Capítulo Um: Cicero, Indiana Flashback End Flashback Capítulo Dois: Cicero, Indiana
Autora: Bee. Co-Autora: Win.
Beta-Reader: Annie Brissow.
"Caçar demônios, fantasmas e outras criaturas do submundo, não é algo que uma pessoa escolha
por prazer. Apenas a dor pode fazê-las escolher esta profissal e nada mais que isso!"
As cicatrizes nos ajudam a lembrar que o passado foi real.
- Hannibal Lecter.
April 10, 2009 - 04:30 pm
Nostalgia. Pesar despertado pela lembrança de alguém estimado, de um lugar querido ou de uma época boa, surgida a partir da sensação de não poder mais vivenciá-los. E, ao contrário da saudade, a nostalgia não diminui ao entrar em contato com sua causa, ela apenas se alimentará e aumentará. E aquela cidade trazia a tona sentimentos que a jovem loira, de estatura baixa - que estava encostada na lateral de seu carro, um Chevy Camaro SS 69[1], em frente a uma casa branca de portas e janelas azuis - mantinha enterrados por muito tempo, bem fundo em sua mente e em seu coração, cujas feridas haviam sido reabertas e sangravam. Por seus tempestuosos olhos cinza, revia flashes daquele fatídico dia. Os gritos de seus pais ecoavam em seus tímpanos, deixando-a atordoada. Repetitivas lágrimas escorriam-lhe pela face delicada, porém a loira tratou de limpá-las rápida e abruptamente, como se suas lágrimas fossem uma doença, algo ruim. Suspirou fracamente conforme capturava cada gota de coragem que existia em seu ser para entrar naquela casa. Sua antiga casa.
encaminhara-se lentamente pelo caminho de pedra que levava até os singelos degraus de entrada da casa. Suas pernas entorpeceram ali, em frente à porta azul, sua pequena mão - gélida e delicada - na maçaneta enquanto sua mente se consumia em incerteza; entrar na casa ou fugir para longe. Com um novo suspiro, olhara em volta, como se para ter certeza que nada nem ninguém a estaria vigiando, e só então a loira, destrancara a porta e girara a maçaneta. Entrara em sua antiga casa a passos lentos, incertos e cautelosos. Mantivera sua respiração controlada, mas seu coração batia descompassado. Imagens de um passado sangrento vieram-lhe à mente, e uma solitária lágrima escorreu livre por seu rosto, até findar-se nos lábios - entreabertos e avermelhados - de . Piscara algumas vezes para que sua vista não embaçasse novamente, só assim poderia observar com clareza os móveis da sala; cobertos por uma camada fina de poeira e alguns até cobertos com grandes lençóis brancos.
E lá, em cima da poltrona de cor vinho - a poltrona em que seu pai costumava sentar - encontrou seu antigo cachorrinho de pelúcia, o qual sempre fora muito apegada.
November 15, 1999 – 06:40am
Era uma manhã clara, porém gélida. Na casa da família Black - branca de portas e janelas azuis -, seus ocupantes tomavam café-da-manhã alegremente, como o faziam sempre. E, como sempre, acabavam por saírem atrasados de casa para seus afazeres diários. Porém o senhor e a senhora Black insistiam em um café-da-manhã diverso e alegre, esta refeição era a mais importante do dia, ao menos para eles, pois era o único momento do dia em que se sentavam todos juntos à mesa. Orion Arturo Black de apenas dois anos era o filho mais novo; esperto, observador e alegre. Cativava a todos por onde passava. Jane Black era a filha mais nova; alegre, simpática e nunca desobedecera a uma ordem direta dos pais - a filha que todo pai sonha ter. Mas ultimamente estava calada e até um pouco rude. Seus pais, Régulus e Lily, pensavam que talvez fosse apenas uma fase. Que logo passaria. Um terrível engano.
terminara de comer suas panquecas em silêncio e levantara-se da mesa com um sorriso sarcástico no rosto. Saltitante, subira a escada em direção ao seu quarto, estava relativamente alegre esta manhã. entrara e fechara a porta de seu quarto. Cantarolava uma canção antiga - em outra língua -, comemorando uma vitória de uma batalha que ainda estava para ser ganha. A loira parara em frente ao espelho e ali ficara encarando-se. O sorriso em seu rosto tornava-se cada vez mais sádico e perverso. Seus longos e lisos cabelos loiros estavam soltos e penteados de uma forma que deixava sua aparência assustadoramente perturbadora. Não por estar feia, ao contrário, estava belíssima. E sim por estar... Perversa.
