Already Gone
Autor: Nay R. e Tay R.
Beta-Reader: Bárbara
Capítulo 1
(n/a: ei, eu sei que é chato começar a fic logo de cara com uma n/a. mas é imporante, coloquem When you’re gone da Avril para carregar)
Eu nunca havia me sentido daquela maneira, parecia que uma parte havia sido arrancada do meu coração. Era um sentimento estranho, algo que eu não conseguia explicar. Enquanto eu arrumava a mala dele, lágrimas salgadas tentavam escapar dos meus olhos, mas eu era forte, não iria chorar. Não ali, não naquele momento, não na frente dele.
Nunca pensei que aquilo realmente pudesse acontecer, até dias atrás eu achava que o era minha vida, que ficaríamos juntos para sempre, mas não foi bem assim que aconteceu. e eu éramos totalmente dependentes um do outro, ele não conseguia encontrar uma meia sem me perguntar onde estava, não conseguia acordar no horário se não fosse por mim, enquanto eu... Eu não conseguia dormir sem segurar a sua mão, sem ouvir o seu “boa noite”. Como viveríamos um sem o outro?
Até agora eu não entendi o que aconteceu ao certo, há duas horas estávamos discutindo quando se irritou e disse que nosso namoro acabava ali, que ele iria embora e pela primeira vez em três anos me disse tudo o que pensava, aquilo foi um choque. Era estranho ver a situação por um ângulo diferente, durante todo nosso namoro, eu tive as rédeas em minhas mãos, eu reclamava quando achava que alguma coisa estava errada, reclamava do tempo que ele passava longe de mim, falava tudo o que eu pensava e sentia. Mas dessa vez foi diferente, eu pude me sentir no lugar dele e foi aí que eu percebi o quanto deve ter sido chato ter ouvido tudo aquilo durante todo esse tempo. sempre foi diferente de mim, ele era mais reservado, ouvia as coisas e ficava quieto, sempre muito mais racional do que eu.
Só que dessa vez ele não agüentou ficar quieto, “Então eu acho que não posso mais te fazer feliz”, as palavras dele ainda ecoavam em minha cabeça. Eu não tinha forças para voltar para a sala e encontrá-lo novamente, eu estava tentando adiar o momento da partida, eu não queria que ele fosse embora. Mas não tinha jeito, ele queria ir e eu não podia fazer mais nada.
(n/a: botem a música para tocar)
Enrolei no quarto o máximo que pude, sai me arrastando pelo corredor que levava a sala, com a mala pendurada em um dos ombros. Naquele momento eu não conseguia sentir o peso que a bolsa exercia sobre mim, eu só conseguia sentir meu coração sendo puxado para baixo e aquilo era pior do que qualquer peso que eu carregasse em minhas costas. Caminhei tranquilamente até a sala, sem continuar sentindo o peso da mala de , ele estava sentado em nosso sofá branco com Luke, nosso filhote de Golden Retriever, em seu colo. O cachorro parecia estar sentindo o clima pesado que se instalou em nosso apartamento e naquele momento estava ali, dividindo com seu dono toda a dor que ambos sentiam. Quando perceberam minha presença, Luke pulou do colo de e foi para sua caminha com um olhar triste e caído, parecia saber o que ia acontecer e não devia estar querendo presenciar aquilo. levantou a cabeça e nossos olhares finalmente se encontraram, sua feição era vazia, seus olhos e narizes estavam vermelhos e ele estava mais branco do que o normal, aquela expressão serena e feliz que eu tanto conhecia, havia sumido de seu rosto. Ficamos ali, parados, por alguns segundos que pareceram durar horas até que finalmente levantou, caminhou até mim e me envolveu em um abraço, um triste abraço, talvez o último.
- Eu sinto muito. – ele me disse, enquanto soluçava. Eu podia sentir o seu coração acelerado e sua pele mais fria do que o normal. Não tive forças para responder, eu queria pedir para que ficasse, para que ele pensasse melhor, mas eu não consegui.
– Obrigada por tudo, de verdade. – Suas palavras quase não saíram, ele olhou fundo em meus olhos e me deu um selinho demorado. Aquilo foi uma tortura, calmamente ele passou a língua em meus lábios e quando nos demos conta já estávamos nos beijando, foi um beijo calmo e tranqüilo. Eu o abracei forte, a fim de guardar aquele momento para sempre em minha lembrança, o medo da perda começava a bater em minha porta. Ele acariciou meu rosto com o polegar e com sua outra mão colocou uma mecha atrás de minha orelha como costumava fazer, eu sorri sem perceber.
- Eu vou sentir sua falta. - pegou sua mala do chão, que havia escapado de meus braços no momento em que ele me abraçava, olhou para o apartamento mais uma vez, observou nossos porta-retratos, as flores que ele havia me dado na noite anterior em cima da mesa, sorriu fraco para Luke e suspirou alto, acho que ele não teve forças para se despedir do animal, pegou seu casaco que estava pendurado ao lado da porta e atravessou a saída do nosso apartamento, aquela foi o momento em que nossas vidas se separavam.
Era uma dor tão forte, um misto de perda, angústia e medo. Respirei fundo, peguei a porta-retrato com a nossa primeira foto, onde sorríamos timidamente e caminhei até a janela a tempo de ver entrando em seu carro que estava estacionado em frente ao nosso prédio, ele olhou para a janela e quando nossos olhares se encontraram eu senti meu coração doer mais uma vez, como se alguém estivesse o apertando com toda sua força, parecia que estar sendo quebrado ao meio. desviou o olhar e finalmente entrou em seu Murano Preto, acelerou calmante e partiu. O sofá branco parecia estar me esperando, caminhei até ele com o porta-retratos na mão e foi ali mesmo que eu desabei, eu chorei, chorei tudo o que tinha pra chorar, chorei o que eu não chorava há três anos, chorei por , chorei por mim, chorei pela nossa vida, pelo nosso passado e nosso presente.
Luke caminhou fraco até mim e ajeitou sua cabecinha peluda em meus pés descalços, ele sabia que algo de muito ruim devia estar acontecendo naquele momento. Veio-me há cabeça o dia em que nos conhecemos, me disse que queria me apresentar os garotos de sua banda e me convidou para uma apresentação. Lembrei do exato momento em que vi pela primeira vez, seu sorriso cativante e seu olhar sincero me conquistaram logo de cara. Fiquei ali, por horas, me perdendo em pensamentos e o único barulho dentro do apartamento era o meu soluço e a respiração triste e cansada de Luke.
Estava tão distraída em meus pensamentos, que acabei pegando no sono, ali mesmo no sofá branco. Agora Luke roncava e eu acordei assustada com o telefone tocando insistentemente, já havia escurecido lá fora. Caminhei sem vontade até o aparelho sem fio que estava em cima da mesa.
- Alô? – eu atendi com um desânimo visível em minha voz.
- ? – Era , a voz do meu melhor amigo já era bastante conhecida – o está por aí?
- Não está – eu disse calmamente, respirando fundo, agora estava realmente caindo a ficha de que tinha ido embora.
- Ele vai demorar? - perguntou curioso.
- Ele não volta mais, . – eu disse com a voz embargada, já estava com vontade de chorar novamente, as lágrimas estavam presas em meus olhos.
- Como assim não volta mais? O que aconteceu? – a voz de parecia preocupada e eu não agüentei e comecei a chorar no telefone.
- , vem pra cá, por favor. Eu to precisando de você. – eu disse entre um soluço e outro.
- Ca-Calma, eu estou indo. – pude ouvir do outro lado da linha o barulho de algo caindo, provavelmente ele teria se enroscado no fio do telefone, era a pessoa mais desastrada que eu conhecia, depois de mim é claro. – Daqui a pouco estou aí, não faça nenhuma besteira, tchau. – Ele desligou sem me dar chance de resposta.
Coloquei o telefone de volta na base e pensei em como faria para o tempo passar enquanto esperava , olhei para o relógio que marcava 20h30 e me lembrei que a minha última refeição havia sido o café da manhã, e a de Luke também.
Segui para a cozinha com Luke em minha cola, encontrei o saco de pão integral aberto em cima da mesa ao lado do leite que foi esquecido fora da geladeira, provavelmente obra de , que tinha como costume esquecer de devolver as coisas para seu lugar de origem. Enrolei o saco do pão e guardei o leite na geladeira, seria difícil desacostumar com coisas pequenas como essa, como encontrar a toalha molhada em cima da cama ou a cueca jogada no chão do banheiro. Eu suspirei fundo e fui para a área buscar a vasilha e a comida do meu cachorro, ele devia estar morrendo de fome, aliás, quando filhotes não estavam com fome? Logo que coloquei a ração no pote de Luke, ele se atirou esfomeado na frente da vasilha amarela, como se não comesse há dias, fiquei o vendo comer e brincar com as pequenas bolotas de ração que se espalhavam pela cozinha, ele me fez sorrir por um instante.
FLASHBACK
Entramos com nosso novo animal de estimação no apartamento, o colocou no chão e o soltou da coleira, o cachorrinho foi logo conferir o seu novo lar, cheirando tudo o que pode, parando só depois de farejar cada metro quadrado do nosso pequeno apartamento. Eu fui para a cozinha, enquanto se jogou no sofá da sala e ligou a nossa nova TV de plasma 42 que havíamos acabado de comprar, finalmente o apartamento estava ficando com a nossa cara. Da cozinha pude ouvir o barulho da televisão e provavelmente estava vendo mais uma vez algum episódio de Star Wars, até eu já sabia de cor, não sei como ele ainda não tinha enjoado daquilo.
- JÁ SEI! JÁ SEI! – gritava impaciente da sala e fui correndo para ver o que era com o pano de prato na mão.
- O que foi, tá maluco? – Eu disse rindo, enquanto entrava na sala e ia me juntar a .
- LUKE SKYWALKER! – ele tinha um sorriso enorme em seu rosto, eu fiquei olhando para ele sem entender e fez uma expressão brava. – Luke Skywalker vai ser o nome do nosso cachorro!
- Luke Skyoquê? – Eu disse querendo rir e ficou sério, ele parecia criança odiava ser contrariado.
- Luke Skywalker – ele disse sério.
- Você não acha um nome complexo para um cachorro, ? – eu disse segurando o riso, mas eu queria rir não era pelo nome que ele havia escolhido, mas sim por sua expressão zangada – O que você acha de Luke? Apenas Luke.
- Luke? Eu gosto de Luke. – ele me disse sorrindo – Vem Luke, vem. – o pequeno Golden veio correndo ao encontro de com o rabinho balançando de um lado para o outro – Eu acho que ele também gosta.
FIM DO FLASHBACK
Estava perdida em meus pensamentos quando o interfone tocou, era provavelmente.
- Pode subir. – apertei o botão para abrir o portão para e fui recebê-lo na porta do apartamento. Acompanhei os números que mudavam no letreiro elétrico, conforme o elevador ia se aproximando do meu andar, até que ele estabilizou no oitavo andar, eu pude ver saindo desajeitadamente e vir ao meu encontro.
- Minha nossa, o que houve com você? – ele me abraçou e depois apertou meus braços, como se conferisse minha integridade física.
- Ele foi embora . – foi a única coisa que consegui dizer antes que eu voltasse a chorar, por sorte ele estava ali para me segurar, eu o abracei tão forte e sem que eu percebesse ele me levou para dentro do apartamento e me colocou no sofá, o sofá branco.
- Calma, vai ficar tudo bem ok? – ele tentava me acalmar em vão – Chore tudo o que você tem pra chorar e quando você quiser você me conta o que aconteceu.
Chorei por alguns longos minutos, se levantou e foi até a cozinha buscar um copo d’água para tentar me acalmar, ele voltou e se sentou ao me lado, eu respirei fundo e contei a ele tudo o que havia acontecido naquela fria manhã.
- Então foi isso, ele disse que não podia mais me fazer feliz e decidiu ir embora. – Por fim terminei. – Como se eu fosse ficar mais feliz longe dele! – Disse ironicamente e joguei o corpo para trás no sofá.
- Ele estava de cabeça quente, dá tempo ao tempo e as coisas vão se resolver, você vai ver. – tentava me dar aqueles conselhos inúteis, que todo mundo sempre dava.
- Eu sei, mas dessa vez não é como quando brigamos pelo canal da televisão, que ele simplesmente diz que vai ver o jogo na sua casa e uma hora ou outra vai voltar. – meus olhos ardiam e estavam pesados.
