Already Gone
Autor: Nay R. e Tay R.
Beta-Reader: Bárbara
Capítulo 1
N/a: Ei, eu sei que é chato começar a fic logo de cara com uma observação, mas é importante: coloquem When you’re gone, da Avril, para carregar.
Eu nunca havia me sentido daquela maneira, parecia que uma parte havia sido arrancada do meu coração. Era um sentimento estranho, algo que eu não conseguia explicar. Enquanto eu arrumava a mala dele, lágrimas salgadas tentavam escapar dos meus olhos, mas eu era forte, não iria chorar. Não ali, não naquele momento, não na frente dele.
Nunca pensei que aquilo realmente pudesse acontecer, até dias atrás eu achava que o era minha vida, que ficaríamos juntos para sempre, mas não foi bem assim que aconteceu. e eu éramos totalmente dependentes um do outro, ele não conseguia encontrar uma meia sem me perguntar onde estava, não conseguia acordar no horário se não fosse por mim, enquanto eu... Eu não conseguia dormir sem segurar a sua mão, sem ouvir o seu "boa noite". Como viveríamos um sem o outro?
Até agora eu não entendi o que aconteceu ao certo, há duas horas estávamos discutindo, quando se irritou e disse que nosso namoro acabava ali, que ele iria embora e pela primeira vez em três anos, me disse tudo o que pensava, aquilo foi um choque. Era estranho ver a situação por um ângulo diferente, durante todo nosso namoro, eu tive as rédeas em minhas mãos, eu reclamava quando achava que alguma coisa estava errada, reclamava do tempo que ele passava longe de mim, falava tudo o que eu pensava e sentia. Mas dessa vez foi diferente, eu pude me sentir no lugar dele e foi aí que eu percebi o quanto deve ter sido chato ter ouvido tudo aquilo durante todo esse tempo. sempre foi diferente de mim, ele era mais reservado, ouvia as coisas e ficava quieto, sempre muito mais racional do que eu.
Só que dessa vez, ele não aguentou ficar quieto. "Então eu acho que não posso mais te fazer feliz", as palavras dele ainda ecoavam em minha cabeça. Eu não tinha forças para voltar para a sala e encontrá-lo novamente, eu estava tentando adiar o momento da partida, eu não queria que ele fosse embora. Mas não tinha jeito, ele queria ir e eu não podia fazer mais nada.
N/A: Coloquem a música para tocar
Enrolei no quarto o máximo que pude, saí me arrastando pelo corredor que levava à sala, com a mala pendurada em um dos ombros. Naquele momento eu não conseguia sentir o peso que a bolsa exercia sobre mim, eu só conseguia sentir meu coração sendo puxado para baixo e aquilo era pior do que qualquer peso que eu carregasse em minhas costas. Caminhei tranquilamente até a sala, sem continuar sentindo o peso da mala de , ele estava sentado em nosso sofá branco com Luke, nosso filhote de Golden Retriever, em seu colo. O cachorro parecia estar sentindo o clima pesado que se instalou em nosso apartamento e naquele momento estava ali, dividindo com seu dono toda a dor que ambos sentiam. Quando perceberam minha presença, Luke pulou do colo de e foi para sua caminha, com um olhar triste e caído, parecia saber o que ia acontecer e não devia estar querendo presenciar aquilo. levantou a cabeça e nossos olhares finalmente se encontraram, sua feição era vazia, seus olhos e narizes estavam vermelhos e ele estava mais branco do que o normal. Aquela expressão serena e feliz que eu tanto conhecia, havia sumido de seu rosto. Ficamos ali, parados, por alguns segundos que pareceram durar horas, até que finalmente levantou, caminhou até mim e me envolveu em um abraço, um triste abraço, talvez o último.
- Eu sinto muito – ele me disse, enquanto soluçava. Eu podia sentir o seu coração acelerado e sua pele mais fria do que o normal. Não tive forças para responder, eu queria pedir para que ficasse, para que ele pensasse melhor, mas eu não consegui. – Obrigada por tudo, de verdade – suas palavras quase não saíram, ele olhou fundo em meus olhos e me deu um selinho demorado. Aquilo foi uma tortura, calmamente ele passou a língua em meus lábios e quando nos demos conta já estávamos nos beijando, foi um beijo calmo e tranquilo. Eu o abracei forte, a fim de guardar aquele momento para sempre em minha lembrança, o medo da perda começava a bater em minha porta. Ele acariciou meu rosto com o polegar, e com sua outra mão, colocou uma mecha atrás de minha orelha como costumava fazer, eu sorri sem perceber.
- Eu vou sentir sua falta - pegou sua mala do chão, que havia escapado de meus braços no momento em que me abraçava, olhou para o apartamento mais uma vez; observou nossos porta-retratos; as flores que ele havia me dado na noite anterior, em cima da mesa; sorriu fraco para Luke e suspirou alto, acho que ele não teve forças para se despedir do animal; pegou seu casaco que estava pendurado ao lado da porta e atravessou a saída do nosso apartamento, aquele foi o momento em que nossas vidas se separavam.
Era uma dor tão forte, um misto de perda, angústia e medo. Respirei fundo, peguei a porta-retrato com a nossa primeira foto, onde sorríamos timidamente, e caminhei até a janela, a tempo de vê-lo entrando em seu carro, que estava estacionado em frente ao nosso prédio. Ele olhou para a janela e quando nossos olhares se encontraram, eu senti meu coração doer mais uma vez, como se alguém estivesse o apertando com toda sua força, parecia que estar sendo quebrado ao meio. desviou o olhar e finalmente entrou em seu Murano preto, acelerou calmante e partiu. O sofá branco parecia estar me esperando, caminhei até ele com o porta-retratos na mão e foi ali mesmo que eu desabei, eu chorei, chorei tudo o que tinha para chorar, chorei o que eu não chorava há três anos, chorei por , chorei por mim, chorei pela nossa vida, pelo nosso passado e nosso presente.
Luke caminhou fraco até mim e ajeitou sua cabecinha peluda em meus pés descalços, ele sabia que algo de muito ruim devia estar acontecendo naquele momento. Veio-me à cabeça o dia em que nos conhecemos, me disse que queria me apresentar os garotos de sua banda e me convidou para uma apresentação. Lembrei do exato momento em que vi pela primeira vez, seu sorriso cativante e seu olhar sincero me conquistaram logo de cara. Fiquei ali, por horas, me perdendo em pensamentos e o único barulho dentro do apartamento era o meu soluço e a respiração triste e cansada de Luke.
Estava tão distraída em meus pensamentos, que acabei pegando no sono, ali mesmo, no sofá branco. Agora, Luke roncava e eu acordei assustada com o telefone tocando insistentemente, já havia escurecido lá fora. Caminhei sem vontade até o aparelho sem fio que estava em cima da mesa.
- Alô? – eu atendi com um desânimo visível em minha voz.
- ? – era , a voz do meu melhor amigo já era bastante conhecida. – O está por aí?
- Não está, – eu disse calmamente, respirando fundo, agora estava realmente caindo a ficha de que ele tinha ido embora.
- Ele vai demorar? - perguntou curioso.
- Ele não volta mais, – eu disse com a voz embargada, já estava com vontade de chorar novamente, as lágrimas estavam presas em meus olhos.
- Como assim não volta mais? O que aconteceu? – a voz dele parecia preocupada. Não aguentei e comecei a chorar no telefone.
- , vem para cá, por favor. Eu 'to precisando de você – eu disse entre um soluço e outro.
- Ca-Calma, eu estou indo – pude ouvir do outro lado da linha o barulho de algo caindo, provavelmente ele teria se enroscado no fio do telefone. era a pessoa mais desastrada que eu conhecia, depois de mim, é claro. – Daqui a pouco estou aí, não faça nenhuma besteira, tchau – ele desligou sem me dar chance de resposta.
Coloquei o telefone de volta na base e pensei em como faria para o tempo passar enquanto esperava . Olhei para o relógio que marcava 20h30 e me lembrei que a minha última refeição havia sido o café da manhã, e a de Luke também.
Segui para a cozinha com Luke em minha cola, encontrei o saco de pão integral aberto em cima da mesa, ao lado do leite que foi esquecido fora da geladeira, provavelmente obra de , que tinha como costume esquecer de devolver as coisas para seu lugar de origem. Enrolei o saco do pão e guardei o leite na geladeira, seria difícil desacostumar com coisas pequenas como essa, como encontrar a toalha molhada em cima da cama ou a cueca jogada no chão do banheiro. Eu suspirei fundo e fui para a área buscar a vasilha e a comida do meu cachorro, ele devia estar morrendo de fome, aliás, quando filhotes não estão com fome? Logo que coloquei a ração no pote de Luke, ele se atirou esfomeado na frente da vasilha amarela, como se não comesse há dias, fiquei o vendo comer e brincar com as pequenas bolotas de ração que se espalhavam pela cozinha, ele me fez sorrir por um instante.
FLASHBACK
Entramos com nosso novo animal de estimação no apartamento, o colocou no chão e o soltou da coleira, o cachorrinho foi logo conferir o seu novo lar, cheirando tudo o que pôde, parando só depois de farejar cada metro quadrado do nosso pequeno lar. Eu fui para a cozinha, enquanto se jogou no sofá da sala e ligou a nossa nova TV de plasma 42’’, que havíamos acabado de comprar. Finalmente o apartamento estava ficando com a nossa cara. Da cozinha, pude ouvir o barulho da televisão e provavelmente estava vendo mais uma vez algum episódio de "Star Wars". Até eu já sabia de cor, não sei como ele ainda não tinha enjoado daquilo.
- JÁ SEI! JÁ SEI! – gritava impaciente da sala e fui correndo para ver o que era, com o pano de prato na mão.
- O que foi, 'ta maluco? – eu disse rindo, enquanto entrava na sala e ia me juntar a .
- LUKE SKYWALKER! – ele tinha um sorriso enorme em seu rosto. Eu fiquei olhando para ele sem entender, e fez uma expressão brava. – Luke Skywalker vai ser o nome do nosso cachorro!
- Luke Skyoquê? – eu disse querendo rir, e ficou sério, ele parecia criança, odiava ser contrariado.
- Luke Skywalker – ele disse sério.
- Você não acha um nome complexo para um cachorro, ? – eu disse segurando o riso, mas eu queria rir não pelo nome que ele havia escolhido, mas sim por sua expressão zangada. – O que você acha de Luke? Apenas Luke.
- Luke? Eu gosto de Luke – ele me disse sorrindo. – Vem Luke, vem – o pequeno Golden veio correndo ao encontro de , com o rabinho balançando de um lado para o outro. – Eu acho que ele também gosta.
FIM DO FLASHBACK
Estava perdida em meus pensamentos quando o interfone tocou, era , provavelmente.
- Pode subir – apertei o botão para abrir o portão para , e fui recebê-lo na porta do apartamento. Acompanhei os números que mudavam no letreiro elétrico, conforme o elevador ia se aproximando do meu andar, até que ele estabilizou no oitavo andar. Pude ver saindo desajeitadamente e vir ao meu encontro.
- Minha nossa, o que houve com você? – ele me abraçou e depois apertou meus braços, como se conferisse minha integridade física.
- Ele foi embora, – foi a única coisa que consegui dizer antes que eu voltasse a chorar, por sorte ele estava ali para me segurar, eu o abracei tão forte e sem que eu percebesse, ele me levou para dentro do apartamento e me colocou no sofá. O sofá branco.
- Calma, vai ficar tudo bem, ok? – ele tentava me acalmar, em vão. – Chore tudo o que você tem para chorar, e quando você quiser, me conta o que aconteceu.
Chorei por alguns longos minutos. se levantou e foi até a cozinha buscar um copo d’água para tentar me acalmar, ele voltou e se sentou ao me lado, eu respirei fundo e contei a ele tudo o que havia acontecido naquela fria manhã.
- Então foi isso, ele disse que não podia mais me fazer feliz e decidiu ir embora – por fim, terminei. – Como se eu fosse ficar mais feliz longe dele! – disse ironicamente e joguei o corpo para trás, no sofá.
- Ele estava de cabeça quente, dê tempo ao tempo e as coisas vão se resolver, você vai ver – tentava me dar aqueles conselhos inúteis, que todo mundo sempre dava.
- Eu sei, mas dessa vez não é como quando brigamos pelo canal da televisão, que ele simplesmente diz que vai ver o jogo na sua casa e uma hora ou outra vai voltar – meus olhos ardiam e estavam pesados.
- Levanta – ele se levantou antes de mim. – Vai tomar um banho, se troca e vamos sair – ele ordenou. – Eu não vou deixar você ficar em casa, em pleno sábado!
Fui direto para o banheiro, entrei no chuveiro e deixei que a água morna caísse sobre meu corpo, fiquei ali por longos minutos tentando relaxar. Quando vi que minha tentativa estava sendo frustrada, apressei meu banho e saí do chuveiro. Estava sem ânimo nenhum para me arrumar e escolher roupas. Peguei o primeiro vestido que vi na frente, um tomara-que-caia preto, presente de . Vesti uma meia calça-preta, pois o tempo lá fora estava desfavorável para sair com as pernas de fora. Calcei um scarpin preto e fiz uma maquiagem leve, apenas para disfarçar o quanto eu havia chorado naquele dia. Estava pronta, dei uma olhada desanimada no espelho e segui para a sala onde me esperava.
- UAU! Minha amiga está linda – ele se levantou, vindo ao meu encontro.
- Não precisa mentir, , eu sei que eu 'to o bagaço da laranja – eu disse, forçando um sorriso.
- Você sabe que eu não minto, se você estivesse feia eu realmente diria – e sorriu sincero para mim. – Agora vamos, que eu liguei para e ainda precisamos passar para pegá-la!
- Então, quer dizer que finalmente você e a se acertaram? – era minha melhor amiga, ela e viviam entre tapas e beijos: uma hora eles se detestavam, na outra se amavam. Era super engraçada a relação dos dois, eles mantinham um affair meio que secreto.
- Estamos na mesma, mas acho que seria mais divertido se ela nos acompanhasse – ele me dizia enquanto saíamos do apartamento.
- Sei, sei... – entrei no carro de , após ele ter aberto a porta para mim.
- Eu falo sério – me disse após sentar no banco do motorista. – Você nunca acredita em mim – disse rindo.
- Eu te conheço, , como a palma da minha mão – liguei o som e começava a tocar "Stop Crying Your Heart Out", do Oasis, na rádio, ficamos em silêncio. O único barulho no carro era a voz grave de Noel Gallagher.
Hold on! Hold on!
(Segure-se! Segure!)
Don't be scared
(Não tenha medo)
You'll never change what's been and gone
(Você nunca mudará o que aconteceu e passou)
olhou sem graça para mim e fez menção de trocar de música, mas eu estiquei a mão o impedido delicadamente, eu gostava daquela música. Lá fora, a rua Fleet passava rápido e eu observava as luzes do centro de Londres.
May your smile
(Talvez seu sorriso)
Shine on
(Brilhe)
Don't be scared
(Não tenha medo)
Your destiny may keep you warm
(Seu destino pode mantê-lo aquecido)
Observei alguns casais que passavam sorrindo. O carro parou em um sinal, e no carro ao lado, observei um casal trocar um beijo rápido. Forcei-me a olhar para o céu, quem sabe a lua e as estrelas não me fariam lembrar ?!
'Cause all of the stars
(Porque todas as estrelas)
Are fading away
(Estão desaparecendo)
Just try not to worry
(Apenas tente não se preocupar)
You'll see them some day
(Você as verá algum dia)
Take what you need
(Pegue o que você precisa)
And be on your way
(E siga seu caminho)
And stop crying your heart out
(E faça seu coração parar de chorar)
Naquele momento, o que eu não consegui fazer foi com que meu coração parasse de chorar. Milhões de lembranças se acumularam em minha cabeça e lágrimas involuntárias saíram de meus olhos. ficou estático, ele não sabia o que fazer, desligou o som e então resolveu parar o carro.
- Se você quiser voltar para casa, eu não me importo. Podemos assistir a um filme e comer uma pizza – ele disse, por fim.
- Não, está tudo bem – limpei as últimas lágrimas que teimaram em cair –, de verdade! Vamos aproveitar o nosso sábado – sorri forçado.
ligou o carro novamente, dessa vez o som permaneceu desligado. O que eu adorava nele, é que ele sabia o momento exato de conversar ou de ficar calado. Ele não me forçou a conversar, respeitou minha vontade, e seguimos até a casa de , em silêncio.
Não demoramos a chegar, ela já nos esperava na porta de sua casa. Uma linda casa branca, com um jardim bem conservado na frente, onde estava estacionado o carro de seu pai. Assim como eu, ela usava um vestido preto, mas sua expressão estava muito melhor do que a minha, talvez porque ela não devia ter passado o dia inteiro chorando. Ela entrou sorrindo no carro, quebrando o silêncio, não ficou um minuto sequer sem falar, era típico dela.
e não pararam de falar um minuto sequer durante todo o caminho, eu só concordava e respondia alguns "uhum" e outros "aham". Eu nem sabia aonde estávamos indo, disse que iríamos ao um novo pub que havia acabado de ser inaugurado.
Assim que chegamos, falou com um dos seguranças que nos colocou em uma fila vip. Eu adorava sair com ele por isso. Diferente de , mu amigo usava da sua fama para conseguir as coisas, nunca ficava de fora de uma festa, enfrentava fila ou gastava com bebida ou qualquer coisa do tipo.
