As Long as You Love Me
Autora: Lisi Paixão
Beta-Reader: Lissa Topolski

Capítulo 1


- Você me promete uma coisa?
- O que você quiser minha linda.
- Promete que vai ser sempre assim?
- Assim como?

e estavam na sacada da casa dele, apreciando a lua e as estrelas. estava atrás dela, com seus braços fortes e musculosos envolvendo-a e os lábios em seu ouvido.
Passar alguns minutos ali, abraçados, durante a noite era uma coisa que faziam quase todo dia. Era como se mais nada nem ninguém existisse no mundo, só eles.

- Assim, nós dois aqui... Olhando a lua quase toda noite... Você me abraçando...
- É claro que vai ser sempre assim meu amor. - Ele cochichou docemente em seu ouvido e beijou seu pescoço.
- Mas você tem que prometer, se não prometer não vale. - Uma lágrima caiu de seus olhos naquele momento.
- Mas por que essa história agora, meu amor? - virou o rosto dela, para poder olhar em seus olhos.
- Não sei, . Só, sei lá, um medo de tudo isso ser um sonho... - Mais duas lágrimas caíram de seus olhos.
- Você me ofende falando assim! - fez cara de ofendido. - Não é um sonho! Nós estamos aqui, juntos. Eu nunca vou largar você, entendeu sua boba? - Disse ele, limpando as lágrimas no rosto de .

Ela abraçou o mais forte que conseguiu, apesar de seus braços serem bem menores que os dele e não conseguirem fazer a volta completa em seu corpo.

- Se você diz, eu acredito. - Sussurrou ela em seu ouvido. - Você é tudo para mim, . Não dá mais para viver sem você.
- E você acha que eu consigo viver sem você? Agora você é parte de mim. - Ele afastou a menina de seu peito e olhou bem dentro de seus olhos. - Você não se envergonha, não?
- Envergonhar do quê? - Perguntou ela, surpresa.
- De ser uma ditadora, uma tirana...
- Hã? Quê? Como? Você bateu com a cabeça, ?
- Não, estou perfeitamente bem. É exatamente o que você é. Uma tirana que invadiu o meu território e mantém meu coração refém. - Os olhos de se encheram de lágrimas e simplesmente sorriu para ela.
- Se você quiser, eu posso libertar seu coração e o deixar correr livre para onde quiser...
- TÁ DOIDA? - Gritou. - Essa é a única prisão no mundo onde eu quero estar, onde eu GOSTO de estar. - Ele deu ênfase na palavra "gosto".
- Eu te amo tanto ! - Disse ela, pulando em seus braços novamente.
- Eu também te amo, minha paixão. - Ele a pegou no colo, beijou seus lábios com carinho, levou-a até o quarto e jogou-a na cama, enquanto ela desabotoava os botões de sua camisa xadrez.

Apesar de ter seu próprio apartamento, ela passava várias noites no apartamento de , quando dormia no seu, ele também dormia por lá.
Estavam namorando há mais ou menos um ano e tudo corria muito bem, tirando algumas investidas da ex dele. E ainda tinha o fato de , a irmã de , ser uma de suas melhores amigas e namorar , que era um dos melhores amigos de .
ainda era namorado de e pulava de namorada em namorada. Para completar, ainda tinham , irmã de , , irmã de , , irmã de e , amiga de todo mundo.
e eram apaixonadas por , mas nunca brigaram nem deixaram de ser amigas por causa disso. tinha uma paixão platônica por , mas já estava quase desistindo de tudo, porque as coisas com a namorada dele, , pareciam ficar mais sérias a cada dia.

Naquela noite, tinha acabado de voltar de um show que não pôde ir, porque teve que trabalhar até tarde lá na BBC. Mas ela encontrou todos em um pub perto de onde moravam depois que saiu de lá.
De manhã, os dois estavam dormindo abraçados, cobertos apenas pelo lençol da cama. Era uma linda manhã de sábado e nenhum dos dois tinha nenhum compromisso, o que significava que podiam dormir até tarde.
Ela acordou, olhou para , ali do seu lado, e suspirou. Saiu da cama bem devagar para não acordá-lo, vestiu sua camisa xadrez e foi para a cozinha, estava morrendo de fome.
Depois de alguns minutos voltou para o quarto.

- Bom dia, meu dorminhoco! – Disse, colocando uma bandeja em cima da mesa de cabeceira e pulando em cima dele.
- Aaaii! Você e essa sua bunda grande!
- Pode falar nada, você adora a minha bunda grande. - Disse dando-lhe um selinho. - Fiz café da manhã para nós dois.
- Você não sabe cozinhar! - colocou a bandeja na cama e o serviu suco de uva.
- Ah! Então, quer dizer que você preferia uma namorada que cozinhasse todo dia para você?
- Só se essa namorada fosse você! - Ele pulou em cima dela, dando-lhe vários beijos, e os dois rolaram na cama, quase derrubando a bandeja. - O que tem aqui para comer? Posso comer uma vaca de tanta fome!
- Êita! Sua noite foi boa ontem, hein?
- Se foi! Tinha uma garota linda na minha cama comigo ontem...
- Ah é? E quem era ela? - Os dois riram. ficou observando aquela risada linda de , aquela risada que sempre a fazia rir, aquela risada que iluminava qualquer ambiente, aquela risada que ela tanto amava.
- Huumm... - Disse ele ao morder um pedaço de torrada com requeijão. - Paixão, tem um sujinho no seu nariz.
- No meu nariz? Tira para mim. - aproximou-se e passou seu dedo sujo de requeijão no nariz de .
- Eiii! Seu bocó! – A garota fez a mesma coisa, só que sujando a bochecha de .
- Ahhh! Você me paga! - Disse quando ela saiu correndo em direção à sala.

A campainha tocou e os dois nem ouviram. A porta estava destrancada. e entraram e viram alcançando , derrubando-a no chão e fazendo cosquinhas nela.
e estavam namorando havia tempos e há pouco decidiram morar juntos. Como dizem por aí, entre eles estava tudo azul com bolinhas brancas.

- Cof, cof... - Pigarreou . Os dois viraram-se para a porta na hora.
- Hãã... Oi, irmãzinha. - Disse , sem graça pelo flagra.
- Estamos interrompendo alguma coisa? - Perguntou , dando risadinhas.
- Na verdade estão sim. Podem voltar mais tarde? De preferência ligando antes para avisar? - Respondeu ele.
- ! - Repreendeu , enquanto se livrava de seus braços que a estavam segurando. - A é sua irmã! Não fala assim com ela! Seu sem educação!
- Já estou acostumada, ele é assim desde criança... - Após dizer isso, abraçou . - Huumm... E , eu acho que você deveria colocar uma roupa decente! - olhou para seu corpo, estava vestindo apenas uma de suas cuecas samba-canção.
- Naah. - Disse . - Não tem nada aí que eu já não tenha visto.
- Por favor, . Poupe-me dos detalhes sórdidos, ok? - Disse . - Mas só uma coisa, o que traz vocês aqui, a essa hora?
- Verdade. O que você quer aqui irmãzinha? – Os visitantes sentaram-se no sofá.
- Queremos convidar vocês para um piquenique essa tarde, lá em Notting Hill. - Respondeu .
- Piquenique? - Disse .
- Não me culpe, man! Foi tudo idéia da sua irmãzinha aí! - Ele apontou para a namorada e sua expressão não era a de quem estava gostando dessa história de piquenique.
- Pois eu acho uma ótima idéia! Vai ser o máximo! - estendeu a mão para . - Vem! Me ajuda a escolher uma roupa!
- Você tem roupas aqui na casa do ? - Perguntou ela.
- Só algumas. Umas duas ou três blusas e uma calça jeans.

As garotas foram para o quarto e deixaram os garotos sozinhos na sala. sentou no sofá em frente a .

- Man, que história é essa de piquenique?
- Eu é que sei? A acordou hoje com essa história na cabeça e não parou de me encher enquanto eu não levantei para vir aqui com ela! - afundou-se no sofá. - Ah! E é melhor você trocar de roupa logo, ela ligou para todo mundo no caminho. Temos que estar na casa do ao meio-dia e já são onze e meia.
- Só porque eu queria ficar em casa hoje, dude. - bufou. - Mas as garotas estão gostando dessa história, creio que não vai ter jeito.
- Pensa pelo lado positivo... A gente pode se dar bem essa noite. - olhou para com uma careta de apenas uma sobrancelha para cima.
- Eu já me dei bem... Essa noite! - Os dois riram igual dois bocós com a piadinha idiota.

A campainha tocou e dessa vez todos ouviram. saiu do quarto igual um foguete para atender a porta e foi tropeçando no tapete até cair de cara no sofá onde estava sentado.

- Meu Deus! Aonde é o incêndio? - perguntou , dando gargalhadas.
- Muito engraçado, . - fez língua para .
- Você ainda vai se matar . Sério dude, você não consegue dar um passo sem se ferir? - Disse e ignorou seu comentário.
- É a . Ela acabou de ligar para o meu celular para avisar que estava chegando. - Ela levantou e deu um tapa na cabeça de , que ainda se contorcia de tanto rir de seu tombo. Foi até a porta e abriu-a para .
- Bom dia, dude! - Disse e pulou no pescoço de . - Bom dia ! - E pulou no pescoço dela.
- Bom di... - se interrompeu. - Eww, ! Vista-se dude!
- Por que todo mundo implica com a minha cueca? Ela é tão... tão...
- Esquisita? Estranha? - Zuou .
- Ih! Parem de implicar com a cueca do ! Quando vocês chegaram aqui eu estava só com a camisa dele! E ninguém falou nada! - Disse , com cara de séria. - Enfim, por favor, meu amor, vá trocar de roupa. Se não a gente chega atrasado na casa do .
- Tá bom, tá bom. Já estou indo.

sentou-se no sofá e fez um gesto chamando e .

- Onde a senhora se meteu ontem depois que a gente saiu do pub, hein? - Perguntou .
- Preciso contar uma coisa.

Nessa hora, saiu da sala de fininho, sem que elas percebessem, e foi até o quarto falar com .

- Primeiro, diga onde você se enfiou ontem.
- Mas é exatamente sobre isso que eu quero falar, ! Escutem, ok? - As duas fizeram que sim com a cabeça. - E por favor, não surtem!
- Tudo bem. - Disseram em uníssono.
- Enfatizando: NÃO SURTEM! - Disse um pouco mais alto antes de baixar sua voz novamente. - É que ontem, meio que rolou... Um clima... - Ela fez uma pausa, olhou para baixo e respirou fundo. - Entre o e eu. E a gente ficou.
- O QUÊ? - Gritaram as duas, com os olhos arregalados.
- I... isso mes...mo que vocês ouviram. Eu e o ficamos ontem à noite. E hoje mais cedo ele me ligou.
- TE LIGOU? - e gritavam de surpresa.
- Parem de gritar, tá legal? Que saco! Parecem duas histéricas! - fechou a cara e cruzou os braços.
- Tá, tudo bem. Mas explica isso da ligação direito. - Disse .
- A me ligou falando do piquenique eram umas dez horas, daí eu levantei e troquei de roupa. Tava na cozinha comendo, o telefone tocou e era ele. - Ela fez uma pausa, seus olhinhos brilhando. - Ele foi tão fofo. Disse que tinha gostado do que rolou com a gente ontem, que você tinha ligado para ele falando do piquenique e...
- E o que criatura?? - Perguntou , impaciente.
- E ele disse que não estava a fim de ir, mas que se eu fosse ele teria um motivo para levantar da cama e se arrastar para a casa do .
- Own! Que lindo! Nunca imaginei que o fosse capaz de dizer essas coisas... - Disse .
- Mas ele disse . Tudo está muito lindo até agora, só tem um problema...
- QUE PROBLEMA? - Gritaram as duas de novo.
- Eu já mandei as duas pararem de gritar! - cruzou os braços de novo. - Enfim, o problema é a . Como eu vou contar isso para ela? Quer dizer, eu não posso esconder dela. Aliás, eu NUNCA esconderia isso dela.
- Pergunta difícil, situação difícil. - Disse .
- Não tem outro jeito . Você vai ter que contar para ela hoje. E, por favor, não fica se agarrando muito com o na frente dela...
- É o mínimo né, .
- É claro. Eu não sou nenhuma insensível.

Ao mesmo tempo em que as garotas estavam conversando na sala, estava falando com no quarto.

- , antes de irmos para esse piquenique você tem que saber de uma coisa que rolou ontem à noite.
- O quê, dude?
- O e a , tipo assim, ficaram.
- O E A ? - gritou.
- Shhhh! Seu retardado! Você quer que elas ouçam o que a gente está falando?
- Tá bom, mas como foi que isso aconteceu?
- Nem eu sei direito, dude. Eu sei que rolou um clima e depois que todo mundo foi embora do pub, eles saíram juntos e ficaram. O me falou isso por telefone hoje cedo, disse que depois contava tudo direitinho para a gente.
- Dude, não estou acreditando! Tipo, o e a ! - abriu um sorriso. - Isso é demais! Quer dizer, é mais um casal no nosso grupo!
- Só que você esqueceu de uma coisa...
- O quê?
- Você sabe como o é, se ele magoar a , nós vamos ter um sério problema... Vai ficar um clima péssimo.
- Huumm... Verdade. E se algo acontecer, o vai querer matar o , dude. - parou e pensou. - Mas vamos dar um voto de confiança pra ele, ok? Afinal, ele é nosso amigo, não creio que ele vá fazer algo que decepcione ela...

terminou de se trocar e os dois voltaram para a sala.

- E aí, falando de quê, meninas? - Perguntou .
- Na...nada, ué! - Respondeu . - Aliás, adoro quando você veste essa camisa! - estava vestindo sua camisa branca da Volcom.
- Fala sério, ! - disse . - Ele precisa lavar essa camisa! Ou jogá-la no lixo, né! Credo parece uniforme, vai com ela para tudo quanto é canto!
- Minha camisa é linda, tá? Você fica é com inveja dela! - fez língua para . - E falando assim você fere meus sentimentos. - fingiu que ia chorar e todos caíram na gargalhada.
- Então, galera está na hora de ir. Não podemos chegar atrasados na casa do .
- Oh não! São dez para o meio-dia! Nós não vamos conseguir atravessar a rua em dez minutos! - Zuou , fazendo cara de apavorado.
- So funny . - Disse , fazendo careta para ele.

Chegaram na casa de , tocaram a campainha.

- Hello, people! - Disse alegremente. - Olha, eu acordei cedo hoje e preparei umas coisinhas e depois que a falou que a gente ia fazer piquenique, eu comprei mais um monte de comida!
- Nossa, brotha! Você só pensa em comida... - Disse .
- Blá blá blá, irmãzinha. - Disse , fazendo careta.



Capítulo 2


Alguns minutos depois, todos já estavam reunidos e partiram para Notting Hill. Segundo , tinha que ser em um parque lá perto porque era um dos lugares mais fofos de Londres.
Decidiram ir para o Hyde Park, um lugar lindo para se passar a tarde com os amigos, principalmente aquela tarde que não estava frio e não havia nuvens no céu, pode-se dizer até que estava calor, um típico calor londrino.
colocou a enorme cesta de comida no chão e estendeu sua toalha vermelha quadriculada.

- Nossa, o sabe mesmo como dar uma festa! - Disse , rindo.
- Ah, mas esses sanduíches tão com um cheiro maravilhoso! - Disse .