- Levanta. – ele se levantou antes de mim – Vai tomar um banho, se troca e vamos sair. – ele ordenou – Eu não vou deixar você ficar em casa, em pleno sábado!
Fui direto para o banheiro, entrei no chuveiro e deixei que a água morna caísse sobre meu corpo, fiquei ali por longos minutos tentando relaxar. Quando vi que minha tentativa estava sendo frustrada, apressei meu banho e sai do chuveiro. Estava sem ânimo nenhum para me arrumar e escolher roupas. Peguei o primeiro vestido que vi na frente, um tomara-que-caia preto, presente de . Vesti uma meia calça-preta, pois o tempo lá fora estava desfavorável para sair com as pernas de fora, calcei um scarpin preto e fiz uma maquiagem leve, apenas para disfarçar o quanto eu havia chorado naquele dia. Estava pronta, dei uma olhada desanimada no espelho e segui para a sala onde me esperava.
- UAU! Minha amiga está linda. – ele se levantou vindo ao meu encontro.
- Não precisa mentir , eu sei que eu to o bagaço da laranja. – eu disse forçando um sorriso.
- Você sabe que eu não minto, se você estivesse feia eu realmente diria. – e sorriu sincero pra mim – Agora vamos que eu liguei para e ainda precisamos passar pra pegá-la!
- Então, quer dizer que finalmente você e a se acertaram? – era minha melhor amiga, ela e viviam entre tapas e beijos, uma hora eles se detestavam na outra se amavam, era super engraçada a relação dos dois, eles mantinham um affair meio que secreto.
- Estamos na mesma, mas acho que seria mais divertido se ela nos acompanhasse. – ele me dizia enquanto saíamos do apartamento.
- Sei, sei... – entrei no carro de , após ele ter aberto a porta pra mim.
- Eu falo, sério. – Ele me disse após sentar no banco do motorista – Você nunca acredita em mim. – ele disse rindo.
- Eu te conheço , como a palma da minha mão. – Liguei o som e começava a tocar Stop Crying Your Heart Out do Oasis na rádio, ficamos em silêncio. O único barulho no carro era a voz grave de Noel Gallagher.
Hold on! Hold on!
(Segure-se! Segure!)
Don't be scared
(Não tenha medo)
You'll never change what's been and gone
(Você nunca mudará o que aconteceu e passou)
olhou sem graça para mim e fez menção de trocar de música, mas eu estiquei a mão o impedido delicadamente, eu gostava daquela música. Lá fora a rua Fleet passava rápido e eu observava as luzes do centro de Londres.
May your smile
(Talvez seu sorriso)
Shine on
(Brilhe)
Don't be scared
(Não tenha medo)
Your destiny may keep you warm
(Seu destino pode mantê-lo aquecido)
Observei alguns casais que passavam sorrindo, o carro parou em um sinal e no carro ao lado observei um casal abaixo trocar um beijo rápido. Forcei-me a olhar para o céu, quem sabe a lua e as estrelas não me fariam lembrar .
'Cause all of the stars
(Porque todas as estrelas)
Are fading away
(Estão desaparecendo)
Just try not to worry
(Apenas tente não se preocupar)
You'll see them some day
(Você as verá algum dia)
Take what you need
(Pegue o que você precisa)
And be on your way
(E siga seu caminho)
And stop crying your heart out
(E faça seu coração parar de chorar)
Naquele momento o que eu não consegui fazer foi com que meu coração parasse de chorar, milhões de lembranças se acumularam em minha cabeça e lágrimas involuntárias saíram de meus olhos. ficou estático, ele não sabia o que fazer, desligou o som e então resolveu parar o carro.
- Se você quiser voltar para casa, eu não me importo. Podemos assistir a um filme e comer uma pizza. – ele disse por fim.
- Não, está tudo bem, – limpei as últimas lágrimas que teimaram em cair – de verdade! Vamos aproveitar o nosso sábado – eu sorri forçado.
ligou o carro novamente, dessa vez o som permaneceu desligado. O que eu adorava em nele, é que ele sabia o momento exato de conversar ou de ficar calado, ele não me forçou a conversar, respeito minha vontade e seguimos até a casa de em silêncio.
Não demoramos a chegar, ela já nos esperava na porta de sua casa. Uma linda casa branca, com um jardim bem conservado na frente, onde estava estacionado o carro de seu pai. Assim como eu, ela usava um vestido preto, mas sua expressão estava muito melhor do que a minha, talvez porque ela não devia ter passado o dia inteiro chorando. Ela entrou sorrindo no carro, quebrando o silêncio, não ficou um minuto sequer sem falar, era típico dela.
e não pararam de falar um minuto sequer durante todo o caminho, eu só concordava e respondia alguns “uhum” e outros “aham”. Eu nem sabia aonde estávamos indo, disse que iríamos ao um novo pub que havia acabado de ser inaugurado.
Assim que chegamos, falou com um dos seguranças que nos colocou em uma fila vip. Eu adorava sair com por isso, diferente de ele usava da sua fama para conseguir as coisas, nunca ficava de fora de uma festa, enfrentava fila ou gastava com bebida ou qualquer coisa do tipo.
O pub se chamava Sugar Cane, era um bar um tanto quanto exótico situado no meio do centro de Londres, o local era bem decorado, algo que me lembrava o Havaí. As roupas dos garçons eram floridas, havia uma prateleira espelhada com os mais diferentes tipos de bebidas, garrafas de todas as cores, formas e tamanhos, um lustre com formato de um baiacu e alguns coqueiros espalhados pelo local. Assim que entramos, viramos o centro das atenções por estarmos com , algumas pessoas vieram falar com ele e nos cumprimentavam por educação, por sorte a hostess simpática nos tirou dali e nos indicou uma espécie de camarote na parte superior do pub, fomos para lá.
pegou para nós alguns drinks e ficamos ali dançando, alguns amigos de chegaram, eu conhecia dois dos quatro, pois trabalhavam na ex-gravadora do McFly, Phil Tollman e Matt Stewart. Entre uma música e outra eu tomava um novo drink, eles eram super docinhos e eu mal sentia o gosto do álcool. já havia sumido e eu me dei conta de que um dos amigos de Phil e Matt também, há cada hora que passava um novo amigo de aparecia e o camarote já estava ficando amarrotado.
- O QUE É ISSO? – berrei para que Phil, que estava ao meu lado e indiquei seu copo.
- É UM COQUETEL FEITO DE RUM, OUVI DIZER QUE É A ESPECIALIDADE DA CASA! – ele me respondeu, também gritando por causa do barulho da música – VOCÊ QUER DANÇAR? – ele me perguntou encabulado.
- PORQUE NÃO? VAMOS. – e peguei sua mão, descendo as escadas em direção a pequena pista de dança.
Começou a tocar I Gotta Feeling, do Black Eyed Peas. Até hoje eu não sei o porque que essa música tinha um efeito tão forte sobre mim, parecia que não era mais eu ali. Eu dançava de uma forma provocante com Phil. Não de uma forma vadia, lógico... Apenas um pouco caliente, por assim dizer. Os drinks já estavam fazendo efeito e eu já me sentia tonta, alegre e agitada. Phil, por sua vez, não parecia estar em melhor estado que eu. Dançávamos com os corpos colados ao ritmo da música... até que eu senti um par de mãos me puxando pelas braços. Não vi seu rosto, mas suas costas e seu cabelo... Aqueles ali seriam inconfundíveis para mim até se eu fosse míope.
Era . Ele me parou num canto do pub, ao lado do bar. Sua expressão estava indescritível. Ele parecia furioso.
- Foi só a gente terminar pra você vir pra um pub qualquer e se agarrar com outro? – ele vociferou e algumas meninas me olharam, algumas preocupadas, outras apenas curiosas. Eu respirei fundo; o álcool estava no meu sangue, então seria difícil qualquer resposta muito sagaz naquele momento.
- Você me viu beijando alguém? – ele negou. – Então como pode afirmar que eu estava me agarrando com ele? Estávamos apenas dançando.
- E daí, ?! Você tava lá, colada com ele! – Ele respirou fundo e colocou a mão na cabeça - Você pensa que eu sou cego, idiota, ou sei lá o que?! Mal a gente terminou e você já veio pra balada!
- , a gente mal terminou e você também veio pra balada. Acredito eu que não esteja falando nesse exato momento com uma obra da minha imaginação.
- Não esperava te ver aqui com outro – ele disse com um tom de decepção.
- Não estou ‘com outro’. Eu estava dançando com o Phil. Francamente, , depois de todo esse tempo você acha que, no dia em que você me deixa, eu seria capaz de ficar com outro? Não tenho essa frieza toda dentro de mim, me desculpe. E outra, se eu estivesse, porque você me tirou de lá? - eu olhei dentro de seus olhos - Você terminou comigo! Acabou, não acabou? Então me deixa seguir em frente! – dito isso, eu me afastei, deixando um completamente abismado. Senti meus olhos arderem e as lágrimas que caíram durante todo aquele dia teimavam em cair novamente. Mas eu não ia chorar. Não novamente. Não naquela noite.
Voltei para o camarote, desviando de uns rapazes alcoolizados que tentaram me agarrar no caminho, queria ser rápida e sair dali antes que aparecesse novamente. Encontrei conversando com em um canto do camarote.
- Amiga, vamos embora por favor! – eu implorei para e ela me olhou assustada.
- O que aconteceu? – ela perguntou preocupada.
- Você encontrou ele não foi? – já sabia a resposta e eu apenas concordei com a cabeça.
- Eu só preciso ir embora, por favor. – a única coisa que eu queria era sair dali, não queria ter que encontrar , eu estava sentindo vontade de chorar mais uma vez e ali não era o local nem o momento apropriado.
- Vamos, eu levo vocês. – se ofereceu.
- Não precisa , todos os seus amigos estão aqui. – eu recusei.
- Nós pegamos um táxi. – acrescentou. – Eu cuido dela , fica tranqüilo!
- Promete que vai ficar bem? – Eu concordei balançando a cabeça e deu um beijo em minha testa, antes que eu saísse do camarote.
Desci a escada apressadamente sem olhar para os lados, não vi sombra de no caminho e me senti melhor com isso. Avistei Phil na pista, mas estava sem coragem e sem graça de ir me despedir, então decidi ir embora sem falar com ele.
Fora do pub estava frio, a temperatura havia caído bastante desde que entramos no local, passava das três da manhã, fez sinal para o primeiro táxi que passou e nós entramos.
- Southwark, por favor – ela disse para o taxista.
Assim que entramos no táxi, eu cai em si, deitei minha cabeça no colo de , algumas lágrimas saíram de meus olhos e eu fiquei ali deitada o caminho inteiro.
Não demorou para que chegássemos ao meu apartamento, eu desci desanimada do táxi e não disse uma palavra o caminho todo. Assim que cheguei ao apartamento, fui para o banheiro, ataquei aquela roupa em um canto qualquer e me enfiei no chuveiro, eu precisava tirar aquele cheiro de mim, aquela mistura de álcool com cigarro. Fiquei ali por longos 20 minutos, coloquei uma camiseta qualquer de e uma calcinha e fui para a sala, havia adormecido no sofá. Eu a acordei e juntas fomos para o meu quarto, emprestei um pijama para ela e nos jogamos na minha deliciosa king size, aquela seria minha primeira noite sem , por sorte minha amiga estava comigo. Eu pude dividir com ela uma das piores noites da minha vida, por sorte o efeito do álcool que ainda estava em meu sangue, fez com que eu adormecesse rápido.
Capítulo 2
Acordei com a claridade invadindo meu quarto, forcei meus olhos a se abrirem, mas eles estavam pesados, inchados e ardiam. Minha cabeça estava doendo e eu podia sentir o gosto de álcool na minha boca, sentia bastante sede também. Isso tudo tinha um nome: Ressaca Moral.
não estava mais na cama, fui até o banheiro, joguei uma água no rosto e quando olhei no espelho me assustei com a minha própria feição, meus olhos estavam vermelhos e eu tinha grandes olheiras. Ainda não tinha visto Luke, precisava alimentá-lo e levá-lo para passear. Minha barriga roncou, coloquei uma roupa decente e então fui para a cozinha, no caminho ouvi vozes e percebi que conversava com .
- Quem mandou você convidar o ? – disse com um tom de indignação visível em sua voz.
- Eu não convidei, eu nem sabia que ele iria para lá. Deve ter sido Matt ou um dos outros caras. – se defendeu.
- Mas o que aconteceu afinal? - Ela perguntou curiosa. – Ela não abriu a boca desde que saímos do pub.
