
Beautiful Mess
Autora: Nina
Beta-Reader: Louise
‘Cause I'm always where I need to be.
Ela nunca tivera muita certeza sobre nada na vida. Não tinha certeza sobre quem queria ser e talvez não soubesse ao certo nem quem era. Não se prendia a planos, não se prendia ao futuro ou ao passado. Ela queria viver e queria o agora. Queria todos os momentos, os bons, os ruins. Queria absorver cada coisa que pudesse lhe acontecer, queria tirar uma lição, aprender, chorar, rir. Queria poder ser ela mesma sem julgamentos, sem preconceitos, sem idéias pré-concebidas. Ela queria tanta coisa, mas seu desejo mais forte era somente um. Ela queria se apaixonar e sentir, viver aquilo com todas as forças. Queria rir, sentir saudade, receber ligações no meio da madrugada, fazer alguma loucura, beijar de baixo de uma chuva torrencial, brigar, gritar e ser calada com um beijo. Queria gritar de felicidade e chorar de tristeza. Não sabia ao certo se queria amar. Talvez isso deixasse as coisas complicadas de mais. Talvez não fosse tão bom. Ainda era jovem e queria se lembrar daquilo. Da grande paixão que viveu no passado, que a fez tão bem e que a despedaçou, a fez fraca e logo depois forte. Ela queria tudo. Mas ela não tinha muito certeza sobre quem era.
Ele não gostava de se prender a ninguém. Não queria dar satisfações, não queria sentir mais do que o necessário. Era um garoto de dezoito anos que queria aproveitar cada momento com os amigos. Rir de cada piada, criar as próprias. Chamar atenção das garotas certas e, quem sabe, das erradas também. Ele sabia o que queria, sabia onde queria chegar e sabia exatamente o que fazer para conseguir, mas nunca se esquecia. Era apenas um garoto, mais um cara no meio de um monte que queria ter histórias engraçadas para contar. Não tinha medo de responsabilidades, mas se pudesse evitá-las, ele não reclamaria. Queria dirigir rápido, sentir o vento no rosto e gritar sua música preferida no meio da estrada. Pular do alto de uma cachoeira, mas não tão alto. Ele era aventureiro, não burro. Queria tirar notas suficientemente boas para conseguir passar de ano e agradar os pais. Queria aproveitar aquele último ano de colegial e, principalmente, queria aproveitar cada segundo. Mas ele não gostava de se prender a ninguém e evitava responsabilidades.
estava jogada na cama do quarto, encarando as estrelas coladas no teto branco e sorrindo de leve. Sabia que suas bochechas estavam coradas pelo sol que tinha tomada mais cedo, na praia com as amigas. E podia senti-las quentes. Ela gostava daquela sensação, sentiria falta quando fosse para a faculdade no próximo ano. Brighton era seu lugar, sua casa, onde seu coração estava. Escutou alguma coisa cair no banheiro e riu. sempre derrubava tudo, em qualquer lugar que estivesse. Virou-se para o lado esquerdo e encolheu as pernas, Almost Lovers tocava baixinho no som. Aquela música conseguia realmente mexer com ela. Algo que ela nunca tinha sentido, nunca tinha ficado sem ar por causa de ninguém. Uma vez até pensou que fosse acontecer, mas fora mera imaginação. Escutou um palavrão baixinho soar no banheiro e se levantou. Se não interviesse, talvez toda sua maquiagem e banheiro estivessem destruídos no sofá. Andou até a porta do banheiro e encostou-se ao batente rosa-claro. tentava curvar os cílios, mas se atrapalhava na hora de apertar o aparelho.
“Você podia ter me chamado para ajudar.” – a morena falou, já esperando o olhar desaprovador da amiga. Ela sempre queria fazer tudo sozinha, por mais que não soubesse. Sentia um pouco de inveja dessa independência da melhor amiga.
“Não preciso de ajuda. Se não aprender agora, não aprendo nunca.” – bufou irritada e rolou os olhos. – “Não é tão difícil, quer dizer, você consegue.”
“Muito obrigada pela parte que me toca.” – fez uma careta e se sentou na tampa do vaso sanitário, abraçando as pernas. – “Sabe, se você ficar mais meia hora tentando curvar seus cílios, nós vamos chegar ao final do lual.”
