Dance Inside
Por: Raay C.
Beta-Reader: Carol Silver
1 – I hate everything about you...
Leeds nunca foi uma cidade tão legal assim.
Todo mundo sempre falava, e sempre havia milhares de pontos históricos para se ver, mas para mim, ela não tinha a menor graça.
Talvez fosse porque eu odiava tudo que havia aqui.
Odiava as pessoas, a escola, minha vida, minha casa... tudo. TUDO.
E hoje, bem... hoje era mais um dia como outro qualquer.
Cheguei à minha casa, abri o pequeno portão que separava a calçada do jardim e entrei sendo recebida pelo chato do cachorro do vizinho que havia invadido o meu quintal de novo. Pra falar a verdade eu já o considerava como meu, já que ele nunca sai daqui.
- Oi. – falei quando entrei na cozinha e vi meu irmão e minha mãe, sentados à mesa. Caras tristes novamente, pois é... já fazia tempo que eu não via algum membro da família Donahue sorrir.
E o motivo? Bem, esse era um só: Sean .
- Oi filha, como foi a aula? – Minha mãe perguntou, seu tom de voz era triste.
- A mesma chatice. – Eu disse pegando a última maçã que havia na fruteira e dando uma mordida. – Não tem almoço hoje?
- De que jeito? Já faz três dias que o papai sumiu, e não nos deixou nada. Eu estou dizendo mãe, eu preciso arrumar um emprego, ou a nossa família vai morrer de fome.
- Filho, você tem que se formar, estudar direitinho pra conseguir algum emprego decente... o que adianta você começar a trabalhar e relaxar nos estudos?
- Adianta que nós não morrermos de fome. – Paul esbravejou e saiu furioso da cozinha.
Fui atrás dele.
Ele entrou em seu quarto, sentou na cama e começou a chorar.
Eu sentei ao seu lado e o abracei.
- Calma Paul... nós vamos achar um jeito. – Sussurrei em seu ouvido.
- Não iremos . Você sabe que não.
- A gente pode ligar pro tio , ele pode nos ajudar.
- De novo? Você não vê ? Eles estão sempre nos ajudando por causa de todas as merdas que o nosso pai está fazendo. Os não tem essa obrigação com a gente.
- Eu sei Paul... acalme-se, nós precisamos achar um jeito e...
- O jeito é tirá-lo de nossa vida.
- Ahn?
- É, . Você não vê? Ele só é nosso pai porque nos botou no mundo, mais nada. Ele só prejudica a nossa vida. Por que você acha que eu desisti do meu sonho? E por que você desistiu do seu? Porque foi ELE, por culpa dele nós estamos nessa situação hoje. E eu não sei mais o que fazer. – Suas lágrimas ficavam mais evidentes a medida que ele falava.
Eu ia responder, mas não pude. Ele estava certo. Sean não era meu pai... era apenas alguém que de uns anos pra cá arruinou nossas vidas.
Eu posso até começar a dizer, mas vocês não vão se interessar por nada dessa história horrível.
Tudo começou há cinco anos atrás, quando o bom e bem sucedido Sean , um grande proprietário de grandes imóveis, acabou conhecendo dois vícios que acabaram com a sua vida: Primeiro, o jogo. Segundo, o álcool.
Depois disso tudo começou a decair... começou a não se preocupar tanto com o trabalho, gastava mais do que podia nos vícios, chegou a apostar tudo, inclusive nossa antiga e luxuosa casa, começou a bater na minha mãe que entrou em depressão, parou de pagar as minhas aulas de Jazz – que eram o único motivo que eu agüentava viver sorrindo – e, como se não pudesse piorar, afundou o nome . Hoje eu tenho vergonha de dizer que me chamo .
O lado de ele ter destruído meu sonho e de Paul foi porque Paul sempre sonhou em jogar futebol, mas teve que parar os treinos assim que as agressões a minha mãe começaram a ser maiores, e ela apresentou um quadro grave de depressão. Então Paul sempre passava o tempo que não estava na escola com ela.
E o meu, bem, quando ele parou de pagar pelas minhas aulas eu decidi que viajaria para qualquer lugar para dançar, e depois levaria minha mãe e meu irmão comigo quando eu estivesse estabilizada. Mas um certo dia, Sean chegou bêbado em casa, e ia mais uma vez bater em minha mãe, eu entrei na frente e não permiti, então ele me lançou escada abaixo. Quebrei meu fêmur, e, por falta de dinheiro não pude decorrer à fisioterapia. Manco até hoje, e nunca mais poderei dançar.