– O que há futura caçadora? – falara para seu reflexo no espelho. A voz que ecoara no quarto, no entanto, não se parecia em nada com a voz suave que a garota geralmente usava, estava mais rouca e profunda. Aquela não era . Era seu corpo, mas não era realmente a verdadeira quem comandava seu corpo e sim um demônio. Crowley. – E o que você faria contra mim? Nada, eu respondo. Você não me faria nada! Grandes caçadores já tentaram e você ainda nem se tornou uma, minha criança. – A loira soltou uma risada sarcástica. – Acabar comigo? Agora? Acho que não... Só em seus sonhos. Quando virar caçadora você, provavelmente, me dará muitas dores de cabeça... Mas ainda não acabaria comigo. – gargalhou. – Agora criança, aprecie o show! – Sussurrou ao escutar batidas na porta do quarto.
– ? Vamos querida, ou se atrasará mais que o habitual para a escola! – Lily falara colocando a cabeça para dentro do quarto da filha. O demônio se calara no mesmo instante.
– Eu não vou à escola hoje, mamãe. – falara sarcasticamente enquanto virava-se para encarar a mais velha, que se assustara com o brilho perverso nos olhos da filha.
– Como assim, Jane Black? – Lily perguntou ríspida, encarando a filha que se aproximava perigosamente, encurralando a mãe na parede do corredor. Como um predador faria com sua presa.
– Tenho algo mais interessante a fazer, mãe!
– E o que seria? – Lily perguntou, mesmo sabendo que não queria ouvir a resposta.
– Arrancar o seu coração, assim como o do papai... E dar ao Orion um destino diferente. – respondera pausadamente. Um brilho psicótico perpassara seus olhos, o que fez Lily, inconscientemente dar alguns passos para trás, batendo as costas na parede. – Ops! Fim da linha, mamãe. Agora, deixe-me ver seu lindo coração.
– N-não estou gostando da brincadeira, filha! – Lily gaguejara.
– E quem foi falou em brincadeira, mãe? – perguntou ficando a poucos centímetros da mais velha. – Eu gostaria de ouvir seus gritos, mamãe... – A loira comentou enquanto empunhava a adaga de prata que estivera presa - por uma liga - em sua cocha por debaixo da saia escolar. – Grite! – Cortara a blusa de Lily na altura do coração. Assustada, a mais velha gritara. – Ótimo, continue gritando, porque eu nem comecei.
Grossas lágrimas escorriam livres pelo rosto de Lily, seu corpo entorpecido pelo terror. Aquela não era sua filha, sua adorável filha. Não podia ser. era uma garota amável e que respeitava a família, diferente de muitas adolescentes de sua idade. Ela nunca faria algo assim. Ao menos era isso que Lily pensava até àquele momento.
– Isso vai doer! – O sussurro rouco viera carregado de satisfação não contida. Aquele maldito sorriso perverso - que o demônio adorava sorrir - não lhe saia dos lábios. Os grandes olhos cinza de Lily se arregalaram e um grito morrera em sua garganta quando sentira a adaga lhe perfurar a pele alva, tão parecida com a de sua filha. A dor era excruciante. O demônio se deliciara com o desespero de Lily enquanto abria um buraco em seu peito, grande o suficiente para ver toda a extensão do coração da mais velha. Ao ver o sangue fluir abundantemente no local, espirrando um pouco sobre a mais jovem, sujando-a. Crowley poderia ter gozado ao ver o coração de Lily, que ainda batia rapidamente. – É tão lindo, mamãe!
colocara a adaga entre os dentes, sem importar-se de sujar-se um pouco mais de sangue, enquanto Lily escorregava da parede para o chão, sem forças devido à perda de sangue. O demônio agachara-se ao seu lado e esticou a pequena mão para dentro do buraco feito no peito da mãe. A súplica sussurrada por Lily servira apenas para aumentar a sede de sangue da loira. Com um sorriso diabólico, fechou os dedos em torno do coração de Lily e o puxara, sem pena, escutando seu último suspiro. O coração parava lentamente de bater em sua mão.
– O que está acontecendo aqui? – Régulus perguntara pausadamente após subir as escadas correndo ao ouvir os gritos de sua mulher. – Lily? LILY! – Então seus olhos, também cinzas, recaíram sobre a loira, suja de sangue, com uma adaga na boca e o coração inerte de Lily na mão. – , o que você fez?
Régulus encostara-se na parede em busca de apoio. A visão de sua mulher no chão lhe dava vertigem.
nada respondera, apenas tirara a adaga da boca e sorrira assustadoramente doce para seu pai, que tinha os olhos arregalados. A loira levantara-se lentamente do chão, sua aparência mais perversa que antes. Régulus até tentara fugir, mas algo o prendia ali, junto à parede. Um tipo de força invisível. Era um dos pequenos truques que o demônio sabia fazer. E estava longe de ser o seu melhor truque. Era somente uma forma de manter suas presas paradas enquanto fazia seu trabalho. Como um veneno paralisante utilizado pelas tarântulas, tornando a caça algo menos trabalhoso para que pudesse se alimentar de suas presas, visto que não possuem dentes. Crowley podia sentir o terror que irradiava de Régulus. Tão humano.