Todos se sentaram na imensa toalha vermelha e começaram comer as deliciosas comidas preparadas por .
aproximou-se de :

- , eu... quero falar com você. Em particular.
- O que foi ? Algum problema?
- Huummm... vem aqui comigo. - As duas se afastaram e aproximaram-se de umas árvores. - Tem uma coisa que você tem que saber...
- Você está me deixando preocupada, dude! Fala logo.
- É que é complicado, ... Não sei se você vai entender.
- Que tal você tentar me contar?
- É que... - Ela respirou fundo. - Eufiqueicomonoitepassadaprontofalei. - falou tão rápido que tropeçou nas palavras.
- Hã? Como assim? - arregalou os olhos.
- É que... Ai meu Deus! Olha só, a gente ficou, mas por favor não fica com raiva de mim! Eu quis falar com você antes que você visse ou soubesse por outra pessoa...
- Tudo bem . Afinal de contas, eu não sou dona dele nem nada assim. - parou e olhou para o chão. - E além do mais, eu estou, assim... meio que a fim de um carinha lá do meu trabalho.
- Sério? Isso é muito legal dude!
- É sim. Talvez dê em alguma coisa. - olhou fundo nos olhos de . - Obrigada por me contar. Você foi muito sincera e esse é um dos motivos pelos quais eu te amo. E tem outra coisa, nada nem ninguém vai abalar nossa amizade, esqueceu?
- É verdade. - Uma pequena lágrima saiu dos olhos de cada uma. - Nós temos a força! - imitou o He-man e as duas caíram na gargalhada. - Eu te amo, sua bocó.
- Eu também te amo, bobona. - E as duas se abraçaram forte, celebrando aquele sentimento tão lindo que as unia.

As duas voltaram ao local do piquenique e juntaram-se aos outros novamente. Dessa vez, sentou-se ao lado de e deu-lhe um selinho.
, e perceberam que as coisas estavam bem entre as duas, o que era um grande alívio, já que tinham medo de que uma enorme briga fosse sair daquela situação.

- Está tudo bem ? - Sussurrou , que estava sentada ao seu lado.
- Tudo bem sim. Vocês não precisam se preocupar. - e aproximaram-se para ouvir a resposta dela. - Eu nunca impediria os dois de ficarem juntos. Meus tempos de "possessiva" já se foram, acreditem! - Todas riram. - E além do mais, nenhum homem vale uma briga nossa, lembram?
- Claro que lembramos! - Disseram todas juntas.
- We've got the power! - Disse , levantando o braço e dando um soquinho no ar.
- To infinity and beyond! - Disse e repetiu o gesto.
- May the force be with us! - Disse , também repetindo o gesto.
- Ai! - deu uma de Joselito e interrompeu o belo momento das garotas. – Aiiiii! Alguma coisa MORDEU a minha BUNDA!! - Gritou e saiu correndo.
- ! O que foi? - Perguntou .
- Minha BUNDAAAAAAAA!! Tá DOENDOOOOO!! - corria desesperado em volta das árvores com as mãos na bunda.
- Volta aqui, seu palerma! - Disse . - Deixa a gente ver o que é isso!

voltou e abaixou um pedacinho da cueca para ver o que era.

- Oh man! Fala sério! É só uma formiga!
- Uma formiga? E você fez esse escândalo todo? - soltou aquela sua escandalosa risada e naquele momento já estavam todos rachando de rir.
- Ownn! Tadinho do ! - Disse , aproximando-se. - Deve estar doendo! - E passou a mão em seu cabelo.
- É, dá um beijinho para sarar ! - Disse , rindo.
- Ew! Ew! Ew! Vai sonhando que eu vou beijar a bunda do !
- Ué! Não gosta da minha bunda, não é?
- Gosto... Mas entre gostar da sua bunda e beijar a sua bunda vai uma grande diferença. Ew !
- Mas ainda está doendo! - fez cara de que ia chorar.
- Ah ! Está só um pouco vermelho! Depois melhora! - Disse . - Deixa de ser bobo.

Passado o "trágico" episódio da formiga que adorou a bunda do , levantou-se com uma bola de futebol na mão.

- Já que estamos sentados aqui, sem fazer nada e a comida praticamente acabou, vamos jogar futebol? - Perguntou ele com os olhos brilhando.
- De onde surgiu essa bola de futebol, ?
- Estava no porta-malas do carro, minha linda.
- Eu quero jogar! - Gritou . - Vamos, meu amor? - olhou para , que estava do seu lado.
- Claro! Vou adorar ganhar do meu irmãozinho aqui.
- Isso é o que nós vamos ver! - Disse , olhando ameaçadoramente para a irmã.
- Eii! Se é assim, eu também quero jogar! - Disse . - Quem mais quer?
- Eu que não. - Disse .
- Nem eu. - Disse . - Não me dou bem com essas coisas.
- Eu quero! - Disse .
- Eu também. - Gritou .
- Eu vou ficar bem aqui onde eu estou. - Disse , sentando-se na toalha novamente.
- E eu vou me sentar bem ao lado da . - sentou-se. - Se eu levar uma bolada, alguém apanha.

Então, os times foram formados. , e contra , e . O jogo não durou nem meia hora. Se é que se pode chamar aquilo de jogo, estava mais para desastre ambiental.
colocou o pé na frente de e ele caiu de cara na grama, chutou a árvore ao invés da bola, deu um esbarrão de cara com e por aí foi.
Por fim, decidiram que era melhor parar, antes que alguém fosse para a emergência.

- Ei! Que tal a gente ir lá na Portobello Road? - Sugeriu . - Hoje é o melhor dia para ir ao Portobello Road Market.
- Sabe, essa é uma ótima idéia ! - Disse , dando um pulo e levantando-se rapidamente. - Vamos! Andem logo seus lerdos!
- Nossa! A ligou no 220 agora! - Disse , rindo.
- Mas ela está certa, vai ser legal dar uma volta por lá. - Disse .
- Então vamos. - Declarou .

Todos ajudaram a guardar a bagunça que fizeram dentro da cesta e colocá-la no porta-malas do carro de .
O Hyde Park era próximo à Portobello Road, em Notting Hill, portanto decidiram fazer uma caminhada até lá.

- Caminhar? Todos foram mordidos por aranhas radioativas e ficaram doidos? - Revoltou-se .
- Aranhas eu não sei, mas o foi picado por uma formiga, serve? - Zombou .
- Super engraçado. - fez careta.
- Nem é tão longe assim ! Vamos logo, sua bocó! - Disse , puxando-a pelo braço.
- Tá bom. Tá bom.



Capítulo 3


Era sábado, o dia de maior movimento no Mercado da Portobello Road. A rua estava abarrotada de gente e aquele ambiente de alegria e diversão invadiu todos.
Cada um foi para um lado, olhar pequenos estandes de quinquilharias que se estendiam por toda a rua. surtou por causa de uma barraquinha que vendia fotos antigas de Londres, tipo do século dezenove e coisas do tipo.
e , obviamente, foram ver coisas sobre música (a namorada de não estava presente, que fique claro!). , , , e entraram em uma loja de bonés e tênis. e ficaram apenas andando abraçados e observando as pessoas.

- Sabe, eu não imaginei que hoje ia ser tão divertido. - Disse , dando uma risadinha.
- Eu sabia que ia ser... Toda vez que sai todo mundo junto assim é divertido, não tem como não ser. - Respondeu , olhando para ele. - Não tem como não rir com as idiotices que nós fazemos juntos!
- Nós somos um grupo e tanto, hein? Definitivamente, não somos normais...
- Ser normal para quê? Gente normal é chata! Ser anormal é mais legal! - Os dois caíram na gargalhada. - E você, , é o rei dos anormais! - deu-lhe um selinho demorado.
- Que elogio, hein?
- Ah! Você sabe o que você é, . - Ela fez uma pausa. - E eu não mudaria nadinha em você. Te amo do jeitinho que você é. Meu idiota! - Ele pegou-a pela cintura e deu-lhe um beijo de tirar o fôlego.
- E você acha que eu mudaria alguma coisa em você? - Disse ele depois do longo beijo. - Nunca, nadinha.

Os dois continuaram andando e olhando as coisas ao longo da rua, quando avistou um café.

- Eii! Vamos tomar um cappuccino? – A garota não respondeu, estava olhando fixamente para o lado direito. - ? Amor? Aloouu! Aqui!
- Hã? O que você disse, meu amor?
- Vamos tomar um cappuccino?
- Aham, claro. Pode ir, eu vou olhar isso aqui... - Disse enquanto andava na direção de uma barraquinha que vendia pequenas jóias folheadas.
- ? Espera! Onde você vai? - saiu correndo atrás dela.
- Olha ! Que coisas mais lindas! - olhava para brincos.
- Você e essa sua mania de comprar bugigangas! Pfff! - Disse ele.
- Engraçado, não fui eu que comprei DEZ miniaturas numa loja de aeroporto! - Disse .
- Então tá. Escolhe alguma coisa e compra logo, sua maníaca compulsiva!
- Seu insensível! - Disse fazendo bico.
- Ahh! Não faz esse biquinho vai! Você sabe que eu não resisto a ele! - puxou-a e deu-lhe um beijo rápido. - Então, o que você vai levar?
- Não sei... são tantas coisas!
- Eu sugiro esse aqui. - pegou um pequeno prendedor de cabelo prateado, daqueles que parecem um grampo, super delicado e feminino, com duas flores de strass rosa e folhas de strass verde.
- Ai, que lindo . Você tem bom gosto para essas coisas. - olhou para o prendedor na mão dele, com os olhinhos brilhando. - É perfeito. - Ele inclinou-se e colocou o prendedor na franja de , que estava caindo em seu rosto.
- Ficou perfeita agora que está no seu cabelo. Antes era quase perfeita. - passou a mão pelos cabelos de .
- Te amo . Não esquece disso, tá?
- Só se você prometer que nunca vai esquecer que eu te amo também. - deu-lhe outro beijo, dessa vez mais demorado.
- Moça, quanto custa isso? - perguntou à mulher da barraquinha.
- Oito libras senhora. - Ela respondeu.
- Huum... - remexia sua bolsa, procurando sua carteira.
- O que você está FAZENDO? - Perguntou.
- Pegando meu dinheiro, ué.
- Tomou caipirinha hoje? Tá bêbada ?
- Claro que não né! Dãã!
- Isso é um presente! PRESENTE! Entendeu? - Disse , tirando a carteira do bolso da calça. - EU PAGO.
- Mas ... eu não posso comprar para mim?
- Não quando EU quero te dar de presente! - Ele deu o dinheiro à mulher da barraquinha. - Muito obrigado, senhora. - Virou-se para . - Estou te dando um presente e você reclama?
- Não é isso... só que você me pegou de surpresa. Eu achei que você achasse que essas coisas são bobagens que eu compro...
- Você não percebe?
- O quê?
- Eu falo isso para te irritar, minha linda. Adoro ver você nervosinha! - deu um soquinho de leve em seu peito.
- Ah! É assim, seu bocó? - Os dois começaram a rir.
- Vamos fazer assim. Toda vez que você olhar para isso - passou a mão na parte de seu cabelo onde estava o prendedor -, vai lembrar de mim, desse dia e de todos os outros dias que nós ainda vamos passar juntos. Combinado?
- Combinado. E agora, que tal aquele cappuccino que você mencionou antes, hein?
- Como você quiser.

Os dois entraram de mãos dadas no café e ficaram sentados abraçados, passando o tempo.



Capítulo 4


Já era segunda de manhã e tinha passado no apartamento de para se despedir. Ela e tinham que ficar uma semana fora, especificamente em Glasgow, para cobrir um evento por lá. estava esperando no táxi enquanto despedia-se de .

- Você tem certeza que TEM que ir? - Perguntou ele, enquanto a pegava pela cintura. - Quer dizer, eu tenho certeza que a dá conta sozinha. Minha irmãzinha é foda! - sorriu.
- ! É meu trabalho! Eu tenho que ir, você sabe disso. Seu eu pedisse que você não fosse a um show, você atenderia meu pedido?
- Claro que não! É meu trabalho e eu amo o que eu faço.
- Então, parte do mesmo princípio. É meu trabalho e eu amo o que eu faço. - deu um selinho em . - Eu vou sentir muita saudade. Vou contar os dias para voltar para você.
- Eu vou morrer aqui sem você... - Ele abraçou-a muito forte.
- Seu exagerado! Eu prometo que te ligo todo dia.
- E olha para as estrelas de noite...
- As estrelas não são as mesmas sem você para me abraçar... - Dessa vez foi ela quem abraçou muito forte. - Agora eu tenho que ir. A está esperando lá em baixo para irmos para o aeroporto.
- Eu te levo lá em baixo. - Os dois desceram as escadas de mãos dadas. abriu a porta do táxi, mas puxou-a pelo braço e deu-lhe um beijo demorado e apaixonado. - Eu te amo, minha linda.
- Eu também te amo, .
- Ei! Os dois vão ficar aí nesse grude? Temos um avião para pegar, ! Ah! Oi, maninho. - Disse de dentro do táxi.
- Oi . - jogou um beijinho para a irmã. - Posso te pedir uma coisa?
- Pode, mas rápido.
- Cuida dela para mim, tá?
- Eu não preciso de babá! - Disse fazendo careta.
- Deixa de ser reclamona. Eu cuido sim . - virou-se para . - Aliás, você não pode falar nada. O também te pediu para tomar conta de mim e você disse que sim.
- Tchau . Agora eu realmente tenho que ir. - Os dois se despediram com mais um selinho e a garota entrou no táxi.

Aquela semana parecia se arrastar. Os dias simplesmente não passavam, o relógio parecia parado na mesma hora. não aguentava mais ficar longe de e longe de .
Não entendam mal, as duas estavam adorando que seu chefe finalmente teve confiança o bastante nelas para mandá-las a um evento tão importante como era aquela Convenção da ONU. Porém, a saudade as estava acertando em cheio.
Sempre que tinham um tempinho ligavam para seus namorados e vice-versa. No domingo, porém, elas não conseguiram falar com eles.

- Ai! Agora que eu lembrei . Eles têm um show em Londres essa noite! - Disse . - Por isso não estão atendendo os celulares! As meninas devem estar lá também, por isso também não atendem.
- É verdade! Nossa, somos duas burras também. Como fomos esquecer disso? - As duas riram. - Enfim, vamos para o aeroporto. Não vejo a hora de chegar em casa.
- Nem eu. Você vai direto para a casa do ?
- Vou sim. Tenho que matar a saudade!
- Ahh! Eu não vejo a hora de pular no colo do e encher ele de beijos!

As duas pegaram o último vôo da noite, chegariam à Londres de manhã cedo.

- Já chegamos? - Perguntou , bocejando.
- Já sim . Nossa, eu estou acabada. Preciso muito dormir em uma cama.
- De preferência na do meu irmão, né?
- Claro! - As duas riram. - E você na do !
- Mas não exatamente dormir, né !
- Para falar a verdade, acho que dormir vai ser a última coisa que eu vou querer fazer quando chegar... - As duas continuaram rindo que nem idiotas.

Pegaram um táxi no aeroporto e seguiram para a casa de . Minutos depois estavam em frente ao seu prédio.

- Tchau . Te vejo amanhã na BBC. Manda um beijo para o .
- Te vejo amanhã . Manda um para o meu irmão também. E diz para ele que mais tarde eu ligo.
- Tudo bem. Beijo. - As duas jogaram beijinhos no ar uma para a outra.

pegou sua mala no porta-malas do táxi, subiu as escadas e abriu a porta. Tudo estava quieto, nem sinal de .
Ela deixou sua mala ao lado do sofá, foi até a cozinha e pegou um copo de suco.