“Ah, não, eca.” – suspirou e passou o curvex para . – “Final de lual só dá duas coisas: bêbados e maconheiros.”
“Nós já ficamos até o final de alguns luais.” – comentou, enquanto posicionava o curvex nos cílios da outra.
“Mas foi porque nós somos meio loucas e quisemos ver o sol nascer e nadar, todas essas coisas de meninas loucas e legais.” – ela deu de ombros e riu. – “Então, você pretende achar seu príncipe encantado essa noite ou o quê?”
“Não quero um príncipe encantando, .” – jogou o curvex na nécessaire azul clara e foi em direção a poltrona em que sua bolsa estava jogada. – “Só quero me apaixonar.”
“Não é fácil.” – balançou a cabeça e suspirou. – “Mas se é isso que você quer, te apoio. E prometo não dizer ‘eu te avisei’, quando você estiver com o coração partido.”
deu de ombros e desligou o som. Não podia culpar a amiga por ser tão pessimista. Ela já tinha passado por aquilo, já tinha vivido uma grande paixão com tudo que tivesse direito, mas tinha se entregado de mais e não soubera a hora de parar. Então, teve seu coração totalmente quebrado quando viu o garoto com quem estava há quase oito meses, ficando com outra em uma festa. Ela dizia que o detestava e fazia questão de demonstrar aquilo, mas não enganava . Ela sabia que tanto quanto ainda se gostavam muito, mas ambos eram os seres mais orgulhosos já colocados no mundo.
“Não é como se eu me importasse com isso.” – sorriu e pegou a bolsa que estava em cima da poltrona. – “Eu quero tudo. As partes boas e as ruins também.”
“, às vezes me pergunto por que você é tão esquisita.” – cruzou os braços e balançou a cabeça. – “É a única pessoa que eu conheço que quer sofrer de amor.”
“Não é amor, é paixão.” – fez uma careta para a melhor amiga, apagou a luz do quarto e saiu para descer as escadas. – “Garanto que muita gente pensa do mesmo jeito, mas como eu sou a única pessoa que você conhece de verdade, então, é a única que você sabe que quer tanto o ruim quanto o bom.”
“Você e toda sua vontade de viver.” – riu e abraçou a amiga pelos ombros. – “Às vezes te acho esquisita, às vezes te admiro. Deve ser por isso que nós somos melhores amigas.”
“Idem para você.” – riu e foi até a cozinha onde os pais estavam jantando para avisar que já estava de saída. – “Pessoas que eu amo, estou indo.”
“Não chegue muito tarde.” – a mãe de olhou para ela e sorriu.
“E não dê muita confiança para os garotos, vocês duas, aliás. Eles podem ser traiçoeiros.” – o pai dela falou, com um tom que misturava piada com alerta.
“Okey.” – rolou os olhos e riu. Ela e saíram da cozinha jogando beijos no ar e saíram logo pelas portas do fundo. Não precisariam ir de carro, já que a casa de era quase na praia.
“Então, eu estava pensando...” – falou enquanto elas desciam uma ladeira. – “Se o estiver nessa festa, existem duas opções. Ou dou uma de superior e finjo que nada está acontecendo ou nem olho na cara dele e finjo que nada está acontecendo. Qual é melhor?”
“, sinceramente, vocês deviam dar um jeito em toda essa situação doida.” – deu de ombros. – “Não é como se vocês não se gostassem mais ou coisa do tipo.”
“E quem te disse que eu gosto dele?” – forçou uma risada de escárnio e balançou a cabeça.
“Não precisa dizer, eu te conheço melhor do que ninguém.” – a morena sorriu e desceu as escadas que davam para a praia. Já podiam ver as pessoas espalhadas, perto da fogueira. Tinham montado espaço para uma banda, pelo que parecia. Tinha instrumentos por todos os lugares e tendas coloridas faziam a decoração daquilo tudo. Geralmente, os luais não eram tão montados assim, mas aquele era o primeiro do ano, então, os estudantes do último ano tinham decidido por uma coisa mais organizada. Quando as garotas finalmente colocaram os pés na areia, olharam uma para outra e sorriram. Um sorriso que trazia todas as expectativas para a primeira grande festa daquele ano. Para aquele ano. O ano que mudaria a vida de .