O pub se chamava Sugar Cane, era um bar um tanto quanto exótico, situado no meio do centro de Londres, o local era bem decorado, algo que me lembrava o Havaí. As roupas dos garçons eram floridas, havia uma prateleira espelhada com os mais diferentes tipos de bebidas, garrafas de todas as cores, formas e tamanhos, um lustre com formato de um baiacu e alguns coqueiros espalhados pelo local. Assim que entramos, viramos o centro das atenções, por estarmos com . Algumas pessoas vieram falar com ele e nos cumprimentavam por educação. Por sorte, a hostess simpática nos tirou dali e nos indicou uma espécie de camarote na parte superior do pub, fomos para lá.
pegou para nós alguns drinks, e ficamos ali dançando. Alguns amigos dele chegaram, eu conhecia dois dos quatro, pois trabalhavam na ex-gravadora do McFLY, Phil Tollman e Matt Stewart. Entre uma música e outra, eu tomava um novo drink, eles eram super docinhos e eu mal sentia o gosto do álcool. já havia sumido, e eu me dei conta de que um dos amigos de Phil e Matt também. A cada hora que passava, um novo amigo de aparecia e o camarote já estava ficando abarrotado.
- O QUE É ISSO? – berrei para que Phil, que estava ao meu lado, e indiquei seu copo.
- É UM COQUETEL FEITO DE RUM, OUVI DIZER QUE É A ESPECIALIDADE DA CASA! – ele me respondeu, também gritando por causa do barulho da música. – VOCÊ QUER DANÇAR? – ele me perguntou encabulado.
- POR QUE NÃO? VAMOS! – e peguei sua mão, descendo as escadas em direção à pequena pista de dança.
Começou a tocar "I Gotta Feeling", do Black Eyed Peas. Até hoje eu não sei o porquê que essa música tinha um efeito tão forte sobre mim, parecia que não era mais eu ali. Eu dançava de uma forma provocante com Phil. Não de uma forma vadia, lógico. Apenas um pouco caliente, por assim dizer. Os drinks já estavam fazendo efeito e eu já me sentia tonta, alegre e agitada. Phil, por sua vez, não parecia estar em melhor estado que eu. Dançávamos com os corpos colados ao ritmo da música... até que eu senti um par de mãos me puxando pelas braços. Não vi seu rosto, mas suas costas e seu cabelo. Aqueles ali seriam inconfundíveis para mim, até se eu fosse míope.
Era . Ele me parou num canto do pub, ao lado do bar. Sua expressão estava indescritível. Ele parecia furioso.
- Foi só a gente terminar para você vir a um pub qualquer e se agarrar com outro? – ele vociferou e algumas meninas me olharam, algumas preocupadas, outras apenas curiosas. Eu respirei fundo; o álcool estava no meu sangue, então seria difícil qualquer resposta muito sagaz naquele momento.
- Você me viu beijando alguém? – ele negou. – Então, como pode afirmar que eu estava me agarrando com ele? Estávamos apenas dançando.
- E daí, ?! Você estava lá, colada com ele! – respirou fundo e colocou a mão na cabeça. - Você pensa que eu sou cego, idiota, ou sei lá o quê?! Mal a gente terminou e você já veio para a balada!
- , a gente mal terminou e você também veio para a balada. Acredito eu que não esteja falando nesse exato momento com uma obra da minha imaginação.
- Não esperava te ver aqui com outro – ele disse com um tom de decepção.
- Não estou 'com outro'. Eu estava dançando com o Phil. Francamente, , depois de todo esse tempo você acha que, no dia em que você me deixa, eu seria capaz de ficar com outro? Não tenho essa frieza toda dentro de mim, me desculpe. E outra, se eu estivesse, por ue você me tirou de lá? - eu olhei dentro de seus olhos. - Você terminou comigo! Acabou, não acabou? Então me deixa seguir em frente! – dito isso, eu me afastei, deixando um completamente abismado. Senti meus olhos arderem e as lágrimas que caíram durante todo aquele dia teimavam em cair novamente. Mas eu não ia chorar. Não novamente. Não naquela noite.
Voltei para o camarote, desviando de uns rapazes alcoolizados que tentaram me agarrar no caminho, queria ser rápida e sair dali antes que aparecesse novamente. Encontrei conversando com , em um canto do camarote.
- Amiga, vamos embora, por favor! – eu implorei para e ela me olhou assustada.
- O que aconteceu? – ela perguntou preocupada.
- Você encontrou ele não foi? – já sabia a resposta e eu apenas concordei com a cabeça.
- Eu só preciso ir embora, por favor – a única coisa que eu queria era sair dali, não queria ter que encontrar , eu estava sentindo vontade de chorar mais uma vez e ali não era o local nem o momento apropriado.
- Vamos, eu levo vocês – se ofereceu.
- Não precisa , todos os seus amigos estão aqui – eu recusei.
- Nós pegamos um táxi – acrescentou. – Eu cuido dela , fica tranquilo!
- Promete que vai ficar bem? – eu concordei balançando a cabeça e deu um beijo em minha testa, antes que eu saísse do camarote.
Desci a escada apressadamente sem olhar para os lados, não vi sombra de no caminho e me senti melhor com isso. Avistei Phil na pista, mas estava sem coragem e sem graça de ir me despedir, então decidi ir embora sem falar com ele.
Fora do pub estava frio, a temperatura havia caído bastante desde que entramos no local, passava das três da manhã, fez sinal para o primeiro táxi que passou e nós entramos.
- Southwark, por favor – ela disse para o taxista.
Assim que entramos no táxi, eu caí em si, deitei minha cabeça no colo de , algumas lágrimas saíram de meus olhos e eu fiquei ali deitada, o caminho inteiro.
Não demorou para que chegássemos ao meu apartamento. Desci desanimada do táxi e não disse uma palavra o caminho todo. Assim que cheguei ao apartamento, fui para o banheiro, taquei aquela roupa em um canto qualquer e me enfiei no chuveiro, eu precisava tirar aquele cheiro de mim, aquela mistura de álcool com cigarro. Fiquei ali por longos vinte minutos, coloquei uma camiseta qualquer de e uma calcinha, e fui para a sala. havia adormecido no sofá. Eu a acordei e juntas fomos para o meu quarto, emprestei um pijama para ela, e nos jogamos na minha deliciosa king size. Aquela seria minha primeira noite sem , por sorte minha amiga estava comigo. Eu pude dividir com ela uma das piores noites da minha vida. Por sorte, o efeito do álcool que ainda estava em meu sangue, fez com que eu adormecesse rápido.
Capítulo 2
Acordei com a claridade invadindo meu quarto, forcei meus olhos a se abrirem, mas eles estavam pesados, inchados e ardiam. Minha cabeça estava doendo e eu podia sentir o gosto de álcool na minha boca, sentia bastante sede também. Isso tudo tinha um nome: ressaca moral.
não estava mais na cama, fui até o banheiro, joguei uma água no rosto e quando olhei no espelho me assustei com a minha própria feição, meus olhos estavam vermelhos e eu tinha grandes olheiras. Ainda não tinha visto Luke, precisava alimentá-lo e levá-lo para passear. Minha barriga roncou, coloquei uma roupa decente e então fui para a cozinha. No caminho, ouvi vozes e percebi que conversava com .
- Quem mandou você convidar o ? – disse com um tom de indignação visível em sua voz.
- Eu não convidei, eu nem sabia que ele iria para lá. Deve ter sido Matt ou um dos outros caras – se defendeu.
- Mas o que aconteceu afinal? - ela perguntou curiosa. – Ela não abriu a boca desde que saímos do pub.
- Phil disse que ele e a estavam dançando, de repente o apareceu, a pegou pelo braço e depois disso eu não sei o que aconteceu... Phil não viu mais nenhum dos dois.
- O que aconteceu foi que estava com ciúmes! – eu entrei na cozinha falando e eles se assustaram. – Foi ele quem terminou comigo, por que diabos quer se meter na minha vida? – eu indaguei.
- , vocês terminaram um namoro de três anos. Nada mais normal do que um sentir ciúmes um do outro – disse. – Vocês se amam, isso vai acontecer sempre.
- É verdade – concordou ele.
- Bom, que seja. Eu não quero mais ouvir falar de , ok? – eu abri a geladeira e peguei a garrafa de leite. – Vocês viram o Luke?
- A última fez que eu o vi, ele estava na sala, roendo seu sofá – me disse segurando o riso, e colocou a mão na boca.
- O QUÊ? – coloquei com violência a garrafa de leite em cima da mesa e corri para a sala. – LUKE, SAI JÁ DAÍ – ele roia o pé de madeira tabaco do sofá.
Ele me olhou assustado, continuou a me observar com uma expressão triste por alguns segundos, e seu rabo foi parando aos poucos de se balançar de um lado para o outro. Eu me ajoelhei e sentei em cima dos meus pés, Luke se jogou em cima de mim e ficamos ali por alguns minutos.
- Você está sentindo falta dele, não é? – Que idiotice, tinha ido embora fazia apenas vinte e quatro horas, ele já havia ficado muito mais tempo longe de nós por causa das turnês da banda, mas dessa vez era diferente, nós dois sabíamos. – Vem, vamos passear – levantei-me.
Luke veio animado, agora sim com seu rabinho balançando de um lado para o outro, e não parou um minuto sequer até que eu colocasse a coleira.
- ESTOU INDO PASSEAR COM O LUKE – gritei para e , que continuavam na cozinha.
Em poucos minutos estávamos fora do nosso prédio. O frio londrino se embrenhava rapidamente em minhas roupas. Eu segurava na guia de Luke, tentando fazer com que ele permanecesse ao meu lado. Passear era provavelmente o termo errado a se usar quando se tratava de Luke, ele parecia uma locomotiva desenfreada e eu não tinha forças para controlá-lo. Ele me arrastava para frente, puxando a coleira com todas as forças, algumas pessoas que passavam ao meu lado davam risinhos abafados, mas eu duvidada que alguma delas fosse capaz de passear civilizadamente com ele.
Enquanto tentava caminhar com Luke, passei em frente a uma loja de revistas e uma em especial me chamou atenção, onde dizia em letras grandes e vermelhas "Será o fim do namoro de ?", embaixo da manchete havia uma foto minha entrando com e no pub, e em uma foto ao lado, entrava sozinho no mesmo local. Folheei a revista com pressa, à procura da matéria. O vendedor me olhou torto, mas eu não dei importância. Finalmente na página vinte e três, encontrei a seguinte matéria:
“As fãs de McfFLY podem comemorar! O que tudo indica, é que o namoro de três anos de (24), guitarrista da banda de rock, chegou ao fim.
Na noite de ontem, (20), ex-namorada de foi vista em pub, cercada por amigos e na companhia de ninguém menos que Phil Tollman, um dos produtores da ex-gravadora da banda. Os dois foram flagrados na pista de dança do local, onde logo depois apareceu. O ex-casal foi visto discutindo em um canto reservado do local e logo depois foi embora, sendo amparada por uma amiga.
Fontes próximas do casal afirmaram que havia deixado o apartamento que dividia com a estudante, naquela tarde.
Procuramos Phil Tollamn e ele negou qualquer envolvimento com a ex-companheira de seu amigo. 'Somos apenas amigos, nos encontramos ontem por acaso e estávamos apenas dançando', ele afirmou."
O restante da matéria era sobre e a suposta loira oxigenada que estava com ele no pub, e uma retrospectiva do meu namoro e de . Aquilo me irritou. Paguei algumas libras pela revista, e saí arrastando Luke pelo caminho, dessa vez eu fui mais forte do que ele.
Em poucos minutos eu estava em meu apartamento. Encontrei e jogados no chão da sala, vendo TV. Taquei a revista em cima deles e fui para o meu quarto.
N/A: Coloquem Whatever It Takes Live, Lifehouse, para carregar.
Bati a porta com força e me joguei na cama, agarrei um dos travesseiros e fui embriagada pelo perfume de , o maldito travesseiro tinha o cheiro dele, o joguei longe. Abracei minhas pernas, enfiei a cabeça nos joelhos e chorei, mas dessa vez eu chorava de raiva. Como uma jornalista idiota achava que tinha o direito de se meter na minha vida e ainda falar coisas daquele tipo? Ela não sabia o que acontecia entre mim e e não tinha o direito de falar nada. Por diversas vezes, fui alvo de revistas de fofoca, diziam que eu estava com ele por interesse, que ele me chifrava, mas eu nunca havia me importado, mas dessa vez eu realmente havia ficado muito chateada, talvez pelo momento delicado que eu estivesse passando.
Fiquei trancada no quarto até escurecer completamente, eu continuava péssima. O perfume de estava por todos os lados.
Naquele momento, eu só conseguia pensar nele, às vezes a memória pode ser uma companhia enganosa. Peguei meu celular e resolvi fazer o que meu coração estava mandando, disquei o número de , respirei fundo e apertei 'send'. Chamou uma, duas, na terceira eu já estava desistindo, quando ele atendeu.
- ? Aconteceu alguma coisa? – sabia o quanto eu era orgulhosa e só ligaria caso tivesse acontecido algo realmente grave.
- , eu não vou aguentar, eu não vou aguentar ficar sem você – eu disse rápido antes que eu perdesse a coragem. – Tudo nessa casa me lembra você, nossa cama, o Luke, até os travesseiros tem seu cheiro... Eu não vou conseguir viver assim – lágrimas começavam a escapar novamente.
- – fez uma pausa. – Me escuta, você é forte. Você é a pessoa mais forte que eu conheci na minha vida e você precisa enfrentar isso – outra pausa, eu só ouvia sua respiração. – Você vai ficar muito melhor sem mim, eu não tenho mais certeza se posso te fazer feliz.
- E você acha que assim, sem você, eu estou melhor? Eu estou mais feliz? – eu chorava sem parar, mas falava as palavras pausadamente para que ele pudesse entender. – Você não entende, . É como se eu tivesse perdido o chão, como se eu...
- , VOCÊ 'TA AÍ? – eu ouvi gritando, e no susto, apertei END e desliguei na cara de . – 'TA TUDO BEM? - ela abriu a porta do quarto. – Nós estamos indo embora. vai me deixar em casa – ela me disse, parada na porta.
- Hm, danadinha! Então o domingo vai ser bom – eu tentei disfarçar, não queria contar para ela que eu estava conversando com , porque com certeza ela implicaria. Dizia que eu devia parar de correr um pouco atrás dele, pois toda vez era a mesma coisa.
- Pára de ser idiota, – ela disse brava. – É só uma carona, não tem nada demais!
- Sei... – eu disse rindo. – Usa camisinha, amiga, não esquece!
- , vai se foder! Tchau – e ela saiu brava do quarto.
- MANDA UM BEIJO PARA O ! – eu gritei e ela não respondeu.
Agora que eu estava sozinha, podia ir para a cozinha comer alguma coisa. Não estava muito a fim de conversar, e com certeza e iriam querer tocar no assunto da revista, justamente por esse motivo eu não havia saído antes do quarto. Quando passei pela sala em direção à cozinha, a revista estava jogada na mesinha ao lado do sofá, eu olhei com raiva, passando reto.
Preparei um sanduíche, enchi um copo com Cola-Cola e fui para a sala. Liguei a TV, passava "Sex and the City", não mudei o canal. Sentei-me no chão com as costas apoiadas no sofá, Luke se deitou ao meu lado e ficou secando meu sanduíche, é claro que eu tive que dividir, se não ele não me deixaria em paz.
N/A: Coloquem a música para tocar
Luke passou a hora seguinte com a cabecinha deitada sobre minhas pernas, enquanto eu massageava seu corpinho peludo, ele era um cachorro meigo e carinhoso, mas também podia ser um destruidor quando queria. Enquanto estávamos ali, distraídos um com a companhia do outro, Luke levantou de repente e correu latindo em direção à porta. Ouvi a maçaneta girar e quando me dei conta, estava entrando no apartamento. Eu fiquei surpresa, sem reação, não o esperava ali. Sua feição era triste, abatida, e ele também tinha olheiras bastante visíveis. Usava um jeans surrado e uma camiseta azul de botões.
- Vim ver como você está – ele disse sem graça. – Fiquei preocupado.
- Eu vou ficar bem, eu sou forte – não sabia o que responder e respondi a primeira coisa que me veio à cabeça.
Então, se sentou ao meu lado, pegou minha mão e me puxou para perto de si, eu apoiei minha cabeça em seu ombro e ficamos ali por alguns minutos, um ouvindo a respiração do outro. Eu podia sentir o peito dele se estufar conforme ele respirava, era uma respiração cansada e ao mesmo tempo descoordenada. passou a mão em meu rosto em movimentos circulares. Passou o dedo indicador pelo meu lábio inferior e eu senti uma lágrima escorrer pela minha bochecha. Sem que eu menos esperasse, ele segurou meu rosto e limpou a lágrima que escorria forçadamente de meus olhos, grudou os seus lábios nos meus, iniciando um beijo. Um beijo delicado e apaixonado, como se nossas línguas não se encontrassem há anos, cada um tentava explorar ao máximo cada segundo daquele beijo. Aos poucos o ato foi ganhando intensidade, e eu me levantei ficando de frente para . Envolvi seu pescoço em meus braços e senti as mãos trêmulas e quentes dele apertarem minha coxa. Enquanto nos beijávamos, me distrai nos botões de sua camisa, desabotoando um por um, quando finalmente consegui deixar todo o seu peito à mostra. A essa altura, beijava meu pescoço e acariciava minhas costas com a mão por dentro de minha blusa.
- Vamos para o quarto, vem? – eu disse, me levantando.
- Acho melhor pararmos aqui, , isso não vai fazer bem para nenhum de nós.
- Agora termine o que você começou, – eu segurei em sua mão e ele se levantou, novamente nos envolvemos em um novo beijo.