- Phil disse que ele e a estavam dançando, de repente o apareceu pegou ela pelo braço e depois disso eu não sei o que aconteceu... Phil não viu mais nenhum dos dois.
- O que aconteceu foi que estava com ciúmes! – eu entrei na cozinha falando e eles se assustaram. – Foi ele quem terminou comigo, porque diabos quer se meter na minha vida? – eu indaguei.
- , vocês terminaram um namoro de 3 anos. Nada mais normal do que um sentir ciúmes um do outro. – disse. – Vocês se amam, isso vai acontecer sempre.
- É verdade – concordou .
- Bom, que seja. Eu não quero mais ouvir falar de ok? – eu abri a geladeira e peguei a garrafa de leite. – Vocês viram o Luke?
- A última fez que eu o vi, ele estava na sala roendo seu sofá – me disse segurando o riso e colocou a mão na boca.
- O QUE? – eu coloquei com violência a garrafa de leite em cima da mesa e corri para a sala – LUKE, SAI JÁ DAÍ – ele roia o pé de madeira tabaco do sofá.
Ele me olhou assustado, continuou há me olhar com uma expressão triste por alguns segundos e seu rabo foi parando aos poucos de se balançar de um lado para o outro. Eu me ajoelhei e sentei em cima dos meus pés, Luke se jogou em cima de mim e ficamos ali por alguns minutos.
- Você está sentindo falta dele não é? – Que idiotice, tinha ido embora fazia apenas 24 horas, ele já havia ficado muito mais tempo longe de nós por causa das turnês da banda, mas dessa vez era diferente, nós dois sabíamos – Vem, vamos passear – levantei-me.
Luke veio animado, agora sim com seu rabinho balançando de um lado para o outro e não parou um minuto sequer até que eu colocasse a coleira.
- ESTOU INDO PASSEAR COM O LUKE – gritei para e que continuavam na cozinha.
Em poucos minutos estávamos fora do nosso prédio, o frio londrino se embrenhava rapidamente em minhas roupas. Eu segurava na guia de Luke, tentando fazer com que ele permanecesse ao meu lado. Passear era provavelmente o termo errado há se usar quando se tratava de Luke, ele parecia uma locomotiva desenfreada e eu não tinha forças para controlá-lo. Ele me arrastava para frente, puxando a coleira com todas as forças, algumas pessoas que passavam ao meu lado davam risinhos abafados, mas eu duvidada que alguma delas fosse capaz de passear civilizadamente com Luke.
Enquanto tentava caminhar com Luke, passei em frente a uma loja de revistas e uma em especial me chamou atenção, onde dizia em letras grandes e vermelhas “Será o fim do namoro de ?”, embaixo da manchete havia uma foto minha entrando com e no pub e em uma foto ao lado entrava sozinho no mesmo local. Folheei a revista com pressa a procura da matéria, o vendedor me olhou torto, mas eu não dei importância. Finalmente na página 23 encontrei a seguinte matéria:
“As fãs de Mcfly podem comemorar! O que tudo indica é que o namoro de três anos de (24), guitarrista da banda de rock, chegou ao fim.
Na noite de ontem, (20), ex-namorada de foi vista em pub, cercada por amigos e na companhia de ninguém menos que Phil Tollman, um dos produtores da ex-gravadora da banda. Os dois foram flagrados na pista de dança do local, onde logo depois apareceu. O ex-casal foi visto discutindo em um canto reservado do local e logo depois foi embora sendo amparada por uma amiga.
Fontes próximas do casal afirmaram que havia deixado o apartamento que dividia com a estudante, naquela tarde.
Procuramos Phil Tollamn e ele negou qualquer envolvimento com a ex-companheira de seu amigo. ‘Somos apenas amigos, nos encontramos ontem por acaso e estávamos apenas dançando’ ele afirmou.“
O restante da matéria era sobre e a suposta loira oxigenada que estava com ele no pub e uma retrospectiva do meu namoro e de , aquilo me irritou. Paguei algumas libras pela revista, e saí arrastando Luke pelo caminho, dessa vez eu fui mais forte do que ele.
Em poucos minutos eu estava em meu apartamento, encontrei e jogados no chão da sala vendo TV, ataquei a revista em cima deles e fui para o meu quarto.
(n/a: botem essa música para carregar Lifehouse - Whatever It Takes Live )
Bati a porta com força e me joguei na cama, agarrei um dos travesseiros e fui embriagada pelo perfume de , o maldito travesseiro tinha o cheiro dele, o joguei longe. Abracei minhas pernas, enfiei a cabeça nos joelhos e chorei, mas dessa vez eu chorava de raiva. Como uma jornalista idiota achava que tinha o direito de se meter na minha vida e ainda falar coisas daquele tipo? Ela não sabia o que acontecia entre mim e e não tinha o direito de falar nada. Por diversas vezes, fui alvo de revistas de fofoca, diziam que eu estava com ele por interesse, que ele me chifrava, mas eu nunca havia me importado, mas dessa vez eu realmente havia ficado muito chateada, talvez pelo momento delicado que eu estivesse passando.
Fiquei trancada no quarto até escurecer completamente, eu continuava péssima, o perfume de estava por todos os lados.
Naquele momento, eu só conseguia pensar nele, às vezes a memória pode ser uma companhia enganosa. Peguei meu celular e resolvi fazer o que meu coração estava mandando, disquei o número de , respirei fundo e apertei Send. Chamou uma, duas, na terceira eu já estava desistindo quando ele atendeu:
- ? Aconteceu alguma coisa? – sabia o quanto eu era orgulhosa e só ligaria caso tivesse acontecido algo realmente grave.
- , eu não vou agüentar, eu não vou agüentar ficar sem você – eu disse rápido antes que eu perdesse a coragem – Tudo nessa casa me lembra você, nossa cama, o Luke, até os travesseiros tem seu cheiro... Eu não vou conseguir viver assim – lágrimas começavam a escapar novamente.
- – fez uma pausa. – Me escuta, você é forte. Você é a pessoa mais forte que eu conheci na minha vida e você precisa enfrentar isso – outra pausa, eu só ouvia sua respiração – Você vai ficar muito melhor sem mim, eu não tenho mais certeza se posso te fazer feliz.
- E você acha que assim, sem você eu estou melhor? Eu estou mais feliz? – Eu chorava sem parar, mas falava as palavras pausadamente para que ele pudesse entender – Você não entende . É como se eu tivesse perdido o chão, como se eu...
- , VOCÊ TA AÍ? – Eu ouvi gritando e no susto apertei END e desliguei na cara de – TÁ TUDO BEM? - Ela abriu a porta do quarto – Nós estamos indo embora, vai me deixar em casa – ela me disse parada na porta.
- Hm, danadinha! Então o domingo vai ser bom – eu tentei disfarçar, não queria contar para ela que eu estava conversando com porque com certeza ela implicaria. Dizia que eu devia parar de correr um pouco atrás dele, pois toda vez era a mesma coisa.
- Para de ser idiota – ela disse brava. – É só uma carona, não tem nada demais!
- Sei... – eu disse rindo – Usa camisinha amiga não esquece!
- , vai se fuder! Tchau – e ela saiu brava do quarto.
- MANDA UM BEIJO PRO ! – eu gritei e ela não respondeu.
Agora que eu estava sozinha, podia ir para a cozinha comer alguma coisa. Não estava muito a fim de conversar e com certeza e iriam querer tocar no assunto da revista, justamente por esse motivo eu não havia saído antes do quarto. Quando passei pela sala em direção à cozinha, a revista estava jogada na mesinha ao lado do sofá, eu olhei com raiva passando reto.
Preparei um sanduíche, enchi um copo com Cola-Cola e fui para a sala. Liguei a TV, passava Sex and the city, não mudei o canal. Sentei-me no chão com as costas apoiadas no sofá, Luke se deitou ao meu lado e ficou secando meu sanduíche, é claro que eu tive que dividir com ele se não ele não me deixaria em paz.
(n/a: botem a música para tocar)
Luke passou à hora seguinte, com a cabecinha deitada sobre minhas pernas, enquanto eu massageava seu corpinho peludo, ele era um cachorro meigo e carinhoso, mas também podia ser um destruidor quando queria. Enquanto estávamos ali, distraídos um com a companhia do outro, Luke levantou de repente e correu latindo em direção a porta, eu ouvi a maçaneta girar e quando me dei conta, estava entrando no apartamento. Eu fiquei surpresa, sem reação, não o esperava ali. Sua feição era triste, abatida e ele também tinha olheiras bastante visíveis, ele usava um jeans surrado e uma camiseta azul de botões.
- Vim ver como você está – ele disse sem graça – Fiquei preocupado.
- Eu vou ficar bem, eu sou forte – Não sabia o que responder e respondi a primeira coisa que me veio à cabeça.
Então se sentou ao meu lado, pegou minha mão e me puxou para perto de si, eu apoiei minha cabeça em seu ombro e ficamos ali por alguns minutos, um ouvindo a respiração do outro. Eu podia sentir o peito dele se estufar conforme ele respirava, era uma respiração cansada e ao mesmo tempo descoordenada. passou a mão em meu rosto em movimentos circulares, passou o dedo indicador pelo meu lábio inferior e eu senti uma lágrima escorrer pela minha bochecha. Sem que eu menos esperasse, segurou meu rosto e limpou a lágrima que escorria forçadamente de meus olhos, grudou os seus lábios no meu, iniciando um beijo. Um beijo delicado e apaixonado, como se nossas línguas não se encontrassem há anos, cada um tentava explorar ao máximo cada segundo daquele beijo. Aos poucos o beijo foi ganhando intensidade e eu me levantei ficando de frente para , envolvi seu pescoço em meus braços e senti as mãos trêmulas e quentes dele apertarem minha coxa. Enquanto nos beijávamos, me distrai nos botões de sua camisa, desabotoando um por um, quando finalmente consegui deixar todo o seu peito a mostra. Há essa altura beijava meu pescoço e acariciava minhas costas com a mão por dentro de minha blusa.
- Vamos para o quarto, vem? – eu disse me levantando.
- Acho melhor pararmos aqui , isso não vai fazer bem pra nenhum de nós.
- Agora termine o que você começou – eu segurei em sua mão e ele se levantou, novamente nos envolvemos em um novo beijo.
Fomos nos beijando em direção ao quarto, esbarrando em tudo o que havia em nossa frente, assim que entramos no quarto fechou a porta com o pé e paramos em frente a cama. Ele tirou minha blusa devagar, beijando todo o meu colo, seguindo pelo pescoço e indo em direção a minha boca, eu segurava devagar em seus cabelos quando ele me deitou carinhosamente na cama. Nos acariciávamos enquanto íamos nos despindo, primeiro a calça de , depois a minha, depois nossas peças íntimas. Minha pele estava molhada, conseqüência dos beijos de . Nos abraçamos com os lábios selados, enquanto sentíamos nossos corpos nus e suados se unirem a um só. Senti uma onda de calor invadir meu corpo e depois de alguns minutos de frenesi de carícias, senti um prazer incontrolável, um arrepio frio subiu pela minha espinha e meu coração bateu acelerado. Eu estava ofegante e cansada e podia perceber que sentia o mesmo, nos separamos devagar e eu apoiei minha cabeça sobre o peito de Tom, que acariciava meu rosto e brincava com algumas mechas do meu cabelo. Ficamos ali, envolvidos em um delicioso abraço, adormeceu com um sorriso estampado no rosto e eu fiquei observando-o por alguns minutos e foi com a imagem desse sorriso que eu também adormeci.
Capítulo 3
Abri os olhos devagar com medo de não encontrar ao meu lado, mas me equivoquei, ele estava lá, com o mesmo sorriso de quando havia adormecido. Ele estava deitado de barriga para baixo, com a perna direita sobre um travesseiro, ele já estava descoberto e seu bumbum, delicioso por sinal, estava à mostra. Sai da cama devagar com medo de acordá-lo, era mal humorado quando acordava e depois da noite maravilhosa eu não queria ser obrigada a aturar o seu mau humor logo cedo.