Lizzie estava sentada na areia, com as pernas estiradas, encarando o mar e sentindo o vento no rosto. Ela adorava aquilo. Simplesmente sentir. tinha sumido já havia quase uma hora. tinha aparecido, parecendo muito deprimido e pedindo para eles conversarem. ainda tentou se fazer de indiferente, rolou os olhos, cruzou os braços, mas quando ele pediu pela segunda vez, ela decidiu que talvez não fosse tão ruim assim escutar o que ele tinha para falar. riu. A melhor amiga era a pessoa mais complicada e engraçada que ela já conhecera na vida. Suspirou e abraçou-se, ainda com o sorriso leve nos lábios. Talvez não fosse exatamente naquela festa que ia se apaixonar. Não era de se preocupar de mais, ou apressar as coisas. Esperaria que acontecesse e tinha certeza, que aconteceria naquele ano. Fechou os olhos. Sentiu algo bater em sua panturrilha e olhou para os lados assustada, vendo apenas um par de pernas masculinas. Levantou os olhos.
Ele estava com uma camiseta do Elmo. O que meio que a fez rir. Ele era engraçado de uma forma diferente. O cabelo parecia nunca ter encontrado pente, já que as mechas iam para todos os lados. Os olhos eram de uma cor incrível e as suas bochechas meio vermelhas e o nariz longo davam um jeito meio infantil ao rosto quase de homem. Ele balançou a cabeça e pareceu confuso, dando de ombros e sorrindo. Aquilo fez com que, de alguma forma, ela sentisse um frio esquisito na barriga e vontade de sorrir de volta. Ela nem sabia o nome dele, mas apostava que tinha encontrado o que queria.
O cabelo longo com algumas mechas mais claras pelo sol balançava de uma forma esquisita e hipnotizante com o vento. Ela tinha os olhos pequenos e iguais ao cabelo. Uma mistura de claro e escuro. Sorriu de uma forma infantil quando ele sorriu para ela. Um sorriso simples, mas daqueles sinceros, aquele com os olhos. As bochechas estavam vermelhas e ela parecia quente, confortável dentro do casaco rosa. Parecia à vontade consigo mesma e com ele. E, pela primeira vez, não sabia exatamente o que sentia em relação a aquela garota. Mas era uma daquelas que ele queria chamar atenção. Queria muito.
“Desculpa por isso. Não te vi, acho que estou meio bêbado.” – ele coçou a nuca e se sentou ao lado dela. – “Machucou?”
“Não, não foi realmente um chute ou coisa do tipo.” – ela deu de ombros e sorriu. – “Meio bêbado?”
“É, eu não bebi muito, mas sei lá.” – ele fez uma careta. – “Fiquei tonto.”
“São as conseqüências do álcool.” – encostou a cabeça na mão esquerda e o encarou.
“Não que eu fique tonto constantemente, mas hoje muita coisa está me fazendo ficar tonto.” – ele voltou seu rosto para ela e sorriu de lado. – “Acho que não é um bom dia.”
“Sempre é um bom dia, por pior que pareça.”
“Talvez sim.” – deu de ombros e sorriu. – “Vou me lembrar disso.”
“.” – ela falou o nome depois de um tempo em silêncio - em que os dois se encararam, apenas sorrindo.
“.” – ele deu um beijo na bochecha dela e sorriu envergonhada. Talvez ela tivesse achado o que queria. E talvez estivesse diante do que faria seus dias bons, por pior que parecessem.
That somewhere somehow you've passed me by;
estava no meio da praia, encarando as chamas coloridas da fogueira e franzindo o cenho. Olhou para o lado e observou o garoto alto, os cabelos bagunçados e tão diferentes. Ela queria tocá-los. Sorriu como costumava fazer quando era criança e se aproximou dele. riu e balançou a cabeça. Ela sentiu algo esquisito no estômago e, de repente, tudo virou uma bagunça de imagens. Escutou o barulho da porta de seu quarto e alguém deitando ao seu lado na cama. Abriu os olhos devagar e suspirou confusa. Tinha sido um sonho, mas parecia ter sido tão real. Ela ainda lembrava-se do sorriso de . Para falar a verdade, era a única coisa que tinha em sua cabeça há quatro dias, desde a noite no lual. Ficou irritada por alguns instantes. Não conseguia entender por que não tinham trocado o número dos telefones. Voltou a fechar os olhos e as imagens do sonho lhe vieram à cabeça de novo. Eles tinham conversado quase até de manhã naquele dia, ele tinha ficado sóbrio com o tempo. Ele a fazia rir como ninguém nunca tinha feito. Qual era o problema com ela, afinal?