Fomos nos beijando em direção ao quarto, esbarrando em tudo o que havia em nossa frente. Assim que entramos no cômodo, fechou a porta com o pé e paramos em frente a cama. Ele tirou minha blusa devagar, beijando todo o meu colo, seguindo pelo pescoço e indo em direção à minha boca. Eu segurava devagar em seus cabelos, quando ele me deitou carinhosamente na cama. Nos acariciávamos enquanto íamos nos despindo. Primeiro a calça de , depois a minha, depois nossas peças íntimas. Minha pele estava molhada, consequência de seus beijos. Nos abraçamos com os lábios selados, enquanto sentíamos nossos corpos nus e suados se unirem a um só. Senti uma onda de calor invadir meu corpo, e depois de alguns minutos de frenesi de carícias, senti um prazer incontrolável, um arrepio frio subiu pela minha espinha e meu coração bateu acelerado. Eu estava ofegante e cansada, e podia perceber que sentia o mesmo. Nos separamos devagar e eu apoiei minha cabeça sobre o peito dele, que acariciava meu rosto e brincava com algumas mechas do meu cabelo. Ficamos ali, envolvidos em um delicioso abraço, adormeceu com um sorriso estampado no rosto e eu fiquei observando-o por alguns minutos, e foi com a imagem desse sorriso que eu também adormeci.
Capítulo 3
Abri os olhos devagar com medo de não encontrar ao meu lado, mas me equivoquei, ele estava lá, com o mesmo sorriso de quando havia adormecido. Ele estava deitado de barriga para baixo, com a perna direita sobre um travesseiro, ele já estava descoberto e seu bumbum, delicioso por sinal, estava à mostra. Saí da cama devagar, com medo de acordá-lo. era mal humorado quando acordava, e depois da noite maravilhosa, eu não queria ser obrigada a aturar o seu mau humor logo cedo.
Me dei conta que era segunda-feira, faculdade, ninguém merece. Eu cursava Jornalismo, foi uma das desculpas que dei para minha mãe quando vim morar com , "o apartamento é mais perto do campus". No começo ela implicou, apesar de adorar o , mas depois acabou cedendo. Olhei para o relógio e passava das oitos, eu já estava atrasada, grande novidade. Fui para o banheiro, fiz meu ritual de higiene matinal e me enfiei no chuveiro, tomei um banho rápido e saí enrolada na toalha em direção ao meu quarto, ainda dormia. Peguei a primeira calça jeans que vi pela frente, uma baby look preta, calcei meu All Star branco e estava vestida, penteava meus cabelos a caminho da cozinha. Tomei um copo de leite, voltei correndo para o quarto, escovei os dentes mais uma vez e voltei para a sala, deixei um bilhete ao lado do celular de .
"Adoraria esperar você acordar, mas hoje é segunda-feira e infelizmente eu tenho aula! Espero te encontrar quando chegar. , Xxx"
Vesti um casaco grosso, peguei meus cadernos e saí. O vento frio cortava o meu rosto, mas era impressionante como eu adorava aquele clima. Eu gostava de sentir aquela brisa gelada, gostava de dormir cheia de cobertas, gostava de sentir minhas mãos adormecidas. Caminhei tranquilamente em direção ao campus da faculdade, que não ficava muito longe dali. Quando me aproximei do portão da faculdade, observei algumas garotas olhando para mim, garotas na qual eu sabia que eram fãs de McFLY e não me suportavam nem um pouco, mas depois da minha ótima noite, nada me abalaria. Subi as escadas com desânimo, aquilo me cansava, chegava até me dar um calor repentino e eu não gostava daquilo. Quando estava me aproximando da porta da sala, ouvi uma voz familiar me chamar, era , uma das minhas melhores amigas, havíamos nos conhecido na faculdade, mas nosso vínculo sempre fora enorme.
- Como você está? – ela me deu um abraço.
- Estou indo, amiga, vai ficar tudo bem – eu disse enquanto entrávamos na sala.
- Então é verdade? – ela me mostrou a revista, encabulada. Eu afirmei com a cabeça. – Vai ficar tudo bem, eu estarei aqui para o que você precisar – nos sentamos o mais longe possível da mesa do professor.
- Obrigada! – eu sorri para ela, observei que algumas garotas da minha sala também me olhavam, uma delas também estava com a revista na mão e eu acenei para ela, deixando-a sem graça.
A aula passou devagar, como sempre, tentou me manter entretida a todo momento, ela dizia que não queria me ver triste. Enquanto eu estava na aula, e haviam me ligado para saber se estava tudo bem. Minha mãe também havia me ligado, ela também ficou sabendo da notícia pela tal revista, puta mundo injusto, nem para minha mãe eu podia que contar que havíamos terminado o namorado.
Assim que o sinal tocou, saí correndo da sala, acabei nem me despedindo de . Corri para casa, estava curiosa para saber se continuava lá. O vento estava mais forte e a temperatura parecia ter caído também, mas isso não me desanimou. Continue andando apressadamente, eu precisava chegar logo em casa. Entrei no meu prédio e chamei o elevador, que demorou uma eternidade para chegar, então decidi ir de escada, foi a pior decisão que tomei aquele dia e já havia me arrependido ainda no terceiro andar, mas não desanimei e continue. Cheguei cansada no oitavo andar, me atrapalhei um pouco com as chaves na hora de abrir, mas finalmente eu consegui. Encontrei a guia de Luke pendurada no mancebo próximo à porta, ela não estava ali quando eu saí, então provavelmente isso queria dizer que teria passeado com o cachorro. Saí pelo apartamento à procura dos dois, mas já não estava mais lá, encontrei Luke no banheiro, bebendo água do vaso sanitário.
- LUKE! – eu o puxei pela corrente. – Já falei que não pode beber água da privada! – fechei a tampa com força e ele correu para a sala com medo. – Mas que cachorro desobediente.
Fui para a cozinha e quando ia começar a preparar o almoço, a campainha tocou, fui atender e era , em menos de cinco minutos ela estava entrando no apartamento.
- Trouxe rango para gente – ela mostrou a sacola do Kentucky Fried Chicken.
- Ai, amiga, você é um anjo – eu disse dando um beijo em sua testa. – Esses frangos fritos do KFC são maravilhosos. O que você trouxe para mim? – eu disse enquanto abria a sacola.
- Um Fish Snacker – ela disse rindo e se sentando, Luke sentiu o cheiro de comida e se juntou a nós.
- Fish Snacker? Você sabe que eu ODEIO peixe – fiz um bico.
- É brincadeira, amiga... – ela me disse rindo. – trouxe seu franguinho favorito.
Aquela comida estava maravilhosa, chegou na hora certa, pois eu estava sem ânimo nenhum para cozinhar. Enquanto eu e conversávamos, ela percebeu o bilhete em cima da mesa.
- Adoraria esperar você acordar, mas hoje é segunda-feira e infelizmente eu tenho aula! Espero te encontrar quando chegar – ela leu em voz alta. – Você por acaso pode me explicar o que é isso? - perguntou com curiosidade.
- Eu-e-o--passamos-a-noite-juntos! – eu disse rápido, com medo da reação dela.
- Ai amiga, que lindo, eu e o também – quem ficou em estado de choque fui eu.
- Sua cachorra! E você não me conta nada? – eu disse brava.
- Eu ia contar, mas agora quem vai me contar tudo primeiro é você – ela apontou para mim e rimos. Eu contei tudo o que havia acontecido na noite anterior, claro que não entrei em detalhes, ela era minha amiga, mas também não precisava saber de tudo. – Vocês vão acabar juntos no final, eu sei. Vocês se amam!
- Espero que o fim não demore em chegar – eu disse triste. – Mas me conta você, sua cachorra! Como foi a primeira noite com Delícia ?
- Respeito, garota! – e ela atacou uma batata-frita em mim.
- Calma, eu 'to brincando – e levantei as mãos. – Vaaaaai, conta logo! 'To curiosa.
Ela me contou que depois que saíram do meu apartamento, acabaram em uma lanchonete, comeram até não aguentar mais, e apostou que ela não conseguia virar uma dose pura de Absinto. Não sei por que diabos ele apostou aquilo com ela, mas com certeza já tinha segundas intenções no meio. Ela, como sempre, adorava surpreender a todos, e com não podia ser diferente, dito e feito ela virou a dose de Absinto. Continuaram bebendo até vomitar nos tênis de , que a levou para casa, cuidou dela e quando ela já estava melhor, ele foi todo carinhoso e finalmente aconteceu. Ela disse que ele foi super tranquilo e não forçou a barra, porque se ele tivesse forçado, eu juro que eu o mataria.
- Mas e agora, como vai ser? – eu perguntei.
- Não sei, disse que quer tentar algo sério, mas que por enquanto é cedo ainda – ela disse desanimada. – Vamos continuar ficando, mas sério dessa vez.
- Que lindo, amiga! Fico feliz por você – estiquei meus braços e a envolvi em um abraço apertado.
- Me solta, você 'ta me machucando – ela riu. – Queria um doce! – ela fez bico.
- IH, 'ta grávida! – coloquei a mão na boca.
- Vira essa boca para lá, usamos camisinha. Estou apenas com vontade – ela se explicou.
- Deve ter alguma coisa na geladeira – eu disse enquanto recolhia o lixo da mesa. – Dá uma olhada lá! – levantou e seguiu para a cozinha, o telefone tocou e eu corri para atender, achando que podia ser .
- Alô? – eu disse entusiasmada.
-? Sou eu, a ! – respondeu do outro lado da linha.
- Ah, oi amiga. É você? – eu disse desanimada.
- Ai amiga, que horror! Que desânimo é esse?
- Achei que fosse outra pessoa – fui sincera. – mMs diga amor, o que você quer?
- Acho legal você colocar no Celebrity! Aquele canal de fofocas, eu vi algo sobre você e o na chamada - ela me disse.
- Ai droga, mais essa não! – liguei a TV. – Ok, vou pôr – procurei o canal pelo controle remoto. – Esta lá. Depois te ligo, ok? – ela se despediu e desligamos.
"Agora vamos para as notícias fresquinhas. Temos novidades sobre aqueles garotos bonitinhos do McFLY", a apresentadora com cara de mosca morta disse.
- AMIGA, ACHO MELHOR VOCÊ VIR AQUI – eu gritei, quando percebi que elas iam falar alguma coisa sobre . veio assim que eu chamei, entrou na sala animadamente com um pote de sorvete nas mãos.
- Nossa, essa mulher parece a Rita Skeeter, do Harry Pot... QUE PORRA É ESSA? – ela gritou quando se deparou com sua própria imagem na televisão.
"Pois é meninas, agora vocês vão ter que tirar o cavalinho da chuva, pois o nosso querido está de namorada nova. Foi isso mesmo que eu disse, vocês não entenderam errado. Ele foi visto ontem saindo do apartamento do com a tal garota e entraram no seu carro. Mais tarde foram vistos entrando em seu próprio apartamento e os dois pareciam um pouco alegres demais, se é que vocês me entendem. Ele podia ter arrumado alguma coisinha melhor, vocês não acham garotas?"
- MAS QUE FILHA DA PUTA! – se exaltou.
- Vai se preparando, porque isso é só o começo – eu disse sincera.
- Não me desanima, pelo amor de Deus – nos jogamos no sofá para continuar assistindo o restante do programa de fofoca.
"Ao que tudo indica também, é que e reataram. Após a saída de com a outra garota do apartamento, foi visto chegando e só foi visto saindo hoje de manhã, o que nos leva a crer que ele sentiu saudades da amada e os dois passaram a noite juntinhos. Mas esse aí é outro que merecia uma namorada melhor."
Eu desliguei a televisão irritada e taquei o controle longe. socava uma almofada e comecei a andar de um lado para o outro para tentar espantar a raiva que eu sentia, como as pessoas adoravam falar as coisas sem saber. O interfone tocou para minha infelicidade, quem seria nesse momento.
- Oi – eu atendi, respirando fundo.
- Eu tenho uma entrega para – a pessoa que estava lá embaixo disse.
- Pode subir – eu apertei o botão para abrir a portão de entrada do prédio. – Eita, uma entrega para mim. O que será? – perguntei para e ela deu de ombros, ainda estava brava e estava mais preocupada em continuar socando a almofada. Fui para a porta esperar o entregador.
A porta do elevador se abriu e me deparei com um lindo buquê de gérberas pink.
- A senhora é ? – um garoto ruivo com espinhas espalhadas pelo rosto, que aparentava ter uns dezesseis anos me perguntou.
- Sim, sou eu – ele me entregou o buquê, era um mesclado de gérberas pink com rosas em tom de salmão, o cheiro era muito agradável, por sinal. Eu o agradeci e ele saiu. Fui para o meio da sala cheirando meu buquê.
- QUE COISA LINDA, AMIGA – deu um berro assim que reparou as flores em minhas mãos. – É do ?
- Provavelmente – eu disse procurando um cartão. – Quem mais me mandaria flores? - encontrei o cartão.
- Vai, lê logo isso – ela me encorajou e eu abri o pequeno envelope, também em tons de rosa.
Logo de cara reconheci a letra de , que parecia muito mais alguns borrões, o cartão dizia o seguinte:
"Passei em frente à floricultura, e por algum motivo essas flores me lembraram você. A jardinista me disse que representam a sensibilidade, a sensualidade, o charme e a essência, o amor e a nobreza, a virtude a dedicação e a quietude, a alegria e a simplicidade, e a pureza. Desculpe por não ter esperado você, mas tinha algumas coisas para resolver. Ah, passeei com o Luke hoje cedo, como ele está forte. Com amor, "
- AAAAAAAAAAAAAAAAAH – eu gritei e a gritou junto comigo. – Como ele é lindo!
- Lindo eu já não posso dizer, mas que ele é um fofo, ele é – ela sorriu. – Acho que depois dessa, vocês se acertam, hein?!
- Eu espero, amiga, de verdade – eu disse com uma expressão de medo.
Passamos o resto do dia ali, falando mal da apresentadora mosca morta, das flores, de , de . Brincamos um pouco com Luke, assistimos um episódio de "Friends", mas nos cansamos logo. Por fim, decidiu ir embora, a acompanhei até a porta, nos despedimos e depois segui para o meu quarto. Tomei mais um banho quente, fiquei ali por algum tempo, a água morna me acalmava, eu gostava de deixar o jato forte de água bater em minhas costas, era como se fosse um massageador. Assim que abri a porta de vidro do box, vi a fumaça que havia se instalado no banheiro, saí de lá à procura de uma roupa. Como de costume, vesti uma camiseta branca de e uma calcinha. Fui até a cozinha tomar um copo d’água e buscar Luke para dormir comigo, pois aquela seria realmente minha primeira noite sozinha.
Assim que passei pelo corredor e cheguei na sala, me deparei com Luke, ele me olhou com uma cara engraçada e saiu correndo. Eu já sabia o que era, provavelmente havia pego alguma coisa. Quando Luke queria esconder alguma coisa, não conseguia disfarçar seu contentamento, ele acreditava que ninguém percebia suas artimanhas.
- Muito bem, o que você pegou dessa vez? – eu disse tentando me aproximar dele, mas o filho da puta saiu correndo em disparada por toda a sala, pulando do sofá para o chão, do chão para o sofá, como se tudo aquilo fosse um grande parque de diversões. Quando eu finalmente o cerquei e o forcei a abrir a mandíbula, encontrei o bilhete de grudado no céu de sua boca. – Droga Luke, logo isso! Caramba – e voltei triste para o meu quarto, ele me seguiu com o rabinho balançando de um lado para o outro, como se estivesse sorrindo para mim. Me joguei na cama. – Isso não tem graça! – eu disse séria.
Ele se deitou no pé da minha cama, eu me ajeitei e apaguei as luzes. Agora vinha a parte mais difícil, dormir naquela king size sozinha, não sei como eu enfrentaria aquela noite. Me deitei de lado e agarrei dois travesseiros, por sorte eles tinham o cheiro de e consegui disfarçar alguma coisa, mas nada se comparava ao abraço aconchegante e o hálito quente dele. Demorei, mas por fim, adormeci.
Capítulo 4
Ao contrário do que e eu havíamos pensado, não me procurou depois daquela noite... E nem depois e depois! Ele sumiu e talvez fosse melhor assim, eu também não o procurei. Passamos um mês assim, sem nos falarmos, eu sabia notícias suas através de e , e antes que vocês me perguntem, os dois oficializaram o namoro, meu amigo galinha havia tomado vergonha na cara e eu estava muito feliz por ele. De vez em quando, passava no apartamento para pegar roupa ou alguma outra coisa sua que ainda estava lá, e também para ver Luke e levá-lo para passear, mas procurava fazer isso em horários que eu não estivesse em casa. Luke era como um filho de pais separados. Chegava a ser engraçada essa situação, por diversas vezes me deparei com o carro de estacionado em frente ao prédio, e ia dar uma volta no quarteirão para dar tempo dele ir embora e eu poder voltar tranquilamente para o meu apartamento.
Um mês se passou, eu arrumei um emprego, um estágio na verdade. Mas já era alguma coisa e eu não achava justo ficar pagando minhas contas, mas ele dizia para , pois ele era bem financeiramente e que não via problemas, e o recado era transmitido a mim.
No estágio fiz uma nova amiga, , para mim, simplesmente . E era com ela e que eu passava a maior parte do tempo, agora que vivia com para cima e para baixo. Mas eu não me importava, os dois eram muito presentes apesar de tudo, mas eu não me sentia muito bem ficando de vela do casal.