Me dei conta que era segunda-feira, faculdade, ninguém merece. Eu fazia faculdade de Jornalismo, foi uma das desculpas que dei para minha mãe quando vim morar com , “o apartamento é mais perto do campus”, no começo ela implicou apesar de adorar o , mas depois acabou cedendo. Olhei para o relógio e passava das oitos, eu já estava atrasada, grande novidade. Fui para o banheiro, fiz meu ritual de higiene matinal e me enfiei no chuveiro, tomei um banho rápido e saí enrolada na toalha em direção ao meu quarto, ainda dormia. Peguei a primeira calça jeans que vi pela frente, uma baby look preta, calcei meu All Star branco e estava vestida, penteava meus cabelos a caminho da cozinha. Tomei um copo de leite, voltei correndo para o quarto, escovei os dentes mais uma vez e voltei para a sala, deixei um bilhete ao lado do celular de .
“Adoraria esperar você acordar, mas hoje é segunda-feira e infelizmente eu tenho aula! Espero te encontrar quando chegar. , Xxx”
Vesti um casaco grosso, peguei meus cadernos e saí. O vento frio cortava o meu rosto, mas era impressionante como eu adorava aquele clima. Eu gostava de sentir aquela brisa gelada, gostava de dormir cheia de cobertas, gostava de sentir minhas mãos adormecidas. Caminhei tranquilamente em direção ao campus da faculdade que não ficava muito longe dali. Quando me aproximei do portão da faculdade, observei algumas garotas olhando para mim, garotas na qual eu sabia que eram fãs de McFly e não me suportavam nem um pouco, mas depois da minha ótima noite nada me abalaria. Subi as escadas com desânimo, aquilo me cansava, chegava até me dar um calor repentino e eu não gostava daquilo. Quando estava me aproximando da porta da sala ouvi uma voz familiar me chamar, era , uma das minhas melhores amigas, havíamos nos conhecido na faculdade, mas nosso vínculo sempre fora enorme.
- Como você está? – ela me deu um abraço.
- Estou indo amiga, vai ficar tudo bem – eu disse enquanto entrávamos na sala.
- Então é verdade? – Ela me mostrou a revista, encabulada. Eu afirmei com a cabeça – Vai ficar tudo bem, eu estarei aqui para o que você precisar – nos sentamos o mais longe possível da mesa do professor.
- Obrigada! – eu sorri para ela, observei que algumas garotas da minha sala também me olhavam, uma delas também estava com a revista na mão e eu acenei para ela, deixando-a sem graça.
A aula passou devagar, como sempre, tentou me manter entretida há todo momento, ela dizia que não queria me ver triste. Enquanto eu estava na aula e haviam me ligado para saber se estava tudo bem. Minha mãe também havia me ligado, ela também ficou sabendo da notícia pela tal revista, puta mundo injusto, nem para minha mãe eu podia que contar que havíamos terminado o namorado.
Assim que o sinal tocou, sai correndo da sala, acabei nem me despedindo de . Corri para casa, estava curiosa para saber se continuava lá, o vento estava mais forte e a temperatura parecia ter caído também, mas isso não me desanimou. Continue andando apressadamente, eu precisava chegar logo em casa. Entrei no meu prédio e chamei o elevador, que demorou uma eternidade para chegar, então decidi ir de escada, foi a pior decisão que tomei aquele dia e já havia me arrependido ainda no terceiro andar, mas não desanimei e continue. Cheguei cansada no oitavo andar, me atrapalhei um pouco com as chaves na hora de abrir, mas finalmente eu consegui. Encontrei a guia de Luke pendurada no mancebo próximo à porta, ela não estava ali quando eu sai, então provavelmente isso queria dizer que teria passeado com o cachorro. Saí pelo apartamento à procura dos dois, mas já não estava mais lá, encontrei Luke no banheiro bebendo água do vaso sanitário.
- LUKE! – eu o puxei pela corrente – Já falei que não pode beber água da privada! – fechei a tampa com força e ele correu para a sala com medo – Mas que cachorro desobediente.
Fui para a cozinha e quando ia começar a preparar o almoço, a campainha tocou, fui atender e era , em menos de cinco minutos ela estava entrando no apartamento.
- Trouxe rango pra gente – ela mostrou a sacola do Kentucky Fried Chicken
- Ai amiga, você é um anjo – eu disse dando um beijo em sua testa – Esses frangos fritos do KFC são maravilhosos. O que você trouxe pra mim? – eu disse enquanto abria a sacola.
- Um Fish Snacker – ela disse rindo e se sentando, Luke sentiu o cheiro de comida e se juntou a nós.
- Fish Snacker? Você sabe que eu ODEIO peixe – fiz um bico.
- É brincadeira amiga... – ela me disse rindo – trouxe seu franguinho favorito.
Aquela comida estava maravilhosa, chegou na hora certa, pois eu estava sem animo nenhum para cozinhar. Enquanto eu e conversávamos, ela percebeu o bilhete em cima da mesa.
- Adoraria esperar você acordar, mas hoje é segunda-feira e infelizmente eu tenho aula! Espero te encontrar quando chegar – ela leu em voz alta – Você por acaso pode me explicar o que é isso? - perguntou com curiosidade.
- Eu-e-o--passamos-a-noite-juntos! – eu disse rápido, com medo da reação dela.
- Ai amiga, que lindo eu e o também – quem ficou em estado de choque fui eu.
- Sua cachorra! E você não me conta nada? – eu disse brava.
- Eu ia contar, mas agora quem vai me contar tudo primeiro é você – ela apontou para mim e rimos. Eu contei tudo o que havia acontecido na noite anterior, claro que não entrei em detalhes, ela era minha amiga, mas também não precisava saber de tudo – vocês vão acabar juntos no final, eu sei. Vocês se amam!
- Espero que o fim não demore em chegar – eu disse triste – Mas me conta você sua cachorra! Como foi a primeira noite com Delícia ?
- Respeito garota! – e ela atacou uma batata frita em mim.
- Calma eu to brincando – e levantei as mãos – Vaaaaai, conta logo! Tô curiosa.
Ela me contou que depois que saíram do meu apartamento, acabaram em uma lanchonete, comeram até não agüentar mais e apostou que ela não conseguia virar uma dose pura de Absinto. Não sei por que diabos ele apostou aquilo com ela, mas com certeza já tinha segundas intenções no meio. Ela como sempre, adorava surpreender há todos e com não podia ser diferente, dito e feito ela virou a dose de Absinto. Continuaram bebendo até vomitar nos tênis de , que a levou para casa, cuidou dela e quando ela já estava melhor ele foi todo carinhoso e finalmente aconteceu. Ela disse que ele foi super tranquilo e não forçou a barra, porque se ele tivesse forçado, eu juro que eu o mataria.
- Mas e agora, como vai ser? – eu perguntei.
- Não sei, disse que quer tentar algo sério, mas que por enquanto é cedo ainda – ela disse desanimada – Vamos continuar ficando, mas sério dessa vez.
- Que lindo amiga! Fico feliz por você – estiquei meus braços e a envolvi em um abraço apertado.
- Me solta, você tá me machucando – ela riu – Queria um doce! – ela fez bico.
- IH, ta grávida! – coloquei a mão na boca.
- Vira essa boca pra lá, usamos camisinha. Estou apenas com vontade – ela se explicou.
- Deve ter alguma coisa na geladeira – eu disse enquanto recolhia o lixo da mesa – Dá uma olhada lá! – levantou e seguiu para a cozinha o telefone tocou e eu corri para atender, achando que podia ser .
- Alô? – eu disse entusiasmada.
-? Sou eu, a ! – respondeu do outro lado da linha.
- Ah, oi amiga. É você? – eu disse desanimada.
- Ai amiga, que horror! Que desânimo é esse?
- Achei que fosse outra pessoa – fui sincera – mas diga amor, o que você quer?
- Acho legal você colocar no Celebrity! Aquele canal de fofocas, eu vi algo sobre você e o na chamada - ela me disse.
- Ai droga, mais essa não! – liguei a TV – Ok, vou por – procurei o canal pelo controle remoto – Esta lá. Depois te ligo ok? – ela se despediu e desligamos.
“Agora vamos para as notícias fresquinhas. Temos novidades sobre aqueles garotos bonitinhos do McFly” a apresentadora com cara de mosca morta disse.
- AMIGA, ACHO MELHOR VOCÊ VIR AQUI – eu gritei, quando percebi que elas iam falar alguma coisa sobre , veio assim que eu chamei, entrou na sala animadamente com um pote de sorvete nas mãos.
- Nossa essa mulher parece a Rita Skeeter, do Harry Pot... QUE PORRA É ESSA? – ela gritou quando se deparou com sua própria imagem na televisão.
“Pois é meninas, agora vocês vão ter que tirar o cavalinho da chuva, pois o nosso querido está de namorada nova. Foi isso mesmo que eu disse, vocês não entenderam errado. Ele foi visto ontem saindo do apartamento do com a tal garota e entraram no seu carro. Mais tarde foram vistos entrando em seu próprio apartamento e os dois pareciam um pouco alegres demais, se é que vocês me entendem. Ele podia ter arrumado alguma coisinha melhor, vocês não acham garotas?”
- MAS QUE FILHA DA PUTA! – se exaltou.
- Vai se preparando, porque isso é só o começo – eu disse sincera.
- Não me desanima, pelo amor de Deus – nos jogamos no sofá para continuar assistindo o restante do programa de fofoca.
“O que tudo indica também é que e reataram. Após a saída de com a outra garota do apartamento, foi visto chegando e só foi visto saindo hoje de manhã, o que nos leva a crer que ele sentiu saudades da amada e os dois passaram a noite juntinhos. Mas esse aí é outro que merecia uma namorada melhor.”
Eu desliguei a televisão irritada e ataquei o controle longe. socava uma almofada e comecei a andar de um lado para o outro para tentar espantar a raiva que eu sentia, como as pessoas adoravam falar as coisas sem saber. O interfone tocou pra minha infelicidade, quem seria nesse momento.
- Oi – eu atendi, respirando fundo.
- Eu tenho uma entrega para – a pessoa que estava lá embaixo disse.
- Pode subir – eu apertei o botão para abrir a portão de entrada do prédio – Eita, uma entrega pra mim. O que será? – Perguntei para e ela deu de ombros, ainda estava brava e estava mais preocupada em continuar socando a almofada. Fui para a porta esperar o entregador.
A porta do elevador se abriu e me deparei com um lindo buquê de Gérberas Pink.
- A senhora é ? – um garoto ruivo com espinhas espalhadas pelo rosto, que aparentava ter uns 16 anos me perguntou.
- Sim, sou eu – ele me entregou o buquê, era um mesclado de Gérberas Pink com Rosas em tom de Salmão, o cheiro era muito agradável por sinal. Eu o agradeci e ele saiu. Fui para o meio da sala cheirando meu buquê.
- QUE COISA LINDA AMIGA – deu um berro assim que reparou as flores em minhas mãos – É do ?
- Provavelmente – eu disse procurando um cartão – quem mais me mandaria flores? - encontrei o cartão.
- Vai lê logo isso – ela me encorajou e eu abri o pequeno envelope também em tons de rosa.
Logo de cara reconheci a letra de , que parecia muito mais alguns borrões, o cartão dizia o seguinte:
“Passei em frente uma floricultura e por algum motivo essas flores me lembraram você. A jardinista me disse que representam a sensibilidade, a sensualidade, o charme e a essência, o amor e a nobreza, a virtude a dedicação e a quietude, a alegria e a simplicidade, e a pureza. Desculpe por não ter esperado você, mas tinha algumas coisas para resolver. Ah, passeei com o Luke hoje cedo, como ele está forte. Com amor, ”
- AAAAAAAAAAAAAAAAAH – eu gritei e a gritou junto comigo – Como ele é lindo!
- Lindo eu já não posso dizer, mas que ele é um fofo, ele é – ela sorriu – acho que depois dessa, vocês se acertam hein?
- Eu espero amiga, de verdade – eu disse com uma expressão de medo.
Passamos o resto do dia ali, falando mal da apresentadora mosca morta, das flores, de , de . Brincamos um pouco com Luke, assistimos um episódio de Friends, mas nos cansamos logo, por fim decidiu ir embora, a acompanhei até a porta, nos despedimos e depois segui para o meu quarto. Tomei mais um banho quente, fiquei ali por algum tempo, a água morna me acalmava, eu gostava de deixar o jato forte de água bater em minhas costas, era como se fosse um massageador. Assim que abri a porta de vidro do Box, vi a fumaça que havia se instalado no banheiro, sai de lá a procura de uma roupa. Como de costume vesti uma camiseta branca de Tom e uma calcinha. Fui até a cozinha tomar um copo d’água e buscar Luke para dormir comigo, pois aquela seria realmente minha primeira noite sozinha.