Ela nem o conhecia.
“Sei que está acordada, não adianta fingir.” – A voz de soou ao seu lado e sorriu. - “Hoje, nós vamos passar o dia na praia.”
“, nós saímos todos os dias.” – virou com a barriga para cima e encarou o teto do quarto, com os olhos meio fechados, sonolenta ainda. – “Não podemos ficar em casa?”
“Elizabeth, é nossa última semana de férias.” – falou indignada e riu. – “Depois que as aulas começarem, vou escutar você reclamando no meu ouvido que não temos tempo para nada e que queria sair, portanto, vamos aproveitar enquanto podemos.”
“Okey, você me convenceu.” – se espreguiçou e sentou-se. “Você acha que talvez hoje eu consiga?”
“O quê?” – saiu da cama e foi até as cortinas para abri-las. – “Reencontrar seu príncipe encantado e imaginário?”
“Não é meu príncipe encantado e já disse que não é minha imaginação.” – jogou a almofada mais próxima nas costas da amiga. – “Ele existe!”
“Estou brincando, mas é que é meio estranho vocês não terem se encontrado mais. Quer dizer, nós saímos todos os dias desde o lual e ele, simplesmente, desapareceu.”
“Talvez ele seja de fora e já tenha ido embora.” – deu de ombros e se levantou. – “Talvez eu esteja meio obsessiva com essa idéia de me apaixonar.”
“Bom, nós vamos à praia. Talvez vocês se encontrem por lá e toda essa coisa louca de destino aconteça.” – deu de ombros e abriu a porta da varanda do quarto da amiga. – “Vai se arrumar.”
“Eu estava bêbado, talvez fosse uma alucinação ou coisa do tipo.” – falou sentado em uma das cadeiras que tinham em frente ao balcão da cozinha da casa de .
“Cara, você está ficando louco.” – balançou a cabeça, enquanto cortava bananas para fazer sua vitamina matinal.
“Talvez.” – deu de ombros e passou a mão pelos cabelos, bagunçando-os mais ainda. – “O que me deixa mais confuso é que tenho certeza de que, com o tempo, fui ficando sóbrio e ela continuava ali... O sorriso dela.”
“Você nunca ficou assim por nenhuma garota, quer dizer, teve a Kelly, mas depois você desanimou, como sempre.” – rolou os olhos e riu.
“Não é como sempre.” – fez uma careta e encostou a cabeça na mão esquerda. – “Ela é meio diferente e a gente nem se beijou, nem nada.”
“Nós passamos quatro dias procurando por essa garota pela cidade toda e nada.” – balançou a cabeça negativamente. – “Você precisa relaxar e deixar as coisas acontecerem.”
“Sempre que eu relaxo e deixo as coisas acontecerem, elas simplesmente não acontecem.” – Ele voltou a encostar as costas na cadeira e suspirou.
“Então, pára de pensar um pouco nisso, o que for.” – ligou o liquidificador, e, por algum tempo, foi escutado apenas o barulho do aparelho. cruzou os braços e franziu o cenho. Por que mesmo não tinha pedido o numero do celular dela? Desde quando era tão imbecil? Suspirou. O sorriso dela. O sorriso de não saía de sua cabeça e aquilo estava começando a enlouquecê-lo.
Já fazia algumas horas desde que e tinham chegado à praia. Poderiam passar o dia todo naquele lugar, pisando na areia fofa, encarando o mar e sentindo a brisa leve no rosto e nos cabelos, se pudessem. Elas simplesmente amavam aquilo.
“Vou dar um mergulho.” – puxou o fone de ouvido de para que ela escutasse. – “Você vem?”
“Não, não gosto de ficar de vela.” – sorriu e rolou os olhos, fazendo uma careta para a melhor amiga, tentando demonstrar raiva. estava surfando e tinha passado o tempo todo fingindo que não tinha visto o ficante? Era difícil definir os dois. Amigos com benefícios? Não, eles eram mais que aquilo. Eles eram complicados e totalmente apaixonados, era a única definição que poderia dar naquele momento.