Nós três saíamos quase sempre, íamos ao teatro, ao cinema, aos pubs, elas gostavam de me manter ocupada todo o tempo, achavam que assim eu sofreria menos. Elas tentaram me apresentar alguns caras durante esse intervalo de tempo, mas eu não sentia vontade de ficar com ninguém, alguma coisa ainda me prendia a e eu não sabia ao certo o que era. Eu ainda o amava e isso era evidente, eu não tentava esconder de ninguém, pois não precisava. Um amor de mais de três anos, não acabaria assim de um dia para o outro. Eu sabia que ainda sentia algo por mim, mas ele era orgulhoso demais para admitir, sua vida havia mudado completamente, voltou a frequentar festas, ficar com algumas meninas... Eu sabia de tudo isso graças às revistas de fofoca que eu tanto odiava, porque se dependesse de , eu não saberia de nada.
Confesso que no começo foi difícil acostumar com a falta que me fazia, passei uma semana inteira mandando SMS para ele todas as noites, ele me respondeu nos dois primeiros dias e depois passou a me ignorar completamente. Fazia o mesmo com os meus e-mails, e depois de alguns dias, eles passaram a voltar, acusando que caixa de entrada de estava cheia. Então, eu simplesmente desisti, decidi que ia viver MINHA vida, da qual não fazia mais parte. Eu era forte, não era? Eu chorei por diversas noites seguidas, mas aos poucos eu melhorei e passei a chorar só uma vez por semana, e quando me dei conta, eu já não chorava mais. Talvez um mês não fosse o suficiente para fazer com que eu o esquecesse, mas um mês era tempo o suficiente para eu perceber que minha vida precisava continuar e não podia parar por causa dele. Quantos casais não terminavam todos os dias? Nós éramos apenas mais um.
E foi assim, com esse pensamento que eu encontrei forças para seguir, seguir sem .
’s POV
Eu e já havíamos terminado fazia um mês.
Sempre achei que nosso relacionamento fosse a prova de tudo; que, mesmo acontecendo muitas coisas ruins, tudo ia dar certo, já que nos amávamos e queríamos ficar juntos pelo resto de nossas vidas. Mas a gente descobre, depois de um tempo, que nada é para sempre. Eu acabei por me cansar das críticas constantes da sobre mim, sobre o que eu fazia com o meu tempo e sobre o meu jeito. Por mais que eu a amasse – e, acredite, eu ainda amo - acabei por me convencer de que não a faria feliz. De forma alguma. Então, por mais que doesse em mim deixá-la, eu tive que fazê-lo. Não importa com quem, eu apenas queria ver feliz novamente. Mesmo que para isso eu tivesse que ignorá-la completamente.
Ela me mandava mensagens, ligava para mim... eu apenas ignorava, deixava as ligações caírem na secretária eletrônica, as chamadas no celular se tornarem perdidas e as mensagens não respondidas. Era melhor mesmo, sempre costumou ser muito emotiva e não pensar nas consequências. Eu sabia que ela sofreria naquele momento, mas depois seria melhor. Ela esqueceria, seguiria em frente e encontraria um cara que a fizesse feliz. Mas ela não pensava dessa forma: se estivesse mal, iria procurar jeitos de ficar bem, mesmo que acarretasse problemas no futuro. Mas, dessa vez eu não iria deixar. Eu tinha as rédeas da situação.
Por minha vez, eu procurava me manter entretido a maior parte do tempo. Quando estava em casa, ficava vendo filmes, lendo muitos livros... Coisas que ocupassem minha mente. Quando chegava nos finais de semana, de sexta a domingo, minha casa praticamente desconhecia a minha pessoa. Não queria deixar espaço na minha mente para me entristecer. E quando a tristeza driblava a minha mente ocupada, eu compunha. Compus muitas canções pensando nela e em nossa situação.
E era verdade o que tantas revistas fotografavam e diziam. Eu saía com muitas meninas, muitas vezes lindas. Não porque eu queria viver a vida de solteiro, pegar todo mundo e ótimo. Eu sentia falta da , mais do que tudo e queria ver se eu pelo menos conseguia chegar perto de sentir por alguma daquelas meninas o sentimento que eu tinha pela . Lógico que cada tentativa era frustrada – como eu fui estúpido de apenas cogitar a possibilidade de alguma delas chegar aos pés dela ou até mesmo de gostar de outra, um mês depois de terminar um namoro de três anos!
As revistas sempre retratavam o que eu fazia ou deixava de fazer. devia saber exatamente com quem eu andava, aonde ia... o que me frustrava um pouco, já que ela nada sabia de mim, tampouco da minha vida. Eu me afastei bruscamente dela racionalmente, mas às vezes me parava em casa, sozinho e me perguntava "Por quê?". Ora, a vida era curta demais para isso, não deveria deixar a mulher da minha vida escapar assim. Logo depois eu lembrava que isto não era por mim, era por ela; se ela fosse ser mais feliz assim, que fosse.
A banda, por sua vez, estava indo muito bem, obrigado. Estávamos prestes a lançar nosso novo álbum, o único sem gravadora, com total liberdade de escolha das músicas. Estávamos fazendo shows por todo o Reino Unido, Europa e tivemos a proposta até de tocar na América do Sul, o que nos surpreendeu um pouco. Se minha vida pessoal era uma zona, a profissional ia de vento em popa. sempre vinha com o assunto "", e eu sempre o ignorava, dizendo que não queria saber. Na verdade eu queria, mas seria muito doloroso. Eu pensava nela e nos nossos momentos juntos sempre, e era aquilo que eu queria guardar na memória. O que ela fizesse, o que deixasse de fazer, à partir do momento em que eu coloquei os pés para fora daquela casa, infelizmente, não era mais do meu interesse. O destino dela, que um dia já foi o meu também, agora iria ser feito e trilhado por ninguém além dela própria.
FIM ’s POV
Era sexta-feira à noite, eu estava cansadíssima após um dia exaustivo de muito trabalho e estudo, mas mesmo assim não deixei minhas amigas de lado e as recebi em casa para um simples happy hour. Estávamos todas na sala, eu, , e Luke, havíamos bebido um pouco e o excesso de álcool já começava a fazer efeito, a campainha tocou.
- OPA! Deixa que eu atendo – levantou trançando as pernas. – OLHA QUEM RESOLVEU APARECER, ! – ela gritou e eu meu coração bateu acelerado, estiquei o pescoço e olhei por cima do sofá. Era , ufa.
- Amiga, que saudades, como você está? – levantei correndo para abraçá-la.
- Estou ótima – ela disse, me abraçando. – Ai, , o que você bebeu? Que bafo de cachaça, sai para lá – ela disse, me empurrando.
- É vodka! – eu respondi rindo.
- Finalmente ela criou coragem e abriu aquela garrafa de Belvedere do – explicou.
- , se ele souber vai te matar! – disse, me repreendendo.
- E daí? – dei de ombros. – Ele não mora mais aqui mesmo, agora é tudo meu – eu disse rindo e colocando mais vodka em um copo. – Bebe amiga, bebe! – e empurrei o copo para .
Não demorou muito para que entrasse no nosso clima, já tínhamos bebido mais da metade da garrafa quando resolvemos brincar de "Eu Nunca". Eu comecei.
- Eu nunca... eu nunca achei o gostoso! – todas beberam e me fuzilou com o olhar.
- Você me paga – ela sussurrou. – Minha vez – ela levantou a mão. – Eu nunca fiz sexo em um Murano preto dentro de um estacionamento! – elas riam enquanto eu virava uma dose que desceu queimando minha garganta!
- Filha da puta! – eu xinguei.
- Minha vez – levantou a mão. – Eu nunca quis pegar o – virou sua dose.
- Eu nunca FINGI odiar o – eu disse frisando o "fingi" e virou outra vez.
- Eu nunca faria sexo com o - disse e virou mais uma vez.
- CHEGA, CHEGA! – ela se levantou. – Assim é covardia, minha vez! – ela pensou um pouco. – Eu nunca olhei para o namorado de uma amiga – todas beberam e riram juntas.
- Espero que vocês nunca tenham olhado para o , hein?" – eu disse rindo muito.
- Fica tranquila amiga, eu acho ele feio – se pronunciou e eu caí na gargalhada, quando a almofada que eu ataquei acertou sua cabeça em cheio. – Eu nunca saí com um homem mais novo – as três beberam e eu não.
- Eu nunca nadei pelada – disse, filha da puta, ela sabia de todos os meus podres, assim não teria graça, eu virei a dose sozinha e me deu um ataque de riso, o qual eu não consegui controlar. Eu ria muito e também.
- Do que vocês estão rindo? – perguntou.
- NADA! – respondemos as duas juntas.
FLASHBACK
Eu e namorávamos há aproximadamente seis meses, conversávamos no quintal de minha casa, quando de repente ele saiu correndo e pulou o pequeno muro de madeira que separava minha casa da dos Smith, eu corri atrás dele.
- volta aqui, o que você está fazendo? – eu disse baixo para que ninguém nos ouvisse.
- Vem, , pula! – ele me disse do outro lado do muro fino de madeira.
- , você está maluco? Se o Sr. Smith te pegar aí, você 'ta fodido.
- , vem logo! – ele sussurou. – Eu te seguro.
- Ai, , o que eu não faço por você, hein?! – apoiei meu pé em uma parte rachada do muro e num impulso eu estava do outro lado, antes de eu alcançar o chão, me segurou. – Obrigada – eu disse sorrindo e ele me colocou no chão.
- Acho que não tem ninguém em casa – ele me olhou maliciosamente.
- Vamos voltar, , se pegarem a gente, estamos mortos – eu disse, o puxando pela mão.
- Agora que eu estou aqui, eu não volto – ele disse e tirou a camiseta preta que vestia.
- O que deu em você? - perguntei assustada. – 'Ta maluco? – ele tirou a bermuda, a boxer quadriculada que usava, e se jogou na piscina dos Smith.
- Duvido você vir também... – ele disse enquanto nadava de um lado para outro da piscina. Antes que ele falasse mais alguma coisa, eu tirei o vestido que eu usava, tirei meu sutiã devagar, minha calcinha e pulei abraçando meus joelhos na piscina, quando coloquei a cabeça para fora da água, ria descontroladamente. – A maioria das mulheres teria mergulhado de cabeça, mas você sabe que bombinha é muito mais sexy – e me puxou para um beijo.
FIM DO FLASHBACK
A brincadeira estava muito divertida, a garrafa estava quase chegando ao fim, mas se acabasse tinha muitas outras que poderíamos beber. fazia coleção de bebidas e era difícil ele abrir alguma delas, a prateleira da sala estava cheia de garrafas dos mais variados tipos. O celular de tocou e ela saiu para a varanda para atender.
- Era – disse quando voltou. – Ele está em uma festa, disse para irmos para lá!
- Festa? 'To dentro – disse animada. – Adoro festas!
- Eu fecho – falou empolgada. – Festa é comigo mesmo.
- Já estou vendo que nem vai adiantar eu discordar, né? – dei de ombros.
- Amiga, pára de ser velha! Vamos, você precisa se animar – disse para mim, sincera.
- 'Ta bom, 'ta bom – me dei por vencida. – Vamos para essa festa! Espero que o não esteja lá.
- Acho que ele não vai estar. disse que ele saiu com uma garota – ela disse baixo.
- Tudo bem, sem problemas. Não precisa se preocupar - eu disse enquanto ela me olhava. – Eu estou bem!
- Gente, mas temos um problema – retrucou. – Se eu for para casa me arrumar, eu não volto mais!
- Relaxa, sintam-se à vontade e podem usar o que quiser – eu fui para o meu quarto e elas me seguiram. – Meu guarda-roupa é de vocês – eu disse abrindo a porta do meu closet, ainda estava sob o efeito da maldita Belvedere. – Se vocês quiserem, pode usar o banheiro da sala ou o do quarto de hóspedes. Sintam-se à vontade – e fugi para o banheiro.
Deixei que a água caísse para levar para o ralo o efeito do álcool, mais uma das minhas tentativas frustradas. Não adiantou e mesmo que eu negasse, eu estava bêbada, era engraçado, pois eu não era o tipo de pessoa que costumava encher a cara. Quando me convenci de que a água não mudaria a minha sobriedade, saí do chuveiro. Não encontrei ninguém no meu quarto, então me joguei na cama, fiquei ali por cinco minutos, quando eu ouvi uma voz aguda invadir meu quarto.
- AMIGA, SUAS ROUPAS SÃO LINDAS! – apareceu com um vestido cru, de ombro caído, na mão.
- Pode pegar esse vestido para você, foi presente de – eu disse desanimada.
- Não posso aceitar um presente que você ganhou dele - indagou.
- , você vai fazer mais proveito do que eu – falei com sinceridade. – Você viu todas aquelas roupas no meu armário? – apontei em direção ao closet e concordou com a cabeça. – Eu não uso metade delas!
- Então obrigada, amiga – ela saiu correndo do meu quarto e voltou para o closet, eu a segui. – O que eu posso usar com esse vestido? - perguntou.
- Hm... deixe-me ver! – abri uma outra porta. – Coloca essa bota – joguei um par de texanas marrom em cima dela. – Esse cinto e essa headband. Que tal?
- Não acha que eu estou muito country, não? – perguntou intrigada.
- Claro que não, sua boba, é a nova tendência! – abri meu armário. – Agora vamos lá. O que EU vou vestir... – peguei um vestido tomara-que-caia vermelho. – O que você acha?
- Lindo! – exclamou, ela entrava no closet com minha saia preta de cintura alta, uma blusa branca e uma meia calça de rendas. – E eu, como estou?
- Um arraso! Pega esse scarpin preto – e joguei um par de sapatos para ela.
- E eu, como estou? – apareceu na porta do closet, com um vestido preto de babados, com uma faixa Pink na cintura.
- Coloca esse sapato – eu dei para ela um Oxford preto. – Hm... E que tal essa jaqueta? – mostrei uma jaqueta de couro preta.- Eu acho muito Demi Lovato – exclamou.
- Eu gosto – disse.
- Eu também – concordei.
- Três contra um, me desculpe – disse e vestiu a jaqueta por cima do vestido.
Terminamos de nos arrumar, eu levei alguns tropeções, borrou a maquiagem e soltou um "'to borrada", fazendo as quatro caírem na gargalhada. quase torceu o pé com o sapato, e o headband estava ganhando de vinte a zero de .
- Alguém me ajuda a colocar essa merda, por favor? – ela gritou.
Capítulo 5
Depois de todas prontas, decidimos ir à tal festa. Descemos e fomos com o carro de . nos contou durante o caminho que aparentemente a festa era de uma das meninas mais ricas da Inglaterra, que fez questão de convidar metade da cidade, incluindo anônimos e famosos. Estremeci: todas as celebridades do Reino Unido deviam ter sido chamadas. Incluindo o . O meu . E se uma das meninas ricas piriguetes viessem dar em cima do meu... Ex? Ok, eles iam ficar, eu ia ficar na merda, chorar e tal. Mas não ia à festa. E eu dava graças a Deus por isso.
Entretanto eu não estava com um bom pressentimento e, conforme fomos chegando ao local da festa, eu fui ficando cada vez mais nervosa.
- É aqui – disse , parecendo tão chocada quanto nós.
Sabe uma casa grande? Imagina uma maior. Muito maior. Ela era meio bege na frente, com pilares de sustentação brancos e uma sacada no segundo andar que dava para a frente da residência. Para entrarmos pelas portas brancas, passamos por um degrau que dava lugar a um chão de mármore. Eu e as meninas estávamos maravilhadas. Era uma das casas mais bonitas que eu já havia visto em Notting Hill.
Estávamos todas muito arrumadas, de fato. vestia uma saia de cintura alta preta, blusa branca, meia calça rendada e scarpin preto; , um vestido cru de ombro caído, um cinto marrom e uma texana da mesma cor; , um vestido preto de babados com uma faixa rosa Pink, uma jaqueta de couro preta e um sapato Oxford; e eu, vestido vermelho tomara que caia, um scarpin vermelho, no mesmo tom do vestido. Devido a isso, atraímos alguns olhares curiosos ao entrarmos na casa, e se estivéssemos em cinco, tenho certeza que nós confundiriam com as Pussycat Dolls. Ri sozinha com esse pensamento, porque ainda faltava um pouco para eu chegar aos pés da Nicole Scherzinger.
A festa estava lotada e nós mal conseguíamos andar sem esbarrar em algum bebum que perdia o controle. Eu estava ficando cada vez mais irritada; , ao meu lado, conversava algo e gargalhava com . , porém, olhou-me e disse.
- Calma, os meninos devem estar aqui em algum lugar.
Começamos a rondar a festa atrás dos nossos amigos. Mas aonde diabos teria se metido? Ora, ele não se preocupava com a namorada? Nem ligava para ela! Olhei ao meu lado e ela tinha um semblante tranquilo. Talvez eu que era a paranóica da história. Estava começando a dar razão a quando ele me chamava de louca quando (finalmente!) encontramos os meninos.
- Oi, amor – disse, dando um selinho em , provocando murmurinhos entre uma turma de meninas que estava ao lado deles. – Oi, , oi ... E... – deu uma olhada maliciosa para – aguarda um minutinho – e saiu de perto. Não demorou muito para que ele voltasse com quem procurava desde o começo da festa. Sim, o próprio em pessoa estava à nossa frente, e tinha um sorriso que misturava malícia e timidez. Havia apresentado aos meninos já tinha tempo, e nós saíamos sempre juntos. E ela e nunca esconderam a atração que um sentiam, a não ser quando um implicava com o outro e fingiam se odiar. Talvez fosse a hora de fazer acontecer. definitivamente tinha um timing impecável. Começamos a conversar sobre assuntos aleatórios até que eu vi que os dois, e , haviam desaparecido. Falei isso a , e ele riu.