- Alô? Tio John? Ah, , nossa... que voz diferente. Tudo sim, e você? Ah não não... haha chega disso Pin, certo passa pra sua mãe por favor? – Fiquei esperando alguns segundos até minha tia atender. era meu primo, nós costumávamos passar muito tempo juntos quando ele ainda morava em Leeds, mas depois os negócios de seu pai cresceram e eles foram para Londres. Nós nos chamamos sempre de Pin. Apelido de criança... costumávamos brincar de príncipe e princesa, como não sabíamos pronunciar falávamos apenas “pin” e aí ficou... – Tia Margareth? Oi, é a tudo bom? Tia eu sei que é chato, mas... sim... ele sumiu há mais de três dias e nos deixou sem nada... não tia não se incomode, por favor... ok, ok... até breve.
Desliguei o telefone e suspirei.
Fui ao quarto de minha mãe e ela já se encontrava dormindo, então segui ao de Paul que estava deitado ouvindo música.
- Falei com a titia Margareth. – Eu disse sentando na cama. – Ela disse que isso não pode mais continuar, e por isso virá aqui tomar algumas providências, acho que ela nos tirará daqui...
- Como se fosse adiantar em alguma coisa... vamos viver a custa dos outros e aí?
- Paul, eles podem nos ajudar ok? Já pensou se eles me ajudam com a fisioterapia, o meu problema está resolvido.
Paul sentou na cama, suspirou e me abraçou. Ele sabia que o que eu mais queria na vida era algum dia poder dançar novamente, e eu sei que ele me ajudaria no que fosse possível para realizar esse sonho, por mais difícil que fosse.
Paul era o melhor irmão do mundo. Eu o amava como não amava mais ninguém.
Ele era meu tudo, meu porto seguro. Eu sabia que estaria segura com ele não importa onde eu estivesse se não fosse Paul eu não sei como teria superado tudo de ruim que está acontecendo na minha vida, pra falar a verdade... se não fosse por ele, eu nem sei se estaria vivendo mais.
2 – Come back, take me away...
Acordei com o meu celular tocando intensamente. A música “My Paper Heart” do The All American Rejects não cessava.
Esfreguei os olhos e atendi.
- Alô? – Disse com a voz mais sonolenta possível.
- Advinha de quem você matará a saudade em breve?
- ? – Perguntei me referindo de quem era a voz no telefone.
- Isso mesmo priminha, tinha certeza que você já estava morrendo de saudades de mim.
- Só você pra me acordar de manhã e me fazer rir com a sua modestidade. Sério mesmo que você vem pra cá? – Eu disse me levantando, pela primeira vez por algum motivo bom.
- Sim, meus pais vão aí, bem você sabe né... e talvez demorem alguns dias pra resolver tudo e eu estou indo. Vou levar alguns amigos meus... se você não se importa...
- Uau, claro que não, mas só não entendo porque você vai vir e trazer seus amigos pra... cá.
- Ah, como é bobinha. Ainda nem sabe.
- Não sei o que?
- Ta ligada qual banda que vai se apresentar ai em Leeds semana que vem?
- Não, eu nem estou a par dessas coisas... – eu disse enquanto entrava no banheiro.
- Ai ai , o que seria de você sem mim mesmo? Enfim... The All American Rejects...
- AAAAAAAAAAAAAAHHHHHHH! – Gritei assim que ele pronunciou o nome “The All American Rejects.”
- Ai menina, quase me deixou surdo. Enfim, eu e os guys queremos muito ir ao show, mas somos em quatro, e temos cinco ingressos... sabe que eu não sei quem vai ser o quinto elemento a se juntar a nós?
- ! SE VOCÊ NÃO ME DER ESSE INGRESSO...
- Calma zinha, é claro que é seu. Foi pra você mesmo que eu comprei, quero matar a saudade de um jeito legal.
- Ah , cara obrigada. Não sei o que faria sem você.
- É, eu também não sei o que você faria sem mim. Bom, agora eu vou desligar porque o chegou aqui e nós vamos sair. Até mais , beijos.
Desliguei o telefone e saí pulando, ou pelo menos tentando, pela casa toda. Como eu estava feliz. Primeiro: Eu veria meu primo, segundo: ele me levaria a um show... e terceiro: da minha banda favorita! Podia melhorar?