"Ele deve estar dormindo ainda. Tadinho, o show de ontem deve ter deixado ele bem cansado." - Pensou e foi correndo em direção ao quarto.

Chegando lá, ficou paralisada com a cena que viu e deixou o copo de suco cair no chão, espatifando-se em mil pedaços e acordando .




Capítulo 5

- Oi, meu amor. Você já chegou? – coçou os olhos e bocejou.
- Mas... Mas... Mas... - começou a chorar. - O que está acontecendo aqui, ?

A questão era: , a ex de , estava deitada na cama com ele e os dois estavam cobertos apenas pelo lençol.
não acreditava no que estava vendo. Era como se um milhão de facas estivessem sendo enfiadas em seu peito, como se um batalhão de fuzilamento nazista a estivesse fuzilando.
Ela estava tonta, não conseguia pensar claramente, sua visão estava embaçada, suas pernas tremendo, até que ela caiu de joelhos no chão, aos prantos.

- Mas por que você está chorando, minha linda? – levantou-se e aproximou-se dela.
- SAI DAQUI! Não se faça de IDIOTA, !! - apontou para a cama. estava sentada, olhando maliciosamente, para os dois. - O QUE ELA ESTÁ FAZENDO AQUI?
- Ela quem? - foi aí que se deu conta do que estava acontecendo. Ele virou-se e viu se levantar da cama e enrolar-se no lençol branco. - Espera, eu posso explicar tudo... Ela... Ela...
- Eu dormi aqui, . - disse calmamente. - Até parece que você não se lembra da noite maravilhosa que nós passamos juntos.
- Como assim? Que noite? - riu. virou-se para , que continuava no chão chorando. - Eu juro que eu não me lembro de nada do que aconteceu! Eu não sei o que ELA está fazendo aqui! - ele abaixou-se e pegou a mão de .
- ME SOLTA! - deu-lhe um empurrão e saiu correndo para a sala. Os dois foram atrás. - Eu... Eu...Como você pôde fazer isso comigo, Jones? COMO? O que aconteceu com o nosso PARA SEMPRE? - estava desorientada, não sabia o que fazer, só ficava dando voltas de um lado para o outro da sala. Suas mãos e pernas tremiam. Havia uma dor aguda em seu peito.
- MAS EU NÃO FIZ NADA! EU JURO!
- Você diz que não fez nada, mas sequer LEMBRA o que aconteceu na noite passada! Seu cafajeste! E a burra aqui crente que voltaria e tudo estaria bem. Fiquei esses dias todos querendo voltar pra você, seu canalha! – as mãos de tremiam muito e ela sentia que suas pernas não iam agüentar muito tempo.
- EU NÃO FIZ NADA! NA-DA! ENTENDEU? – berrou furioso.
- Ah! Pare de mentir, . Você sabe muito bem o que você fez. - dizia essas palavras com ar de indiferença e extremo prazer. - Assuma logo! Essa garota chorando está me irritando!

As palavras de eram como um veneno para , um veneno que a estava matando lentamente. A sensação que ela tinha era que alguém estava arrancando seu coração brutalmente e sem anestesia.
Era uma mistura enorme de sentimentos, raiva, decepção, tristeza, apatia, mas principalmente dor. Doía demais saber que o homem que ela mais amava nesse mundo, a havia traído. E com aquela mulher, a mais desprezível das mulheres.
Então, em um acesso de raiva, ela atravessou a sala e pulou em cima de , apertando seu pescoço, tentando estrangulá-la. As duas estavam no chão.
- EU VOU ACABAR COM VOCÊ, SUA VACA! – apertava mais ainda seu pescoço.
- Me... A... Aju...Da... ... – tentava pedir socorro.
- SUA DESGRAÇADA! COMO VOCÊ OUSA PEDIR AJUDA?

Nessa hora correu para separá-las. já estava mais que roxa, não queria que sua namorada fosse uma assassina, embora ele mesmo quisesse acabar com .

- ME SOLTA, ! NÃO TOCA EM MIM! - ela batia o mais forte que podia em . - EU TE ODEIO! EU TE ODEIO COM TODAS AS FORÇAS QUE EU TENHO! - isso não era verdade e não era fácil dizer que odeia o homem, que na verdade, você ama mais que tudo no mundo.
- , acalme-se. Por favor, vamos conversar. Eu te imploro.
- Não adianta, seu cafajeste! EU TE ODEIO! - gritava o máximo que seus pulmões permitiam. - NUNCA mais olhe na minha cara, entendeu? Eu não quero te ver NUNCA MAIS! NUNCA MAIS!
- Não fala assim, meu amor. - começava a chorar também. - Eu te amo, lembra?
- NÃO ME CHAMA DE "MEU AMOR"! VOCÊ NÃO ME AMA! Quem AMA não faz o que VOCÊ FEZ! Tudo o que você me disse era MENTIRA! TUDO MENTIRA! VOCÊ NUNCA ME AMOU! NUNCA!
- NÃO! EU TE AMO! TE AMO MUITO! MAIS QUE TUDO NESSE MUNDO! EU NUNCA MENTI PRA VOCÊ!
- CALA A BOCA! Eu não quero mais ouvir a sua voz! Eu estou com NOJO de você! NOJO! - deu um soco no peito de . – Vamos, pode RIR! Você conseguiu o que queria! ENGANOU a IDIOTA aqui! FEZ UMA GAROTA BURRA ACREDITAR QUE VOCÊ REALMENTE A AMAVA! Parabéns, tarefa cumprida!
- EU NUNCA ENGANEI VOCÊ!
- EU JÁ TE MANDEI CALAR A BOCA! Aliás, eu não sei o que eu AINDA estou fazendo aqui! - abriu a porta. – Lembre-se de apenas UMA COISA: NUNCA MAIS APAREÇA NA MINHA FRENTE! NEM VOCÊ NEM ESSA VADIA AÍ. - tentou impedí-la, puxando-a pelo braço.
- Por favor, não me deixe. Eu tenho certeza que posso te explicar o que aconteceu. - não podia explicar nada, na verdade, não se lembrava de absolutamente nada. - Eu te amo, você SABE disso. Eu sei que você sabe. Não me deixe. Por favor.
- No momento eu não sei de nada. Alguns minutos atrás, Eu ACHEI que eu soubesse. Agora, eu não sei de mais NADA. – ela o empurrou o mais forte que conseguiu e saiu correndo escada abaixo. tentou segui-la, mas, quando chegou na entrada do prédio, ela havia desaparecido.



Capítulo 6

estava sentada na calçada da esquina da rua. Desorientada, não sabia o que fazer, o que pensar. Sua cabeça rodava, as lágrimas caíam e suas mãos tremiam. Sentia que seu coração sangrava, doía.
Ficou vários minutos tentando organizar seus pensamentos e assimilar o que acabara de acontecer. Ela precisava de ajuda, precisava de alguém com quem conversar, precisava de alguém para abraçá-la e dizer que tudo ficaria bem. Ela precisava das amigas.
O problema era que todas estavam trabalhando àquela hora, não queria atrapalhá-las. era a única que estava disponível. Levantou-se para correr até a casa de , que era ali perto. Hesitou. Suas pernas bambearam. Ela provavelmente estava com , não queria atrapalhá-los. Mas não tinha outra opção.
Correr ajudou-a a colocar um pouco, muito pouco, de seus pensamentos no lugar. Toda vez que se lembrava da imagem dos dois deitados juntos na cama, suas pernas bambeavam de novo e ela quase caía. Porém, tirou forças não sabe de onde para seguir em frente.

Tocou a campainha da casa. Ninguém atendeu. Tocou mais uma vez. foi atender, estava de camisola e um roupão por cima.

- ? O que você está fazendo aqui? - perguntou.
- Eu... Eu... - correu para abraçá-la, ainda estava em prantos.
- Quem é, coração? - gritou do quarto.
- É a , . - ele foi até a sala, estava só de cuecas.
- Mas o que houve? Você está chorando. - disse .
- Amor, acho melhor você nos deixar sozinhas. Creio que a coisa aqui é séria. - disse .
- Tudo bem. Qualquer coisa é só me chamar.

carregou até a sala e sentou-a no sofá.

- Me abraça, por favor. - disse ela, agarrando-se à , assim que ela sentou-se ao seu lado.
- Meu Deus! O que é que está acontecendo? Você está me deixando nervosa!
- É...é... é o . Ele... ele... - não conseguia falar, tropeçava em imensos soluços.
- Nossa! Você está tremendo! - levantou-se do sofá. - Vou pegar um pouco de água com açúcar para você. - respirou bem fundo.
- SEU IRMÃO É O MAIOR CAFAJESTE DO PLANETA! EU ODEIO JONES! – disse atropelando as palavras, havia raiva em sua voz, mas muita tristeza também. ficou assustada, afinal tudo estava bem entre os dois até então.
- Mas o que foi que ele fez, ? - ela entregou-lhe o copo de água com açúcar. - Tem certeza que não é mais um dos seus dramas?
- DRAMA? QUE DRAMA, ! – a garota tremia mais do que antes.
- Então me conte o que aconteceu.
- Eu cheguei em casa e... - seu coração doía ao pronunciar aquelas palavras. - eu achei... o na... – ela engoliu em seco. - cama com a .
- O QUÊ? - arregalou os olhos e voltou a abraçá-la.
- Eles estavam lá, abraçados na cama... e ele ainda teve a cara de pau de dizer que não tinha idéia do que estava acontecendo... Ai ! Foi tão horrível! - não parava de chorar.
- Eu... eu não sei o que te dizer. Não acredito que meu irmão teve coragem de fazer isso... Quer dizer, vocês estavam tão bem juntos.
- Não diz nada... só diz que você vai ficar aqui, comigo... eu preciso de você e das meninas agora...
- Mas é claro! Não me ofenda falando assim! Ao infinito e além, lembra? A nossa promessa.
- Pelo menos NESSA promessa eu sei que posso acreditar...
- Olha, fica aí quietinha. Eu preciso ir falar com o , mas já volto tá?
- Tudo bem. - disse entre soluços.

foi até o quarto e estava deitado na cama assistindo TV. Ela pegou uma calça jeans e uma camiseta no guarda-roupa e jogou em cima dele.

- O que é isso, ?
- Coloca uma roupa! Anda! Rápido, !
- Mas para quê?
- Como para quê? Você vai até o apartamento do retardado do . Alguém precisa saber o que aconteceu por lá. - parou e ficou olhando para ele, desconfiada. - Você, por acaso, não viu nada, não sabe de nada sobre ontem à noite?
- Claro que não! Aliás, do que é que você está falando? Por que a está na NOSSA sala em prantos?
- Simplesmente porque o meu irmão é o ser humano mais retardado e idiota do planeta! Ela pegou ele e a juntos na cama agora de manhã...
- O QUÊ? MAS COMO? Quando eu e o saímos do pub ontem, só ficaram o e o ! Nem sinal de !
- Então, é por isso que você precisa ir até lá. Descobre essa história. Eu vou ficar aqui cuidando dela. Ela está arrasada.
- Eu imagino. Tadinha... Mas o também, hein?
- EU VOU SIMPLESMENTE MATAR O MEU IRMÃO!
- Calma . A gente vai dar um jeito nisso. Agora vai lá ver se ela está bem. Eu vou colocar essa roupa e já vou.

Minutos depois saiu e foi para a casa de , na velocidade de um foguete.

- , eu não sei o que fazer, minha cabeça dói... tudo ao meu redor parece estar girando.
- Você está nervosa, dude. Olha, você não comeu nada a manhã inteira. Quer alguma coisa? Um Nescau?
- Não quero nada, . Só me deixa aqui, deitada no sofá. - ela encolheu-se no sofá e suas lágrimas rolaram pela almofada verde.
- Tudo bem, então. Mas, por favor, pelo menos o Nescau você toma? Não pode ficar com o estômago vazio.
- Ah, tanto faz, dude.

foi até a cozinha, preparou um copo de leite com achocolatado para a amiga e deixou na mesinha ao lado do sofá.
Agora só restava uma coisa a fazer: ligar para as amigas. Foi até seu quarto e tirou o telefone da bolsa. Ligou primeiro para e depois colocou , e na teleconferência.

- Dudes, acionando o CODE RED. A precisa da gente.
- Mas o que aconteceu com a ? - perguntou .
- Não dá para contar tudo por telefone, mas a coisa é séria. Vocês precisam vir pra cá o mais rápido possível.
- Meu Deus! O que poderia ser tão terrível assim? - perguntou .
- Me deixa resumir rapidinho: e brigaram. E brigaram feio, dudes.
- Ahh! Fala sério! Essa é a situação de emergência? Isso é tão sério assim a ponto de acionar o CODE RED da nossa amizade? - disse .
- É sério a partir do momento em que o besta do meu irmão traiu ela. Dudes, não é brincadeira eu preciso de vocês aqui.
- Ai meu Deus! Traiu? Mas como assim? - desesperou-se .
- Eu explico quando vocês chegarem.
- Olha, . Eu estou aqui em casa só editando umas fotos para uma revista, mas eu posso terminar isso depois. Chego aí em uns dez minutos. - disse .
- Eu tenho que terminar uns relatórios gigantescos aqui, mas já estou bem no final. Então passo aí daqui uma hora, ok? - disse .
- Ok, . - respondeu .
- Eu tenho uma reunião para apresentação de projeto daqui a quinze minutos. Assim que terminar, eu corro aí. - disse .
- Eu estou no meu horário de almoço, . E depois posso falar para o meu chefe que preciso fazer algumas pesquisas para um artigo e pedir a tarde de folga. Chego aí junto com a . - disse .
- Tudo bem, então. Eu estou esperando vocês aqui.

Desligou o telefone e foi até a sala ver como estava. Ela ainda estava deitada no sofá e não tinha nem tocado do copo com Nescau. A almofada em que ela apoiava a cabeça estava encharcada de lágrimas.

- Tem certeza que não vai beber?
- Não quero, . Pára de insistir!
- Mas olha, está gelado e com bastante chocolate... Do jeitinho que você gosta! - olhou para o copo na mão de , não havia como resistir por muito mais tempo.
- Tudo bem, tudo bem. - disse pegando o copo.

ficou sentada ao seu lado no sofá e percebeu que a garota queria ficar quieta, então não disse nada, só deu-lhe um forte abraço.
Alguns minutos depois, e tocaram a campainha desesperadamente e entraram correndo na sala.