- Já estava na hora! é sempre tão lerdinho... – gargalhamos todos. Todos continuaram bebendo – menos eu, a bebida já havia me deixado com dor de cabeça - e conversando sobre qualquer coisa que bêbados costumam conversar.
Depois de um tempo, eu fui começando a me entediar. Os caras chegando constantemente em mim já me irritavam, assim como o papo meloso entre e . Ora, eles se amam, etc e tal, mas eu realmente não estava com humor para aquilo. ao meu lado estava risonha. Chapada, graças ao efeito do cigarrinho que eu a flagrei fumando escondidas com uns caras desconhecidos. Eu já estava bem aborrecida e queria minha casa, meu computador... Minha vida de volta. Já estava convencida de que estava velha o suficiente para festas ao melhor estilo American Pie. E olha que estávamos na Inglaterra! Os bêbados que não deviam ter mais que quinze anos estavam lá, caindo de bêbados, alguns na piscina, outros no sofá (e que puta sofá!) lindo da sala, outros se comendo nas seis (eu perguntei a : sim, seis) suítes da casa da menina. Comecei a me lembrar das épocas que eu fazia essas loucuras. E me lembrei também que sempre estava ao meu lado. Merda. Algo para complementar meu mau humor então.
Olhei para ao meu lado, claramente bêbada. Ela conversava com um ser avulso que eu não fazia a menor idéia de quem era. Parecia ter mais ou menos a nossa idade e um charme absurdo. "Legal", pensei, "hoje eu volto sozinha para casa". e já tinham fugido para algum cantinho escuro já fazia tempo. Era eu, e seu príncipe encantado. Que maravilha. Esperei se despedir do garoto e fomos dar uma volta pela casa, conhecer os lugares que ainda não havíamos conhecido. No jardim da piscina encontramos , ela estava vermelha e bufando.
- O é um completo imbecil! – ela disse arfando.
- Mas o que aconteceu? – perguntei intrigada.
- Ele simplesmente me largou sozinha para ir conversar com umas garotas!
- Então pronto, vamos embora. 'Ta muito cheio e eu não aguento mais ficar aqui – reclamei, a bebida já estava se esvaindo do meu sangue dando lugar ao meu mau humor pós-bebedeira. ao meu lado ainda gargalhava, seu rosto dando claros sinais de que era ainda a vodka falando por ela.
- Vocês são muito chatas! – reclamou. – Já que o te deu o fora, vamos achar uns gatinhos!
- Ei! O não me deu um fora - disse, agora a fúria já havia passado e ela ria junto com . - Vem, vamos! – ela pegou pela mão e as duas andaram em direção à porta que dava para a cozinha.
- OW! – gritei, e as duas viraram em minha direção. – Não estão esquecendo de nada? – ambas saíram e me largaram ali, ótimas amigas eu tinha.
- Vai, vem, vamos logo! Hoje, a noite é nossa – disse rindo, vindo até mim e me pegando pela mão.
- Eu quero ir embora, estou cansada. Podem ir se divertir, vou embora de táxi – falei conformada.
- Pára, – ela falou. – Não é como se estivesse aqui, nem na... – ela se calou e empalideceu, quase ao mesmo tempo. Olhou sobre o meu ombro, já que eu estava na direção da porta que dava para o quintal onde estávamos. Naquele momento, eu entendi tudo.
Ele estava ali.
Me virei, de repente, para ter certeza. Mas me arrependi quase que instantaneamente. adentrou o quintal segurando a mão de uma menina. Aquele rosto me era familiar, com certeza era uma das meninas com quem ele já havia saído e tido seu rosto estampado na capa de alguma revista de fofocas. Meu sangue começou a ferver. Como aquele imbecil pôde esquecer nosso namoro de três anos assim? E já sair, no mês seguinte, segurando a mão de uma biscate, Maria banda qualquer?
De repente, o olhar de encontrou o meu. Ele me encarou e, pela primeira vez em três anos, eu não fui capaz de distinguir um só sentimento que ele possuía em si. Era uma tristeza, misturada com raiva, vergonha... Não dava para entender. Ele murmurou algo no ouvido da pira..., ops, namoradinha dele e veio até mim.
- Oi, – disse, encarando os tênis. Se ele achava que fazendo essa carinha de coitado ele ia conseguir me conquistar... Ele estava praticamente certo. Opa, não! Concentração. Ele não ia conseguir. Isso.
- Oi, – disse no tom mais frio que eu consegui e eu o senti estremecer. Sorri satisfeita; eu ainda era capaz de causar algum tipo de impacto sobre ele. Fosse isso bom ou ruim.
- Eu... eu... me chamou e, bem, eu... eu não sabia que você vinha, então, Lauren quis... eu... me desculpe – ele, depois de muito gaguejar, soltou. Eu dei meu melhor sorriso irônico e apenas balancei a cabeça em negação. O vi soltar o ar, quase que como se estivesse prendendo-o enquanto falava comigo.
- Hey, ... liga não. 'To legal, sério – dei um último sorriso e puxei comigo, que consequentemente puxou para longe. Para dentro da casa, mais precisamente, para o bar.
- Que porra que foi isso, ?! – esbravejou. – Seu ex entra com uma mulherzinha qualquer e você sai correndo? Cadê a que eu conheço?
Apenas sorri para . Nunca que eu culparia por estar seguindo em frente, coisa que eu já deveria ter começado a fazer. Mas também não era justo eu estar em casa chorando enquanto ele estava saindo por aí, se divertindo, não é mesmo? Então, eu decidi me divertir. Mesmo que na frente de e de sua nova namorada, ficante, ou o que seja.
continuou me encarando confusa. Minha expressão confiante e serena com certeza a apavorava. Eu só ficava assim quando tinha algo em mente. E eu tinha.
- Então... Que tal uma vodka? – perguntei forçando um sorriso e elas concordaram, balançando a cabeça. – Me vê três doses de vodka com energético, por favor! – pedi para um dos barmans, que por sinal era super gatinho. Ele colocou nossas doses em cima do balcão e sorriu para mim, ui! – Vem vamos dar uma volta – cada uma pegou a sua dose e saímos em direção à pista.
Tocava uma música dançante qualquer que eu não consegui identificar, e esbarrei com algumas pessoas perdidas da minha faculdade. Encontrei algumas pessoas que eu não via há tempos, amigos de que fizeram questão de me cumprimentar, alguns acompanhados das namoradas, outros sozinhos. Por coincidência do destino encontrei Phil Tollman acompanhado de Matt, os dois fizeram questão de vir falar comigo.
- Resolveu sair do ninho, ? – Phil perguntou abrindo os braços para me abraçar.
- Olá, Phil! – o abracei. – Oi, Matt – dei um beijo na bochecha do outro garoto. – Esta é e esta, ... – disse apontando para as duas. – Estes são Phil e Matt – indiquei os dois garotos ao meu lado.
- Você parece estar ótima, ! – ele disse, sorrindo.
- Você acha mesmo? – eu ficava feliz em saber que eu aparentava estar bem, adoraria que pensasse o mesmo que ele. e Matt embalaram um papo sobre a festa, enquanto foi ao banheiro.
- Eu acho – ele sorriu. – Aceita uma bebida?
- Aceito sim. Vamos até o bar e já voltamos – eu avisei e Matt. – Então, está gostando da festa? – perguntei enquanto caminhávamos.
- Estou sim. Não esperava te encontrar aqui! - ele falou com franqueza. – Queria me desculpar por aquele dia no pub – não acredito que ele ainda lembrava daquilo.
- Você não tem que se desculpar por nada Phil – eu articulei sem jeito. – Se alguém tem que se desculpar, esse alguém sou eu. Desculpe-me a grosseria de , ele não devia ter me tirado daquela maneira de lá... a gente nem estava mai...
- Estão falando de mim? – apareceu de repente ao nosso lado no bar.
- E aí, cara! – Phil o cumprimentou, que fingiu não ouvir. e Matt, que observavam a cena, se aproximaram ao ver chegando, aquilo cheirava a confusão, logo em seguida também se juntou a eles.
- Olha que coincidência? – eu exclamei. – É só falar no diabo que aparece o rabo – eu ouvi Phil pedir duas doses de vodka ao barman.
- HA HÁ! Engraçadinha – falou debochadamente.
- Veja se você não concorda – eu disse. – Eu estava aqui dizendo ao Phil que foi uma grosseria da sua parte, ter me tirado da pista aquele dia no pub e que você deve desculpas a ele.
- Quem tem que pedir desculpas aqui é ele – indicou Phil com o polegar. – Ele é que é o amigo traíra que deu em cima da minha namorada! – eu ri, mas ri com vontade e olhou com raiva para mim.
- Sua namorada, ? Ex-namorada - eu falei pausadamente. – Você quem terminou comigo e acha que ainda está no direito de me cobrar alguma coisa? – estava incrédula.
- De você eu não tenho que cobrar nada – ele retrucou. – Mas de uma pessoa que eu considerava amigo sim.
- Qual é, ?! Não fizemos nada demais – Phil finalmente se pronunciou.
- Cara, cala essa sua boca imunda antes que eu estoure a sua cara – estava com o punho fechado, mas tentou se controlar. Phil ficou pasmo e eu vi de relance falar algo no ouvido de .
- Phil, é melhor você ir, daqui a pouco nós conversamos – eu falei e ele saiu na direção onde e estavam com Matt. – Por que você faz isso? – eu disse séria, olhando em seus olhos.
- Isso o quê? – questionou.
- Todas essas coisas – eu virei minha dose de vodka pura que estava no balcão de uma vez só. – Você adora se meter na minha vida, apesar de não fazer mais parte dela. Você age como se ainda namorássemos e quando eu mais preciso de você, você some. Você me manda flores lindas e depois desaparece – respirei fundo e ficou calado. – Me vê mais uma dose, por favor – pedi para o barmam.
Quando ia abrir a boca para me responder, a vagabu... quer dizer, a Lauren, esse era o nome dela, pelo que eu me lembrava, apareceu e dessa vez quem se segurou para não brigar fui eu.
- Nossa, , onde você estava? – a piriguete falou se pendurando no pescoço dele. – Te procurei pela festa inteira. Oi – ela se dirigiu a mim. – Você deve ser a , né? – disse com um tom de falsidade.
- Sou eu sim – retruquei friamente. - para você.
- Sabia que você parece ser muito mais bonita nas revistas – ela disse com um sorriso vitorioso nos lábios.
- Chega, Lauren – tentou impedi-la e minhas amigas se pronunciaram ao ouvi-lo aumentar seu tom de voz.
- Deixa, , deixa que ela fale – virei outra dose de vodka. – Ou você acha mesmo que eu me importo com a opinião dessas vagabundazinhas que você pega para me esquecer? – e o pior era que eu me importava, mas não podia demonstrar. - No fundo, no fundo você sabe que nenhuma delas consegue me superar! E sabe por quê? – ele me olhou curioso. – Porque você me ama! E por essa daí, você não sente absolutamente NADA! – eu frisei o "nada".
- Garota, quem você pensa que é para falar assim com ele? – a tal de Lauren tentou defender o , a essa altura muitas pessoas já prestavam atenção no nosso desentendimento.
- Pergunta para ele quem eu sou – falei com um ar debochado e saá dando as costas aos dois. e me acompanharam.
- Você não vai fazer nada, ? – ainda pude a ouvir reclamar.
- Me deixa, Lauren! – respondeu num tom de voz grosso e eu me dei por vitoriosa. – Ei, ! – ele gritou e nos viramos. – Bonito vestido! – ele havia percebido, havia lembrado que aquele vestido era meu e o pior, havia sido presente... e dele! Ela abaixou a cabeça, sem graça.
Sai desnorteada em direção à pista de dança, a música invadia minha cabeça e aquilo estava começando a me irritar, procurei por todos os cantos daquela sala de estar e não a encontrei, voltei para o bar e ela também não estava ali. Passei pelo corredor, pela cozinha, pela varanda e nada da .
Fui para o jardim e finalmente a encontrei. Parada conversando com em um canto.
- Fala, loser – eu disse dando um pedala em , assim que me aproximei.
- Hei... Quem é vivo sempre aparece – ele exclamou assim que me viu, e eu sorri.
- Onde você se enfiou, ? Te procuramos por todos os cantos - perguntou.
- Estava por aí, dando uma volta – eu não queria falar sobre o ocorrido na frente de . – Cadê a ?
- - sussurrou.
- Cara, eu quero! – exclamei assim que vi uma garrafa de Absolut brilhando na mão de . Arranquei de sua mão e virei em apenas um gole, a vodka desceu queimando minha garganta, mas eu mal me importei.
- Vai devagar – disse, puxando a garrafa da minha boca. – Assim você vai passar mal!
Ficamos ali, jogados em um canto do jardim, os três rindo muito. Falando mal das pessoas que estavam na festa, falamos sobre a dona da festa a qual mal conhecíamos, falamos sobre tanta coisa e em menos de meia hora já havíamos acabado com a garrafa de Absolut.
- Eu preciso ir ao banheiro – eu disse tentando me levantar, mas eu cai de bunda no chão e os dois ficaram rindo. , que era o mais sóbrio de nós três, se levantou e me ajudou a levantar também. – Obrigada! Eu já volto – disse saindo em disparada ao banheiro.
Todos os banheiros do andar de baixo estavam ocupados, subi devagar as escadas, me segurando antes que eu caísse no chão novamente, e por sorte encontrei um banheiro desocupado no primeiro andar. Tirei o vestido e me sentei, foi como se uma cachoeira saísse de dentro de mim, me senti aliviada e minha barriga até diminuiu. Coloquei novamente o vestido, lavei as mãos e desci as escadas, com o intuito de voltar ao bar e pegar mais vodka, eu já havia bebido demais aquela noite, mas eu precisava aproveitar a festa, e bebendo seria a única maneira de esquecer que estava lá, na companhia daquela piranha... O MEU , com aquela piranha. Meus pensamentos já estavam confusos e eu não falava ou pensava coisa com coisa.
Quando estava chegando ao último degrau da escada, me deparei com um garoto lindo, moreno de olhos claros, que estendeu a mão para mim. Seria ele um príncipe? Meu príncipe encantando? Dei as mãos para o garoto e ele me ajudou a descer os últimos degraus, finalmente um cavalheiro naquela festa.
- Oi – o garoto sorriu para mim e eu retribui o sorriso. – A princesa está perdida? – querido se você me levar para o seu castelo, eu estou.
- Não, só vim ao banheiro... Minhas amigas estão por aí – eu apontei com a mão na direção do jardim.
- E qual seu nome? – ele perguntou.
- e o seu? – eu retruquei.
- Meu nome é Chad, prazer – ele estendeu a mão e eu apertei.
- O prazer é todo meu, Chad! – eu disse sorrindo.
Fomos para um canto ao lado do bar e ficamos conversando por bastante tempo, ele me contou sobre sua vida, que morava em Oldham e havia ido para Londres para passar um tempo na casa de um primo, e eu falei um pouco sobre a minha vida também, claro que eu não tinha tantas histórias para contar, a não ser que eu ficasse falando sobre meu ex-namorado, e com certeza aquilo não agradaria ninguém. Ele aparentava ser uma pessoa muito legal, eu já estava na terceira Piña Colada e Chad bebia uma dose de whisky. Ele envolveu meu ombro em seu braço direito e começou a alisar meu braço, quando dei por mim, ele havia me virado de frente para seu corpo e tentava beijar o meu pescoço, tentei esquivar, mas ele era forte demais.
- Me solte, por favor – eu falei baixo.
- Qual é gatinha? – ele disse, agora pude reparar em como seus olhos estavam vermelhos e ele parecia inquieto. Agora ele tentava me beijar, passava os lábios pela minha bochecha enquanto eu tentava afastar meu rosto.
- Pára – a essa altura ele já me segurava com as duas mãos, eu tentei me esquivar em vão. – Já pedi para me soltar!
- Não vou te soltar – ele disse cinicamente.
- Se você não soltar, vou gritar – o ameacei.
- Pode gritar a vontade – ele debochou. – Com a música nessa altura você acha que alguém vai te ouvir? – antes que eu pudesse pensar, levantei meu joelho e acertei em cheio sua parte íntima e ele se contraiu. Ao mesmo tempo, enfiou a mão na minha nuca e puxou meus cabelos com força. Não era possível, o príncipe havia se tornado um maníaco.
Tudo aconteceu ao mesmo tempo e muito rápido. Eu vi duas mãos agarrarem Chad pela camiseta e atirá-lo para longe de mim, com o impacto eu também fui arremessada para trás, batendo as costas na parede. Quando me dei conta, trocava socos com o maníaco, e dessa vez eu não poderia culpá-lo por ter me tirado dali. Uma roda se abriu em volta da gente, mas antes que os dois se matassem, muitas pessoas apareceram, eu senti alguém me puxar pela mão e me tirar dali, só depois fui me dar conta de que era . As últimas coisas que pude ver foram e chegando para segurar , e Chad se levantando com o supercílio cortado, enquanto ... estava intacto!
- Calma, amiga – eu soluçava e tentava me acalmar. A essa altura, um aglomerado de pessoas já havia se colocado a minha volta.
- Sai todo mundo – eu ouvi a voz de , eu reconheceria aquela voz em qualquer lugar do mundo. – Você está bem? – ele se ajoelhou, ficando da minha altura e perguntou segurando no meu rosto. Eu apenas balancei a cabeça, afirmando. – Vem, vou te levar para casa – ele se levantou, e antes que eu pudesse questionar, me pegou pela mão e me tirou daquele aglomerado de gente.
- Obrigada, – eu sussurrei, enquanto tentava acompanhar seus passos apressados e ele não falou nada.