– Não tente fugir, papai! E não se preocupe, afinal, logo você terá o mesmo destino que a mamãe. Vocês vão se encontrar de novo no céu... Ou quem sabe no inferno! – Crowley riu sadicamente e fez uma pequena pausa. – Se não se importa, eu gostaria de ter seu coração também. Ele vai ter um propósito melhor quando estiver em minhas mãos, acredite.
– Você não é minha filha! – Exclamou Régulus. – Você não é minha filha! – Repetiu um pouco mais alto. – não é, nem nunca foi cruel, sádica!
– Você é mais esperto que ela! – A loira indicara Lily com a cabeça. – Você tem razão, eu não sou a sua filhinha responsável, simpática e muito menos obediente. Isso me dá nojo. – Dera de ombros, gargalhando em seguida. O demônio estava a se divertir com o medo do homem. – Vamos direto ao ponto, papai!
, com um pequeno movimento de mão, jogara Régulus no chão com um baque surdo. Caminhara até o mais velho e sentara-se em cima do quadril do mesmo. Rasgara a blusa social branca que usava sem perder tempo, da mesma forma que fizera com Lily. Crowley não tinha mais tanta paciência para se deliciar com o sofrimento de Régulus. Com ele seria mais rápido, mas não menos indolor.
Os movimentos da loira, Régulus percebera horrorizado, eram eróticos. Pecaminosos.
Certamente aquela não era sua filha. Algo muito mau a estava possuindo.
Régulus tinha certeza disso, mas não sabia o que fazer.
Não sabia como reagir. Aquela não era sua filha!
Sentia-se frágil e cansado. Impotente.
– Não me demorarei com você. – A loira falara próximo ao ouvido de Régulus, que estava mudo, apenas esperando seu fim. – É uma pena você ter que morrer, sabe? Mas o que posso fazer? Não sinto pena. – Sorrira e se afastara para observar as reações de Régulus. – Você está tão quieto. Eu gosto de gritos. – Comentara alisando-o o peitoral, bem acima do coração acelerado. – Espero que você grite agora... – E sem falar mais nada, a loira fizera um buraco - do mesmo tamanho que fizera em Lily -, deliciando-se com a sensação de cortar a pele, ver o sangue fluir livremente. Era sua cor favorita. Vermelho sangue! – Agora basta eu o pegar para mim... você não se incomoda, não é? – Perguntara enquanto tirava a pele de cima do local. Seu sorriso crescera ao ver o batimento acelerado do coração. Tão bonito. Natural.
sorrira, colocando a adaga no chão, para que pudesse pegar o coração de Régulus com a mão livre. Uma vez mais, esticou a mão para pegar o que agora era seu. Outro coração. O que o demônio não previra era que Régulus conseguisse juntar força suficiente para pegar a do chão e cortar-lhe o antebraço. O demônio olhara para o sangue que fluía do pequeno corte por alguns instantes. Estreitara os olhos em direção à Régulus, deferindo-lhe um tapa no rosto em seguida. O mais velho ficara imóvel outra vez. Com um novo sorriso, , arrancara-lhe o coração, que já batia fraca e lentamente.
– Bem, acho que isto é um adeus, pai e mãe! – A loira disse ao levantar-se do chão com os corações em uma mão e a adaga na outra. Deu uma última olhada nos corpos sem vidas do casal, caídos pelo corredor e desceu a escada cantarolando. Parara na sala e olhara em volta. – Orion! Cadê você, coração?
– ! – Orion gritara feliz, aparecendo na sala, balançando os bracinhos, correndo desengonçado até sua irmã, que lhe sorriu friamente. O brilho perverso continuava em seus olhos cinza.
abaixara-se abrindo os braços e logo Orion estava em seu colo, abraçando a irmã. O pequeno garoto não se importara com o sangue, ou até mesmo com a adaga e os corações na mão da garota. Era muito novo. Inocente demais para entender qualquer coisa. A loira levantara-se com o pequeno Black nos braços e sussurrara-lhe algo em outra língua em seu ouvido. O choro da criança era alto conforme uma estranha marca aparecia em seu pulso. Era como uma tatuagem. O pentagrama que agora era visível no pequeno pulso de Orion tinha uma cor vibrante. Vermelho sangue.