- O que aconteceu? Pelo amor de Deus, alguém me explica o porquê de um CODE RED! - disse , tropeçando nas palavras de tão rápido que falou.
- É, ! Explica essa história! - foi aí que as duas viram se levantar do sofá e olharam para ela com aquela típica cara de dó.
- O que houve é que Jones é o ser mais desprezível do universo! - e correram em sua direção e a abraçaram o mais forte que puderam.
- Calma, dude. Respira fundo e depois você conta o que aconteceu. - disse .
- Eu não sei o que fazer, dudes. Minha cabeça ainda está doendo e aquelas imagens horríveis ainda estão na minha cabeça... - jogou-se no sofá novamente e sentou-se de um lado e do outro, no sofá ao lado.
- Mas dude, você tem certeza? Era mesmo a ? E... Eles... Realmente... - não sabia como terminar a frase, ficou com medo de magoar a amiga.
- É claro que sim! Qual outra explicação para ela estar pelada na cama do lado dele? Foi tão... Tão... Horrível. Eu senti uma dor tão grande no peito como eu nunca tinha sentido antes. Parecia que eu ia morrer. - ela abraçou , apoiando a cabeça em seu ombro.
- Ai, dude. Não fica assim. Se ele fez isso, ele não te merece, essa é a verdade. - disse , passando as mãos em seus cabelos. – Sem ofensas, .
- Dude, nós estamos aqui. PARA SEMPRE, entendeu? - disse , juntando-se ao abraço e secando as lágrimas de com as mãos.
- É verdade. Não importa o que o paspalho besta do meu irmão faça. Uma coisa nunca vai mudar. Nossa amizade. Você SEMPRE vai ter a nós. - disse aproximando-se e também juntando-se ao abraço.


Capítulo 7


Ao mesmo tempo em que tudo isso ocorria na casa de , estava na casa de .

- Dude, o que houve aqui? Você tem alguma explicação lógica do porque de a sua namorada estar na sala da minha casa aos prantos? - perguntou .
- Aos prantos? Na sua casa? - sentou-se na cadeira da mesa da cozinha e colocou a mão no rosto. - Não acredito que eu a fiz chorar! Eu prometi que nunca a magoaria! Eu sou o ser mais burro do planeta! - algumas lágrimas rolaram de seu rosto.
- Só agora que você percebeu isso, ? - nesse instante entrou na cozinha.
- Oi, dude.
- Para você é , por favor. Nada de intimidades com pessoas como você.
- Que estressado.
- Eu posso saber o que você ainda está fazendo aqui? Depois de tudo que você causou, ainda tem a cara de pau de continuar aqui?
- É claro. Estou na casa do cara que eu amo.
- Errado. Você está na casa do cara que não quer nada com você e tem uma namorada que ama ele.
- Não foi o que pareceu noite passada...
- CALA A BOCA, ! - gritou .
- Vocês dois acordaram de mau humor hoje, hein?
- Ah! Cansei dessa discussão ridícula! - gritou . - Sai daqui agora, . Anda, vai embora!
- Você não pode me expulsar! A casa não é sua!
- Não interessa, é do meu melhor amigo. E eu te expulso a hora que eu quiser, vaca. - agarrou pelo braço e a levou até o quarto. - Onde estão suas roupas?
- Em cima da mesa de cabeceira. - as embolou na mão e levou-a até a sala novamente.
- Agora, sinta-se à vontade para ir embora. E faça um favor a todos nós, nos dê a honra de não ficar na sua presença de novo, ok?
- EU NÃO VOU EMBORA!
- AH, VAI SIM! - abriu a porta e empurrou-a para fora. - FIQUE LONGE DOS MEUS AMIGOS, ENTENDEU SUA VADIA? - e fechou a porta.

Voltou para a cozinha e ainda estava sentado na cadeira.

- , antes de qualquer coisa. Fique decente, tome um banho e tire essa cueca fedida.
- Tudo bem, . Só me diz uma coisa?
- O que?
- Ela estava tão mal assim?
- O que você acha? A garota te pegou na cama com outra, como ela poderia estar? - ele não conseguiu dizer mais nada, apenas dirigiu-se para o banheiro.

- Pronto. Eu já estou decente! Agora, me leva para a sua casa.
- O QUÊ?
- Para a sua casa, ué!
- O que você vai fazer lá?
- Como o que? Eu vou lá explicar tudo para a minha namorada! E implorar para ela me perdoar!
- Não mesmo! No estado em que ela está, ou ela te mata ou ela morre se te ver. - pegou as chaves do carro. - Nós vamos para a casa do . O já está lá, nós todos precisamos conversar.
- Mas a está sozinha...
- Você acha que as meninas vão deixá-la sozinha, Jones? Aquelas seis se amam, nunca deixariam uma sozinha num momento desses. Agora, vamos.

Os dois saíram e foram para a casa do .



Capítulo 8

Enquanto isso as quatro ainda estavam tentando acalmar a amiga.

- Dude, toma esse remédio. Vai te fazer bem, vai te acalmar um pouco.
- Eu só quero me afundar nesse sofá, posso?
- Claro que não! Anda, toma o remédio que a está te dando. - tomou o remédio, mesmo que contra sua vontade. Minutos depois estava dormindo.
- E agora? O que a gente faz? - perguntou .
- Sinceramente? Nem idéia. Eu não sei nem o que dizer para ela... - respondeu .
- Você mandou o lá para a casa do , não é? - quis saber .
- Sim, eles devem estar conversando e se eu bem conheço meu namorado, eles devem estar a caminho da casa do .

e acabaram dormindo na casa de , para impedir que fizesse alguma besteira, coisa que ele sempre faz.
As garotas também dormiram fora de casa, espalhando colchões pela sala de .

No dia seguinte, foi a primeira a acordar. Abriu a janela e havia um tímido sol querendo aparecer. Esfregou os olhos, espreguiçou-se e bocejou. Olhando para o sol novamente, os acontecimentos do dia anterior voltaram à sua mente como um furacão.
Esfregou os olhos de novo, desejando que aquele simples gesto a fizesse acordar de um pesadelo. Nada aconteceu. Olhou em volta e viu suas amigas ainda dormindo nos colchões que estavam no chão. Era tudo verdade e agora era a hora de enfrentá-la.
apareceu na sala, ela saía de seu quarto.

- Bom dia, .
- Não é exatamente um bom dia...
- Hmmm... É... Vamos comer alguma coisa, certo? - nesse intervalo de tempo as outras foram acordando e se levantando, ainda sonolentas.
- Eu quero ir embora. - disse .
- Mas dude, você não quer a nossa companhia? - perguntou .
- Não é isso, . Eu só quero ficar sozinha agora, preciso de um tempo para pensar, colocar minhas idéias no lugar... Eu estou sem carro, alguma de vocês pode me levar para casa?
- Eu te levo, dude. - disse .
- , tem como você dizer para o nosso editor que eu estou doente? Que peguei uma virose lá em Glasgow ou coisa do tipo? Não tenho ânimo para trabalhar hoje...
- Tudo bem, sem problemas.

Já que não havia mais o quê se fazer, tomaram café e foram para seus respectivos empregos. Se é que aquilo foi realmente um café, já que mal tocou em suas torradas e as garotas ficavam apenas olhando-a com cara de pena.

levou até sua casa e deixou instruções para que ela ligasse caso precisasse de alguma coisa.

A garota entrou em casa e olhou em volta. Quase tudo ali a fazia lembrar algum momento com . Lágrimas começaram a escorrer de seus olhos e ela se sentiu estúpida, chorando por causa de alguém que não merecia.

- COMO EU TE ODEIO, ! - gritou bem alto - EU TE ODEIO! ODEIO! ODEIO! ODEIO! - continuou gritando e batendo o pé no chão com muita força.
"Preciso de um banho. Preciso me acalmar. Preciso pensar." - disse mentalmente.

Foi para o banheiro e ligou o chuveiro. Encostada na porta do box, podia ver uma camisa de jogada na mesinha de cabeceira. Era, obviamente, xadrez, as que ela mais gostava. (n/a: só uma parte da música será usada aqui.)

When You're Gone

I've never felt this way before,
(Eu nunca me senti assim antes)
everything that I do reminds me of you.
(Tudo que eu faço, me lembra você)
And the clothes you left, they lie on the floor.
(E as roupas que você deixou, estão no chão)
And they smell just like you,
(E elas cheiram como você)
I love the things that you do
(Eu amo as coisas que você faz)


Lembrou-se dessa música, desviou o olhar bruscamente e segurou o choro. - "Não vou chorar. Não vou. Ele não merece.” - pensou.

When you walk away I count the steps that you take
(Quando você vai embora, eu conto seus passos)
Do you see how much I need you right now?
(Você não vê o quanto preciso de você agora?)

When you're gone the pieces of my heart are missing you
(Quando você parte, meu coração despedaçado sente saudades)
When you're gone the face I came to know is missing too
(Quando você parte, o rosto que eu cheguei a conhecer se perde também)
When you're gone the words I need to hear
(Quando você parte, as palavras que eu preciso ouvir)
To always get me through the day
(Pra sempre me me fazer superar o dia)
And make it ok
(E fazê-lo ficar bem)
I miss you
(Eu sinto saudades)

A garota correu para debaixo do chuveiro e a única coisa que queria era se afogar.

We were made for each other
(Nós fomos feitos um para o outro)
Out here forever
(Para todo o sempre)
I know we were
(Eu sei que fomos)

A água começou a se misturar com suas lágrimas, que eram incontroláveis e jorravam de seus olhos. Ela foi deixando seu corpo cair, até estar sentada com as pernas junto ao corpo e os braços em volta delas. Seus olhos começavam a arder.

All I ever wanted was for you to know
(Tudo o que eu sempre quis foi que você soubesse)
Everything I do I give my heart and soul
(Tudo o que eu faço me entrego de corpo e alma.)
I can hardly breathe I need to feel you here with me
(Eu mal consigo respirar, eu preciso te sentir ao meu lado)

When you're gone the pieces of my heart are missing you
(Quando você parte, meu coração despedaçado sente saudades)
When you're gone the face I came to know is missing too
(Quando você parte, o rosto que eu cheguei a conhecer se perde também)
When you're gone the words I need to hear
(Quando você parte, as palavras que eu preciso ouvir)
Will always get me through the day
(Vão sempre me me fazer superar o dia)
And make it ok
(E fazê-lo ficar bem)
I miss you
(Eu sinto saudades)

“Espera um pouco. O que é que eu estou fazendo? Que merda é essa? – ela olhou em volta – Olha pra você, ! Deixa de ser babaca, garota! Vai ficar aqui cantando e chorando nesse estado deprimente? Pelo amor de Deus! Se ajeita, mulher!” – pensou, levantou-se e desligou o chuveiro.

Depois do banho, colocou seu pijama favorito e ligou a TV. Não tinha planos nem de colocar a cabeça para fora da janela hoje.
Não havia nada de muito interessante na TV, mas enquanto mudava os canais, ouviu algo familiar. Em algum canal, nem prestou atenção qual, estava passando o clipe de Falling in Love. Tudo bem, essa música sempre fora linda, mas nunca mexera com ela à ponto de fazê-la chorar.
percebeu que não ia conseguir segurar as lágrimas de novo, estas já caíam por livre e espontânea vontade. Queria mudar de canal, mas seus dedos não a obedeciam, era como se estivesse paralisada ali.

“Muda a porcaria do canal, sua besta!” – gritou para si mesma mentalmente, mas mesmo assim ela não conseguia mexer um músculo.

A música acabou e foi só aí que ela conseguiu apertar o botão de desligar. Num movimento quase que involuntário, correu para o quarto, pegou um edredom, voltou à sala e se encolheu no sofá.
As horas foram passando e, devido a falta de notícias, as garotas resolveram passar no apartamento de . Já estava escuro e nenhuma luz estava acesa.
Seu apartamento era no segundo andar e ao começarem a subir as escadas, ouviram um barulho.

- AH NÃO! - gritou .
- É o que eu estou pensando? - perguntou , aflita.
- NÃO ACREDITO! É SIM! - respondeu , gritando.
- ANDA GENTE! CORRE! A GENTE TEM QUE TIRAR ESSA MÚSICA. - disse . - É UMA DAS PIORES BANDAS DE FOSSA!
- Relaxa gente, eu trouxe minha cópia da chave. - disse .

As cinco subiram as escadas enlouquecidas. abriu a porta. Encontraram uma sala totalmente escura e melancólica.
acendeu as luzes e todas se depararam com jogada no sofá. A garota mal reparara que suas amigas haviam entrado no apartamento. Havia uma garrafa de vinho pela metade, uma folha e uma caneta em cima da mesa de centro. A música que tocava era SOS do ABBA. S.O.S

cantarolava num fio de voz:

Where are those happy days?
(Onde estão aqueles dias felizes?)
They seem so hard to find
(Eles parecem tão difíceis de encontrar)
I tried to reach for you
(Eu tentei te alcançar)
But you have closed your mind
(Mas você fechou sua mente)
Whatever happened to our love
(O que aconteceu com nosso amor?)
I wish I understood
(Eu queria entender)
It used to be so nice
(Costumava ser tão legal)
It used to be so good
(Costumava ser tão bom)

- O que está acontecendo aqui, Dona ? - perguntou .
- Nada, só estou... Cantando...
- Está é se acabando, isso sim! - disse , num tom de repreensão. - , desliga essa merda de música. - inclinou-se para apertar o botão de desligar quando começou o refrão. Mesmo assim, não hesitou e desligou o aparelho de som.
Não adiantou, continuou cantando mesmo sem música:

So when you're near me, darling
(Então quando você está próximo a mim, querido)
Can't you hear me
(Você não pode me ouvir?)
S.O.S.
(S.O.S)

The love you gave me
(Amor que você me deu)
Nothing else can save me
(Nada mais pode me salvar)
S. O. S.
(S.O.S)

When you're gone
(Quando você se vai)
How can I even try to go on?
(Como eu posso até mesmo tentar prosseguir?)
When you're gone
(Quando você se vai)
Though I try how can I carry on?
(Mesmo que eu tente com posso continuar?)

- CHEGA! PÁRA COM ISSO! - disse , super irritada. - Você vai ficar aí de debulhando em lágrimas? Por causa de Jones e aquela piranha?
- Não. Agora que vocês chegaram, eu preciso falar uma coisa. - disse .
- Que coisa, ? - perguntou . - Você está ficando muito esquisita...
- Não é nada demais, é bem simples até. Eu quero sair. - todas olharam-na com cara de surpresa. - É isso mesmo. Quero sair, me divertir, beber e esquecer tudo o que aconteceu, afinal eu não dependo de ninguém para viver minha vida, certo? E aí, vamos ou não?
- Va... Va... Vamos. - respondeu , gaguejando.
- Ótimo. Preciso tomar um porre hoje, um porre dos bons. Vou trocar de roupa. - ela levantou-se do sofá num pulo. Em exatos cinco segundos, ela parecia outra pessoa, parecia que nada tinha acontecido e que aquela era uma noite completamente normal. saiu da sala e foi para seu quarto trocar de roupa.
- Hmmm... Foi só eu ou vocês também acharam isso muito bizarro? - perguntou .
- Todas nós achamos. - respondeu . - Mas até que é melhor assim. Pensem. Pelo menos, ela vai seguir em frente com a vida dela. Mas antes disso, ela precisa encher a cara, é a lei natural das coisas.
- Credo, dude! - repreendeu . - Também não é assim vai...
- Ah! É assim sim. - disse . - Ainda bem que ela quis nos levar junto, pior seria se ela tivesse ido sozinha. É melhor a gente estar por perto.
- Gente! Olhem isso aqui! - disse , fazendo um gesto para que as garotas se juntassem à ela perto da mesinha de centro. - Ela escreveu um poema para ele. - pegou o papel e começou a lê-lo: (n/a: esse poema é de autoria da autora da fic.)

"How can I get you off my mind, if you are my constant thought?
(Como posso te tirar da minha mente, se você é meu pensamento constante?)
How can I stop loving you, if your name is written in my heart?
(Como posso parar de te amar, se seu nome está escrito em meu coração?)
How can I take you out of my soul, if you are already part of it?
(Como te tirar de minha alma, se você já é parte dela?)
How can I live without you, if you are the air that I breathe?
(Como posso viver sem você, se você é o ar que eu respiro?)
It hurts so much that's impossible to imagine a life far away from you.
(Dói tanto que é impossível imaginar uma vida longe de você)
There's no life far away from you..."
(Não há vida longe de você...)