Saímos rapidamente da mansão, o carro de estava estacionado do outro lado da rua, ele acionou o alarme e abriu a porta do passageiro para mim. Depois, ele deu a volta e sentou-se no banco do motorista, ligou o carro, acelerou e eu pude ver a mansão sumir pelo retrovisor. Fizemos todo o caminho para Southwark em silêncio, ha não ser pelo rádio que estava ligado, mas estava tão baixo que eu não podia identificar o que tocava.
- E a Lauren, ? – eu finalmente quebrei o silêncio.
- Como assim? – ele me olhou intrigado. – O que tem a Lauren?
- Você a largou lá na festa, sozinha. Como ela vai embora? – perguntei preocupada e começou a rir,balançando a cabeça – Ei... O que foi?
- Você 'ta preocupada com a Lauren? – ele falou ironicamente.
- Estou sim, nós moramos em Londres e você sabe que aqui ou em qualquer é perigoso – eu exclamei com sinceridade.
- Outras meninas estariam felizes por eu tê-la deixado sozinha, e não se preocupariam como ela vai voltar para casa – e riu. – Ela pega um táxi, sei lá. Pouco me importa! – ele deu de ombros. – Quando eu digo que você é maluca, ninguém acredita.
Eu apenas sorri. O que eu havia dito na festa era verdade: ninguém iria me superar para . E ele não sentia nada por Lauren. Olhei para , que sorria. Eu ainda sentia aquele forte sentimento por ele. Só de vê-lo perto de mim, dirigindo seu carro em silêncio ao meu lado, me fez recordar das inúmeras vezes que o fizemos. E, por mais estranho que isso possa soar, por mais que tudo tenha dado mil voltas... nada havia mudado. Ainda éramos e , e , aquele mesmo casal de sempre. Estava tão absorta em meus pensamentos que mal vi a hora que chegamos ao meu prédio, que antigamente era nosso. abriu a porta para mim e veio ao meu lado, praticamente me segurando.
- , me solta... Eu 'to bem – era uma completa mentira. Eu ainda estava extremamente bêbada e mal conseguia caminhar sem trocar as pernas. Ele, por sua vez, nada disse. Ignorou meu comentário e continuou me segurando pelos ombros. Eu bufei de raiva, será que aquele teimoso nunca ia me ouvir? Chegamos ao meu apartamento e eu quase chorei de emoção ao cair no sofá, os braços abertos e com um pé encostado no chão. Fiquei ali por alguns minutos, até que me virei para encontrar um risonho. O olhei com um olhar indagador. Ele apenas balançou a cabeça, negativamente.
- Eu sempre me lembro disso. Assim, eu me lembro de vários momentos nossos juntos, mas esse em especial vem a minha mente todo dia. Quando você chega de algum lugar cansada e faz exatamente isso – ele apontou para mim -, exatamente na mesma posição – ele deu uma risada, me fazendo sorrir. – Eu sempre achei essa sua mania muito engraçada – eu não sabia o que responder. Estava eu, conversando com meu ex-namorado, sobre coisas que ele sentia falta sobre mim. Aquilo era masoquismo demais, tanto para mim, quanto para ele! Resolvi responder algo antes que se calasse de vez.
- Eu não... eu não sabia disso. É uma coisa tão... boba, sei lá... – eu disse, tentando colocar os pensamentos em ordem, já que a bebida não ajudava. Ele deu o seu melhor sorriso e abaixou a cabeça, falando baixinho, quase inaudivelmente.
- Foram essas coisas pequenas que me fizeram ficar apaixonado por você.
Ficamos em silêncio por alguns instantes. O olhar antes divertido de agora era calmo, sereno... triste. Eu não devia estar muito melhor. Senti as lágrimas tentando sair. Mas eu não deveria chorar na frente dele, deveria? E por que eu não conseguia responder nada? Esperei por aquele momento por mais de um mês, por que que agora eu não conseguia agarrá-lo e dizer 'se você ainda me ama, vamos tentar de novo?'? As palavras, por nada, saíam da minha boca. Eu apenas suspirei. abaixou os olhos e murmurou.
- , eu 'to indo para casa – e se virou antes que eu pudesse dizer algo. Porém, ele parou no meio do caminho. Eu vi sua cabeça pender para o lado esquerdo, aonde estava... a garrafa de Belvedere vazia. Eu sabia que ele ia ficar muito nervoso comigo, então já estava esperando um super ataque de nervos a la .
- Que porra é essa, ?! Eu já te falei QUINHENTAS vezes que não era para abrir! – ele vociferou para mim. Eu já estava cansada daquele papo: todas as vezes que eu mencionava minha vontade de tomar aquela vodka, ficava muito irritado e brigávamos.
- Ah, , me poupa, vai! O que essa merda de garrafa tinha de tão especial? – eu gritei de volta. Ele estava muito vermelho e eu jurava que podia ver fumaça saindo de seus ouvidos.
- Foi presente do meu avô! 'Ta satisfeita? – eu entrei em choque. O avô de , a pessoa que ele sempre dizia que sentia mais falta no mundo. Ele continuou. – Ele me deu quando soube que eu colecionava! Porra, por que você fez isso, cara? Ele me deu antes de morrer, foi o último presente que eu ganhei dele! – de repente, eu vi lágrimas escorrendo do seu rosto. Mas, ainda assim, apesar de sentir muita pena, não quis dar o braço a torcer.
- Então por que você a deixou aqui? Hein, me diz?! – gritei e ele ficava cada vez mais nervoso.
- Porque meu avô me disse, que era para eu deixar essa garrafa aonde eu considerasse o meu lar, – ele berrava. - E eu considero aqui o meu lar! Aqui, com você, com o Luke, com a nossa vida! Aqui que eu me sinto bem, aqui é a MINHA CASA! Com a mulher que eu amo! Merda! – ele saiu correndo em minha direção e em um segundo sua boca estava colada na minha e suas mãos me abraçavam muito fortemente. Eu parecia que estava entorpecida. Só conseguia pensar em , no seu cheiro, em suas mãos em mim e em quanto eu esperava por aquele momento. Mas, de repente, um sentimento novo me invadiu. E aquele nada tinha a ver com . Eu fui tentando disfarçar, disfarçar, mas de repente...
- Ai meu Deus, no meu vans não! – se afastou.
Sim, eu tinha vomitado. Sim, eu cortei o beijo para vomitar. E sim – essa é a pior parte - eu vomitei bem em cima do tênis favorito do . Eu olhei para cima, sentindo as bochechas corarem violentamente. , ao contrário do que eu imaginava, soltou uma gargalhada. Eu limpei minha boca, sentindo aquele gosto horrível, aquele péssimo cheiro. Eu olhei para com uma cara de arrasada. Eu sabia que aqueles eram seus tênis favoritos, e nunca iria me perdoar por tê-los arruinado. Ele balançou a cabeça, ainda sorrindo.
- Relaxa, ! Eu sou um rockstar, já estava na hora de ter milhões de pares de vans pela minha casa – disse e riu da própria piada. Eu dei um sorriso sem graça e murmurei um 'desculpa'. Ele balançou a cabeça de novo. – Não tem problema. Vamos lá, vamos tomar um banho... você 'ta precisando de um.
Parecia que a bebida estava mais forte em meu sangue, porque estava ficando complicado de levantar. Eu estava ajoelhada, apoiada nas mãos, perto de e, quando tentei levantar, caí sentada. Ele me ajudou e melevantou, colocando meu braço apoiado em seu ombro. Encostei minha cabeça na sua e ele, com sua outra mão livre, começou a acariciar meus cabelos e eu fechei os olhos. Ele me levou ao banheiro e ligou o chuveiro. Enquanto isso, eu me sentei na privada (de tampa fechada), encostei a cabeça na parede e fechei os olhos. Estava praticamente adormecida, quando escutei um sussurro de ao pé do meu ouvido.
- Ei... acorda... – abri os olhos lentamente e o encarei. Ele abriu um sorriso. – Melhor você tomar um banho, sabe... - balancei a cabeça negativamente e ele deu uma risadinha baixa. – Ah, mas você vai sim – eu balancei a cabeça de novo, fechei os olhos e murmurei 'não, , me deixa dormir', e ele começou a rir. Logo, ficou quieto e eu abri meus olhos. Ele me olhava sem graça. Eu o olhei confusa. - Você tem que tomar um banho e não 'ta em condições de fazê-lo sozinha, mas eu também não sei se posso...
- Até parece que você nunca me viu pelada, – o cortei bruscamente. Ele ficou vermelho de vergonha, mas logo sorriu e começou a me despir. Olhei para o alto, fingindo que nada estava acontecendo. Era o que se podia chamar de um momento constrangedor. Depois de ter me despido, ele possuía um olhar que misturava desejo com vergonha. Eu comecei a rir disso. Eu era sexy para ele até vomitada, descabelada e totalmente bêbada? Isso fez minha auto-estima subir consideravelmente. Ele terminou de cuidar de mim, então me deixou no meu quarto para eu me trocar enquanto ele ia tomar um banho. Eu me troquei e sentei na cama enquanto ele tomava banho. O que aquilo significava? Eu e havíamos nos beijado e ele havia praticamente se declarado a mim! Mas... por quê? Do nada? Um dia ele está me ignorando, outro está me beijando na minha sala, dizendo que o lugar dele era ao meu lado. Eu estava muito confusa pensando nas atitudes bipolares de quando o vi saindo do banheiro, já de roupas postas.
- Eu... e-eu ... – ele gaguejou e eu sorri involuntariamente. Eu adorava quando gaguejava quando não sabia o que dizer. Era uma mania linda. – Eu 'to indo, . Já 'ta tarde e eu...
- Dorme aqui – eu o cortei. Ele me olhou surpreso com a minha confiança. Eu estava surpresa comigo mesma na verdade: não imaginava que eu tivesse a cara-de-pau para isso. Ele, no entanto, não recusou. Apenas concordou com a cabeça e tirou sua roupa, ficando apenas de boxers. Eu entrei embaixo das cobertas, sendo seguida por ele. O senti me abraçar por trás e encostar seu rosto no meu.
- Senti falta disso – eu disse e pude sentir seu sorriso. Ele apenas concordou com a cabeça.- Podia tudo ser mais fácil, não é?
- Eu sei... eu te amo, . Mais que tudo nesse mundo. Nunca quis que isso acabasse dessa forma, eu te juro... - sua voz começou a ficar embargada. - Eu te quero para sempre na minha vida.
- Eu também, ... – eu comecei a falar, já chorando. - Por que a gente não pode tentar de novo?
- , não ia funcionar. Já 'ta muito desgastado e eu...
- Você não me quer mais? Só aceito seu "não", com essa justificativa – o cortei, imediatamente. Ele suspirou. Eu não ia desistir fácil assim. O álcool me deixou muito determinada. suspirou, nervoso. Resolvi esperar sua resposta.
- , não ia dar certo.
- Por que não? Nós nunca tentamos. E se a gente não tentar e se arrepender? , eu não quero acordar casada a um açougueiro gordo com quatro filhos para criar, vinte quilos mais gorda e pensar 'e se eu tivesse tentado mais com o ?'. A gente só vai saber tentando! – eu virei meu rosto para encará-lo. Ele me fitou exasperado, sem saber o que dizer. - Eu te amo, . Por três anos eu te amei. E quero continuar amando para sempre. Só depende de você. – ele nada disse. Eu continuei. – Pensa agora, essa noite... se amanhã eu não te encontrar aqui, saberei sua resposta – ele, de novo, não respondeu. Virei minha cabeça para a posição normal. Em poucos minutos adormeci.
Capítulo 6
Senti alguma coisa vibrando na cabeceira de minha cama e logo em seguida uma música insuportável aos meus ouvidos começou a tocar. Uma coisa que eu realmente odeio é quando alguém resolve ligar durante o meu sono, é extremamente irritante. Eu deixei que tocasse e não atendi. Provavelmente a pessoa se cansaria. O celular parou de vibrar e a música cessou, o silêncio não durou um minuto, porque logo a música o interrompeu e me dei conta que eu estava ouvindo algo como The Beach Boys, para ser mais exata "Fun Fun Fun". Calma, aquele não era meu celular, aquela música não era o toque do meu celular, provavelmente seria de . Isso me fez lembrar que então havia grandes probabilidades dele ainda estar no apartamento e abri os olhos devagar, ele não estava ao meu lado. Peguei o iPhone e saí correndo em direção à sala, queria tentar chegar a tempo, antes que a pessoa desligasse novamente. Deparei-me com , sentado no sofá branco com um pote de sucrilhos com leite na mão e Luke ao seu lado.
- Seu celular está tocando – estendi o aparelho e ele murmurou um obrigado.
- Oi, Lauren – ele disse claramente e eu senti meu estômago embrulhar, dei as costas e me retirei da sala, não queria ouvir a conversa.
Voltei devagar para o meu quarto, Luke veio atrás de mim e eu fiz um carinho leve em sua cabeça, me joguei novamente na cama e o Golden se jogou ao meu lado, eu não costumava deixá-lo ficar em cima da cama, mas dessa vez não o expulsei. Abracei meu travesseiro, Luke encaixou a cabeça na minha barriga e ficamos ali por cinco minutos, até aparecer.
- É só eu ir embora que você fica mal acostumado, garotão? – ele se sentou na ponta da cama e Luke abriu as patas para que acariciasse sua barriga peluda. Ele ficou fazendo carinho em Luke por algum tempo. – O que você tem? Está quieta...
- Você não vai encontrar a Lauren? – eu disse chorosa.
- Eu estou aqui com você, não estou? – me disse sorrindo e deu um beijo em minha testa. Ficamos por um tempo em silêncio, até que este foi quebrado por mim.
- Então, entre você e a Lauren não tem nada sério? – perguntei.
- Nunca existiu – me senti segura com a afirmação de e sorri.
- ... Você pensou sobre o que eu te disse ontem? – ele me olhou, com um sorriso nos lábios.
- Se eu topasse, o que era para eu fazer?
- Estar aqui. Quer dizer, ficar comigo, começarmos de novo.
- Estou aqui com você, não estou? – ele repetiu. Eu abri o maior sorriso que podia. Ele havia aceitado. Nem tudo estava perdido, ainda tinha uma chance com . Ficamos um tempo deitados na cama, apenas nos curtindo, quando ele resolveu me perguntar.
- O que você quer fazer hoje, pequena? – ai, quanto tempo eu não ouvia aquela palavra dirigida a mim. Sorri com meus pensamentos. Eu tinha de volta.
- Er... dormir? – riu. Nem reconquistando meu namorado eu perdia o meu jeito sonolento. sempre brincava com isso: eu podia dormir, dormir e continuava com sono.
- Deixa de ser chata... Vamos tomar café da manhã. Vem, eu cozinho – ele disse e eu fiz charme. Ele tentou me puxar e eu fiz um biquinho. Então, fechei meus olhos e depois de um tempo senti o corpo dele se levantar. Abri meus olhos vagarosamente. Tomei um susto quando senti seus braços me erguendo e me levando à cozinha.
- ! ! Me, me largaaaa, sério! ! – eu gritava, me remexia. apenas gargalhava. Aí, ele me colocou no chão com um sorriso ao melhor estilo 'Eu ganhei'.
Terminei de comer os ovos com bacon que havia feito. Tinha me esquecido de como era bom morar com : ele sabia cozinhar muitas coisas boas e... que engordam. Mas eu nunca me importei muito. Continuamos sentados na mesa da cozinha conversando sobre coisas aleatórias até que bateu um silêncio. Mas não aquele silêncio desconfortável; nosso silêncio praticamente gritava felicidade. Era nossa forma de demonstrar o quanto havíamos sentido falta daquele momento só nosso.
me olhava sorrindo docemente. Com um movimento suave, segurou minha mão e a beijou. Não tirava seus olhos de mim; tampouco eu tirava os meus dos dele. Pelo olhar dele, eu entendia tudo: ele realmente me amava. Assim como eu. Por que só aquilo não bastava?
Eu tinha o cara que eu amava bem na minha frente, nos dando uma segunda chance de ser feliz um com o outro. Naquele instante eu percebi, pela primeira vez, em um bom tempo, eu me sentia verdadeiramente completa.
- Ei... Acorda – disse, baixinho, me despertando de meus devaneios. Sorri. – vamos sair hoje? Estava afim de ir a um cinema, sei lá... – apenas sorri, concordando com o que havia dito. Era a melhor opção: começar do zero, fazer programinhas de casal de novo... Para nós, era a melhor solução. Recuperar aquela magia que acabou por se perder ao longo dos anos. – Vou me arrumar e levar Luke para passear – e se levantou da mesa, passou ao meu lado e deu um beijo no topo da minha cabeça.
- Ei, me espera! Também vou – sai correndo e encontrei no meio do corredor, pulei em suas costas e fomos rindo para o quarto, ele me jogou devagar em na cama e selou seus lábios no meu.
Ele foi para o closet e eu fiquei jogada na cama até criar coragem para me trocar também. Assim que a coragem apareceu, caminhei devagar até o closet, que ficava em um ambiente separado do nosso quarto, encontrei vestido com uma camiseta que tinha uma estampa engraçada e colorida na frente, e uma calça jeans escura. Estava em dúvida se calçava o par de tênis branco ou preto, eu parei na porta do closet observando a cena.
- Você só vai passear com o cachorro, – eu disse rindo. – Não precisa que o tênis combine com a camiseta.
- Não adianta – ele optou pelo tênis branco e guardou o preto no armário. – Você sabe que eu não consigo – ele riu. – Sou vaidoso demais.
- E como eu sei, eu sofro com isso – retruquei. – Preciso estar sempre bem vestida, senão você já sabe, né? – e gargalhei.
- Vou pôr a guia no Luke – ele disse saindo do closet. – Te espero na sala!