– Iremos nos encontrar de novo, Orion. Acredite nisso! – falara com um sorriso satisfeito.
O demônio podia escutar as sirenes se aproximarem. Algum vizinho chamara a polícia ao escutar os gritos de Lily. Rogou uma praga em uma língua antiga. A loira colocara Orion no chão e lhe dera uma última olhada. Os grandes olhos cinza de Orion estavam cheios d’água, seus lábios tremiam enquanto chorava agora em silêncio.
A última coisa que o demônio escutara foram os policiais dizendo que a casa estava cercada, antes de simplesmente desaparecer no ar, deixando o pequeno Orion sozinho.
, ainda presa em sua própria cabeça, chorara.
Estava sozinha agora. Orion não tinha mais ninguém.
E a culpa era dela.
– Não, criança. A culpa é minha! – Crowley falara rindo maleficamente.
prometera a si mesma, não importava quando, nem como, ela iria acabar com Crowley. Ele iria pagar pelo que havia feito à sua família. A loira não sabia onde estava, ou como escaparia da possessão do demônio, mas tinha uma certeza. A certeza que ela não descansaria antes de matá-lo.
April 10, 2009 – 05:30pm
, em um reflexo, levara a mão ao antebraço direito, tocando suavemente a cicatriz. O lugar onde Régulus, seu pai, a acertara com a adaga que o matou. A cicatriz não era tão grande de tamanho, mas tinha um profundo teor emotivo. Era como uma prova real de que tudo o que acontecera não havia sido apenas um pesadelo. Era algo que não poderia enterrar em sua mente ou em seu coração. Era além das lembranças. Sempre que olhasse para àquela cicatriz iria lembrar-se das súplicas de sua mãe, do terror nos olhos de seu pai e o choro de Orion. A loira ainda tinha aquela adaga. A adaga que tirara a vida das pessoas que mais amava. Dormia com a mesma embaixo de seu travesseiro. Desde aquele dia nunca mais vira seu irmão. O procurara por muitas vezes, mas não tinha rastros de por quem ele havia sido adotado.
Perdera a esperança de algum dia vê-lo de novo.
Em seu íntimo, esta era a única coisa que desejava.
Vê-lo de novo.
Novas lágrimas escaparam de seus olhos, intensamente cinzas. Engolira em seco e esbravejara:
– Oh, Crowley! Você não perde por esperar... Eu vou te destroçar, como você me destroçou! – Riu sarcástica. – Eu irei!
Saíra da casa, trancando a porta ao passar.
[1] http://www.collectormotors.com/carsoldpix/1969CamaroSS.jpg
Brincar com espíritos nunca termina bem.
- Hannibal Lecter.
April 10, 2009 - 05:40pm
estava um tanto quanto transtornada após uma pequena visita à sua antiga casa. Todas as lembranças voltaram sem seu consentimento, trazendo consigo todo medo que ela maquiava há muito tempo como apenas dor e culpa por ter sido induzida a matar os pais por um demônio. Mas o vento gélido acalmara um pouco assim que pisara fora da casa, quando o mesmo bagunçara-lhe os cabelos. Entrara em seu carro e dera partida, dirigindo em direção ao motel barato onde estava hospedada junto de sua melhor amiga, e também caçadora, Cartney.
Cinco minutos mais tarde, adentrava o quarto de número 069, trancando a porta ao passar. estava entretida na leitura de um livro - que a loira julgou ser algo meloso demais, como sua amiga - e não precisara tirar o olhar do mesmo para que soubesse quem havia chegado.
– O que ‘tá lendo? – Perguntara sentando-se na cama.
– Querido John... – Respondera , ainda sem tirar os olhos do livro. Ao concluir a página, fechara o livro e o colocara de lado, finalmente olhando para , que sorria sozinha por ter presumido corretamente que a amiga estava lendo algo meloso. – Onde esteve? Voltei da minha pesquisa sobre o caso e não te achei aqui, fiquei preocupada...
– Andando por aí, relembrando os velhos tempos. – desviara o olhar da amiga, para que a mesma não visse qualquer emoção que seus olhos extremamente cinzas, como uma tempestade, pudessem estar passando no momento. Não queria que a amiga visse o quão fraca ela poderia ser. – O que descobriu?
– Segundo o laudo da perícia, os três adolescentes simplesmente pararam de respirar. Sem marcas, ou coisas do tipo nos corpos. Descobri, também, que temos duas testemunhas. Colegas de escola... Melhores amigos, melhor dizendo, das três vítimas.
– Amanhã teremos de levantar cedo para fazer uma visitinha aos garotos! – falara deitando-se na cama, após tirar as sandálias estilo gladiador.
