
Por: Yulli Furman
Beta-Reader: Carol Silver
Capítulo I -
Pois é, e aqui estou eu, nessa quinta-feira a tarde, escrevendo para vocês queridos leitores.
Pff, que mané queridos leitores ? ¬¬ até parece que algum dia, alguém ia querer ler isso. HUAIDHIAUSHDUIAH. Ainda bem que ngm fuça meu pc, se não iriam descobrir esses meus colapsos de “querido diário”, Deus me livre.
Enfim, hoje o dia vai ser calmo, sem cuidar de crianças, sem lição do colégio, tudo numa boa. Tirando os recados a serem respondidos no fake :/ o que essas pessoas tem na cabeça? Nada pelo jeito. é, eu tenho fake, mas não vivo pra ele, só serve pra ocupar o meu tempo “livre” mesmo. E eu, como boa adolescente (quase adulta) que sou, ADORO conhecer pessoas novas, e o fake foi um... meio (?) de conseguir isso mais facilmente. Então, 1bg galere, la vou eu pro meu antro responder meus queridinhos da net :D AMO VOCÊS! (L)
[...] setembro de 2008, Califórnia.
• says:
então amiga, to aqui procurando uns amigos novos no fake, e vc ?
says:
to baixando umas músicas lindas do McFly, pra não perder o costume :D hahaha
• says:
ah McFly é tudo de bom né, vamos cair na real *-*
says:
claro que é amor :D mas viu, eu já to indo nessa. Te ligo depois gatinha, beijos. Te amo ! (L)
E lá fui eu procurar novos amigos. Era incrível como todos resolviam deletar ou desativar os perfis ao mesmo tempo, incrível isso. E eu como não tinha nada para fazer, procurei novos coleguinhas pra trocar uma idéia enquanto os outros ou viajavam, ou estudavam. Depois de quase duas horas procurando pessoas no mínimo muito interessantes, achei um que realmente me interessou muito. Pelo menos o “quem sou eu” era razoável. A letra de uma música muito linda, mas meio dramática, confesso. Adicionei mesmo assim, gostei da foto de perfil, e resolvi arriscar. Menos de meia hora depois, o ser, dono do perfil fake, veio falar comigo:
. :
Ta ast, mas mantenha contato blls?
Ann - :
Ok amor, não esquente a cabeça :D eu não costumo adc algm pra não manter contato .
. :
KASOPDKASOPDKASOPDK, suss então . eai, tudo tranqüilo ?
Ann - :
Tudo sim amor, e cntgo ?
E foi assim que começou, eu e ele, conversando pelo orkut fake. Descobri aos poucos as suas manias, os seus problemas, e o quanto ele gostava de música. , para ser mais específica. Resposta ganha com a pergunta “por que esse nome? Er, do seu fake e tals.” HIASUDHAUIDHAUIH. Não acreditei em mim mesma, quando a enviei. Mas enfim, eu precisava saber o porque de um nome diferente assim. Foi quando ele me perguntou o porque do sobrenome no meu perfil. Eu respondi que gostava muito de McFly, mas de um integrante específico. E ele me respondeu com um simples: hmm. Que eu, sinceramente, vi como um “meu deus que mina idiota”. Continuamos conversando por um bom tempo (seis meses). Descobri que seu nome verdadeiro era . E que morava em Londres. Confesso que sempre tive vontade de ver como era o rosto por trás da telinha, mas também nunca tive coragem de pedir uma foto. E foi assim, com essa amizade estranha, que eu me vi apaixonada por um menino que eu nem conhecia. Namoramos por um bom tempo pela internet, no fake. Mas quando eu lhe pedi o orkut e o msn verdadeiros, ele me respondeu que não tinha. Porque trabalhava. E sim, minhas conversas com ele eram curtas e diretas, ele mal entrava na internet. E a maioria do tempo ficava online pelo próprio celular. De acordo com ele, seu trabalho pesava muito, e ele mal tinha tempo de pensar. Trocamos telefones, e as vezes, quando um dos dois não tinha tempo de ficar online, mandava mensagens e recados fofos. Ele sempre foi romântico comigo. Por mais que estivesse estressado com o trabalho. Pois é, meu gatinho da net era adulto, eu me sentia criança demais conversando com ele, minhas idéias eram outras, meu futuro eu via de uma forma diferente. Foi quando fiz 17 anos, e pra minha surpresa, minha mãe me obrigou a fazer um cursinho pro vestibular, eu não podia acreditar no que ela me falava. Eu ia ficar seis meses trancada em um tipo de internato, onde teria aulas de todos os tipos, desde exercícios físicos, até desenho e aulas de música. Entrei na internet morrendo, sabendo que nunca mais falaria com . Mas ele me respondeu rindo, como sempre fazia:
. :
Não se preocupe amor, eu vou te ligar todos os dias. Se você quiser ouvir a minha voz, é claro.
Ann - :
É óbvio que eu quero ouvir a sua voz né seu trouxa. HUASIHDUIAH, mas não sei se vai dar certo. Meu tempo no curso vai ser corrido. E se a gente nunca mais se falar ?
. :
A gente vai se falar, pare de pensar besteira ¬¬ e eu nunca vou te deixar. Eu te prometo.
Na semana seguinte o inferno começou. Entrei no espaço onde devia ser o meu suposto “quarto” com um peso nos ombros que só Deus sabia o quanto incomodava. Resolvi sentar na cama pra pensar um pouco. Eu tinha certeza que nunca mais falaria com ele. Liguei a TV e coloquei em um canal de shows que eu adorava. E la estavam eles, fazendo um show incrível, como sempre. Percebi entrar no intervalo, e aparecer a entrevistadora tão conhecida. A mesma dizia:
“Estou aqui, correndo contra o tempo, tentando ver de perto o que eles estão fazendo! Parece que está apressado! Está com o telefone em mãos, quem será a pessoa sortuda que vai ouvir a sua voz, depois de um show desses? É o que eu, e vocês, gostariam de saber não é? Mas infelizmente isso eu não tenho como descobrir. A não ser que eu roube o telefone do garoto ! risos. Bom, aqui vou eu e bom resto de show pra vocês! Até depois nos bastidores! CORTA.”
Desliguei a TV e deitei na cama. Meu celular começou a tocar insistentemente e eu resolvi atender pensando ser uma das minhas queridas amigas. Que já tinham chorado muito, quando dei a notícia do curso interno. Peguei o telefone e atendi com voz cansada:
“Alô.”
“Er... ?”
“Sim né, quem é?”
“HAHAHA você não viu quem era antes de atender?”
“Não, nem vi. Calma ai.”
Olhei no visor do celular e senti meu coração sair pela boca. Era ELE. Eu não podia acreditar no que estava acontecendo.
“Ah sim. Oi amor, tudo bom?” (tentando não mostrar o nervosismo).
“Eu to ótimo minha linda, e você?”
“Eu to mais ou menos. Acabei de chegar no meu quarto novo. Sabe como é.”
“Hmm. Calma, logo você se acostuma.”
“Espero que sim. Ta foda ficar trancada aqui. Mas peraí, que barulho é esse? Cocê ta em algum show ?”
“Er... eu to sim. To vendo a banda do meu amigo se apresentar aqui num clube perto de casa e pá. Mas então eu tenho que desligar. To cansadão.”
“HAHA é eu percebi pela sua voz.”
“Hahaha desculpa amor, eu prometo que na próxima ligação a gente conversa mais.”
“Não se preocupe. E bom show.”
“Obrigada. Durma bem meu amor.”
“Durma bem ”
Escutei o barulhinho irritante de que a ligação havia sido cortada por muito tempo. Ainda não acreditava que ele tinha me ligado. Ele parecia mesmo cansado. E foi nesse momento que eu percebi o quanto eu precisava dele, desse meu amigo que morava longe, e que eu sabia que nunca veria pessoalmente. Mas que mesmo assim, me arrancava suspiros com cada palavra, e fazia meu coração disparar a todo o momento. Eu sabia que o amava. Mas também sabia que ele não sentia o mesmo. Eu sempre seria a sua “ex namorada do fake” e nada, além disso. Pelo menos era o que eu achava.
Capítulo II –
Sonhei que tinha falado com o pelo telefone e acordei rindo de desespero. “Desde quando você conseguiria falar com ele pelo telefone sua babaca ?” Pensei comigo mesma. Levantei, lavei bem o rosto, e decidi tomar um banho, já que não conseguiria dormir de novo. Sai do banheiro enrolada em uma toalha e liguei o computador. Meu bom e velho notebook, que graças a Deus e a minha mãe, não me tiraram logo na entrada pro “quartel”.
Comecei pelo orkut, respondendo os recados desesperados de alguns amigos que já diziam sentir minha falta. Passei pro twitter, postei rapidamente o que havia acontecido. Respondi umas perguntas no formspring [inútil por sinal] e finalmente abri o orkut fake. Eu tinha vários amigos por la, e resolvi contar a novidade [ligação] pra algumas das meninas que sabiam da história. Uma delas, quase uma “melhor amiga virtual” me disse o quanto tinha ficado feliz por saber disso, mas terminou me falando, como sempre, que eu tinha que esquecer ele. Eu sempre levei a opinião e os conselhos dela em consideração, mas não era tão simples assim.
Fiquei online no msn, e logo subiu a janelinha de .
says:
aaah amiga eu já to morrendo de saudades !! *-*
• says:
nem me fle amor :O ainda bem que me deixaram ficar com o note, eu não sei o que faria se tivesse que largar todos vcs :/
says:
pois é, ainda bem que deixaram (: mas eai, como andam as coisas ?
• says:
entãão, vc não sabe da maior ! ‘o’ adivinha quem me ligou ontem ??
says:
não faço a mínima idéia :O quem quem quem ?
• says:
o !
says:
o que ? mas não é o menino do fake ??
• says:
exatamente .
says:
e porque ele te ligou ?? ._.
• says:
porque como eu ia ficar sem internet, ele ficou de me ligar todos os dias pra gente se falar.
says:
hmmm, e ai como foi o papo ?
• says:
foi ótimo ! *-* eu percebi que ele tava em algum show e tals. Mas nem liguei muito pra isso.
says:
o que ? ele tava num show ? e te ligou de la ? HASUIDHSAUIDHASUIH que mané.
• says:
mané nada ! haha ele foi fofo :D mas viu, eu vou comer alguma coisa, e vc vá dormir !
says:
que dormir que nada, eu vou ficar aqui até amanhecer. Beijos amiga :*
• says:
ta né, se vc diz. Beijos, se cuide :*
Olhei no relógio, 03:20 da manhã. Decidi ver alguma coisa na TV. Já que o sono não vinha.
“I, feel like I've been here once before, you threw my bags out through the door and in the road”.
Acordei com o telefone tocando, o amaldiçoei ao último até ver que era uma mensagem de .
Oi pequena, como você ta ?
Hahaha, oi grandalhão *-* eu to bem e você ?
Eu to cansado, mas to bem. Rs - pensei que não ia responder, essa hora você tinha que ta dormindo.
Não, acordei agora pouco e não consegui dormir de novo. [afinal, ele não precisava saber que eu estava babando no sofá há segundos atrás]. Mas e você, o que ta fazendo fora da cama ?
Er, to dentro do ônibus com uns amigos meus. Indo viajar um pouco e pá. Sabe como é, pra espairecer.
Hmmmm, e eu to atrapalhando a tua viagem. HAHA me desculpa, enfim. Vou tentar dormir um pouco. Boa noite .
Não ta atrapalhando nada não ! rs. mas você precisa dormir mesmo. Boa noite .
Acordei sentindo que um caminhão havia me atropelado. Olhei pros lados e vi que todos dormiam, menos eu. Pra variar. Peguei meu celular e coloquei algumas músicas pra relaxar.