Peguei a calça jeans que estava por cima da pilha, uma blusinha regata de algodão azul e um moletom cinza de , fiz um coque frouxo no cabelo e fui para a sala.
- Você adora minhas roupas – reclamou, mas tinha um sorriso estampado no rosto.
- Eu adoro! Me sinto confortável nelas – disse sorrindo. – Vamos? – concordou e saímos. O elevador não demorou a chegar, fomos pelo de serviço, pois estávamos com Luke e eu não queria ouvir nenhuma velha chata reclamando por ele ter pulado nela. – O que fez durante esse tempo? – perguntei curiosa.
- Fiz muitas coisas – ele respondeu enquanto saímos do prédio.
- O quê, por exemplo? – Estava com minhas mãos soltas e não sabia o que fazer com elas, com a mão direita segurava a guia de Luke e a outra estava ao meu lado, para não arriscar, coloquei-as no bolso do casaco.
- Li alguns livros, vi filmes, fui para festas, shows, ensaios, entrevistas e compus bastante – ele me falou sem jeito.
- Compôs alguma coisa boa? – perguntei a ele. Eu sabia que era um ótimo compositor, escrevia como ninguém e sabia expressar os sentimentos em palavras. Mas não podia perder a minha piada costumeira.
- Sim – ele sussurrou sem jeito. – Algumas até vão entrar para o cd novo.
- Cante alguma para mim – eu murmurei para ele, normalmente eu sempre era a primeira a ouvir as composições de .
- Ah não, , não me peça para cantar – sussurrou ele, caminhávamos em direção ao Hyde Park. Gostavam de levar Luke ali, ela corria atrás dos pombos durante horas e quando chegava em casa dormia o dia inteiro.
- Tudo bem – disse desanimada. – Vamos sentar ali? – perguntei apontando para um banco próximo a extensa grama verde que forrava o solo do lugar.
Nos sentamos no primeiro banco na entrada do Hyde Park, soltamos a guia de Luke, que saiu desembestado atrás da primeira pomba que viu, e eu desatamos a rir. Ficamos em silêncio por algum tempo, apenas respirando o ar puro que nos cercava e observando as lindas árvores que nos cercavam. envolveu seu braço nas minhas costas e me puxou para perto de si, aproximou os lábios do meu ouvido e cantarolou.
- Kicking off is the hardest part, nothing's certain at the start. Letting go, so something can begin... Figure out how to get a life, leave tomorrow, live tonight, gotta throw... throw your heart right in (Começar é a parte mais difícil, nada é certo no ínicio. Deixando acontecer, então alguma coisa pode começar. Descobrindo como viver nossas vidas, deixe o amanhã, viva esta noite, terá de lançar... Lançar seu coração )
- O que é isso? – perguntei sorrindo.
- Você não queria que eu cantasse? – ele olhou para mim. – Então me deixa terminar antes que eu desista – eu fiquei em silêncio e ele voltou a cantarolar. - 'Cause we all fall down (Porque todos nós caímos) – ele fez uma pausa, respirou e voltou a cantar. - Everybody knows the end, when the curtain hits the floor... Everybody knows the end, don't wanna get there wishing that you'd given more... It's not over, 'till it's over... So how do we begin? When everybody knows the end (Todo mundo conhece o fim, quando as cortinas atingem o chão... E todos conhecem o fim, não quero chegar a ponto de desejar ter aproveitado mais... Não é o fim, ainda não é o fim... Então como vamos começar? E todos conhecem o fim ) – ele parou de cantar. – É basicamente isso. Os caras me ajudaram, trabalhou em algumas frases.
- É linda, – eu sorri com sinceridade, impressionante como havia escrito a música para o momento em que estávamos vivendo, fiquei feliz por saber que ele pensava em mim e nas coisas que passamos na hora de compor. – Como se chama? Vai ser o novo single?
- Se chama "The End". Não sabemos ainda se será o single – ele respondeu. – As novas músicas do cd estão ficando realmente boas, estamos em dúvida.
- Fico feliz que as coisas estejam dando certo – sorri e me olhou intrigado. – Bom, você sabe, sem gravadora, agora vocês tem autonomia para fazer o que quiserem.
- Isso é ótimo... As coisas estão caminhando muito bem! – ele admitiu. – E você... o que fez durante esse tempo?
- Basicamente as mesmas coisas que você, tirando a parte das atividades de um rockstar, claro! – eu admiti rindo. – Fui ao teatro, ao museu... Fiz algumas coisas de velho, mas fez bem para mim!
- E nesse meio tempo apareceu alguém? – ele me perguntou um tanto quanto sem graça.
- Como assim? – dei uma de desentendida.
- Bom, você sabe – ele estava sem graça. – Você ficou com algum cara?
- Não, por incrível que pareça , eu nunca consegui ficar com ninguém. Porque eu sei que ninguém vai chegar aos seus pés – falei sincera. – Agora, já eu nem preciso te fazer essa pergunta, né?
Ele me lançou um olhar triste.
- Eu 'tava tentando te esquecer, , eu achei que você...
- Eu sei disso - eu o cortei. - Eu sei que foi por isso. Não precisa se explicar. Só achei que você não fosse querer seguir em frente assim tão rápido.
Ele me deu uma olhada rápida e abaixou a cabeça. Então levantou o olhar decidido e disse.
- Se eu quisesse seguir em frente eu não estaria aqui, ao seu lado. Eu não quero seguir em frente, . Quero dizer, até quero... Mas só se for para seguir ao seu lado - um sorriso se formou instantaneamente em meus lábios e a única reação que tive foi de abraçar o mais forte que pude e encher seu rosto de beijos. – , pára! – ele disse tentando se soltar do meu abraço. – Tem gente olhando.
- E desde quando você se importa com isso? Se você se importasse você não teria uma banda – eu contra ataquei rindo, e se deu por vencido e deixou com que fosse abraçado por mim. Eu havia sentindo falta daquele abraço, era a melhor coisa do mundo, era como se com ele ao meu lado, eu pudesse enfrentar todos os meus problemas, eu me sentia protegida e amada.
Passamos o resto da tarde sentados naquele banco, sentindo a fria brisa tocar nossos rostos, enquanto o perfume de me entorpecia. Luke já estava cansado e se deitou ao nosso lado. Era como se nunca estivéssemos nos separados, eu me sentia bem ao lado de , seu abraço era quente e acolhedor. Se eu pudesse, ficaria ali para sempre, sentindo aquele cheiro bom invadir minha respiração. Era como se ele fosse uma droga para mim, eu me sentia extasiada na sua presença, meu coração acelerava e ficava mais difícil conseguir respirar (n/a: praticamente uma Bella Swan haha). Estava distraída em meus pensamentos quando me acordou do transe.
- Vamos? – ele disse se levantando. – Senão vai ficar tarde e não vamos conseguir lugar em nenhum restaurante.
- Vamos – o acompanhei, voltamos para o prédio caminhando silenciosamente, dessa vez quem segurava a guia de Luke era eu. Não trocamos uma sequer palavra, caminhávamos curtindo o clima londrino, Luke estava com a língua de fora, provavelmente o cansaço havia surtido efeito e ele estava com sede. , por sua vez estava com as mãos nos bolsos da calça jeans e ia chutando uma pedra durante o caminho. De vez em quando nos olhávamos sorrindo; nenhum dos dois precisava dizer a tamanha felicidade daquele momento. Eu só queria que aquele momento durasse para sempre: eu e , juntos. Aquele mês que passamos separados apenas me fez ver a falta que ele iria fazer na minha vida. Eu não estava pronta para deixá-lo ir, definitivamente.
Quando acordei de meus devaneios, já havíamos chegado em casa. tirou a coleira de Luke, que saiu andando lentamente, devido ao cansaço, subiu no sofá e ali ficou. Ele não podia fazer isso, mas eu estava com pena demais para uma briga. Apenas suspirei, impaciente e Luke nem se moveu. Olhei de relance para , que estava prestes a rir da minha cara.
- Esse cachorro parece gente! - eu falei alto, exasperada, jogando os braços para o ar. Foi a deixa para gargalhar e apenas balançar a cabeça afirmativamente. – Nós o mimamos muito, sabe? Imagina nossos filhos como... – parei antes de terminar a frase. ficou sério, assim como eu. Mal tínhamos voltado e eu já estava falando em filhos? Não deveria ter dito isso tão cedo. apenas me deu um sorriso e beijou minha testa.
- Vamos nos arrumar, linda. Temos um favor a fazer ao nosso estômago – e saiu. Eu parei, absorvendo os fatos por um momento. Depois sorri e segui para o quarto para me arrumar. Daria certo daquela vez.
Depois de prontos, nos despedimos de Luke. Ele parecia sentir que iríamos deixá-lo sozinho, então quando eu estava me maquiando e me aguardava no sofá, ele começou a chorar baixinho. me olhou com um olhar suplicante, quase que como se Luke estivesse torturando-o; eu apenas ri. Ele teria que voltar a se acostumar. Saímos, fomos andando de mãos dadas até o estacionamento do meu prédio. Ao entrar no carro, comecei a refazer uma parte da maquiagem, quando senti um par de olhos sobre mim. Sorri e me virei. , no banco do motorista, me fitava apaixonado. Eu correspondi, sorrindo idiotamente de volta. Continuamos por alguns minutos, apenas curtindo o momento, quando ele baixou o olhar e sorriu. Eu ia me virar, mas ele me impediu, segurando meu rosto com sua mão, tocando levemente a minha bochecha. Eu sorri contra a mão dele e o fitei com um olhar indagador. Ele apenas baixou os olhos, deu uma risadinha e murmurou um 'nada'. Eu ri e me virei para continuar a maquiagem. Durante o resto do trajeto, conversamos sobre coisas banais que vimos na rua, algo que vimos na televisão, música... Tinha me esquecido de como o tempo passava rápido quando eu estava com . Logo chegamos ao restaurante e ele abriu a porta do carro para mim, com um sorriso, entregou a chave ao manobrista e entramos de mãos dadas no discreto restaurante em Berkeley Street. O Oxo Tower era um restaurante de culinária francesa, sua decoração era excelente e muito discreta, na grande maioria em tons de preto e cinza. Pela grande fachada de vidro, podíamos avistar o Green Park. O restaurante era conceituadíssimo e frequentado por grandes celebridades, não havia me levado lá por conta disso, mas sim por conta da privacidade que só teríamos naquele restaurante. Assim que entramos no pequeno lounge, o Maitré, vestido em um traje elegante, se aproximou.
- Bienvenue – como em todo bom restaurante, ele nos recebeu em francês e já me senti desesperada por isso, ela ia começar a falar e eu não ia entender nada, mas por sorte eu estava enganada. - Boa noite senhor e senhora, eu sou o Ethan e atenderei vocês nesta agradável noite – disse ele, restaurantes desse nível não eram os meus preferidos, era tudo sempre muito chique e impessoal. – Mesa para dois?
- Por favor – respondeu tranquilamente.
- Me acompanhem, por favor – e saiu majestosamente em direção à mesa que ocuparíamos e nós o seguimos. Observei alguns rostos conhecidos dentro do salão principal, em uma mesa a minha direita pude ver Keira Knightley sentada acompanhada de duas amigas, um pouco a minha esquerda enxerguei Peter Wheeler, dono de uma marca famosa de carros, com sua esposa. – Essa será a mesa de vocês e espero que tenham uma ótima noite – colocou dois cardápios cuidadosamente um à minha frente e outro à de , e se retirou majestosamente da mesma maneira como entrou, nos deixando à vontade para que escolhêssemos nossos pratos. Assim que o Maitré ganhou distância, foi à vez do Sommelier se aproximar com o catálogo de vinhos, tudo parecia muito sincronizado naquele restaurante.
- Boa noite – ele disse educadamente, entregando o cardápio envernizado a , que se mostrou interessado.
- Qual você pode nos indicar? – perguntou, o Sommelier pediu licença e provavelmente foi para a adega, voltando poucos minutos depois com uma garrafa de vinho.
- Para os adoradores de vinho branco, temos o clássico Montrachet – ele disse enquanto despejava em uma taça uma pequena quantidade do líquido amarelo-ouro. – Este é um vinho branco seco, elaborado com a uva Chardonnay, no coração da Cote D’Or – ele completou.
- Ele tem um sabor exuberante e complexo – disse como se fosse um bom entendedor. – Ele tem um aroma levemente tostado, estou certo?
- O senhor está certíssimo – afirmou o Sommelier.
- Então vamos querer esse – completou.
- O senhor fez uma ótima escolha – o Sommelier disse enquanto preenchia nossas taças. – Esse vinho faz uma ótima combinação com peixes e frutos do mar.
- Obrigado pela dica – finalizou e o Sommelier se retirou, nos deixando a sós.
- O que foi isso, ? Você nunca entendeu de vinhos – eu disse controlando meu riso. Sabia que não entendia nada de vinhos, o que sabia era fingir muito bem.
- O catálogo de vinhos me ajudou – ele também tentava abafar seu riso com uma das mãos e piscou para mim.
- Bem que eu reparei que você 'tava colando – eu estendi o guardanapo de pano, que antes estava enrolado em um suporte, sobre meu vestido. – O que vamos pedir?
- Acho que vou aceitar a sugestão do Sommelier – ele disse rindo – o que você acha?
- Eu não gosto muito peixe – eu disse sem graça e olhei para o cardápio à procura de algum prato que me interessasse – achei que você soubesse.
- Mas amo... – parou sem graça, ele ia me chamar de amor, como costumava fazer, mas algo o impediu. – Desculpe – ele sorriu amarelo.
- Tudo bem – eu ia tentar contornar a situação um pouco constrangedora, mas por sorte o Maitré apareceu com os aperitivos. Uma diversificada quantidade de queijos de todos os tipos, desde Blue e Rochefort, até Cammembert e os Chèvre. – Quanto queijo! – falei rindo.
- Quando eu sair daqui vou ficar um ano sem querer ver queijo – falou.
- Os senhores já decidiram o que vão querer para o jantar? – o Maitré perguntou.
– O que você vai querer? Eu achei que gostasse de peixe, porque você adora comida japonesa – perguntou.
- Sei lá, comida japonesa eu gosto, mas peixe frito, cozido, assado, ou seja lá o que for, não – eu disse rindo. – Vai entender... Bom, acho que vou querer esse Filé Chateaubriand au Poivre – apontei o ítem no Menu, falei fazendo um biquinho e tentando imitar um sotaque francês, desatou a rir. O Maitré anotou em um palmtop o meu pedido.
- E eu vou querer Noisettes d' agneau – fez o seu pedido no melhor estilo à la française, o Maitré anotou e se retirou antes que eu percebesse.
- Que porra foi essa que você pediu? – eu disse confusa.
- O nome pode ser estranho, mas é uma delícia – ele confessou. – São costeletas de carneiros temperadas com cogumelos e ervas. Comi quando fui tocar pela última vez em Paris.
- Você daria um ótimo francês – comentei. – Eu adoro franceses.
- Eu também adoro francesas – ele me provocou. – E adoro a França também. Um dia, podíamos morar em Paris – ele disse sem pensar e provavelmente ao perceber o que tinha falado, baixou o olhar. Mas eu não me importei, me senti feliz com o comentário inesperado que havia feito.
- Eu adoraria morar na França – confessei e sorriu. Entre um gole e outro de vinho, nos embalamos em um papo sobre como seria se um dia morássemos em Paris e só paramos quando nossos pratos chegaram. Eu estava adorando nosso jantar, as coisas estavam fluindo naturalmente, acariciava minha mão enquanto conversávamos e eu estava gostando daquilo, havia sentido falta do seu toque, do cheiro da sua pele e principalmente da maneira como ele me olhava, era como se nos entendêssemos apenas por olhares.
- Com licença – o Maitré se aproximou, acompanhado de mais dois garçons, com nossos pratos, ajeitou cuidadosamente cada talher que reluzia a fraca luz do restaurante em nossas direções, e depois colocou os pratos. O serviço gourmet deles era excelente e nossos pratos estavam impecáveis, assim como a aparência, o sabor e a qualidade também estavam maravilhosos. Comemos em silêncio, apenas degustando o nosso jantar. – Estava delicioso, obrigada, – ficamos ali por mais algum tempo nos perdendo em assuntos paralelos. pediu a conta, e como sempre, nem me deixou chegar perto dela. Nos levantamos discretamente, agora o restaurante já estava mais vazio e caminhamos calmamente até a saída. segurou minha mão sem jeito, e eu me senti bem com aquilo. Apertei-a, o encorajando. Quando saímos do restaurante, o Murano de já nos esperava, estacionado em frente ao restaurante, o manobrista abriu a porta para mim e depois seguiu na cola de , para abrir a porta do motorista, que murmurou um "obrigado", e dei algumas moedas a ele.
Assim que me ajeitei no carro, tirei as sandálias e coloquei os pés sobre o banco de couro, olhou torto para mim, ele odiava aquilo e eu amava, mas ele não reclamou. Liguei o som e tocava na rádio "The heart never lies", eu dei risada e olhou para mim com um ar de súplica, como se pedisse para que eu mudasse a estação. Apertei o botão, que mudava de FM para o Cd Player e "I Must Be Dreaming", The Maine, invadiu os meus ouvidos.
She thinks I'm crazy
(Ela pensa que eu sou louco)
Judging by the faces that she's making
(Julgando pelas expressões que ela faz)
And I think she's pretty
(E eu acho ela linda)
- Desde quando você ouve The Maine? – perguntei rindo.
- Desde que você me viciou... – riu - She's the only one I have my eyes on (Ela é a única que eu tenho em meus olhos). Tell me that you love me and it'll be alright (Me diga que você me ama e tudo ficará bem) – ele cantarolou olhando fixamente em meus olhos.