– Ensino médio! – comemorara nostálgica. – Teremos que dormir mais cedo hoje e...
– Isso não significa que nós não iremos nos divertir hoje à noite, afinal, é sexta-feira! – a interrompera rindo. – Já tenho tudo programado. Sua nerd! – Brincara jogando um travesseiro na amiga, fazendo ambas rirem, dando início a uma guerra de travesseiros bem divertida e barulhenta no quarto 069. – Ok, chega! – Falara, jogando-se de volta na cama. – Hora do soninho, que a noite promete!
April 10, 2009 – 08:50pm
A noite chegara. e arrumavam-se para sair, coisa que não faziam há algum tempo. escolhera uma roupa[1] bastante feminina e sexy; uma saia brilhosa prata, uma blusa tomara-que-caia preta por dentro da saia. Usava uma sandália, também prata, e algumas de seus habituais acessórios. Seus óculos, que odiava usar, estavam em seu rosto. Perdera seu último par de lentes, teria de esperar até a manhã para comprar mais pares.
– Para onde nós vamos esta noite? – Perguntara ao sair do banheiro usando apenas uma lingerie rosa e pegando uma roupa[2] na mala. Um tanto diferente da amiga, se decidira por um short balonê preto, uma blusa azul e uma sandália de salto bege com detalhes em preto.
– Avistei um barzinho legal no caminho de volta. – fizera uma pausa enquanto amarrava o cabelo num rabo-de-cavalo malfeito. – E vi, também, vários homens lindos passando pela rua, aposto que eles gostam de se divertir à noite, não?
– Ótimo, é para lá que vamos! – dissera pegando a chave do carro.
– Mas eu dirijo! – falara roubando a chave da mão da amiga e seguindo para o lado de fora do simplório motel em que estavam hospedadas. – Não se esquece de trancar a porta. – E fora andando até o carro, sem ao menos esperar por , que trancara o quarto balançando a cabeça negativamente, rindo.
Em menos de dez minutos, ambas as garotas adentravam o pub, sendo observadas por todas as pessoas que ali estavam. sorrira de lado, de forma convencida, enquanto apenas erguera uma sobrancelha. Andaram até o balcão e pediram suas bebidas. Um clássico cowboy para , que avaliara o barman de forma pervertida de cima a baixo, e um licor de menta para , que balançara a cabeça negativamente pela maneira de agir da loira, apesar de estar rindo, e passara os olhos pelo bar.
Nada de diferente. Uma única coisa lhe chamara a atenção; belos ombros largos de um homem qualquer. Ele sentava-se com outro homem e ambos pareciam entretidos em uma conversa enquanto jantavam. Mas isto pouco importava para , que se virara novamente para a amiga, que já dava um grande gole em seu drink.
– Você é uma bêbada, ! – Brincara vendo a amiga fazer careta.
– Eu apenas aprecio o que é bom, é diferente de ser bêbada, ! – A loira respondera rindo e mostrando-lhe a língua de forma infantil. – Mas uma vez me falaram que eu era uma trêbada... – Ponderara pausadamente. – De qualquer forma, eu tenho que aproveitar um pouco antes de me envolver completamente em um caso, você sabe.
– Eu estava brincando, besta! – A morena rira dando um tapa na cabeça da amiga, que a olhara emburrada, voltando a beber seu drink, agora dando uma olhada em todos os homens que estavam no pub. Avaliava-os criticamente por cima do copo.
– Homens lindos saem das tocas à noite, eu disse! – falara com uma cara pervertida para , que soltara uma risadinha nasalada. – Você já reparou naqueles ombros? – Apontara discretamente para o rapaz que outrora a morena observara. apenas concordara com a cabeça, bebendo outro gole de sua bebida. – Eu sei que você adora ombros... Mas o carinha de frente para ele, céus! Ele passou mais de uma vez na fila da beleza antes de descer para a Terra.
– Você é estranha! Apenas volte a beber ok?
A loira dera de ombros e findara seu drink em um último gole.
April 10, 2009 – 02:30pm
dançava alegre e sensualmente ao som de músicas de qualidade na pista de dança, rodeada por rapazes bonitos que lhe cantavam e dançavam junto dela. Sempre grudando seus corpos, o que a fazia rir sozinha. Eram sempre todos iguais. Mas o único homem que lhe tinha roubado a atenção fora o que observara mais cedo naquela noite. Ele continuava sentado à mesa junto do homem com belos ombros. A loira podia sentir seus olhares enquanto dançava, mesmo estando de costas para ele. Seus quadris balançavam ao ritmo da música. Virara-se de frente para o lindo homem que apenas a encarava de longe. Seus olhares se encontraram e sorrira lascivamente, ganhando um sorriso parecido em troca.