Assim que passei pelo corredor e cheguei na sala, me deparei com Luke, ele me olhou com uma cara engraçada e saiu correndo. Eu já sabia o que era, provavelmente havia pego alguma coisa. Quando Luke queria esconder alguma coisa, não conseguia disfarçar seu contentamento, ele acreditava que ninguém percebia suas artimanhas.
- Muito bem, o que você pegou dessa vez? – eu disse tentando me aproximar dele, mas o filha da puta saiu correndo em disparada por toda a sala, pulando do sofá para o chão, do chão para o sofá como se tudo aquilo fosse um grande parque de diversões. Quando eu finalmente o cerquei e o forcei a abrir a mandíbula, encontrei o bilhete de grudado no céu de sua boca – Droga Luke, logo isso! Caramba – e voltei triste para o meu quarto, ele me seguiu com o rabinho balançando de um lado para o outro, como se estivesse sorrindo para mim. Me joguei na cama – Isso não tem graça! – eu disse séria.
Ele se deitou no pé da minha cama, eu me ajeitei e apaguei as luzes. Agora vinha a parte mais difícil, dormir naquele king size sozinha, não sei como eu enfrentaria aquela noite. Me deitei de lado e agarrei dois travesseiros, por sorte eles tinham o cheiro de e consegui disfarçar alguma coisa, mas nada se comparava ao abraço aconchegante e o hálito quente dele. Demorei, mas por fim adormeci.
Capítulo 4
Ao contrário do que e eu havíamos pensado não me procurou depois daquela noite... E nem depois e depois! Ele sumiu e talvez fosse melhor assim, eu também não o procurei. Passamos um mês assim, sem nos falarmos, eu sabia notícias suas através de e e antes que vocês me perguntem os dois oficializaram o namoro, meu amigo galinha havia tomado vergonha na cara e eu estava muito feliz por ele. De vez em quando ele passava no apartamento para pegar roupa ou alguma outra coisa sua que ainda estava lá e também para ver Luke e levá-lo para passear, mas procurava fazer isso em horários que eu não estivesse em casa. Luke era como um filho de pais separados. Chegava a ser engraçada essa situação, por diversas vezes me deparei com o carro de estacionado em frente ao prédio, e ia dar uma volta no quarteirão para dar tempo dele ir embora e eu poder voltar tranquilamente para o meu apartamento.
Um mês se passou, eu arrumei um emprego, um estágio na verdade. Mas já era alguma coisa e eu não achava justo ficar pagar minhas contas, mas ele dizia para , pois ele era bem financeiramente e que não via problemas e o recado era transmitido para mim.
No estágio fiz uma nova amiga, , pra mim simplesmente . E era com ela e que eu passava a maior parte do tempo, agora que vivia com Danny para cima e para baixo. Mas eu não me importava, os dois eram muito presentes apesar de tudo, mas eu não me sentia muito bem ficando de vela do casal.
Nós três saíamos quase sempre, íamos ao teatro, ao cinema, aos pubs, elas gostavam de me manter ocupada todo o tempo, achavam que assim eu sofreria menos. Elas tentaram me apresentar alguns caras durante esse intervalo de tempo, mas eu não sentia vontade de ficar com ninguém, alguma coisa ainda me prendia a e eu não sabia ao certo o que era. Eu ainda o amava e isso era evidente, eu não tentava esconder de ninguém, pois não precisava. Um amor de mais de três anos, não acabaria assim de um dia para o outro. Eu sabia que ainda sentia algo por mim, mas ele era orgulhoso demais para admitir, sua vida havia mudado completamente, voltou a freqüentar festas, ficar com algumas meninas... Eu sabia de tudo isso graças às revistas de fofoca que eu tanto odiava, porque se dependesse de eu não saberia de nada.
Confesso que no começo foi difícil acostumar com a falta que me fazia, passei uma semana inteira mandando sms para ele todas as noites, ele me respondeu nos dois primeiros dias e depois passou a me ignorar completamente. Fazia o mesmo com os meus e-mails e depois de alguns dias meus e-mails passaram a voltar acusando que caixa de entrada de estivesse cheia. Então eu simplesmente desisti, decidi que ia viver MINHA vida, da qual não fazia mais parte. Eu era forte não era? Eu chorei por diversas noites seguidas, mas aos poucos eu melhorei e passei há chorar só uma vez por semana e quando me dei conta eu já não chorava mais. Talvez um mês não fosse o suficiente para fazer com que eu o esquecesse, mas um mês era tempo o suficiente pra eu perceber que minha vida precisava continuar e não podia parar por causa dele. Quantos casais não terminavam todos os dias? Nós éramos apenas mais um.
E foi assim, com esse pensamento que eu encontrei forças para seguir, seguir sem .
TOM’s POV
Eu e já havíamos terminado fazia um mês.
Sempre achei que nosso relacionamento fosse a prova de tudo; que, mesmo acontecendo muitas coisas ruins, tudo ia dar certo, já que nos amávamos e queríamos ficar juntos pelo resto de nossas vidas. Mas a gente descobre, depois de um tempo, que nada é pra sempre. Eu acabei por me cansar das críticas constantes da sobre mim, sobre o que eu fazia com o meu tempo e sobre o meu jeito. Por mais que eu a amasse – e, acredite, eu ainda amo - acabei por me convencer de que não a faria feliz. De forma alguma. Então, por mais que doesse em mim deixá-la, eu tive que fazê-lo. Não importa com quem, eu apenas queria ver feliz novamente. Mesmo que para isso eu tivesse que ignorá-la completamente.
Ela me mandava mensagens, ligava para mim... eu apenas ignorava, deixava as ligações caírem na secretária eletrônica, as chamadas no celular se tornarem perdidas e as mensagens não respondidas. Era melhor mesmo, sempre costumou ser muito emotiva e não pensar nas conseqüências. Eu sabia que ela sofreria naquele momento, mas depois seria melhor. Ela esqueceria, seguiria em frente e encontraria um cara que a fizesse feliz. Mas ela não pensava dessa forma: se estivesse mal, iria procurar jeitos de ficar bem, mesmo que acarretasse problemas no futuro. Mas, dessa vez eu não iria deixar. Eu tinha as rédeas da situação.
Por minha vez, eu procurava me manter entretido a maior parte do tempo. Quando estava em casa, ficava vendo filmes, lendo muitos livros... Coisas que ocupassem minha mente. Quando chegava nos finais de semana, de sexta a domingo minha casa praticamente desconhecia a minha pessoa. Não queria deixar espaço na minha mente para me entristecer. E quando a tristeza driblava a minha mente ocupada, eu compunha. Compus muitas canções pensando nela e em nossa situação.
E era verdade o que tantas revistas fotografavam e diziam. Eu saía com muitas meninas, muitas vezes lindas. Não porque eu queria viver a vida de solteiro, pegar todo mundo e ótimo. Eu sentia falta da , mais do que tudo e queria ver se eu pelo menos conseguia chegar perto de sentir por alguma daquelas meninas o sentimento que eu tinha pela . Lógico que cada tentativa era frustrada – como eu fui estúpido de apenas cogitar a possibilidade de alguma delas chegar aos pés dela ou até mesmo de gostar de outra um mês depois de terminar um namoro de três anos!
As revistas sempre retratavam o que eu fazia ou deixava de fazer. devia saber exatamente com quem eu andava, aonde ia... o que me frustrava um pouco, já que ela nada sabia de mim, tampouco da minha vida. Eu me afastei bruscamente dela racionalmente, mas às vezes me parava em casa, sozinho e me perguntava “Porque?”. Ora, a vida era curta demais para isso, não deveria deixar a mulher da minha vida escapar assim. Logo depois eu lembrava que isto não era por mim, era por ela; se ela fosse ser mais feliz assim, que fosse.
A banda, por sua vez, estava indo muito bem, obrigado. Estávamos prestes a lançar nosso novo álbum, o único sem gravadora, com total liberdade de escolha das músicas. Estávamos fazendo shows por todo o Reino Unido, Europa e tivemos a proposta até de tocar na América do Sul, o que nos surpreendeu um pouco. Se minha vida pessoal era uma zona, a profissional ia de vento em popa. sempre vinha com o assunto e eu sempre o ignorava, dizendo que não queria saber. Na verdade eu queria, mas seria muito doloroso. Eu pensava nela e nos nossos momentos juntos sempre e era aquilo que eu queria guardar na memória. O que ela fizesse, o que deixasse de fazer a partir do momento em que eu coloquei os pés pra fora daquela casa, infelizmente, não era mais do meu interesse. O destino dela, que um dia já foi o meu também, agora iria ser feito e trilhado por ninguém além dela própria.
FIM TOM’s POV
Era sexta-feira à noite, eu estava cansadíssima após um dia exaustivo de muito trabalho e estudo, mas mesmo assim não deixei minhas amigas de lado e as recebi em casa para um simples happy hour. Estávamos todas na sala, eu, , e Luke, havíamos bebido um pouco e o excesso de álcool já começava a fazer efeito, a campainha tocou:
- OPA! Deixa que eu atendo – levantou trançando as pernas – OLHA QUEM RESOLVEU APARECER ! – ela gritou e eu meu coração bateu acelerado, estiquei o pescoço e olhei por cima do sofá. Era , ufa.
- Amiga, que saudades como você está? – Levantei correndo para abraçá-la.
- Estou ótima – ela disse me abraçando – Ai A, o que você bebeu? Que bafo de cachaça, sai pra lá – ela disse me empurrando.
- É vodka! – eu respondi rindo.
- Finalmente ela criou coragem e abriu aquela garrafa de Belvedere do – explicou.
- , se ele souber vai te matar! – disse me repreendendo.
- E daí? – dei de ombros – ele não mora mais aqui mesmo, agora é tudo meu – eu disse rindo e colocando mais vodka em um copo – bebe amiga, bebe! – e empurrei o copo para .
Não demorou muito para que entrasse no nosso clima, já tínhamos bebido mais da metade da garrafa quando resolvemos brincar de Eu Nunca, eu comecei:
- Eu nunca... eu nunca achei o gostoso! – todas beberam e me fuzilou com o olhar
- Você me paga – ela sussurrou – Minha vez – ela levantou a mão – Eu nunca fiz sexo em um Murano Preto dentro de um estacionamento! – elas riam enquanto eu virava uma dose que desceu queimando minha garganta!
- Filha da puta! – eu xinguei.
- Minha vez – levantou a mão – Eu nunca quis pegar o – virou sua dose.
- Eu nunca FINGI odiar o – eu disse frisando o “fingi” e virou outra vez.
- Eu nunca faria sexo com o - disse e virou mais uma vez.
- CHEGA, CHEGA! – ela se levantou – assim é covardia, minha vez! – ela pensou um pouco – Eu nunca olhei para o namorado de uma amiga – todas beberam e riram juntas.
- Espero que vocês nunca tenham olhado para o hein? – eu disse rindo muito.
- Fica tranqüila amiga, eu acho ele feio – se pronunciou e eu caí na gargalhada quando a almofada que eu ataquei acertou sua cabeça em cheio – Eu nunca sai com um homem mais novo – as três beberam e eu não.
- Eu nunca nadei pelada – disse, filha da puta ela sabia de todos os meus podres assim não teria graça, eu virei a dose sozinha e me deu um ataque de riso, o qual eu não consegui controlar. Eu ria muito e também.
- Do que vocês estão rindo? – perguntou.
- NADA! – respondemos as duas juntas.
FLASHBACK
Eu e namorávamos há aproximadamente seis meses, conversávamos no quintal de minha casa, quando de repente ele saiu correndo e pulou o pequeno muro de madeira que separava minha casa da dos Smith, eu corri atrás dele.
- volta aqui, o que você está fazendo? – eu disse baixo para que ninguém nos ouvisse.
- Vem , pula! – ele me disse do outro lado do muro fino de madeira.
- , você está maluco? Se o Sr. Smith te pegar aí você ta fudido.
- , vem logo! – ele sussurrou – eu te seguro.
- Ai , o que eu não faço por você hein? – apoiei meu pé em uma parte rachada do muro e num impulso eu estava do outro lado, antes de eu alcançar o chão Tom me segurou – obrigada – eu disse sorrindo e ele me colocou no chão.
- Acho que não tem ninguém em casa – ele me olhou maliciosamente.
- Vamos voltar , se pegarem a gente, estamos mortos – eu disse o puxando pela mão.
- Agora que eu estou aqui eu não volto – ele disse e tirou a camiseta preta que vestia
- O que deu em você? - perguntei assustada – tá maluco? – ele tirou a bermuda, a boxer quadriculava que usava e se jogou na piscina dos Smith.