- Are you thinking of me? Just come to me tonight (Você está pensando em mim? Apenas venha para mim esta noite) – eu completei o verso, cantando desafinadamente e caiu na gargalhada.
You know I need you
(Você sabe que eu preciso de você)
Just like you need me
(Apenas como você precisa de mim)
Can't stop, won't stop
(Não pode parar, não vai parar)
I must be dreaming
(Eu devo estar sonhando)
Can't stop, won't stop
(Não pode parar, não vai parar)
I must be dreaming
(Eu devo estar sonhando)
- Eu sou tão desafinada assim? – fiz bico e ele balançou a cabeça positivamente. – Ai, ! – dei um tapa no ombro dele.
- Ei, não me bate! – ele esfregou o ombro no lugar onde eu havia batido. – Você me perguntou, eu respondi.
- Podia ter mentindo – falei triste e virei emburrada a cabeça para o outro lado.
- Ah, pequena! Não fica assim – falou calmamente e eu não respondi. – Ei, olha para mim vai? – eu continuei com meu olhar fixado para fora do carro, fingindo que não estava ouvindo. – Eu sei que você está me ouvindo, olha para mim vai. Para de ser manhosa – eu senti o carro parar devagar e reparei que ele estava estacionando em um lugar qualquer, no meio do caminho. – Você não vai falar comigo? – continuei sem responder. – Ei, fala comigo vai – ele tentou virar meu rosto.
- Fala, , o que foi? – virei, falando um pouco irritada.
- Nossa, me desculpa Srta. Grosseria. Depois da noite de hoje, do jantar maravilhoso, por que você sempre tem que estragar as coisas com as suas manhas? – ele falou irritado. – É por isso que eu não quero voltar. Porque você nunca parece estar satisfeita com nada, é sempre assim – ele bateu com força no volante.
- Me desculpe – falei baixo.
- Você acha que é simples? Que é só se desculpar e pronto? – ele olhou para mim. – Eu estou cansado disso. Eu sempre tento fazer o melhor para você e você está reclamando e se queixando de tudo, como se o culpado fosse sempre eu. Mas no fundo, a culpada é você, que nunca está satisfeita com nada e sempre transforma essas suas manhas em uma tempestade. Você 'ta aí, se queixando porque eu não menti sobre o fato de você cantar mal, mas e você? Quantas coisas você poderia ter omitido e não omitiu. Você tem essa mania horrível de jogar as coisas na minha cara e me culpar, pelo simples fato de se sentir melhor com isso. Você joga a culpa para cima de mim, para se sentir melhor com você mesma, deve ser isso – ele cuspia as palavras com voracidade e eu senti meus olhos arderem e uma bolsa de lágrimas se formou em meus olhos, dessa vez eu não consegui segurar e comecei a chorar ali mesmo, havia pego pesado, mas lá no fundo, eu sabia que era verdade o que ele estava dizendo, e por isso estava me sentindo mal. Antes que eu pudesse tentar controlar, minhas lágrimas já escorriam pelo meu rosto, borrando minha maquiagem, ficou estático e ele tinha um semblante de arrependimento. – Me desculpe, me desculpe – ele me envolveu em um forte abraço, eu afundei meu rosto em seu peito e ali fiquei, soluçando, deixando com que todas as lágrimas que eu havia segurado, caíssem. – Eu não devia ter te falado essas coisas.
- Está tudo bem – eu disse desanimada, me esquivei do abraço de e tentei secar algumas lágrimas que ainda caíam. – Eu sei que tudo o que você disse é verdade, – confessei sem graça. – Eu só não esperava que minha ficha caísse assim... dessa maneira. Você é sempre tão bom comigo, e eu não deveria ter do que reclamar. Eu nunca enxergo as coisas que você faz por mim. E você tem razão em não querer estar comigo.
- Ei, vem cá? – ele me abraçou novamente. – Não fala besteira, ok? Eu faço todas essas coisas por você, porque eu te amo e se eu não quisesse estar com você, eu não estaria. Mas eu estou aqui com você e eu quero isso – secou o resto das lágrimas que ainda estavam nas minhas pálpebras e selou seus lábios no meu.
Sua língua contornou meus lábios procurando uma maneira de se infiltrar dentro da minha boca, aos poucos nossos lábios se encaixaram e fomos nos beijando calmamente, sem pressa, explorando aos poucos um a boca do outro. Lá fora, uma fina garoa começava a cair, molhando os vidros do carro. Nossos beijos passaram a ganhar mais intensidade, eu segurei pela nuca e ele apalpou minhas coxas com um pouco de vontade. Eu desviei minha boca dos lábios de para o seu pescoço, e eu pude sentir seus pêlos se ouriçarem, e isso me animou. Ele enfiou a mão dentro do meu vestido à procura dos meus seios, enquanto eu acariciava seu peito, também por dentro de sua camiseta. A chuva estava apertando e a fina garoa havia se transformado em uma tempestade de pingos grossos; e o vidro do carro, a essa altura, já estava embaçado. Ele tocava toda parte do meu corpo que estava ao seu alcance, e eu cravava de leve minhas unhas em suas costas, fazendo com que ele se contraísse cada vez mais. interrompeu o beijo e se afastou ofegante, antes que eu pudesse esboçar alguma reação, ele abriu a porta do carro e saiu na chuva, contornou o veículo e abriu a porta do passageiro, pegando em minhas mãos e me tirou do interior, me levando até a frente do veículo.
- , o que você está fazendo? – eu disse, enquanto grossas gotas de água caíam em meu rosto. – Assim vamos ficar doentes – ele não disse nada, apenas segurou meu rosto e me beijou, encaixou as mãos em minha cintura e me encostou no capô. Ele acariciava minhas pernas e foi subindo calmamente meu vestido molhado, que já estava colado no corpo por causa da chuva. – , você só pode estar maluco – eu falei interrompendo o beijo. – Alguém, pode passar e ver a gente aqui.
- Eu não me importo – ele falou tranquilamente enquanto beijava meu pescoço devagar.
Ele parou de me beijar e me encarou sorrindo, aquele sorriso sincero que só ele tinha, retribui o sorriso, encostei minha mão em seu rosto e ele fechou os olhos ao sentir meu toque. Selei meus lábios ao dele e espalhei alguns beijos pelo seu rosto, acariciando seu pescoço levemente com as unhas, encontrei novamente a sua boca e mordi seu lábio inferior, iniciando um beijo caloroso. Ele abaixou as finas alças do meu vestido e distribui vários beijos por todo meu colo, coloquei minha mão por dentro da sua camisa e desci devagar até o cós da sua calça, e sorriu malicioso, colocou suas mãos sob as minhas e me ajudou a baixar o zíper vagarosamente. Ele abaixou a sua calça até uma altura razoável, colocou as mãos por baixo do meu vestido e abaixou minha lingerie. O senti procurar minhas mãos, e quando as encontrou, entrelaçou as suas nas minhas, e me puxou fortemente, unindo nossos corpos a um só. Nos movimentávamos devagar enquanto nos beijávamos, eu mantinha meus olhos fechados e a chuva fria que caía sobre nossos corpos parecia evaporar ao tocar nossas peles quentes e suadas, o som do vento e das gotas tocando o chão era baixo, diante do barulho dos nossos beijos molhados, o desejo era visível. Apertei as mãos de quando uma onda de prazer invadiu meu corpo, ele me beijou com vontade e soltou um baixo gemido, respirou fundo e afundou o rosto em meus cabelos. Nos separamos devagar e ele sorriu para mim.
- Eu te amo – disse por fim.
Ficamos ali abraçados por mais alguns minutos, deixando com que a fria chuva lavasse nossos corpos, ele estava com a cabeça encostada no meu peito e eu acariciava seu pescoço.
- Vamos entrar, . Estou ficando com frio – eu pedi. Ele me pegou pela mão, me ajudando a descer do capô do carro e caminhamos abraçados na chuva, até a porta do carro. Eu entrei e ele bateu a porta ao meu lado, e caminhou para a porta do lado do motorista.
Eu tremia no carro de , e ele logo ligou o aquecedor para disfarçar um pouco o frio que sentíamos, lá fora a chuva ainda castigava a cidade. Eu estava ensopada, assim como . Estávamos em silêncio, apenas um aproveitando a companhia do outro, quando eu percebi que ele não estava indo em direção à minha casa.
- , para onde estamos indo?
- Minha casa. Meu apartamento, na verdade. Eu queria que você o conhecesse... Tive essa idéia agora. Tem problema?
- Claro que tem! – eu disse exasperada e me olhou assustado. - E o Luke? – eu perguntei e abriu um sorriso.
- Eu deixei comida para ele antes de sair, . Relaxa – ele finalizou com um sorriso e eu me senti mais calma. Aquela coisa de apenas o sorriso de me acalmar, às vezes me assustava.
Continuamos em silêncio pelo resto do trajeto, apenas fazendo alguns comentários a respeito de alguma música que tocava na rádio. Depois de alguns minutos, chegamos ao condomínio.
O apartamento que havia alugado ficava num condomínio em um dos bairros mais chiques de Londres. As ruas eram extremamente arborizadas e, logo na esquina, havia um parque. havia me dito que por perto havia uma escola tradicional. Resumindo, era um bairro familiar. E de classe A. Subimos as escadas da portaria, dando um breve aceno ao porteiro, muito bem vestido. O térreo era composto por paredes espelhadas e dois elevadores, também espelhados em seu interior. O design de tudo era muito moderno e chique. Com certeza não era um condomínio barato, pensei. Em pouco tempo, chegamos ao apartamento.
Ele não era muito grande, mas tudo estava em seu devido lugar, e para mim aquilo não parecia ser obra dele. Havia um sofá preto de dois lugares em um canto, próximo a ampla janela onde eu podia avistar claramente o Rio Tâmisa e a Tower Bridge. Havia também uma TV de plasma, menor do que a de nossa casa, e uma mesinha de centro com o Xbox em cima. Uma mureta com dois bancos altos, dividia a sala da pequena cozinha, onde ele mantinha apenas uma geladeira, um fogão que aparentava nunca ter sido usado, um microondas e um pequeno armário. Toda a decoração era feita em branco e preto, haviam alguns quadros contemporâneos no estreito corredor que ligava a sala ao quarto. Caminhei observando os quadros à minha frente, até que avistei o quarto de , ele era simples, porém moderno, um amplo futon ocupava a maior parte do espaço, ele estava coberto com um edredon preto e alguns travesseiros de estampas brancas e vermelhas estavam ali, também um armário espelhado com portas de correr. Da janela do quarto, tínhamos a mesma vista privilegiada da sala. Ao lado do armário, estava uma mesa de canto com o laptop, alguns livros e cds.
- Ei! - falou e eu me assustei, estava parada em frente a janela, observando as águas correrem pelo rio.
- Ai, que susto ! - coloquei a mão no coração.
- O que achou do apartamento? - ele perguntou, se aproximando.
- Está super bonitinho - falei sincera ,- mas nenhum chega aos pés do nosso - frisei o nosso.
- É verdade - sorriu, mas eu pude perceber que foi um sorriso triste.
- Isto 'ta muito organizado para o meu gosto - falei, passando a mão pelos livros que estavam ali em cima da mesinha.
- Minha mãe tem vindo de vez em quando aqui - ele confessou.
- Eu sabia - disse rindo. - E como ela está? Sinto falta dela - a mãe de sempre me tratou com muito carinho, como se eu fosse uma filha, e depois que nós dois havíamos terminado, acabamos perdendo o contato.
- Ela está bem, pergunta sempre sobre você. Ela sente sua falta - ele falou de cabeça baixa. - Assim como eu... – ele me olhou docemente. Eu fiquei sem respostas naquele momento, então apenas o abracei. Sabe quando uma ação vale mais que qualquer palavra? Foi aquilo que ocorreu no momento. Coloquei toda a minha emoção em apenas um abraço. Ficamos por alguns minutos naquela posição até que resolveu se soltar do abraço, não antes de sorrir para mim.
- Vamos tomar um banho? – olhei para exasperada. Ele não estava satisfeito com o que tinha acabado de acontecer? Ele percebeu minha confusão e riu. - Em banheiros separados, . Relaxa! Vou te trazer uma toalha e uma roupa.
Eu sorri sozinha e sentei no sofá, esperando . Ele voltou logo depois com uma toalha, uma boxer e uma camisa larga do Iron Maiden.
- Iron Maiden, ? – eu disse, e ele gargalhou.
- Lembranças dos meus quatorze anos, e pára de me chamar de – eu dei uma risada e ele saiu em direção ao outro banheiro.
Terminei meu banho e já estava me esperando no sofá. Sorri quando ele deu um tapinha no lugar ao seu lado, indicando que era para eu sentar-me lá. Ficamos ali por alguns instantes, até que ele se levantou e foi até a cozinha.
- , quer comer algo?
- Acabamos de jantar. Você já está com fome? – perguntei incrédula e ele apenas riu. Me sentei no sofá e, algum tempo depois, ele trouxe dois recipientes com sorvete dentro.
- De flocos! – eu dei um gritinho exasperado. sorriu.
- Seu favorito. Eu ainda lembro! – disse com um sorriso. Eu apenas sorri de volta e comecei a comer o sorvete. Impressionante como no meu estômago sempre tem espaço para doces. Ficamos sentados comendo o sorvete e assistindo algum filme bobo romântico adolescente que passava na televisão. Parecia até que tínhamos voltado ao que éramos antes: um casal perfeito. Sem brigas, sem nada.
Depois de algumas horas vendo televisão, nossos olhos já estavam pesando. Estávamos deitados no chão, minha cabeça encostada no peito de , enquanto este fazia carinho em meus cabelos. Eu já estava praticamente cochilando quando ele sussurrou.
- Vem... vamos dormir, vamos?
Ele me puxou pelos braços e eu me levantei, sonolenta. Ele sussurrou um 'já volto' e saiu, em direção ao banheiro. Me sentei no sofá, apenas para tentar despertar um pouco, até que o barulho do telefone começou. Me levantei e fui até ele. Mas pensei de novo e me sentei, não era dona da casa nem nada para atendê-lo, certo? Esperei então que caísse na secretária.
Oi, você ligou para o ! Você já sabe o que fazer.
Bip da secretária.
Er... ?
Uma voz feminina invadia meus ouvidos. Mas quem diabos...?
Haha, oi, é a Lauren. Tudo bem? Er... você disse que ia passar aqui hoje e não passou... fiquei preocupada, aconteceu algo? Se puder, vem aqui amanhã! Se quiser, claro. Mas você deve querer, você que deu a idéia de vir, né? Então...
Bip.
Se alguém me perguntasse, eu não saberia dizer o que senti naquele momento. Raiva? Sim. Tristeza? Também. Sentimento de traição? Mais ainda. Arrependimento? Nem se fala. Eu era um misto de sentimentos. Todos eles muito ruins.
O barulho do telefone recomeçara e eu novamente não iria atendê-lo. Já sabia exatamente quem era desta vez. Passou a mensagem de e eu ouvi a voz de Lauren mais uma vez.
Então, a sua secretária me cortou! Haha, então... passa aqui... a gente pode conversar, se acertar... você sabe o quanto eu gosto de você. E você gosta de mim também, senão não teria dito que viria amanhã.... então... boa noite e me liga. Não esquece. Beijos.
Senti as lágrimas quentes nos meus olhos. Mas eu não iria, por hipótese alguma, chorar. Esperei calmamente sair do banheiro, o que não demorou muito. Quando ele saiu, olhou nos meus olhos e viu a raiva neles contida. Abriu a boca lentamente para perguntar o que havia acontecido e eu fiz sinal para ele se calar. Levantei-me e apertei o botão da secretária para repetir a mensagem. Quando a mesma havia acabado, ele me olhou em choque. O olhei com profundo desprezo. Ficamos naquele impasse por alguns minutos, até que eu resolvi ir embora. Peguei minha bolsa e meu casaco e saí, com um desesperado gritando atrás de mim.
- ! , não vai, pelo amor de Deus! Eu posso explicar!
- – disse com a maior frieza que consegui –, me deixa em paz. Vai procurar a Lauren, ora! Não foi isso que você combinou com ela? Para mim já chega. Eu sabia que você ficava com outras para me esquecer, mas nunca pensei que você fosse capaz de me enrolar desta forma! Duas você não tem, . Me esquece!
Dito isso, desci pelo elevador, fechando a porta com força na cara dele, que surpreendentemente não me seguiu. Quando eu saí, me deparei com o frio londrino e as lágrimas começaram a rolar pelo meu rosto. Ainda não entendia como fora capaz de fazer aquilo comigo. Me senti como se tivesse desperdiçado três anos da minha vida com alguém que não merecia. Naquele momento, senti uma raiva dele que eu não sentia havia muito tempo. Meu celular começou a vibrar e eu olhei no visor. O número de aparecia. Eu, com certeza, não iria atendê-lo. Desliguei e continuei andando, em busca de um táxi.
Por volta de meia hora, eu já estava em casa. Cheguei e Luke veio pulando, parando a festa logo depois de ver minha cara. Sorri amargamente para ele, com as lágrimas ainda escorrendo. Apenas fiz um carinho em sua cabeça, e fui deitar-me. Aquele dia havia sido o céu e o inferno ao mesmo tempo, e eu não estava pronta para refletir sobre os seus acontecimentos tão cedo.
Continua...
Nota das autoras: Ei girls, não nos matem, mas brigas são o que dão mais emoção a fic, hahaha! Brincadeira, fiquem tranqüilas que na hora certa tudo vai se ajeitar. Enquanto isso sigam a gente no twitter Nay e Tay . Beijos e comentem!! =*