– , nós deveríamos ir, amanhã nós acordamos cedo e... – tentara convencer a loira, entrando no meio da roda, que se formava em volta da amiga, e falando-lhe ao ouvido.
– Ok, deixe-me ir ao banheiro e então nós vamos, ! – sorrira para a amiga que seguira em direção à saída do pub, indo para o estacionamento, onde esperaria a loira. Sua cabeça parecia querer estourar por causa das bebidas ingeridas. Não que estivesse muito bêbada afinal não era muito de beber. Não como era.
sorrira se desculpando para os rapazes e caminhara em direção ao banheiro. Apesar de aparentar estar sóbria, sentia-se completamente bêbada. Sua mente trabalhava duas vezes mais lenta e seus passos eram premeditados para que não caísse por algum tropeção. Não que isso não fosse acontecer a qualquer momento. Sempre bebera mais do que seu organismo podia agüentar. A bebida era uma de suas muitas válvulas de escape do mundo real. E a segunda mais utilizada.
Mais lento que normalmente andaria, chegara ao corredor do banheiro feminino, rindo de sua demorada caminhada. Estava pior do que pensava. Nada que uma aspirina e uma boa noite de sono não curassem, obviamente. Ainda rindo de si mesma cambaleara até a porta, mas não entrara no banheiro. Escutara passos a uns poucos metros de onde estava. E pelo som que faziam, deduzira não ser uma mulher indo, também, usar o banheiro feminino. Era um homem.
– Oi! – dissera lentamente, de forma provocante, virando-se para encarar quem quer que esteja logo atrás dela. Era o bonitão que apenas a observara a noite inteira. Um sorriso matreiro brincava nos lábios de ambos.
– Oi. – Ele respondera com uma voz rouca que arrepiara até o último fio de cabelo louro de sua cabeça.
E então ficaram ali, apenas se encarando. Aproximaram-se conscientemente, até estarem próximos o bastante para que suas respirações, um tanto quanto falhas, se misturassem. Ele com um hálito fresco de menta. Ela com um leve cheiro de álcool misturado com um pouco de cereja, vinda de uma bala que chupara há poucos minutos. não deixara de reparar na cor dos olhos que a observava tão atentamente. Eram verdes. E estavam um tanto escurecidos por algo que julgou ser desejo, já que sentia o mesmo.
– Não diga nada. – A loira sussurrara calando o homem com as pontas dos dedos ao ver que o mesmo falaria algo. O sorriso deles crescera alguns centímetros. – Apenas me siga! – E o beijara, findando o espaço que existia entre ambos.
Começara apenas com um encostar suave de lábios, inocente. Mas o pedido de passagem não demorara. Logo suas línguas bailavam em um ritmo sensual. fora prensada na parede e tivera seus cabelos puxados levemente. Em resposta aos gestos do homem, gemera e arranhara a nuca do loiro, puxando-lhe os cabelos em seguida.
Apenas quando seus pulmões imploraram por um pouco de ar eles separaram os lábios e o loiro colara sua testa à de . Sorriram ofegantes.
– Isso foi...
– Adeus! – falara beijando os lábios do loiro uma última vez, interrompendo-o.
Sem esperar resposta, ou qualquer outra reação que o moço poderia ter, foi-se embora.
Esquecera-se de que não fora ao banheiro, mas pouco importava. A única coisa que não se esqueceria desta noite era da macia boca que lhe tocara os lábios de forma tão voraz e sensual.
Nem mesmo a bebida a faria esquecer algo assim.
April 11, 2009 – 09:00am
Após aquele incidente, quase correra (tropeçando em muitos pés pelo caminho enquanto passava pela pista de dança) para o estacionamento do pub, onde já a esperava andando de lá para cá. assumiu que seria melhor que ela dirigisse o carro, pois a loira estava muito mais bêbada do que ela. Depois de muito titubear, concordara, afinal, ela não queria que nada acontecesse ao seu lindo carrinho. Chegaram ao motel esgotadas e tudo o que conseguiram fazer foi trocar suas roupas por confortáveis pijamas e jogarem-se na cama. Acordaram em cima da hora. Suas cabeças pareciam explodir de tanto que latejavam. logo procurara suas companheiras inseparáveis em seu nécessaire; as aspirinas. Tomara uma e passara outra para a morena, que lhe agradecera com um sorriso. Trocaram-se lentamente, ainda praguejando em sussurros sobre suas dores de cabeças.
– Cara, eu fico um arraso de detetive, né? – perguntara dando uma voltinha para que sua amiga visualizasse toda a sua roupa[3].