- Duvido você vir também. – ele disse enquanto nadava de um lado para outro da piscina. Antes que ele falasse mais alguma coisa, eu tirei o vestido que eu usava, tirei meu sutiã devagar, minha calcinha e pulei abraçando meus joelhos na piscina, quando coloquei a cabeça para fora da água, ria descontroladamente – A maioria das mulheres teria mergulhado de cabeça, mas você sabe que bombinha é muito mais sexy – e me puxou para um beijo.
FIM DO FLASHBACK
A brincadeira estava muito divertida, a garrafa estava quase chegando ao fim, mas se acabasse tinha muitas outras que poderíamos beber. fazia coleção de bebidas e era difícil ele abrir alguma delas, a prateleira da sala estava cheia de garrafas dos mais variados tipos. O celular de tocou e ela saiu para a varanda para atender.
- Era – disse quando voltou – ele está em uma festa, disse para irmos para lá!
- Festa? Tô dentro – disse animada – Adoro festas!.
- Eu fecho – disse animada – festa é comigo mesmo.
- Já estou vendo que nem vai adiantar eu discordar né? – dei de ombros.
- Amiga, para de ser velha! Vamos, você precisa se animar – disse pra mim sincera.
- Tá bom, ta bom – me dei por vencida – Vamos pra essa festa! Espero que o não esteja lá.
- Acho que ele não vai estar. disse que ele saiu com uma garota – ela disse baixo.
- Tudo bem, sem problemas. Não precisa se preocupar - eu disse enquanto ela me olhava – Eu estou bem!
- Gente, mas temos um problema! – retrucou – Se eu for pra casa me arrumar eu não volto mais!
- Relaxa, sintam-se a vontade e podem usar o que quiser – eu fui para o meu quarto e elas me seguiram – Meu guarda-roupa é de vocês – eu disse abrindo a porta do meu closet, ainda estava sob o efeito da maldita Belvedere – Se vocês quiserem pode usar o banheiro da sala ou o do quarto de hóspedes. Sintam-se a vontade – e fugi para o banheiro.
Deixei que a água caísse para levar para o ralo o efeito do álcool, mas uma das minhas tentativas frustradas. Não adiantou e mesmo que eu negasse, eu estava bêbada, era engraçado, pois eu não era o tipo de pessoa que costumava encher a cara. Quando me convenci de que a água não mudaria a minha sobriedade, saí do chuveiro. Não encontrei ninguém no meu quarto, então me joguei na cama, fiquei ali por 5 minutos quando eu ouvi uma voz aguda invadir meu quarto.
- AMIGA, SUAS ROUPAS SÃO LINDAS! – apareceu com um vestido cru de ombro caído na mão.
- Pode pegar esse vestido pra você, foi presente de – eu disse desanimada.
- Não posso aceitar um presente que você ganhou do - indagou.
- , você vai fazer mais proveito do que eu – falei com sinceridade – Você viu todas aquelas roupas no meu armário? – apontei em direção ao closet e concordou com a cabeça – Eu não uso metade delas!
- Então obrigada amiga – ela saiu correndo do meu quarto e voltou para o closet, eu a segui – O que eu posso usar com esse vestido? - ela perguntou.
- Hm... deixe-me ver! – abri uma outra porta – coloca essa bota – joguei um par de texanas marrom em cima dela – esse cinto e essa headband. Que tal?
- Não acha que eu estou muito country não? – ela perguntou intrigada.
- Claro que não sua boba, é a nova tendência! – Abri meu armário – Agora vamos lá... O que EU vou vestir! – peguei um vestido tomara-que-caia vermelho – O que você acha?
- Lindo! – exclamou, ela entrava no closet com uma minha saia preta de cintura alta, uma blusa branca, uma meia calça de rendas – E eu como estou?
- Um arraso! Pega esse scarpin preto – e joguei um par de sapatos pra ela.
- E eu como estou? – apareceu na porta do closet, com um vestido preto de babados com uma faixa Pink na cintura.
- Coloca esse sapato – eu dei para ela um Oxford preto – hm... E que tal essa jaqueta? – Mostrei uma jaqueta de couro preta para elas.- Eu acho muito Demi Lovato – exclamou.
- Eu gosto – disse.
- Eu também – concordei.
- Três contra um, me desculpe – disse e vestiu a jaqueta por cima do vestido.
Terminamos de nos arrumar, eu levei alguns tropeções, borrou a maquiagem e soltou um “to borrada” fazendo as quatro caírem na gargalhada, quase torceu o pé com o sapato e o headband estava ganhando de vinte a zero de .
- Alguém me ajuda a colocar essa merda, por favor? – ela gritou.
Capítulo 5
Depois de todas prontas, decidimos ir para a tal festa. Descemos e fomos com o carro de . nos contou durante o caminho que aparentemente a festa era de uma das meninas mais ricas da Inglaterra que fez questão de convidar metade da cidade, incluindo anônimos e famosos. Estremeci: todas as celebridades do Reino Unido deviam ter sido chamadas. Incluindo o . O meu . E se uma das meninas ricas piriguetes viessem dar em cima do meu... Ex? Ok, eles iam ficar, eu ia ficar na merda, chorar e tal. Mas não ia à festa. E eu dava graças a Deus por isso.
Entretanto eu não estava com um bom pressentimento e, conforme fomos chegando ao local da festa, eu fui ficando cada vez mais nervosa.
- É aqui. – disse , parecendo tão chocada quanto nós.
Sabe uma casa grande? Imagina uma maior. Muito maior. Ela era meio bege na frente, com pilares de sustentação brancos e uma sacada no segundo andar que dava para a frente da casa. Para entrarmos pelas portas brancas, passamos por um degrau que dava lugar a um chão de mármore. Eu e as meninas estávamos maravilhadas. Era uma das casas mais bonitas que eu já havia visto em Notting Hill.
Estávamos todas muito arrumadas de fato. vestia uma saia de cintura alta preta, blusa branca, meia calça rendada e scarpin preto; um vestido cru de ombro caído, um cinto marrom e uma texana da mesma cor; um vestido preto de babados com uma faixa rosa Pink, uma jaqueta de couro preta e um sapato Oxford; e eu vestido vermelho tomara que caia.. Um scarpin vermelho no mesmo tom do vestido. Devido a isso atraímos alguns olhares curiosos ao entrarmos na casa e se estivéssemos em cinco, tenho certeza que nós confundiriam com as Pussycat Dolls, ri sozinha com esse pensamento, porque ainda faltava um pouco para eu chegar aos pés da Nicole Scherzinger.
A festa estava lotada e nós mal conseguíamos andar sem esbarrar em algum bebum que perdia o controle. Eu estava ficando cada vez mais irritada; , ao meu lado, conversava algo e gargalhava com . , porém, olhou-me e disse:
- Calma, os meninos devem estar aqui em algum lugar.
Começamos a rondar a festa atrás dos nossos amigos. Mas aonde diabos teria se metido? Ora, ele não se preocupava com a namorada? Nem ligava para ela! Olhei ao meu lado e ela tinha um semblante tranqüilo. Talvez eu que era a paranóica da história. Estava começando a dar razão a quando ele me chamava de louca quando (finalmente!) encontramos os meninos.
- Oi, amor – disse, dando um selinho em , provocando murmurinhos entre uma turma de meninas que estavam ao lado deles – Oi, , oi ... E... – deu uma olhada maliciosa para – aguarda um minutinho. – e saiu de perto. Não demorou muito para que ele voltasse com quem procurava desde o começo da festa. Sim, o próprio em pessoa estava a nossa frente e tinha um sorriso que misturava malicia e timidez. Havia apresentado aos meninos já tinha tempo, e nós saíamos sempre juntos. E e nunca esconderam a atração que um sentia pelo outro, há não ser quando um implicava com o outro e fingiam se odiar. Talvez fosse à hora de fazer acontecer. definitivamente tinha um timing impecável. Começamos a conversar sobre assuntos aleatórios até que eu vi que os dois, e , haviam desaparecido. Falei isso a e ele riu.
- Já estava na hora! é sempre tão lerdinho... – gargalhamos todos. Todos continuaram bebendo – menos eu, a bebida já havia me deixado com dor de cabeça - e conversando sobre qualquer coisa que bêbados costumam conversar.
Depois de um tempo, eu fui começando a me entediar. Os caras chegando constantemente em mim já me irritavam, assim como o papo meloso entre e . Ora, eles se amam, etc e tal, mas eu realmente não estava com humor para aquilo. ao meu lado estava risonha. Chapada, graças ao efeito do cigarrinho que eu a flagrei fumando escondidas com uns caras desconhecidos. Eu já estava bem aborrecida e queria minha casa, meu computador... Minha vida de volta. Já estava convencida de que estava velha o suficiente para festas ao melhor estilo American Pie. E olha que estávamos na Inglaterra! Os bêbados que não deviam ter mais que 15 anos estavam lá, caindo de bêbados, alguns na piscina, outros no sofá (e que puta sofá) lindo da sala, outros se comendo nas seis (eu perguntei a : sim, seis) suítes da casa da menina. Comecei a me lembrar das épocas que eu fazia essas loucuras. E me lembrei também que sempre estava ao meu lado. Merda. Algo para complementar meu mau humor então.
Olhei para ao meu lado, claramente bêbada. Ela conversava com um ser avulso que eu não fazia a menor idéia de quem era. Parecia ter mais ou menos a nossa idade e um charme absurdo. Legal, pensei, hoje eu volto sozinha para casa. e já tinham fugido para algum cantinho escuro já fazia tempo. Era eu, e seu príncipe encantado. Que maravilha. Esperei se despedir do garoto e fomos dar uma volta pela casa, conhecer os lugares que ainda não havíamos conhecido e no jardim da piscina encontramos , ela estava vermelha e bufando.
- O é um completo imbecil! – ela disse arfando!
- Mas o que aconteceu? – perguntei intrigada.
- Ele simplesmente me largou sozinha para ir conversar com umas garotas!
- Então pronto, vamos embora. Tá muito cheio e eu não agüento mais ficar aqui – reclamei, a bebida já estava se esvaindo do meu sangue dando lugar ao meu mau humor pós-bebedeira. ao meu lado ainda gargalhava, seu rosto dando claros sinais de que era ainda a vodka falando por ela.
- Vocês são muito chatas! – reclamou – Já que o te deu o fora vamos achar uns gatinhos!
- Ei! O não me deu um for a! - disse, agora a fúria já havia passado e ela ria junto com - Vem, vamos! – ela pegou pela mão e as duas andaram em direção a porta que dava para a cozinha.
- OW! – Gritei e as duas viraram em minha direção – Não estão esquecendo de nada? – As duas saíram e me largaram ali, ótimas amigas eu tinha.
- Vai vem, vamos logo! Hoje a noite é nossa – disse rindo, vindo até mim e me pegando pela mão.
- Eu quero ir embora, estou cansada. Podem ir se divertir, vou embora de táxi – falei conformada.
- Pára, – ela falou – não é como se estivesse aqui, nem na... – ela se calou e empalideceu, quase ao mesmo tempo. Olhou sobre o meu ombro, já que eu estava na direção da porta que dava para o quintal aonde estávamos. Naquele momento eu entendi tudo.
Ele estava ali.
Me virei, de repente, para ter certeza. Mas me arrependi quase que instantaneamente. adentrou o quintal segurando a mão de uma menina. Aquele rosto me era familiar, com certeza era uma das meninas com quem já havia saído e tido seu rosto estampado na capa de alguma revista de fofocas. Meu sangue começou a ferver. Como aquele imbecil pôde esquecer nosso namoro de três anos assim? E já sair, no mês seguinte, segurando a mão de uma biscate, Maria banda qualquer?
De repente, o olhar de encontrou o meu. Ele me encarou e, pela primeira vez em três anos, eu não fui capaz de distinguir um só sentimento que ele possuía em si. Era uma tristeza, misturada com raiva, vergonha... Não dava para entender. Ele murmurou algo no ouvido da pira..., ops, namoradinha dele e veio até mim.
- Oi, . – disse, encarando os tênis. Se ele achava que fazendo essa carinha de coitado ele ia conseguir me conquistar... Ele estava praticamente certo. Opa, não! Concentração. Ele não ia conseguir. Isso.
- Oi, – disse no tom mais frio que eu consegui e eu senti estremecer. Sorri satisfeita; eu ainda era capaz de causar algum tipo de impacto sob ele. Fosse isso bom ou ruim.