- É... É... Lindo. - disse .
- Ela escreveu isso para extravasar... É o que ela sempre faz. Escreve o que está se passando dentro do seu coração... - disse . Nesse instante apareceu na sala.
- Pronto! Podemos ir. - ela estava vestindo uma calça jeans, botas de salto alto, e sobretudo preto. Ela viu o papel na mão de . – Ah, isso. Bem, ele não merece nem uma vírgula do que está escrito aí. Acho que eu vou jogar isso fora, é. – Ela pegou a pequena folha da mão da amiga, amassou e jogou no lixo ao lado da escrivaninha. – Vamos?



Capítulo 9

No carro, tentou ligar para . Queria avisá-lo que ia sair com as garotas e que voltaria tarde para casa. Mas seu celular dava fora de área e caía na caixa postal.
Foram para um Pub e ao entrar viram algo que não deveriam ver naquela noite. . Ele estava sozinho, sentado no balcão e bebendo um copo de Whisky. Como estava de costas, não as viu.

- , você quer ir para outro lugar? - perguntou .
- Não. Por que eu iria? Não é por causa desse imbecil que eu vou deixar de sair com as minhas amigas ou ir aonde eu quero. - ela foi em direção à uma mesa vazia num lugar que julgou ser mais difícil para ele as ver.
não sabia o que fazer. Por um lado tinha o dever de ajudar a amiga, que estava passando por um momento muito difícil. Por outro, era seu irmão que estava sentado ali sozinho. Decidiu que, por enquanto, ficaria com a amiga, mas que assim que pudesse ia falar com o irmão.
parecia ler seus pensamentos quando disse:

- , pode ir lá. Ele é seu irmão e nada vai mudar isso.
- Mas você não ficaria chateada?
- Claro que não. Vai lá, eu não me importo.

levantou-se e foi até o irmão, que levou o maior susto, pois não esperava encontrá-la por lá.

- O que... você está... fazendo... aqui? - disse , com sua típica voz de bêbado.
- Eu vim com as meninas. Não sabia que você estava aqui...
- A veio também? Cadê... hmm... ela? - levantou-se e começou a procurar pelo salão. Quase tropeçou no banco em que estava sentado.
- Ela está sim. Mas nem pense em ir falar com ela.
- EU VOU SIM! - gritou, com a voz mais alterada ainda.
- Vai nada. Pode ir sentando aí. - colocou-o de volta no banco. - Não acha que já bebeu demais, não?
- Demais? Que isso! Tô só começando, irmãzinha!
- , eu vou te levar para casa. Você não está bem.
- Eu estou ótimo. Nem estou bêbado, ó! Quer me ver fazer um quatro? - ele tentou se levantar, mas quase caiu. - Viu? Perfeitamente normal...
- Ah é assim? Vai agir igual criança? Então fica aí, jogado às traças. Idiota. - virou as costas e voltou para a mesa.

- Ele está bem, ? - perguntou .
- O que você acha? Está bêbado né.
- Não é melhor levá-lo para casa? - perguntou .
- Eu tentei, ele não deixou.
- Nós viemos aqui para ficar de babá de ou para nos divertir? Pelo amor de Deus! - disse , irritada.
- Tudo bem, a gente pára de fala nele. - disse .
Nessa hora o garçom chegou com seis copões de cerveja. As horas foram passando e as garotas brincando, rindo e se divertindo. continuava ali, sentado no bar. Às vezes virava e ficava observando-as.

- Meninas, eu vou no banheiro. Já volto. - disse .
Ela foi até os fundos do Pub e entrou no banheiro feminino. Não tinha percebido, mas fora atrás dela e entrara no banheiro feminino também.

- O que você está fazendo aqui? Esse banheiro é feminino!
- Eu sei. Mas eu quero falar com você.
- Mas eu não quero. Então você pode, por favor, voltar para o lugar de onde veio?
- Não. Você VAI me ouvir. - virou-se e tentou chegar até a porta do banheiro. impediu-a. - Você VAI me ouvir.
- NÃO, EU NÃO VOU! - gritou.
- Cala a boca e escuta, ok? - fez cara de tédio, mas percebeu que não tinha outra opção a não ser ouvir as baboseiras de .
- Tudo bem, fala logo.
- , você tem que entender o que aconteceu. Eu não fiz nada. EU JURO! Eu nem sei como ela foi parar na minha cama!
- Conta outra, babaca.
- Ela deve ter me drogado!
- AH NÃO! AÍ JÁ É DEMAIS! VOCÊ NÃO QUER ASSUMIR A RESPONSABILIDADE E VAI JOGAR PARA CIMA DOS OUTROS? QUANTOS ANOS VOCÊ TEM? CINCO? SEJA HOMEM O SUFICIENTE PARA ASSUMIR O QUE VOCÊ FAZ!
- Mas eu não fiz nada!
- Como não fez? ELA ESTAVA LÁ NA SUA CAMA! ABRAÇADA EM VOCÊ!
- Isso não significa nada...
- NÃO SIGNIFICA NADA? NADA? NADA? - foi aumentando seu grito em cada 'nada' - TUDO BEM ENTÃO. VOU LEVAR O JUDE LAW PELADO PARA A MINHA CAMA E FICAR ABRAÇADINHA NELE! E NÃO VAI SIGNIFICAR NADA! NADA! NADA! – ela estava ficando vermelha de tanto gritar.
- Mas aí é diferente...
- DIFERENTE O CACETE, ! É A MESMA COISA! Pensa uma vez na sua vida! Usa seu cérebro! Se fosse eu com outro cara, você ia pensar a mesma coisa!
- É...é... hummm.
- VIU? - , não tendo o que dizer, aproximou-se de e tentou beijá-la. - ME SOLTA! ME SOLTA! ME SOLTA! - começou a bater e dar socos nele. - EU TE ODEIO ! EU TE ODEIO! TE ODEIO! TE ODEIO PRO RESTO DA MINHA VIDA! - e conseguiu se soltar de seus braços.
- Não, você não me ODEIA. Você me AMA e eu te AMO. E por isso, nós deveríamos ficar juntos. Por isso, você deveria me perdoar.
- TE PERDOAR? TE PERDOAR? EU POSSO PERDOAR QUALQUER COISA, , MAS NÃO ME PEÇA PARA PERDOAR UMA TRAIÇÃO! ISSO É DEMAIS PARA A MINHA CABEÇA! QUANTAS VEZES, NESSE TEMPO TODO QUE A GENTE TÁ JUNTO, VOCÊ FEZ BESTEIRA E EU TE PERDOEI? MILHARES DE VEZES. MAS DESSA VEZ, ACABOU, JÁ ERA. NÃO TEM PERDÃO.
- Mas... mas... , eu te amo.
- Se amasse não teria feito o que fez! E agora me dá licença, eu preciso voltar para a minha mesa. - abriu a porta do banheiro e saiu, mas não tinha desistido ainda. Puxou-a pelo braço, no meio do salão, e beijou-a. Foi tudo tão rápido que ela não teve tempo de impedir.
Da mesa, as garotas olhavam com cara de interrogação e espanto. O resto das pessoas, aplaudiu, achando que era um casal feliz que estava expressando seu amor. conseguiu, finalmente, empurrar .

- NUNCA MAIS FAÇA ISSO! ENTENDEU? NUNCA MAIS! SEU... SEU... SEU SAFADO! SEM VERGONHA! CACHORRO! FILHO DA PUTA! - as pessoas olharam espantadas. - E SE VOCÊ PUDER, NUNCA MAIS NEM OLHA PARA MIM! SE ESTIVER NA MESMA CALÇADA QUE EU, ATRAVESSE A RUA. ENTENDEU? - pronunciava aquelas palavras com uma dor agonizante no peito. Estava sem fôlego de tanto gritar.
Só ela sabia o quanto doía dizer tudo aquilo. Porque a verdade era que nunca queria sair de perto de , mas ela não podia aceitar essa cachorrada dele. Era realmente o fim.
- NÃO! EU TE AMO, PORRA! VOCÊ SABE DISSO!
- Eu achei que eu sabia, mas na verdade... eu não sabia era de nada... - pegou sua bolsa e saiu do Pub. As garotas foram atrás.

- , para onde você vai? - perguntou .
- Para casa. Emoções demais para uma noite só. Tenho que dormir, trabalho cedo amanhã. Boa noite vejo vocês de manhã. - entrou dentro do carro e foi embora.
- Mas esse seu irmão, hein ? - disse . - Vai lá dentro dar um jeito nele...
- É, ele passou dos limites hoje. - disse .
O celular de tocou e ela afastou-se um pouco das amigas para falar com .

- Oi, amor.
- Oi, minha linda. Onde você está? Estou escutando muito barulho.
- É que eu estou num Pub com as meninas. A gente veio trazer a para se distrair um pouco. Mas não deu muito certo...
- Ah sim, entendo. Mas por que não deu certo?
- Pergunta para o seu amigo, . É uma longa história, depois eu te conto. Mas por que você ligou?
- É que...eu... hã... preciso falar com você.
- Então fala, ué. Estou escutando.
- Não, tem que ser pessoalmente.
- Nossa, . Você está... me assustando. É sério?
- Não exatamente... depende de como você vê as coisas. - tremeu ao escutar essas palavras, pressentiu que algo estava errado. - A gente pode almoçar junto amanhã?
- Claro, !
- Então, meio-dia no restaurante em frente à redação do jornal. Eu sei que você gosta de almoçar lá...
- Eu adoro aquele restaurante! Te vejo amanhã então, meu amor.
- Te vejo amanhã, linda. Boa noite.
- ? Eu te amo.
- Eu... hã... também... - e desligou o telefone. estava tremendo um pouco e, ela não sabia porquê, mas seu coração estava apertado. Aproximou-se das meninas novamente.

- Então, vamos para casa agora? - perguntou.
- Acho que sim. Não há mais o que fazer aqui. - respondeu .
- Vocês podem ir. Eu tenho que dar um jeito no meu irmão. - disse . - Vão para casa. Eu cuido daquele idiota sozinha.
- Tudo bem, . - disse . - Vamos, meninas. A gente se vê amanhã.
- Nossa sessão de cinema com pipoca e pizza de chocolate lá em casa amanhã, ainda está de pé? - perguntou .
- Claro! Acho que se a gente cancelar, a mata a gente... Não é ela que vai fazer a pizza? - disse .
- É sim. Bom, deixa eu entrar e dar um jeito naquele bêbado lá dentro. - disse . - Até amanhã.

, , e foram embora e entrou de novo no Pub. Viu sentado no mesmo lugar de antes, tinha acabado de virar um copo de Whisky.

- SEU IDIOTA! O QUE VOCÊ PENSA DA VIDA? PELO AMOR DE DEUS, ME DIZ! VOCÊ ACHA O QUÊ? QUE PODE TRAIR A GAROTA E DEPOIS SIMPLESMENTE BEIJA-LÁ NUM PUB NA FRENTE DE TODO MUNDO?
- Mas ... eu... eu precisava fazer alguma coisa... Não podia deixar ela me largar assim.
- A única coisa que você pode fazer agora é ir embora para casa e seguir sua vida. SE vocês voltarem algum dia, não vai ser tão cedo. Ela precisa de tempo. Não força a barra, ok?
- Mas eu não posso não forçar a barra! Preciso dela!
- Cala a boca, . Vem, vou te colocar em um táxi para você ir para casa. - puxou-o pela mão e os dois saíram do Pub.
Ela chamou um táxi e o motorista parou na frente deles.
- Vai para casa e dorme. Amanhã você toma um remédio para essa ressaca. Te ligo quando acordar. - disse e o motorista arrancou com o carro.



Capítulo 10

No dia seguinte.

- Bom dia! - disse ao entrar na redação do jornal. , e já estavam lá.
- Bom dia. - disseram as três juntas.
- Adivinhem o que eu trouxe? STARBUCKS! - estava com uma bandejinha com quatro cappuccinos. Cada uma pegou o seu.
- Meninas, eu não contei ontem, mas tem uma coisa me preocupando. - disse .
- Conta, . O que foi? - perguntou .
- Eu recebi uma ligação muito estranha do ontem...
- Ah! Então foi ele que ligou ontem! - disse .
- Foi. E veio com um papo estranho de que precisava conversar comigo e que era sério...
- Não disse mais nada? - perguntou .
- Não. Mas marcou de almoçar comigo no restaurante aqui em frente hoje. - soltou um suspiro. - Estou preocupada. Ele estava com um jeito muito estranho...
- Não deve ser nada, dude. Você sabe o quão estranho o é. Provavelmente vai querer te contar que comprou um baixo novo. - disse .
- E que dessa vez as luzinhas dele são das cores do arco-íris! - disse . Todas riram.
- E que ele tem pequenas asinhas pra lançar vôo do meio do palco! – disse .
- É, provavelmente deve ser algo do tipo... - disse , com uma voz ainda preocupada.

A manhã passou sem nada de interessante acontecer. teve que ir até o London Eye tirar umas fotos para uma reportagem do próximo mês. e ainda estavam trabalhando com a cobertura do evento de Glasgow e teve que entrevistar um dos membros da Scotland Yard.
Já era meio-dia e todas estavam tirando sua pausa para almoço.

- Bem, vou encontrar o agora. Espero que tudo dê certo... – ela estava meio esquisita, com o olhar para o vazio, realmente preocupada.
- Não se preocupe. - disse sorrindo para ela.

Já era quase fim do expediente e ainda não tinha voltado do almoço. As garotas não estavam preocupadas, acharam que os dois tinham fugido para casa e passado a tarde juntos. Estavam arrumando suas coisas para sair quando viram entrar, cabisbaixa, pela porta da redação.

- E aí? Como foi o dia? - perguntou , animada.
- PÉSSIMO!
- Péssimo? Como péssimo? Você passou o dia todo com o ! - disse .
- MUITO PELO CONTRÁRIO. EU PASSEI O DIA TODO SOZINHA! SO-ZI-NHA.
- Mas como? Vocês não foram almoçar juntos? - perguntou .
- Se você chama aquilo de almoço... FOI A PIOR COISA DA MINHA VIDA! - lágrimas começaram a cair dos olhos de . - ELE TERMINOU COMIGO! TERMINOU! TERMINOU TUDO! JÁ ERA! ACABOU! - agora chorava muito.
- TERMINOU? - perguntaram as três juntas.
- É, terminou.
- Mas por quê? - quis saber .
- Porque ele acha que é muito novo para se prender à uma só pessoa. Ele não quer nada sério no momento!
- Mas vocês são... perfeitos um pro outro!
- Eu sei, . Mas... - soluçava. - ELE QUER É SAIR POR AÍ SE ENBEBEDANDO E PEGANDO DEZ NA MESMA NOITE! - à essa altura já estavam todos olhando assustados para e ela se acabava em lágrimas.
- Ai meu Deus! - disse . - A gente tem um problemão aqui.
- Acho melhor a gente levar ela para casa. Só faltam dez minutos pro fim do expediente e nós já fizemos tudo, acho que podemos ir embora. - disse .
- Podemos sim. Vamos levá-la para casa. - disse . - , liga para a e a . Manda elas irem para a minha casa.