Quando finalmente parou de surfar e chegou até onde as duas estavam para cumprimentá-las, disse que ia descansar um pouco com os amigos e depois dar um mergulho. as convidou, mas fez olhando para . sabia o que aquilo queria dizer e sabia muito bem ler nas entrelinhas.
“Como se eu fosse mesmo ficar com o .” – A amiga falou, antes de sair andando pela areia, e deu de ombros. Já escutara aquilo tantas vezes que nem se impressionava mais quando os dois acabavam ficando todas as vezes que falava aquilo. Voltou a colocar o fone de ouvido e fechou os olhos. The Kooks, era definitivamente música de praia. Aproveitou a sombra do guarda-sol, já que não queria se queimar e pensou que talvez conseguisse cochilar um pouco. Voltar aos seus sonhos esquisitos com lhe parecia muito convidativo naquele momento. Já estava quase dormindo quando sentiu algo tocar sua cintura. Abriu os olhos e virou para o lado, encontrando uma vermelha de plástico. Era normal, aquilo sempre acontecia, ela era um ímã para objetos ou coisa do tipo. Sentou-se e pegou a bola para devolver ao dono, ergueu os olhos e pensou que, por um momento, tivesse realmente dormido. Seu coração acelerou e o estômago revirou de uma forma estranha, daquelas de quando você está com medo ou muito ansioso para que algo aconteça. estava em pé, apenas com uma bermuda, os cabelos parecendo mais desalinhados que o normal e o sorriso que ela tanto queria voltar a ver.
“Pensei que você estivesse dormindo.” – Ele falou e sorriu. sentiu um arrepio passar pela coluna. – “Não quis te acordar.”
“Não acordou, talvez, se tivesse chegado uns cinco minutos mais tarde.” – se levantou e devolveu a bola para ele. – “Acho que isso é seu.”
“Na verdade, não.” – Ele deu de ombros e riu. – “É de um garotinho.”
“Você roubou a bola de um garotinho?” – fez cara de espantada e riu. – “Que tipo de pessoa é você, ?”
“Não, não roubei.” – Ele balançou a cabeça. – “Tive que comprar um picolé para ele por dez minutos com a bola. Não queria te acordar de mal jeito, se você estivesse dormindo ou coisa do tipo.”
“Muito obrigada!” – colocou uma mecha do cabelo atrás da orelha.
“É bom te ver, sabia?” – falou, enquanto apertava a bola nervosamente.
“Também acho.” – Ela sorriu e encolheu os ombros quando uma brisa bateu leve. – “Você meio que sumiu desde aquele dia.”
“Na verdade, não.” – franziu o cenho e balançou a cabeça. – “Você que sumiu, quer dizer, saí com os meus amigos todos os dias.”
“Também saí com minha amiga todos os dias.” – olhou para o mar, em busca da figura da melhor amiga. Queria que visse que aquele garoto não era só imaginação dela. era muito melhor que sua imaginação.
“Então, acho que a gente ficou se desencontrando o tempo todo.” – Ele sorriu de lado e resolveu se aproximar um pouco mais. Não que ele fosse fazer qualquer coisa, só queria estar um pouco mais perto da garota. – “Escuta, eu andei pensando e...”
“Minha irmã falou que já passou dez minutos, quero a bola.” – Um menino com os cabelos cacheados e cerca de cinco anos se intrometeu no meio dos dois e olhou para .
“Ah é, desculpa.” – coçou a nuca, envergonhado, e sorriu, achando aquilo fofo e sexy ao mesmo tempo.
“Ele parecia meio irritado.” – falou, depois que o menino deu de costas e saiu correndo para onde a irmã estava esperando.
“As crianças não ficam muito felizes quando nós tiramos os brinquedos delas, sei disso melhor do que ninguém.” – Ele suspirou, e continuou o encarando, para que ele desse uma explicação para aquilo. – “Não, não é como se eu tivesse filhos por aí ou coisa do tipo. Tenho uma irmã mais nova.”
“Pensei nisso, mas como você parou de falar do nada, eu pensei... Bom, nada contra quem tem filhos na nossa idade, é só que... Não sei, eu...” – se interrompeu sentindo as bochechas vermelhas. Por que ela tinha que começar com os monólogos confusos dela bem na frente de ?