- Eu... Eu... me chamou e, bem, eu...eu não sabia que você vinha, então, Lauren quis... Eu... Me desculpe – ele, depois de muito gaguejar, soltou. Eu dei meu melhor sorriso irônico e apenas balancei a cabeça em negação. O vi soltar o ar, quase que como se estivesse prendendo-o enquanto falava comigo.
- Hey, ... Liga não. To legal, sério. – dei um ultimo sorriso e puxei comigo, que consequentemente puxou para longe. Para dentro da casa, mais precisamente pro bar.
- Que porra que foi isso, ?! – esbravejou – teu ex entra com uma mulherzinha qualquer e você sai correndo? Cadê a que eu conheço?
Apenas sorri para . Nunca que eu culparia por estar seguindo em frente, coisa que eu já deveria ter começado a fazer. Mas também não era justo eu estar em casa chorando enquanto ele estava saindo por aí se divertindo, não é mesmo? Então, eu decidi me divertir. Mesmo que na frente de e de sua nova namorada, ficante, ou o que seja.
continuou me encarando confusa. Minha expressão confiante e serena com certeza a apavorava. Eu só ficava assim quando tinha algo em mente. E eu tinha.
- Então... Que tal uma vodka? – perguntei forçando um sorriso e elas concordaram, balançando a cabeça! – Me vê três doses de vodka com energético por favor! – Pedi para um dos barmans, que por sinal era super gatinho. Ele colocou nossas doses em cima do balcão e sorriu para mim, ui! – Vem vamos dar uma volta – cada uma pegou a sua dose e saímos em direção à pista.
Tocava uma música dançante qualquer que eu não consegui identificar, esbarrei com algumas pessoas perdidas da minha faculdade na pista. Encontrei algumas pessoas que eu não via há tempos, amigos de que fizeram questão de me cumprimentar, alguns acompanhados das namoradas, outros sozinhos. Por coincidência do destino encontrei Phil Tollman acompanhado de Matt, os dois fizeram questão de vir falar comigo.
- Resolveu sair do ninho ? – Phil perguntou abrindo os braços para me abraçar.
- Olá Phil! – o abracei – Oi Matt – dei um beijo na bochecha do outro garoto – Está é e esta ... – disse apontando para as duas – estes são Phil e Matt – indiquei os dois garotos ao meu lado.
- Você parece estar ótima ! – ele disse sorrindo.
- Você acha mesmo? – eu ficava feliz em saber que eu aparentava estar bem, adoraria que pensasse o mesmo que ele. e Matt embalaram um papo sobre a festa, enquanto foi ao banheiro.
- Eu acho – ele sorriu – aceita uma bebida?
- Aceito sim. Vamos até o bar e já voltamos – eu avisei e Matt – Então, está gostando da festa? – perguntei enquanto caminhávamos em direção ao bar.
- Estou sim. Não esperava te encontrar aqui! - ele falou com franqueza – Queria me desculpar por aquele dia no pub – não acredito que ele ainda lembrava daquilo.
- Você não tem que se desculpar por nada Phil – eu articulei sem jeito – Se alguém tem que se desculpar, esse alguém sou eu. Desculpe-me a grosseria de , ele não devia ter me tirado daquela maneira de lá... A gente nem estava mai...
- Estão falando de mim? – apareceu de repente ao nosso lado no bar.
- E aí cara! – Phil cumprimentou que fingiu não ouvir, e Matt que observavam a cena se aproximaram ao ver chegando, aquilo cheirava a confusão, logo em seguida também se juntou a eles.
- Olha que coincidência? – eu exclamei – É só falar no diabo que aparece o rabo – eu ouvi Phil pedir duas doses de vodka ao barman.
- HA HÁ! Engraçadinha – falou debochadamente.
- Veja se você não concorda – eu disse – Eu estava aqui dizendo ao Phil que foi uma grosseria da sua parte, ter me tirado da pista aquele dia no pub e que você deve desculpas a ele.
- Quem tem que pedir desculpas aqui é ele – indicou Phil com o polegar – ele é que é o amigo traíra que deu em cima da minha namorada! – eu ri, mas ri com vontade e olhou com raiva para mim.
- Sua namorada ? Ex-namorada - eu falei pausadamente – Você quem terminou comigo e acha que ainda está no direito de me cobrar alguma coisa? – estava incrédula.
- De você eu não tenho que cobrar nada – ele retrucou – Mas de uma pessoa que eu considerava amigo sim.
- Qual é ?! Não fizemos nada demais – Phil finalmente se pronunciou.
- Cara, cala essa sua boca imunda antes que eu estoure a sua cara – estava com o punho fechado, mas tentou se controlar. Phil ficou pasmo e eu vi de relance falar algo no ouvido de .
- Phil é melhor você ir, daqui a pouco nós conversamos – eu falei e Phil saiu na direção onde e estavam com Matt – Por que você faz isso? – eu disse séria olhando em seus olhos.
- Isso o que? – questionou.
- Todas essas coisas – eu virei minha dose de vodka pura que estava no balcão de uma vez só – Você adora se meter na minha vida, apesar de não fazer mais parte dela. Você age como se ainda namorássemos e quando eu mais preciso de você, você some. Você me manda flores lindas e depois desaparece. – Eu respirei fundo e ficou calado – Me vê mais uma dose, por favor – Pedi para o barmam.
Quando ia abrir a boca para me responder, a vagabu... Quer dizer, a Lauren, esse era o nome dele pela que eu me lembrava, apareceu e dessa vez quem se segurou para não brigar fui eu.
- Nossa , onde você estava? – a piriguete falou se pendurando no pescoço dele – Te procurei pela festa inteira. Oi – ela se dirigiu a mim – Você deve ser a né? – ela disse com um tom de falsidade.
- Sou eu sim – retruquei friamente - para você.
- Sabia que você parecesse ser muito mais bonita nas revistas – ela disse com um sorriso vitorioso nos lábios.
- Chega Lauren – tentou impedi-la e minhas amigas se pronunciaram ao ouvir ele aumentar sem tom de voz.
- Deixa , deixe que ela fale – virei outra dose de vodka – Ou você acha mesmo que eu me importo com a opinião dessas vagabundazinhas que você pega pra me esquecer? – e o pior era que eu me importava, mas não podia demonstrar - No fundo, no fundo você sabe que nenhuma delas consegue me superar! E sabe por que? – ele me olhou curioso – Porque você me ama! E por essa daí, você não sente absolutamente NADA! – eu frisei o “nada”.
- Garota, quem você pensa que é pra falar assim com ele? – a tal de Lauren tentou defender o , há essa altura muitas pessoas já prestavam atenção no nosso desentendimento.
- Pergunta pra ele quem eu sou – falei com um ar debochado e sai dando as costas aos dois. e me acompanharam.
- Você não vai fazer nada ? – ainda pude a ouvir reclamar.
- Me deixa Lauren!– respondeu num tom de voz grosso e eu me dei por vitoriosa – Ei, ! – ele gritou e nos viramos – Bonito vestido! – ele havia percebido, havia lembrado que aquele vestido era meu e o pior, havia sido presente... e dele! abaixou a cabeça sem graça.
Sai desnorteada em direção a pista de dança, a música invadia minha cabeça e aquilo estava começando a me irritar, procurei por todos os cantos daquela sala de estar e não a encontrei, voltei para o bar e ela também não estava ali. Passei pelo corredor, pela cozinha, pela varanda e nada da .
Fui para o jardim e finalmente a encontrei. Parada conversando com em um canto.
- Fala loser – eu disse dando um pedala em assim que me aproximei.
- Hei... Quem é vivo sempre aparece – exclamou assim que me viu e eu sorri.
- Onde você se enfiou ? Te procuramos por todos os cantos - perguntou.
- Estava por aí dando uma volta – eu não queria falar sobre o ocorrido na frente de – Cadê a ?
- - sussurrou.
- Cara, eu quero! – Exclamei assim que vi uma garrafa de Absolut brilhando na mão de . Arranquei de sua mão e virei em apenas um gole, a vodka desceu queimando minha garganta, mas eu mal me importei.
- Vai devagar – disse puxando a garrafa da minha boca – Assim você vai passar mal!
Ficamos ali, jogados em um canto do jardim, os três rindo muito. Falando mal das pessoas que estavam na festa, falamos sobre a dona da festa a qual mal conhecíamos, falamos sobre tanta coisa e em menos de meia hora já havíamos acabado com a garrafa de Absolut.
- Eu preciso ir ao banheiro – eu disse tentando me levantar, mas eu cai de bunda no chão e os dois ficaram rindo. que era o mais sóbrio de nós três se levantou e me ajudou a levantar também – Obrigada! Eu já volto – disse saindo em disparada ao banheiro.
Todos os banheiros do andar de baixo estavam ocupados, subi devagar as escadas me segurando antes que eu caísse no chão novamente e por sorte encontrei um banheiro desocupado no primeiro andar. Tirei o vestido e me sentei, foi copo se uma cachoeira saísse de dentro de mim, me senti aliviada e minha barriga até diminuiu. Coloquei novamente o vestido, lavei as mãos e desci as escadas, com o intuito de voltar ao bar e pegar mais vodka, eu já havia bebido demais aquela noite, mas eu precisava aproveitar a festa e bebendo seria a única maneira de esquecer que estava lá, na companhia daquela piranha... O MEU , com aquela piranha. Meus pensamentos já estavam confusos e eu não falava ou pensava coisa com coisa.
Quando estava chegando ao último degrau da escada, me deparei com um garoto lindo, moreno de olhos claros que estendeu a mão para mim. Seria ele um príncipe? Meu príncipe encantando? Dei as mãos para o garoto e ele me ajudou a descer os últimos degraus, finalmente um cavalheiro naquela festa.
- Oi – o garoto sorriu para mim e eu retribui o sorriso – a princesa está perdida? – querido se você me levar para o seu castelo eu estou.
- Não, só vim ao banheiro... Minhas amigas estão por aí – eu apontei com a mão.na direção do jardim.
- E qual seu nome? – ele perguntou.
- e o seu? – eu retruquei.
- Meu nome é Chad, prazer – ele estendeu a mão e eu apertei.
- O prazer é todo meu Chad! – eu disse sorrindo.
Fomos para um canto ao lado do bar e ficamos conversando por bastante tempo, ele me contou sobre sua vida, que morava em Oldham e havia ido para Londres para passar um tempo na casa de um primo e eu falei um pouco sobre a minha vida também, claro que eu não tinha tantas histórias para contar, há não ser que eu ficasse falando sobre meu ex-namorado, e com certeza aquilo não agradaria ninguém. Ele aparentava ser uma pessoa muito legal, eu já estava na terceira Piña Colada e Chad bebia uma dose de Whisky. Ele envolveu meu ombro em seu braço direito e começou a alisar meu braço, quando dei por mim ele havia me virado de frente para seu corpo e tentava beijar o meu pescoço, tentei esquivar, mas ele era forte demais.
- Me solte, por favor – eu falei baixo.
- Qual é gatinha? – ele disse, agora pude reparar em como seus olhos estavam vermelhos e ele parecia inquieto. Agora ele tentava me beijar, passava os lábios pela minha bochecha enquanto eu tentava afastar meu rosto.
- Para – a essa altura ele já me segurava com as duas mãos, eu tentei me esquivar em vão – já pedi para me soltar!
- Não vou te soltar – ele disse cinicamente.
- Se você não soltar eu vou gritar – eu o ameacei.
- Pode gritar a vontade – ele debochou – com a música nessa altura você acha que alguém vai te ouvir? – Antes que eu pudesse pensar, levantei meu joelho e acertei em cheio sua parte íntima e ele se contraiu. Ao mesmo tempo enfiou a mão na minha nuca e puxou meus cabelos com força. Não era possível, o príncipe havia se tornado um maníaco.
Tudo aconteceu ao mesmo tempo e muito rápido. Eu vi duas mãos agarrarem Chad pela camiseta e atira-lo para longe de mim, com o impacto eu também fui arremessada para trás batendo as costas na parede. Quando me dei conta, trocava socos com o maníaco e dessa vez eu não poderia culpá-lo por ter me tirado dali. Uma roda se abriu em volta da gente, mas antes que os dois se matassem muitas pessoas apareceram, eu senti alguém me puxar pela mão e me tirar dali, só depois fui me dar conta de que era . As últimas coisas que pude ver foram e chegando para segurar e Chad se levantando com o supercílio cortado, enquanto ... estava intacto!