Chegando na casa de , simplesmente sentou-se no sofá e ficou olhando para a parede.

- Dude, como o pôde fazer isso? Como? Não sei quem é pior... se é o seu irmão, ou se é o da . - disse .
- Não acredito que meu irmão tenha feito isso. Quer dizer, como ele pôde ser tão imbecil? - disse .

Combinaram de dormir todas na casa de . Tentaram animar com tudo que podiam, mas nada funcionou. No fundo, a única que entendia o que estava sentindo era . Afinal, dois dias atrás ela passara por coisa pior e ainda não estava totalmente bem, só tentava passar a impressão de que estava.
Todas já estavam dormindo, mas e não conseguiam pregar o olho.

- Dude, eu sei o que deve estar se passando na sua cabeça. Eu ainda estou muito mal por causa do que aconteceu com o ...
- É, agora eu sei por que você ficou tão mal... Não consigo acreditar que eu amo tanto um imbecil igual ao ...
- Eu ando pensando em uma coisa, dude.
- O que, ?
- Ainda não posso te dizer. Não tenho certeza ainda. Mas se der certo, não precisaremos mais nos preocupar com aqueles dois babacas...
- O que poderia ser? Não consigo pensar em nada que tire isso de mim...
- Me dê uma semana e eu resolvo tudo.

 

Capítulo 11

Uma semana e meia depois.

- , a gente tem que contar para elas. - disse , baixinho.
- Eu sei, mas estou com medo de como vão reagir.
- Não tem outro jeito. Temos que contar. Afinal, não temos muito tempo...
- Tudo bem, então. Vamos marcar com todo mundo essa noite, lá em casa.
- Isso, eu ligo para elas.
- , . - chamou . As duas viraram-se e olharam de suas mesas. - Reunião lá em casa hoje à noite.
- Para quê? - perguntou .
- Eu e a temos algo para comunicar.

As duas olharam curiosas e até um pouco assustadas, aquilo não podia ser boa coisa.

Mais tarde na casa da .

- Estamos todas aqui. O que vocês têm de tão importante para nos dizer? - perguntou .
- É complicado, mas foi o único jeito que achamos de tentar esquecer tudo o que aconteceu... - disse .
- Vocês estão estranhas. - disse .
- É, não estou entendendo nada. - disse .
- Então vou ser direta. Sem rodeios. - disse . - Lá vai: Eu e a vamos morar em Nova York. - todas olharam com cara de espanto, não acreditavam no que estavam ouvindo.
- Ótima brincadeira, meninas! - disse Nandae começou a rir.
- Não é brincadeira, dude. - disse . - Já está decidido. Nós conseguimos um emprego no NY Post e já está tudo arranjado para morarmos lá.
- QUANDO vocês decidiram tudo isso? - perguntou exaltada. - Vocês não nos contaram nada!
- Estamos contando agora... - respondeu .
- Vocês não podem ir morar em Nova York! Quer dizer, não podem nos deixar aqui! Não podem abandonar Londres! - disse .
- Vai ser difícil, , mas não tem como continuar aqui. - disse .
- NÃO! VOCÊS NÃO VÃO! - disse . - EU SOU A MAIS VELHA AQUI! EU NÃO DEIXO VOCÊS IREM! EU PROÍBO VOCÊS!
- Não tem como você não deixar, . Nós somos maiores, podemos fazer o que quisermos. - disse .
- Nós vamos e não há nada que vocês possam fazer contra isso. - disse .



Capítulo 12

- Anda, ! Deixa de ser lerdo! - gritou da sala.
- Que estresse, criatura! Calma, elas não vão embarcar sem despedir de você! - respondeu, aparecendo na sala.

Era o dia em que e embarcavam para Nova York. Um dia triste, até mesmo para elas, afinal deixar Londres era a última coisa que queriam fazer. Mas era preciso, não tinha outro jeito.
Nova York nem deve ser tão mal assim. Quer dizer, as pessoas que moram lá acham legal, não é mesmo?
O vôo partia às 07h30min da noite e já eram seis horas. As garotas combinaram de se encontrar para a despedida às seis e meia.

- Até que enfim! Vai casar hoje, é? Está parecendo noiva! - disse .
- Se você quiser a gente casa... Hoje. Só que você tem que ser a noiva, não eu. Topa?
- Ai, ! Que hora mais inoportuna para fazer um pedido de casamento! Não dá para ser amanhã? A gente sai para jantar e você compra um anel para mim, tudo bem?
- Você REALMENTE está estressada hoje. Qualquer outro dia e nós estaríamos indo para o cartório agora! - disse com sarcasmo.
- Vamos embora logo, seu lerdo! Eu quero chegar no aeroporto hoje! - abriu a porta e saiu andando, sem esperar . Mas no meio das escadas, levou um susto ao ver algo que não esperava no dia de hoje. – Hã... ? - gaguejou.
- Por que a surpresa, irmãzinha?
- Não, nada. Só não esperava te encontrar aqui.
- Então, o está lá no carro. A gente queria convidar você e o para sair.
- Hmm... É... Então. É que hoje não dá! - disse , ainda gaguejando.
- Por que não dá? Vão fazer o quê?
- Nós vamos... Nós... - apareceu atrás de nas escadas. - Fala para ele aonde a gente vai, . - disse , olhando sugestivamente para o namorado.
- Nós vamos... Nós vamos... Ali. - respondeu .
- Ali onde, seu idiota? - perguntou .
- Ali, só ali. Na padaria, talvez?
- Vocês estão estranhos. O que estão escondendo de mim?
- Nada, . - respondeu .
- Claro que estão, ! Eu te conheço! Você é uma Jones, esqueceu? Você está mentindo.
- Já falei que a gente só vai dar uma volta, Daniel!
- Não vão não. Vocês estão escondendo alguma coisa. Fala logo!
- Tudo bem, então. - respirou fundo e soltou tudo de uma vez só. - A e a estão se mudando para Nova York e embarcam hoje. Pronto, falei.
- O QUÊ? ? ? MUDANDO? NOVA YORK? EMBARQUE? HOJE? COMO ASSIM? - pegou os ombros da irmã e sacudiu-a. - E VOCÊ SÓ ME CONTA ISSO AGORA?
- Eu não podia contar! Elas me pediram para não contar para você nem para o .
- E você decidiu trair seu próprio irmão?
- Claro que não! Deixa de criancice! Elas são minhas melhores amigas e você pisou na bola.
- Eu... Eu... Preciso ir. - disse ao mesmo tempo em que saiu correndo escada abaixo. Ele parecia atormentado, quase tropeçou nos degraus.
- Eu não estou com um bom pressentimento sobre isso, . Droga! Por que ele tinha que aparecer justo hoje?
- Agora já era, amor. E vamos logo, se não a gente não chega à tempo.

Enquanto e pegavam o carro na garagem do prédio, entrou em seu carro desesperado para dar a notícia para .

- , acho que agora as coisas estão ferradas de vez. - estava um pouco desnorteado, não sabia o que fazer.
- O que foi, ? O que aconteceu lá em cima?
- Eu fiquei sabendo da pior coisa do mundo... As meninas, dude... Elas...
- Elas o quê, caramba?
- A e a vão morar em Nova York e embarcam hoje. - colocou a testa no volante do carro e bateu-a três vezes.
- Você quer dizer que elas vão para o outro lado do oceano? - perguntou, espantado. - Mas... Mas... Não pode! Como... Como... Eu vou ficar?
- Como assim, "como você vai ficar"? Foi você que terminou com a !
- É, eu sei, dude. Mas é que... Eu tenho que admitir, eu não imaginei que sentiria falta dela, mas eu sinto. E bastante. Acho que eu não consigo viver sem ela... – disse olhando o vazio pela janela.
- E agora? O que a gente faz?
- Não sei. As duas não querem ver a gente nem pintados de ouro...
- E eu fiquei tão descontrolado quando a me falou que eu nem perguntei que horas era o vôo, nem de onde sai o avião. - soltou um suspiro. - Eu sei do que a gente precisa. Pelo menos do que eu preciso.
- O quê?
- Bebida! - arrancou com o carro e decidiu que pararia na primeira lojinha que vendesse bebidas.

Uns dez minutos depois, eles estavam com o carro estacionado em frente a uma loja de conveniência, sentados no capô do carro e bebendo cerveja.

- Já estava difícil ficar sem vê-la, sem abraçá-la, sem beijá-la... Agora que ela vai para outro país, como vai ser? Quer dizer, eu não sei se consigo agüentar, !
- Sabe, nesses dias que passaram desde que eu terminei com a , eu tenho pensado muito no que eu fiz. E eu acho que não foi nada certo. Acho que eu precisei perdê-la para dar valor e saber o quanto eu gosto dela.
- Elas é que estão certas, viu? Nós somos dois idiotas, babacas, cachorros. Quem em sã consciência faria o que a gente fez?
- Verdade. Pela primeira vez na vida, você disse algo certo, . - os dois ficaram quietos por vários minutos. Até romper o silêncio com um berro.
- NÃO! - olhou-o espantado. - EU NÃO VOU DEIXAR ELA IR EMBORA! NÃO VOU! EU A AMO, . VOU LUTAR POR ELA!
- Mas nós não podemos fazer nada! Estamos de mãos atadas.
- Claro que podemos! Nós podemos ir ao aeroporto e pedir que elas fiquem! É uma idéia brilhante!
- , não é porque dá certo nos filmes que vai dar certo na vida real... As coisas são diferentes.
- EU NÃO ME IMPORTO! EU VOU! - bebeu o último gole de sua cerveja e jogou a garrafa no lixo. - Anda, ! Vai ficar aí parado e deixar a garota que você gosta ir embora ou vai lutar para que ela fique?
- Está certo. Vale à pena tentar. Eu faço o que eu puder para ter a minha pequena de volta. - entrou no carro.

corria como um louco com o carro. Mas não sabia para onde ia, estava confuso. Seus neurônios, que já não funcionavam muito bem, estavam piores que o normal.

- , liga para a .
- Para quê?
- Liga logo e não faz muita pergunta, .
- ? É o . O quer falar com você. - colocou o celular no ouvido dele.
- Oi, maninha. Então, eu preciso de uma informação. Preciso saber em que aeroporto e quando é o vôo das meninas.
- Não dá tempo de você chegar aqui, . Está em cima da hora e eu acabei de chegar com o .
- Não quero saber, porra! Me diz! AGORA! - gritou.
- Está bem, mas eu duvido que você chegue a tempo. Aeroporto Heathrow, terminal 5, portão de embarque 2. É o vôo das sete e meia.
- Valeu. - mal esperou terminar e já desligou o celular.
- E então? Ela disse?
- Disse. Elas estão no Heathrow. Está muito longe daqui. Mas eu dou um jeito. Nós temos que chegar a tempo.

Capítulo 13

Enquanto e corriam para o aeroporto feito o Papa Léguas, as garotas diziam adeus à e .

- Eu... Acho que não tem mais jeito mesmo, não é? - disse , com os olhos cheios de água.
- Infelizmente não, dude. - disse .
- Isso é mesmo um adeus. - disse . - Bem, pelo menos, um até logo...
- Vocês têm certeza? Porque, sabe, ainda dá para vocês não embarcarem... - disse .
- , a gente já conversou sobre isso. Por favor, não faça isso ficar mais difícil do que já está. - disse .
- Posso pedir uma última coisa? - disse e uma lágrima caiu de seus olhos.
- Pode. - disseram todas juntas.
- Eu não POSSO entrar naquele avião sem um abraço de vocês... De todas juntas. - não foi necessário dizer mais nada, todas foram se juntando até formar um círculo e um grande abraço coletivo. A essa altura, todas já estavam em prantos.
- Como nós vamos sobreviver aqui sem vocês? Hein? Me digam? - perguntou , chorando.
- Como vai ficar Wonderland sem vocês? - completou , também chorando.
- Nós... Não sabemos. Nova York também será péssimo sem vocês, meninas. Não vai ser fácil para nós também. - disse .

"PRIMEIRA CHAMADA PARA O VÔO 468 COM DESTINO À NOVA YORK. EMBARQUE NO PORTÃO 2" - ouviram o auto-falante dizer.

- Está quase na hora... - disse .
- Olha, nós vamos ter que ser fortes. Eu sei que conseguimos ficar um tempo sem nos ver... - disse .
- E além do mais, não é permanente. Um dia nós voltamos. Só precisamos... Respirar novos ares. - disse .
- Existem ares novos aqui em Londres... - disse , fazendo biquinho.
- Acho que a única coisa que podemos fazer então é desejar que tudo dêsuper certo e que vocês possam esquecer o que aconteceu e voltar logo... - disse .
- É. Vocês prometem que voltam? - perguntou .
- Prometemos. - responderam as duas juntas.

"SEGUNDA CHAMADA PARA O VÔO 468 COM DESTINO À NOVA YORK. EMBARQUE NO PORTÃO 2"

- Eu acho que agora temos que ir. - disse . - Eles já devem estar chegando. - disse . Uns cinco minutos depois, Harry e Tom estavam de volta.

- Bem, acho que vou ter que dizer adeus à uma das minhas Jedi preferidas! - disse , olhando para .
- Infelizmente sim, . - respondeu. - AH! Eu vou sentir tanta saudade de você! - pulou no pescoço de e os dois se abraçaram. - Não esquece de me manter informada pelo twitter,ok? - já estava chorando de novo.
- E você, maninha? Vai me abandonar assim? - perguntou.
- Vou... Não queria, mas vou... - disse , pulando em cima de Tom. - Vou sentir falta de você, brotha...
- E eu de você. - os dois já estavam chorando. se afastou e aproximou-se de .
- Me diz uma coisa? Quem é que eu vou chamar de baixinha agora? Você acabou com a minha diversão! - brincou .
- Ah, seu bocó! Chama a !
- Ela não vale... Tem outros apelidos pra ela...
- Não quero detalhes, . Só me dê um abraço, ok? - os dois se abraçaram e disseram adeus um ao outro.
- E você, hein? A rainha... da lerdeza? - todos perceberam o que , sem querer, ia falar. O apelido que ele inventara para o casal, o rei, obviamente, era . fingiu que aquilo não a fez lembrar-se dele.
- Ai, ! Seu bobalhão! Vou sentir saudade das suas zoações, por incrível que pareça. - e se abraçaram e despediram-se.


Capítulo 14

provavelmente foi multado umas quatro vezes por excesso de velocidade naquele dia. Era a última esperança que ele e tinham. Não podia dar errado.
De longe avistaram a placa que dizia: "AEROPORTO HEATHROW - 100M". O carro parecia voar e começava a ficar enjoado.

- Pára, dude! Assim você mata a gente antes de chegar no aeroporto! - disse .
- Se a gente morresse seria uma ótima maneira de chamar a atenção delas!
- Cala a boca, seu idiota!

A essa altura eles já estavam na entrada do aeroporto. Pararam o carro na primeira vaga que viram e de qualquer jeito.
Foram falar com o segurança que estava na entrada.

- É, então. Onde fica o terminal 5? - perguntou , aflito.
- É só entrar por aqui, seguir até o fim do corredor, virar à esquerda e depois à direita.
- É muito longe? - perguntou , já há uns dois metros de distância do segurança.
- Como hoje está lotado, uns 10 minutos.

Os dois já estavam longe, mas conseguiram ouvir a parte dos "10 minutos".
- Droga! Merda! Nós vamos ter que correr muito, .
- Olha ali! - apontou o grande painel de informações e leu: - "Vôo 468 Destino Nova York - Embarque em andamento"
- CORRE! NÃO OLHA PARA OS LADOS, ! SÓ CORRE!
- É NOSSA ÚLTIMA CHANCE, . É AGORA OU NUNCA!