“Acho que entendo.” – Ele assentiu. Ela ficava tão bonita quando estava envergonhada. Era outro lado de que ele estava descobrindo e definitivamente queria descobrir tudo sobre aquela garota. – “Então, como eu estava falando antes de ser interrompido pela criança enfurecida e tudo o mais... Vai ter uma festa na casa de um amigo hoje à noite.”
“Legal!” – ela assentiu e olhou para o mar. Encarar os olhos dele por muito tempo era prejudicial a sua sanidade. Ele tinha os olhos mais lindos que ela já tinha visto.
“Você quer ir?” – Ele encolheu os ombros e ela voltou sua atenção para ele, novamente. – “Pode levar quem quiser.”
“Vou ver com meu namorado.” – Ela segurou o sorriso e assentiu, parecendo extremamente decepcionado. – “É brincadeira.”
“Ah, que ótimo.” – Ele falou aliviado e sentiu um rubor tomar conta de suas bochechas, mordendo o lábio inferior para não sorrir. – “Quer dizer, não que seja ótimo você não ter namorado... Esquece.” – ele balançou a cabeça e riu. Não conseguiu segurar. Alguém chamou por e ele virou o rosto. Um amigo estava o chamando. – “Estou de carona com ele, tenho que ir. Me passa seu celular para eu te mandar o endereço da festa?” – Ela assentiu e passou o número de seu celular, enquanto observava ele gravar na memória do dele. – “Te vejo mais tarde.” – Não era uma pergunta, era uma afirmação. meio que gostou daquilo. Talvez ela estivesse começando a gostar demais de . E , definitivamente, estava gostando demais dela.
Well I'll state something rash, she had the most amazing... smile;
se olhou no espelho de corpo inteiro que tinha no quarto e depois rodou o corpo. Fez uma careta e pediu mentalmente que chegasse logo, ela precisava da melhor amiga. O vestido cinza parecia bem no seu corpo, o laço estava amarrado corretamente, do jeito que ela gostava das coisas. As sapatilhas pretas de veludo estavam nos pés e pareciam combinar com o resto da roupa. O cabelo preso pela metade dava um ar leve às suas bochechas avermelhadas pelo sol. Pelo menos, não perceberia se ela ficasse com vergonha. Sorriu de leve e balançou a cabeça. Todo o problema com a roupa era ridículo, ela nunca tinha se vestido para impressionar nenhum garoto. Apenas para si. Mas, dessa vez, parecia ser diferente. A expectativa quanto aquilo a estava deixando louca, tinha certeza. Passou a mão pelo rosto e suspirou, meio irritada. Sentou-se na cama e pegou o celular que estava largado em cima do colchão. Qual era o problema com ? Ela quase nunca se atrasava. Deitou atravessada na cama e encarou o teto do quarto, em silêncio. Ficou algum tempo refletindo sobre todos aqueles sentimentos confusos que já tomavam conta dela. Quer dizer, ela nem conhecia direito, como poderia estar toda encantada por ele? Como poderia só pensar nele desde a noite do lual? Rolou os olhos e resmungou, virando-se de lado. Escutou batidas na porta do quarto e gritou para quem quer que fosse, entrasse.
“Desculpa, desculpa.” – Escutou a voz da amiga e se levantou. – “Desculpa, mas o passou a tarde lá em casa e eu acabei perdendo o horário de me arrumar.”
“ passou a tarde na sua casa?” – arqueou as sobrancelhas e rolou os olhos, balançando a cabeça.
“Vendo filme, .” – Ela se encarou no espelho de corpo todo, como tinha feito minutos atrás. – “Ah, você não vai acreditar.”
“Em quê?” – pegou a bolsa que estava em cima da poltrona perto da escrivaninha e se virou para . Ela parecia empolgada e receosa, ao mesmo tempo.
“ conhece o . Eles são muito amigos, pelo que ele falou.” – sorriu, mas logo depois fez uma careta. – “Só tem um problema, quer dizer, ele disse que o não pára quieto com ninguém.”
“Resumindo, ele pega todas.” – Ela encolheu os ombros. – “Não é como se eu fosse ter alguma coisa com ele, ou coisa do tipo.”
“Não é como se você fosse ter alguma coisa com ele.” – repetiu a amiga, balançando a cabeça. – “Claro que não, tirando o fato de que você só pensa e fala nele, ultimamente.”