– Acho que você é uma estilista, . Nunca vi gostar de montar looks para nossos disfarces! – comentara rindo, ao ver a produção da amiga. – Mas acho que desta vez você fugiu um pouco da fantasia...
Estava linda, apesar de um pouco exagerado. Mas esta era sua amiga, não?
Usava uma saia (curta demais na opinião de ) preta, uma blusa social branca com as mangas dobradas, um colete preto e um chapéu. Sua sandália e sua bolsa eram marrons claros (lindas demais, ainda na opinião da morena). Colocara também óculos escuros para que não vissem suas olheiras, que quase conseguira esconder por completo com maquiagem.
usava uma roupa[4] mais formal. Uma calça social, uma blusa branca com uma gola de babados e um blazer preto, aberto. Em seus pés, belos scarpins cinzas. Não usava jóia nenhuma, ao contrário de sua amiga. E seus cabelos estavam presos em um coque malfeito.
– É que eu sou sexy, uma detetive sexy. A culpa não é minha!
E com esta pérola dita pela loira, as duas deixaram o quarto do motel.
April 11, 2009 – 09:35am
parara seu Camaro no estacionamento da escola. Logo uma pequena aglomeração se formara em torno do carro, o que irritou profundamente a loira (– Aí deles se eu encontrar um arranhão no meu bebê mais tarde! – Rosnara entre dentes). descera do carro primeiro, segurando um sorriso pelo comentário da amiga. Sabia o quanto a mesma amava o carro e, sabia também, que faria qualquer coisa se maltratassem seu “bebê”. O murmurinho fora inevitável. Invejoso da parte das meninas e de incredibilidade dos meninos. O qual aumentara dois terços quando a loira saíra do lado do motorista, mostrando primeiro as belas pernas.
Ligara o alarme do carro balançando a cabeça negativamente e respirando fundo, como para se concentrar ao motivo pelo qual fora levada até aquele lugar e não no motivo que a estava fazendo querer estrangular metade da aglomeração perto de seu Camaro.
– Eles não mudam, não? – perguntara num sussurro para , que apenas baixou a cabeça soltando um risinho nasalado.
Caminharam normalmente (o que quer dizer que: andara com altivez e apenas andara) até o escritório da diretoria. Não foi preciso esperar um tempo muito longo para falarem com a diretora Littman. Mas isto provavelmente foi devido ao fato de terem apresentado seus (falsos) distintivos de polícia.
A diretora Littman era uma senhora que beirava os sessenta anos. Tinha uma aparência redonda e séria. Mas recebera as caçadoras com um pequeno sorriso simpático no rosto.
– Achei que já haviam feito o interrogatório com os alunos... – A diretora alfinetara assim que falara “testemunhas” e “perguntas” numa mesma frase. O sorriso simpático continuava em seu rosto, mesmo que em um tamanho reduzido. A morena mal tivera tempo para processar o que a velha diretora dissera, pois já havia respondido.
– Ainda existem lacunas a serem preenchidas.
– Foi uma pena o que aconteceu. – O pesar era quase palpável na voz da diretora Littman enquanto ela relembrava algo. – Eram todos amigos, andavam sempre juntos pela escola. Inseparáveis!
– Muito triste... – falara com fingido pesar.
Frases como essa eram automáticas na loira. Quase sempre tinha que falá-las para que conseguisse algo mais importante. Consolar pessoas poderia lhe trazer boas pistas de com o que estava lidando. dera um discreto beliscão na amiga. Detestava quando a mesma agia com essa indiferença toda. Parecia não ter um coração batendo em seu peito.
– Tão novos, uma vida inteira pela frente. – A morena dissera compadecendo-se com a emoção da velha senhora. fingira uma tosse para esconder uma pequena risada que queria lhe escapar da boca. Mas percebera que a outra estava rindo, mesmo que a diretora não o tenha feito. Depois de alguns anos juntas, podiam dizer que sabiam alguns trejeitos uma da outra. – Realmente uma pena.
– Bem, se é realmente necessário, vou pedir que chamem os alunos. – A diretora falara saindo da sala.
O silêncio não durara muito tempo.
– Às vezes você é tão insensível, que eu duvido que você tenha um coração aí! – exclamara beliscando a amiga novamente. – Pedra de gelo.
– O que? É engraçado você se importar tanto sem nem mesmo conhecer as vítimas. – dera de ombros. – Posso até ser um tanto insensível, mas às vezes, que são muitas vezes, só pra constar, este fator me ajuda em algumas questões. Já você com esse coração de mãe, onde sempre cabe mais um, vai acabar se ferrando mais cedo ou mais tarde. – Fizera uma pequena pausa vendo o olhar triste da morena com suas palavras duras. – Desculpe-me, mas você sabe que é verdade, . Você deveria cuidar melhor de seu coração. Colocá-lo dentro de um plástico bolha e trancá-lo a sete chaves em seu peito.