E os dois começaram a correr que nem loucos. Não estavam se agüentando, mas não desistiram. O aeroporto era enorme e eles nunca tinham se dado conta daquilo antes. O corredor principal, onde estavam, era gigante. E estava lotado, o que dificultava sua passagem. Trombaram com várias pessoas no caminho e nem pararam para pedir desculpas, não tinham tempo para isso.

"ÚLTIMA CHAMADA PARA O VÔO 468 COM DESTINO À NOVA YORK. EMBARQUE NO PORTÃO 2"

- Agora nós realmente temos que ir... - disse . Já estavam todas chorando mais que antes.
- Fiquem só mais um pouco! - pediu e agarrou as duas.
- Não dá, . Por favor, não faça isso ficar mais difícil do que já está. - pediu .
- Tudo bem, então. - respondeu, afastando-se e limpando as lágrimas dos olhos.
- Um último abraço coletivo, então? - disse .
- Sim, um último abraço coletivo... - disse .

Todas se juntaram e ficaram alguns segundos sem dizer nada. Foi quem quebrou o silêncio:

- Não é um adeus, mas apenas um até logo. Nós prometemos.
- E nós vamos cobrar essa promessa. - disse .

e pegaram suas bolsas e dirigiram-se ao portão de embarque. As duas estavam de mãos dadas, uma dava forças à outra.

- Coragem, certo? - Disse .
- Certo. Vai dar tudo certo. - As duas respiraram fundo e entregaram as passagens à atendente.

Nesse exato momento, e viram, de longe, a placa que indicava o terminal 5.

- Chegamos,dude. - disse , quase sem ar.
- Só mais um pouco e encontramos elas.

Continuaram correndo, estavam muito perto. Ao passarem pela porta, esbarraram em , e as meninas.

- Cadê? Cadê? Cadê elas? - perguntou , sacudindo .
- Acho que... Vocês se atrasaram... - respondeu.
- Elas acabaram de embarcar. - disse .
- NÃO! - gritou . - VOCÊS ESTÃO MENTINDO! - chegou perto de . - SIS, ME DIZ QUE VOCÊ ESTÁ MENTINDO!
- Não, . Infelizmente não.

agarrou pelo braço e foi até à atendente da companhia aérea.

- Olha só, tem duas pessoas dentro desse avião que não podem viajar. Você tem que tirá-las de lá! - disse .
- Sinto muito. Isso não será possível, senhor.
- Você não está entendendo. Elas são as garotas que nós amamos mais que tudo. Elas não podem ir embora! - gritou .
- Já disse que sinto muito. Não há nada que eu possa fazer.
- Então tem como nós dois entrarmos no avião? Onde eu compro passagens para esse vôo? - perguntou .
- O vôo está lotado. O próximo só sai daqui 18 horas.
- SHIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIT! - gritaram os dois juntos. - EU VOU ENTRAR NESSE AVIÃO!! - gritou , avançando na direção do portão.
- NÓS VAMOS! - completou , seguindo .
- Ei! Vocês não podem entrar aí! - disse a atendente. - SEGURANÇA! - gritou e um brutamontes veio correndo.
- , . - disse , pegando-os pelo braço. - Conformem-se, agora já era. Foi nessa hora que o segurança chegou até eles.
- O que está acontecendo aqui? - perguntou o grandalhão.
- Esses dois... - começou a dizer a atendente,mas foi interrompida.
- Não foi nada. Eles já estão de saída. Desculpe o inconveniente. - disse , fazendo sinal para levá-los para longe. O segurança afastou-se.
- Vocês ferraram tudo. Não tem mais jeito. - disse .
- Acho melhor vocês irem para casa agora. Não há mais nada que fazer aqui... - disse .
- Casa? O último lugar para onde eu vou agora é para casa! - disse .
- Sinto uma imensa vontade de tomar um porre... - disse .
- Leu meus pensamentos, dude. - respondeu .
- Eu não acredito! Vocês vão agir como crianças agora? - repreendeu .
- Vocês dois deviam era tomar vergonha na cara! - disse .
- Não enche, maninha. Vamos para o pub, . - disse , afastando-se.
- Então, eu acho que vejo vocês amanhã... - despediu-se .
- Vocês... Esquece. - disse e virou-se para os outros. - Não vai adiantar nada eu dizer, eles vão ignorar.

e foram se arrastando até a entrada do aeroporto e os outros foram andando atrás.
Os dois entraram no carro e não disseram mais nada.

- Onde fica o bar mais perto, ?
- Uns 15 minutos daqui. Acelera.


Capítulo 15

Enquanto isso, o avião estava quase decolando, e estavam procurando seus lugares.

- Aqui, dude. Assentos 25 e 26. - disse .
- Estou tremendo. Não sei por que, mas me deu um aperto no coração agora... - disse , sentando-se no seu lugar.
- Sabe, meu coração também está assim... Pequenininho... - suspirou - Será que está certo o que a gente está fazendo?
- Não sei, para dizer a verdade deixar Londres nunca esteve nos meus planos.
- Eu vou sentir tanta falta disso tudo... Mas principalmente... Deixa para lá.
- Pode falar. Principalmente do seu .
- Queria tanto o abraço dele agora... - Sei bem como é. Não sei como vai ser sem o .
- Será que eles já estão sabendo que a gente foi embora? - perguntou .

"SENHORAS E SENHORES, AQUI QUEM FALA É SEU COMANDANTE. GOSTARIA DE PEDIR QUE COLOCASSEM O CINTO DE SEGURANÇA. QUALQUER PROBLEMA FALEM COM AS COMISSÁRIAS. O VÔO TEM DURAÇÃO DE 12 HORAS. OBRIGADO POR VOAREM CONOSCO. TENHAM UMA BOA VIAGEM."
As duas obedeceram e colocaram o cinto.

- Não sei. Pode ser que alguém tenha comentado com eles. - olhou pela janela. - De qualquer maneira, se eles sabem, nem deram as caras por aqui...
- Idiotas...
- You and I have got a lot in common we share all the same problems... - começou a cantarbaixinho.
- Luck, love and life aren't on our side... - completou . – Música muito antiga, mas tem um significado especial para a nossa amizade…
- Muito especial…

As duas ficaram cantando em voz baixa e viram da janela, Londres ficando para trás.

- Adeus, Wonderland. - disseram as duas juntas e lágrimas caíram do rosto de cada uma. Seria uma viagem longa e cansativa. Tentaram dormir, mas muitas coisas estavam em suas mentes, demoraram a pegar no sono.

*****

As garotas estavam, junto com e , no estacionamento.

- Estou preocupada. - disse .
- Com os meninos ou com as meninas?
- Com os dois. Mas mais ainda com nossos irmãos. Você sabe, eles não são muito de pensar antes de fazer alguma coisa...
- A tem razão, . Será que não é melhor a gente ir atrás deles? - disse .
- Não. Cansei. Nós não podemos ser babás desses dois para o resto da vida! Eles têm que aprender a se cuidar sozinhos! - respondeu .
- Então é melhor todo mundo ir para casa. - disse .

Despediram-se e cada um foi cuidar da sua vida. estava, sim, com medo do que podia aprontar, mas recusava-se a bancar a babá dele mais uma vez.

- E agora, o que a gente faz, amor? - perguntou à , dentro do carro.
- Hmmm... Que tal aquele jantar que você prometeu mais cedo? - Não precisa nem pedir de novo. - respondeu e beijou-a apaixonadamente. - Eu te amo, minha linda. E prometo que nunca vou te fazer chorar. - dito isto, ficou sem palavras e uma lágrima rolou de seus olhos, arrancou com o carro.
e saíram para jantar naquele dia, foi um dos jantares mais românticos dos dois. Depois deram uma volta a pé pelo bairro e sentaram, abraçados, na calçada para olhar o céu.

*****

Algumas horas depois, e ainda estavam no avião.

- ? ! Acorda, ! - disse , sacudindo-a.
- Hã? O que? O que aconteceu? Já chegamos?
- Não, não chegamos. - fez uma pausa - Você deve ter tido algum sonho ou pesadelo... Você estava gritando...
- Gritando? O que eu gritei? Não lembro com o que sonhei. - disse , confusa. - Você... Você... Chamou o nome dele. Várias vezes. - disse , quase sem coragem.
- Ah... - disse , num fio de voz e com uma expressão de tristeza. - Foi só um sonho, afinal. Tenho que parar de dar tanta importância aos meus sonhos...
- Aw, dude. Não fica assim. Lembre-se que nós vamos começar tudo de novo, mas não tente mudar quem você é.
- Eu sei, eu sei. - esfregou os olhos e virou-se para novamente. - Que horas são?
- Não sei, acabei de acordar... Com seus gritos! - as duas riram.
- Bocó. - abriu sua bolsa e começou a procurar alguma coisa dentro dela. Deparou-se com um pequeno objeto que nem se lembrava que estava lá. Seus olhos encheram-se de água.
- O que foi, dude? Você está chorando?
- Não... É só que eu estava procurando meu mp4 e encontrei algo que não sei por que eu ainda tenho... - tirou de dentro da bolsa aquele pequeno e delicado prendedor de cabelo prateado que lhe dera naquele dia em Notting Hill.
- Ah, o prendedor...
- Não sei se consigo jogá-lo fora, dude.
- Se serve de consolo, eu ainda tenho a pulseira que o me deu. Não consegui me desfazer dela...
- Vamos fazer um trato então? A gente não joga fora, mas também não fica olhando pra eles e lembrando de... Pessoas indesejadas. Combinado?
- Combinado. Por enquanto eles ficam lá no fundo bolsa, depois a gente, sei lá, enterra no jardim. - as duas riram.

Elas voltaram a dormir e foram mais longas e longas horas de vôo.

Capítulo 16

A aeromoça aproximou-se delas.
- Senhoras, o avião vai pousar em cinco minutos. Coloquem o cinto de segurança, por favor. - e obedeceram e ficaram olhando pela janela a cidade de Nova York, toda escura e cheia de luzes.
Várias coisas estavam passando pela cabeça das duas, mas nenhuma teve coragem de dizer nada.

"BEM-VINDOS À CIDADE DE NOVA YORK. ESTAMOS AGORA ATERRISSANDO NO AEROPORTO JFK. PERMANEÇAM EM SEUS ASSENTOS ATÉ O POUSO SER COMPLETADO. OBRIGADA POR VOAREM CONOSCO." - disse a aeromoça pelo auto-falante.

Mal piscaram os olhos, já estavam pegando suas coisas e descendo do avião. Chegaram na sala de desembarque e foram pegar as bagagens. Ficaram paradas na frente da esteira, meio bobas, sem fala e tão distraídas que quase deixaram suas malas passarem direto.

- Acho que... temos que pegar um táxi agora. - quebrou o silêncio.
- É, vamos procurar um lá fora.

As duas entraram e pediram ao motorista para levá-las ao endereço em que iam morar agora. Foram observando as coisas no caminho, tudo muito bonito, apesar de ser madrugada ainda, mas não tão mágico como em Londres.
Chegaram em frente ao prédio em que morariam, pagaram o táxi e entraram. Jogaram suas malas no chão da sala. Ficaram impressionadas, no anúncio dizia que o apartamento era mobiliado, mas não dizia que a mobília era tão bonitinha.

- Temos que ligar para as meninas. Nós prometemos. - disse .
- A gente pode fazer uma teleconferência, não estou com muita disposição para ligar e falar a mesma coisa quatro vezes.
- Tudo bem. Eu também estou cansada, preciso dormir. - pegou o celular e ligou para e depois colocou as outras na ligação.

Eram sete e meia da manhã de domingo em Londres, estava deitada abraçada em e atendeu o celular, sonolenta.

- Alô?
- , é a . A também pode te ouvir.
- ! ! Como vocês estão? Já chegaram? - nessa hora, as outras garotas entraram na ligação.
- ? ? - perguntou .
- Oi, ! Oi, ! Oi, ! - disseram as duas juntas pelo viva-voz.
- Quais as novidades? - perguntou .
- Bem, nós acabamos de colocar os pés no nosso apartamento e ele é lindo. - disse .
- São quase três da manhã aqui e nós estamos exaustas. - disse .
- E vocês já vão começar a trabalhar amanhã?- perguntou .
- Sim, amanhã é nosso primeiro dia. - disse .
- Isso que eu estou ouvindo é o ronco do , ? - perguntou .
- É, o idiota está roncando a noite toda. - as seis riram.
- Acho que é isso. Nós estamos bem, não se preocupem. - disse .
- Só precisamos descansar. O vôo foi muito cansativo. - completou .
- Tudo bem, então. - disse . - Se cuidem e descansem. Vai dar tudo certo.
- É isso aí. Amanhã vocês começam uma vida nova. - disse .

As garotas despediram-se e desligaram o telefone. Foram procurar seus quartos. Colocaram um pijama e desmaiaram na cama macia e cheirosa.

*****

EM LONDRES:

- , aonde você está indo? - perguntou .
- Nós temos que ir no estúdio gravar, esqueceu? Nada de final de semana para nós.
- É verdade. Tinha esquecido disso.

tomou um banho, trocou de roupa e já estava abrindo porta quando seu celular tocou.

- ? Eu já estou saindo de casa.
- Não é isso. É que eu estou tentando falar com o e o desde que eu acordei e nenhum deles atende o celular ou o telefone de casa.
- Ai não! Está pensando o mesmo que eu?
- Caídos e inconscientes no chão da casa de um dos dois, pode apostar.
- Eu tenho a impressão de que eles estão na casa do . Vamos nos encontrar lá, Tom. Dez minutos.
- Ok.

Não deu outra. A porta do apartamento de não estava nem trancada. Os dois entraram e deram de cara com dois bêbados desmaiados no chão e garrafas de bebida espalhadas pela sala.
Acordaram os dois e obrigaram-nos a tomar um banho e muito café para se recuperarem da ressaca. Aquele dia no estúdio não foi muito proveitoso.

*****

EM NOVA YORK:

Era segunda de manhã e e estavam se arrumando para o primeiro dia de trabalho.

- E se ninguém for com a nossa cara, dude? - perguntou .
- Aí a gente... Incendeia o prédio? - disse , rindo.
- Parece bom para um primeiro dia. - as duas riram muito alto e saíram de casa.

No caminho, as duas estavam muito animadas, mas um certo medo jazia bem lá no fundo de suas almas.
Entraram com o carro no estacionamento do enorme prédio do NY Post e ficaram deslumbradas. Era tudo lindo, hipnótico, cheio de glamour... como Wonderland, pensaram.
Saíram do carro, suas mãos tremiam um pouco.

- É agora. Pronta? - perguntou .
- Pronta. - respondeu e as duas entraram no prédio depois de uma breve pausa para tomar coragem.
- Bom dia. - disse . - Nós somos e , nós vamos trabalhar aqui e nos disseram para procurar Phillip Right.
- Bom dia. - respondeu a recepcionista. - O Sr. Right é o editor-chefe. Só um instante que vou verificar se podem subir. - a mulher pegou o telefone e ligou em um dos ramais. As duas esperaram. - Tudo bem, podem subir. A sala do Sr. Right fica no décimo andar.

As duas entraram no elevador e seguiram para o décimo andar. Ao chegarem, havia uma simpática mulher a sua espera.