“Muito engraçado, .” – deu língua para ela e a empurrou porta afora. A amiga resmungou, enquanto saía do quarto. – “A gente já se atrasou o suficiente, pára de reclamar.”
estacionou o carro em frente à casa do endereço que tinha passado mais cedo por mensagem. Era a casa de um tal de , que parecia conhecer também. Qual o problema com ele, afinal? Tinha todos aqueles amigos e nunca apresentara ninguém. desconectou o ipod do rádio do carro e o guardou na bolsa. As duas andaram até a porta da casa que estava aberta, revelando um monte de pessoas espalhadas pela sala da casa. Alguns bebendo, cantando alto a música do All Time Low que saía das duas caixas de som enormes que deviam ter sido colocadas ali mais cedo. Um grupo estava jogando pôquer no balcão da cozinha. se empolgou, ela adorava pôquer. a puxou pela mão para que andasse mais rápido e foi atrás da amiga até uma porta de vidro enorme para os lados, que dava em um quintal enorme, com piscina e rede de vôlei. O tal de parecia realmente ter dinheiro. Algumas pessoas estavam gritando dentro da piscina e as meninas riram, fazendo careta uma para outra.
“Ali.” – apontou para uma mesa que tinha perto da churrasqueira e o coração de acelerou automaticamente quando ela viu gargalhar de alguma coisa que os amigos dele tinham acabado de falar. Entre eles, estava . Sentiu a amiga puxá-la com mais força e mais rápido. Ela sempre andava mais rápido quando via e eles pareciam estar bem, então, ela não reclamou. – “Oi.”
“.” – foi o primeiro a se levantar e dar um selinho demorado na garota, em meio a um abraço de urso. Todos riram. – “Pessoal, essa é a e essa é a .” – deu um beijo no rosto da outra e ela sorriu, acenando para todo mundo. – “Mas parece que o já conhece, já que ele não parava de perguntar quando vocês iam chegar.”
“Obrigado, .” – sorriu sem graça e agradeceu mentalmente pela vermelhidão que o sol da tarde tinha dado a sua bochecha. Se bem que talvez fosse possível ela ter ficado mais vermelha quando se levantou e lhe deu um beijo na bochecha. – “Oi.”
“Oi.” – Ela sorriu de leve e escutou um grito vindo da piscina. Todos se viraram para ver o que estava acontecendo e era apenas uma escandalosa, tentando chamar atenção de algum garoto.
“Quer beber alguma coisa?” – rolou os olhos e fez uma careta quando a garota voltou a gritar. – “Ou quer sair daqui para não ter que agüentar isso?”
“Quero.” – Ela balançou a cabeça e seguiu com ele, de volta para o interior da casa. Olhou para trás e viu , sorrindo. Daquele jeito de novo. Empolgada e receosa. falou alguma coisa em seu ouvido e ela encolheu os ombros. voltou a olhar para frente e caminhou ao lado de , silenciosamente, até a cozinha. O pessoal do pôquer ainda estava jogando e ela mordeu o lábio inferior, com vontade de juntar-se a eles. – “Você joga pôquer?”
“Jogo.” – a encarou confuso por causa da pergunta repentina e depois voltou sua atenção ao balcão. – “Se quiser, peço para a gente entrar no jogo.”
“Quero.” – Ela deu um sorriso infantil e sentiu vontade de abraçá-la como tinha feito com minutos atrás.
“Okey, só vou pegar alguma coisa para a gente beber, primeiro.” – Ele piscou para ela e sentiu uma leve sensação de esquisitice dentro de seu estômago. Ele deu as costas e foi até a geladeira, voltando com duas garrafas de Heineken. – “Gosta?”
“Gosto.” – Ela sorriu agradecida e a puxou pela mão até o balcão. Ambos sentiram um choque leve passar por seus corpos, mas acharam melhor ignorar aquela sensação.
Depois da ultima rodada, os dois entraram no jogo, sentando-se de frente um para o outro. sorriu de lado quando viu suas cartas e arqueou uma sobrancelha olhando para . Ela deu língua para ele e voltou sua atenção ao que tinha nas mãos. Eram boas cartas, ela sabia daquilo.