Acredito que dormi de novo, porque acordei com me empurrando contra a parede e gritando no meu ouvido.
- SAI FORA PORRA! EU TO COM SONO! ME DEXA DORMIr!
- Sai fora o caralho, a gente tem entrevista agora mano.
- Entrevista? Merda. Eu tinha esquecido. Quanto tempo eu tenho?
- Pra se arrumar?
- Não, antes de morrer seu trouxa.
- Otário, tem meia hora.
- Ae, valeu. Vou me trocar.
Me troquei correndo como sempre, mas dessa vez não estraguei nada. Fiz minha higiene e desci do ônibus. Todos já estavam la fora me esperando. E tinha milhares de fãs gritando os nossos nomes nos portões. Entramos no local aonde seria a entrevista e saímos de la horas depois. Entrei no ônibus pra continuar a viagem, e capotei de novo.
Acordei com alguém me batendo. pra variar. Era incrível o quanto eles curtiam me bater, principalmente quando eu ainda estava dormindo. Aquilo dava tesão pra eles, com certeza. Levantei rindo e comecei a socar ele no estômago.
- Pára mano! Eu vou vomitar! To falando sério!
- HAHAHAHAHA você me bate e vem reclamar? Seu bixa!
- Ah sai fora GG!
- Suave. Vou come alguma coisa antes que eu vomite o estômago, que ta vazio por sinal.
Levantei e fui pegar algo pra comer. Achei um pacote de salgadinho e um copo de papel aonde coloquei café dentro. Senti que aquilo não ia ser uma mistura muito agradável, mas até a lanchonete ou restaurante mais próximo faltavam vários quilômetros pelo jeito, pois quando olhei pela janela, só via mato.
Decidi conversar com alguém sobre o assunto que mais me atormentava. Nosso show na Califórnia.
- , er. A gente pode conversa um pouco dude? To precisando falar com alguém e pá.
- Beleza brother. Qual é a fita? [rs, não deu pra segurar, imagina ele falando isso ? lindio]
- Então, eu... faz algum tempo que eu criei um fake.
- COMO É QUE É? HAHAHAHAHA.
- Mano para com isso. Eu fiz porque tava me sentindo sozinho, e tava precisando conhecer gente nova. Sabe como é.
- To ligado, mas então. Conhecer gente nova ? Pra que isso meu?
- Cara, eu não sei vocês. Mas eu curto demais ver alguém que não faz idéia de quem eu seja. Tipo... você entrar num lugar e ninguém te olhar com os olhos arregalados e vir pedir um autógrafo. E no fake eu achei isso, um lugar que eu posso ser eu mesmo, só o . Não o “ ”.
- Ah sim, eu te entendo dude. Mas enfim, que que isso tem a ver com a história toda?
- Er, então. No fake tem altas paradas bem loucas. Namoro, casamento. Bem hilário.
- Ta dude, fala logo! To ficando nervoso ! – ele disse quase gritando.
- Cala a boca ! Não quero que mais ninguém fique sabendo disso porra!
- Ta foi mal, mas fala ae logo.
- Então, como eu tava falando – falei com cara de desgosto – eu to afim de uma mina que eu conheci pela internet.
- A é? Puts dude, que merda! Mas tipo, ela é da onde?
- Califórnia.
- Outch. Percebi o motivo do teu nervosismo ultimamente. Ta com medo de ver ela brother?
- Sei la, eu sei que não preciso ficar com essas piras. Mas é foda. Ela é alucinada pelo Mcfly, e o preferido dela so eu. E tipo, ela fala comigo, e não faz idéia de que o “” que ela conversa na internet seja eu mesmo. Eu me sinto mal com isso, mas não vejo outro jeito de deixar rolar. Eu não posso ver ela pessoalmente, nunca. Além de ela ser mais nova, curte demais a banda, e com certeza deve ser daquelas fãs loucas que agarram a gente e que arranham. Viu o que aconteceu com o braço do ? Ta com um risco enorme por causa daquela descontrolada!
- HAHAHAHAHA, to ligado. Mas dude, e se ela não for assim? Digo, maluca e pá.
- E eu sei la! Só sei que vai ser foda fazer um show massa imaginando que ela vai ta naquela multidão. Me vendo lá em cima, sem nem fazer idéia de que fala comigo faz quase um ano, e já ouviu minha voz no telefone dela.
- VOCE JÁ LIGOU PRA ELA?
- Liguei cara. Ontem. – falei de cabeça baixa.
- Puts, to vendo que é pior do que eu imaginava.
- É cara, é MUITO pior. Ela é tudo o que eu queria sabe? Mas eu não posso ficar com ela. Ela não pode saber quem eu sou de verdade. Nunca.
- Ta né, se você pensa assim. Eu não tenho mais o que fazer brother. Minha opinião é diferente da tua.
- Valeu de qualquer forma. – falei o vendo levantar e dar um passo pra sair - E er, não comenta com ninguém não, por favor.
- Suave dude. Tu sabe que pode conta comigo. – me deu um peteleco na testa e saiu.
CAPÍTULO III -
Os dias até que estavam passando rápido no “quartel”, eu juro que estava me acostumando com a rotina de la. Acordar, tomar banho, estudar, comer, estudar, estudar, estudar, tomar banho, comer, dormir. Era tudo muito simples. E eu me cansava muito. Praticamente não entrava mais na internet. Motivo de ataques histéricos da parte de ,
e , que me ligavam sem parar, querendo saber das notícias. Como se acontecesse muita coisa dentro de um colégio interno, HÁ. Liguei a tv e passei por alguns canais, nada bom. Decidi ligar o rádio no celular mesmo, pra ver se tocava alguma música conhecida. Foi quando passando por uma delas, ouvi o locutor dizer PROMOÇÃO MCFLY, eu mal quis saber sobre o que era. Anotei o número do telefone e liguei. Liguei MUITO por sinal. Duas horas depois, eu ainda estava com o telefone em mãos. Ligando pro número da rádio. Quando ouvi alguém atender. Quase morri do coração. Fiquei escutando aquela voz irritante falar sobre todas as promoções, e sobre tudo que tava rolando em relação a rádio. Quando dei por mim, levantei a cara do travesseiro e já era dia. Exatamente isso. Eu tinha dormido. Merda. Ainda bem que era sábado, eu tinha o dia inteiro pra ligar pra tal da rádio e conseguir o que quer que fosse deles. Levantei da cama, tomei meu banho, relaxei, arrumei minhas coisas, e liguei pra minha mãe. Meia hora depois eu estava entrando no carro dela, desesperada para chegar em casa e poder agarrar o telefone sem deixar ninguém mais tocá-lo por no mínimo 48 horas. Chegando lá, desci do carro e a ajudei a levar minhas tranqueiras pra dentro.
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Eu não agüentava mais me sentir daquela forma. Toda vez que deitava a cabeça no travesseiro, independente do lugar onde estava, era ela que invadia os meus pensamentos. Confesso que não me sentia bem com isso. Me sentia fraco, por gostar tanto de uma pessoa que eu nunca tinha visto na vida, e ainda por cima, não era famosa. Foi quando me dei conta disso, de que nunca tinha visto o rosto dela. Isso me deu uma vontade enorme de descobrir os seus traços. Se a aparência dela fazia jus à voz, que eu achava maravilhosa. Me lembrei que ela havia me falado que seu sobrenome era Furman. Decidi criar uma conta no orkut só pra poder olhar pra ela uma vez. Inventei um nome e coloquei uma foto qualquer. Fui a busca. Digitei ” e apareceu uma no topo da página. De primeira senti que era ela. Abri a página e fiquei chocado. Ela tinha tantas coisas sobre a banda que eu me assustei. Várias músicas, letras no perfil, fotos nos álbuns. Mas resolvi terminar o que tinha começado. Abri o álbum de fotos dela e analisei todas, uma por uma, cada detalhe, cada sorriso, cada olhar. Ela me encantou mais do que eu queria. Me senti mais fascinado do que antes. E isso não era bom. Fechei a janela, desliguei o computador e dormi. Sonhando com ela outra vez.
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Coloquei minhas coisas dentro do quarto e sai correndo atrás do telefone. Segurei ele com tanta força que senti que quebraria em pedaços se não me acalmasse. Sentei na cama e respirei fundo. Disquei o número da rádio e fiquei esperando a mesma voz irritante de antes falar tudo o que tinha pra falar. Uns 10 minutos depois, acredito eu, finalmente falaram da promoção. Me inscrevi quase chorando quando descobri que haveria um show deles na semana seguinte e a promoção era para entrar no camarim. Passei o resto do final de semana vendo a família, brincando com os pequenos e ajeitando algumas coisas em casa. No domingo minha mãe veio falar:
- Olha filha, eu sei que você não está gostando nada do colégio novo. Então eu decidi te tirar de lá. Também porque eu não agüento ficar mais nenhum dia longe de você. Logo você vai pra universidade e eu vou ficar só com o seu pai. Vou passar o maior tempo possível com você agora – fazendo cara de tristeza -.
- Aaah mãe que boa notícia! – falei com os olhos brilhando – muito obrigada MESMO por me tirar de lá! Eu já não agüentava mais.
- Imagino mesmo meu amor, mas bom. As tuas coisas chegam daqui algumas horas, eu pedi pro seu pai passar pegar tudo lá pra você.
- Obrigada mãe, te amo. – falei dando um abraço apertado nela.
- Eu também te amo – falou, e me deu um beijo na testa antes de sair de casa.
Acordei, fiz minha higiene e decidi ligar pra ela. Eu precisava ouvir a sua voz, só pra variar um pouco.
Disquei o número dela e esperei.
- Oi sedução !
Risos.
- Oi meu amor, como você ta ?
- Eu to bem... e você ?
- To cansado, mas to levando. E ai alguma novidade?
- Ah, então. Minha mãe acabou de me falar que me tirou do colégio interno. Eu to tão feliz que nem consigo segurar.
Que bom , pelo menos a gente vai poder se falar pela internet.
Pois é. Eu juro que vou dar o máximo de mim pra te responder todos os dias. Você sabe que a Ann não agüenta muito tempo longe do .
Risos.
- Sei sei... o também sente falta da Ann.
Silêncio.
- ?
- Oi.
- Algum dia a gente vai se encontrar?
- Er... pessoalmente ?
- Aham.
- Não faço idéia .
- Ah, tudo bem. Mas então, eu tenho que fazer umas coisas aqui. Tenho que desligar.
- Ok. Vou ficar online mais tarde, hoje não tenho tanto trabalho. Entra pra falar comigo.
- Ta, vou tentar. Beijos. E... ah deixa pra la.
- O que? Deixa pra la o que?
- Nada !
- Odeio quando você faz isso! – Risos.
- Eu sei. Por isso eu faço.
- Imagino mesmo. Beijos.
Papai chegou em casa e eu resolvi levar minhas coisas pra cima. Já estava com saudades do meu cafofo. Sentei na cama e liguei o computador, crente que estaria online. Dito e feito. Conversamos por um bom tempo, quando ele me disse que tinha coisas pra fazer. (Ele sempre tinha, incrível). Resolvi não reclamar e me deitei, ligando a tv pra ver se passava algo interessante. Vendo que não tinha nada, e o sono não vinha. Liguei o rádio no celular. Quando estava quase adormecendo começa uma música interessante. Um ritmo legal, mais melódica. Começo a ouvir, mas nem presto atenção na letra. Só consigo ouvir a voz dele, do meu . Essa voz eu reconheceria a km de distância. Fiquei ouvindo o tom de voz dele até adormecer.
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Olhei no relógio pela milésima vez. Eu e os caras já estávamos lá há muito tempo, esperando. Até que nosso empresário veio nos chamar. Disse que precisava de uma reunião de emergência. Entramos no estúdio e ele começou a falar:
- Então garotos, ocorreu um problemão e nós precisamos de uma música nova URGENTE.