Sim, podia! E com certeza iria, já que meus tios provavelmente tirariam minha família daqui. Poxa, eu nem sei como agradecer... todo mundo precisa ser feliz, certo?
- Mãe – falei vendo minha mãe sentada no sofá da sala, apenas olhando para a TV. Tenho certeza de que ela não estava prestando atenção em nada.
- Oi – ela respondeu, sem virar sua atenção para mim.
- Titia Margareth, Tio John e virão pra cá em breve.
- Você já foi amolá-los de novo, ?
- Mãe, a gente não pode mais ficar nessa situação ok? Eles vão ajudar a gente. Nós precisamos de ajuda, nós precisamos deles.
Minha mãe não disse nada, seus olhos apenas se encheram de lágrimas. Ela sabia que eu estava certa, todos nós sabíamos que eu estava certa.
Não demorou muito para que meus tios batessem à porta de casa. Já se fazia uma semana que meu pai não aparecia, então seria fácil ir embora sem algum empecilho. Nós chegamos até a pensar que ele poderia estar morto, já que ele sempre procurava isso. Nenhum de nós se abalou muito com a idéia, mas alguma coisa dentro de mim dizia que ele estava vivo e bem, já ouviram a expressão de vaso ruim não quebra? Então, essa frase se encaixava perfeitamente no que eu pensava.
- – tia Margareth me abraçou – como você está linda.
- Obrigada tia, você também. – Sorri retribuindo o abraço.
- , cada vez está maior – Tio John sorriu e me abraçou também.
- , – a pequena Tory que estava grudada nos braços de tio John esticou seus bracinhos para me abraçar.
Tory havia sido deixada quando bebê em frente a casa dos meus tios, e eles mais que depressa a adotaram. E hoje ela é parte da família, uma criança linda e esperta. Adoro a ter como prima.
- Tory, como você está mocinha? – Eu disse a segurando no colo.
- To bem zinha. – Ela sorriu mexendo em meus cabelos.
- E o ? Cadê? – Perguntei notando que ele não estava na porta.
- Está lá fora com os meninos, estão ajeitando algumas coisas, eles já vêem. – tio John me respondeu enquanto tia Margareth dava um abraço totalmente demorado em minha mãe e depois em Paul.
- PAUL, PAUL! – Tory gritou esticando os braços para ir no colo do meu irmão. Paul a pegou no colo e ficou fazendo cosquinhas nela que ria sem parar.
Me virei para a porta e vi parando a minha frente. Eu imediatamente pulei em cima dele, o abraçando.
- , mas que saudade.
- Eu também estava com muita saudade pequena.
- Poxa, não estou mais tão pequena desde a última vez que nos vimos.
- Verdade, mas você vai ser sempre a minha pequena. – Ele sorriu daquele jeito lindo com dentes impecáveis.
Eu ia responder, mas fiquei parada e atônita ao ver três figuras aparecerem atrás dele, rindo, e uma em particular me chamou a atenção.
- Ah, esses são meus amigos , e – ele disse apontando aos amigos.
- Oi – os três disseram em conjunto e ainda sorrindo.
- O..oi... – eu disse boba. Olhando as três, contando com o fica quatro, mas ele é da família então... enfim... as três criaturas mais lindas que eu já havia visto.
Eu sempre achei que caras lindos só existiam na TV, mas agora, haviam três na minha frente, na minha porta.
O que mais me chamou a atenção foi o tal de , seus olhos e brilhantes penetraram os meus, fazendo com que eu os olhasse quem nem boba.
- Entrem... – eu disse meio atordoada dando passagem à eles. Os quatro cumprimentaram minha mãe e Paul.
Após algum tempo de conversas e apresentações, mamãe e meus tios sentaram na sala para decidir sobre como seria tudo dali pra frente.
Paul levou Tory pra passear em um parque de diversões e eu e os meninos seguimos ao show. Aquela noite prometia, disso eu tenho certeza.
- AHHHHH! VOCÊ VIU? VOCÊ VIU? ELE JOGOU BEM EM MIM. – Eu gritava enquanto beijava a palheta que o Tyson havia jogado bem na minha mão.
O show já tinha acabado e agora nós estávamos andando de volta pra casa, de onde meus tios e os meninos partiriam pra um hotel e voltariam amanhã cedo com tudo resolvido.
- Claro, claro . Foi pra você mesmo. – ironizou.
- Claro que foi ok? Hoje veio a palheta, e amanhã a carta com o pedido de casamento.
Os meninos riram.