- Calma amiga – eu soluçava e tentava me acalmar, há essa altura um aglomerado de pessoas já haviam se colocado a minha volta.
- Sai todo mundo – eu ouvi a voz de , eu reconheceria aquela voz em qualquer lugar do mundo – Você está bem? – ele se ajoelhou ficando da minha altura e perguntou segurando no meu rosto. Eu apenas balancei a cabeça, afirmando – Vem, vou te levar pra casa – se levantou e antes que eu pudesse questionar ele me pegou pela mão e me tirou daquele aglomerado de gente.
- Obrigada – eu sussurrei, enquanto tentava acompanhar seus passos apressados e ele não falou nada.
Saímos rapidamente da mansão, o carro de estava estacionado do outro lado da rua, ele acionou o alarme e abriu a porta do passageiro para mim. Depois ele deu a volta e sentou-se no banco do motorista, ligou o carro, acelerou e eu pude ver a mansão sumir pelo retrovisor. Fizemos todo o caminho para Southwark em silêncio, há não ser pelo rádio que estava ligado, mas estava tão baixo que eu não podia identificar o que tocava.
- E a Lauren, ? – eu finalmente quebrei o silêncio.
- Como assim? – ele me olhou intrigado – o que tem a Lauren?
- Você a largou lá na festa, sozinha. Como ela vai embora? – perguntei preocupada e começou a rir balançando a cabeça – Ei... O que foi?
- Você ta preocupada com a Lauren? – ele falou ironicamente.
- Estou sim, nós moramos em Londres e você sabe que aqui ou em qualquer é perigoso – eu exclamei com sinceridade.
- Outras meninas estariam felizes por eu ter deixado ela sozinha e não se preocupariam como ela vai voltar pra casa – e riu – Ela pega, um táxi sei lá. Pouco me importa! – ele deu de ombros – Quando eu digo que você é maluca, ninguém acredita.
Eu apenas sorri. O que eu havia dito na festa era verdade: ninguém iria me superar para . E ele não sentia nada por Lauren. Olhei para , que sorria. Eu ainda sentia aquele forte sentimento por ele. Só de vê-lo perto de mim, dirigindo seu carro em silêncio ao meu lado me fez recordar das inúmeras vezes que o fizemos. E, por mais estranho que isso possa soar, por mais que tudo tenha dado mil voltas... nada havia mudado. Ainda éramos e , e , aquele mesmo casal de sempre. Estava tão absorta em meus pensamentos que mal vi a hora que chegamos ao meu prédio, que antigamente era nosso. abriu a porta para mim e veio ao meu lado praticamente me segurando.
- , me solta... Eu to bem – era uma completa mentira. Eu ainda estava extremamente bêbada e mal conseguia caminhar sem trocar as pernas. , por sua vez, nada disse. Ignorou meu comentário e continuou me segurando pelos ombros. Eu bufei de raiva, será que aquele teimoso nunca ia me ouvir? Chegamos ao meu apartamento e eu quase chorei de emoção ao cair no sofá, os braços abertos e com um pé encostado no chão. Fiquei ali por alguns minutos, até que me virei para encontrar um risonho. O olhei com um olhar indagador. Ele apenas balançou a cabeça, negativamente.
- Eu sempre me lembro disso. Assim, eu me lembro de vários momentos nossos juntos, mas esse em especial vem a minha mente todo dia. Quando você chega de algum lugar cansada e faz exatamente isso – ele apontou para mim -, exatamente na mesma posição. – ele deu uma risada, me fazendo sorrir. – Eu sempre achei essa sua mania muito engraçada. – eu não sabia o que responder. Estava eu, conversando com meu ex namorado, sobre coisas que ele sentia falta sobre mim. Aquilo era masoquismo demais, tanto para mim, quanto para ele! Resolvi responder algo antes que se calasse de vez.
- Eu não... eu não sabia disso. É uma coisa tão... boba, sei lá... – eu disse, tentando colocar os pensamentos em ordem, já que a bebida não ajudava. Ele deu o seu melhor sorriso e abaixou a cabeça, falando baixinho, quase inaudivelmente:
- Foram essas coisas pequenas que me fizeram ficar apaixonado por você.
Ficamos em silêncio por alguns instantes. O olhar antes divertido de agora era calmo, sereno... triste. Eu não devia estar muito melhor. Senti as lágrimas tentando sair. Mas eu não deveria chorar na frente dele, deveria? E porque eu não conseguia responder nada? Esperei por aquele momento por mais de um mês, porque que agora eu não conseguia agarrá-lo e dizer ‘se você ainda me ama, vamos tentar de novo?’. As palavras por nada saíam da minha boca. Eu apenas suspirei. abaixou os olhos e murmurou:
- , eu to indo pra casa. – e se virou antes que eu pudesse dizer algo. Porém, ele parou no meio do caminho. Eu vi sua cabeça pender para o lado esquerdo, aonde estava... a garrafa de Belvedere vazia. Eu sabia que ele ia ficar muito nervoso comigo, então já estava esperando um super ataque de nervos a la Fletcher.
- Que porra é essa, ?! Eu já te falei QUINHENTAS vezes que não era pra abrir! – ele vociferou para mim. Eu já estava cansada daquele papo: todas as vezes que eu mencionava minha vontade de tomar aquela vodka, ficava muito irritado e brigávamos.
- Ah, , me poupa, vai! O que essa merda de garrafa tinha de tão especial? – eu gritei de volta. Ele estava muito vermelho e eu jurava que podia ver fumaça saindo de seus ouvidos.
- Foi presente do meu avô! Ta satisfeita? – eu entrei em choque. O avô de , a pessoa que ele sempre dizia que sentia mais falta no mundo. Ele continuou – Ele me deu quando soube que eu colecionava! Porra, porque você fez isso, cara? Ele me deu antes de morrer, foi o ultimo presente que eu ganhei dele! – de repente eu vi lágrimas escorrendo do rosto de . Mas, ainda assim, apesar de sentir muita pena, não quis dar o braço a torcer.
- Então porque você a deixou aqui? Hein, me diz! – eu gritei e ele ficava cada vez mais nervoso.
- Porque meu avô me disse, que era pra eu deixar essa garrafa aonde eu considerasse o meu lar, – ele berrava - e eu considero aqui o meu lar! Aqui, com você, com o Luke, com a nossa vida! Aqui que eu me sinto bem, aqui é a MINHA CASA! Com a mulher que eu amo! Merda! – ele saiu correndo em minha direção e em um segundo sua boca estava colada na minha e suas mãos me abraçavam muito fortemente. Eu parecia que estava entorpecida. Só conseguia pensar em , no seu cheiro, em suas mãos em mim e em quanto eu esperava por aquele momento. Mas, de repente, um sentimento novo me invadiu. E aquele nada tinha a ver com . Eu fui tentando disfarçar, disfarçar, mas de repente...
- Ai meu Deus, no meu vans não! – se afastou.
Sim, eu tinha vomitado. Sim, eu cortei o beijo para vomitar. E sim – essa é a pior parte - eu vomitei bem em cima do tênis favorito do . Eu olhei para cima, sentindo as bochechas corarem violentamente. , ao contrário do que eu imaginava, soltou uma gargalhada. Eu limpei minha boca, sentindo aquele gosto horrível, aquele péssimo cheiro. Eu olhei para com uma cara de arrasada. Eu sabia que aqueles eram os tênis favoritos dele e nunca iria me perdoar por tê-los arruinado. Ele balançou a cabeça, ainda sorrindo.
- Relaxa, ! Eu sou um rockstar, já estava na hora de ter milhões de pares de vans pela minha casa. – disse e riu da própria piada. Eu dei um sorriso sem graça e murmurei um ‘desculpa’. Ele balançou a cabeça de novo – Não tem problema. Vamos lá, vamos tomar um banho... você ta precisando de um.
Parecia que a bebida estava mais forte em meu sangue, porque estava ficando complicado de levantar. Eu estava ajoelhada apoiada nas mãos perto de e, quando tentei levantar, caí sentada. me ajudou e me levantou, colocando meu braço apoiado em seu ombro. Encostei minha cabeça na sua e ele, com sua outra mão livre, começou a acariciar meus cabelos e eu fechei os olhos. Ele me levou ao banheiro e ligou o chuveiro. Enquanto isso, eu me sentei na privada (de tampa fechada), encostei a cabeça na parede e fechei os olhos. Estava praticamente adormecida, quando escutei um sussurro de ao pé do meu ouvido:
- Ei... acorda... – abri os olhos lentamente e o encarei. Ele abriu um sorriso. – Melhor você tomar um banho, sabe...- eu balancei a cabeça negativamente e ele deu uma risadinha baixa. – ah, mas você vai sim. – eu balancei a cabeça de novo, fechei os olhos e murmurei ‘não, , me deixa dormir’ e ele começou a rir. Logo, ficou quieto e eu abri meus olhos. Ele me olhava sem graça. Eu o olhei confusa. - Você tem que tomar um banho e não ta em condições de fazê-lo sozinha, mas eu também não sei se posso...
- Até parece que você nunca me viu pelada, . – o cortei bruscamente. Ele ficou vermelho de vergonha, mas logo sorriu e começou a me despir. Olhei para o alto, fingindo que nada estava acontecendo. Era o que se podia chamar de um momento constrangedor. Depois de ter me despido, possuía um olhar que misturava desejo com vergonha. Eu comecei a rir disso. Eu era sexy pra ele até vomitada, descabelada e totalmente bêbada? Isso fez minha auto estima subir consideravelmente. Ele terminou de cuidar de mim, então me deixou no meu quarto para eu me trocar enquanto ele ia tomar um banho. Eu me troquei e sentei na cama enquanto ele tomava banho. O que aquilo significava? Eu e havíamos nos beijado e ele havia praticamente se declarado a mim! Mas... porque? Do nada? Um dia ele está me ignorando, outro está me beijando na minha sala dizendo que o lugar dele era ao meu lado. Eu estava muito confusa pensando nas atitudes bipolares de quando o vi saindo do banheiro, já de roupas postas.
- Eu...e-eu ... – ele gaguejou e eu sorri involuntariamente. Eu adorava quando gaguejava quando não sabia o que dizer. Era uma mania linda. – eu to indo, . Já ta tarde e eu...
- Dorme aqui. – eu o cortei. Ele me olhou surpreso com a minha confiança. Eu estava surpresa comigo mesma na verdade: não imaginava que eu tivesse a cara-de-pau para isso. Ele, no entanto, não recusou. Apenas concordou com a cabeça e tirou sua roupa, ficando apenas de boxers. Eu entrei embaixo das cobertas sendo seguida por ele. Senti Tom me abraçar por trás e encostar seu rosto no meu.
- Senti falta disso. – eu disse e pude sentir seu sorriso. Ele apenas concordou com a cabeça.- Podia tudo ser mais fácil, não é?
- Eu sei...eu te amo, . Mais que tudo nesse mundo. Nunca quis que isso acabasse dessa forma, eu te juro...- sua voz começou a ficar embargada - eu te quero pra sempre na minha vida.
- Eu também, ... – eu comecei a falar, já chorando.- Porque a gente não pode tentar de novo?
- , não ia funcionar. Já ta muito desgastado e eu...
- Você não me quer mais? Só aceito seu não com essa justificativa. – o cortei, imediatamente. Ele suspirou. Eu não ia desistir fácil assim. O álcool me deixou muito determinada. suspirou, nervoso. Resolvi esperar sua resposta.
- , não ia dar certo.
- Por que não? Nós nunca tentamos. E se a gente não tentar e se arrepender? , eu não quero acordar casada a um açougueiro gordo com quatro filhos pra criar, vinte quilos mais gorda e pensar ‘e se eu tivesse tentado mais com o ?’. A gente só vai saber tentando! – eu virei meu rosto para encará-lo. Ele me fitou exasperado, sem saber o que dizer.- Eu te amo, . Por três anos eu te amei. E quero continuar amando pra sempre. Só depende de você. – ele nada disse. Eu continuei. – Pensa agora, essa noite... se amanhã eu não te encontrar aqui, saberei sua resposta. – ele, de novo, não respondeu. Virei minha cabeça para a posição normal. Em poucos minutos adormeci.
Continua...
n/a: Hola chiquitas! Hoje estou enviando o capítulo sozinha, pois a mamãe da Tay vetou a internet! Mais um capítulo escrito com todo amor e carinho... Esperamos que vocês gostem, não deixem de dar sua opinião ok? Pois ela é muito importante para nós... beijinhos! Nay ;*