- Como é que é? – disse quase gritando.
- Nós temos show semana que vem! Não dá tempo de escrever outra música! E a Not Alone que o escreveu já ta bombando na rádio! – Thomas gritou.
- Eu sei, eu sei... mas a gente precisa de outra. Se não perdemos o contrato.
- Puta merda, só podem ta zoando a nossa cara. – eu disse entre dentes.
- Ta, a gente escreve. Eu ajudo. – disse com firmeza.
- Mas , não vai dar tempo! – eu gritei também.
- Calma, vai dar tempo sim . A gente chegou até aqui por causa do talento. E ele vai ter que ser mostrado agora. É um desafio. E eu adoro um desafio.
- Merda, vamos começar isso logo então.
Fomos pra minha casa e começamos a escrever várias frases, e pensar em temas pra música nova. Mais nada aparecia. Fui pro meu quarto e liguei o rádio. Começou a tocar a Not Alone. “tomara que ela esteja dormindo, ela não pode escutar a música e lembrar da letra, que Deus me ajude agora”. – pensei comigo mesmo enquanto deitava a cabeça no travesseiro e pegava no sono.
CAPÍTULO IX
Sonhei que tocava em uma banda. Acordei assustada, naturalmente, mas com um sorriso no rosto. Imaginei o quanto seria incrível conversar com algum famoso, ser até amiga dele se possível. Mas parei com os devaneios quando liguei o rádio. Tocava a mesma música de algumas noites atrás. AQUELA música. Eu conhecia aquela letra, tinha certeza disso. Continuei ouvindo e decidi procurar. Liguei o pc e comecei pelos sites de letras, descobri que quem tinha escrito a mesma era o . Me animei muito com isso e resolvi baixá-la. Ouvi a tarde inteira até cansar, e desci pra comer.
- Então dude, eu acho massa a gente escrever uma música de agradecimento, como você disse antes. – disse com entusiasmo.
- É, eu também acho . – falou e me olhou com o canto do olho.
- Bom – parou pra prensar antes de dar sua opinião – eu achei muito boa a idéia, de verdade . E acho que a gente tem que escrever uma música falando o que a gente sente em relação aos fãs, e a sensação que é estar em cima do palco. Acho que eles iam curtir.
- É, então ta tudo certo. Bora começa a escrever essa p********! – falei terminando com um sorriso no rosto.
- VAMO LA C****** ! – gritou fazendo todos rirem.
Sentamos no chão do meu quarto e começamos a escrever algumas frases. como sempre, ficou sozinho em um canto com o caderno nas mãos. Meia hora depois, apareceu com várias folhas amassadas e uns rabiscos nela.
- Hem, acho que eu tenho um refrão.
- Sério dude? – perguntou com os olhos brilhando.
- HAHAHA, sério! Então, eu coloquei assim – disse semicerrando os olhos pra folha do caderno.
If this is the last song I ever sing
Then I'm giving it everything
If this is the last song I ever play
Then I guess it's time to take my curtain call
I'm dying to thank you all
- Nossa dude, ficou ótimo! Sério mesmo! – falei levantando apressado – cara, eu pensei em uma outra parte ! Já colo ae de volta, preciso sentar e pensar.
Saí do quarto deixando eles com expressões confusas e fui direto pra cozinha. Peguei uma lata de cerveja e sentei no balcão de mármore. Passaram vários minutos até eu voltar para o quarto e encontrar mais milhares de folhas jogadas pelo chão. Sentei com um sorriso de canto e anunciei pra eles, cantando, a nova estrofe.
One more song before I’ve got to go
I’m singing from the very bottom of my soul
And meaning every single word and every note
I’m pleading let me hear you sing it all once more
With feeling
Quando me dei conta, os três estavam me olhando com os olhos arregalados.
- O que que foi não ficou boa?
- Meu, os fãs vão AMAR essa música! Eu posso apostar nisso! – disse dando pulinhos pelo quarto.
- Eu aposto nisso também ! Vai ficar fera, de verdade.
- Eai , o que você achou?
- , bora pra sala porque a gente tem uma música pra terminar! – disse antes de se levantar e me dar um abraço.
- Eu te amo irmão.
- Eu também te amo dude, você sabe que é e sempre vai ser meu brother. – falei enquanto cutucava sua orelha com a ponta da caneta.
- Nós todos vamos sempre estar juntos, certo? Isso aqui começou com os 4, e vai acabar com os 4. E se depender de mim, isso vai durar MUITO!
- Bem dessa ! Eu quero ficar com vocês até o final caras. Eu amo vocês. E desculpa se isso foi gay. – disso dando risada.
- Claro que foi gay né ! Vindo de você ! – falei rindo e indo pra cima dele.
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Depois de ouvir a bendita música praticamente a tarde inteira, resolvi ligar o pc pra dar uma olhada nos recados. Abri o perfil fake e fui olhar o de . Quando olhei a música de perfil falei pra mim mesma: “peraí, essa música ta aqui faz mais de seis meses... como ele pode ter conseguido a letra antes mesmo do Mcfly lançar a música? Não faz sentido!”
Peguei meu celular e disquei o número dele.
- Perai dude, vou atender la fora. – falei pra quando meu celular começou a tocar e vi que era .
- Alô ?
- Oi. Er... ta tudo bem com você ?
- Eu to bem sim e você ?
- Eu to bem também ...
Silêncio.
- Ta tudo bem mesmo? Você deve ter algum motivo pra ter me ligado...
- É, pois é, eu tenho! Você pode me explicar como você tinha a letra da Not Alone do Mcfly antes deles lançarem a música ???
Fiquei estático quando ela disse isso, simplesmente não fazia idéia do que responder. Deve ter se passado muito tempo porque me liguei que o telefone ainda estava ligado com ela gritando do outro lado da linha.
- VOCÊ TA AI ? VOCÊ MORREU? DESMAIOU? AI MEU DEUS O QUE QUE EU FAÇO AGORA! NÃO MORRA POR FAVOR! EU NÃO TENHO COMO TE SALVAR!
- Calma ... CALMA ! eu to aqui. Só tava lendo umas coisas. Desculpa ter te deixado falando sozinha.
- Ah tudo bem, mas agora me fale o porque disso tudo.
- Então, eu tenho a letra porque eu conheço quem escreveu ela.
- Aham, mas quem escreveu ela foi o e... COMO É QUE É? VOCÊ CONHECE O ???
- Conheço.
- PUTA QUE PARIU! E PORQUE VOCÊ NUNCA ME FALOU ? VOCÊ SABE QUE EU SOU ALUCINADA POR ELE!
- Justamente por isso. Ele não curte fãs histéricas.
- Histérica? Ta bom . Se ele não curte o problema é dele. Não sabe o que perde! Tem muita fã super carinhosa por ai e ele só da moral pras retardadas. Enfim, não quero mais falar disso. E se você me acha histérica, veja o que você acha disso.
Fiquei ouvindo o barulhinho de que a ligação havia caído por 5 minutos seguidos. Não conseguia acreditar que ela tinha feito isso comigo.
- ELA DESLIGOU NA MINHA CARA? NINGUÉM DESLIGA NA CARA DE !
- Eeee... que que ta rolando ai dude ? – me perguntou quando saiu pela porta da frente.
- Uma fã maluca que conseguiu o número do meu telefone. Eu falei uma parada que ela não curtiu e ela desligou na minha cara. Mas NINGUÉM desliga na minha cara!
- Ela desligou .
- , tu não ta ajudando cara. Na real.
- Eu sei que não. Só fico me perguntando quando você vai mudar esse teu jeito ridículo. Quando vai colocar na tua cabeça que você não é melhor do que ninguém.
Fiquei observando ele descer os degraus da varanda e entrar no carro com a boca aberta. O falando assim comigo? O que que tava rolando com ele? Aquele não era o meu amigo . Não podia ser.
- Nojentinho metido a besta! Acha que só por conhecer o é melhor do que eu? Coitado. Também, o que eu podia esperar? Não conheço ele pessoalmente e não faço ideia de como ele é com os amigos dele, com as namoradas... aff , chega de pensar nisso!
Fiquei falando pra mim mesma por um bom tempo o quanto ele era idiota e ridículo, e como tinha me tratado mal. Tudo bem que eu me estressei, mas ele não tinha o direito de me chamar de histérica. Eu tenho que pagar disso só porque gosto de um cantor? Isso não é justo! Eu não sou igual as outras fãs, nunca fui.
Quando eu vou cair na real de que não posso mais fugir disso? Eu a amo. E não vou conseguir segurar isso por muito tempo. Queira Deus que ela não descubra isso nunca. Vai me ajudar a fugir.
Peguei a foto dele e fiquei observando. Aqueles olhos, o sorriso, tudo nele me fazia ficar bem. Só de olhar pra ele. Mas eu sabia que não havia chances de trocar alguma palavra com ele. Aquilo era impossível, e eu era adulta o suficiente pra saber disso.
Os preparativos pro show estavam indo a toda velocidade. Ia ser um dos maiores shows feitos nos últimos meses. E eu estava muito ansioso por isso. Fazia mais de três dias que não ouvia a voz dela. Depois da nossa discussão por telefone ela não tinha me procurado mais. E não seria eu quem iria atrás.
Liguei para a maldita rádio da promoção do show deles por vários dias. Mas tinha certeza de que não daria em nada. Saí pra comprar meu ingresso com as meninas e voltei de madrugada, como sempre. Paramos pra comer e tomar um sorvete.
- Meninas, vocês se inscreveram pra promoção do show do Mcfly?
- Claro que sim né amiga! Você acha que a gente ia perder essa oportunidade de ver eles de pertinho? NUNCA! – me disse dando um sorriso cheio de sorvete.
- HAHAHA feche a boca pra comer ! Que nojo!
- Ah pare com isso. Você já viu coisa pior e não reclamou. – me falou e deu a língua.
- Hahaha chega vocês duas! – disse, como sempre pra evitar alguma discussão sem motivo.
- Vocês têm problema, de verdade. – disse se matando de rir.
O sorteio seria no dia seguinte, e eu precisava estar preparada para o que viesse.
CAPÍTULO V
- ACOOOOOOOOOOOOOORDA MENINA! – gritou pulando em cima de mim.
- Sai daqui ! Que saco! – murmurei com a cara no travesseiro.
- Sai daqui nada! Hoje é o sorteio! Levanta !
- Sorteio? Que sorteio?
- Eeeeeeeeeeeeer! O sorteio pro show né monga.
- MEU DEUS DO CÉU EU TINHA ME ESQUECIDO DO SORTEIO! Mas que horas são ?
- 5 pras 8 da manhã . – ela disse fazendo beicinho.
- SUA FILHA DE UMA VADIA ! O SORTEIO É AS 5 DA TARDE ! – gritei mega nervosa .
- Claro que não amiga ! é agora de manhã !
- Ãhn ? Em que rádio você se inscreveu ? – perguntei juntando os pauzinhos .
- Na 130.5, por que?
- Aaaaaaaaaaaaaaaff. Eu não me inscrevi nessa sua anta eu me inscrevi na 156.9.
- Aé ? puts... desculpa amiga, mas a promoção que você se inscreveu é pra que?
- Pra entrada no camarim, e a tua ?
- Pra jantar com eles um dia depois do show, pode levar acompanhante. A tua pode ?
- Olha, eu nem sei amiga... nem ouvi direito o que falaram. Só me inscrevi correndo.
- Ah ta. Mas será que as meninas também se inscreveram em outras ? Porque eu fiquei sabendo que quase todas as rádios iam lançar promoções pra esse show.
- Não sei não... eu vou ver com a depois. Você liga pra ?