- Certo , sonhe com isso. – Ele disse enquanto me abraçava.
Não demorou muito para que chegássemos em casa.
Meus tios se despediram da gente e foram para o hotel. Entrei em casa e sentei-me no sofá, a noite de hoje tinha sido maravilhosa. Nunca que eu conseguiria dormir.
Já ouviram dizer que alegria de pobre dura pouco?
Pois bem, a minha durou.
Eu estava sentada na sala com Paul vendo TV quando a porta se abre em um baque extremamente barulhento, revelando um Sean totalmente bêbado e inconsciente parado nela.
- VOCÊS ME TRAÍRAM – ele disse totalmente enrolado se aproximando de mim e de Paul.
- Do que o senhor está falando? – Paul se levantou para ficar na mesma direção que ele.
- EU VI, EU VI AQUELES RIQUINHOS DOS AQUI, VI O CARRO DELES PARADO EM FRENTE A MINHA CASA. VOCÊS JÁ FORAM FALAR MAL DE MIM PARA ELES NÉ? SEUS TRAÍDORES! – Ele ainda gritava, cuspindo na cara de Paul.
- CALA A BOCA. – Eu me levantei do sofá e gritei com ele, me estressando com tudo. – CHEGA! CHEGA DISSO, CHEGA DE ARRUINAR NOSSA VIDA. POR QUE VOCÊ NÃO VOLTA PRA ONDE VEIO HEIN?
- PORQUE EU SOU O PAI DE VOCÊS E EU MANDO NESSA CASA. PEGUEM A SUA MÃE, NÓS VAMOS SAIR DAQUI AGORA. VOCÊS NÃO VÃO ME ABANDONAR PRA IR COM OS , NÃO VÃO.
- CALMA – Paul também gritou. – Nós não vamos a lugar nenhum com você. Ouviu bem?
- NÃO VÃO É? – Sean colocou a mão trêmula no bolso e retirou uma arma. – Se vocês não forem, a mãe de vocês já era. – Ele pela primeira vez usou um tom normal.
Paul e eu arregalamos os olhos, e ficamos parados. Estáticos, sem dizer ou mover nada.
- Isso, assim que eu gosto – ele começou a dizer – agora peguem a sua mãe, nós iremos dar o fora daqui.
Ninguém se moveu.
- AGORAAA! – Ele gritou levantando a arma.
Paul imediatamente foi para o quarto buscar a mamãe que estava totalmente surpresa sem entender nada.
Sean obrigou que nós entrássemos no carro.
Mamãe insistiu para que Paul dirigisse já que Sean não estava com condições para isso, mas ele não quis... ele gritou e tomou o volante, começando assim a dirigir destrambelhadamente pelas ruas escuras.
Eu, mamãe e Paul não sabíamos o que fazer. Não sabíamos pra onde Sean nos levaria. Estávamos aflitos, surpresos e... com medo.
- SEAN, PÁRA. – Mamãe começou a gritar – você está correndo muito, PÁRA.
- Cala a boca mulher! EU DECIDO COMO EU DIRIJO. Vocês iriam me trair, agora agüentem.
Então ele correu mais ainda, indo em direção a um sinal vermelho.
- SEAN, PÁRA, PÁRA, PÁÁÁRAAAAAAA.
Foi a última coisa que eu ouvi mamãe gritar, antes que tudo ficasse preto.
Continua…
N/a: Oiii meninas! Primeiríssima fic aqui no FFADD! Espero que vocês gostem!
Eu sei que nesses primeiros capítulos tudo saiu meio rapidinho, mas eu não queria parar pra ficar falando só em drama, drama já que o próximo capítulo é bem dramaticozinho tenho que dizer... =X
Enfim quero MUITO agradecer as meninas da tag por me incentivarem a postar! *----*
E especialmente a minha beta suuuuper divona, Silver! *-*
Que além de todo o apoio e o insentivo ainda fez essa imagem MARAVILHOSA para a fic. Eu fico horas olhando para a capa e babando! Haha! Muito obrigada mesmooo Silver!
Bom, por hoje é só... leiam e comentem pra eu saber o que acharam!
Beijinhos, beijinhos da Raay!
N/b: Raay, nem precisa me agradecer! *-*
Estou amaaaando betar sua fic, e estou amando a fic também. Chorei muito nos próximos capítulos que virão...haha oks não digo mais nada!
Meninas comentem muito hein?
E qualquer erro, cah.teague@gmail.com