- Bom dia. Eu sou Julia, secretária do Sr. Right. Venham comigo. - as duas seguiram-na. Entraram numa sala toda de vidro e persianas bege, um senhor de mais ou menos cinqüenta anos estava sentado na cadeira atrás da escrivaninha.
- Olá, meu nome é Phillip Right. Prazer em conhecê-las.
- É um prazer conhecê-lo também, Sr. Right. - disse .
- Ouvimos muitas coisas sobre o senhor.- disse .
- Boas ou ruins? - ele soltou uma alta risada.
- Boas, é claro. - respondeu.

Ficaram uma boa meia hora conversando com o editor e descobriram que ele era um homem bem simpático e carismático, mas também muito exigente. Sua presença era agradável.

- Bem, chega de conversa. Vocês duas precisam conhecer o resto da redação. - ele pegou o telefone e chamou a secretária. - Julia, ligue para Luke e Nick e diga à eles que esperem pelas duas garotas novas. Eles estão responsáveis por elas hoje.
- Sim, senhor. - respondeu e saiu da sala.
- Luke é um de nossos jornalistas e Nick um dos fotógrafos. Eles vão lhes mostrar tudo e ensinar o que precisam saber pra trabalhar aqui. Vejo vocês depois. - disse acenando.

As duas foram até a mesa de Julia.

- Nick está no andar nove e Luke no andar sete. Eles já estão à sua espera.
- Muito obrigada, Julia. - disseram as duas juntas.


Capítulo 17


A manhã inteira se passou e as duas não se viram mais. Estavam adorando o novo emprego. Já na hora do almoço, conseguiu descer para o sétimo andar. estava sentada em uma mesa, digitando alguma coisa no computador.
- ! Como vai o primeiro dia? - perguntou.
- ! Até agora, vai muito bem. E o seu?
- Ótimo também. Sabe, aquele tal de Nick é um gato... - disse .
- Bom, devo admitir que o Luke também é. Além de ser um super fofo e atencioso.
- Olha! É ele! O Nick! - disse baixinho e apontou para uma mesa perto da janela, onde dois homens estavam em pé lendo e analisando uns papéis.
- Você está doida? Aquele é o Luke!-
- Não é não. O nome dele é Nick. -
- Eu passei a manhã toda com ele, acho que o reconheceria! -
- Pelo contrário, eu passei amanhã toda com ele. Eu o reconheceria em qualquer lugar! -
- Você está me chamando de mentirosa? -
- Não. Só estou dizendo que talvez você precise aumentar o grau dos seus óculos. -
- Eu não sou cega! Você é que deve estar confundindo as coisas! -
- Então nós vamos ver! - saiu na direção do homem em questão - EEEI! EEEI! Nick! - ele nem virou para olhá-la.
- Viu? Eu disse que não era ele.-
- EEEI! NIIIIIIIIIIIIICK! - gritou , cutucando-o. - Ei, Nick. Por favor, você pode dizer para a que você é o Nick? -
- Não. - as duas olharam abismadas e foi nessa hora que um homem, a poucos metros de onde elas estavam, saiu do elevador.
- Mas... Mas... Ele é o Luke! - disse apontando para o homem do elevador - E esse aqui também! -
- Claro que não! Esse é o Nick e o outro também é o Nick! - as duas estavam desnorteadas, quer dizer, o que estava acontecendo? Já haviam criado clonagem humana? Não, impossível.

Os dois começaram a rir descontroladamente. Certamente havia alguma graça na situação, graça que as duas não acharam. Aquelas risadas as deixaram muito irritadas.
- Vocês podem, por favor, dizer qual é a graça dessa situação? - perguntou , irritada.
- Aliás, vocês podem dizer o que é que está acontecendo? - perguntou , também irritada.
- Bem - disse o homem do elevador, que agora estava ao lado delas. - É bem simples, na verdade. -
- Mesmo que fosse complicado. Nós não somos retardadas. - disse e os dois riram.
- Tudo bem - disse o outro homem - Vocês não estão loucas e, não, nós não fomos clonados. Eu sou Luke Keller e esse - apontou para o outro - é meu irmão gêmeo Nick Keller.-
- COMO É QUE É? - as duas disseram juntas. Elas estavam completamente perplexas e morrendo de vergonha.
- Isso mesmo que vocês ouviram. - disse Nick.
- Ai meu Deus! Que vergonha! - disse .
- Não acredito que nós fomos tão estúpidas. Por favor, nos perdoem. - disse .
- Não tem problema. Isso vive acontecendo. Vocês não tinham como saber. - disse Luke.
- Mas nós armamos a maior confusão. Vocês e o resto do pessoal da redação devem estar achando que nós somos doidas. - tentou desculpar-se .
- Não esquentem garotas. É o primeiro dia de vocês aqui, não são obrigadas a saber tudo. E além do mais, até pessoas da nossa própria família nos confundem às vezes. - as garotas riram.

Os dois eram iguaizinhos na aparência, mas o jeito era um pouco diferente. Luke era um pouco mais sério e compenetrado e Nick era mais brincalhão e desleixado, porém essas características eram um pouco instáveis, já que foi Luke quem fez a primeira piada.
- Bem já que está tudo esclarecido, podemos tomar um café depois do expediente? Quer dizer, isso se vocês não se importarem de ficar perto de experiências genéticas com produtos radioativos como nós! - os dois racharam de rir.
- Háhá! Muito engraçadinho você, Luke Radioativo Keller. - disse e dessa vez todos riram.
- Mas é sério. Vocês aceitam tomar um café na Starbucks com a gente no final do expediente? - as duas tremeram ao ouvir a palavra "Starbucks", aquilo trazia lembranças demais, coisas que elas queriam esquecer. - O que foi? - perguntou Nick ao ver que as duas estavam um pouco pálidas.
- Não é nada... É que Starbucks traz algumas lembranças, só isso. - respondeu .
- Se quiserem podemos ir a outro lugar... - disse Luke.
- Não, nada disso. Vamos à Starbucks. - disse .
- Tudo bem, então. A gente se encontra na portaria principal às seis. - disse Nick - Agora, , preciso que venha comigo.-

O dia passou super rápido e as duas estavam super felizes com seus novos empregos. Tudo parecia estar indo muito bem. De noite, saíram com Luke e Nick e se divertiram como há muito não acontecia. Chegou até a passar por suas cabeças que tivessem encontrado outra Wonderland. Esse pensamento logo foi embora. Outra Wonderland? Não, era impossível.

Dois dias depois:

e estavam na cozinha preparando um sanduíche, quando ouviram o som de uma janelinha piscando no MSN no notebook. Correram para a sala e sentaram-se no sofá com suas comidas, com o note no colo. Eram as dudes
. - DUUUDEEES! - gritaram as duas juntas e deram tchau pelo webcam. Estavam todas na casa de .
- Meninas, preciso contar uma coisa. - escreveu . - TODO MUNDO PRO SKYPE AGORA! -
- Uuuhhh! Estamos ligando agora. - escreveram e .
Skype conectado, as seis ligaram a webcam de novo. colocou o microfone perto da boca e disse:
- Vocês estão sentadas?-
- Estamos. - responderam.
- Então lá vai! - ela respirou fundo e disse: - O ME PEDIU EM CASAMENTO ONTEM! EU VOU CASAR COM O ! - e mostrou a mão com a aliança pelo webcam.
- QUÊ? NÃO ACREDITO! - disse , pasma. - A VAI CAAAASAAAAAAAAAARRRR! DUDE, EU ACHEI QUE ELE NUNCA IA CRIAR CORAGEM E PEDIR! MAOOOEE! - disse , frenética.
- Ah! Como eu queria te abraçar agora, dude. - disse .
- Eu também queria. Mas enfim, conta como foi. Quero todos os detalhes! - disse .
- TODOS? - perguntou , arqueando uma sobrancelha.
- Bem... Nem todos, por favor. - todas riram.

começou a contar tudo.

*FLASHBACK ON*

- Oi, ! Cheguei! - gritou ,ao entrar em casa, mas não obteve nenhuma resposta. - ? Cadê você? -
acendeu as luzes. Estava tudo silencioso e não havia nem sinal de . "Estranho, ele disse que voltaria mais cedo hoje" - pensou.
Foi até a mesinha ao lado da porta e havia uma vela verde aromatizada acesa com um bilhete ao lado. Pegou o bilhete e começou a ler em voz alta.

"Olá. Devem ser seis da tarde - olhou o relógio, eram seis e cinco. - e você provavelmente está se perguntando onde eu estou. Bem, isso você só vai saber depois. O que importa agora é que eu preparei uma surpresa.
Tem três vestidos novinhos e lindos em cima da cama, escolha um deles e vista. Tem sapatos novos também. Ah! E use aquele perfume que eu adoro ok?
Você tem duas horas para ficar mais linda do que você já é. A limusine passa aí para te pegar as oito em ponto. Não se atrase!

TE AMO”

estava desconfiada, o que era tudo aquilo afinal? Uma onda de felicidade invadiu-a quando lembrou da parte do bilhete que mencionava vestidos e sapatos novos. Ela correu para o quarto.
Estavam ali. Três lindos vestidos, um rosa, um preto e um verde. Sem nem pestanejar, pegou o verde, colocou na frente do corpo e foi até o espelho. Era lindo. Absolutamente lindo. Era feito de seda e pequenos e delicados detalhes em pedrinhas bordadas.
"Até parece que eu escolheria qualquer outro que não fosse o verde. - pensou. - Como o tem bom gosto. O verde é o mais bonito, com certeza ela sabia que eu ia escolhê-lo." - pensou.
Colocou o vestido de novo em cima da cama e guardou os outros no closet. Entrou no banheiro e tomou um banho.
Sentou-se na cama de roupão, ao lado o vestido. Enquanto passava cremes pelo corpo, ficou imaginando o que estava aprontando e qual era o motivo ara tudo aquilo.
Voltou ao banheiro e arrumou o cabelo. Escolheu as cores da maquiagem e colocou o perfume. "Ai, Deus! Esqueci os sapatos!", foi até o closet e achou três caixas de sapato ao lado dos outros. Escolheu o que mais combinava com o vestido. Prata e com pequenas pedrinhas verdes.
Voltou para o quarto e colocou o vestido. Ficou admirada com sua imagem no espelho, o vestido parecia ser feito para ela. Colocou os sapatos e pegou uma de suas bolsas, pequena e delicada. Estava pronta. Estava linda e deslumbrante para encontrar-se com o amor de sua vida, aquele sem o qual ela não viveria, que era o motivo que a fazia levantar todos os dias de manhã: .
Uma lágrima quase caiu de seu rosto a pensar isso, ao lembrar- se de . Dez minutos depois, a campainha tocou. Era a limusine.
desceu e entrou no elegante e enorme carro. Havia Champanhe e outro bilhete perto da garrafa.

"Você está prestes a descobrir a surpresa. Joel está te trazendo até mim. Sei que está linda, estou ansioso para te ver. Não beba o Champanhe, é para mais tarde. Se é que você me entende. - deu uma risadinha abafada. – TE AMO, SEU PRINCE ."


A limusine andou por cerca de meia hora, o que deixou super agitada. Ela tentou ligar para as dudes no caminho, mas nenhuma atendeu. Seu irmão, e também não. Isso a deixou mais impaciente ainda. "Ele bem que podia ter escolhido um lugar mais perto!"
Finalmente chegaram, a limusine parou e Joel abriu a porta para ela. O lugar era lindo, um restaurante muito chique e elegante que nem sabia que existia.
Logo que ela desceu, o mâitre foi ao seu encontro.
- Srta. ?-
- Sim, sou eu. -
- O Sr. já a aguarda. Siga-me, por favor. -
o seguiu até a parte lateral do restaurante, onde haviam duas enormes portas de vidro. Do outro lado, lá estava ,lindo, de terno e com o sorriso mais lindo no rosto. O sorriso que ela tanto amava, o sorriso de . Seus olhos brilharam ao vê-la, assm como os dela brilharam ao vê-lo.
O Mâitre abriu a porta e fez um gesto para que entrasse. Era uma linda sala de vidro, que tinha uma porta que dava para o jardim. Estava toda decorada com flores e iluminada apenas por algumas velas e a lua cheia. Tudo era absolutamente perfeito.
foi andando em sua direção e beijou-a delicadamente, depois puxou a cadeira para que sentasse.
- ... Isso tudo é... Perfeito. - suspirou - Não sei nem o que dizer. - ela olhava em volta, reparando em cada detalhe.
- É tudo para você. - disse ao abrir a garrafa de vinho que já estava na mesa. - Um brinde. Um brinde a você, a mulher da minha da vida.-
- E a você, por ser tudo o que eu sempre sonhei. - Os dois brindaram e beberam um gole do vinho.
- Eu já disse que você está linda? -
- A culpa é sua. Foi você quem escolheu o vestido. - - Na verdade, eu tive ajuda... -
- Ajuda? Já sei as meninas. Só elas poderiam escolher um vestido tão lindo. -
- Verdade, não sei se seria capaz sozinho. - Os dois riram.

A noite estava mágica. chegou até a achar que ela estava num conto de fadas. Teve medo de que ela fosse a Cinderela e depois da meia-noite todo o encanto acabasse. Mas não, era tudo verdade. Terminaram de comer e sugeriu que fossem para o jardim. Havia um balanço, daqueles à moda antiga, branco e também decorado com flores.
deitou-se no colo de . A noite estava muito agradável e a lua estava linda.
- Sabe, eu podia ficar aqui, com você, para o resto da minha vida. - disse .
- Eu também. Eu nunca mais quero ficar longe de você, minha estrelinha cadente. -
- Eu morreria longe de você, . - sentou-se e beijou .
- Eu tenho algo a te dizer. - respirou fundo - Um pedido. -
- Um pedido? Se... Se estiver... Ao meu alcance... - disse , tremendo um pouco. Ela nem imaginava o que queria dizer com aquilo.
- Creio que está mais ao seu alcance do qualquer outra coisa. - levantou-se e ajoelhou-se aos pés de . Tirou uma pequena caixinha do bolso do paletó. - , você aceita se casar comigo? Aceita ser a Sra. ? - levou um susto, não esperava por aquilo. Seus olhos se encheram de lágrimas.
- Eu... Eu... - as lágrimas escorriam por seu rosto. - É claro que eu aceito! Nada me faria mais feliz do que me casar com você, ! - Seus olhos brilhavam mais do que o da enorme pedra do anel que segurava.
- Eu te amo, minha Cinderela. - disse ao colocar o anel em seu dedo.
- Eu também te amo, meu Prince . - pulou no pescoço de , abraçando-o e depois beijando-o, o mais apaixonadamente que podia. - Eu serei para sempre sua, . - sussurrou em seu ouvido. Os dois se beijaram novamente.


*FLASHBACK OFF*
Continua...

N/A: Bem, primeiro vou me desculpar pelos meses sem postar capítulos aqui. Foi tudo culpa da minha falta de tempo. Mas espero recompensar com esse capítulo que tem um dos Flashbacks mais lindos da história. Espero que todos vocês gostem e deem a sua opinião, por favor! :) Por último, digam oi pra minha beta nova, a Lissa! Essa linda que aceitou ter mais uma Jones na lista de autoras dela! *-* beeeijos e até a próxima atualização! xx Twitter
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N/B: A lista de Jones nas mãos da Fletcher aqui está crescendo. Qualquer erro, falem aqui: lissatopolski@gmail.com