- Ligo sim amiga. Mas então eu já vou pra casa. Vou ver se eu ganhei la mesmo, porque pelo jeito na rádio já passou. Merdinha.
- HAHA vai la amorzinha e me ligue contando !
- Com certeza amor . – me deu um beijo estalado na bochecha e saiu.
- porra você só sabe cantar essa música dude ? – gritei na entrada do banheiro enquanto ele tomava banho.
- MORE THAN WOOOOOOORDS, IS ALL YOU HAVE TO DO TO MAKE IT REAAAAL.
- Ah meu, cala a boca ! – gritou do quarto dele .
- CALEM A BOCA VOCÊS SEUS TROXAS ! – o cantor gritou de dentro do banheiro.
- Aff, desisto brother, na real. – falei pra que estava passando com um monte de roupas nos braços.
- Desista mesmo, esse ai não vai mudar nunca.
Fui para o meu quarto e deitei na cama. Não sei quanto tempo fiquei parado pensando nela. Fazia dias que eu não tinha notícias e estava ficando preocupado. Será que ela nunca mais ia falar comigo? Aquilo estava me deixando maluco! Eu precisava ouvir a voz dela de qualquer forma! Corri para o quarto do , peguei o telefone dele correndo, me tranquei no meu e disquei.
Alô ?
[...]
Er, tem alguém ai ?
[...]
- chamada finalizada.
Eu hem que estranho! Um número de fora me liga e ainda não falam nada do outro lado da linha. Que medo. Tomara que não sejam ladrões de créditos, viajei. Enfim, eu odeio quando fazem isso. Principalmente quando não falam nada! Da vontade de socar a pessoa numa valeta, é da sim. Mas eu estava calma demais pra fazer isso naquele momento. O ganhador da promoção ia ser anunciado em 15 minutos pela rádio. E eu não sei porque, mas tinha certeza que iria ganhar. Também, pela quantia de vezes que eu havia ligado não seria uma má idéia me darem um descontinho...
_______________________________________________________________________________
Desliguei o telefone com o coração saindo pela boca. A voz dela me fazia isso. Era mágico demais os momentos que eu tinha pra falar com ela. E da pior maneira possível, o meu conto de fadas tinha ido por água abaixo. Ao mesmo tempo que eu tinha certeza que a amava, sabia que nunca ficaria com ela. Meu orgulho sempre falaria mais alto. com uma “plebéia” ? NUNCA !
Liguei o rádio e me preparei.
ENTÃO GALEEERAA , ESTAMOS AQUI AGORA PRA SORTEAR A SORTUDA OU O SORTUDO QUE VAI FICAR PERTIINHO DOS CARAS DO MCFLY ESSE FINAL DE SEMANA. SERÁ QUE VAI SER ALGUÉM DE PERTO ? SERÁ SERÁ ? E AI CADE O GANHADOR DIRETOR ? AAAH É UMA GANHADORA.... DA CALIFÓRNIA A SORTUDA ! [...]
Naquele momento eu comecei a hiperventilar. Não podia ser verdade! Da Califórnia ? CALIFÓRNIA ? eu tinha escutado certo ou era alucinação ???
E o nome é... , isso. . Vamos ligar pra ela pra ver como ela está agora?
Meu celular começou a tocar e eu o peguei com as duas mãos enquanto estava caída no chão tremendo.
- Alô?
- E ai ganhadooooooora ! como você está se sentindo ao saber que vai conhecer os caras essa semana?
- Eu... eu não sei o que dizer, eu... MEUDEUS EU VOU CONHECER O MCFLY PORRA !
- Hahahahahaha calma ai lindona ! Palavrões são proibidos na programação. Mas então, pra entrar no camarim você vai ter que mostrar a tua carteira de identidade pro segurança que estiver mais próximo de ti depois do show certo ? Todos eles sabem o nome dos ganhadores e vão te levar direeeeto pra companhia dos meninos!
- MINHA NOSSA SENHORA ! MEU CANECO ! EU NÃO CONSIGO ACREDITAR QUE VOU CONHECER ELES !
- Hahahaha você vai ! você vai ! E agora nós continuamos com a programação musical galera. Parabéns pra da Califórnia ! que ligou bastante mesmo. Deve ter levado bronca dos pais pela conta de telefone e [...]
Desligou. É, o carinha da rádio desligou na minha cara ! Mas de que importava ? Eu ia conhecer o ! Meu Deus eu ia conhecer o !
O dia do show tinha chegado e eu estava com os nervos a flor da pele. Era um dia especial pra mim. Fazer show na cidade onde ela morava era pra mim, naquele momento, o mais importante. Os caras não faziam idéia do que eu estava sentindo. Só que, com certeza, lembrava do que eu tinha contado pra ele, porque ficava me olhando de canto o tempo todo. Eu tinha que me preparar psicologicamente para o que viria a noite. Precisava me concentrar pra fazer um show animal, porque afinal não era só ela que estaria me vendo, mas sim milhares de fãs que tinham pagado caro pelo show. E eu tinha noção disso.
- AMIIGAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAS ! – eu gritei quando as vi em minha casa quando faltavam apenas 20 horas pro show.
- Amiiigaaaa é hooooooojeeeeee! – gritou quase chorando fazendo todas nós soltarmos gritinhos histéricos.
- Eu mal posso acreditar que vou ver o hoje! – disse suspirando.
- Ah amiga, que que nada ! eu vou é ver o ! – falou fazendo um coração com as mãos.
- HAHAHAHA. Meninas nós vamos ver ELES. O McFly. Meudeusdocéu – eu falei ficando paralisada.
- O que que foi amiga ? o que aconteceu ? – me perguntou assustada.
- Eu.... vocês não participaram da promoção ? Então só eu ganhei e vocês não ?? É TÃO INJUSTO CARA !
- HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA – todas caíram na gargalhada olhando pra minha cara.
- DO QUE É QUE VOCES ESTÃO RINDO? SUAS TROXAS. – disse nervosa.
- Amiga, todas nós ganhamos de certa forma. Você ganhou o camarim, a vai entrar também porque ontem ela descobriu que o tio dela, aqueeeele que trabalha como segurança sabe? Então. Ele vai ficar de guarda na porta do camarim. Ou seja, vocês vão entrar juntas.
- AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH AMIGA EU NÃO ACREDITOOOOOOO ! PORQUE VOCÊ NÃO TINHA ME CONTADO? SUA MONGAAAAAAAAAAA !
- Eu não te contei antes pra ver a sua cara como ela ta agora. A gente vai ficar pertinho deles amigaaaa!
- Mas peraí, então vocês duas não ganharam nada ? – perguntei pra que me olhava curiosamente.
- Claro que ganhamos tchutchuquinha do gueto. Depois da quantia de vezes que eu liguei, mandei mensagens de texto e e-mails pra eles, nada mais justo do que eu ganhar né? HAHA. E como pode levar acompanhante, eu vou levar a minha amiguinha aqui. – disse apontando pra .
- Aah que bom gatinhas ! Todas nós vamos ver os mcguys. MEEEEU CANECO eu não consigo cair na real. – disse quase gritando.
- Pois é amigas, é hoje. – disse suspirando.
- Porra você ta fazendo o que ai dentro cara ??? Eu to apurado mew ! eu vou fazer cocô na calça e você vai ter que me trocar ! E eu to falando sério !!! – gritei pra ele que estava no banheiro a mais de uma hora.
- , eu to cagando tu pode me dar licença? Tem o outro banheiro dude. Vai la e vê se para de me encher o saco.
- , eu não consigo cagar no outro banheiro. Tem que ser nesse daí. Apura meu, sério mesmo.
- Tchau .
- AAAAAAAAAAAAARG ! Vou fazer ele limpaa a bunda com a língua. – mostrei o dedo do meio.
Saí pisando forte e fui pro meu banheiro TENTAR fazer alguma coisa.
Naquele dia eu e as meninas acordamos MUITO cedo pra pegar um lugar bom na fila, já que a grana tava curta e nenhuma de nós conseguiu comprar área vip. Chegando lá foi que veio o susto. A fila estava completamente VAZIA. Olhamos assustadas uma pra outra e corremos pro guichê dos ingressos.
- Moça porque não tem ninguém na fila? – perguntei quase em desespero.
- Porque os guardas viram que a bagunça ia ser muito grande e decidiram colocar o começo da fila no portão lateral. Vocês podem ir pra lá.
- Ah, muito obrigada! Nós vamos pra lá mesmo.
Corremos pro portão lateral, e veio a decepção: a fila devia ter mais de 300 pessoas loucas pra ver o Mcfly. Comecei a pensar em alguma forma diferente de entrar, pois com aquela quantia de pessoas na nossa frente, o máximo que conseguiríamos seria o meio da pista.
- Faaaaaaaala brother ! Como é que você está ? – perguntei pra que me ligava do local aonde seria o show.
- Então cara, a situação aqui ta tensa ! A fila já ta enorme e os guardas tão querendo formar filas pra entrada ser por ordem de idade.
- Orra, eu concordo com eles. Pense amor da minha vida, vai dar bem menos confusão se os menores entrarem primeiro certo ? Já que o show foi liberado pra 14 anos com os pais. – falei pra ele enquanto ouvia cantar uma música ridícula pra .
- Ta , vou ver o que eu faço aqui. Libera por idade então?
- Calma, vou ver com o e o , ai te mando sms, suave?
- Suave brother. Vou continuar resolvendo os rolos aqui já que o cara que cuida disso teve que sair pra resolver “assuntos familiares”, pff. Justo agora o cara me resolve ter problema na família ! Vê se pode.
- HAHAHAHAHA. Calma dude. Tudo vai se resolver. Agüenta ai que daqui uns minutos eu apareço.
- Tudo bem, e não demore pelo amor de Deus. Eu não agüento mais ouvir a cantoria la fora e não poder ir cantar com eles. HAHAHA.
- HAHA nem pense nisso! Vai que eles te quebram antes do show. Falou cara, te amo!
- Falou irmão, também te amo.
Falei com e sobre os problemas no local do show e eles acabaram concordando em liberar a entrada por idade. me perguntou como funcionava o esquema da área vip e eu lhe expliquei que a idade mínima era 16 anos. Achei estranho ele me perguntar uma coisa dessas, mas estava sem tempo de perguntar o PORQUE disso, então acabei pegando meu disfarce e entrando em um dos carros que tinha sido alugado pra nós.
Oi. Vai no show do Mcfly? .
Senti o celular vibrar e me assustei. Quando li a mensagem o susto foi maior. ? Por que ele tinha me mandado aquela mensagem? Fazia dias que a gente não se falava ! E aquele não era o número dele. Respondi.
Oi :x Bom, eu já estou aqui na fila. Por quê?
Nada não. Só queria saber mesmo... E falar que eu sinto a tua falta.
Ah ta. Eu também sinto a tua. Depois que nós excluímos o fake ficou um vácuo bem tenso entre a gente.
Pois é. Mas eaí, vai na vi?
Nem vou. Tava sem grana :/ Vou ver se consigo dar um jeito de entrar antes dos outros.
Ãhn... hem, com que roupa você está?
HAHAHA por que ta me perguntando isso ? Surtou?
HAHA foi mal. É que um brother meu ta ai na fila e pá, e eu pedi pra ele te olhar e me falar como você é.
Hm... pois então, eu estou com um shortinho jeans, uma regata e meu all star vermelho.
Ok. Vou pedir pra ele me descrever, pra ver se você é tudo o que eu imagino. HAHA.
HAHAHAHA engraçadinho ! Tudo bem então. Enfim, acho que meus créditos estão acabando e eu preciso deles mais tarde. Outro dia a gente se fala. Beijos .
Com certeza. Beijos .
Eu hem, o falando comigo de novo ? Não tinha entendido essa ! Mas tudo bem, eu tinha mais o que fazer. Como cantar a Falling in Love com uma cambada de pelo menos 500 pessoas por exemplo.
’s POV
Troquei algumas mensagens com ela e percebi porque meu amigo tinha gamado na menina, ela parecia mesmo ser o máximo. Continuei ajudando nos preparativos pro show, que com certeza seria o melhor do ano, e acabei percebendo que saíra, mas ainda não tinha voltado. Corri perguntar pra todos pra onde ele tinha ido, e me falaram que ele tinha ido resolver alguns problemas sobre a entrada dos mais novos. Resolvi ligar e perguntar se ele demoraria.
’s POV
- Faaaaala dude! Que que ta rolando? – perguntei pra que me ligara.
- Eae brother. Queria saber aonde você se meteu ! Ta a maior zona aqui e a gente ta precisando de ajuda sabe...
Ah, foi mal . Eu acabei de sair da casa de um dos organizadores do show e to chegando ai daqui uns 5 minutos. Guenta firme ! HAHA
HAHAHA idiota. Falou.
Até .
Passei com o carro perto da fila e vi uma menina mais afastada, encostada no muro com a cabeça baixa. Não sei por que raios decidi fazer isso, mas entrei, estacionei o carro. E fui falar com ela.
s’s POV
Fazia mais de meia hora que eu estava encostada no muro ao lado da fila. Não me sentia bem, como sempre. Sempre fui dessas que desmaia por qualquer coisa e fica enjoada. Estava com os fones nos ouvidos, então não percebi quando alguém se aproximou e falou comigo.
- Moça, você está se sentindo bem?
- [...]
- MOÇA!
- Ãhn, oi. Ah me desculpe! Eu estava ouvindo música. – “ idiota, se você estava com os fones estaria fazendo o que?” pensei comigo mesma.
- Me perdoe a intromissão, mas eu estava passando e percebi que você estava cabisbaixa. Aconteceu alguma coisa?
- Er... eu só não me sinto bem em lugares com muitas pessoas juntas. Aqui na fila já está sendo difícil, espero que não aconteça o pior la dentro.
- Hm... você vai ficar na primeira fila?
- Não. Eu e minhas amigas não conseguimos dinheiro suficiente pra pagar área vip.
- Ah ta, er. Então eu tenho que ir. Até lá dentro?
- HAHA até... Me desculpe, esqueci de perguntar seu nome.
- Thiago. – ele disse estendendo a mão para mim.
- . – respondi com um sorriso.
- Então tchau .
- Tchau Thiago. E se a gente não se ver, bom show pra você ! – falei enquanto via ele se afastar.
’s POV
Caramba como ela era linda! Acho que meu instinto falou mais alto quando eu estava dirigindo, por isso me fez ir falar com ela. Ela era toda arrumadinha, meiga pelo que me pareceu, 18 anos no máximo. Sorriso de criança. Nossa, ela realmente fez meu coração bater mais forte. como podia isso ? Eu, , agindo feito criança. Parecia que nunca tinha visto mulher na vida. “Ainda bem que ela não me reconheceu” – pensei enquanto procurava por .
’s POV
- ! Você demorou cara! Já tava pegando o endereço do cara pra ir atrás de você! Mas... PERAÊ o que que tu ta fazendo com essa peruca loira e esse óculos de sol ???? Nem ta sol la fora dude ! – gritei pra ele enquanto caía na gargalhada.
- Hey , vai com calma ai brothe! Eu tive que colocar isso, e o também se disfarçou. Sabe como é, diferente de você e do , foi opção NOSSA trabalhar aqui hoje. Só pra fazer alguma coisa diferente. E acharam melhor a gente se disfarçar pra não causar muito tumulto.
- Hm... entendi. Mas então, cadê o ?
- E eu sei la ! Acabei de chegar aqui! Não vi nem o ainda.
- Ah beleza. Vou ver se acho eles por aí. Até!
- Se cuide . Falou.
- Amiiiiiiiiiiga ! eu vi aquele menino falando com você ! HAHA. ME CONTA TUUDO! – gritei pra ela na fila enquanto as outras meninas chegavam junto pra arrancar informações da coitada.
- Ah meninas, nem foi nada! Ele só veio me perguntar se eu estava bem. Sabe como é, eu não me sinto bem nesses shows e eu te avisei que ia dar uma volta lembra ?
- Lembro amiga. Bom, o que importa é que você conheceu um guy.
- HAHAHA é Thiago o nome dele. E ele é... hm. Gente fina, digamos. HAHAHA.
- Gente fina né? – perguntou pra ela enquanto eu a fuzilava com o olhar.
- Ah qual é ! Você sabe como a fica quando conhece alguém interessante ! – ela disse me olhando com cara de apavorada.
- É, eu sei como ela é. Mas dessa vez não vai ser igual não é ?
- Não, não vai não. A gente só conversou porque ele viu que eu não estava legal mesmo.
- Ótimo. Agora vamos nos ajeitar porque a fila ta começando a andar.
Fazia mais de uma hora que eu caminhava pelos corredores e não encontrava . Decidi procurar no banheiro, era incrível como meu amigo conseguia passar horas dentro de um.
- , ta ae cara?
- ? <
br>
- ?
- Aham, sou eu cara. Não achou o ainda?
- Nem achei. Você sabe aonde ele foi?
- Nem sei. A última vez que eu vi ele, ele tava trocando mensagem com alguém, mas nem quis me falar com quem era.
- Ah ta. Eu preciso conversar com ele sobre a história de liberar os mais novos primeiro.
- Suave. Procura ele lá então.
Sai procurando ele de novo e encontrei o indecente jogado no sofá de aonde seria o camarim.
- , o que que tu ta fazendo ai cara?
- To pensando .
- Pensando em que?
- To querendo liberar os mais novos primeiro. Como eu já te falei. Mas tava pensando em... dar uma chance a mais pra alguém da fila. Escuta, eu vou te explicar. Ai você me fala se é boa ou não.
Fiquei ouvindo ele me contar os planos como ele havia me pedido. Confesso que achei loucura. Mas pra um show grande como aquele, seria uma boa idéia fazer algo diferente. Só pra variar um pouco. Continuei ouvindo. E fiquei a postos pra ajudar.
’s POV
Expliquei pro tudo o que eu iria fazer. Depois de ver ela e as amigas dela paradas um pouco atrás de um dos portões laterais foi que me veio essa idéia na cabeça. [GRAÇASADEUS] concordou comigo de primeira. Ele sempre curtiu empolgar mais os fãs. Mal sabia ele que eu, aquele cara que estava com ele todos os dias, iria ajudar ele a virar uma pessoa melhor. E eu ia conseguir isso. Nem que tivesse que mudar eu mesmo tudo.
Vi alguns seguranças se aproximando do portão que estava ao nosso lado, trancado até então. Pediram silêncio e saíram sem dizer mais nada. Começaram a entrosar na fila e arrumar numa posição diferente as pessoas que estavam ali. Achei estranho de início, mas quando vi os outros trazendo divisões para a fila cai na real: “meu deus, eles vão abrir esse portão ! eu não acredito !” não falei nada. Olhei para as meninas e elas estavam sem entender nada. Preferi ficar na minha do que começar a surtar e fazer o resto da fila passar por cima de nós. Foi quando saíram mais milhares de seguranças que se posicionaram dividindo a fila e nos deixando de frente pra eles.
“Pessoal, o Sr. me pediu que eu fizesse esse pequeno favor para ele. Então se vocês puderem fazer silêncio e ouvir TUDO o que ele tem pra falar sem fazer gritaria, ele ficaria muito grato.” – disse um segurança alto e forte, com cabelos compridos e que parecia mais um cantor de heavy metal.
O mesmo pegou um celular no bolso, discou um número e colocou o celular encostado no mega fone.
“OOOOOOOOOOI PESSOAAAAAL !” – ouvi a voz tão conhecida gritar do outro lado da linha.
“AI MEU DEUS ! ME DIZ QUE NÃO É ELE NO TELEFONE !” – gritava do meu lado se agarrando em minha blusa.
“Calma amiga, é ele sim! Escuta o que ele vai falar! Escuta, escuta!” – respondeu antes que eu abrisse a boca pra falar.
“E aí galera. Eu to aqui fazendo contato pra avisar de uma.. hmmm ‘promoção’ que eu e os caras decidimos fazer. Ela foi decidida a alguns minutos atrás, então foi inesperado pra todo mundo. E o negócio é o seguinte: eu conversei com o sobre abrir esse portão que está ai do lado de vocês, e abrir outra entrada pro local. Ele e o acharam o máximo a minha idéia, e nós vamos colocar em prática.”
Os gritos começaram a ficar mais altos, e os choros de quem tinha ficado na fila da frente também. Consegui ver alguns seguranças indo atrás de pessoas que passavam mal. Tentei me manter calma, e ao mesmo tempo ajudar as meninas a acalmar que a esta altura já estava tendo um filho do nosso lado.
“Os seguranças vão abrir o portão, e as primeiras vinte pessoas que ficaram pra segunda fila vão entrar pra área vip. Me desculpem os que não conseguiram, nós não escolhemos por pessoa. Só decidimos dar um presente maior pra vocês que demonstram tanto carinho por nós o tempo todo. Então é isso ai, os primeiros vinte da fila podem entrar e se ajeitar na área vip que a gente se encontra daqui algumas horas. Muito obrigado pela atenção, e nós estamos procurando pelas nossas garotas estelares. Será que hoje é o dia da descoberta ? vamos ver ! nós amamos vocês!”
Depois daquela declaração, nenhuma de nós conseguiu falar nada. O choque foi tão grande que a única coisa que eu ouvia eram as vozes dos seguranças e a histeria dos fãs no fundo. Foi quando olhei para uma grande janela de vidro no andar de cima e consegui o ver. Ele era incrivelmente surreal. Aqueles olhos procurando por alguém na multidão, como se estivesse esperando alguém especial. Ah se ele soubesse da minha existência! Eu poderia ser a garota estelar dele. E desejava isso com todas as minhas forças vitais.
Capítulo VI
’s POV
Entrei sufocando entre as pessoas enquanto tentava alcançar a carteira de identidade no bolso. Com muito custo percebi que ela não estava ali.
Entrei em desespero, naturalmente. COMO ELA NÃO ESTÁ AQUI?? EU PRECISO DELA PRA MOSTRAR PRO SEGURANÇA! – pensei comigo mesma.
- Amiga me ajuda! Eu perdi minha carteira de identidade! – gritei pra quase chorando enquanto procurava a maldita por todos os bolsos.
- O QUÊ? MENINA VAI PROCURAR UM SEGURANÇA E PEDE AJUDA! – ela me disse desesperada.
Eu e éramos muito próximas. Mais do que as outras porque nossa amizade vinha desde a infância. Não contávamos tudo uma para a outra, mas a relação era boa e sincera. Sai correndo atrás de um segurança e acabei esbarrando em alguém.
- Ah me desculpe! Eu estava correndo e não te vi! Eu te machuquei?
’s POV
- Não se preocupe. Eu estou bem. – disse a ela sorrindo para tranqüilizá-la.
- Nossa, pensei que tinha te machucado feio. Acabei de perder minha carteira de identidade e sai correndo sem olhar para os lados. – ela disse enquanto analisava os bolsos.
- Se você quiser eu posso te ajudar a procurar a sua carteira.
- Não precisa...
- Christopher. – falei olhando para ela.
- Muito prazer Christopher, meu nome é . – ela me disse sorrindo e estendendo a mão.
- Gostei do seu nome . – falei sorrindo novamente.
- Eu sempre gostei do nome Christopher. - ela disse torcendo o rosto em uma careta.
- É? – falei dando risada enquanto analisava o seu rosto pela décima vez. Ela tinha um rosto bonito. Parecia ser nova demais. Mas seus traços eram interessantes.
- É... – ela falou corando. E como ela ficava linda corada! Chega . Ela é só uma fã!
- E qual é o seu preferido? – perguntei com cara de interrogação. o que é que você está fazendo? Perguntei pro meu subconsciente que estava a mil por hora.
- Preferido? – ela perguntou parecendo confusa.
- É, você sabe. Dos caras que vão tocar.
- Ah sim, do Mcfly? Bom, eu sempre gostei mais do . O sorriso dele me fascina, literalmente.
- então? – perguntei sorrindo.
- ÉÉÉÉ... – ela disse rindo. MEUDEUS eu preciso da minha identidade!!!
- Ah me desculpe! Acabei tomando o seu tempo! Vou procurar um segurança.
Por sorte achamos um segurança num tempo considerável e ele nos entregou a carteira da menina que gritava de felicidade com ela nas mãos enquanto eu ria do seu jeito alegre.
- MUITO OBRIGADA CHRISTOPHER! EU TE AMO! – ela disse e saiu correndo pra multidão, enquanto eu ficava com aquela frase ecoando em minha mente: “eu te amo” ela me disse. E não sabia o quanto aquilo havia me afetado.
’s POV
Não sei por quanto tempo caminhei no meio da multidão. Vi pessoas de todos os tipos, todos os gostos, todos ali pra nos ver tocar. Aquilo me deixava alucinado! Saber que independente do estilo, as pessoas gostavam da música e não da fachada. Saber que a nossa música fazia bem pra eles como a de outras pessoas tinha feito bem pra nós mesmo anos antes. Era muito satisfatório. Fazia horas que eu precisava ir ao banheiro e não estava mais agüentando. Comecei a correr entre as pessoas. Avistei a porta do banheiro e entrei ainda correndo. Só me dei conta de que tinha caído
quando escutei uma voz preocupada perguntando se eu estava bem. Era uma moça bonita, estilosa. Olhei pra ela e de primeira reparei em seus olhos, na simplicidade do seu rosto e em como ela me olhava assustada. Achei engraçada a reação da menina e comecei a rir. Ela me olhou mais assustada ainda e começou a me chacoalhar.
- Menino do que você está rindo? Isso não tem graça!
- Me desculpe, mas você parecia assustada e eu não consegui me controlar.
- É claro que eu parecia assustada! Você entrou correndo feito louco e tropeçou no degrau de entrada! Pensei que tinha se machucado!
- Tudo bem. Muito obrigado pela sua preocupação, mas foi... – interrompi a fala ao perceber o que tinha acabado de fazer.
- Você peidou? – ela me perguntou com os olhos arregalados.
- E-e-e-e-e-u-u estava com dor de barriga e-e-e-e-e...
- CALMA! – ela me disse e começou a rir.
- Calma? Me perdoe! Foi uma grosseria! – tentei me redimir.
- Não se preocupe. O que entra tem que sair de alguma forma né? – ela falou ainda rindo.
- Exatamente. – comecei a rir com ela.
Passamos um bom tempo rindo assim até que ela saiu e eu pude usar o banheiro, agora masculino, normalmente. Depois de uma sessão de tortura por me lembrar de não ter perguntado o nome dela. VOCÊ É UM RETARDADO CARA! – gritei pra mim mesmo enquanto saía pela porta pra voltar pra
trás do palco.
’s POV
- , o show já vai começar! Por que você está desse jeito? – falei pra ela enquanto a chacoalhava.
- Eu tenho certeza que vi ele . Não estou ficando louca.
- Eu sei que não está amiga! E não foi isso o que eu te disse. Só falei pra você se acalmar porque eles logo vão entrar e a gente tem que aproveitar esse show ao máximo você não acha?
- Acho sim amiga. Me desculpe pelo meu comportamento. – ela falou fazendo beicinho.
- Que desculpa que nada! Todas nós temos reações diferentes quando vemos os guys. Eu por exemplo, desmaio. – eu disse a ela rindo.
- HAHA, verdade ! – ela falou se animando.
As cortinas se abriram e eles entraram correndo no palco. Fiquei completamente estática quando parou na minha frente e começou a falar com o público que gritava cada vez mais alto.
•••
Começamos a tocar algumas músicas bem conhecidas como Beatles e The Who. Eu caminhava por todo o palco, e olhava pra todos, menos pra ela. Eu sabia que se encontrasse com o olhar dela ia perder alguma nota, o que não deixaria os caras contentes. Essa minha paixão platônica tinha que
acabar logo.
•••
’s POV
Não sei porque, mas eu tinha gostado muito daquela tal de . Enquanto tocava comecei a procurá-la pela multidão. Não esperava por isso, mas ela estava ao lado de e as duas conversavam e se abraçavam. Seria possível que elas se conhecessem? Terminei a música como eu podia e decidi me aproximar delas. Foi quando os olhares das duas se voltaram pra mim, e o que antes pareciam feições de adrenalina, agora eram de espanto.
’s POV
Ele foi se aproximando cada vez mais, e quando me dei conta ele estava a menos de um metro de distância, parado exatamente na minha frente. Olhei pra e comecei a chorar. Chorei com vontade e deixei as lágrimas caírem pesadas pra que ele visse o quanto era importante pra mim. O
quanto eu o amava. Foi quando percebi que ele se aproximara mais e sua mão procurava por algo na distância entre nós dois. A única coisa que eu ouvia eram as notas de “Met this Girl” sendo tocadas ao fundo e sem o som da bateria. As estrofes foram passando, e diferente dos outros, que se moviam freneticamente no palco, ele continuava parado na minha frente. Foi quando olhei nos seus olhos e ele me estendeu sua mão.
’s POV
“She’s got a pretty face, such a lovely name. I don’t want my friends to see, They might take her away from me. She’s one I won’t forget, for a long long long time. Now I really want the world to see, that she is the one for me”. Foi o que eu cantei para ela. Enquanto cantava eu acariciava
uma de suas mãos. E foi naquele momento que eu percebi, que aquela música era pra ela. E que várias das próximas músicas do Mcfly teriam um sentido e uma inspiração diferente. E o nome dela era .
s’s POV
Cantei todas as músicas até o momento e chorei muito. Parecia até que os meninos tinham combinado! O chegou bem pertinho da . O deu a palheta dele pra que gritava igual uma maluca. E eu mesma tive a sensação de que o não parava de me olhar. Só fiquei chateada pela . O não passou nem perto dela! E diferente dos outros, que olhavam pra platéia toda durante o show, ele parecia não olhar pra onde nós estávamos. PFF! Eu devo estar pirando. Por que o iria ignorar a ? Que ideia mais nada a ver!
•••
Eu ouvia tudo o que eles falavam no palco, mas não prestava muita atenção. Só conseguia olhar pra ELE. Como ele conseguia me deixar assim? Era tão inevitável não me sentir atraída pelo jeito dele... pela voz. Continuei prestando atenção nas falas, quando ouvi um bem animadinho dar
a grande idéia:
- HEY DUDES O QUE VOCÊS ACHAM DE CHAMAR ALGUÉM DA PLATÉIA PRA GANHAR UMA BITOCA? – gritos e risadas geral.
- Eu acho ótimo ! Faz mais de 18 anos que eu to na seca e to precisando de uma gatinha pra me fazer feliz! – falou dando risada.
- Eu concordo! – apareceu de trás da bateria com uma garrafa de água nas mãos.
- Eai ? Você topa? – perguntou pra ele que olhava com certo desespero pra platéia.
- Topo. - falou dando de ombros.
- Certo então galera! Será que alguém pode me trazer os papéis que eu deixei separado? – falou olhando pra que pelo que me pareceu, não fazia ideia de quais papéis eram.
- Aqueles ... Que eu deixei separado em cima da mesinha! – risada geral.
- Ah sim! – ele respondeu rindo e saiu correndo pra buscar os papéis.
’s POV
Corri o quanto pude e peguei um pacote cheio de papéis cortados em retângulo. Pelo que percebi eles estavam em branco, mas se o tinha alguma ideia genial, não custava alimentá-la. Voltei pro palco e entreguei o pacote a ele que me puxou pelo braço enquanto falava:
- , eu vou pegar um papel e fingir que leio um nome. O nome que eu quiser. – ele me falou sorrindo maroto.
- Entendi dude! Vou fazer isso também. - falei rindo.
Caminhei até e o expliquei o plano de enquanto o mesmo explicava pra .
's POV
Peguei um dos papéis que tinha dentro do pacote, coloquei a mão atrás pra não perceberem que não tinha nada escrito e falei no microfone:
- !
Observei enquanto algumas meninas levantavam a mão e decidi comentar de novo:
- Acho melhor a que tiver mais perto do palco subir, se não esse show não vai acabar nunca.
Olhei enquanto ela e suas amigas gritavam e pulavam, o que dificultava o trabalho dos seguranças de tentar passar ela por cima da grade. Passei o pacote pra e a peguei pela mão, deixando ela parada ao meu lado e sentindo o quanto ela tremia não consegui me conter e a abracei de lado
pela cintura. Ela me olhou confusa e com um sorriso contagiante no rosto. Como eu não tinha percebido isso antes? O quanto ela era encantadora. Sorri em resposta e beijei sua testa.
's POV
- Não fique nervosa. Eu estou aqui com você. E se depender de mim, não vou sair daqui tão cedo. - ele me disse voltando o olhar pra platéia.
Quando pensei em perguntar o que aquela frase significava ouvi gritar o nome no microfone. Eu não conseguia acreditar! Como isso era possível? As duas serem chamadas por eles no palco? Só podia ser obra divina! Pelo menos era o que eu pensava.
's POV
Subi no palco tremendo até o último fio de cabelo enquanto ele me olhava com um sorriso maravilhoso nos lábios. Olhei pra e percebi quando ela piscou e me mostrou a língua. Dei risada da cena e parei ao lado de , que da mesma forma que fez com , me abraçou pela cintura e me beijou a testa. Senti a perda de todos os movimentos no momento em que ele tocou em mim.
's POV
Como é que eu faço agora? Eu não sei o nome dela! Decidi parar em frente a grade e perguntar seu nome. Ela me respondeu com um sorriso nos lábios. Peguei o microfone das mãos de :
- Então. Eu escolho essa moça aqui. - disse puxando ela e pedindo ajuda pros seguranças.
Ela me olhava confusa e ao mesmo tempo feliz. Percebi que tinha feito a coisa certa e sorri. Ela tremia muito e decidi fazer como os outros, a abracei tentando acalmá-la. O que não rendeu muito sucesso, pois pelo que senti, ela tremia mais do que antes. Beijei o topo de sua cabeça e segurei sua mão.
•••
O que eu ia fazer agora? Chamava ela? Não chamava? O que eu devia fazer? Era tudo tão confuso! Uma decisão tão complicada pra se tomar ali, na frente de milhares de pessoas! Fiquei olhando pro pacote e não consegui retirar nenhum papel de dentro. Foi quando senti alguém tirar ele de minhas
mãos e pegar uma folhinha mal cortada enquanto falava em voz alta no microfone:
- Pelo jeito meu amigo não criou coragem de sortear o nome da garota. Então eu vou dar uma ajudinha pra ele. - ele falou enquanto me olhava e piscou.
- ! - ele disse olhando para a platéia.
Senti minhas pernas amolecerem e olhei pra ela. Nossos olhares se encontraram e ela sorriu pra mim. Sorriu aquele sorriso que eu mais amava. O das fotos, o sorriso DELA! O meu sorriso. Ela se aproximou de mim enquanto eu a observava. Parecia mais um sonho, pois eu não ouvia mais nada em volta. Só o som dos passos dela chegando cada vez mais perto. Parou em minha frente e parecia não saber o que fazer. Quase como instinto, eu a puxei pros meus braços.
•••
's POV
Depois deles falarem tudo o que tinham pra falar. Chegou a hora do beijo. Eu estava mais nervosa do que quando ia tomar vacina. Seria possível? Sim, seria. Por que? Porque eu ia beijar . Enquanto eu pensava em milhares de possibilidades, não possibilidades e muitas coisas mais. Ele me beijou. Não foi um beijo DAQUELES, mas foi um beijo. Ou um encostar de lábios quem sabe. Quando ele me soltou eu só ouvia a platéia toda gritando e via minhas amigas me olhando, apontando pra mim e rindo. Não consegui me conter e levantei minha mão trêmula igual vara verde e mostrei o dedo do meio pra elas.
's POV
Fui me aproximando dela devagar. Ela me olhava como se me analisasse. E eu daria qualquer coisa pra saber no que ela pensava. Não consegui me conter e perguntei.
- No que você está pensando?
- Eu te achava lindo, mas agora que eu te conheço pessoalmente. Eu caí na real de que a perfeição existe. - ela me disse mordendo o lábio e soltando uma risada abafada.
- Perfeição? - eu perguntei rindo. - Se você acha né. Não vou discutir. Também porque duas perfeições são melhores que uma.
Quando ela abriu a boca pra me perguntar alguma coisa eu a beijei. Colei meus lábios nos dela e senti quando seu peso ficou todo sobre os meus braços. Sorri de canto e a soltei observando ela ainda de olhos fechados e com os lábios trêmulos. Sorri.
s's POV
Fiquei tanto tempo rindo da e da que acabei esquecendo o porque de estar ali. Foi quando ele me virou e me puxou pra perto dele. Minha respiração ficou ofegante em questão de segundos e a única coisa que eu senti foram os lábios dele contra os meus. Era um beijo calmo, mas
forte. A primeira reação que tive foi largar meus braços ao lado do corpo. Ele me soltou e eu fiquei observando seu rosto. Percebi um indício de sorriso no canto de seus lábios e não consegui me conter. Segurei seus cabelos e o puxei pra mais um beijo.
•••
Eu não fazia ideia do que se passava na cabeça dele naquele momento. Ele mal olhava na minha cara, e quando olhava sua expressão era confusa. Chegou a nossa vez de dar o showzinho e eu fiquei preocupada. Será que ele não tinha gostado de mim? Será que tinha me achado feia? Ele parou na minha frente e ficou me analisando. Olhei em seus olhos, e eles tinham um brilho estranho. Meio possessivo talvez. Ele se aproximou um pouco, mas de repente parou. Percebi que ele não iria tomar a iniciativa e o puxei com toda minha força pro beijo. O NOSSO beijo. O meu beijo com o cara mais perfeito da face da Terra. Quando o soltei ele tinha uma expressão de incredulidade e seus lábios formavam uma linha trêmula de canto a canto. Ele estava com raiva.
•••
- Me desculpe ! - ela me falou antes de sair correndo pra trás do palco.
Eu a tinha magoado. Como eu podia ter feito isso? IMBECIL! IGNORANTE! Você é um asno ! Olhei desesperado pra e ele desviou o olhar. Não sabia o que fazer. E o jeito foi continuar o show. Com as meninas ali no palco, me olhando com cara de paisagem enquanto eu segurava os soluços e o choro com todas as minhas forças e continuava cantando como se nada tivesse acontecido.
•••
Corri o máximo que pude pra trás das cortinas e me joguei no chão. Fiquei caída enquanto sentia as lágrimas quentes encharcarem o meu rosto. Por que eu fiz aquilo? Devia ter me tocado que não era o que ele queria e sair com dignidade do palco. Não depois de ser rejeitada. E a cada segundo
que se passava, e eu pensava no que tinha feito, meus soluços aumentavam. Eu senti que já conhecia aquele beijo. O gosto dos lábios dele. Tentei conter o desespero quando escutei as últimas notas de 5 Colours sendo tocadas.
's POV
Deixei sozinho no palco enquanto saía com , e as meninas pra trás das cortinas. Quando a vi encostada em um canto decidi ir falar com ela, não tinha entendido a reação de , mas também não tinha gostado nada. Ele tinha feito ela sofrer. Eu não fazia ideia do porque, mas já gostava muito dela.
- Tudo bem se eu for falar com ela? - perguntei pra que olhava para preocupada.
- Por que você quer falar com ela ? - ela me perguntou e eu senti minhas pernas vacilarem ao ouvir meu nome sair dos lábios dela.
- Eu não sei , mas eu sinto que tenho que falar com ela. Consegue entender?
- É confuso... mas eu entendo. Vou ver o resto do show enquanto isso.
- Obrigada, muito obrigada mesmo . E eu prometo que vou cuidar da sua amiga. - falei e sorri enquanto lhe dava um beijo leve.
- Obrigada você. Por tudo. Você sabe. - ela falou e acariciou meu rosto com uma das mãos. Encostei minha testa na dela e me soltei dos seus braços.
•••
- , você está bem? - escutei uma voz me perguntar enquanto eu secava algumas lágrimas que ainda restavam.
- Estou. - falei sendo um pouco mais ríspida do que queria.
- Eu não sei o que deu nele, ele não costuma ser assim, com garotas, sabe. - ele disse me analisando.
- Eu não sei como ele é fora dos palcos. E pretendo não saber. Me desculpe , mas ele me machucou muito com essa atitude. Pode parecer idiotice, mas eu senti que ele ficou com raiva de mim. Não entendi porque, eu confesso. Mas eu sei que tenho que odiar ele também. Da mesma
forma que ele me odeia. - falei olhando em seus olhos.
- Ele não te odeia , ele te...
- Chega , eu não quero mais saber dele. Me desculpe pela falta de educação, mas não quero mais falar disso. - o interrompi enquanto me levantava e ajeitava minha roupa.
- Tudo bem. Como você quiser. - ele me disse e me abraçou. Não era um abraço qualquer, era de conforto mesmo. Como se eu o conhecesse à anos. Como se ele realmente fosse meu amigo. Dei um beijo leve em sua bochecha e fui encontrar com .
•••
Saí do palco correndo e me sentei em uma cadeira qualquer. Não queria encontrar com ela. Não queria que ela me visse daquele jeito. Fraco, inútil. Não queria que ela sentisse mais raiva de mim do que provavelmente já sentia. Eu não a odiei pelo beijo. Odiei a mim mesmo por ter desejado tanto que ela continuasse. Que se apoiasse em mim e me deixasse amá-la. Me deixasse desejar ficar com ela pra sempre. Mais do que eu já desejava. Senti que alguém se aproximava e tentei me recompor.
- , eu sinceramente não sei o que aconteceu naquele palco. Mas eu quero que você saiba que eu sempre vou estar contigo brother. Você já deve saber disso.
- Obrigado . Eu tava precisando de companhia mesmo. - falei enquanto olhava para os pés da cadeira e tentava sentar de uma forma mais confortável.
's POV
Coloquei uma mão em seu ombro e dei um tapinha reconfortando. Eu gostava muito de . Mais do que dos outros talvez. Senti que ele precisava de mim. Mais do que já tinha precisado em qualquer outro momento. Deixei o machismo de lado e o puxei pra um abraço. O abracei com toda a força que eu tinha, enquanto sentia ele tremer e se segurar em mim como se fosse desabar se eu o soltasse. Escutei seu choro por vários minutos enquanto tentava adivinhar o porquê dele ter ficado daquele jeito. Ele não conhecia a tal de , não tinha motivo para ter ficado tão nervoso. Mas ele a tinha machucado.
Apesar de nunca se preocupar com os sentimentos dos outros, eu sentia que a dor dela era a dele também. nunca tinha chorado daquela forma. Se é que já tinha chorado alguma vez. Me lembrei das vezes em que ele me confortou com um abraço simples, mas que me acalmava. Eu o considerava um irmão, e era de mim que ele precisava ali, naquele momento. Eu sabia disso. E o confortei até que ele se soltou dos meus braços e enxugou algumas lágrimas do rosto extremamente vermelho. Me olhou envergonhado e eu soltei uma risada nasalada.
- Não precisa se preocupar brother. Sabe como é, você é minha biba preferida e eu não tenho vergonha de falar que te amo. - falei enquanto fazia uma careta.
- HAHA eu te amo também irmão. E obrigado por tudo. De verdade. - ele falou enquanto colocava uma mão no meu ombro.
- Já sabe né , quando precisar. Tamo aê. - falei soltando outra risada enquanto caminhava com ele para encontrar com os outros.
Capítulo VII
’s POV
- Você mora aqui mesmo? Quer dizer, na Califórnia. – ele me perguntou corando.
- Moro sim. – respondi sorrindo. – Na verdade, minha família toda é daqui.
- Hm... – ele respondeu pensativo. – E você mora com a sua família?
- Aham. – falei o olhando de canto. – Com meus pais e dois irmãos.
- Mais novos que você? – ele perguntou interessado. Não consegui conter o riso, e acabei por fazer ele corar novamente..
- Não. Eles são mais velhos. – respondi olhando pro nada enquanto tomava um gole de água.
- Que legal. Sabe, deve ser bom ter irmãos mais velhos. – ele falou mais para si mesmo do que para mim. – Em que ano você está? – perguntou me analisando.
- Eu e as meninas estamos no último. – respondi me virando e ficando de frente pra ele enquanto tomava outro gole de água.
- Ah, que bom. – disse com um sorriso sincero no rosto. – E você está cursando o que? Bom, me desculpe pela intromissão, mas a conversa está boa demais para sair daqui agora. – ele disse soltando uma gargalhada e me olhando nos olhos.
- Não se preocupe, aqui está ótimo. – respondi rindo com ele. – Nós estamos fazendo o colegial.
- Colegial? – ele perguntou parecendo surpreso.
- É , o colegial. – respondi rindo baixo.
- Mas então você tem... – falou olhando para baixo como se fizesse algum cálculo mental.
- Dezessete anos. Fiz mês passado na verdade. – falei com um sorriso leve.
- Dezessete anos. Nossa. – ele falou mais surpreso ainda. – E as outras também? – perguntou me olhando novamente.
- Não. Só eu e a . A faz daqui duas semanas, e a daqui cinco meses.
- Nossa. – ele falou com os olhos arregalados. – Nós pensamos que vocês fossem mais velhas. – ele disse corando de novo, o que eu achei lindo particularmente.
Comecei a rir sem parar enquanto ele me olhava assustado.
- Me desculpe, mas é que todos falam isso. – falei me recompondo.
- Ah, tudo bem. Só espero que não nos denunciem pelos beijos de hoje. – ele falou rindo e me olhando.
- Você vai me denunciar se eu roubar outro? – perguntei mordendo o lábio inferior.
- Só se você me denunciar por querer isso mais do que qualquer outra coisa. – ele falou sorrindo enquanto eu o puxava para mais perto.
’s POV
Fiquei sentada ao lado de por umas boas 4 músicas. Confesso que a obriguei a ficar comigo perto do palco, onde tinha uma visão ampla de . Depois do intervalo que o show teve, após os beijos, os meninos voltaram para o palco. havia ficado conosco durante as duas primeiras músicas, mas se afastou para “lembrar do quanto é bom beijar ele”, de acordo com ela. Achei interessante que eles tivessem ficado de novo, após a ceninha em cima do palco. Significava que ele tinha gostado dela, e a felicidade estava estampada em seu rosto. Então nada mais importava. A não ser o fato de a cada duas frases cantadas durante as músicas olhar em minha direção e sorrir. No momento em que ele me olhava e cantava o refrão de Don’t Wake me Up meu pensamento voou longe. Imaginei como seria dali pra frente. Se ele descobrisse minha idade, como me trataria. Provavelmente como criança, era o que todos faziam. Continuei observando as feições dele enquanto cantava e deixei cair uma lágrima.
’s POV
Confesso que cada palavra cantada daquela música eram para ela. Cantei com todo o meu coração, para que ela visse que não era só uma fã. Para mim ela era o mais importante naquele momento. E não havia cachê que pagasse por tudo o que eu havia sentido ficando perto dela. “Don’t wake me up, baby I’m love, and I’m dreaming so much, But I don’t ever wanna stop.” cantei a olhando novamente, como se fosse a última imagem que veria por um bom tempo. Percebi que ela chorava e fiquei preocupado. Não sabia o que se passava na mente dela, e isso me deixava um pouco frustrado, eu confesso. Era em momentos como esse que eu gostaria de ler mentes. Ou só a dela. Para mim já seria de bom tamanho.
’s POV
Ele cantava enquanto me analisava, e notei que ele me olhava com um ar preocupado. Devia ter percebido que eu chorava. A música estava nos acordes finais, e eu não conseguia mais ficar ali. Sabendo que tudo apesar de ser verdade, parecia mais um sonho. E que provavelmente, o sonho ia se esvair quando o show acabasse. “I don’t wanna stop, don’t wake me up” cantei olhando diretamente em seus olhos e soltei a mão de . Caminhando para os banheiros, afim de lavar o rosto e ir embora o mais rápido possível.
’s POV
Saí do palco e fui direto ao banheiro. Precisava ver como eu estava depois de tudo aquilo. Foi tão rápido! E confesso que ainda não tinha caído a fixa de que eu, uma menina normal, tinha sido escolhida por ele. Lavei o rosto umas três vezes, retoquei a maquiagem, fiz o que tinha pra fazer e analisei minha roupa. Caminhei devagar saindo do banheiro enquanto me olhava num espelho de bolso e retocava o batom.
- Você é sempre tão distraída assim? – ele perguntou enquanto eu me virava rapidamente para trás, encontrando com ele a centímetros de distância.
- Er, nem sempre. – respondi limpando a bola que havia se formado em minha garganta.
- Se fosse um ladrão, ou um estuprador, você estaria correndo risco de vida agora sabe. – ele falou sorrindo de modo zombeteiro.
- Mas não é, apesar de que eu desconfio que não estou tão segura assim. – falei olhando em seus olhos enquanto guardava o espelho e o batom com as mãos trêmulas no bolso.
- Pois é, disso eu também desconfio. – ele falou enquanto se aproximava mais.
- Er, , você não tinha que estar no palco agora? – perguntei tentando me afastar, sem sucesso, pois enquanto eu dava passos pequenos para trás, ele se aproximava mais e mais.
- Não. Nós demos uma pausa. Sabe como é, depois da confusão que teve. – ele falou me olhando de cima a baixo.
- Você pode parar de me olhar desse jeito? Eu, sinceramente, estou ficando sem graça. – falei tentando parecer o mais nervosa possível.
- Me desculpe, mas infelizmente perto de você eu não consigo me controlar.
Arregalei os olhos de surpresa e tentei correr de encontro a porta, mas ele foi mais rápido e me puxou com força, deixando o rosto muito perto do meu. Perto o suficiente para que eu sentisse seu hálito quente bater em minha bochecha.
- , você está me machucando. – falei baixo tentando me esquivar de seus braços.
- Me desculpe, a minha intenção não era essa. Eu prometo que te solto, se você me prometer que não vai tentar fugir de novo. – ele falou passando o nariz levemente em meu pescoço.
- E-e-u prometo. – falei enquanto sentia meu corpo amolecer com o toque dele.
- Eu preciso ficar perto de você . Me desculpe se isso é demais pra você, mas eu sinceramente não me vejo mais sem sentir esses calafrios e a vontade de te ter comigo o tempo inteiro.
- O quê? Do que você está falando? A GENTE SE BEIJOU UMA VEZ! Onde estão as câmeras? – perguntei enquanto começava a chorar desesperadamente.
- Câmeras? Não tem nenhuma câmera aqui! E eu estou sendo sincero com você , por favor acredite em mim! Desde que eu te vi antes do show, quando a gente se esbarrou, eu senti que era com você que eu queria ficar, por favor me escute. – ele falou me olhando enquanto eu escorregava pela parede, chorando, e me abraçava aos meus joelhos.
- Pare de mentir pra mim . Eu não agüento mais ouvir mentiras. Por favor, me deixe. – falei limpando as lágrimas e ao mesmo tempo tentando absorver tudo o que ele tinha dito.
Observei enquanto ele saía passando a mão pelos cabelos e abaixava a cabeça negando.
- Eu não vou te deixar . Nunca. – ele falou enquanto fechava a porta e me deixava lá, parada, completamente sem reação, encolhida ao lado do banheiro.
’s POV
Então ela tinha 17 anos? Aquilo não podia ser verdade. Eu não queria que fosse verdade. Toquei com todas as minhas forças enquanto pensava em “N” possibilidades de estar com ela de uma forma segura, e não encontrando nenhuma. O McFly não poderia ficar exposto dessa forma. E elas também não. Naquele momento, por mais estranho que parecesse, ela era o mais importante para mim. Não que eu fosse capaz de largar tudo o que tinha conseguido até o momento para ficar com ela. Mas acreditava cegamente que tudo daria certo, se eu tentasse. E prometi para mim mesmo que não deixaria ela escapar de minhas mãos.
•••
Fiquei sentada observando , e tocarem por um bom tempo e decidi que precisava falar com alguém. E o alguém não era uma das meninas. Peguei meu celular e observei os nomes passarem lentamente pela tela, enquanto procurava o número de .
- Alô?
- ? – perguntei enquanto deixava mais lágrimas descerem pelo meu rosto.
- Sim, quem é?
- Sou eu, a . – falei esperando sua reação.
- Por que você me ligou? – escutei ele perguntar com a voz fraca.
- Eu precisava muito conversar com alguém. – falei enquanto limpava as lágrimas que restavam e começava a caminhar pelos corredores.
- Me desculpe, mas eu não posso falar agora.
- Ah, tudo bem. Quando puder você me liga? Eu preciso muito falar com você. De verdade.
- Quando eu puder eu te ligo.
- Obrigada, e para você saber, eu senti muito a tua falta esse tempo todo. – falei enquanto esperava ele falar algo, mas tudo o que consegui ouvir foi o barulho de uma porta sendo fechada e várias vozes se misturarem.
- Eu não posso falar agora. Quando eu puder te ligo. Eu... te amo. Você sabe. – ele falou como se tentasse esconder algo.
- Eu também te amo .
Ouvi o barulho irritante da ligação finalizada, fechei o celular e o guardei em meu bolso enquanto procurava por alguém que pudesse me ajudar. Avistei um segurança alto e loiro encostado ao lado de algumas caixas enormes e perguntei aonde todos tinham ido. Ele apontou para uma porta preta que ficava alguns metros a frente e eu segui em direção a ela.
•••
Não sei porque ela tinha me ligado. Mas tinha noção do quanto tinha sido frio. Fiquei sentado observando o pequeno celular em minhas mãos enquanto ouvia todos conversando dentro do camarim. Pelo que consegui diferenciar das vozes, as meninas estavam com eles. Mas não tive coragem de levantar os olhos para ver realmente quem estava lá. Percebi o quanto tinha errado, e decidi me redimir, caminhando até a porta enquanto discava o número dela.
•••
Cheguei em frente a porta do camarim dos meninos ao mesmo tempo em que meu celular começava a tocar freneticamente. Coloquei a mão sobre a maçaneta e o atendi sem ver quem era.
•••
- Me desculpe por não ter conversado direito agora a pouco. – falei tentando ser o mais natural possível enquanto girava a maçaneta para deixar as vozes para trás.
- Tudo bem, eu entendo que – consegui ouvir ela falar antes de abrir a porta e dar de cara com ela.
Meu coração parou de bater no exato momento em que eu a vi com o telefone em mãos me observando com cautela. Deixei o telefone cair e mal me dei conta. Não conseguia desviar os olhos dela.
- Se o seu celular não fosse tão bom, eu poderia apostar que ele estaria em pedaços agora. – ela disse pegando meu telefone no chão e observando a tela escura enquanto falava.
Não sentia minhas pernas, mas tinha noção de que iria cair a qualquer momento. Enquanto falava apertou um dos botões fazendo com que a tela se acendesse decretando a minha morte.
- ? O que meu nome está fazendo no seu celular? – ela me perguntou confusa.
•••
Eu não conseguia entender o que tudo aquilo indicava. Não fazia idéia do porque meu nome estava estampado na tela de seu celular. Quando me dei conta, vi que a ligação não havia sido finalizada.
- Então né, vamos conversar como amiguinhos e sem brigas! – disse enquanto se aproximava e pegava o celular de de minhas mãos.
- , eu... preciso desligar. – falei ao meu telefone enquanto observava todos me olhando de olhos arregalados e saltar para trás e jogar o telefone de ao ar.
- POR QUE A SUA VOZ SAIU DO CELULAR DELE? – ele perguntou enquanto subia em um dos sofás.
- Porque provavelmente eles estavam se falando por telefone né mane. – disse se aproximando de mim e parando bruscamente ao lado de .
- Você estava falando com ele não estava? – ela me perguntou confusa.
- É claro que não , eu estava falando com o e... – falei enquanto pensamentos passavam a todo vapor me fazendo ficar tonta. Eu estava falando com . O tempo todo eu estive falando com ele. Isso não era possível. Consegui ver vultos passando por mim enquanto eu olhava para ele, parado ali, na minha frente, com os olhos arregalados de pavor.
’s POV
Eu não conseguia assimilar tudo o que estava acontecendo. O da então era o que estava ali? Não havia possibilidade disso acontecer! Seria coincidência demais. Não podia ser verdade. Peguei o celular de de suas mãos e disquei o número dele. O celular caído ao chão começou a tocar desesperadamente enquanto todos olhavam para baixo sem mover um músculo sequer. Vi descer do sofá e o pegar olhando para a tela confirmando nossas suspeitas.
- Chamando . – ele falou enquanto tremia e me olhava apavorado.
Consegui ver claramente a pele de ficando cada vez mais clara.
- ME AJUDEM! – gritei conseguindo segurá-la enquanto sentia seu corpo ficando cada vez mais solto.
Senti vários braços me ajudando a segurá-la enquanto observava a feição de . Ele parecia viajar. Provavelmente não estava ali. Pedi a que o ajudasse a se acalmar enquanto e levavam para fora da sala. Quando finalmente ficamos em silêncio, consegui observar calmamente o rosto assustado de minhas duas amigas.
- Como isso pode acontecer? – me perguntou enquanto caía sentada no sofá.
- Eu não faço idéia . – a respondi enquanto caminhava de um lado a outro como se pudesse afastar todos os pensamentos com a velocidade dos passos.
- Então quer dizer que o tempo todo a conversou com o , sem saber que ele era o ? – ela me perguntou com um olhar confuso e apavorado.
- Pelo que me parece, é isso mesmo. – falei passando a mão nos cabelos e procurando por uma garrafa d’água.
- É ISSO! COMO EU PUDE SER TÃO BURRA? É POR ISSO QUE ELE FICOU TÃO ESTRANHO EM CIMA DO PALCO! AGORA TUDO FAZ SENTIDO! – levantou gritando, o que me fez derrubar a garrafa e molhar toda minha roupa.
- Você tem razão! Foi por isso então que ele ficou daquela forma lá em cima? Mas como? Então ele já sabia de tudo? – comecei a perguntar mais para mim mesma do que para elas.
Ouvi alguém abri a porta e analisei a silhueta de aparecer aos poucos enquanto ele entrava na sala, sozinho.
Continua...
N/B: Comentem muito galera!
E qualquer erro, já sabem: cah.teague@gmail.com/@CarolinaDonahue