Eles já tinham jogado cinco rodadas e tinha ganhado três, encarava a garota indignado. Depois de quase duas horas, eles já estavam na quarta garrafa de cerveja e estava mais solta. O álcool fazia efeito rapidamente nela. Quando ela mostrou as cartas que indicavam que ela ganhava dele, pela segunda vez. Ele balançou a cabeça.
“Chega de pôquer para você.” – Ele a levantou e todos riram, inclusive ela.
“Não tenho culpa se jogo bem.” – Ela acenou para o pessoal que continuou o jogo, enquanto a puxava de volta para o quintal. Os dois andaram de mão dadas, segurando as garrafas de Heineken nas mãos que estavam livres e sentaram-se, lado a lado, em uma das esprigaçadeiras que tinham espalhadas ao redor da piscina, que estava vazia. O vento frio que batia, devia ter assustado as pessoas.
“Ainda bem que nós não apostamos nada, senão você teria levado todo meu dinheiro.” – Ele riu e balançou a cabeça.
“Você pensou que eu jogava mal por ser menina?” – Ela falou a primeira coisa que lhe veio à cabeça e fez uma careta. – “Acho que já estou meio bêbada.”
“Você é fraca.” – Ele a empurrou de leve com o ombro e riu. Ficou de joelhos e logo depois se deitou na espreguiçadeira. Olhou para o perfil de e sorriu.
“Não sou fraca, eu ganhei de você no pôquer. Duas vezes.”
“Não precisa ficar jogando na cara.” – Ele sorriu de lado e se virou de frente para ela, colocando um de seus braços apoiado ao plástico da cadeira, por cima das pernas esticadas dela. – “Na verdade, eu te deixei ganhar.” – Ele sorriu debochado e gargalhou.
“Você é muito orgulhoso, .” – Ela balançou a cabeça e virou o rosto, encarando as plantas que tinham ao lado do local em que estavam. Fechou os olhos, sentindo o vento fraco que batia em seu rosto e se distraiu por alguns momentos. Voltou a abrir os olhos e deparou com o rosto de muito próximo ao seu. Sorriu, sentindo as bochechas ficando realmente vermelhas. Ela podia apostar que era possível perceber através da vermelhidão do sol. Ela devia estar de um tom vermelho intenso. – “Oi.” – Ela murmurou e ele sorriu.
“Oi.” – Ele murmurou de volta e ela tomou coragem para tocar no rosto dele com uma das mãos. fez uma careta e ficou confusa, sentindo-se idiota. Tirou a mão do rosto dele, rapidamente. – “Não, é que sua mão está gelada.” – Ele a pegou e voltou a seu rosto. – “Mas eu gosto.” – Ela encarou os olhos e fez um leve carinho na bochecha macia dele. se aproximou, encarando-a profundamente. Parecia que ele podia descobrir tudo sobre ela por meio daquele olhar. sentiu um arrepio na espinha e fechou os olhos quando ele lhe deu um selinho rápido, quase uma permissão para que pudesse realmente beijá-la. passou a língua pelos lábios dela, a menina os abriu e ele aprofundou o beijo. Ele entrelaçou a mão na dela, a que não estava em seu rosto e a garota sorriu contra o beijo. Ele meio que gostou de mais quando ela fez aquilo. Ela era diferente de todas as garotas com quem ele já tinha ficado. Ela tinha luz própria. Ela queria viver, acima de tudo, assim como ele. Colocou a outra mão na cintura dela e os dois ficaram ali. Apenas se beijando, apenas descobrindo um ao outro e sentindo os corações acelerarem como nunca. podia sentir que estava se apaixonando. podia sentir que, talvez, quisesse assumir responsabilidades.
Continua...
N/A: Oi, meninas ;D Tudo bom com vocês? Gente, primeiro queria falar que adorei todos os comentários e o carinho de vocês. Sério mesmo, adorei a resposta que a fic tá tendo e fiquei feliz com o comentário de cada uma de vocês, muito obrigada, fofas :) Adorei escrever esse terceiro capítulo, adorei escrever essa cena do beijo e tudo o mais. Espero que vocês tenham gostado também. Então, qualquer dúvida, critica, qualquer coisa... Me deixem sabendo o que vocês tão achando pelos comentários, okey? ;*
E ah, pra quem quiser falar comigo, vou deixar o link do meu twitter aqui: http://twitter.com/ninaaaa_