– Obrigada pela preocupação, mas estou bem assim. – sorrira, porém parecera uma careta aos olhos da loira. – Agora cala a boca, a diretora está voltando.
– Oh, sim...
– Detetives, eu já pedi que chamassem os alunos. Eles estão a sua espera na biblioteca. – Diretora Littman informara com o mesmo o sorriso gentil no rosto ao adentrar a sala da diretoria. – É naquela direção. – Apontara para o corredor à esquerda.
As caçadoras andaram lentamente pelos corredores da escola, seguindo a direção indicada pela diretora. Os únicos sons ouvidos eram os de seus saltos fazendo contato com o piso. Era até estranho para andar num corredor escolar sem escutar ao menos uma sala mais barulhenta que as outras. Mas ali era diferente. Em todos os sentidos.
Enquanto a diretora era amável e simpática, o prédio da escola era antigo e assustador. Mas para a simpatia da mulher era assustadora. Não conseguia entender como alguém sorriria daquela maneira para duas desconhecidas (mesmo que estas fossem da polícia) e as tratava tão bem sem nem ao menos parecer importar-se com sua própria segurança.
Em cinco minutos chegaram à biblioteca. Os olhos de brilharam por alguns instantes enquanto olhava admirada para os milhares de livros nas estantes. Mas o brilho sumira, assim como o pequeno sorriso que tentara surgir em seus lábios, ao avistar os dois jovens que julgara serem as testemunhas. Pareciam assustados e tinham a aparência de que não dormiam há dias. E realmente não dormiam. Miley não dormia porque imagens daquela noite ainda passavam em sua mente e Chad não dormia porque Miley ligava para ele pedindo que conversassem, pois não conseguia dormir. Uma pequena bola de neve.
– Olá... – sorrira para os jovens enquanto sentava-se à mesa, de frente aos dois adolescentes, assim como . – Sou a detetive Peterson e ela é a detetive Lovett. Nós gostaríamos de fazer algumas perguntas sobre a morte de seus amigos, tudo bem?
– Achei que já tínhamos dado nossos depoimentos. – dissera Miley com os olhos marejados. – É difícil lembrar tudo o que aconteceu aquela noite. – Terminara com um pesado suspiro.
– Sabemos que é difícil, mas é preciso, para que nós possamos resolver este caso. – dissera segurando uma das mãos de Miley, dando-lhe apoio, incentivando-a a continuar.
– Vocês estavam juntos quando Rachel, Peter e Halley morreram certo? – perguntara. Sua voz era macia e calma, talvez para não assustar - mais ainda - os dois jovens à sua frente.
– Estávamos! – Chad, que até então tinha ficado em silêncio, respondera a pergunta.
– E como aconteceu? Alguma coisa que não tenham contado a polícia antes? – A caçadora loira perguntara estralando os dedos, uma mania irritante que tinha desde pequena quando ficava nervosa ou ansiosa.
Uma longa pausa se seguira. Os únicos barulhos ouvidos eram suas respirações e o estralar de dedos de . A resposta para esta pergunta veio de Miley, que quebrara o silêncio um tanto quanto incômodo.
– Aconteceu depois de brincarmos com o compasso...
e trocaram olhares cúmplices e rápidos.
– Obrigada e desculpem por terem de passar por isso novamente. – dissera acenando com a cabeça, após terem terminado de fazerem suas perguntas.
levantara-se na frente, seguida de e dos dois alunos. Mais um aceno de cabeça e as duas caçadoras retiraram-se do aposento, caminhando confiantes de volta para o estacionamento. O Camaro as esperava, e elas estavam ansiosas para dormir um pouco mais.
– Um espírito irritado, huh? Quem diria! – comentara rindo após dar a partida em seu carro, dirigindo feito louco de volta para o motel. Estava realmente cansada. – Isso vai ser um tédio... Ninguém nos garante que ele irá realmente matar mais alguém, talvez três jovens já tenha lhe saciado a sede de sangue e...
– Vamos ficar de olho. Esse espírito deve querer fazer novas vítimas. – dissera em tom definitivo, interrompendo a amiga. O assunto encerrara ali. A loira olhara de soslaio para a morena. – E não me olhe assim, você sabe que eu tenho razão.
– É talvez você tenha.
[1] Roupa Adhara: http://looklet.com/look/7296242 (desconsidere as tatuagens, não são as da personagem)
[2] Roupa Paola: http://looklet.com/look/5112321
[3] Roupa Adhara: http://looklet.com/look/7320405
[4] Roupa Paola: http://looklet.com/look/5063961