e mais lágrimas correndo por sua bochecha, disputando uma corrida doida para ver qual cairia em sua blusa vermelha primeiro.
- Oh Deus...
- , me promete uma coisa? - perguntou com os olhos inchados e tudo o que fiz foi afirmar freneticamente com a cabeça. – Cuida da , ok? Cuida mesmo dela. Sei que ela não vai aceitar isso facilmente e... Ah, caralho! – Ele voltou a chorar e tudo o que pude fazer, mais uma vez, foi afirmar com a cabeça.
- Vou cuidar dela, pode ter certeza.
- Obrigado, cara. – Ele voltou a chorar, até seu celular tocar e eu parar de prestar atenção em tudo para me tocar que, a partir de amanhã, me focaria somente em .

#endofflashback – Two years and one day ago.

Me xinguei mentalmente depois de lembrar daquele dia. Aquele dia que tudo na minha vida – querendo ou não – mudou.
Continuei andando e percebi que, mesmo sem ter determinado para meu cérebro, estava perto de casa. Andei um pouco mais rápido e logo pude sentir o aquecedor de casa e o cheiro de algo que minha mãe preparava para mim.
- Filho, vai comer? – Minha mãe perguntou, mas apenas neguei com a cabeça antes de começar a subir os degraus da escada de dois em dois. Entrei em meu quarto e fechei a porta, corri para cama e me joguei lá de qualquer jeito, depois de ter me livrado de minha mala.
Pensava, pensava e pensava, mas não chegava a lugar algum. Tinha me aproximado demais de e não me arrependia, até ver hoje.
Era óbvio que ela não sentia nada por mim, mas mesmo assim deixei me levar, ignorando todos os avisos que recebia de meu cérebro. Me envolvi, ela não gostava de mim, mas sim do meu melhor amigo e fim de história.
Não podia fazer nada a não ser aceitar isso com um sorriso no rosto e apoiar os dois.
Não podia descontar tudo em , muito menos em ; eles não tinham culpa se amavam um ao outro e eu cheguei para atrapalhar tudo.
Teria que aprender a conviver com isso, mesmo que não quisesse.
E era por isso que definia tudo isso em uma palavra : Foda.

To Be Continued...

n/C: Well, to enviando o capítulo sete antes de entrar o seis. O seis é meu favorito. WEE O que acharam? (:
Obrigada Mula Manca por betar DTM. <3
@xCah {follow!} (: