Brown Eyed Girl
Por: Silver J.
Beta: Táh



Capítulo 1 – Oh, girls just wanna have fun!

Acordei hoje de manhã para descobrir que estava atrasada. Peguei meu biquíni azul com flores pretas estilo havaiano, meu tomara-que-caia branco e calções de ganga, os dois novos.
Vesti-os em tempo recorde e calcei as minhas havaianas favoritas. Desci para a sala correndo e quase tive um ataque quando encontrei minha mãe na beira das escadas.
- Bom dia, mommy, estou atrasada. – Falei super rápido e tentei fugir por debaixo do corrimão.
- Não tão rápido, minha menina. – Minha mãe me agarrou pelo braço esquerdo – Você não vai sair de casa para lado nenhum com o estômago vazio.
- Okay, okay. – Essas mães...
Fui na cozinha buscar uma maçã e a mordi, peguei minha bolsa de praia, com a maçã ainda na boca, pus os meus óculos pretos Ray Ban novinhos e magníficos na cabeça e corri para a porta.
- Tchau, mãe!
- Adeus querida, espero que se divirta!
Corri até o ponto de ônibus e meu celular começou a tocar o Come Together, dos Beatles. Quando olhei, vi que era minha amiga .
- Oi, coisa linda. – Gritou do outro lado da linha.
- Oi love, desculpe, mas só cheguei no ônibus agora mesmo. – Estava super envergonhada. Primeira vez que saía com minhas novas amigas e já estava atrasada.
- Não tem mal, chegar atrasada é praticamente o meu lema de vida, pode acreditar. – Ouvir a sua risada alegre e aguda era bastante reconfortante.
- Hum, então até já... – Hesitei, não sabia para que é que ela tinha ligado.
- Sim, sim, claro love. Beijos meus e das meninas.
- Para vocês também!
Desliguei e guardei o celular na bolsa. Sorri, enquanto me lembrava de quando as conheci. A Courtney, uma velha amiga minha de quando tinha uns seis anos, ia fazer dezesseis anos e quis convidar todas, mas mesmo todas, suas amigas para um sleepover (só de raparigas, óbvio.). Já não a via há anos, por isso não me sentia nada confortável. Não havia ninguém que eu conhecesse além dela mesma. Mas depois, durante uma sessão espírita na sala, eu fui até ao quarto dela para vestir o meu pijama lindo com carneirinhos e encontrei lá três raparigas conversando no chão do quarto.
- Hum, oi gente. – Sorri, enquanto procurava o minha mala azul num grande monte de tecidos e fechos.
- Oi! Você também não é muito fã de sessões espíritas, hum? – Me perguntou a menina que estava deitada no tapete com riscas de Courtney. Era super morena e tinha o cabelo curto quase preto, era absolutamente linda.
- Pois é, e estava morrendo de frio. Como só conheço a Courtney, aproveitei para escapar sem que ninguém reparasse. – Falei quando finalmente encontrei minha linda mala sendo esmagada por uma mala cor-de-rosa.
- Te entendo, nós tivemos sorte porque viemos as três. Conhecemos a Courtney faz um ano num acampamento qualquer e agora ela nos liga de repente para “manter o contato”. – A rapariga loira que estava falando fez umas aspas no ar com os dedos, se mostrando muito divertida – De onde você a conhece?
- Do colégio, já não falava com ela há eternidades. – Mostrei o meu pijama, fazendo sinal se o podia vestir ali. Elas riram e acenaram que sim, para eu estar à vontade – Foi estranho quando ela ligou.
- Qual o seu nome? – Perguntou a terceira rapariga, com cabelo castanho comprido, muito parecido com o meu.
- . – Sorri, já com o meu pijama vestido – E vocês?
- Eu sou a . – Respondeu a rapariga que falara por último.
- Eu sou a . – A rapariga sorridente de cabelo escuro e curtinho falou.
- E eu sou a . – Disse por fim a rapariga loira e deslumbrante. – Você quer se juntar a nós? Eu gosto de números pares. – A rapariga sorriu abertamente, o que me fez rir e sentar automaticamente no chão ao pé delas.
Conversamos durante o resto da noite. Diverti-me tanto, elas tinham imensas coisas em comum comigo, até o gosto por rir. Fiquei as conhecendo muito bem mesmo, como se as tivesse conhecido há anos. Na manhã seguinte trocamos nossos números de celular e elas me convidaram para ir com elas à praia no fim-de-semana seguinte. E aqui estou eu, num ônibus, indo incontrá-las.
Por fim o ônibus chegou e eu dei um pulinho para o chão de pedra em frente à praia. Estava um dia magnífico, imenso sol, e o mar estava espectacular. Sorri gloriosamente e andei até a areia. Não demorei muito para as encontrar, visto que o único chapéu azul elétrico na praia era delas.
- Oi! – Mal me aproximei e elas se levantaram todas num salto.
- Oi coisa fofa linda da ! – me abraçou enquanto sorria daquela sua maneira exuberante.
- Oi amores! – Estava mesmo feliz de vê-las. Abracei e e pus minha toalha na areia junto à de , que estava na ponta.
- Que saudades, linda. A semana demorou imenso a passar... – Choramingou , com cara de cachorrinho.
Eu sorri docemente, ela era tão querida. A sério, se querem saber o significado de amorosa, procurem a e saberão.
- Acredite que também tive saudades, passei a semana trabalhando num trabalho de física que ainda nem está acabado. – Fiz careta e voltei a sorrir.
- Hum, eu aaaaaamo física! – Gritou , o que fez a gente olhar para ela como se fosse alguma espécie de extraterrestre.
- Querida, você tem sérios problemas... – Disse , com cara de susto. – A sério, ninguém aaaaama física.
- Então eu não sou ninguém... Muito obrigada! – Deitou a língua de fora e virou-se para mim – Então , não chegamos a descobrir. Você tem namorado?
Eu ri, meio para dentro, meio para elas. Nunca pensara muito nisso. Costumava andar sempre preocupada com a escola, e os rapazes de lá não me chamavam a atenção. Ou eram bestas, ou eram simplesmente imaturos. O último namoro tinha sido fazia quase de um ano, e não tencionava repetir a experiência nem brevemente, nem a longo prazo.
- Nops, ninguém... – Sorri compreensivamente perante a cara de admiração delas.
- Bem, eu te imagino um pouco com um namorado universitário, com quem você planeja casar e fugir para Paris.
Ri de novo.
- De maneira alguma, não penso que alguma vez vá encontrar alguém que se encaixe nesse perfil... E vocês? – Sorri agora mais alegremente. Delas três, alguma haveria de ter alguém.
- Haha, todas. – sorriu felicíssima. – O meu namorado se chama .
- Own, que linda. – Estava com uma carinha de anjinho apaixonado – Então, e os seus namorados, madames? Estou curiosa!
- O meu se chama , e não é para me gabar, mas é o rapaz mais lindo que algum casal alguma vez fabricou!
Isto nos fez rir muito. As piadas daquela menina batiam qualquer um.
- Ah, o meu boy se chama ... – estava com uma cara muito parecida com a de , mas de certo modo, diferente. – Acho que me vou casar com ele. – Começou rindo, mas conseguia ver que estava falando mesmo sério.
- Somos todos super amigos. – Complementou .
- Então um grupo de seis, aí tem um número par, . – Pisquei para ela.
- Haha, mas não love. Somos sete. Ainda há mais um amigo, só que é solteiro. Quero dizer, mais ou menos... – Explicou . – Ele nunca está realmente sozinho, mas nunca namora mesmo com ninguém.
- É, imagino o tipo... – Disse eu, enquanto brincava com minha pulseirinha vermelha de pano, que já se estava desfiando no meu tornozelo.
- Não nos interprete mal! Ele é muito querido mesmo. Só que ainda não encontrou ninguém de quem realmente gostasse. Quero dizer, ele gosta mesmo de se divertir... – Sorriu, tentando com que seu amigo não ficasse mal visto aos meus olhos. – Aliás, vocês até podem se dar bem. Falta uma garota no grupo para fazer o santo número par da . – A piscou para mim e sorriu mais uma vez. É mesmo fofinha. Eu assenti com o meu leve sorriso de sempre.
- Talvez, era bom. – Estava mesmo feliz de ter encontrado amigas tão fofas e perfeitas como elas. Eram demais, nunca tinha conhecido pessoas tão simpáticas como elas na minha vida.
- Então, pode conhecê-los amanhã! – gritou de repente, como se se tivesse lembrado da fórmula da bomba atômica.
- Pois é! – Gritou , quase como . – Amanhã vai ter uma festa na casa deles!
- Huhum... Deles? – Okay, agora estava oficialmente confusa.
- Ah, sim. Eles alugaram uma casa e vivem todos juntos. Sabe, é que eles já não andam mais no colégio, acabaram o ano passado e saíram de casa como que para marcar a sua saída ao mundo. – fez uma careta, como se pensasse que essa afirmação era desnecessária.
- Ah, entendi. – Mantive o sorriso e pensei na ideia da festa. Seria legal conhecer o grupo, talvez até ingressar nele. – Então acho que vou aceitar o convite. Eles não vão se importar?
- Achas? Nós já lhes falamos de você. – revirou os olhos – Aliás, quando lhes contei seus gostos musicais e coisas do gênero, eles próprios começaram a pensar em números pares.
Rimos todas e eu fiquei ainda mais feliz. Então eles me queriam conhecer. Isso era mesmo muito bom...
- Okay, eu vou.
- Uhuhuhuhu! – Gritaram todas em coro, enquanto saltavam para cima de mim. Ficamos mais algumas horas na praia, rindo, conversando, endoidecendo. Foi tão ou mais divertido que a noite da festa de pijama, e eu fiquei mesmo muito entusiasmada em relação ao grupinho que elas tinham. Seria mesmo bom fazer ainda mais amigos, pertencer a algo. Só a ideia era reconfortante.
Quando cheguei da praia, fui correndo tomar banho. Estava cheia de areia, e eu odeio ter areia no corpo. Sério, odeio. O resto da tarde passou muito rápido, a noite ainda mais, só conseguia pensar nas minhas novas melhores amigas e na festa. Estava irrevogavelmente feliz.

’s POV

Gosh, nunca na minha vida vi essas três tão animadas. Passaram todo o santo dia falando de uma tal de . Aparentemente, tinham-na conhecido na festa de pijama e adoraram-na. Sempre dizendo: “Ah, a é muito bonita”, “Ah, a ama música”, “Parece que a conhecemos faz eternidades.”
É um pouco chato, mas comecei a ficar curioso. Quando lhes perguntei o que essa tinha de especial elas, reviraram os olhos e disseram que eu não o saberia de certeza. Acho que estão com a história das Barbies de novo.
Mas agora que voltaram da praia, a conversa mudou um pouco de tom.
- Oi fofos. – as três disseram para os namorados enquanto eu entrava na sala.
- Oi . – Falou , mais entusiasmada do que o costume. Quero dizer, ela está sempre feliz, mas penso que o seu sorriso tinha cerca de dois centímetros a mais.
- Olá, meninas. – Acenei para as três e me sentei no sofá.
- Adivinhem quem vem à festa amanhã à noite? – Falou a , olhando para o .
- Hum, a tal ? – Acho que adivinhou, porque saltou para sofá dando um gritinho.
- Sim! É ótimo. Estou mesmo feliz de tê-la conhecido. Ela é super simpática, mas acho que ela nem tem muitos amigos. – olhava para o ar, como se fosse um personagem da TV – Nem tem namorado. Mas ela é espectacular. – Agora ela assustou-me, visto que começou a olhar fixamente para mim. – Como você é o único solteiro do grupo, está encarregado de fazer com que ela se sinta confortável, sempre é tempo mais bem gasto do que se tivesse com as suas Barbies.
- Sim, sim capitão... – Aquela piada da Barbie estava ficando velha, não tenho culpa se gente loira gosta de mim.
- Okay, estamos conversados. Eu agora vou tomar banho. – deu um beijo ao e subiu as escadas.
- Sim, nós também. – Disse a . – Posso conversar com você num instante, love?
assentiu e subiu as escadas com ela. Fiquei sozinho com os outros dois, pensando na festa e na tal . Talvez seja interessante. Talvez seja gostosa. Talvez seja loira.

’s POV

O dia tinha sido fantástico. Passamos toda a manhã com na praia, falamos demais, rimos, enlouquecemos! E ela vem à festa, o que é divinamente espectacular. Espero mesmo que ela e os rapazes se entendam, sinto que ela pertence verdadeiramente conosco. É um pouco freaky, mas que se lixe, já fazia muito tempo que não tinha um pressentimento tão bom como esse, por isso me deixem enlouquecer feliz. Tudo nela encaixa no grupo. Os gostos, as manias, até a cara dela encaixa bem na fotografia. Falando em gostos, hoje fiquei boquiaberta com as novas descobertas. Parece que ela aaaama rock n’ roll, bem anos sessenta, tem medo de gatos porque pensa que são cruéis e tem uma panca muito estranha (assustadora para mim, muito “insane” para a e amorosa para a ) por pinguins e lobos. Eu sei, as semelhanças são assustadoramente enormes.
Na minha mente, já a estou casando ela com e a empurrando para o avião com destino a Paris para a romântica lua-de-mel na qual vão me dar sobrinhos lindos e rechonchudos. Eles são PERFEITOS um para o outro. A ia-lhe fazer tão bem, ele finalmente teria alguém com um QI superior ao de um roedor e que não seja nada (nada mesmo) Barbie.
Chegamos agora à casa, eu já tinha falado na minha doentia, mas brilhante ideia às meninas no ônibus e, visto que elas concordaram, não a conseguia tirar da minha cabeça. Quando passamos pela porta, os rapazes estavam todos na sala, menos , que estava saindo da cozinha.
Falamos um pouco e a e a deram um pouco nas vistas, sorrindo para ele, e a chegou a dizer que ele teria de ficar com ela na festa. Mas acho que ele não atingiu a complexidade do assunto, devia estar a pensar se era loira.
Quando acabamos a mini conversa, elas foram tomar banho e eu raptei imediatamente o . Fomos até ao quarto dele e eu disparei logo tudo.
- , love. Hoje descobri uma coisa fantástica. Sabe a ? Ah, claro que sabe! Bem, hoje passamos a manhã com ela, certo? E falamos imenso, mas meeesmo imenso, e descobrimos montes de coisas novas sobre ela. E devo dizer desde já que, desde música até cores favoritas, a pode ser a rapariga com quem o vai se casar.
- Tenha calma Gi, tem que falar devag... O quê?? Rapariga com quem o se vai casar? Estamos a falar da mesma pessoa que não acredita no matrimônio e que classifica as meninas com quem já dormiu de um a dez?
- Sim, sim, eu sei. Mas você ainda não a conheceu, e uma rapariga como ela ia lhe fazer tãaaao bem.
- Okay, então o que que fazer fazer? Trancá-los juntos no quarto? – começou a rir e eu bati-lhe no braço, claro que sem a força suficiente para machucá-lo – Okay, okay, desculpe...!
- Não. Eles vão se conhecer na festa. O que tiver de acontecer, acontecerá. – Fiz uma cara muito séria, tentando personificar um adulto, mas que não foi levada a sério pelo meu psicótico namorado que só sabe sorrir, rir e fazer expressões amigáveis, que me abraçou e me rodou no ar.
- Você está muito espirituosa hoje. – Brincou ele, enquanto me dava um beijinho no nariz.
- Sim, sim. Também te amo.


Capítulo 2 – Before my eyes, there was this girl and she looked so fine.

Já são seis da tarde. Já estou vestida, com as minhas calças jeans favoritas, o meu top azul meio escuro, meio claro, e as minhas FLY (n/a: sapatos usados na Inglaterra, podem pesquisar imagens, eu tenho e amo *-*) azuis, tão lindas como um pinguim com um chapéu de cabaret e uma bengala!
Continuava entusiasmada, mas estava mais calma, pois já se tinham passado horas desde que chegara em casa e a euforia de ter estado com as meninas já se tinha extinguido. Olhei-me no espelho e comecei a arranjar o cabelo pensando no livro que estava lendo. Falava de amor incondicional, e eu sentia uma certa pena das personagens por dependerem tanto uma da outra. No entanto, isso fazia com que sentisse pena de mim mesma, por nunca tê-lo sentido.
Sorri para o meu reflexo. Cabelo pronto, ponho lápis de olho e estou pronta para ir. Como sempre, me machuquei e o meu olho começou a chorar. Praguejei para o maldito lápis e desisti de grandes complexidades. Um risco simples bastava, eu nem gostava muito de maquiagem.
Peguei minha bolsa preta e saí do quarto, me preparando para encontrar os tão falados meninos. Inspirei fundo, número par, aqui vou eu.

’s POV

Já chegou quase todo o mundo para a festa, cada um com uma quantidade exagerada de álcool. Todos com sapecas palonços na cara, como que se só por estarem numa festa em nossa casa iam ter sorte nessa noite. Só por eu ter sorte não significa que eles vão ter sorte também. Idiotas. Bem, falando em sorte, já estou recebendo uns olhares de um grupo de meninas amigas de um amigo de um primo do ... Como eu disse, já chegou mesmo todo o mundo para a festa. Falando de outra coisa, as três meninas estão mesmo bonitas, devem estar com medo da possível concorrência. Como se eles já não estivessem desesperadamente apaixonados por elas. Até é engraçado, deve ser bastante... Não sei bem, talvez confortável, ter alguém assim que esteja sempre lá para nós. Mas, de repente, os olhos azuis de uma loira do grupinho lá à frente cortaram-me os pensamentos, visto que estava olhando fixamente para mim. Eu sei, desconfortável, mas é um bom sinal. E é assim que eu ensino aqueles idiotas o que é sorte. Fui buscar uma cerveja de cima da mesa, carregada dos belos “presentes” alcoólicos dos nossos convidados e olhei em volta, à procura dos rapazes. Ótimo, estavam todos com as donas. Que seca, não me apetece falar com a loira no início da festa, assim iria ter que inventar conversa até ao final. Pois, não me parece. Andei até o sofá e apoiei-me no braço de pele castanha. Ia ser uma longa noite.

’s POV

Cheguei finalmente à festa. Quando abri a porta, ouvi logo um barulhão devido às conversas e à música que ecoava nas grandes colunas na sala. Tinha demorado um pouco a encontrar a casa, pois o endereço que me dera estava borrada de caneta vermelha. Hesitei um pouco na porta e, de repente, ouvi um grande grito que aumentava de volume a cada segundo, que interpretei como sendo uma pessoa a correr na minha direção.
- ! Como você está, love? Demorou muito a encontrar a casa? Ainda bem. Venha conhecer toda a gente. – Apesar das perguntas, não houve tempo para nenhuma respostas. pegou no meu braço e só consegui reparar no seu vestido, preto e fora do comum, só com uma manga, antes de ela me puxar na direção de um rapaz alto e sorridente, que estava do outro lado da sala.
- , este é o , meu namorado. – Olhou para mim sorridente e voltou a olhar para , esta é a .
- Oi, , ouvi falar imenso de você, mesmo imenso. – Bem, ele era mesmo sorridente. Piscou o olho à que de repente estava rodeada de outros seres humanos racionais.
- , certo? Eu sou o , prazer. – Um rapaz alto e lindo que estava ao lado da sorriu para mim.
- Oi, prazer. – Não conseguia parar de sorrir, era inevitável.
- Hum, eu sou o , você já deve ter entendido que sou o namorado da pelo processo de eliminação... – Ele sorria com um ar muito amoroso, o que nos fez rir imenso. – Ah, e olá. – O sorriso aumentou, e assim também aumentaram as risadas.
- Bem, eu vou buscar bebidas. – Voluntariou-se – Trago para todos?
Eu acenei que sim, e assim o fez o resto do grupo. O resto do grupo... Começa a soar tão bem. Começaram todos a conversar e eu sorria, apesar de não estar muito ativa no ‘falatório’. Estava ocupada a reparar nas vozes, nos gestos, nos risos. E então reparei numa nova voz a juntar-se ao grupo. E com a chegada da voz, veio para junto de mim, quando eu finalmente olhei para o dono do também novo riso.
- , esse é o . – estava sorrindo para o rapaz ao meu lado.
Ele respondeu com um sorriso hesitante que dirigiu para mim.
- ... Prazer. – Quando disse o meu nome, parecia que se estava a habituar a ouvi-lo na sua voz rouca e profunda.
- Olá, . Elas já me falaram bastante de você... – A minha voz saiu baixa, mas nada hesitante. Estava a sorrir e a frase fluiu na perfeição.
- Só coisas más, aposto. – riu um pouco e arrumou o cabelo. Respondi-lhe também com uma leve risada, e reparei que ele me olhava diretamente nos olhos. Notei então que os dele eram . Fiquei alguns segundos em silêncio, apenas estudando as suas feições. Acho que estava hipnotizada.

’s POV

Olhei para trás e vi todos juntos perto da parede do fundo. Me levantei rapidamente e fui me juntar ao grupo. Chegado lá, ouvi a dizendo que uma tal de Josie tinha mudado de escola. Tão interessante como saber a cor do vômito da minha professora de Química.
- Oi gente. – Cortei a conversa com duas simples palavras.
- Querido, eu estava falando. – estirou a língua de fora, o que me fez dar uma gargalhada.
- Sim, realmente é raro. – Era suposto ela continuar a responder, mas em vez disso furou a ‘roda’ e foi se por ao meu lado, o que fez com eu me virasse um pouco para a esquerda e visse um rosto que me era estranho. Por momentos não pensei em nada. A minha mente ficou branca perante aquela imagem.
Na minha frente encontrava-se a menina mais bonita, delicada e mais cativante que eu alguma vez tinha posto os olhos em cima. Então falou...
- , esse é o . – estava a sorrir sugestivamente para mim, desviando depois o olhar para a menina.
- ... Prazer. – Então ela era a . Nunca pensara que ela pudesse ser assim... Quando elas disseram como era bonita, eu pensei em cabelos dourados, em olhos , em grandes pernas e grande decote. Eu tinha sido completa e inegavelmente surpreendido.
- Oi, . Elas já me falaram bastante de você... – mostrava o sorriso mais sereno que alguma vez vira. Era bonito e me transmitia uma imensa calma, nem o consigo por em palavras.
- Só coisas más, aposto. – Eu arrumei o cabelo com a mão esquerda enquanto soltei uma gargalhada. Ela respondeu com uma leve risada, que saiu perfeita no seu tom de voz. Então os nossos olhares encontraram-se. Ela continuava a sorrir, mostrando duas pequenas covinhas nas suas bochechas. Uma madeixa do seu longo, brilhante e ondulado cabelo castanho tocava no seu queixo. E o que o meu olhar mais gostou de encontrar foi o centro da sua beleza. Dois grandes olhos castanhos e profundos, a olhar diretamente os meus.
Nossa...

’s POV

Everybody loves to party on a Saturday night

Estava no banco de trás do carro de , com ele e na frente a cantarolar essa música, que tocava agora. Eles me tinham vindo trazer em casa, tinha feito questão.
- Que música é essa? – Estava curiosa, nem conhecia a banda, e parecia que conhecia as vozes dos dois cantores. deu uma risada e sorriu envergonhado.
- Se chama Saturday Night e é da melhor banda de sempre. – piscou para , que olhou para mim pelo espelho.
- Hum, eu e os meninos temos uma banda... Não é famosa nem nada, não comece já a imaginar que é amiga de gente famosa. – Ele começou a rir e parou o carro em frente a minha casa.
- Que legal... – Era muito fascinante mesmo, que sonho, um namorado músico – Como se chama a banda? – Falei, enquanto abria a porta.
- McFLY. – virou-se para trás e sorriu para mim – Bem, love, se está assim tão curiosa um dia vem nos ensaios deles. – Olhou para , que também se tinha virado para trás e voltou a olhar para mim – Quando voltamos a ver você?
- Você que decide, . – Ri para eles e sai do carro. abriu a sua janela e gritou para mim.
- Não quero saber que seja dia de escola, amanhã você vai lá a casa, ouviu? Não se livra assim da gente.
- Sim, claro . Pode ficar descansada. – Soprei um beijo para ela e acenei para o .
Ouvi o carro arrancar e entrei em casa. Estava um pouco cansada. Não tinha dançado nem nada, só que fiquei perto de cinco horas em pé conversando com eles todos. Tinha sido uma noite perfeita, todos eram super simpáticos e quando me vim embora todos vieram até ao carro, gritando que adoraram me conhecer e as meninas gritando que me amavam de morte. Foi engraçado, até negou a companhia de umas meninas lá para que pudesse continuar a conversar, de maneira a eu ficar a conhecer todos eles de igual maneira.
Entrei na sala e todas as luzes estavam apagadas, todo o mundo estava já a dormir. Subi para o meu quarto e peguei máquina fotográfica que me obrigara a trazer para casa, para passar as fotos para o PC. Liguei a câmera e apareceu uma foto do grupo todo, que um menino qualquer tirou para nós. estava fazendo o símbolo da paz comigo na minha esquerda, sendo abraçada pelo , que estava fazendo uma carinha muito fofa. estava no fundo pegando ao colo que o agarrava no pescoço, e no meu lado direito estava , abraçando na cintura, que estava dando um selinho em seu pescoço, e agarrando pelo braço, que ria que nem um louco e olhava para mim com os seus grandes olhos .

3º Capítulo – Lazing on a Sunny Afternoon

- Por favor, não se esqueçam dos trabalhos!
O professor Mayer gritava, mas ninguém ouvia. Era a última aula de segunda-feira e ainda estavam todos a sonhar com o fim-de-semana. Saí da sala segurando os cadernos à frente do peito, e sorria para as ocasionais pessoas que se despediam de mim. Quando saí para a rua, a luz do sol ofuscou-me, ainda estava meio dormindo daquela aula de física. Comecei a andar para o ponto de ônibus, mas quando cheguei no meio do estacionamento ouvi alguém me chamar.
- ! Eu disse que vinha. – apareceu, vinda de um conversível preto, e correu para me abraçar. Toda a gente olhou para nós, nunca imaginaram que eu pudesse ter uma amiga assim próxima, especialmente uma que abraça.
- , estás louca? Pensei que me ias ligar, e não aparecer aos gritos na minha escola. – Falei como se estivesse incomodada, mas, na verdade, eu tinha adorado a surpresa.
- Oh, cala-te. Hoje não tive aulas de tarde e os rapazes estavam em casa, vegetando. Liguei pro e aqui estou eu. – Abraçou-me pela segunda vez. Aquilo fez-me sorrir por dentro, acho que ela se preocupa mesmo comigo, é tão querida.
- Espera, o tem dois carros? – Ia jurar que o carro de não era conversível.
- Bem que ele queria. – olhou para o carro – O carro dele não tinha gasolina, então o me trouxe.
Só aí é que reparei que era quem estava ao volante. Acenei-lhe, e depois para , e sorriram-me em resposta, saindo do carro. aproximou-se de mim e as pessoas da minha turma voltaram a olhar, cada vez mais surpresas por eu ter uma vida social.
- , olá. – deu-me um leve abraço e fechou o punho, esperando para bater no meu. Sorri perante o gesto, era mesmo simpático. Quando pôs o braço à volta dos ombros de as pessoas abriram um pouco a boca, e pararam de olhar, como se tivessem entendido algo. Mas será que eles não têm mais nada que fazer? Entretanto, aproximou-se de nós com um grande sorriso.
- Olá , como está? – Quando chegou perto de mim deu-me um abraço como fizera e deu-me um pequeno beijo na bochecha direita.
- Olá. – Respondi para os dois e depois voltei a olhar – Estou ótima, só um pouco sonolenta da aula de física.
- Ahrrr, eu odeio física. – disse com uma careta, depositando a sua mão esquerda no meu ombro – Lamento muito que tenhas de passar por esse sofrimento , ninguém merece.
- Acredita, ela também lamenta. Podemos ir embora? – disse, já sem paciência nenhuma, dando pulinhos como que se tivesse de ir ao banheiro.
- Claro, senhora dona . – deu-lhe a mão e virou-se na direção do carro.
- Vamos? – sorriu e pôs a sua mão nas minhas costas, guiando-me até ao seu conversível. Juro que, quando passei pela minha parceira de laboratório, ela estava a dizer “até que enfim que a saiu da toca”. e estavam no banco de trás, provavelmente a dizer o quanto se amavam porque estavam abraçados e com expressões que fariam derreter qualquer pessoa.
- Fogo, mas será que tenho de assistir a isso todo o santo dia? – suspirou longamente, voltando a colocar a sua mão bem no centro das minhas costas enquanto me abria a porta do carro. Agradeci com um sorriso e quando ele foi para o lugar do condutor eu ainda sentia aquela área mais quente do que o resto do corpo.
- Então, e qual é o destino? – olhava para o espelho retrovisor.
- Primeiro passamos por casa. Assim vamos todos seja lá onde for. – sorriu para e olhou para mim – Não te importas de passar lá por casa, não é ?
- De maneira alguma. – Respondi, com o mais sincero sorriso. Eu ia onde eles fossem. Eu ia ao Nepal vestida de bikini dançar o samba se fôssemos todos juntos.
- Ótimo. – sorriu-me e senti um pequeno arrepio na nuca. Sorri e abstraí-me por momentos, apenas sentindo a brisa que me elevava o cabelo no ar, cheirando o mar ao longe.

’s POV

Está uma tarde perfeita. O sol, o calor e a pequena brisa que vem equilibrar a temperatura. Senti um leve cheiro que pensava ser lavanda e olhei para . Ela tinha os olhos fechados e a origem do cheiro era o seu cabelo, que esvoaçava solto com o vento. Inspirei profundamente e virei a cara para o outro lado. Antes de pensar em mais alguma coisa, vi que tínhamos chegado. Estacionei o carro no passeio em frente da casa e saí. Dei a volta e o meu impulso levou-me a estender a mão a quando ela abriu a porta do carro. Mal o fiz, arrependi-me, ela ia ficar a pensar que eu tinha segundas intenções. Sustive a respiração involuntariamente por alguns segundos, até que ela agarrou a minha mão e sorriu, após me ter olhado surpresa. Expirei quando ela me largou a mão e segui-a até a porta de entrada. Senti o meu ritmo cardíaco oscilar bastante entre o normal e o acelerado, mas logo estabilizou.
Fechei a porta e olhei para e , que estavam deitados no sofá vendo televisão. tinha o braço por cima da cintura de e estavam a comer pipocas da velha taça laranja que compramos há uns meses numa feira de garagem.
- , olá love. – soprou um beijo para e piscou-lhe o olho.
- Então, ressaca muito grande nas aulas?
deu uma das suas encantadoras risadas e respondeu.
- Até parece que bebi muito. O mesmo não se pode dizer de vocês... – Começou por apontar para , depois rodou para e por fim o seu dedo recaiu sobre mim. Quando me olhou, deixou cair o braço, mas retomou o sorriso antes que a pudesse olhar com mais atenção – Vocês já cantavam os parabéns em línguas diferentes.
- Que mentiras feias, . Deves ter aprendido com a , não devias seguir más influências. – apareceu vindo do nada com pela mão.
- Que engraçadinho, o menino . – deitou-lhe a língua de fora – Olhem, nós viemos para decidir o que vamos fazer hoje. Alguma ideia?
- E se fôssemos ao shopping? – parecia entusiasmada.
- Eu quero sorvete. – despertou para a vida e sorriu com a ideia.
- Calma , deve haver sorvete no shopping.
- Mas eu quero sorvete.
- Sim, mas...
- Eu quero sorvete! – fez beicinho para e, visto que admitiu a derrota, decidimos ir ao parque tomar sorvete.

’s POV

, , eu e fomos de novo no carro dele. , , e foram no jipe que os rapazes tinham ganho num concurso qualquer de uma marca de batatas fritas.
- Eu vou comer um sorvete triplo de morango e baunilha, com bolachinhas estaladiças, chocolate derretido... – Dizia , fantasiando com açúcar na viagem.
- Estás com um apetite. – Disse com um sorriso torto. beijou-o e eu desviei o olhar, encontrando o de . Ele sorria compreensivamente, já acostumado às conversas dos amigos e revirou os olhos, o que me fez soltar uma risada leve em resposta. Não parei de olhar para ele enquanto estacionava junto ao parque e penso que ele me observava de vez em quando pelo canto do olho. Sem saber como, o nosso olhar estava sempre a arranjar forma de se encontrar, provocando-me pequenos arrepios na nuca. Mordi o lábio e tirou as chaves da ignição.
Saímos os oito dos dois carros e reparei que já tinha a mão meio levantada na minha direcção, quando a pôs no bolso. Antes de poder pensar mais nisso, agarrou-me na mão e levou-me até a pequena estradinha do parque.
- Venham, seus lentinhos! Nós necessitamos de sorvete. – tinha se juntado a nós e gritava para o resto do grupo. Correram todos até nos alcançarem e, a dada altura, todos os três casais estavam de mãos dadas. Aquilo começou a fazer-me sentir um pouco deslocada, e o meu olhar procurou instintivamente, que já se encontrava ao meu lado, como se tivesse lido os meus pensamentos.
- Você se acostuma com o tempo. – disse, olhando em frente – No início foi difícil, por passarem tanto tempo com elas. – olhou para os rapazes e encolheu os ombros – Mas eu já me habituei, também vais conseguir.
Suspirei em alívio.
- Obrigada. – Disse numa leve e nervosa risada – Ainda agora cheguei e já estava a começar a pensar nisso.
- Eu reparei. – sorriu e piscou-me o olho – Não te preocupes, eu estou aqui para você. – Quando se apercebeu do tinha dito, o seu sorriso transformou-se numa expressão de certa interrogação, do género “what the fuck”... Eu não consegui evitar e soltei uma risada um pouco sonora, que o fez relaxar um pouco.
- Desculpa... – voltou a olhar em frente, chutando uma pedra no passeio. Estava com um ar arrependido, como se tivesse cometido o maior deslize do mundo. Respondi apenas com uma segunda risada, sorrindo em seguida para ele. Como podia ficar ofendida com aqueles olhos ?

’s POV

Gosh, o que é que eu acabei de dizer? Eu e a minha programação predefinida para ‘tentar engatar tudo o que tem peito’. Juro que pensei que tinha deitado tudo por água, com a minha bronquice aguda, mas soltou uma risada, muito divertida por sinal. Fiquei muito aliviado, mas continuei arrependido.
- Desculpa... – Dei um pontapé numa pedra, para não bater em mim mesmo.
Ouvi uma segunda risada e olhei para com receio. Ela estava a olhar para mim, com um sorriso amigável no rosto. Mostrei um pequeno sorriso e tentei esquecer o assunto, lembrando-me de uma pergunta oportuna.
- Então, já decidiu que sorvete vais tomar?
- Sinceramente, estou indecisa. – franziu os lábios, com uma cara um pouco concentrada – Eu já me tinha decidido, mas agora ouvi a falar em morango e fiquei dividida.
- Aposto que era de chocolate que tinhas decidido. – olhou para mim com uma cara confusa – Tens cara de chocolate. Quero dizer, não é mesmo de chocolate, é claro... É de quem gosta de chocolate. Quero dizer, não que eu ache que não sejas doce... Acho que me vou calar agora. – Olhei para cima enquanto se ria divertida com a minha duvidosa interpretação de cada frase.
- Hum, cara de chocolate. Nunca me tinham dito isso. – olhou-me com um ar divertido, como se estivesse a pensar se gostava da denominação.
- Mas gostas, hum, de chocolate? – Agora estava curioso na resposta, visto que não a tinha obtido imediatamente.
- Nem por sombras. Eu nem sou capaz de comer um frasco de nutella numa tarde. – falava sarcástica, e fez-me rir com as semelhanças.
- Pessoalmente, prefiro o meu pote de nutella diário de manhã, mas à tarde também serve. – Rimos juntos enquanto encurtávamos a distância um do outro a cada passo.
- Acho que só vou decidir em cima da hora, como sempre. – estava mais solta do que nos outros dias, a falar mais e a começar a mostrar um pouco do seu senso de humor. Isso agradou-me e voltei a sorrir para ela.
- Faço minhas as tuas palavras. – Ela voltou a rir, e eu senti as minhas bochechas um pouco doridas, como se o sorriso estivesse preso à cara e não a pudesse relaxar nem por um segundo.
- Ah, já consigo cheirar o chocolate quente e o caramelo a deslizar em cima do sorvete bem docinho. – ultrapassou-nos rapidamente, correndo com pela mão em direcção à barraquinha encostada ao passeio.
A barraquinha dos sorvetes estava vazia, com apenas uma rapariga encostada ao balcão, mastigando uma pastilha enorme cor-de-rosa com a boca aberta. Quando nos viu chegar, endireitou-se e sorriu-nos, fazendo um balão com a pastilha.
- Boa tarde. – A rapariga de olhos azuis-claros olhou para mim e rebentou o balão com uma dentada – O que vão desejar?
Ela olhava pretensiosamente para mim, ajustando uma madeixa do seu cabelo que estava presa no canto da sua boca. O cabelo loiro cai-lhe por cima do seu top azul extremamente decotado. Olhei para a etiqueta presa no seu peito, que dizia Tiffany. A rapariga, hum, Tiffany, parecia razoavelmente interessante. Sorri-lhe educadamente enquanto pensava comigo que, apesar disso, não estava interessado. Repentinamente o meu pensamento cessou, percebendo o que tinha dito a mim mesmo. Não estava interessado? A sério, ? Não estás interessado? O quê, agora sou gay? Acho que tenho que ir para a reabilitação, porque loiras de olhos azuis são simplesmente interessantes. É uma ciência certa.
- Então, vês alguma coisa que te interesse? – Okay, agora estava mesmo sem interesse algum. Aquilo fora sinistro. Olhei de relance para , que mostrava um ar surpreendido, talvez até um pouco assustado, mas de uma maneira delicada, em que não se consegue perceber ao certo o grau do choque.
- Eu estou primeiro. – puxou para a minha frente e o sorriso de Tiffany tornou-se muito parecido com o de uma hospedeira de bordo. Quando Tiffany lhes entregou os sorvetes, mostrou um daqueles seus ares docico-maníacos em que parece uma pequena boneca de porcelana que pretende acabar com a raça humana. olhava o seu sorvete com domínio, com medo que fosse roubado. Foram os dois para uma mesinha de metal ali do lado, com duas cadeiras frente a frente.
Assim se seguiram os outros quatro, que foram para perto de e .
- E vocês? – A rapariga falava no plural, mas olhava apenas para mim.
- Hum... – tremia a perna esquerda e tamborilava os dedos no balcão, enquanto mordia o lábio inferior, indecisa – Hum, morango... Não, chocolate... Hum... Não sei.
- Uma taça de chocolate e outra de morango, por favor.
olhou para mim franzindo as sobrancelhas, mas não perguntou nada, apenas esperou.
- Claro. – A rapariga sorriu e foi buscar as taças. Quando voltou, baixou-se levemente sobre o balcão dos sorvetes, apertando levemente o peito com os braços enquanto punha o sorvete nas taças, de maneira tal que o seu peito quase saltava da blusa. Aquilo perturbou-me um pouco e desviei logo o olhar. Minha nossa senhora, que medo.
- Aqui está. – Colocou as taças sobre o balcão e eu estendi uma nota, quase sem olhar para a rapariga. Vi guardar a carteira na sua bolsa e a sorrir-me.
- Obrigada. – Respondi rapidamente, fugindo ao olhar furtivo de Tiffany. Vi um banco perto dos outros seis, e dirigi-me até lá, visto que nunca me sentira confortável em ir ter com eles quando estão em ‘modo casal’. seguiu-me e sentamo-nos no banco.
- Obrigada pelo sorvete, mas... Qual é o meu? – sorria, à espera que eu lhe entregasse uma das taças.
- Calma, vais experimentar os dois. Depois decides qual é o teu.
- Isso não vai ajudar, mal olho para os dois e fico indecisa. – prendeu uma madeixa de cabelo atrás da orelha, e sorriu como se estivesse envergonhada por assim o estar.
- Então... Então experimenta de olhos fechados. Aquele que te prender logo será o escolhido.
- Okay... – olhou para mim uns segundos, e eu não evitei olhá-la também. Então ela fechou os olhos com um sorriso – Hum, eu não acho que me sinto muito confortável a ser alimentada à boca...
- Podes confiar em mim. – Disse a frase num tom mais baixo, mas audível para ela, que abriu levemente a boca, reprimindo o riso. Primeiro dei-lhe uma colher do gelado de morango e ela entortou um pouco a boca como se estivesse a ponderar. Depois o de chocolate, e sorriu enquanto o saboreava. Sorri-lhe quando ela abriu os olhos. – Então parece que é o de chocolate.
- Sim, parece que sim. – voltou a prender a madeixa de cabelo. Entreguei-lhe a taça e, quando eu estava prestes a provar o sorvete de morango, ela falou.
- Hum, e se eu tivesse preferido o de morango? Ficavas com qual?
- Com o de chocolate. – Okay, eu não tinha percebido a pergunta.
- Obrigada . – sorriu mais uma vez, agora enigmaticamente, antes de começar a tomar seu sorvete.
- De nada.

’s POV

- Então tu não gostas de rosas? – perguntou-me quando estávamos a subir uma leve encosta no parque. Os outros seis tinham ficado junto ao lago, cada casal em seu canto. Se não me tivesse puxado para uma volta eu creio que, a esta hora, estaria ofendida com e com as outras raparigas por me deixarem assim, à parte. Eu não costumo ficar chateada com muitas coisas, mas estava à espera de uma tarde em grupo tal como tinha sido na festa. Mas, como estava a conversar com , não tive muito tempo para deixar esse sentimento de abandono fluir no meu pensamento, e cheguei a compreender , visto que, se tivesse um namorado, também gostaria de passar uma tarde ensolarada como aquela com ele.
- Não, não gosto.
- Mas porquê? Pensei que todas as raparigas gostassem de rosas.
- Mas eu não gosto. Eu prefiro orquídeas.
- Por que é que não gostas de rosas? – parecia realmente intrigado.
- Por várias razões, talvez te explique mais tarde.
- Isso seria agradável. – ajeitava o cabelo com a mão direita e olhava meio para a frente, meio para o chão. Ele estava a ser muito legal. Sabia como me sentia deslocada sem a companhia delas três e creio que ele também gostava de ter alguém com quem conversar. Ocorreu-me então como ele se deve sentir mal toda a hora. Quando vão ao cinema, a um parque de diversões, a qualquer lado. Eles seis têm-se uns aos outros e amam-se, e não tem ninguém. Olhei-o com mais atenção e reparei nas sardas que ele tinha junto ao nariz. Sorri e ele olhou-me, surpreendido por me encontrar a olhar para ele.
- Devíamos voltar, já está a começar a ficar escuro. – Eu olhei para o céu, quebrando o contato visual. tinha razão, já deviam ser sete da noite.
- Claro, eles já devem estar à espera.
Como estava enganada. Quando chegamos, e estavam deitados na relva junto ao lago, abraçados e rindo bem alto. e estavam ainda na mesa de metal, segurava as mãos de e sussurrava-lhe qualquer coisa ao ouvido. e estavam no banco em que eu e havíamos estado, sentado e deitada com a cabeça nas suas pernas. Sorri perante a imagem. Parecia saída de um filme, três casais felizes, cada par perfeito, feitos um para o outro.
- Hum, vocês não acham que já é tarde? – entrou na imagem com a sua voz grave, fazendo as outras figuras moverem-se dos seus lugares.
- Oh meu Deus, tens razão. – levantou-se da relva e correu para junto de mim – , peço mil perdões. Convido-te para sair conosco e abandono-te completamente. A sério, nem sei como isto aconteceu. Eu estava tão entusiasmada de sairmos os oito, mas sabes, quando eu estou com o tendo a esquecer-me do resto do mundo. Mas mesmo assim! A sério, deves estar a planejar a tua fuga, devemos ter sido amigas horríveis. Bem, foi bom conhecer-te... – não se calava, cada frase com uma expressão mais alarmada. Quando ela estava a meio daquela frase ridícula eu soltei uma gargalhada e abracei-a. Assim, do meio do nada, eu pus os meus braços em volta do pescoço dela e apertei-a como aperto a minha irmãzinha mais nova quando ela está com febre.
- , tu não foste uma amiga horrível. Eu adorei a tarde, e eu não estive sozinha. E eu gostei do fato de teres estado com o . Isso só quer dizer que eu sou realmente vossa amiga e que vos estou a conhecer por completo, que não tens de me dar toda aquela atenção de cortesia que darias a um estranho ou a qualquer outro conhecido. Tu mostraste-me como vocês são, e que me vou ter de habituar à ideia. Obrigada por isso.
Quando acabei de falar, larguei o pescoço de . Ou pelo menos tentei. Mal tirei os meus braços do pescoço dela e ela agarrou-me e começou a me balançar de um lado para o outro.
- Own, eu gosto tanto de ti . Isso foi a coisa mais querida que poderias ter dito. – olhou para mim com um sorriso enorme, e antes de me ter abraçado mais uma vez, eu podia jurar que tinha vislumbrado uma pequena lágrima a querer escorrer do seu olho. Abracei-a mais uma vez e então olhei à nossa volta. Todos os outros seis estavam a ver e então e vieram aos pulinhos ter conosco e abraçaram-nos, quase me sufocando naquele monte de braços humanos. Sim, não conseguia respirar lá muito bem, mas para compensar conseguia sorrir na perfeição.

4º Capítulo – I’ll be there for you through it all

Meu, aquele JD era mesmo idiota. Nem sei como consigo ver Scrubs sem atirar com alguma coisa à televisão. Estava vendo um episódio qualquer em que ele tinha medo dos doentes. Não sei quem teve esta ideia para um episódio, mas não devia estar recebendo muito, visto que não se tinha esforçado em fazer com que aquilo parecesse plausível. Estava a tirar mais uma goma de morango do saco que estava em cima da mesinha da sala, qando o telefone começou a tocar. Estava mesmo junto ao saco e peguei-lhe para olhar para o visor. ‘ a chamar’, era o que dizia. Antes de pensar no que estava a fazer, levei rapidamente o dedo ao botão para desligar. No preciso momento que o fiz, todos os músculos do meu corpo se congelaram até que eu me apercebesse do que tinha feito. Fuck, eu tinha acabado de desligar o telefone na cara da . Que ridículo, entrei em pânico mal vi o nome dela no visor, eu estava seriamente a regredir no que diz respeito ao sexo feminino. Apressei-me a procurar o nome dela nos contactos, enquanto sentia o meu coração bater com mais força do que o costume. Quando o encontrei, encostei o telefone ao ouvido e os três bips de espera que se seguiram marcaram o ritmo do meu coração.
- Hum, ? – Disse eu, quando os bips pararam.
- . – Ela disse o meu nome como se não estivesse a espera de ser eu a atender, ou melhor, a desligar e a ligar de novo. – Olá, hum, eu liguei...
- Sim, eu sei, desculpa. Hum... Sentei-me em cima no telefone, desliguei sem querer – Gosh, quando esta conversa acabar eu juro que vou ao banheiro e me afogo na banheira. – Está tudo bem?
- Ah, não faz mal. Sim está, quero dizer, comigo está. Bem, eu estava a ligar porque tive de trazer a ao hospital e queria avisar o .
- Mas ela está bem? Quero dizer, dentro dos possíveis, visto que está no hospital... – Fiz uma longa pausa, para não prolongar o meu discurso de idiotice.
- Penso que sim, estávamos no shopping e o piso estava molhado, por isso ela caiu redonda no chão. Começamos logo a rir, mas depois ela começou a gritar dizendo que lhe doía o tornozelo e desmaiou assim, do nada.
Eu estava preocupado com , mas eu estava mais interessado em ouvir o tom de voz de do que as palavras em si.
- O está no quarto. Eu vou chamá-lo e vamos já para aí, .
- Obrigada .
Desliguei o telefone mas não me levantei logo. Fiquei alguns segundos a ouvir as palavras ‘Obrigada ’ ecoarem na minha mente, vezes sem conta. Quando a memória exata do seu tom de voz começou a desaparecer eu levantei-me e comecei a subir as escadas em direcção ao quarto do .
- Meu, levanta.
- O que foi? – estava sentado na cama com as pernas cruzadas a escrever qualquer coisa no caderno dele.
- Foi a . – Não sabia se devia dizê-lo logo, preocupando-o desnecessariamente, ou se devia dizer que tínhamos só de ir ter com ela, fazendo-o de burro – Não te preocupes, não é nada grave.
Quando eu disse estas palavras, levantou-se da cama num salto, e uma expressão de proteção assolou-lhe a cara.
- O que aconteceu, ?
- A ligou, elas estavam no shopping e a escorregou. Acho que desmaiou depois de ter magoado o pé, mas não deve ser nada de grave. – Eu já sabia o que ia acontecer a seguir. pegou a carteira e as chaves do carro em dois rápidos gestos e os pôs no bolso, enquanto passava a correr por mim. Não interessava a gravidade do assunto, se tivesse a ver com , ele ia a correr.
- Espera por mim. – Corri (leia-se voei) pelas escadas abaixo e segui em direção à porta. e tinham ido aos Correios fazer sabe-se lá o quê, e nós estávamos sozinhos. Corremos para o carro (o correu, eu segui) e quando dei por mim já estávamos no estacionamento do hospital. Fomos até a entrada das urgências e olhamos à nossa volta na sala de espera. De repente, o meu olhar encontrou dois olhos castanhos, que também olhavam em volta. depressa nos encontrou e se levantou do lugar, vindo em nossa direcção.
- ... – abraçou levemente, sem parar de olhar em volta – Como é que ela está? E onde? Está sozinha?
- Calma , ela está num quarto a ser observada. Os médicos dizem que ela desmaiou por causa da dor no pé e que só estão a fazer estes exames para ter a certeza que foi só isso mesmo. – tocava-lhe no braço num gesto reconfortante, visto que estava claramente mais descansado.
- Mas ela ainda não acordou?
- Não, mas os médicos dizem que é normal. Que mal ela acorde pode ir para casa. Vai ter que usar uma ligadura no tornozelo, mas de resto está ótima.
- Graças a Deus. Onde é que ela está?
- Naquele quarto ali.
- Obrigada , a sério.
sorriu-lhe enquanto ele virava costas e se dirigia ao quarto que ela tinha apontado. Depois olhou para mim.
- Obrigada por teres vindo logo, eu não sabia o que era suposto eu fazer... As meninas tiveram uma reunião na escola, e eu não tinha o celular do , estava tão preocupada... – Quando falava, a voz estremeceu um bocado, e vi os olhos dela ficarem um pouco brilhantes com lágrimas a formarem-se.
- , agora está tudo bem. – Abracei-a rapidamente, com medo que ela começasse a chorar – Ela está bem, tu própria o disseste.
- Eu sei, mas foi um susto grande. – Soltei-a e vi que as lágrimas não se tinham soltado, estava mais calma e estava a sorrir de novo.
- Vamos vê-la? – Mostrei-lhe a minha mão, para que ela me seguisse. Ela agarrou-a e sorriu-me pela milionésima vez.
- Claro.
Eu respondi-lhe com um sorriso, que foi seguido por um dela, e fomos juntos até ao quarto da .
- O médico ainda não chegou. – Disse mal entramos no quarto. estava ainda a dormir, e tinha uma marca vermelha na testa, mostrando que devia ter caído de cabeça. estava sentado ao lado dela, afagando-lhe o cabelo perto da ferida.
- Eu não reparei nessa marca na testa. – aproximou-se e tocou na cabeça de com a ponta dos dedos. Tinha as unhas pintadas de vermelho e um anel num dos dedos.
- Como assim? – passou a olhar para .
- Eu pensei que ela tinha caído de outra maneira, não pensei que fosse de cabeça. – Quando percebeu o que tinha dito, olhou para , vendo o mesmo que eu. O seu olhar estava de novo preocupado, olhando para como de fosse o seu último dia.
- Meu, não deve significar nada. Os médicos teriam reparado se fosse mais grave. – Aproximei-me dos dois quando o olhar de pedia ajuda.
- Claro que pode. Se a não reparou, os médicos também não devem ter reparado. Essas marcas não aparecem instantaneamente, os médicos podem perfeitamente não ter reparado. – tinha-se levantado e andava de um lado para o outro. Nenhum de nós respondeu, porque ele tinha razão.
- Boa noite, são os amigos da ? – Uma enfermeira tinha entrado no quarto e quase correu para ela.
- Sim, somos. Já fizeram os exames? E já repararam na cabeça da ? Tem uma marca na testa, deve ser importante... – estava muito nervoso, parecia um drogado sem dinheiro para alimentar o seu vício.
- Os exames estão a ser feitos, e não, penso que ela não tem marca nenhuma. – A senhora baixinha com cabelo cor de laranja aproximou-se da e olhou para a testa dela. Fez uma expressão que mostrava que lhes tinha falhado uma coisa. Estava preocupada, mas tentou não o deixar transparecer porque o já parecia um lunático e só com a informação atual.
- Tem razão, realmente... Vou informar o médico, agora não se preocupe e espere pelos exames. – A senhora sorriu preocupada para o , sabendo que ele se estava a sentir pessimamente, saindo logo à procura do médico.
- Eu tenho de ir ao banheiro.
não disse mais nada e saiu pela porta do quarto, deixando-me a mim e a com a adormecida.
- A culpa é minha... – Quando olhei para ela, estava sentada na cadeira ao lado da cama com a cabeça enterrada nas mãos.
- O que é que estás a dizer? Ela escorregou, . – Aproximei-me um pouco dela sem ter a certeza do que devia fazer.
- A culpa foi minha, ... E agora isto pode ser mais grave do que pensamos. – A voz dela estava mais baixa e saía abafada pelas mãos – A culpa foi minha.
Peguei outra cadeira e sentei-me ao lado dela.
- Por que é que dizes isso, ?
- Nós estávamos a vir embora quando eu reparei que tinha deixado a minha bolsa numa mesa na zona de alimentação... Se eu não me tivesse esquecido da mala, a não tinha caído e não estávamos aqui.
- , de qualquer maneira ela vai ficar bem, eu tenho a certeza que foi só um susto.
- , isto é grave. Ela não está bem, e não sei se vai ficar. Se o soubesse ia me odiar. Tu também me deves odiar.
- , nunca digas isso. Nunca. – Vi uma lágrima a escorrer na mão dela e pus o meu braço à volta das costas dela. – Eu não te odeio, tu não tiveste culpa, foi um acidente. – A cabeça de levantou-se uns centímetros. olhou para cima e vi que as lágrimas escorriam pelas suas bochechas, caindo no seu colo. Levantou-se e andou até perto da porta. Custava-me tanto ver aqueles olhos castanhos assim, marejados de lágrimas.

’s POV

Estava tão assustada. Eu estava a ficar muito próxima de e de repente acontece isto. Nunca pensei que fosse sério, mas agora que percebia a possível gravidade, lembranças aterradoras assolavam-me a memória.
Tinha medo de tudo, de perder a minha nova amiga, de trazer tristeza ao resto do grupo e que eles me odiassem para sempre. Eu sentia mesmo que a culpa era minha, como se tivesse de ter adivinhado que algo de mal ia acontecer se eu me desse com eles. Estava encostada a parede, sobre o olhar preocupado de . Eu não sabia se ele não me odiava mesmo, porque ele não parecia tão preocupado como eu ou .
- Isto não pode acontecer de novo... Não pode.
Comecei a sentir leves soluços presos na minha garganta e pus os meus braços à minha volta, sentindo medo e frio. Fechei os olhos e senti algo a rodear-me também, seguido de uma leve respiração no meu pescoço. Instintivamente, fechei os olhos o máximo que podia e abracei com os dois braços, agarrando-lhe a camisa com força e deixando as minhas lágrimas molharem-lhe os ombros. Tinha tanto medo, tinha medo do que podia acontecer e de não saber o que estava para vir. Agarrei com força e senti o cheiro da sua camisa, que me acalmava pouco a pouco. Abracei-o com força e deixei-o abraçar-me.

’s POV

Algo tinha acontecido a e eu não sabia o que era. Não lhe perguntei o que era aquilo que não podia acontecer outra vez, nem precisei de o fazer. Quando ela quisesse, fá-lo-ia, mas neste momento ela precisava que a amparassem, sem perguntas nem promessas que não podiam ser cumpridas. Passamos alguns minutos só assim, abraçados, até que a respiração de começou a ficar estável e os seus soluços começaram a cessar. Soltamo-nos gradualmente e eu limpei-lhe as lágrimas do rosto. Nenhum de nós falou e entrou no quarto.
- O médico deve estar quase a chegar, disse a enfermeira. – Ele foi até a cadeira mais próxima sem olhar para nós, tinha o olhar fixo na . Mal ele acabou a frase, um médico entrou no quarto a olhar para um ficheiro qualquer.
- Boa tarde. Aliás, boa noite. – O médico olhou pela janela com a maior calma do mundo, e só me apetecia bater-lhe, só de ver a expressão de angústia na cara de e .
- O que dizem os exames? – levantou-se da cadeira.
- Apesar de a... – O médico olhou para a ficha para confirmar o nome – ter caído de cabeça, pensamos que os danos foram só ao nível do tornozelo. Não existem motivos para preocupação, ela vai sair impune apenas com um pé magoado e um galo na cabeça. – O médico sorriu-nos, especialmente para , que estava lívido à espera da resposta.
- A sério? Que bom, que bom, que bom. Meu Deus, estava tão preocupado. – beijou na testa e já nem parecia o mesmo, a sua expressão infantilmente feliz estava de volta para ficar.
- Quando ela acordar, podem levá-la para casa. Gostaria que o responsável por ela preenchesse uns papéis, podiam chamar os pais dela...
- Não é necessário, eu faço-o. – não tirou os olhos de quando respondeu.
- Muito bem, então estão aqui. – Como já não estava a prestar atenção, eu peguei os papéis e o médico foi-se embora.
Olhei para , e fiquei aliviado quando vi que ela estava a sorrir levemente, daquela maneira dela.
- Vês? Está tudo bem. – Ela olhou para mim com o seu sorriso ainda na cara e eu dei-lhe um beijo na testa. – Se calhar até foi pelo melhor, para o não se esquecer do quanto gosta dela.
sorriu-me.
- Obrigada .
- Não tens de quê, .


CONTINUA...